Artigo Original
Ensino-aprendizagem do processo de enfermagem: percepção de discentes da graduação
Teaching-learning of the nursing process: perception of graduate students
Enseñanza-aprendizaje del proceso de enfermería: percepción de estudiantes de posgrado
Ensino-aprendizagem do processo de enfermagem: percepção de discentes da graduação
Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental Online, vol. 16, e-13091, 2024
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Recepción: 02 Febrero 2024
Aprobación: 05 Febrero 2024
Resumo: Objetivo: descrever as concepções dos discentes de graduação sobre o processo de enfermagem. Método: trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, exploratória, descritiva e transversal. Os dados coletados, armazenados durante a técnica do questionário, foram analisados à luz da análise de conteúdo de Bardin. Resultados: no processo de categorização, foram identificadas as seguintes categorias: limitações na abordagem do processo de ensino-aprendizagem do Processo de Enfermagem nas disciplinas e práticas clínicas: fragmentação e falta de continuidade; avaliação das metodologias de ensino do Processo: desafios e lacunas; uso de Linguagem Padronizada; aproximação e aplicação das Teorias de Enfermagem no contexto prático. Considerações finais: este estudo revela limitações no ensino do Processo de Enfermagem para discentes de graduação, evidenciando uma abordagem fragmentada, falta de integração interdisciplinar e desafios nas metodologias de ensino. Tais descobertas direcionam melhorias no ensino para formação mais abrangente e eficaz em Enfermagem.
Palavras-chave: Processo de Enfermagem, Aprendizagem, Estudantes de Enfermagem.
Abstract: Objective: describe the conceptions of undergraduate about the nursing process. Methods: this is a qualitative, exploratory, descriptive, and cross-sectional study. The data collected, stored during the questionnaire technique, were analyzed through Bardin's content analysis. Results: in the categorization process, the following categories were identified: limitations in the approach to the teaching-learning process of the Nursing Process in disciplines and clinical practices: fragmentation and lack of continuity; Evaluation of teaching methodologies of the Process: challenges and gaps; Use of Standardized Language; Approach and application of nursing theories in practical context. Final considerations: this study reveals limitations in the teaching of the Nursing Process for undergraduate students, highlighting a fragmented approach, lack of interdisciplinary integration, and challenges in teaching methodologies. These findings guide improvements in education for a more comprehensive and effective nursing training.
Keywords: Nursing Process, Learning, Students, Nursing.
Resumen: Objetivos: describir las concepciones de estudiantes sobre el proceso de enfermería. Método: se trata de un estudio cualitativo, exploratorio, descriptivo y transversal. Los datos recopilados, almacenados durante la técnica del cuestionario, fueron analizados a la luz del análisis de contenido de Bardin. Resultados: en el proceso de categorización, se identificaron las siguientes categorías: limitaciones en el enfoque del proceso de enseñanza-aprendizaje del Proceso de Enfermería en las disciplinas y prácticas clínicas: fragmentación y falta de continuidad; Evaluación de las metodologías de enseñanza del Proceso: desafíos y lagunas; Uso de lenguaje estandarizado; Aproximación y aplicación de teorías de enfermería en el contexto práctico. Consideraciones finales: este estudio revela limitaciones en la enseñanza del Proceso de Enfermería para estudiantes de pregrado, evidenciando un enfoque fragmentado, falta de integración interdisciplinaria y desafíos en las metodologías de enseñanza. Estos hallazgos orientan mejoras en la educación para una formación en enfermería más integral y efectiva.
Palabras clave: Proceso de Enfermería, Aprendizaje, Estudiantes de Enfermería.
INTRODUÇÃO
O Processo de Enfermagem (PE) pode ser compreendido como o principal modelo metodológico para o desempenho sistemático da prática profissional, ou um instrumento tec- nológico de que se lança mão para favorecer o cuidado. Este organiza e proporciona visibilidade às ações dos profissionais ao promover um cuidado humanizado que qualifica a assistência de enfermagem(1).
A implementação do PE emerge como um pilar funda- mental para a qualidade do cuidado prestado aos pacientes, bem como para a valorização da profissão de enfermagem. O PE é estruturado em etapas sequenciais e inter-relacionadas, a saber: coleta de dados, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação(2-3). Destaca-se por ser orientado pela pesquisa e evidência científica. O PE auxilia no pensamento crítico e no registro de informações como uma abordagem abrangente e sistematizada, o que contribui para que nenhum aspecto importante do cuidado seja negligenciado(4-5).
