ARTIGOS

AS CONTRIBUIÇÕES DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA FORMAÇÃO DO BACHAREL EM ADMINISTRAÇÃO

Thiago Henrique Almino Francisco
Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), Brasil
Kevin Antunes Laurindo
UNESC, Brasil
Steicy Lopes Martins
UNESC, Brasil
Yuri Borba Vefago
Laboratório de Gestão, Inovação e Sustentabilidade (LABeGIS/UFSC), Brasil

AS CONTRIBUIÇÕES DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA FORMAÇÃO DO BACHAREL EM ADMINISTRAÇÃO

Revista Conexão UEPG, vol. 18, núm. 1, pp. 01-19, 2022

Universidade Estadual de Ponta Grossa

Recepción: 12 Abril 2022

Aprobación: 11 Octubre 2022

Resumo: A extensão universitária é um tema emergente no campo da pesquisa em gestão universitária que vem à superfície sobretudo a partir das contribuições do Plano Nacional da Educação. Neste contexto, este artigo objetiva analisar as contribuições da extensão universitária para o desenvolvimento de ações integradas entre estudantes de um curso de Administração e o ecossistema empreendedor. Em relação às contribuições teóricas, o artigo apresenta uma visão da literatura a respeito da extensão universitária, da relação entre a universidade-empresa e da identidade docente no ensino superior. Por meio de uma pesquisa de base qualitativa, desenvolvida a partir de uma entrevista semiestruturada com 20 participantes do projeto, os resultados demonstram que a extensão universitária aprimora competências aplicadas ao processo formativo e proporciona, entre outros aspectos, relações virtuosas entre a universidade e a sociedade. As conclusões destacam a contribuição da extensão e oportunidades teórico-práticas do processo, considerando a formação do Bacharel em Administração.

Palavras-chave: Extensão Universitária, Empreendedorismo, Administração.

Abstract: University extension is an emerging theme in the field of research in university management, which comes to the surface mainly from the contributions of the National Education Plan. In this context, this article aims to analyze the contributions of university extension to the development of integrated actions between n students of a course of Administration and the entrepreneurial ecosystem. Regarding the theoretical contributions, the article presents a view of the literature regarding university extension, the relationship between the university-company and the teaching identity in higher education. Through a qualitative research, developed from a semi-structured interview with 20 project participants, the results demonstrate that university extension improves skills applied to the training process and provides, among other aspects, virtuous relationships between the university and the society. The conclusions highlight the contribution of the extension and the theoretical-practical opportunities of the process, considering the formation of the Bachelor in Administration.

Keywords: University Extension, Entrepreneurship, Administration.

1. INTRODUÇÃO

Em um contexto contemporâneo, cada vez mais voraz, o processo formativo de um estudante de um curso de graduação requer aplicação de atividades que sejam intensas em promover experiências de aprendizagem significativas. Na trilha das discussões a respeito dessa aprendizagem, diversos referenciais se propuseram a discutir metodologias para o desenvolvimento de ações que possam promover as competências requeridas pela sociedade nos estudantes. (BARON; MORIN, 2010; GRANT, 2014; LADEGARD; GJERDE, 2014; CARVALHO; RABECHINNI Jr, 2015). Nesse sentido, emergem discussões a respeito da relação entre ensino, pesquisa e extensão, e sobre as formas de como desenvolver este aspecto, como plano de fundo das discussões a respeito do processo formativo e da aprendizagem.

Especialmente a respeito da extensão, considerando-a como um dos principais elementos do atual Plano Nacional da Educação, em específico nas metas relacionadas com o ensino superior, percebe-se que esta ganha um contorno de bastante relevância já que, sua inserção curricular (BRASIL, 2018) tende a fortalecer as práticas extensionistas e a própria cultura institucional. Desse modo, surgem ações, programas, iniciativas, projetos e outros subsídeos que tendem a criar este movimento nas instituições como forma de promover contribuições à sociedade e incrementos no percurso formativo dos estudantes.

