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FATORES ASSOCIADOS A ADESÃO E BARREIRAS A TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA: RELAÇÃO COM O APOIO SOCIAL EM IDOSOS
Factors associated with medication adherence and therapeutic barriers: relationship with social support in the elderly
Factores associados a la adherencia a la medicación y barreras terapéuticas: relación con el apoyo social en ancianos
Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental Online, vol. 16, e-13016, 2024
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Artigo Original

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Recepción: 22 Noviembre 2023

Aprobación: 11 Enero 2024

Resumo: Objetivo: associar a adesão e as barreiras da terapêutica medicamentosa com o apoio social em idosos. Método: estudo transversal e analítico, realizado em um ambulatório na cidade de São Paulo – SP, com 117 idosos, no período de março a novembro de 2019. Para coleta de dados foram utilizados o teste de Morisky Green (TMG) e a escala Brief Medical Questionnaire, e a Medical Outcomes Study. A correlação entre as variáveis foi realizada pelo teste de Kruskal-Wallis e o teste de Mann-Whitney. Em todas as análises comparativas foi utilizado um nível de significância de 5% e intervalo de confiança de 95%. Resultados: idosos que possuem apoio social na dimensão emocional e de informações apresentaram menores barreiras na adesão dos medicamentos (p=0,0216). Conclusões: esses resultados têm implicações importantes para a prática clínica, pois, os idosos mais vulneráveis com baixo apoio social possuem maiores barreiras ao uso da medicação.

Palavras-chave: Adesão à medicação, Barreiras ao acesso aos cuidados de saúde, Apoio social, Idoso, Envelhecimento.

Abstract: Objective: to associate adherence and barriers to medication therapy with social support in the elderly. Method: cross-sectional and analytical study, carried out in an outpatient clinic in the city of São Paulo – SP, with 117 elderly people, from March to November 2019. The Morisky Green test (TMG) and the Brief scale were used to collect data Medical Questionnaire, and the Medical Outcomes Study. The correlation between variables was performed using the Kruskal-Wallis test and the Mann-Whitney test. In all comparative analyzes a significance level of 5% and a confidence interval of 95% were used. Results: elderly people who have social support in the emotional and informational dimensions presented lower barriers to medication adherence (p=0.0216). Conclusions: these results have important implications for clinical practice, as the most vulnerable elderly people with low social support have greater barriers to using medication.

Keywords: Adherence to medications, Barriers to accessing health care, Social support, Older adult, Aging.

Palabras clave: Cumplimiento de la medicación, Barreras de acceso a los servicios de salud, Apoyo social, Anciano, Envejecimiento

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas o Brasil vivenciou uma transição demográfica acelerada, que resulta da diminuição repentina das taxas de fecundidade e uma ascendência dos índices do envelhecimento populacional. Entretanto, a transição epidemiológica observada é demonstrada, entre outros aspectos, pelos desafios das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) e dos cuidados advindos dos seus fatores de risco e das complicações no curso da doença, em consequências disso, principalmente, as relacionadas as complicações da não adesão e as barreiras do uso da medicação e, também, no que tange a identificação do suporte do apoio social para melhora da utilização da terapêutica farmacológica.1-3

No contexto das DCNT, expressa-se a necessidade de conhecer o comportamento da população idosa, que pode refletir em impactos na saúde quanto a adesão e o apoio social nas dimensões do uso da medicação, visto que as condições em que as pessoas vivem influenciam na qualidade de vida e na saúde. Sendo assim, a adesão é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “a medida em que o comportamento de uma pessoa, como tomar medicamentos, seguir uma dieta e/ou executar mudanças no estilo de vida, corresponde às recomendações acordadas com um profissional de saúde”.2,3

