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AGENDA 2030: EXTENSÃO COMO TRAJETO PARA INSTITUCIONALIZAÇÃO
AGENDA 2030: EXTENSÃO COMO TRAJETO PARA INSTITUCIONALIZAÇÃO
Revista Conexão UEPG, vol. 17, núm. 1, pp. 01-16, 2021
Universidade Estadual de Ponta Grossa
Recepción: 26 Agosto 2021
Aprobación: 11 Noviembre 2021
Resumo: Este estudo objetivou apresentar aos leitores uma breve análise qualitativa das ações locais de aceleração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que estão sendo realizadas pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) da Universidade Federal do Tocantins (UFT), desde 2018, decorrentes de atividades de ensino, pesquisa e extensão, transcorridas em Palmas. A metodologia qualitativa aplicada para a consolidação deste relato partiu do acompanhamento de atividades realizadas pelo referido Programa, da análise de registros acadêmicos e das produções acadêmicas resultantes dessas ações. Concluiu-se, com as análises realizadas, que para fortalecer e fomentar o tema “Agenda 2030”, inter-relacionando-o aos debates acerca da sua institucionalização pela Universidade Federal do Tocantins, será necessário mais empenho administrativo e acadêmico para a integração e registros das ações e efetivação de políticas internas perenes amalgamadas ao tema, combinando-as às essencialidades do estabelecimento de parcerias externas e da ampla divulgação, para torná-las públicas.
Palavras-chave: Agenda 2030, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Direito à Cidade.
Abstract: This study presents a brief qualitative analysis of local actions carried out by the Postgraduate Program in Regional Development (PPGDR, Portuguese acronym) of the Federal University of Tocantins (UFT, Portuguese acronym). The project started in 2018 as results of teaching, research and outreach activities in Palmas, TO. The qualitative methodology that supports this report derive from the activities of the aforementioned Program, the analysis of academic records and from academic productions based on these actions. The analyzes demonstrate that in order to strengthen and promote the theme "Agenda 2030" interrelating it to the debates about its institutionalization by the Federal University of Tocantins, more administrative and academic efforts are necessary to integrate and record the actions. It also important to implement permanent internal policies related to the theme, articulating them with essential external partnerships and wide dissemination, in order to make them public.
Keywords: 2030 Agenda, Sustainable Development Goals, Right to the City.
Introdução
É necessário destacar inicialmente que, em 2015, na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), foi aprovado o documento denominado "Transformando nosso mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável'' (ONU, 2016). Esse novo acordo sucedeu a pauta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), em que os países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) deveriam atingir oito Objetivos Globais de Desenvolvimento até 2015. Nesse sentido, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram substituídos pela nova Agenda 2030, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
De fato, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis são globais por natureza e universalmente aplicáveis, ou seja, suas ações de implantação devem ser adaptadas às realidades nacionais e subnacionais. Por esse motivo, a Organização das Nações Unidas passou a incentivar os países-membros a adotarem o acordo, adaptando as suas metas globais, que compõem os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis, às metas nacionais e com as devidas adequações aos contextos subnacionais (SILVA, 2018).
Para melhor entendimento do contexto da territorialização que trataremos, trazemos a conhecimento um dos lemas mais memoráveis da Organização das Nações Unidas, que diz: ''Pensar globalmente e agir localmente'' (ONU, 2016). Assim sendo, buscou-se, para a realização da análise, entender como a Universidade Federal do Tocantins poderia se apropriar da Agenda 2030 por meio de atividade no ensino, pesquisa e extensão, a partir de ações acadêmicas propositivas locais que poderiam fomentar, ao mesmo tempo, a efetivação da cidadania global, especialmente no sentido de assegurar e disseminar esse importante debate temático.
Diante do contexto enunciado, objetivou-se, com esta análise qualitativa, observar e relatar as ações locais de aceleração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que estão transcorrendo na Instituição de Ensino Superior (IES), desde 2018, vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR). Pondera-se que para realizar a análise proposta foi necessário, inicialmente, compreender as diretrizes aplicáveis dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na área acadêmica, considerando a realidade institucional da Universidade Federal do Tocantins e da sua extensão comunitária para chegar à população, em Palmas-TO.