Como um tema pujante na literatura acadêmica sobre gestão no Brasil, a extensão é discutida em um viés que “tangencia” as vias assistencialistas, embora em seu conceito ela não o seja. Contudo, um dos seus principais direcionamentos é a contribuição com o entorno institucional, inserindo acadêmicos e docentes em um ambiente de aprendizagem significativa, proporcionando o desenvolvimento de competências que podem aprimorar aquelas previstas nos Projetos Pedagógicos.

Na trilha desta discussão, este artigo tem o objetivo de analisar as contribuições da extensão universitária para o desenvolvimento de ações integradas entre estudantes de um curso de Administração e o ecossistema empreendedor. Como objetivo secundário, o artigo busca aprofundar as discussões sobre a relação entre a extensão e a formação em Administração, de modo a proporcionar reflexões que contribuam com a inserção curricular da extensão em Projetos Pedagógicos de cursos nesta área. Para tanto, o artigo foi desenvolvido no contexto de um projeto de extensão promovido por um curso de Administração localizado em uma Universidade Comunitária Catarinense.

O projeto defendeu como objetivo a promoção da integração entre os estudantes e o ecossistema de inovação da região, por meio do desenvolvimento de soluções ágeis para negócios em desenvolvimento ou para oportunidades de negócio, descobertas a partir de um exercício de diagnóstico. Após a modelagem, os projetos desenvolvidos por estudantes e docentes foram analisados por empreendedores e representantes de órgãos de classe, que encaminharam suas contribuições para o aprimoramento dos modelos de negócio. Neste sentido, o artigo procura responder à seguinte questão: Quais as contribuições de um projeto de extensão para o processo de integração de estudantes de um curso de Administração com o seu ecossistema de inovação?

Dessa forma, o artigo está segmentado em cinco seções; introdução; fundamentação teórica, abordando os conceitos centrais advindos da contribuição da teoria que dá base à pesquisa; procedimentos metodológicos; análises dos resultados; e as considerações finais.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A seguir estão as contribuições da teoria que emergiram a partir dos levantamentos bibliográficos que auxiliam na compreensão do contexto da extensão, da interação entre a universidade e a sociedade e da identidade docente no ensino superior.

2.1 O CONTEXTO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO

Para definir o campo e os desafios emergentes no contexto do ensino superior, é fundamental elencar evidências que tenham condições de explicar os acontecimentos e os fatores emergentes deste espaço, que do ponto de vista estrutural, tem oferecido um conjunto consistente de oportunidades para ampliar investigações e congregar opiniões, ora convergentes ora difusas. Essa é uma das contribuições do trabalho de Francisco (2017), que discutiu a regulação do ensino superior como fator emergente no campo da gestão universitária, e que concluiu seu estudo demonstrando os potenciais de uma teoria substantiva aplicada a este campo, como forma de aproximar construtos que vêm se tornando convergentes em função do estabelecimento do SINAES como base para a avaliação e para a gestão universitária.

Elementos em aberto podem ser constatados nas reflexões que emergem a partir do estudo de Nunes e Silva (2011), que ao discutirem a importância da extensão para a relação entre a instituição e a sociedade, como forma de promover a relevância social deste espaço em um determinado contexto, elucidaram a necessidade da busca por critérios que sejam claros para a construção e avaliação de projetos. Fato esse, que poderia facilitar a concepção, a implementação e a gestão de projetos de extensão, proporcionando uma melhor alocação de pessoas e recursos às suas ações.

Ainda nesse sentido, aparecem lacunas que surgem por meio da análise dos estudos de Scharf et. al. (2016), Silva et. al. (2016), Cavalcante et. al. (2019), Arantes e Deslantes (2017). Por meio da análise dos materiais, é possível perceber que a extensão é uma prática que se inclina para determinadas áreas do conhecimento, em especial a área da Saúde, Educação e Ciências Humanas, com um viés para a área do Direito. Isso se dá pelo fato das possibilidades de atender a demandas que são mais intensivas em conhecimento advindo destes espaços, o que legitima o fato de que estão nestas áreas os maiores contingentes de publicação a respeito do tema. Ficam abertas, portanto, questões que incitam perceber as causas pelas quais áreas como a “Administração”, a “Economia” e as “Ciências Contábeis” - apenas a título de ilustração - contribuem com uma pequena parcela das publicações a respeito do tema.