No entanto, acredita-se que as dificuldades quanto à operacionalização do PE estejam correlacionadas ao conhecimento insuficiente desde o processo de formação, o que gera insegurança e resistência à implementação do método por parte de profissionais de enfermagem(6). Nesse contexto, torna-se necessária uma análise profunda e reflexiva acerca da configuração curricular e dos conteúdos programáticos adotados nos cursos de graduação em enfermagem, os quais deveriam ser revisados regularmente com a incorporação das mais recentes práticas e evidências científicas, a fim de garantir que os enfermeiros desenvolvam competências clínicas necessárias na utilização do PE(7).
A falta de preparação teórica e prática adequada para a implementação do PE revela deficiências no currículo de ensino de enfermagem. Quando tais lacunas não são devidamente abordadas durante a formação acadêmica, pode acarretar implicações diretas na prática do enfermeiro, como a descontinuidade na prestação de assistência, julgamentos imprecisos quanto aos resultados, dentre outros. A falta de conhecimento impacta significativamente, não apenas no aspecto assistencial, mas também nas dimensões financeiras, legais e administrativas do cuidado em saúde(8-9).
No sentido de assegurar a preparação desses profissionais para a efetiva implementação do PE em sua prática clínica, é necessário compreender a importância atribuída pelos discentes ao PE de forma a elucidar as facilidades e dificuldades enfrentadas por eles no ensino teórico e prático durante a graduação, no intuito de oferecer subsídios para a elaboração de estratégias que estimulem as habilidades e competências e para a melhor assimilação do PE(10).
Face ao exposto e partindo da ideia de que o ensino do PE contribui para o fortalecimento e maior visibilidade e autonomia da Enfermagem, bem como para construção de competências assistenciais do graduando em enfermagem, esse estudo teve como objetivo descrever as concepções dos discentes de graduação sobre o PE.
MÉTODOS
Estudo qualitativo, exploratório, descritivo e transversal conduzido de acordo com as diretrizes do Consolidated Cri- teria for Reporting Qualitative Research (COREQ) (https:// A coleta de dados foi realizada de janeiro a fevereiro de 2023, envolvendo alunos do Curso de Graduação de Enfermagem de uma instituição de ensino no sul de Minas Gerais. Os critérios de elegibilidade incluíram estudantes com 18 anos ou mais, regularmente matriculados em qualquer período do curso de enfermagem da instituição. A exclusão ocorreu para os alunos ausentes no dia designado para a coleta de dados.
A amostra de 39 alunos foi recrutada por meio de convites distribuídos em grupos de WhatsApp da instituição. Antes da coleta, os alunos receberam informações sobre o estudo, incluindo os objetivos, através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O anonimato foi preservado substituindo os nomes dos participantes por letras "D" enumeradas aleatoriamente após a conclusão do questionário. Os participantes tiveram a opção de recusar responder a certas perguntas ou retirar sua participação sem prejuízo.
Foi realizado um levantamento de dados por meio de um questionário no Google Forms. O questionário incluiu perguntas fechadas para caracterizar o perfil sociodemográfico dos participantes, abordando variáveis como sexo, idade e período. A segunda parte do questionário explorou questões relacionadas ao ensino-aprendizagem do Processo de Enfermagem (PE) na instituição de ensino dos participantes. Tais questões incluíram indagações sobre a aplicação do PE nos cenários de prática, o uso de sistemas de linguagem padronizadas, a avaliação das metodologias de ensino empregadas pelos docentes, além de identificar facilidades e dificuldades no ensino-aprendizagem do PE.
O questionário também abordou a familiaridade dos participantes com teorias de enfermagem, como aplicaram essas teorias nas disciplinas práticas, e destacou facilidades e dificuldades no processo de ensino-aprendizagem relacionado às teorias de enfermagem.
Os dados foram coletados em uma sala reservada na Escola de Enfermagem, equipada com computadores para facilitar o acesso dos participantes ao questionário online. As entrevistas foram analisadas em três fases, utilizando a análise de conteúdo de Bardin (11). Na primeira fase, ocorreram a transcrição e leitura flutuante das respostas, visando apreender as ideias principais. Na fase de exploração, unidades de sentido foram selecionadas, reduzindo o texto a palavras e expressões significativas relacionadas ao objetivo do estudo. A análise foi concluída com a categorização das unidades de sentido segundo grau de proximidade, permitindo a expressão de significados, interpretações e elaborações (12). A pesquisa seguiu as diretrizes da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde e foi aprovada pelo Comitê de Ética da instituição de ensino (CAAE: 65905722.8.0000.5142).
