Artigo
Recepção: 01 Abril 2018
Aprovação: 30 Setembro 2018
DOI: https://doi.org/10.22296/2317-1529.2019v21n1p13
Resumo: The death and life of great American cities, publicado por Jane Jacobs em 1961, é uma referência inegável para os estudos urbanos até os dias de hoje. Nos últimos tempos, o livro passou a servir de justificativa para as mais diferentes posições políticas sobre o urbano, sejam elas teóricas ou práticas. Este artigo pretende analisar como posicionamentos tão distintos podem ser abarcados pelo livro. Para tanto, pretendo fazer uma leitura que leve em consideração tensões e ambiguidades internas ao pensamento de Jacobs.
Palavras-Chave: Jane Jacobs, The death and life of great American cities, Planejamento Urbano, Tensões, Crítica.
Abstract: Jane Jacobs’ The death and life of great American cities, published in 1961, still remains an unquestionable landmark for urban studies until the present day. More recently, the book has been frequently used to justify disparate political positions concerning the urban, both theoretical and practical. This paper’s main objective is to analyze how completely different accounts are covered by the book. In order to do so, I am proposing a reading of Jacobs’ work that takes her thoughts’ internal tensions and ambiguities into consideration.
Keywords: Jane Jacobs, The death and life of great American cities, urban planning, Tensions, critique.
Em 2000, ano de sua campanha à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy (então PT-SP, hoje PMDB-SP) fez uma intervenção pública no jornal Folha de São Paulo para explicitar sua visão para a cidade nos próximos anos. São Paulo deveria ter mais “vida nas ruas”, já que “quanto mais diversificado o uso da rua, maior a segurança” (Suplicy, 2000). A fórmula é devidamente acompanhada dos créditos: The death and life of great American cities2, de Jane Jacobs. Logo em seguida à gestão de Marta Suplicy, José Serra (PSDB-SP) foi eleito prefeito de São Paulo e o mesmo livro passou a ocupar sua mesa de cabeceira, além de ter sido recomendado para seus auxiliares mais próximos (Segawa, 2005). Após sua eleição para a prefeitura do Rio de Janeiro, César Maia (então PFL-RJ, hoje DEM-RJ) conclamou uma renovação da esquerda. A “esquerda mecânica” que dá título a seu artigo, também publicado na Folha de São Paulo, é associada à figura de Robert Moses, conhecido pelas demolições em massa e obras viárias que atravessaram bairros inteiros na Nova York dos anos 1950 e 1960. A figura da renovação é a de Jane Jacobs, crítica feroz das intervenções de Moses. Protagonista da resistência, ela teria sido responsável por apresentar “a todos a cidade das pessoas, dos vizinhos” (Maia, 2004). Sua admiração por Jacobs o levou a denominar a sede do Instituto Pereira Passos de Edifício Jane Jacobs.3 Já Alfredo Sirkis (então PV-RJ, hoje PSB-RJ) diz que a autora - “uma heroína do nosso tempo” - escreveu o livro que teria mudado sua vida.4
As ideias de Jane Jacobs estão por toda parte. As referências se multiplicam não apenas entre políticos com as mais diferentes filiações no espectro partidário. Não é raro se deparar com menções à autora no debate público, especialmente quando a discussão gira em torno de intervenções urbanísticas na cidade.5 Suas ideias aparecem tanto como parâmetro para diagnosticar problemas e potencialidades nas cidades existentes quanto como uma espécie de receita para alcançar ideais de “boa cidade”. Esse quadro aponta, de saída, para dois elementos importantes. Em primeiro lugar, a arena de discussão sobre o livro ultrapassa - e muito - os limites do debate especializado sobre urbanismo, seja ele acadêmico ou técnico. O fato de que algumas ideias de The death and life of great American cities tenham ganhado vida própria e apareçam no debate público de forma desassociada da referência ao livro é apenas mais um indício desse enraizamento. Em segundo lugar, o livro de Jacobs consegue acomodar posições práticas e teóricas bastante divergentes entre si, por mais que essa seja uma verdadeira fonte de mal-estar entre os que veem Jacobs como heroína, profetisa ou visionária.6 Isso mostra que ele se tornou o lugar-comum que organiza tanto a concordância quanto o conflito entre visões de cidade distintas, o solo sob o qual se estabelecem as diferenciações, em que posicionamentos são aproximados e disputados. Ou, para utilizar os termos do editor de um dos poucos livros que se propõem a discutir a obra de Jacobs sem recair na mera celebração, “muitos entenderam que ela era uma tela para projetar suas ideologias. Jane Jacobs teve um poder duradouro por muitas razões, mas uma delas certamente é o fato de oferecer alguma coisa para qualquer um” (Page, 2011, p.4, tradução minha).7
