Artigos Originais
Parto vaginal após cesárea prévia em um hospital de ensino
Vaginal delivery after previous cesarean section in a teaching hospital
Parto vaginal después de una cesárea previa en un hospital de enseñanza
Parto vaginal após cesárea prévia em um hospital de ensino
Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social, vol. 1, Sup., 2021
Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Recepción: 30 Abril 2020
Aprobación: 21 Octubre 2020
Resumo: Estudo transversal e retrospectivo a partir da análise de todos os prontuários de puérperas assistidas em um hospital de ensino de Minas Gerais, no período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2016. Seu objetivo foi estimar a taxa de sucesso em parto vaginal após uma cesárea prévia, e os fatores associados ao desfecho. Foram revisados 1.157 prontuários e, após a seleção, foram analisados 215 prontuários de puérperas submetidas a parto vaginal após uma cesárea prévia. A taxa de parto vaginal após cesárea prévia foi de 55,8%, sendo associado ao desfecho a ausência de intercorrências e/ou patologias durante a gestação; gestações a termo, e ter tido pelo menos um parto normal prévio. Constata-se a necessidade de realização de estudos sobre o tema, dada as recomendações recentes, fatores a serem elucidados e resultados ainda contraditórios a respeito do parto vaginal após cesárea prévia.
Palavras-chave: Cesárea, Parto normal, Parto obstétrico.
Abstract: This is a cross-sectional and retrospective study based on the analysis of all medical records of puerperal women assisted at a teaching hospital in the state of Minas Gerais, from January 1 to December 31, 2016. This study aims to estimate the success rate in vaginal delivery after a previous cesarean section, and the factors associated with their outcome. 1,157 medical records were reviewed and, after selection, 215 records of puerperal women submitted to vaginal delivery after a previous cesarean section were analyzed. The rate of vaginal delivery after previous cesarean section was 55.8%. The factors associated with the outcome were mainly absence of complications and/or pathologies during pregnancy, full-term pregnancies, and having had at least one previous vaginal birth. There is a need for studies on the subject, given the recent recommendations, factors to be cleared and still contradictory results regarding vaginal delivery after previous cesarean section.
Keywords: Cesarean section, Natural childbirth, Delivery, Obstetric.
Resumen: Estudio transversal y retrospectivo, basado en el análisis de todas las historias clínicas de puérperas atendidas en un hospital de enseñanza de Minas Gerais del 1 de enero al 31 de diciembre de 2016, que tuvo como objetivo estimar la tasa de éxito del parto vaginal después de una cesárea previa, y los factores asociados al resultado. Se revisaron 1.157 historiales y, tras la selección, se analizaron 215 historiales de puérperas sometidas a partos vaginales después de una cesárea previa. La tasa de parto vaginal después de una cesárea previa fue del 55,8%, y el resultado se asoció a la ausencia de intercurrencias y/o patologías durante el embarazo; a los embarazos a término, y a haber tenido al menos un parto normal previo. Se observa la necesidad de realizar estudios sobre el tema, dadas las recientes recomendaciones, los factores que hay que dilucidar y los resultados aún contradictorios en relación con el parto vaginal después de una cesárea previa.
Palabras clave: Cesárea, Parto normal, Parto obstétrico.
INTRODUÇÃO
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a taxa de cesáreas sejam inferiores a 10%, e não ultrapassem 15% de todos os partos1-2. Apesar desta recomendação, 63% dos países extrapolam estas taxas, e apenas 28% apresentam índices menores que 10%03.
No Brasil, cesarianas são caracterizadas como problema de Saúde Pública devido à alta incidência de indicações inadequadas e/ou não justificáveis3-4. Desde 2009, representam mais de 50% das vias de parto, apresentando-se em ascensão crescente05. Dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) de 2016 apontam que 55,4% dos partos foram ultimados através de cesárea06, e a prevalência de cesáreas realizadas pela saúde suplementar alcança taxas de 80 a 90%07.
A OMS recomenda através de evidências fortes como medidas para redução eficaz destes índices: focar a atenção na educação de saúde das gestantes, uma vez que muitas optam pela cesárea devido a percepções errôneas e medo da dor; indicação de cesárea mediante uma segunda opinião (dupla indicação); rigorosa auditoria dos casos de pacientes submetidas à cesárea e inserção de obstetrizes/enfermeiros obstetras na assistência obstétrica01.
Além disso, sugere-se que as instituições adotem estratégias para redução das cesáreas, como a Classificação de Robson08, utilizada para identificar quem são as mulheres que devem ser submetidas a cesáreas e seus possíveis resultados; e a calculadora C-model, que consiste em uma ferramenta de probabilidade de parto operatório09.
Na tentativa de controlar o alto índice de cesarianas, faz-se necessário evitar que primigestas, assim como parturientes que tiveram apenas uma cesárea prévia, sejam submetidas à cesárea, incentivando, sempre que possível, o parto vaginal10.