A literatura demonstra que a não adesão se refere a desvios do planejado, entre o paciente e o profissional da saúde, para a realização do tratamento e inclui a subutilização, superutilização e o uso incorreto de medicamentos, pois, existem dois tipos gerais de não adesão: a não adesão não intencional, associada a fatores como os esquecimentos, a incompreensão ou a complexidade do regime, e a não adesão intencional, que ocorre quando uma pessoa decide não fazer o uso do medicamento conforme o instruído. Todavia, pesquisas sobre a adesão a medicação são como rastrear estratégias para lidar eficazmente com as condições crônicas de saúde, visto que, as consequências da não adesão na capacidade de tomar os medicamentos, podem incluir respostas abaixo do ideal, recorrência da doença, eventos adversos, aumento da utilização dos serviços de saúde, hospitalizações não planejadas, aumento da morbidade e mortalidade e aumento dos custos com os cuidados de saúde.4-10

A capacidade de consumir a medicação e a adesão são influenciadas por fatores relacionados aos consumidores, suas terapias, suas condições médicas, os fatores sociais, os provedores de cuidados de saúde e os fatores relacionados ao sistema de saúde, sendo assim, podendo estar inter-relacionadas, pois, a não adesão pode resultar de um paciente ser incapaz de seguir instruções ou a dificuldade de remover os medicamentos da embalagem, esses são fatores, dentre outros, que podem ser identificados como barreiras para a adesão ao tratamento, dessa forma, o uso inadequado dos medicamentos tem estimulado a realização de pesquisas para verificar os fatores relacionados as barreiras. Além disso, muitos resultados adversos à saúde podem ser evitáveis, se medidas apropriadas forem iniciadas para identificar esses fatores de risco e otimizar a capacidade de adesão e utilização dos fármacos.4-10

O suporte do apoio social associado a adesão à medicação e na identificação de barreiras para a adesão determina uma compreensão dos fatores relacionados ao entendimento do paciente, suas crenças ou habilidades; os fatores socioeconômicos; relacionados à condição de saúde dos idosos, como a presença de comorbidades; fatores relacionados à terapia, como a complexidade do regime medicamentoso; e, os fatores relacionados ao sistema de saúde ou à equipe de saúde, como a comunicação com os profissionais de saúde.11-15

O apoio social é caracterizado pela percepção ou a experiência vivenciada sobre o cuidado, o reconhecimento e o estigma que outras pessoas têm deste apoio, o mesmo, pode ser identificado como algo que diz respeito aos recursos colocados à disposição em situações de necessidades, por outras pessoas ou instituições. A avaliação do suporte social mesura o grau com que as relações interpessoais representam a determinadas funções e disponibilizam o suporte ao idoso em momentos de crise ou readaptação.11-15

O apoio social, normalmente, possui quatro dimensões, o suporte instrumental, identificado como a prestação de ajuda e serviços tangíveis; o suporte informativo, demonstrado por proporcionar informações, conselhos ou sugestões úteis para resolver os problemas; o suporte avaliativo, depreendido pela entrega de informações ao outro que é útil para autoavaliação; e o suporte emocional, que envolve a expressão de empatia, amor, confiança e preocupação.11-15

No tocante ao apoio social, como uma de suas funções críticas das relações sociais, possui benefícios para a saúde em diferentes níveis assistenciais, sendo oferecido por uma instituição ou pessoa, e ao ser percebido pelo receptor de maneira positiva tem sido considerado um fator protetor para auxiliar no tratamento das doenças e apresentado uma relação favorável com os efeitos para a saúde, ou seja, não basta oferecer o suporte a uma pessoa, mas, também, deve ser vivenciado como importante e necessário pelo receptor para que possa ser relacionado aos efeitos positivos.11-15

No que concerne esta pesquisa, investigar a associação das variáveis do suporte social na área do envelhecimento e a adesão e as barreiras ao uso da medicação provavelmente implicam em um fator representativo no cotidiano dos idosos, pois, as dificuldades identificadas na adesão e as barreiras advindas da não adesão a terapêutica, principalmente as relacionadas ao apoio social, podem comprometer a capacidade funcional e o desequilíbrio do tratamento das DCNT. Portanto, o objetivo deste estudo foi associar a adesão e as barreiras da adesão ao tratamento medicamentoso com o apoio social percebido pelos idosos atendidos em um ambulatório de especialidades.

