Abstract: Objetivo: describir el manejo no farmacológico de la enfermera del paciente pediátrico con fiebre o hipertermia. Método: la revisión siguió PRISMA, incluyó estudios empíricos que abordaron el manejo no farmacológico en niños con fiebre, estudios entre 2013 y 2023. Las bases de datos fueron Adolec, BVS, Embase, LILACS, Web of Science y la biblioteca SciELO, con los descriptores “niño”, “hipertermia”, “fiebre”, “enfermería” y “enfermería pediátrica”. Resultados: se seleccionaron 7 estudios que describen manejo no farmacológico como terapia con masajes, compresas, agua tibia y jabón con Marshmallow. Se demostró eficaz el uso de antipiréticos (paracetamol) y otras medidas no farmacológicas. Faltan protocolos que orienten a los profesionales en el cuidado de niños con fiebre, además de que los profesionales se basen en sus creencias sobre el cuidado. Conclusión: el uso no farmacológico fue efectivo en conjunto con antipiréticos. Es necesario realizar más estudios y desarrollar protocolos que orienten a los profesionales en la prestación de asistencia.
Keywords: Child, Nursing care, Nursing, Fever.
Resumo: Objetivo: descrever o manejo não farmacológico do enfermeiro frente ao paciente pediátrico com febre ou hipertermia. Método: a revisão seguiu o PRISMA, contou com estudos empíricos, que abordassem o manejo não farmacológico em crianças com febre, estudos entre 2013 e 2023. As bases de dados foram Adolec, BVS, Embase, LILACS, Web of Science e a biblioteca SciELO, com os descritores “criança”, “hipertermia”, “febre”, “enfermagem” e “enfermagem pediátrica”. Resultados: selecionado 7 estudos, descrevem que o manejo não farmacológico são massoterapia, compressas, água morna e sabonete com Marshmallow. O uso de antitérmico (paracetamol) e outra medida não farmacológico foi evidenciada como efetiva. Há lacuna de protocolos para guiar os profissionais para o atendimento da criança com febre, além dos profissionais se basearem em suas crenças na assistência. Conclusão: o uso não farmacológico foi eficaz em conjunto com antitérmico. Há necessidade de outros estudos e desenvolvimento de protocolos para guiar os profissionais na assistência.
Palavras-chave: Criança, Cuidados de enfermagem, Enfermagem, Febre.
Palabras clave: Ninõ, Atención de enfermeria, Enfermeria, Fiebre
Revisão Sistemática
Manejo não farmacológico da enfermagem em pacientes pediátricos com febre e hipertermia: uma revisão sistemática
Manejo de enfermería no farmacológico del paciente pediátrico con fiebre e hipertermia: una revisión sistemática

Recepción: 22 Noviembre 2023
Aprobación: 11 Enero 2024
A febre é um mecanismo natural de defesa do corpo que resulta em um aumento da temperatura corporal acima do normal. Essa elevação de temperatura é desencadeada pelo hipotálamo em resposta a substâncias reguladoras, como as citocinas, que são liberadas durante reações inflamatórias e imunológicas, muitas vezes em resposta a infecções. Embora a faixa de temperatura axilar considerada como febre possa variar na literatura, geralmente situa-se entre 37°C a 38°C. No entanto, na prática clínica, muitos profissionais de saúde consideram febre quando a temperatura da criança atinge 37,8°C ou superior. 1-3
A febre pode ser classificada em duas categorias principais: i) a febre bacteriana, frequentemente associada a quadros clínicos mais graves que podem levar à deterioração da condição da pessoa; e a febre viral, que geralmente se resolve de maneira mais rápida e representa menor risco para a saúde do indivíduo. Curiosamente, embora seja uma resposta adaptativa, os pais frequentemente interpretam a febre como um sinal de risco e gravidade de doença, resultando em preocupações, medo e ansiedade que os levam a buscar assistência da equipe multidisciplinar em serviços de urgência e emergência.1-3
Também, a hipertermia se caracteriza pelo aumento da temperatura corporal devido a um desequilíbrio entre a produção e a dissipação de calor. Essa condição difere do estado febril, uma vez que o limiar térmico hipotalâmico permanece intacto, e o aumento da temperatura corporal resulta de uma produção excessiva de calor, falha na sua dissipação, ou mau funcionamento do centro de regulação térmica.4
No entanto, a febrefobia, que representa o medo irracional e infundado dos pais, cuidadores e profissionais da saúde em relação à febre, muitas vezes os leva a procurar serviços de urgência e emergência, resultando em aproximadamente 30-40% das demandas nesses locais. 2,5 Essa procura por assistência médica é frequentemente baseada em crenças equivocadas sobre a febre, gerando medo exagerado e levando a ações precipitadas, incluindo a prescrição inadequada de medicamentos, exames e cuidados desnecessários. A compreensão inadequada da febre como uma ameaça pode resultar em consequências negativas, como a sobrecarga dos serviços de saúde, a insatisfação dos pacientes e profissionais de saúde, bem como a falta de continuidade no cuidado. Consequentemente, essa situação é agravada pelo uso inadequado dos serviços de emergência, que deveriam ser reservados para condições graves.1,5,6