Este artigo defende a hipótese de que a comemoração generalizada em torno dos principais argumentos de Jacobs em The death and life of great American cities constitui um bloqueio para leituras que pretendam analisar problemas e limitações internas a seu pensamento. Esse travamento impede tanto a superação de posições unilaterais ou maniqueístas, em especial no debate acadêmico, quanto o enfrentamento da questão sobre como o livro pode servir de base para visões e propostas tão distintas, ou seja, sobre como pode “oferecer alguma coisa para qualquer um”. A ideia não é reconstituir o que Jacobs “quis dizer” e, assim, desautorizar alguns dos sentidos em que ela foi apropriada.8 Trata-se, antes, de oferecer alguns pontos de apoio para uma perspectiva que procure explicitar as tensões do livro como elementos constitutivos de sua complexidade. Para tanto, a primeira parte reconstrói a principal tese do livro por meio de dois de seus argumentos mais influentes, a fim de dar alguns elementos que ajudem a contextualizar sua enorme repercussão. A segunda parte trata da construção da figura heroica de Jane Jacobs a partir de uma das análises mais sofisticadas sobre este tema: o último capítulo de Tudo que é sólido desmancha no ar, de Marshall Berman. A terceira e última parte faz uma análise do texto de Jacobs para mostrar como a autora estabelece uma relação específica entre ordem e desordem, chave de leitura que, a meu ver, explicita algumas das tensões que permitem a reunião de visões urbanísticas opostas sob o mesmo denominador comum.
1. Imagens literárias fortes
Duas imagens de The death and life of great American cities são particularmente responsáveis pela difusão dos argumentos do livro. Na primeira delas, Jacobs narra um “complexo balé” (Jacobs, 2009, p.53) que acontece na calçada de sua rua no Greenwich Village. A dança é a imagem escolhida para descrever o movimento das mais diversas pessoas que passam desde o início da manhã até o fim do dia - as crianças que “desfilam” em direção à escola, o “ritual matinal” do movimento dos táxis, trabalhadores que seguem o mesmo curso todos os dias, “dançarinos excêntricos” como homens de barba em lambretas ou bêbados de chapéu, adolescentes de patins, até chegar a noite, quando “o balé continua sob as luzes, rodopiando para cá e para lá, mais forte nas poças brilhantes das luzes da barraca de pizzas do Joe, dos bares, da confeitaria, do restaurante e da farmácia” (Jacobs, 2009, p.53-55).
A força da passagem do balé da rua Hudson está em conseguir sintetizar uma série de argumentos cruciais para o livro como um todo. O primeiro argumento é o de que pessoas e grupos diferentes fazem usos distintos da rua em diversos momentos do dia. Se isso pode parecer uma obviedade, Jacobs aponta para a necessidade de que as ruas abriguem uma multiplicidade de funções para que isso possa de fato ocorrer. Certamente o balé não aconteceria - ou não aconteceria com a mesma diversidade - se a rua de Jacobs fosse estritamente residencial. Como há uma combinação de moradias com estabelecimentos comerciais de vários tipos e tamanhos, a rua é capaz de atrair públicos distintos que passam a também “entrar em cena” (Jacobs, 2009, p.53). O segundo diz respeito à espontaneidade associada a este balé. Para a autora, essa movimentação desperta o interesse por não ser uma coreografia previamente ensaiada e planejada em detalhes, uma “dança mecânica, com os figurantes erguendo a perna ao mesmo tempo, rodopiando em sincronia, curvando-se juntos”, mas um conjunto de trajetórias e representações de papéis que nunca se repetem da mesma forma, que estão “sempre repletos de novas improvisações” (Jacobs, 2009, p.52). Sua vitalidade está justamente na articulação imprevisível de uma série de elementos específicos que tornam a rua Hudson um lugar interessante para se estar ou por onde passar. O terceiro argumento diz respeito a uma forma de olhar atenta às relações sociais cotidianas desenvolvidas no espaço público da rua. Uma das principais críticas de Jacobs ao planejamento urbano moderno é seu descolamento da sociedade, sua abstração que o levaria para longe das “coisas comuns e cotidianas” (Jacobs, 2009, p.1). De novo, se a afirmação de que a cidade é conformada por relações sociais parece óbvia, o relato de Lewis Mumford mostra que o posicionamento de Jacobs ressoou como uma grande novidade no início dos anos sessenta. Sua participação numa conferência