MÉTODOS

Estudo transversal e analítico, realizado conforme as recomendações do STROBE Statement.16 Pesquisa realizada na cidade de São Paulo – SP, no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) do Idoso na região Sudeste. O período de coleta de dados foi de março a novembro de 2019.

A média de atendimentos no AME é de 288 idosos ao mês. A amostra foi não probabilística por conveniência, sendo utilizada uma fórmula de N =[(zα +zβ)÷C]2 +3, sendo R = coeficiente de correlação, C=0.5×ln[(l+r)/(l−r)], N = total da amostra, α = nível de significância (bilateral) e β = 1-poder do teste. Os valores adotados foram Zα = 95%, Zβ = 80%, R = -0,248.

Uma amostra-piloto foi realizada com 20 pacientes e calculada utilizando-se um coeficiente de correlação de Pearson, a mesma foi incluída no estudo. A amostra foi obtida pela correlação entre o teste de Morisky Green (TMG)17 e o Brief Medication Questionnaire (BMQ)18, para avaliar a adesão e as barreiras a adesão da medicação, e a Escala de Apoio Social do Medical Outcomes Study (MOS-SSS),19 para avaliar o apoio social. Assim, ao substituir os valores na fórmula, seriam necessários a inclusão de 117 idosos. A amostra foi representativa no local de realização da pesquisa, mas não é representativa para a região Sudeste da cidade de São Paulo.

Os critérios de inclusão foram idosos com idade a partir de 60 anos, assistidos no AME Idoso Sudeste, capazes de compreender e responder aos questionários do estudo, com pontuação no Miniexame do Estado Mental (MEEM) maior de 13 pontos para analfabetos e 18 pontos para aqueles com mais de 1 ano de escolaridade e com regimes terapêuticos a partir de dois medicamentos. Todos os idosos incluídos foram mantidos até o final do estudo.

O período de coleta de dados foi de março a novembro de 2019. Os dados sociodemográficos e clínicos foram coletados por meio de entrevista individual realizada entre o idoso e o pesquisador, os quais foram registrados em um formulário estruturado, com informações sobre idade, sexo, escolaridade, estado civil, ocupação, renda familiar, morbidades e medicamentos de uso contínuo. Todos os instrumentos utilizados nesta pesquisa foram traduzidos para o português e validados. Também foi solicitada autorização ou solicitação de licença institucional para utilização dos instrumentos.

Para avaliar a adesão do paciente ao tratamento medicamentoso foi utilizado o TMG, instrumento composto por quatro perguntas: você às vezes tem problemas em se lembrar de tomar a sua medicação? Você às vezes se descuida de tomar seu medicamento? Quando está se sentindo melhor, você às vezes para de tomar seu medicamento? e Às vezes, se você se sentir pior ao tomar a medicação, você para de tomá-la? O teste possui o escore de alta, média e baixa adesão ao tratamento medicamentoso. Sendo assim, ao responderem quatro perguntas negativas significa alta adesão; quando uma ou duas respostas são positivas o paciente é classificado em média adesão e se três ou quatro respostas são positivas, o idoso encontra-se no grupo de baixa adesão.17

Para identificar as barreiras à adesão ao tratamento, na perspectiva do paciente, foi utilizado o instrumento BMQ. Trata-se de um instrumento dividido em três domínios: o primeiro verifica o comportamento do paciente em relação à adesão ao tratamento prescrito; o segundo avalia a crença do idoso em relação à eficácia da terapêutica e relatos dos efeitos colaterais indesejados; e o terceiro domínio está relacionado ao recordatório sobre o uso dos medicamentos. As respostas afirmativas em cada um dos domínios identificam barreiras ao regime de tratamento prescrito, crenças no tratamento e/ou recordação em relação a tomar os medicamentos.18