O parto vaginal após cesárea (PVAC) é uma evidência fortemente recomendada para redução das cesáreas, e envolve orientação das mulheres; conscientização de profissionais de saúde; adequações dos sistemas de saúde e fatores financeiros, consistindo em uma estratégia complexa e multifatorial11. No Brasil, a taxa de sucesso de parto vaginal após uma cesárea prévia (PVAC) é de 57%, enquanto a taxa mundial varia de 60% a 80%10.
Evidências apontam que o PVAC está associado a maior satisfação e experiência positiva com o parto/nascimento; tempo de recuperação pós-parto mais rápido; baixa morbimortalidade materna e neonatal; maiores chances de novo parto vaginal no futuro; menores índices de depressão pós-parto; melhores índices de aleitamento materno exclusivo e menores índices de dor. Os riscos para o neonato e parturiente relacionado ao PVAC são semelhantes aos riscos de uma primigesta e a assistência contínua ao binômio está associado aos melhores desfechos12-13.
No entanto, dois estudos de revisão, sendo que a primeira consistiu na análise de dois ensaios clínicos com inclusão de 320 mulheres14, e a segunda apontou inexistência de ensaios clínicos randomizados e controlados15, alertam que o PVAC deve ser escolha diante de decisões cuidadosas e cautelosas14-15. Assim, sugere-se avaliação caso-a-caso12-13.
Dado que a cesárea é um problema de Saúde Pública no Brasil e apresenta crescimento alarmante; visto ainda que a taxa de sucesso do PVAC é em média de 60 a 80%, e que, com monitoramento adequado, o binômio mãe-bebê apresenta evidências positivas descritas, faz-se necessário conhecer os índices de sucesso do parto vaginal após cesárea prévia em um hospital de ensino. Assim, este estudo teve como o objetivo estimar a taxa de sucesso de parto vaginal após uma cesárea prévia, e os fatores associados ao desfecho.
MÉTODO
Trata-se de estudo de delineamento não experimental, retrospectivo, de abordagem quantitativa, sobre a prevalência de partos vaginais após uma cesárea prévia em puérperas assistidas em um hospital de ensino.
Contextualizando, o hospital é referência para resolução de gestações de alto risco, moléstias infecciosas no ciclo gravídico-puerperal, pré-natal patológico das cidades do Triângulo Sul de Minas Gerais (27 cidades) e de gestações normais de pré-natal realizados no ambulatório e no Distrito I de Uberaba (cerca de 150.000 habitantes) e de todas as cidades do Triângulo Sul de Minas Gerais que não possuem hospital.
O estudo foi realizado a partir da análise de todos os prontuários de puérperas que foram assistidas nas unidades de Alojamento Conjunto, considerando o período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2016.
Os dois pesquisadores foram capacitados e calibrados pelo pesquisador principal (docente) e os dados foram coletados no período de setembro a dezembro de 2018.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) da UFTM, com o parecer número 2.496.650, de 16 de fevereiro de 2018. Desta forma, todo o seu desenvolvimento foi guiado e pautado pelas Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas envolvendo seres humanos, contidas na Resolução 466/12/CNS/MS.
Utilizou-se instrumento próprio para coleta dos dados, contendo variáveis sociodemográficas e obstétricas, testado mediante estudo-piloto. Os dados coletados foram armazenados em planilha do Excel., com técnica de dupla digitação e após realizada a validação do banco.
Os dados foram importados para o Statistical Package for the Social Sciences (versão 23), inicialmente realizou-se a análise por estatística descritiva simples e os dados foram descritos e apresentados em tabelas. Para verificar a associação entre as variáveis e a ocorrência de PVAC, utilizou-se o teste exato de Fisher. Considerou-se significantes resultados de p≤ 0,05. Para verificar a real associação das variáveis e a ocorrência do PVAC, realizou-se a regressão linear múltipla.
RESULTADOS
Foram revisados 1.157 prontuários, dos quais foram selecionados 215 prontuários, o que corresponde a 18,6% de todos os partos do período e que compuseram a amostra final do estudo (Figura 1).

Das 215 gestantes com cesariana prévia, observou-se que a idade média foi de 26,3± 6,1, variando de 16 a 42 anos. Destas, 3,7% tinham idade inferior a 19 anos e 11,2%, igual ou superior a 35 anos. Em relação a cor, 42,3% se declararam brancas, 37,7% negras, 12,1% pardas e 7,9% dos prontuários não havia informação. A maioria das participantes era solteira (65,1%) e residia do município de Uberaba (66%).
Quando verificada a história prévia de doenças das participantes, 8,8% possuíam algum tipo de doença antes da gestação. No entanto, 47,9% das gestações cursaram com alguma patologia ou intercorrência como: síndromes hipertensivas (17,6%); hipotireoidismo (12,9%); retrovirose (6,5%); diabetes (4,6%) e lesões por HPV (4,6%).