de planejadores na universidade de Harvard é descrita por ele como “uma brisa fresca do mar” (Mumford, 1962, p.152, tradução minha).9 Isso porque ela “chamou atenção para um fato ao qual muitos planejadores e administradores eram indiferentes - que um bairro não é apenas um conjunto de prédios, mas um tecido de relações sociais” (Mumford, 1962, p.152, tradução minha). O quarto argumento, diretamente relacionado a este último, diz respeito à necessidade de desenvolver observações atentas e demoradas, caso se queira compreender a dinâmica das cidades ou de uma rua em particular. Observar uma rua pela manhã oferece uma perspectiva substancialmente distinta se comparada a uma observação noturna, por exemplo. Como a rua apresenta um conjunto de relações sociais, é imprescindível apreendê-las como um processo que se desenvolve ao longo do tempo - e não como uma fotografia. O quinto argumento é o de que a rua - ou melhor, a calçada - é o espaço público por excelência. O foco de Jacobs não está em praças ou parques, mas seu olhar está direcionado para os pedestres das vias públicas. E, por fim, o sexto argumento: a observação seria completamente distinta se Jacobs olhasse para a Broadway na altura da Times Square e não para uma rua de bairro. Em outras palavras, há, aqui, uma questão clara de escala. Não se trata do homem na multidão na grande avenida da grande cidade, mas do balé espontâneo nas calçadas de uma rua menor, em que todas as pessoas são identificáveis e discerníveis.
Jacobs tira uma consequência importante da diversidade de usos da rua ao longo do dia, o que constitui a segunda imagem do livro que se tornou bastante popular. Além de tornar o espaço público interessante, “todos já sabem” que “uma rua movimentada consegue garantir a segurança; uma rua deserta, não” (Jacobs, 2009, p.35). A existência de “olhos nas ruas” gera “uma ordem surpreendente [‘marvelous’] que garante a manutenção da segurança [das ruas - ‘safety of the streets’] e a liberdade [da cidade - ‘freedom of the city’, Jacobs, 1992, p.50]” (Jacobs, 2009, p.52). Garantir o movimento em diversos períodos do dia faz com que a rua seja permanentemente vigiada mesmo por aqueles que estão apenas de passagem. O que Mumford qualificou como um “remédio ingênuo”, fruto de “wishful thinking” por apostar na desordem como fator de estabilidade social (Mumford, 1962, p.170), é hoje uma ideia amplamente aceita entre urbanistas profissionais.10
As duas imagens estão entrelaçadas e têm forte conotação literária. Não é à toa que Marshall Berman compara a passagem do balé da rua Hudson com grandes referências da literatura ocidental, como Avenida Niévski, de Nikolai Gógol (Berman, 2007, p.370). O modelo do balé e dos olhos nas ruas aponta para uma dimensão coletiva, ainda que isso só seja possível por existir um ponto fixo do olhar que acompanha a movimentação por um período de tempo, diferentemente do flâneur, que retrata um olhar que vagueia pelas ruas da cidade (Fraser, 2012, p.25). O olhar fixo do pedestre, à altura da rua, difere substancialmente da vista aérea do planejamento urbano moderno (Page, 2011, p.8). As passagens evocam no leitor a memória de já ter se colocado na posição de observador dos movimentos cotidianos da cidade, bem como a lembrança do sentimento de segurança diante de uma rua movimentada. A relação de identificação estabelecida pelas imagens é um dos fatores que podem ajudar a explicar a grande repercussão do livro.11
Outro ponto importante diz respeito à síntese das críticas de Jacobs ao planejamento urbano. A primeira frase de The death and life of great American cities parece não deixar maiores dúvidas sobre a proposta do livro: “Este livro é um ataque aos fundamentos do planejamento urbano e da reurbanização ora vigentes” (Jacobs, 2009, p.1). Não se trata, portanto, de apenas criticar as principais ideias e formas de intervenção defendidas pelos planejadores urbanos, mas de questionar as próprias bases nas quais elas se assentam. Se os alvos declarados de forma mais direta são “o planejamento urbano e a reurbanização modernos e ortodoxos” (Jacobs, 2009, p.1), eles são entendidos como apenas mais uma expressão das ideias que deram origem ao planejamento urbano na virada do século XIX. Para utilizar os termos da autora, “praticamente todo o planejamento urbano moderno é uma adaptação ou um remendo desse material absurdo” (Jacobs, 2009, p.19). No que diz respeito aos fundamentos, não haveria diferenças substantivas entre a cidade-jardim de Ebenezer Howard e a cidade modernista de Le Corbusier. Ambas seriam igualmente “absurdas”. Além de defenderem a separação rígida entre os diferentes usos na cidade, a autossuficiência das unidades projetadas e de abandonarem a rua como unidade básica do traçado urbano em favor das quadras e gramados, propostas tão distintas podem ser aproximadas na medida em que, para Jacobs, não passam de ideais abstratos que desconsideram a vida cotidiana das cidades. Assim, a história do planejamento urbano pode ser lida como uma série de modelos - com diferentes graus de utopia e de aperfeiçoamento técnico - que justificam e impõem uma ordem apartada da cidade existente.12