Considerando os textos analisados, acrescendo os textos de Otaviano (2015), De Deus (2018) e Pereira (2017), percebe-se que as questões em aberto no contexto da extensão universitária na educação superior brasileira indicam algumas lacunas que podem ser preenchidas. Dentre elas, destaca-se a importância da criação de critérios claros para a avaliação dos projetos e “produtos” da extensão, bem como, a utilização desses critérios para facilitar a alocação de recursos e pessoas nas iniciativas. Outro ponto relevante, considerando uma indicação de estudos internacionais, é o fato de que o diálogo constante e estruturado da extensão com o ecossistema, o que facilita a revisão/avaliação dos projetos. Além disso, em uma análise sistêmica dos textos utilizados nessa reflexão, percebe-se que um ponto a ser discutido nestas práticas, em contexto nacional, é relacionado com os espaços em que os resultados destes projetos de extensão são publicados. Visto que, ao analisar o contexto internacional, os resultados dos projetos de extensão estão publicados em veículos de maior expressão na comunidade científica, diferente do que ocorre nacionalmente.

Outro ponto - substantivo para este artigo - é que existe uma escassez de trabalhos em áreas relacionadas à gestão de negócios, o que indica haver uma possível distância entre os cursos desta área e o ecossistema empresarial. Nesse sentido, uma das lacunas que este artigo busca preencher é este espaço, criando alternativas para uma questão ainda latente no contexto da extensão universitária no ensino superior brasileiro.

2.2 A INTEGRAÇÃO ENTRE A UNIVERSIDADE-EMPRESA

No contexto das Ciências Sociais Aplicadas, mais especificamente no âmbito dos cursos que discutem gestão de negócios, é possível perceber que a extensão ganha notoriedade em trabalhos que tratam da relação entre Universidade, Empresa e Governo, a partir do que foi proposto por Etzkowitz e Leydesdorff (2000). O conceito da tríplice-hélice, sob a reflexão dos autores, pressupõe atividades integradas que fortalecem os laços entre esta entidades, contribuindo para o fomento de contribuições que induzam ao que os autores denominam de sociedade empreendedora.

Na perspectiva desta discussão, Schmitz (2017) destaca que, modelos internacionais que fomentam essa relação têm sido bem sucedidos no intuito de promover conhecimento útil à sociedade por meio da integração entre ensino e pesquisa, colocados em “prática” pela extensão. Isso, nas conclusões do autor, fortalece a relevância social das universidades; ou mesmo de Instituições de Ensino Superior que adotam tais práticas; e contribuem para que modelos se construam em um dado ecossistema que tenham condição de atender as necessidades específicas do entorno, mais especificamente de organizações que atuam no contexto da gestão de negócios.

Sob a ótica destes estudos, há algumas questões em aberto que podem ser discutidas, considerando a relação existente entre a tríplice-hélice e a extensão, especialmente na área da gestão de negócios. Uma delas está relacionada com as formas pelas quais essas relações são avaliadas. É fundamental que as relações entre as entidades que fazem parte deste movimento tenham condições de dialogar constantemente para além de aspectos econômicos, preconizando fundamentos que sejam relevantes para o ecossistema. Isso permite com que as relações entre essas entidades possam ser avaliadas com critérios claros, tornando os resultados em parâmetros eficientes e devidamente orientados para uma aplicação fundamentada em um determinado contexto.

Outro ponto que aparece em aberto está no fato de que os resultados dessa relação devem ampliar oportunidades para o desenvolvimento de políticas públicas; no caso da parte do governo; de inovação; no caso da indústria; e do próprio ensino; no caso das Instituições de Ensino Superior. Contudo, aparentemente não há estudos consistentes que indicam as formas pelas quais essas relações implicam em atividades de ensino que se materializam, o que pode revelar a necessidade de estudos futuros neste sentido.