O apoio social percebido pelos idosos foi avaliado pela escala MOS-SSS, a mesma foi validada, traduzida para o português e adaptada transculturamente para o Brasil,19 e a validação da variação dos escore da escala de baixo, médio e alto em 2018.12 O instrumento possui quatro dimensões de apoio social que são: dimensão material (quatro perguntas) – provisão de recursos práticos e ajuda material, com escore variando de 4 a 20 e o nível de percepção variando de baixo (escore 0 a 6), médio (escore 7 a 13) e alto (escore igual ou superior 14); dimensão afetiva (três perguntas) – demonstrações físicas de amor e afeto, com escore variando de 3 a 15 e o nível de percepção variando de baixo (escore 0 a 4), médio (escore 5 a 10) e alto (escore igual ou superior 11); dimensão emocional e informação (oito perguntas) – habilidade da rede social em satisfazer as necessidades individuais em relação a problemas emocionais, por exemplo, situações que exijam sigilo e encorajamento em momentos difíceis da vida, contar com pessoas que aconselhem, informem e orientem, com escore variando de 8 a 40 e o nível de percepção variando de baixo (escore 0 a 12), médio (escore 13 a 28) e alto (escore igual ou superior 29); e dimensão interação social positiva (quatro perguntas) – contar com pessoas com quem relaxar e divertir- se, com escore variando de 4 a 20 e o nível de percepção variando de baixo (escore 0 a 6), médio (escore 7 a 13) e alto (escore igual ou superior 14). Para todas as perguntas, cinco opções de resposta foram apresentadas: 1 (“nunca”); 2 (“raramente”); 3 (“às vezes”); 4 (“quase sempre”) e 5 (“sempre”). A escala total de MOS com as quatro dimensões varia de 19 a 95 pontos e quanto maior o escore maior será a percepção do apoio social.12,19

As variáveis sexo, idade, escolaridade, estado civil, emprego, renda individual e familiar, número de medicamentos utilizados diariamente, classes medicamentosas e comorbidades foram analisadas por estatística descritiva, apresentando frequências, médias, desvio padrão e medianas e variação (mínimo e máximo). Os dados coletados foram armazenados em uma planilha eletrônica por meio do programa Microsoft Office 2016 Excel® e analisados por estatística descritiva pelo programa utilizado para a análise foi o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), em sua versão 19.

A correlação entre MOS-SSS com TMG foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis e para comparar as barreiras com o BMQ e o MOS-SSS foi realizada pelo teste de Mann-Whitney. Em todas as análises comparativas foi utilizado um nível de significância de 5% (p≤0,05) e o intervalo de confiança de 95%.

O estudo foi desenvolvido após a análise e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) pelo CAAE: 03691418.3.0000.5505, número do parecer 3.165.580 no ano de 2019, após anuência do ambulatório e seguindo as conformidades da resolução 466/12 para a realização de pesquisas com seres humanos do Conselho Nacional de Saúde (CNS).20 Os idosos foram previamente informados sobre a pesquisa e consentiram em participar, voluntariamente, assinando um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O sigilo e a confidencialidade das informações coletadas foram assegurados.

RESULTADOS

O total de idosos entrevistados foram 117, a média de idade deles foi de 71,5 anos, 108 eram do sexo feminino, 44 viúvos, com média de 6,5 anos de estudo, 94 eram aposentados ou pensionistas e tinham renda familiar de 1,85 salários-mínimos. O número médio de medicações em uso foi de 5,8, sendo os mais utilizados os anti-hipertensivos (72,6%), as estatinas (56,4%), os antidiabéticos orais e insulinas (40,6%) e os analgésicos (45,3%).