Ambas as imagens contêm essa crítica. O elogio à espontaneidade se contrapõe ao planejamento urbano ordenador que não vê vitalidade na aparente desordem. A figura do especialista é desestabilizada diante do conhecimento do pedestre, derivado da experiência de viver na cidade. A legitimidade do planejamento urbano moderno é colocada em xeque. Não é por outra razão que The death and life of great American cities é associado a uma mudança de paradigma científico no urbanismo (Page, 2011, p.7; Hirt, 2012, p.1) - uma modificação nas “regras do jogo” (Cymbalista, 2018, p.9) - que teria antecipado as críticas de racionalização instrumental da vida que ganharam maior força a partir de 1968.
2. A heroína contra o “mundo da via expressa”
O epíteto de heroína dado a Jane Jacobs se sustenta em alguns fatores. O principal deles está no fato de que Jacobs não restringia seus posicionamentos apenas a seus livros. Ela foi uma militante ferrenha, principalmente quando seu bairro foi ameaçado pela construção de uma avenida exclusiva para carros. Presença frequente nas audiências públicas da comissão de Planejamento Urbano de Nova York, foi retirada à força de algumas delas e presa em 1968 por perturbar uma reunião pública que tratava da construção de uma via expressa que atravessaria Lower Manhattan, despejando muitas famílias em seu caminho (Martin, 2006). Além de todos os protestos que compõem sua trajetória de ativista, fonte de inspiração para diversas mobilizações em Nova York e em outras cidades do mundo, essa espécie de figura mítica se consolida principalmente na relação de oposição forte com Robert Moses. Se seus confrontos foram de fato bastante raros (Page, 2011, p.9), a literatura - principalmente a acadêmica - foi responsável por estabelecer uma guerra campal entre dois polos tidos como diametralmente opostos. Como afirmei anteriormente, a análise de Marshall Berman é a mais acabada e influente nesse sentido e, por essa razão, servirá de fio condutor para esta parte.13
Para Berman, a década de sessenta pode ser organizada a partir de duas ordens de simbolismo urbano radicalmente diferentes entre si (Berman, 2007, p.338). Por um lado, uma das ordens é representada por Robert Moses, responsável pelas obras públicas que deveriam “abrir caminho a golpes de cutelo” pela cidade, uma espécie de última figura da linhagem de construtores que remonta ao Barão de Haussmann (Berman, 2007, p.344). Enquanto Moses é a personificação do moderno e de seu espírito propulsor que não vê qualquer obstáculo para o progresso, Jane Jacobs é a corporificação da resistência. Mas não se trata de uma resistência qualquer. Para Berman, The death and life of great American cities “expressa com perfeição” uma oposição baseada numa fonte “tão moderna quanto o mundo da via expressa”: a vida cotidiana da rua (Berman, 2007, p.369). Assim, à primeira vista, o embate entre essas duas figuras comporia linhas de força internas ao projeto moderno.
Berman atribui a Jacobs “inúmeras profecias e sugestões corretas” (Berman, 2007, p.373), frutos de seu radicalismo e de sua originalidade. Entre as profecias, a imagem da espontaneidade da dança para retratar a cidade passaria a ser objeto da elaboração de diversos movimentos artísticos já ao final da década de sessenta. Outro “tema profético crucial” seria oferecer “uma visão plenamente articulada de uma mulher sobre a cidade” (Berman, 2007, p.377), o que permitiria reabilitar o mundo doméstico como parte da modernidade, bem como antecipar questões que se tornariam importantes para o movimento feminista.14 Assim, o peso dado por Berman ao livro é bastante grande:
Creio que seu livro cumpriu um papel crucial no desenvolvimento do modernismo; sua mensagem era que muito do significado que os homens e as mulheres modernos buscavam desesperados encontrava-se, de fato, surpreendentemente próximo de suas casas, perto da superfície e nas imediações de suas vidas: estava bem ali, bastando que soubéssemos procurar (Berman, 2007, p.369).