Relacionado aos cuidados de enfermagem em pacientes pediátricos com febre, é imprescindível adotar uma abordagem que mostre embasamento científico, para fins de manejo correto com o paciente, evitando outros agravos e complicações.7 Ainda, educar e tranquilizar os pais é outra conduta a ser adotada, já que para os pais toda manifestação de febre é indício de algo nocivo e preocupante, e não apenas uma reação do organismo humano.8 Além de auxiliar no momento de decisão da ida desnecessária no serviço de urgência e emergência, evitando a criança uma exposição de agentes patológicos do ambiente hospitalar e desafogando esse serviço, visto que hoje, a febre é o maior motivo que os pais estão levando seus filhos nesse setor.9
A literatura cientifica carece de informações sobre protocolos que visem respaldar o enfermeiro na sua conduta e que faça com que todos os profissionais de saúde compartilhem da mesma prática, assim, gerando maior credibilidade no serviço prestado e diminuindo a ansiedade e receios que os pais possuem perante o quadro febril. Diante dessa lacuna existente, questiona-se o que a literatura cientifica informa sobre o manejo não farmacológico do enfermeiro frente ao paciente pediátrico com febre ou hipertermia? Para responder ao questionamento, este estudo tem o objetivo de reunir e resumir evidências empíricas da literatura sobre o manejo não farmacológico do enfermeiro frente ao paciente pediátrico com febre ou hipertermia.
Esta revisão sistemática da literatura foi conduzida conforme as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses PRISMA.10 Os autores Carvalho, Pianowski e Santos11 descrevem o processo de elaboração da revisão sistemática como um processo que requer algumas etapas necessárias no seu desenvolvimento do manuscrito. Neste procedimento é apresentado: i) a estratégia de busca utilizada; ii) os descritores e operadores booleanos empregados; iii) as bases de dados; iv) o período de pesquisa dos estudos; v) o processo de seleção destes estudos encontrados; vi) informando os critérios usados no processo de seleção dos estudos incluídos na revisão; vii) os critérios de exclusão; viii) o processo de seleção e viés dos estudos; e, ix) a extração dos dados que irá compor a revisão sistemática.
O material selecionado para este estudo consiste em artigos empíricos com abordagem qualitativa, quantitativa e/ou mista sobre o manejo não farmacológico do enfermeiro frente ao paciente pediátrico com febre ou hipertermia. Os critérios de elegibilidade foram artigos publicados entre 2013 e 2023, em revistas revisadas por pares e indexadas, disponíveis na íntegra, em idioma português, inglês e espanhol, estudos realizados nacional e internacionalmente, e classificados como acesso aberto nos respectivos bancos de dados. Os critérios de exclusão foram artigos duplicados nas bases de dados, teses, dissertações, monografias, comentários, editoriais, revisões da literatura, literatura cinzenta e artigos que não referiam a temática abordada. A busca dos artigos ocorreu no mês de setembro/2023 e abrangeu o período de janeiro/2013 até setembro/2023. As bases de dados utilizadas para essa revisão foram Adolec, BVS, Embase, LILACS e Web of Science e a biblioteca SciELO (Scientific Eletronic Library Online). A escolha dessas bases e biblioteca deu-se a partir da relevância das suas publicações na área estudada.
O processo de seleção dos estudos ocorreu simultaneamente e independente nas seguintes etapas: etapa 1 – identificação dos estudos nas bases de dados por meio dos descritores no DeCs/MeSH; etapa 2 – procura dos artigos: título das publicações e resumos foram analisados primeiramente para determinar se o estudo aborda o tema de interesse; etapa 3 – elegibilidade: os estudos foram avaliados pela leitura na íntegra para determinar sua adequação ao tema e se contemplava os critérios de elegibilidade, culminando na inclusão dos estudos.
Os descritores empregados foram consultados no DeCS e por meio da estratégia do PICO (População — crianças; Interesse — febre/hipertermia; Contexto/Outcomes — manejo do quadro febril pelos profissionais de saúde). Foram utilizados os descritores “criança”, “hipertermia”, “febre”, “enfermagem” e “enfermagem pediátrica”, e os respectivos termos em inglês; o operador booleano empregado foi AND. A tabela 1 apresenta a estratégia de busca empregada nos bancos de dados e os respectivos resultados. A figura 1 demonstra o fluxograma de seleção dos estudos que compõem esta revisão.