Em relação à adesão ao tratamento, 44,4% dos participantes apresentaram baixa e média adesão ao uso dos fármacos, respectivamente, e 11,1% tiveram alta adesão a medicação. Em relação as barreiras na adesão a medicação, 72,6% no domínio comportamento e 65% na categoria crenças não apresentaram barreiras na adesão medicamentosa, porém, no domínio recordação, e 91,5% apresentou barreiras para o uso da farmacoterapia.

Em relação a escala de apoio social percebido pelos idosos, o escore total foi de 70,87 e na dimensão emocional e informação tiveram pontuação média de 29,61, sendo assim, observa-se que quanto maior foi a pontuação na escala, maior foi a percepção de apoio social. Os idosos apresentaram um nível alto de percepção do apoio social nas dimensões afetivas 55,6% da amostra e na dimensão material 64,1% dos entrevistados.

A adesão a medicação, mesurada pelo TMG, não apresentou relação significativa entre o apoio social percebido pelos idosos nas dimensões material (p=0,9816), afetiva (p=0,1762), emocional e informacional (p=0,2645) e interação social positiva (p=0,1559), ou seja, nesta pesquisa a adesão a medicação não foi influenciada pelo apoio social percebido pelos idosos (p=0,2625). (Tabela 1)

Tabela 1 – Correlação entre a adesão ao tratamento medicamentoso e o apoio social percebido por idosos atendidos em um Ambulatório Médico de Especialidades. São Paulo, SP, Brasil, 2019. n=117




A Tabela 2 apresenta relação estatisticamente significativa entre as barreiras comportamentais do uso da medicação em relação ao domínio emocional/ informacional do apoio social percebido pelos idosos (p=0,0216), ou seja, aqueles que possuem apoio social na dimensão emocional e de informações terão menores barreiras na adesão ao uso de medicamentos.

Tabela 2 – Correlação entre barreiras na adesão ao tratamento medicamentoso e o apoio social percebido por idosos atendidos em um Ambulatório Médico de Especialidades. São Paulo, SP, Brasil, 2019. n=117




Nota: teste de correlação: *Mann-Whitney =p≤0,05.

DISCUSSÃO

Os principais achados desta pesquisa foram que os idosos apresentaram baixa e média adesão aos medicamentos, porém, não houve associação da adesão a medicação com o apoio social percebido pelos idosos. As barreiras na adesão a medicação foram prevalentes no domínio recordação, entretanto, as categorias comportamentais e de crenças os participantes não tiveram barreiras na adesão. Além disso, o estudo identificou relação com menores barreiras na adesão a medicação, no domínio do comportamento, entre o apoio social percebido na dimensão emocional e de informações. Sendo assim, observa-se que as estratégias de cuidados da população na área do envelhecimento, ao avaliar a melhora da adesão e identificar as barreiras do uso da medicação, nas categorias comportamental e de recordação, estão direcionadas ao apoio social com o foco em ações nas dimensões afetivas, interações sociais positivas e as relacionadas na área emocional e informacional.

Os idosos com alta percepção do apoio social na dimensão emocional/ informacional apresentaram menores barreiras na adesão ao uso dos medicamentos. O uso de múltiplos medicamentos dificulta a adesão a medicação entre as pessoas idosas, sendo os índices de baixa adesão às medicações piores na população geriátrica do que na população em geral. Os esquecimentos podem ocorrer em decorrência, entre outros fatores, da polifarmácia, dos transtornos mentais e dos prejuízos cognitivos, que dificultam o reconhecimento e a memorização.21-23

As barreiras para adesão as medicações foram maiores no domínio recordação, em relação aqueles idosos que não apresentaram barreiras nos domínios relacionados ao comportamento e as crenças. Sendo assim, apresentar maior conhecimento sobre os medicamentos prescritos, bem como sobre os comportamentos requeridos para o seguimento do tratamento, podem possibilitar maior adesão à medicação, além disso a crença de que os medicamentos são importantes para a manutenção da saúde pode favorecer a adesão. As crenças positivas a respeito dos medicamentos, também, podem estar relacionadas à percepção dos benefícios destes, à medida que os idosos os utilizam e têm melhora em seu quadro de saúde.21-23