Os problemas de uma abordagem dual que parte do completo espelhamento de dois personagens aparecem apenas ao final do último capítulo de Tudo que é sólido desmancha no ar. Berman precisa quebrar a imagem da heroína que ele próprio construiu para dar conta do ar bucólico que permeia o texto, um dos pontos de apropriação dos ideólogos da “nova direita” que teriam feito de Jacobs “um de seus santos padroeiros” (Berman, 2007, p.380): “abaixo da superfície de seu texto modernista há um subtexto antimodernista, uma espécie de contracorrente de nostalgia (...)” (Berman, 2007, p.380). Agora, a posição de Jacobs precisa ser matizada e isso é feito a partir da relação entre texto e subtexto. A crítica que contrapõe uma forma de planejamento urbano abstrata e desenraizada dos laços sociais a uma vida pulsante da grande cidade estaria na superfície do livro, subjacente a uma perspectiva de regresso a uma vida bucólica, de valorização do bairro e da família por si mesmos, entendida como antimodernista. A dança da rua Hudson mostra uma interação bastante próxima entre vizinhos e comerciantes que se conhecem pelo nome. O ritmo dos pedestres é apreensível. O anonimato não é um tema. Não há marcas da “intensificação da vida nervosa”, relatada por Simmel (2005, p.581) já na virada do século: os que passam não têm qualquer ar blasé, não blindaram sua capacidade de reagir aos estímulos da grande cidade - pelo contrário, parecem estar sempre predispostos a olhar pelas crianças que brincam nas calçadas, a garantir segurança e interagir de maneira a manter padrões estabelecidos de sociabilidade. Os conflitos são esporádicos e remediados por esse todo social coeso. A vitalidade da cidade é atribuída a esse tipo de sociabilidade em que o conflito é marginal. Nas palavras de Berman, é uma visão da cidade “antes da chegada dos negros”: “[s]eu mundo abrange desde sólidos trabalhadores brancos, na base, a profissionais liberais brancos de classe média, no topo. Não existe nada ou ninguém acima; no entanto, o que é mais importante aqui, não há nada ou ninguém abaixo - a família de Jacobs não tem enteados” (Berman, 2007, p.381).15 Ao contrário de Avenida Niévski, a descrição da rua Hudson não tem qualquer fantasmagoria ou estranhamento.
Ainda que Berman reconheça a multiplicidade de camadas que o livro oferece, parece que texto e subtexto podem ser distinguidos e separados por completo, como se não houvesse interpenetração entre eles. Tanto é assim que Berman primeiro coloca Jacobs e The death and life of great American cities como representantes de um momento “crucial no desenvolvimento do modernismo” (Berman, 2007, p.369) sem trazer qualquer elemento antimodernista para o primeiro plano. A profetisa visionária e a mulher de classe média presa a vínculos domésticos e tradicionais não parecem se encontrar. Se a questão for colocada nesses termos duais, o quadro representado pelo livro encerraria uma contradição de difícil conciliação.
3. A relação entre ordem e desordem
A proposta de uma leitura que leve as tensões internas ao pensamento de Jacobs a sério não pode partir de uma estrutura dual, em que o problema da contradição seria resolvido pela escolha de um dos lados em detrimento do outro, ou seja, pela necessidade de adoção do viés moderno ou do antimoderno. Para que ambos possam ser mantidos sob tensão, é preciso olhar mais de perto a partir de que lugar a autora critica o planejamento urbano moderno. A relação que ela estabelece entre ordem e desordem é, a meu ver, um bom caminho para essa análise.