Tabela 1 - Estratégia de busca dos artigos nas bases de dados e o resultado obtido.

Para avaliar a qualidade dos estudos utilizados nesta revisão, foi empregado o instrumento STROBE (Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology), o qual utiliza recomendações para melhorar a qualidade da descrição dos estudos observacionais. O instrumento STROBE consiste em um checklist de 22 itens, relativo as respectivas subdivisões do artigo: título, resumo, introdução, método, resultados e discussão do artigo.12
Figura 1 - Fluxograma de estratégia de busca de artigos utilizada nesta revisão integrativa

A busca nas bases de dados resultou no total de 3308 artigos, sendo 33 artigos da Adolec, 315 artigos na BVS, 1779 artigos na Embase, 77 artigos na Lilacs, 956 artigos na Web of Science e na biblioteca SciELO foram 148 artigos. Após a aplicação dos filtros, a leitura do título e resumo dos artigos para a seleção dos artigos que seriam lidos na integra, foram selecionados 37 artigos para a leitura na integra, destes sete artigos foram seletos para compor a análise qualitativa deste estudo.
A tabela 2 apresenta os artigos que compõem este estudo conforme autor, ano, país, objetivo do estudo, abordagem metodológica empregada, amostra do estudo e suas características e os principais resultados dos estudos selecionados. Na tabela 3 é apresentado os resultados do instrumento STROBE, demonstrando que a maioria dos estudos atenderam os itens do instrumento, garantindo a confiabilidade e critérios científicos dos estudos.
Tabela 2 - Descrição dos estudos contendo autores, ano e país, objetivo, tipo de estudo, população, características da amostra e principais resultados.

Fonte: Desenvolvido pelos pesquisadores.
A maioria dos estudos são internacionais, um da Irlanda, um da Indonésia, um do Iraque, um do Reino Unido, um do Irã, um da Itália, com apenas um estudo nacional; a maioria foram publicados no ano de 2022. A abordagem metodológica dos estudos foi 3 ensaios clínicos randomizados, 3 pesquisas quantitativas e 1 estudo misto. Evidencia-se uma carência de estudos no contexto brasileiro nesta abordagem de assistência em saúde.
Os estudos revisados abordam o manejo da febre em diversos contextos na atenção à saúde da criança. Os enfermeiros carecem frequentemente de conhecimento e atitudes apropriadas sobre o manejo da febre em crianças na unidade de emergência, fato que desencadeia em práticas inconsistentes. Por outro lado, o uso da massoterapia pode efetivamente reduzir a temperatura corporal de crianças com febre. A educação permanente dos profissionais de saúde nesta abordagem foi enfatizada nos estudos, por exemplo, um programa educacional abrangente para aprimorar o conhecimento dos enfermeiros no cuidado de crianças com convulsões febris. Ainda, o ensino durante a graduação foi evidenciado, uma vez que, estudantes apresentaram conceitos errados e atitudes inapropriadas em relação à febre, destacando a necessidade de educação adequada sobre o manejo da febre em pediatria.
Tabela 3 - Classificação dos 23 subtópicos categorizados segundo iniciativa STROBE nos 7 artigos que compõem esta revisão.

Fonte: Desenvolvido pelos pesquisadores.
Este estudo teve como objetivo verificar na literatura qual(is) o(s) manejo(s) do enfermeiro perante a criança com febre ou quadro de hipertermia. Os artigos demonstram que não há protocolos padrões nos países ou nas instituições de saúde, ocorrendo diferentes abordagens e condutas conforme o conhecimento prévio ou crenças dos profissionais. Devido ao déficit de conhecimento dos profissionais e protocolos para guiá-los, muitos demonstram insegurança na assistência à criança com febre ou quadro de hipertermia, bem como, nas instruções a serem conduzidas com os pais.