Assim sendo, pesquisa transversal realizada em um Núcleo de Atenção ao Idoso da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), entrevistou 150 idosos com DM2, dos quais, 78,7% relataram fazer o uso regular dos medicamentos e as principais variáveis relacionadas a melhor adesão da medicação foram a autopercepção da saúde (p=0,038), as crenças relacionadas ao uso dos medicamentos para controle da DM2 (p=0,001), o entendimento das explicações para a patologia (p=0,005) e o profissional responsável pelas orientações (p=0,028). As crenças relacionadas ao uso dos medicamentos do DM2 foram estatisticamente significativas em relação a adesão integral e a não adesão ou adesão parcial, ou seja, os idosos que acreditavam ser importante utilizar os medicamentos adequadamente para o controle do DM2 possuíam cerca de noves vezes mais chances de adesão integral e cerca de 18 vezes mais chances de adesão parcial ao tratamento.24

Da mesma maneira, pesquisa transversal realizada na cidade de Riyadh, na Arábia Saudita, com 422 idosos da comunidade, 64,9% deles apresentaram alta adesão dos medicamentos, enquanto, 21,3% tiveram boa adesão ao uso dos fármacos e 13,3% foram parcialmente aderentes. Além disso, os resultados mostraram diferenças estatísticas na adesão medicamentosa entre pacientes aposentados e empregados (p=0,05), mulheres e homens (p=0,035) e entre a ajuda da família na administração da medicação e o nível de adesão (P=0,001).5 Demonstrando, a importância dos fatores sociodemográficos, como a ocupação e o sexo, e na dimensão do apoio social, como a família, relacionados a adesão aos medicamentos. Dessa maneira, reforçando a hipótese de que quanto menor as taxas de adesão aos fármacos, menor será o apoio social e maiores serão as barreiras, principalmente no nível comportamental.

Entre os facilitadores para a adesão a medicação, a literatura identificou: o agendamento da ingestão dos medicamentos, o apoio da família, ter apoio de um profissional da saúde, em caso de esquecimentos, ter alguém de referência para lembrar, observar um familiar com complicações da doença por não aderir a medicação, ter confiança no serviço de saúde e acompanhamento adequado, ter acesso ao medicamento sem receita, perceber a melhora na qualidade de vida e a diminuição das complicações com a doença, após o início do tratamento, possuir a conscientização da importância do uso da medicação, ter expectativa de melhores resultados, demonstrar experiências com emoções positivas, como, ter um dia da semana para comer doces, participar de grupos de convivência, e realizar consultas mensais como um apoio mais próximo ao profissional da saúde.25,26

As barreiras, na adesão, identificadas foram: a experiência negativa com os sintomas de hipoglicemia, os comentários entre a família sobre a doença, a falta de vínculo com o profissional da saúde, o não fornecimento do conhecimento para os familiares, principalmente, sobre os efeitos colaterais, os mecanismos de ação e as interações com outras drogas, a educação em saúde sobre a adesão, principalmente, as relacionadas ao gerenciamento quando ocorre mudanças na rotina do dia a dia, o estresse, o gerenciamento de múltiplos medicamentos, o serviço de farmácia, os efeitos colaterais das medicações, a memória, a cognição e os esquecimentos.25

O vínculo afetivo associar-se positivamente a adesão ao tratamento medicamentoso, sendo assim, a família, os amigos e os profissionais da saúde são agentes transformadores de cuidados por desenvolverem ações que orientam e fortalecem a adesão para o autocuidado, neste, inserido o tratamento medicamentoso. O acesso à informação reflete positivamente na adesão ao tratamento, porém, colocar as recomendações dos profissionais de saúde em prática ainda é uma problemática.21-23