Como já indiquei anteriormente, um dos principais pontos da crítica de Jacobs ao planejamento urbano moderno se apoia no fato de que os planejadores desconsideram as relações sociais que se desenrolam nas cidades. Para a autora, os urbanistas se esforçam para entender como a cidade deveria funcionar a partir de modelos que eles próprios construíram e não a partir de como a cidade funciona de fato: “[é] tolice planejar a aparência de uma cidade sem saber que tipo de ordem inata e funcional ela possui” (Jacobs, 2009, p.14, grifo meu). Há, portanto, uma ordem natural das cidades que não se resume à aparência e que deve ser levada em consideração por um planejamento urbano que pretenda superar o estado de pseudociência.16 Mas, da perspectiva do planejamento urbano moderno, essa ordem inata não é percebida de imediato na medida em que ela surge como desordem, como parte do “comportamento aparentemente misterioso das cidades” (Jacobs, 2009, p.12-13) ou como enigma que os urbanistas não conseguem - e nem pretendem - decifrar (Jacobs, 2009, p.481). As imagens utilizadas por Jacobs são, novamente, bastante fortes:
É preciso ter compreensão para ver os complexos sistemas de ordem funcional como ordem, e não como caos. As folhas que caem das árvores no outono, a parte interna de um motor de um avião, as entranhas de um coelho dissecado, a redação de um jornal - tudo isso parece caótico se não for compreendido. Assim que são compreendidos como sistemas ordenados, eles realmente são vistos de modo diferente. (Jacobs, 2009, p.419, grifo original)
Essa ordem natural que se reproduz e regenera por si própria - tal como um organismo (Jacobs, 2009, p.488) - é a fonte da vitalidade defendida no livro. Há inúmeras passagens em que Jacobs explicita esse ponto: “As cidades vivas têm uma estupenda capacidade natural de compreender, comunicar, planejar e inventar o que for necessário para enfrentar as dificuldades” (Jacobs, 2009, p.498) ou “As cidades monótonas, inertes, contêm, na verdade, as sementes de sua própria destruição e um pouco mais. Mas as cidades vivas, diversificadas e intensas contêm as sementes de sua própria regeneração” (Jacobs, 2009, p.499). É esse plano que os planejadores urbanos não conseguiriam acessar. Eles pretendem ordenar o que percebem como caos a partir de formas subjetivas de pensamento (Jacobs, 2009, p.244), sejam elas derivadas da tradição utópica ou realista (Jacobs, 2009, p.418). Essa ordem artificial criada pelo planejamento urbano é fadada ao fracasso: “É a coisa mais fácil do mundo pegar algumas formas, dar-lhes uma uniformidade rígida e tentar impor o resultado em nome da ordem. No entanto, a uniformidade rígida, trivial, e os sistemas significativos de ordem funcional raramente são compatíveis com a realidade” (Jacobs, 2009, p.419).
Até aqui, o argumento pode ser sintetizado da seguinte forma: as cidades são naturalmente diversas, é a intervenção por meio do planejamento urbano que desvirtua essa vitalidade na medida em que se opõe à interação de usos e funções, à rua como espaço público por excelência - as ruas são entendidas como os “órgãos mais vitais da cidade” (Jacobs, 2009, p.29) - e à alta densidade populacional. Essa crítica feita por Jacobs pode ser descrita a partir do que Boltanski e Chiapello denominam de crítica estética (critique artistique).17 A manifestação genuína da ordem da cidade só acontece quando ela está livre de coerção, impedimentos e limitações. Qualquer determinação externa parece limitar a possibilidade de autorrealização na cidade. Há uma exigência de autenticidade na crítica à uniformização e à perda da diferença, tanto que Jacobs ataca “a Grande Praga da Monotonia” (Jacobs, 2009, p.43) como um dos efeitos perversos do planejamento urbano. E a monotonia nada mais é do que “o oposto da interação de usos e, portanto, da unidade funcional” (Jacobs, 2009, p.142). Apesar de Jacobs não utilizar a palavra “autenticidade”, o tema está lá18 - a ordem urbana natural também é descrita como uma “ordem verdadeira que luta para existir e ser atendida” (Jacobs, 2009, p.14, grifo meu). Assim, apesar de Jacobs insistir na atenção às relações sociais, o foco da crítica não é social, no sentido de que as desigualdades sociais não estão em primeiro plano. Cortiços são retratados como áreas em que a vitalidade foi perdida, despejos em massa são denunciados por fazerem tabula rasa da diversidade de relações sociais dos bairros, conjuntos habitacionais públicos são criticados pela monotonia de seus padrões arquitetônicos, por seu tamanho e por estabelecerem fronteiras que delimitam e compartimentalizam determinadas áreas da cidade. A questão não é propriamente a falta de habitação ou de serviços públicos - os problemas apontados por Jacobs não são, portanto, primordialmente de ordem redistributiva.