A metodologia qualitativa aplicada ao estudo partiu do acompanhamento das atividades realizadas, desde 2018, na Universidade Federal do Tocantins, com abordagem nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional. Foi realizada, também, a análise de registros acadêmicos e das produções resultantes dessas atividades. Para atingir o objetivo proposto, buscou-se o aprofundamento temático pela via documental e pela revisão de literatura temática e específica.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) contribui para mudar a forma como as pessoas pensam e agem para alcançar um futuro sustentável. Dessa maneira, pretendeu-se com esta análise entender a importância e os resultados da disseminação do referido tema dentro e fora da Instituição de Ensino (IES). Importante salientar que, para a sua realização, além da pesquisa bibliográfica, por meio de materiais como documentos, artigos e livros, houve a participação efetiva do analista nas ações desenvolvidas no período delimitado de 2018 a 2020.
Assim sendo, foram observadas na análise as ações ocorridas na Instituição de Ensino no período delimitado, vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional com a finalidade de propagar a Agenda 2030, tanto para a comunidade acadêmica como para a sociedade local. Observou-se, nesse contexto, o escopo das ações direcionadas para o fortalecimento e fomento temático; para além disso, sua relação com a prática dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e com a atuação no campo da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, fundadas para ampliar os debates acerca da aceleração para a implantação da Agenda 2030.
Portanto, com o acompanhamento e a integração do analista nas ações realizadas, foi possível, para além de proceder à análise proposta, apontar concretamente os pontos convergentes e os conflitantes entre os instrumentos e os mecanismos de aceleração para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em sede local.
Nessa linha metodológica, tentou-se entender a finalidade das ações em contribuir para que a sociedade efetivamente tivesse um maior aprofundamento dos conhecimentos sobre tais objetivos, a fim de propagá-los e fortalecê-los a partir de formulação de políticas públicas integradoras. Importante salientar o recorte na intenção integrativa dessas ações, especialmente no sentido de procurar formulações e mecanismos que buscassem nivelamento qualitativo e aprofundamento teórico temático, necessários para que fossem atingidos seus objetivos.
A partir desse contexto um pouco mais ampliado, destacaram-se como recorte ações pontuais, porém relevantes pelo seu caráter de visão multiplicadora tanto no aspecto quantitativo como qualitativo, as quais foram realizadas na Instituição de Ensino, desde 2018, vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional. Para facilitar o entendimento pelos leitores, será descrito neste artigo como as ações ocorreram e quais resultados produziram; em seguida, será tecida uma breve análise sobre a movimentação ocorrida entre 2018 e 2020, e, finalmente, serão apresentadas as considerações finais.
A extensão como trajeto em busca da institucionalização da agenda 2030
Para se traçar uma linha do tempo histórica como forma de sedimentar a construção desse trajeto que interliga a busca da institucionalização da Universidade Federal do Tocantins à Agenda 2030, por meio de ações acadêmicas, pontua-se a extensão universitária como alicerce. E, nesse sentido, o cerne para o estabelecimento de novos paradigmas foi inspirado na Resolução nº 7 do CNE/CES, de 2018, que estabeleceu a necessidade de a Instituição de Ensino interligar-se às atividades acadêmicas e equilibrar seu tripé ensino-pesquisa-extensão para além do eixo pedagógico clássico, no sentido de possibilitar trajetórias de formação diferenciadas e articuladas. No caso específico da Universidade Federal do Tocantins, buscaram-se iniciativas concretas por meio de ações realizadas pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, que instituiu disciplinas específicas e um eixo de pesquisa voltados para Agenda 2030 e o desenvolvimento sustentável.
Como nesta publicação não se entrará em questões normativas, ressalta-se e aponta-se que a curricularização da Extensão Universitária desafia as instituições de ensino superior brasileiras a repensarem suas concepções e práticas extensionistas, fazendo-as se alinharem necessariamente às demandas da sociedade e à dinâmica curricular, com 10% de obrigatoriedade de integralização.
Nesse novo cenário, em 2018, a Universidade Federal do Tocantins, pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, alinhou a ementa de dois componentes curriculares – Seminários Interdisciplinares I e II – à Agenda 2030. Ademais, passou a estimular a aplicação desses componentes de maneira deslocada da proposta tradicional, vinculando-os de maneira natural ao ensino, enquanto conteúdo essencial para o nivelamento acadêmico temático, e, ao mesmo tempo, à atividade de extensão universitária, traduzida pelo vinculado ao conteúdo do Projeto Ações Locais de Aceleração para a implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Dessa maneira, integrando o conteúdo do ensino à prática efetiva e ampliando o alcance, de maneira extensiva, aos agentes comunitários externos à instituição, agregando a esse comjunto integrativo os saberes dos agentes. Importante salientar que, na avaliação deste processo, uma via de mão dupla, identificam-se construções permanentes em formato de assembleias, que são realizadas para discussões sobre propostas de ações e para conhecer o resultados conquistados, bem como para proceder análises de produções resultantes das atividades realizadas, considera-se que os agentes externos à instituição, por pesquisas de percepção realizadas, demonstram a existência de aproveitamento integral dos conteúdos e das práticas aplicadas nas atividades das ações propostas.