Os idosos tiveram uma boa percepção do apoio social, além disso o nível de percepção de apoio alto foi identificado nas cinco dimensões da escala, principalmente, nas dimensões afetiva e material. O apoio social está associado a melhor saúde, comportamentos de promoção da saúde, capacidade funcional, melhor gestão do tratamento por meio de sua influência nas decisões do tratamento e diminuição do estresse emocional.21-23

A adesão terapêutica e o apoio social estão relacionados como a importância com que as pessoas conferem ao apoio social percebido ao receberem e quando o recebem, pois, a associação do apoio social com a adesão aos medicamentos depende da percepção do indivíduo sobre o ambiente em que vivem e a sua qualidade de vida relacionada à saúde. Tanto a vulnerabilidade urbana quanto a qualidade de vida relacionada à saúde são conceitos complexos e multidimensionais condicionados pela percepção subjetiva da pessoa, refletindo aspectos ligados ao ambiente físico e social e às experiências individuais de vida e de saúde. É, portanto, essencial integrar os aspectos relacionados ao apoio social na prática clínica para melhorar o cuidado de pessoas idosas com multimorbidades, permitindo também individualizar seus tratamentos e aumentar seu envolvimento no autocuidado.27-28

Nesse sentido, a adesão a medicação e as barreiras para a não adesão são uma grande preocupação de saúde, sendo importante articular ações para rastrear o problema e sugerir melhorias, pois, a falta de adesão contínua a representar um problema para profissionais da saúde que precisam de melhores informações para entender os motivos que ocasionam a adesão e a não adesão à medicação, as barreiras para a terapia e o apoio social, nas dimensões social, afetivas, emocional/informacional e interações sociais positivas, com o objetivo de melhorar o uso dos medicamentos entre os pacientes idosos.4

Devido à natureza heterogênea das intervenções relacionadas a adesão a medicação, a literatura categorizou em três grandes grupos, entre eles, as intervenções educativas, as comportamentais e as educacionais e comportamentais. Uma variedade de estratégias comportamentais e educacionais simples a complexas, fornecidas isoladamente ou em combinação, foram testadas para melhorar a capacidade de tomar os medicamentos e a adesão dos consumidores, dentre as comportamentais incluem: o uso de alarmes, bipes, calendários, diários, tabelas com lembretes, listas de medicamentos, etiquetas com letras grandes, mudanças de embalagens, caixas de comprimidos, acordos verbais ou escrito, monitoramento da adesão com ou sem feedback, lembretes por correio, telefone ou e-mail, programas de autoadministração de medicamentos, simplificação dos regimes medicamentosos, desenvolvimento de habilidades, supervisionadas ou em grupo, e o acompanhamento por visita domiciliar, visita clínica agendada ou vídeo/teleconferência.4

CONCLUSÕES

Os resultados desta pesquisa têm implicações importantes para a prática clínica, uma vez que os idosos com baixa percepção de apoio social se mostraram mais vulneráveis a apresentar barreiras na adesão medicamentosa. A identificação dessa população permite que os enfermeiros possam capacitar a rede de apoio com suporte para a promoção de cuidado e do bem-estar para os idosos. A atenção integral a pessoa idosa engloba o apoio social pelo qual ele está inserido, portanto incluir a avaliação do apoio social percebido no atendimento aos idosos, pode auxiliar no rastreamento daqueles que precisam ser priorizados e direcionados para orientações sobre a adesão medicamentosa, uma vez que este estudo identificou que o menor apoio social esteve associado a menor adesão a medicação.

Portanto, esta pesquisa identificou que o apoio social deve ser avaliado e considerado pelos profissionais de saúde durante o atendimento ao idoso, uma vez que apresentou associação com as barreiras para a adesão medicamentosa, além disso, pode ser um aliado no cuidado ao idoso, como na adesão ao tratamento medicamentoso, evitando complicações das doenças, internações e melhorando a qualidade de vida dessa população.

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Notas de autor

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