RESULTADOS
O estudo envolveu 39 participantes, predominantemente do sexo feminino (89,7%) e com idades entre 21 e 23 anos (64,2%). A maioria estava no 7º período de graduação (23;59%) e iniciou os estudos universitários entre 2020 e 2021 (30; 76,9%). A análise das respostas revelou categorias empíricas: Limitações na abordagem do processo de ensino-aprendizagem do PE nas disciplinas e práticas clínicas: fragmentação e falta de continuidade; Avaliação das metodologias de ensino do PE: desafios e lacunas; Uso de LP no PE; Aproximação e aplicação das teorias de enfermagem no contexto prático.
Limitações na abordagem do PE foram evidenciadas, destacando a fragmentação e falta de continuidade.
O PE ocorre de forma mais aprofundada na SAE, em outras disciplinas os professores apenas comentam e discutem sobre sua necessidade de utilização. (D1)
Baseado no raciocínio clínico que foi bastante trabalhado, mas acaba sendo um pouco imperceptível a aplicação do processo, até porque só foi citado em uma disciplina nova- mente. (D7)
A matéria de SAE, foi um ótimo aprendizado no quarto período da graduação em Enfermagem, agora adquirimos o saber para aplicá-la, entretanto não são todos os docentes que seguem essa linha de raciocínio. (D8)
A análise também revelou que, em muitas situações, a abordagem se restringe à apresentação teórica e discussão de casos específicos, sem uma conexão ampla com outras disciplinas ou práticas clínicas.
O processo é abordado com o auxílio de Teorias de Enfermagem e em casos clínicos, que permitem um pensamento crítico, muito importante para a aplicação do processo. (D7)
Professores aplicam casos clínicos pedindo diagnósticos e intervenções de Enfermagem. (D15)
Infelizmente, até hoje nas práticas, não me vi aplicando o Processo por completo, principalmente por falta de tempo e falta de contato contínuo com os pacientes. (D19)
A percepção dos discentes sobre as metodologias utilizadas no ensino do PE variou. Alguns consideraram eficazes, enquanto outros expressaram dificuldades, incluindo a falta de continuidade e a superficialidade de algumas abordagens.
De uma forma geral, vejo que foi muito bem abordada, promovendo o interesse e o conhecimento sobre o Processo de Enfermagem. (D9)
Considero as metodologias empregadas muito boas, pois encaixam perfeitamente a teoria com a prática. (D13)
Em parte, utilizam da metodologia ativa para ensinar o PE, e isso é muito bom para nosso aprendizado e para fixar as etapas do Processo. Um dos entraves é que só vemos o PE em uma disciplina e posteriormente, nos deparamos com campos de prática, que não o utilizam nas suas rotinas. (D1)
Acho a metodologia ineficaz e muito pouco abordada no processo de ensino. Não há a continuação do ensino a respei- to do assunto e pouca aplicação na prática. (D11)
A partir dos depoimentos, podemos concluir que as principais facilidades são a compreensão da importância do PE para o atendimento, a utilização de um método padronizado de organização do cuidado, a aplicação prática em casos clínicos e a possibilidade de autonomia e individualização do cuidado:
O PE facilita ao discente de Enfermagem entender sua área de atuação, mostrando a importância de ter o pensamento crítico para realizá-lo. Além de demonstrar que através dele o profissional possui mais autonomia em seu trabalho. (D9)
O PE ajuda a elaborar uma estratégia para o cuidado do paciente, pois as etapas contribuem para a individualização do cuidado. (D12)
A variação na solicitação e utilização de sistemas de LP nas disciplinas de enfermagem foi observada. Alguns professores solicitam o uso de LP específicas, como NANDA-I, NIC e NOC, enquanto em outras disciplinas não há uma padronização clara.
Os mais utilizados são NANDA-I, NIC e NOC. (D2)
Alguns professores solicitam o uso da NANDA-I para DE e já houve o caso do uso da CIPESC para Diagnósticos e Intervenções. (D18)
Geralmente é solicitado o levantamento de diagnósticos por meio da NANDA-I. Já tivemos contato também com o CIPESC. (D17)
Na maioria das disciplinas matriculadas a padronização mais utilizada e requerida pelos docentes é o NANDA e a CIPE. (D22)
É mais utilizado as Linguagens NANDA-I, NIC e NOC, porém não há uma padronização, os professores estão abertos a todos as taxonomias. (D9)
Nunca é solicitado diretamente por um professor o uso de linguagem padronizada, é subentendido que a gente saiba como aplicar a NANDA-I, NIC e NOC. (D7)
Quanto às teorias de enfermagem, os participantes mencionaram facilidades, como a compreensão da importância do PE e a aplicabilidade prática das teorias em situações clínicas. No entanto, também foram relatadas dificuldades, incluindo a complexidade das teorias e a falta de aplicabilidade prática durante a formação acadêmica.