Assim, não parece haver qualquer lugar possível para o planejamento urbano, que teria sido invalidado por completo. O ataque ao planejamento é, ao mesmo tempo, um ataque à atuação do Estado no campo do urbanismo. A ideia de que existiria uma ordem inata nas cidades e de que é preciso sempre se voltar às condições internas que fazem uma cidade crescer e prosperar ou simplesmente morrer - “sua existência como cidades e suas causas de crescimento se encontram nelas mesmas” (Jacobs, 1970, p.141, grifo meu), uma ideia repetida à exaustão também em The Economy of Cities, de 1969 - faz com que o Estado seja uma causa externa. Por mais que a autora reconheça os limites de qualquer analogia biológica, a imagem da cidade como organismo vivo, autossuficiente e capaz de se regenerar sozinho sugere que a atuação estatal seria desnecessária.19 Não é por outra razão que a atuação do Estado, sob a forma de incentivos, tributos, zoneamento e financiamento, aparece apenas na terceira parte de The death and life, uma das menos lidas. E, nessa parte, os agentes privados são os responsáveis por criar as condições de diversidade das cidades. O planejamento estatal deveria apenas fornecer as condições para que esses agentes privados possam florescer (Jacobs, 2011, p.315).
Mas não se trata de qualquer agente privado: há um elogio dos esforços feitos por indivíduos, seja em suas famílias ou em pequenas empresas. Grandes corporações e bancos, por exemplo, são alvos de críticas muito semelhantes àquelas feitas contra o Estado. Para Jacobs, “diversidade é um fenômeno de pequena escala. Ela requer coleções de pequenos planos” (Jacobs, 1981, p.224, tradução minha). A ideia-síntese “small is beautiful” contém uma crítica endereçada, ao mesmo tempo, ao Estado e às grandes empresas. Não se trata de um modelo em que o Estado regula a atuação predatória de monopolistas ou desenvolve políticas públicas para suprir necessidades sociais. Na maioria das passagens do livro, o Estado é apenas mais um ator que deve ser contido, pela sociedade, em suas intervenções.
As ambiguidades dessa crítica à “grande escala”, inseridas no contexto da relação entre ordem e desordem, podem ajudar a entender como o livro de Jacobs oferece elementos para os mais diferentes posicionamentos do espectro político. Em primeiro lugar, ao mesmo tempo em que é possível encontrar passagens em que o Estado é criticado em bloco - em The real problem of cities, de 1970, Jacobs afirma que a centralização é um problema em si mesmo, impeditivo da criação e da inovação, incompatível com a flexibilidade e aleatoriedade da vida (Jacobs, 1970a, p.206-207) -, também é possível encontrar defesas, por exemplo, ao subsídio público para habitação (Jacobs, 2011, p.420 e ss). Na parte sobre os subsídios, Jacobs não defende que o Estado construa unidades habitacionais públicas, mas antes que toda provisão habitacional passe necessariamente pelo mercado. Os subsídios serviriam para garantir acesso àqueles que não podem pagar, assim como ajudariam a reformar edifícios velhos em bairros degradados. No modelo de Jacobs, todos são proprietários pagando por suas hipotecas e a renovação dos cortiços vem do esforço individual de cada família para modernizar seus apartamentos. Caberia ao Estado garantir crédito a essas pessoas, ou seja, gerar as condições para que o privado possa desenvolver seus interesses e, assim, trazer vitalidade e diversidade para as cidades (Jacobs, 2011, p.389 e ss).
Em segundo lugar, o elogio à pequena escala aparece tanto como uma defesa do humanismo quanto como uma postura anti-governo, uma posição que se mostra mais libertária e menos liberal no sentido clássico do termo (Holleran, 2016). Ou, em outras palavras, trata-se tanto de uma aposta no planejamento social autônomo, “de baixo para cima”, quanto da defesa de um Estado com funções reduzidas. Não é por outra razão que Richard Sennett a caracteriza como “uma inconformista de fortes inclinações anarquistas” (2018, p.96). Por um lado, a exigência de diversidade como autenticidade derivada do cotidiano é um forte argumento contra qualquer tipo de intervenção externa, principalmente estatal. As limitações ao livre desenvolvimento da cidade como organismo poderiam ser denunciadas como expansão da racionalidade instrumental para todos os âmbitos da vida, como criadoras de “desencanto, inautenticidade, [da] ‘miséria da vida cotidiana’, [da] desumanização do mundo sob o império da tecnicização e da tecnocratização” (Boltanski, Chiapello, 2009, p.200). Há também uma crítica da técnica como único critério legítimo para a tomada de decisões que afetam a vida das pessoas. A figura do especialista é colocada em xeque a todo tempo no livro, valorizando a riqueza do conhecimento das pessoas comuns. A relação entre ordem e desordem abre, portanto, um flanco para o questionamento do planejamento urbano como procedimento. É esse tipo de crítica, pioneira no caso de Jacobs, que levou a uma “reação imediata da esquerda (...) [de] convocar os próprios planejadores para virarem a mesa e praticarem o planejamento de baixo para cima” (Hall, 1988, p.394). É esse tipo de crítica em que correntes marxistas do urbanismo vão se apoiar na década de setenta (Castells, 2009; Harvey, 2009).