Para elucidar de maneira clara, pontua-se que, no desenvolvimento de conteúdo dos componentes curriculares mencionados, foi possível extrair pontos fundamentes necessários para desenvolver ações estruturantes de extensão universitária, nas variadas vertentes do debate sobre os múltiplos olhares da Agenda 2030. Viu-se então esse momento, ímpar e estratégico, como oportuno para alargar os passos rumo a contribuições sólidas ao Desenvolvimento Sustentável local. Assim sendo, já em 2018 foi desenvolvida uma ação com as escolas estaduais do ensino médio em Palmas-TO, vinculadas ao Projeto de Extensão Nós Propomos.
Essa ação, de iniciativa concreta e de passo firme no trajeto de institucionalização da Agenda 2030, objetivou a identificação de problemas na cidade e a elaboração de propostas de resoluções viáveis, inspiradas na Agenda 2030. Durante o desenvolvimento das atividades, os estudantes do ensino médio, que foram orientados por mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, promoveram ações participativas (reuniões deliberativas e oficinas) com a comunidade para identificar os problemas locais de ordem urbanística, social e econômica, como o atendimento do transporte urbano, situação da arborização na cidade, a falta de equipamentos públicos e o déficit de serviços urbanos, a falta de pavimentação de vias e a preocupação com a mobilidade urbana.
Para além disso, buscar sugestões para a implantação de políticas públicas antidrogas, de atendimento de idosos, entre outras. E, como resultado, os trabalhos resultantes da ação foram apresentados no Circuito Urbano do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos da ONU-Habitat.
A dinâmica e o envolvimento da comunidade nessa atividade são realizados de maneira participativa e têm resultado em efetivação de algumas das propostas desenvolvidas pelos estudantes. Entre as escolhidas de forma deliberativa pela comunidade, aconteceu a reforma estrutural de um espaço de lazer utilizado por idosos e a obra foi realizada por meio de mutirão (estudantes e idosos), financiada por uma fundação privada. Percebe-se, com os trabalhos constantes de avaliação comunitária de percepção, o empoderamento cidadão e a maior cobrança ao Poder público para a ampliação de políticas públicas sociais, no sentido de atender as demandas populares.
Denota-se, nas avaliações realizadas, a ampla satisfação comunitária, por sua inserção nos processos de criação e desenvolvimento das ações desenvolvidas pela instituição de ensino, atribuindo-se a esta medida o fortalecimento local pela produção de conhecimento resultantes da participação social nas ações realizadas.
Evidentemente que, com esse passo à frente, firme e equilibrado, já foi possível, em 2019, na continuidade ao processo de institucionalização da Agenda 2030, articular propostas com a extensão universitária envolvendo grupos comunitários diversos. As propostas são definidas por levantamento de demandas locais, em parceria com movimentos sociais e outros beneficiários locais. Para escolha das propostas, são realizadas oficinas, com a participação dos estudantes envolvidos e a comunidade, que apontam as suas demandas e deliberam acerca das atividades possíveis de serem realizadas durante o ano letivo. No ano de 2019, foram destacadas as ações mostradas na Tabela 1, a seguir:

Destacou-se para esta publicação a repercussão do Fórum Municipal, que ocorreu em 12 de setembro de 2019, na sede da Associação Tocantinense de Municípios (ATM), mostrado na Figura 1. No evento, realizado a partir de um seminário presencial que tratou da “Articulação da Implementação do Centro de Desenvolvimento Regional Metropolitana Palmas na perspectiva da Agenda 2030”, detalhado no item (1) da Tabela 1, buscou-se contribuir para a abertura de espaço para debates referentes ao Desenvolvimento Regional, à luz da Agenda 2030, bem como para um aprofundamento teórico no que diz respeito às cidades e ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 11).

Importante salientar os reflexos dessa ação em razão de ser publicada no “Jornal Joseense”, de São José dos Campos-SP, nos sites “T1 Notícias” e “Conexão Tocantins”, da cidade de Palmas, entre outras mídias eletrônicas que destacaram a notícia a respeito do evento. Segundo (Bazzoli et al., 2019, p. 74), ocorreram 1.917 acessos ao material publicado pelas diversas mídias sociais, demonstrando a importância da iniciativa e o interesse regional despertado pelo evento.