Destaca-se que 89,8% gestantes realizaram ao menos uma consulta de pré-natal, com média de 7,0± 2,7, variando de uma a 18 consultas, 59,1% realizaram seis ou mais consultas e 47,4% realizaram o pré-natal no ambulatório do hospital.
A idade gestacional da resolução da gestação variou entre 21 e 43 semanas, sendo 74,9% a termo (37 a 41 semanas e 6 dias); 21,9% prematuras (inferior a 37 semanas) e 1,4% das gestações com idade gestacional superior a 42 semanas (pós-termo). Das medicações utilizadas para condução/indução do parto, verificou-se que 33,8% das gestantes utilizou-se ocitocina e 0,5% misoprostrol.
O número médio de gestações foi de 2,9 ± 1,4 variando de duas a oito gestações; destas, 34,9% tiveram parto normal, 17,8% tiveram abortos e 0,5% foi necessário o uso de fórceps previamente.
Dos 215 prontuários analisados, 120 (55,8%) gestantes tiveram como desfecho o parto vaginal; dessas, duas com parto operatório, à fórceps (0,9%) e 95 foram submetidas a cesárea (44,2%).
Para verificar a associação entre variáveis sociodemográficas e obstétricas, considerou-se os desfechos dos partos normal ou cesárea após uma cesárea prévia. Não foi possível comparar os dados com parto fórceps, dada sua pequena prevalência na amostra (Tabela 1).
| Variáveis | Parto normal(n=118) | % PVAC | Cesárea (n=95) | % PCPC | p |
| Idade > 35 anos | 14 | 6,5 | 10 | 4,7 | 0,830 |
| Idade < 35 anos | 104 | 48,8 | 85 | 39,9 | |
| Idade < 19 anos | 4 | 1,9 | 4 | 1,9 | 1,000 |
| Idade > 19 anos | 114 | 53,5 | 91 | 42,7 | |
| Branca | 44 | 22,4 | 46 | 23,5 | 0,060 |
| Não branca | 67 | 34,2 | 39 | 19,9 | |
| Vive com companheiro | 29 | 15,0 | 25 | 13,0 | 0,748 |
| Não vive com companheiro | 79 | 40,9 | 60 | 31,1 | |
| Com doença prévia | 10 | 4,9 | 9 | 4,4 | 0,812 |
| Sem doença prévia | 103 | 50,7 | 81 | 39,9 | |
| Patologia/intercorrência na gestação | 49 | 23,4 | 52 | 24,9 | 0,038 |
| Sem patologia/intercorrência | 68 | 32,5 | 40 | 19,1 | |
| Realizou pré natal (PN) | 103 | 50,5 | 88 | 43,1 | 0,391 |
| Não realizou pré natal | 9 | 4,4 | 4 | 2,0 | |
| 6 consultas ou + de PN | 66 | 36,5 | 59 | 32,6 | 1,000 |
| Menos de 6 consultas de PN | 29 | 16,0 | 27 | 14,9 | |
| Parto prematuro | 19 | 9,1 | 27 | 12,9 | 0,030 |
| Gestação a termo | 97 | 46,4 | 66 | 31,6 | |
| Trabalho de parto induzido | 46 | 21,8 | 25 | 11,8 | 0,078 |
| Trabalho de parto espontâneo | 72 | 34,1 | 68 | 32,2 | |
| Parto normal anterior | 50 | 23,7 | 25 | 11,8 | 0,014 |
| Nenhum parto normal anterior | 66 | 31,3 | 70 | 33,2 |
Para verificar a real associação das variáveis e a ocorrência do PVAC, realizou-se a regressão linear múltipla. Foram colocadas no modelo as variáveis que apresentaram significância estatística na análise univariada (Tabela 1) com p<0,05: ausência de patologias/intercorrências na gestação; gestação a termo; e experiência de parto normal prévio.
Quando analisadas as variáveis através do modelo de linear múltipla, verifica-se que ausência de patologias/intercorrências durante a gestação e ter tido parto anterior em gestação prévia, apresentaram significância estatística, sendo que ambas as variáveis comportaram-se como fator de proteção a ocorrência de nova cesárea e aumento das chances de sucesso de PVAC, conforme aponta a Tabela 2.
| Variável | Coeficiente | (IC 95%) | p |
| Ausência de patologia/intercorrência na gestação | -0,150 | (-0,284) – (- 0,014) | 0,031 |
| Gestação a termo | 0,168 | (-0,018) – 0, 311 | 0,080 |
| Parto normal prévio | 0,122 | 0,035 – 0,313 | 0,015 |
DISCUSSÃO
A taxa de sucesso de PVAC na amostra de estudo foi de 55,8% (54,9% - parto normal). Esse índice foi inferior a resultados de estudos realizados no Canadá16, China17 e Colômbia18, onde as taxas de sucesso alcançaram entre 75 a 85%16-18, porém foi superior às taxas obtidas em na Holanda e na República Checa19-20, com valores de 46% e 24% respectivamente.