As teorias vão fundamentar toda visão holística do atendi- mento, desde a anamnese até as intervenções e orientações. (D8)
Como cada teoria tem um foco de atuação, contribui para desenvolver um cuidado centrado no paciente que se enquadra no perfil de atuação. (D12)
Entendendo sobre o autocuidado de cada paciente, a necessidade particular de cada um. (D15)
As teorias ajudam a facilitar como seguir uma linha de raciocínio para a realização do PE, logo, facilitam a interpretação e prática de ações mais viáveis e visuais para o processo e ensino. (D8)
A falta de compreensão acerca de algumas teorias. (D10)
Não consegui compreender a diferença entre as teorias, pois há uma grande quantidade de teorias, e há pouca aplicação e abordagem delas na prática. (D11)
Muitas vezes podem ser complexas e extensas, precisando de cuidado no entendimento antes de utilizá-las. (D13)
DISCUSSÃO
A abordagem qualitativa adotada nesta pesquisa possibilitou a revelação de insights sobre um tema frequentemente explorado, porém, muitas vezes, negligenciado em termos de transformações em seu processo de ensino nas instituições educacionais. Essa metodologia ofereceu uma compreensão mais aprofundada e contextualizada, contribuindo para uma visão mais abrangente do impacto do tema no cenário educacional.
A categoria 1 deste estudo ressalta as limitações durante o ensino-aprendizagem do PE nas disciplinas e práticas clínicas: fragmentação e falta de continuidade. Por meio dessa análise, nos relatos dos estudantes, foi observado que o ensino do PE ocorre de forma exclusiva em disciplinas específicas, como a SAE, mas não é abordado de maneira consistente e contínua ao longo do curso.
Ao longo da graduação, os estudantes são instruídos sobre a aplicação do PE e a utilização de outros sistemas de classificação de enfermagem, tais como NANDA-I, NIC, NOC, CIPE e CI- PESC, no entanto, ainda existe limitações durante a abordagem educacional. A inserção do PE e sua contextualização com outras disciplinas do curso, permite que os estudantes adquiram uma base teórica sólida, com aprimoramento intelectual e aquisição de habilidades essenciais desde o início de sua formação(14).
Apesar dos esforços, o processo de ensino-aprendizagem do PE continua a ser um desafio, sobretudo devido à carência de práticas que promovem o desenvolvimento eficaz dessa ferramenta(15). Esse modelo de ensino tradicional favorece uma compreensão fragmentada do conhecimento, o qual representa um desafio para a aplicação da prática do saber. Tais limitações têm o potencial de comprometer a habilidade dos estudantes em incorporar de maneira eficaz e abrangente o PE em sua prática clínica(16).
A categoria 2 abordou a avaliação das metodologias de en- sino do PE: desafios e lacunas de acordo com a opinião dos participantes da pesquisa. Nesta etapa foi relatado como os docentes transmitem o conteúdo acerca do PE, por meio de diversas metodologias. Vale ressaltar que, embora os estudantes mencionem que os professores empregam várias metodologias, eles não as especificam.
A priori, constata-se que transmitir o conhecimento relacionado ao PE representa um desafio intrínseco à formação em Enfermagem, muitas vezes restringido ao domínio teórico. Sendo assim, para que ocorra essas modificações, é necessário a adoção de abordagens pedagógicas ativas e dinâmicas durante o ensino, com ênfase na imersão dos estudantes em contextos práticos que reflitam suas futuras atividades profissionais. Essa abordagem visa promover o desenvolvimento de uma educação e aprendizagem crítica e reflexiva, incentivando a participação ativa dos alunos e capacitando-os a assumir um papel de protagonista em seu próprio PE(17-18).
Adicionalmente, a promoção de metodologias inovadoras de ensino-aprendizagem torna-se crucial, uma vez que possibilita uma abordagem mais personalizada. Dado que cada estudante possui suas próprias necessidades e estilos de aprendizagem, estratégias educacionais inovadoras podem ajudar a atender a essa diversidade e aprimorar o desenvolvimento do raciocínio clínico em enfermagem. Além disso, tais abordagens podem encorajar a autenticidade e a aplicação prática do raciocínio clínico para a condução do PE, preparando os estudantes para enfrentar os desafios complexos da prática profissional. Portanto, a busca por métodos de ensino dinâmicos e personalizados é essencial para promover o crescimento do RC entre os futuros enfermeiros (19-20).