Também cabe o registro de que a atividade resultou na publicação do artigo “A articulação e implementação do centro de desenvolvimento regional na região metropolitana de Palmas: um relato de experiência”, em Revista de Extensão especializada. O artigo tratou, detalhou e mostrou os resultados da iniciativa (BAZZOLI et al., 2019).
Em 2019, as ações sobre a agenda 2030, descritas na Tabela 1, foram apresentadas no “Circuito Urbano”, evento promovido pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos da ONU-Habitat, demonstrado na Figura 2, fator que despertou a importância e a melhor compreensão da aplicabilidade da Agenda 2030 na prática, pela sociedade palmense.
Não obstante os dois anos anteriores de caminhada rumo à institucionalização da Agenda 2030 tenham sido bem-sucedidos e com resultados exitosos, permitindo uma retomada das atividades, em 2020, de forma robusta, com mais desenvoltura e segurança, foi um ano muito difícil, em razão da pandemia da Covid-19. No entanto, mesmo diante de um cenário dessalentador, foram desenvolvidas mais sete propostas de intervenções nas variadas áreas do conhecimento, resultantes das discussões comunitárias envolvendo grupos comunitários como associações, movimentos sociais, populações atingidas por problemas urbanos e outros interessados, no formato já descrito anteriormente, de maneira articulada com a extensão universitária, destacadas na Tabela 2.

É necessário, neste contexto, destacar dois pontos relevantes no ano de 2020. O primeiro, o curso de formação de assessores populares em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pela importância na disseminação temática e na formação de multiplicadores, foi fixado pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional como atividade anual; o segundo, a busca de ampliação de linguagem na comunicação para atingir a juventude. Para isso, criou-se uma atividade complementar, transmitida pelo canal do YouTube ''Cidade Vivida'', tratando da Agenda 2030, com a chamada: Agenda 2030. Que papo é esse? Essa atividade alcançou jovens estudantes do Ensino Médio da rede estadual tocantinense de educação e contou com a audiência de mais de 385 acessos, demonstrada na Figura 3.
Importante salientar que havia a necessidade de total interação e integração para a execução da proposta; para tanto, foi designada uma pesquisadora do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (PIBIC/EM/UFT/CNPq), financiada pelo CNPq, que articulou, instrumentalizou, preparou o conteúdo e aplicou a efetiva da proposta.
Assim sendo e por pretender trazer de forma clara e adaptada a uma linguagem acessível o que é a Agenda 2030, essa atividade específica mostrou alguns exemplos de trabalhos realizados em Palmas, que promovem o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A atividade conseguiu atingir o seu objetivo por expor a Agenda 2030 para os jovens, de forma clara e simplificada. E mais, promoveu efetivamente a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) de maneira acessível e lúdica.

Também em 2020 as ações sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, descritas na Tabela 2, foram apresentadas no “Circuito Urbano”, demonstrado na Figura 4, evento promovido pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos da ONU-Habitat, que passou a ser internacional e com grandes dimensões de acesso ao público nacional e internacional. O evento contou com 186 palestras transmitidas pelo Canal de Youtube, 1.000 painelistas, 45 mil acessos ao referido Canal e mais de 20 mil acessos ao site do evento.

Análise das ações para a institucionalização da Agenda 2030 tendo a extensão como base
Importante salientar, como mencionado nesta publicação, que desde 2018 a Universidade Federal do Tocantins, pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, vem desenvolvendo ações específicas voltadas para a aceleração da implantação da Agenda 2030, com reflexos internos e externos. Iniciou com o Projeto Nós Propomos e seguiu com várias outras atividades que estão descritas nas Tabelas 1 e 2. Embora as atividades desenvolvidas estivessem ligadas ao conteúdo dos componentes curriculares Seminários Interdisciplinares de Desenvolvimento Regional I e II, sempre se interligaram ao Projeto de Extensão (Guarda-Chuva) “Ações locais de aceleração para a implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”.
Com essa estruturação acadêmica em andamento, foi possível entender que as ações realizadas promoveram debates constantes sobre a Agenda 2030 em Palmas. De outra forma, cabe frisar que, em razão de Palmas ser uma cidade jovem, tem grande potencial para ser referência em sustentabilidade no âmbito de proteção à vida terrestre e urbana.