Por mais que haja o protocolo NICE,14 o qual contribui para orientar e guiar os profissionais de saúde na assistência, há uma lacuna em disponibilizar um número maior de protocolos e padronização de como conduzir a assistência ao quadro de hipertermia. O uso de antitérmico, como por exemplo o paracetamol, acaba sendo unanime na primeira linha de assistência,14, 15 mas a condução de práticas inconscientes com as evidencias cientificas permanecem um empecilho a ser revisado e podem dificultar a assistência à criança febril.14-16,19
Relativo a práticas alternativas para minimizar o quadro febril, cientificamente foi apresentado alternativas como o uso de compressa e da massoterapia na temperatura corporal de crianças com febre, sugerindo uma abordagem terapêutica alternativa eficaz;17 uso de água morna e uso de sabonete com extrato da planta Marshmallow15 foram práticas eficientes no manejo da febre, porém no contexto brasileiro, o uso de compressas não foi eficaz.19 Por outro lado, ações como o banho de esponja e o uso e abuso de antipiréticos são questionados a partir da evidência cientificas, mostrando os efeitos deletérios produzidos sobre a saúde das crianças.5
No estudo nacional19 foi destacado a ineficácia da aplicação de compressas mornas como complemento ao antitérmico, sugerindo que, em alguns casos, medidas farmacológicas isoladas são mais eficazes do que outros métodos. Logo, a prática de medidas não farmacológicas isoladamente não deve ser recomendada para o manejo da criança febril.8 Ressalta-se que o uso combinado de ações farmacológicas e não farmacológicas podem contribuir para minimizar o quadro febril e consequências negativas na criança.
Os profissionais devem proporcionar assistência à criança e seu familiar com um enfoque individualizado, proporcionar conforto, ambiente fresco, tranquilo e incentivar a ingesta de líquidos para evitar o quadro de desidratação e complicações futuras devido o quadro febril.5 Na maioria das vezes os enfermeiros se deparam com os pais de crianças febris que possuem preocupações irracionais, para tal, é importante que o profissional forneça informações baseadas em evidências cientificas de forma consistente e proceda com protocolos validados para minimizar consequências.
Uma forma de contribuir com esses anseios dos pais é a elaboração de materiais informativos, com base em evidências atualizadas, é fundamental para garantir que os pais recebam informações precisas e consistentes sobre a febre e seu tratamento enquanto estão no hospital e após alta, além de como proceder com o fluxograma de assistência em saúde na cidade de residência para minimizar anseios e período de atendimento para a criança.6, 7
A lacuna de conhecimento entre estudantes de enfermagem sobre o manejo da febre em crianças, fato que repercute na atuação profissional, uma vez que a lacuna permanece após formado. Recomenda-se que haja ações de educação continuada para minimizar essas lacunas existentes na atuação profissional, além de implementar os planos de ensino dos cursos de graduação para preparar os estudantes com bases cientificas no manejo da criança com febre.13, 18
Há necessidade de aprimorar a educação e práticas relacionadas à assistência à criança febril, uma vez que a literatura apresenta divergências nas abordagens, tais como terapias alternativas até a avaliação da eficácia de métodos específicos de tratamento farmacológico; a ocorrência de não haver protocolos validados cientificamente para guiar os profissionais proporciona uma assistência desqualificada.
Na maioria das vezes os enfermeiros se deparam com os pais de crianças febris que possuem preocupações irracionais, para tal, é importante que o profissional forneça informações baseadas em evidências cientificas de forma consistente e proceda com protocolos validados para minimizar consequências. Uma forma de contribuir com esses anseios dos pais é a elaboração de materiais informativos, com base em evidências atualizadas, é fundamental para garantir que os pais recebam informações precisas e consistentes sobre a febre e seu tratamento enquanto estão no hospital e após alta, além de como proceder com o fluxograma de assistência em saúde na cidade de residência para minimizar anseios e período de atendimento para a criança.
Algumas limitações devem ser mencionadas neste estudo, tais como o idioma de publicação dos estudos, o período de publicação dos estudos, a restrição do número de bases de dados utilizadas para o estudo e a restrita temática utilizada para este estudo podem ter contribuído para a restrição do número de artigos selecionados para este estudo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A falta de conhecimento e atitudes inadequadas dos profissionais de enfermagem em relação à febre em crianças e o manejo resulta em práticas inconsistentes que não se baseiam sempre em evidências cientificas e atuais. A educação dos estudantes de enfermagem e enfermeiros recém-formados sobre o manejo correto da febre é essencial para evitar a perpetuação de práticas incorretas e atitudes inadequadas. Além disso, é indispensável que haja protocolos atualizados e educação continuada periodicamente aos profissionais para uma assistência qualificada a criança e seus familiares.
Diversas perspectivas sobre o conhecimento dos profissionais, tipos de prática e protocolos empregados em relação ao manejo da febre em crianças acabam restringindo a qualidade da assistência, para que não ocorra esses aspectos, sugere-se que novos estudos e elaboração de protocolos validados cientificamente para a assistência não farmacológico no quadro febril de crianças devam ser realizados.
CONFLITO DE INTERESSE: Os autores declaram não haver conflito de interesse.
redalyc-journal-id: 5057
glongarayfernandes@hotmail.com