A idade média das mulheres que tinham uma cesárea prévia foi semelhante à faixa etária de puérperas incluídas em estudo colombiano18. Entretanto, foi inferior à idade encontrada em estudos que avaliaram o índice de sucesso de PVAC, que variou de 31 a 35 anos17,20-21. Nesta casuística, a idade não associou-se aos índices de sucesso do PVAC, entretanto, a pesquisas apontam maiores taxas de sucesso em mulheres jovens12,16,18 e o risco de cesáreas recorrentes em mulheres com idade acima de 35 anos12,22.
A maioria das mulheres declararam-se brancas e solteiras mas, não houve associação destas variáveis com a ocorrência de PVAC. Contudo, em outros trabalhos, encontrou-se associação de mulheres não brancas com maiores índices de cesáreas recorrentes12,18,22.
Houve predomínio de mulheres cuja gestação cursou sem patologias e/ou intercorrências e maiores taxas de sucesso para o PVAC. De maneira semelhante, um estudo apontou que a ausência de comorbidades é um bom preditor de sucesso para PVAC22. Das que possuíram intercorrências ou patologias, foram mais frequentes as síndromes hipertensivas. Casos de pré-eclâmpsia são fatores associados à redução de probabilidade de sucesso de PVAC12,18.
A maioria das gestações estavam a termo no momento da admissão para o nascimento e a idade gestacional apresentou significância estatística na análise univariada. Estudos apresentam resultados contraditórios quanto à idade gestacional. Encontrou-se maiores índices de sucesso associado a idade gestacional igual ou superior a 39 semanas16,18,21, entretanto, observou-se menores probabilidades de PVAC em gestações com idade superior a 40 semanas12. Em um estudo chinês obteve-se que gestações com idade inferior a 39 semanas foram associadas a maiores taxas de PVAC17.
Não houve diferenças significativas entre mulheres admitidas em trabalho de parto espontâneo e induzido na amostra de estudo; e a ocitocina foi a droga mais utilizada na indução/condução do trabalho de parto. Estudo canadense apontou que as prostaglandinas foram as drogas mais utilizadas na indução do trabalho de parto16; entretanto, as evidências indicam que a indução para PVAC com ocitocina é a que apresenta menores riscos, embora preconiza-se cautela no uso23. Estudos apontaram associação entre: início de trabalho de parto espontâneo, maior dilatação cervical no momento da admissão, maiores escores de Bishop e melhores índices de sucesso de PVAC12,16-18.
Duas parturientes foram submetidas a parto vaginal operatório (0,9%), e, se somado com os partos vaginais, a taxa de sucesso de parto vaginal após uma cesárea aumentou para 55,8%. Estudo americano observou resultados semelhantes entre partos vaginais operatórios e cesáreas recorrentes após uma cesárea prévia para a saúde e segurança materna e neonatal24, sendo uma possível via de escolha nestes casos.
Houve predomínio de secundíparas, e 34,9% tiveram parto normal prévio, que associou-se a maiores índices de sucesso de PVAC. Estudo apontou associação entre PVAC entre multíparas, com mais de um parto prévio18, e assim como na amostra, ter tido parto vaginal prévio associou-se com maior probabilidade de PVAC12,17.
Embora não tenha sido alvo de estudo, a investigações apontam maior probabilidade de PVAC em mulheres com manutenção do peso e IMC adequado durante a gestação12,16,17,21, membranas amnióticas íntegras no momento da admissão17,18; não uso de analgesia durante o trabalho de parto17; peso fetal menor que 4000 gramas12,17 e com experiência prévia de PVAC12. Assim, o PVAC é uma busca complexa e multifatorial.
CONCLUSÃO
A taxa de PVAC foi de 55,8% (54,9% parto normal), sendo associado ao desfecho a ausência de intercorrências e/ou patologias durante a gestação; gestações a termo e ter tido pelo menos um parto normal prévio.
O presente estudo apresentou como limitações o uso de dados secundários, que pode acarretar em dados ignorados e não permitir o aprofundamento de informações e o método adotado, uma vez que por se tratar de estudo com desenho transversal, no que tange a validade externa, os dados não podem ser generalizados para outras realidades e não podem ser estabelecidas relações causais. Por sua vez, traz um retrato da realidade do PVAC durante um ano e instituição hospitalar na região.
Dessa forma, constata-se a necessidade de realização de estudos sobre o tema, dada as recomendações recentes, fatores a serem elucidados e resultados ainda contraditórios a respeito do PVAC.
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Notas de autor