Em sentido lato, encaixando os elementos necessários para proceder a uma análise aprofundada proposta por esta publicação, observa-se que, no trajeto percorrido pelas ações externas desenvolvidas pela Universidade Federal do Tocantins, articuladas com a comunidade, foi possível detectar que há um desconhecimento local sobre a Agenda 2030 e poucas iniciativas concretas voltadas para suprir essa necessidade de formação, considerando a importância global do assunto.
Interessante salientar que, pelo percurso da via institucional, as ações realizadas, por não pouparem esforços no envolvimento acadêmico, produziram resultados internos significativos e outros tantos externos, que relataremos na sequência.
Iniciamos com a avaliação dos resultados internos, como a criação, pela Universidade Federal do Tocantins, de um site específico (ODS/UFT) para depósito de acervo institucional e disseminação de informações temáticas, encontrado no endereço eletrônico: https://sites.google.com/view/odsuft.
Também foi criado um Canal de Youtube (ODS/UFT), com a finalidade de transmitir os eventos institucionais e possibilitar o depósito de vídeos com as ações locais, encontrado no endereço eletrônico: https://www.youtube.com/channel/UCJwFVHMrthzeWd0sMkjok2g.
Esses dois produtos de mídia eletrônica assumiram importância fundamental na agilidade, na divulgação de ações locais e como veículo imprescindível para a interação com a sociedade.
Dentro de um conjunto de medidas internas tomadas pela Universidade Federal do Tocantins, havia a necessidade de formatações de parcerias institucionais com entidades e instituições diversas que fossem fundamentais para o desenvolvimento das atividades elencadas nas Tabelas 1 e 2.
Nesse sentido, a Instituição de Ensino passou a integrar o UNI Partnerships UN-Habitat e também buscou parcerias que diretamente articulassem com o desenvolvimento de suas ações extensionistas, como, por exemplo, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat); a Rede ODS Brasil; o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Tocantins (CAU/TO); o Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU), entre outras.
Um dos pontos internos de significativa relevância para o reconhecimento da institucionalização foi a inclusão da Agenda 2030 no Plano de Desenvolvimento Institucional em 2021,
visando integrar a universidade ao panorama mundial da jornada coletiva para a sustentabilidade e garantir o desenvolvimento de ações inovadoras, ousadas e transformadoras que convirjam para o fornecimento de produtos e serviços que garantam a participação da Universidade Federal do Tocantins na construção de uma sociedade mais justa e sustentável (UFT, 2021).
Buscou-se com essa inserção “categorizar as iniciativas da universidade que norteiam as ações e atividades pedagógicas com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas no que se refere aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.” (PDI – 2021-2025).
Com tal medida, a Universidade Federal do Tocantins pretende que os “programas educativos a serem concretizados, durante o próximo quinquênio” estejam “de acordo com as especificidades dos cursos de graduação e pós-graduação”, interagindo com as “diretrizes gerais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.” (PDI – 2021-2025).
Portanto, com essa nova estruturação, busca-se que “a educação, por meio da indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão”, tenha, em seu processo de institucionalização, de “cumprir um papel fundamental, o de alcance e de envolvimento concreto nas ações para a aceleração da implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, bem como pensar, de maneira sistêmica, em “alinhar as estruturas de governo universitário e as políticas operativas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, por meio de estratégias a serem implantadas (PDI – 2021-2025).
Nesse contexto, caberá então à Instituição de Ensino observar o campo externo para “identificar as lideranças sociais, pois o êxito no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável dependerá da ação e da colaboração de todos os setores”; além disso, será necessário
fortalecer o seu compromisso público para a abordagem dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; entender o seu papel como facilitadora no diálogo e na ação intersetorial sobre a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; desempenhar o seu papel principal no desenvolvimento e promoção de políticas de desenvolvimento sustentável, pois a comunidade acadêmica terá de assumir o compromisso institucional e entender a importância do setor universitário na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. (PDI – 2021-2025).
No mesmo viés da trajetória para implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, foi instituída, na Universidade Federal do Tocantins, uma Política de Extensão, que tem nos seus princípios o “compromisso com a aceleração da implementação da Agenda 2030 Global dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), por meio do alinhamento das atividades propostas aos objetivos e metas do desenvolvimento sustentável”.
Outras medidas seguiram para sedimentar o caminho para o alcance da institucionalização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como a inserção definitiva da Agenda 2030 no ensino, pesquisa e extensão do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) e a criação no Curso de Direito da disciplina “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.