Há, portanto, argumentos fortes em favor da democratização do processo de tomada de decisões políticas que impactam as cidades, contra os especialistas e suas abstrações, em favor de usos públicos das cidades, da “escala humana” e, principalmente, da diversidade de usos, habitantes e padrões arquitetônicos. Mas há, também, argumentos fortes contra qualquer intervenção estatal, em favor de agentes privados proprietários e de um critério de diversidade que obscurece questões de necessidades materiais.
O posicionamento de Jacobs é, portanto, mais complexo do que pode parecer à primeira vista. Não é possível simplesmente reduzi-la a uma liberal em defesa do Estado mínimo, nem a uma autonomista em defesa da radicalidade democrática no planejamento urbano. Tampouco é possível reduzi-la a heroína da modernidade contra o planejamento tecnocrata ou a epíteto do antimoderno bucólico e nostálgico. The death and life of great American cities é capaz de “oferecer alguma coisa para qualquer um” justamente por não comportar esse tipo de redução.
Considerações finais
The death and life of great American cities é um dos livros mais lidos e influentes sobre urbanismo de que se tem notícia. Se as hipóteses defendidas neste texto estiverem corretas, isso se deve, em grande parte, ao fato de que o livro é capaz de sustentar posições aparentemente contraditórias. As contradições não se resolvem, mas permanecem em tensão. É também por isso que o livro passa a constituir uma arena em que diferentes posicionamentos políticos e teóricos a respeito do planejamento urbano - e sobre como entender cidades de maneira geral - podem encontrar certa ancoragem. Tornar-se uma tela de projeção capaz de oferecer “alguma coisa a qualquer um” fala a favor do livro - e não contra. Livros só se tornam cânones, como é o caso de The death and life of great American cities, se provocam um interesse renovado, se permitem camadas sobrepostas e conflitantes de interpretações, se há algo a ser disputado em seu espólio e se a disputa lançar os olhos diretamente para o presente e não para o passado.
Esse estatuto de The death and life of great American cities faz com que o livro se torne uma espécie de pedágio que todos têm de pagar caso queiram falar sobre cidades, seja quando se trata de identificar critérios para identificar problemas urbanos ou quando se trata de fornecer receitas para alcançar um ideal de cidade. Mas a maneira de pagá-lo é muito distinta. Alguns vão enfatizar determinados sentidos das imagens literárias fortes que deram fama ao livro, seja exaltando o “balé das cidades” ou defendendo os “olhos nas ruas” como melhor política de segurança urbana - seja porque se trata de um caminho que exige pouca intervenção estatal, seja porque é um caminho que pressupõe um espaço público habitado, vibrante e diverso em todas as horas do dia. Uns vão se valer do livro para mostrar que o saber técnico do planejador é apenas mais um em uma sociedade plural e complexa, demandando que a cidade seja gerida da maneira mais democrática possível. Outros vão fazer de Jacobs o próprio saber técnico, defendendo seus princípios como soluções incontestáveis.
As ideias de Jacobs certamente estão por toda parte. Vemos interpretações parciais de suas ideias em teses acadêmicas, em falas reivindicatórias de ativistas, no jargão de técnicos e planejadores, nos discursos de políticos das mais diferentes matrizes do espectro partidário, como ilustram os exemplos que abrem este artigo. Diante desse cenário, é cada vez mais importante levar os argumentos de Jacobs a sério e, assim, apontar limitações e tensões em seu pensamento. Manter a contraposição maniqueísta entre modernismo e antimodernismo, entre a figura da heroína combativa e a representante de um romantismo nostálgico em que o conflito social é ausente, nos impede justamente de enxergar as tensões. Se o livro se tornou o solo em que se apoiam as mais diferentes visões sobre a cidade hoje, isso exige um esforço renovado da crítica.
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Notas
Autor notes