Apesar dos obstáculos encontrados, foram identificados alguns fatores que facilitam a integração da teoria com a prática no ensino. Os relatos revelaram uma ampla gama de abordagens metodológicas, algumas das quais foram relatadas de forma satisfatória e eficaz, especialmente aquelas que fornecem articulação de entre a teoria, a prática e o processo de aprendizagem. Logo, a compreensão de promover uma prática efetiva, com reflexão crítica e pesquisa dentro da prática de enfermagem torna o aprendizado dinâmico com foco no desenvolvimento
profissional do estudante(21).
A respeito da categoria 3, essa retrata os relatos de como os discentes fazem uso das Taxonomias e Linguagens Padronizadas nas disciplinas de Enfermagem, enfatizando o uso da NANDA-I e reforçando a diversidade na solicitação e utilização de outras taxonomias, o que estabelece certa inconsistência dos registros e dificuldade de comunicação entre os profissionais de saúde.
As taxonomias de enfermagem desempenham um papel crucial na pesquisa e na prática de enfermagem. Essas terminologias estabelecem uma LP que aprimora a comunicação entre a equipe, o planejamento e a prestação de cuidados. Ao adotar as taxonomias, os enfermeiros são capazes de organizar e estruturar o cuidado de enfermagem, o que permite maior visibilidade e impacto na assistência ao paciente, uma vez que utiliza a prática baseada em evidência para ter melhores resultados em suas condutas(22).
A integração da LP desempenha um papel fundamental no currículo de enfermagem, uma vez que os estudantes aprendem a utilizar esses sistemas de classificação desde cedo em sua forma- ção, preparando-os para a avaliar e identificar as necessidades do paciente de forma sistemática. Ademais, as taxonomias permitem que o cuidado seja melhor registrado e documentado, além de reduzir a probabilidade de erros e omissões na prestação de cuidados, contribuindo para a segurança do paciente(23).
A categoria 4 reflete a importância das teorias no PE, destacando as experiências dos discentes em relação ao uso e entendimento dessas teorias na prática clínica e as dificuldades encontradas nesse processo. Os depoimentos dos discentes revelaram que outras teorias de enfermagem muito utilizadas por eles foram Florence Nightingale, Wanda de Aguiar Horta e Marjory Gordon. A teorias de enfermagem oferecem fundamentos para a prá- tica de enfermagem, auxiliando os enfermeiros a organizarem os cuidados de enfermagem e permitem-lhes oferecer cuidados de maior qualidade no seu dia-a-dia(24). Além disso, forneceram princípios e diretrizes que orientam os discentes na tomada de decisões clínicas e na elaboração do plano de cuidados. Portanto, servem como base para a criação de diversos instrumentos para a coleta de dados, que são utilizados como ferramentas facilitadores nas disciplinas de enfermagem. Logo, as teorias se tornam importantes guias para a prática do PE, auxiliando não só na coleta de dados, mas também no diagnóstico, planejamento,
implementação e avaliação do cuidado(25).
Apesar das informações valiosas proporcionadas, este estudo apresenta limitações a serem consideradas. Primeiramente, a coleta de dados baseou-se em depoimentos dos discentes e pode refletir uma perspectiva subjetiva e individualizada, que limita a generalização dos resultados para um contexto mais amplo. Além disso, o estudo concentrou-se em uma instituição específica, o que pode limitar a generalização dos achados para diferentes ambientes acadêmicos em enfermagem.
É essencial destacar ainda que as conclusões deste estudo refletem um momento específico no tempo e podem ser influenciadas por mudanças nas políticas educacionais ou práticas clínicas ao longo do tempo. Ao considerar essas limitações, faz-se necessário interpretar os resultados com cautela e incentivar pesquisas futuras que abordem essas questões de maneira mais abrangente, incorporando diversas perspectivas e contextos educacionais, buscando uma contínua evolução e melhoria dos programas de ensino em enfermagem.
Ainda assim, este estudo oferece contribuições de grande relevância para a prática clínica, destacando áreas específicas passíveis de aprimoramento no ensino do PE. Os resultados encontrados não só abordam as lacunas identificadas no ensino do PE, mas contribuem no ensino do PE, visto que oferecem direcionamentos claros para aprimorar a formação dos profissionais de enfermagem. Portanto, essa abordagem visa aprimorar significativamente a qualidade da formação e, por conseguinte, o padrão assistencial oferecido pelos futuros profissionais de enfermagem.
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Notas de autor
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