Evidente que, com os referidos avanços, foi possível inserir alunos do Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX), do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica (PIBIC), bem como alunos da Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Direito, nas atividades desenvolvidas pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, voltadas para as ações de aceleração para a implantação da Agenda 2030. Nota-se, então, que as atividades desenvolvidas passaram a agregar vários níveis de escolaridade, da Pós-Graduação Stricto Sensu (Mestrado e Doutorado), à Graduação e ao Ensino Médio.
Interessante ressaltar que os avanços aqui descritos propiciaram a internacionalização institucional, com o destaque no The Impact Rankings 2021 da Revista Britânica Times Higher Education World University Rankings, que engloba quase 1.400 universidades de 92 países e valoriza a implantação das boas práticas para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
No Ranking das Instituições de Ensino, a Universidade Federal do Tocantins ficou entre as 1.001 melhores instituições de ensino superior do mundo e, em categorias específicas, a instituição apresentou desempenhos destacados nos ODS: Cidades e Comunidades Sustentáveis (ODS 11); Energia Limpa e Acessível (ODS 7); Saúde e Bem-Estar (ODS 3) e Parceria para os Objetivos (ODS 17).
Por fim, embora não seja objeto em análise desta publicação, destaca-se que, em 2021, o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade do Tocantins oferecerá uma nova edição do curso anual de Assessores Populares em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e estruturará um projeto pedagógico híbrido, com aulas síncronas e atividades assíncronas. Tal condição possibilitará realizar o curso com aulas ao vivo, por plataforma de transmissão de vídeo conferência e por plataforma de EaD, com depósito de materiais de apoio, exercícios e demais atividades assíncronas.
O curso será ministrado com 30 horas, na modalidade de extensão, com oferecimento livre e aberto para a comunidade. Também, neste ano, em virtude dos trabalhos desenvolvidos desde 2018, foram concluídas dissertações que tratam do tema, bem como estão sendo desenvolvidas orientações, em nível de mestrado e doutorado, e produzido um e-book, iniciativas voltadas para debates aprofundados da Agenda 2030.
Conclusões
Importante destacar que esta análise denota a importância da propagação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no ambiente acadêmico, para que, assim, a comunidade compreenda a importância de ações e estilos de vida sustentáveis.
Dessarte, concluímos que articular as ações acadêmicas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é fundamental, tanto no campo interno, para produção do conhecimento, como no externo, para a integração da sociedade com o poder público na formulação de políticas públicas, para alcançarmos os objetivos e as metas da Agenda 2030.
Por fim, observa-se que, mesmo diante dos desafios apresentados, a Universidade Federal do Tocantins vem construindo, a passos largos, uma trajetória importante para a institucionalização da Agenda 2030. Especialmente no campo interno, apresenta um grande avanço, devido ao apoio das várias ações desenvolvidas; todavia, será necessária mais atenção para a articulação governamental, com o estabelecimento de parcerias com municípios, pela essencialidade na implantação da Agenda.
Referências
BAZZOLI, J.A.; LIMA, F. S.A.; BORGES, H. R. P. S. S.; ALVES, J. J. D.; RODRIGUES, S. G.; RODRIGUES, W. A articulação e implementação do centro de desenvolvimento regional na região metropolitana de Palmas: um relato de experiência. Revista Extensão Unitins, v.3, n.2, dez. 2019. Disponível em: https://revista.unitins.br/index.php/extensao/article/view/1861. Acesso em: 12 ago. 2021.
BRASIL. Transformando nosso mundo: a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Traduzido do inglês pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) e revisado pela Coordenadoria Geral de Desenvolvimento Sustentável (CGDES) do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Brasília: MRE, 2016.
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NAÇÕES UNIDAS NO BRASIL (ONU). Roteiro para a Localização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Implementação e Acompanhamento no nível subnacional. ONU, 2016. Disponível em: https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2017/06/Roteiro-para-a-Localizacao-dos-ODS.pdf . Acesso em: 12 ago. 2021.
PROEX. Catálogo de Extensão. Pró-Reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários Maria Santana Ferreira dos Santos Milhomem. Palmas: UFT, 2020.
SILVA, Enid Rocha Andrade da (coord.). Agenda 2030: ODS-Metas nacionais dos objetivos de desenvolvimento sustentável. IPEA, 2018. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/8855. Acesso em: 12 ago.2021.
UFT. Plano de Desenvolvimento Institucional (2021/2025). Tocantins: Conselho Superior, 2021.