Ainda do ponto de vista de elementos em aberto, e que carecem de estudos que possam ampliar tais discussões, são as formas pelas quais a tríplice-hélice pode ser avaliada no conjunto regulatório e considerada no escopo avaliativo do SINAES. De forma direta, isso não é previsto nos instrumentos disponibilizados e há possibilidades de ligações que permitam considerar essa possibilidade. Nesse sentido, há que se considerar que este pode ser um ponto a ser investigado com mais profundidade.

Adicionalmente, há outros pontos referenciais que podem ser destacados, em específico a relação desses pontos com a formação do Bacharel em Administração, o que será abordado com mais precisão no próximo tópico deste estudo.

2.3 A IDENTIDADE DOCENTE NO CONTEXTO DA FORMAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO: UM DISTANCIAMENTO DA EXTENSÃO

No contexto dos estudos em gestão universitária, mais especificamente no âmbito da formação pedagógica de docentes, percebe-se um conjunto de lacunas que podem ser discutidas no âmbito da formação de Bacharéis em Administração no Brasil. Uma delas, que considera o fato do grande número de cursos e de estudantes que compõem este cenário no Brasil, é relacionada à formação pedagógica de docentes, já que trata-se de uma área que possui um perfil distinto de professores. Os docentes que atuam nesse contexto tendem a ser provenientes de atividades “do mercado” e possuem pouco background pedagógico, o que leva os autores a induzir que esses docentes possuem maior probabilidade de apenas reproduzir conhecimentos, ao invés de conduzi-los sob a ótica de ferramentas técnicas de ensino e aprendizagem.

Do ponto de vista dos trabalhos nacionais, percebe-se que poucos se debruçam nos estudos a respeito de pontos específicos da formação. Em uma busca nas bases “Scielo” e “Google Scholar” foram identificados poucos trabalhos que tratam da formação pedagógica dos docentes neste contexto, poucos estudos tratam da extensão como instrumento relacionado ao percurso formativo do bacharel em Administração e um número um pouco mais consistente trata da avaliação institucional, mais especificamente a respeito do ENADE.

Do ponto de vista internacional, o que se percebe é que a extensão e a gestão de certa forma dialogam apenas em contextos “universitários”, o que parece ser semelhante ao caso do Brasil. A extensão universitária utiliza de ferramentas, conceitos e recursos que estão disponíveis em instituições de grande porte, ou então que possuem métodos sistematizados de integração entre as instituições e o seu ecossistema.

Nesse sentido, considerando o que é proposto para este artigo, busca-se reconhecer a extensão universitária como um instrumento convergente com a formação do Administrador e com a inserção do acadêmico em um ecossistema cada vez mais dinâmico, considerando o cenário da inovação e da gestão organizacional. Dessa forma, ao considerar o cenário exposto de cursos de Administração e da formação de bacharéis, percebe-se que a extensão pode ser melhor aproveitada como recurso institucional que contribui com a melhoria do processo de ensino e do percurso formativo do estudante. Nesse sentido, considera-se que a extensão tem condições de ampliar a imersão do estudante em problemas reais, o que demanda também a formação docente para utilizar essa ferramenta.

Dessa forma, por meio de uma investigação de cunho qualitativo; caracterizada a seguir; ao analisar as contribuições da extensão universitária como fenômeno que integra estudantes e o ecossistema empreendedor no contexto do extremo sul de Santa Catarina, este trabalho se propõe a refletir sobre a extensão universitária na área da Administração, contribuindo na ampliação dos estudos científicos que se relacionam com a extensão universitária e a formação de gestores, e também para aqueles que discutem a formação docente na área das Ciências Sociais Aplicadas. Por isso, os resultados advindos deste estudo, podem auxiliar no desenvolvimento de ações que fomentem o percurso formativo do estudante, mas também a formação pedagógica de docentes que atuam nesta área do conhecimento.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Do ponto de vista metodológico, a investigação se organizou em dois momentos, os quais proporcionaram subsídios técnico-metodológicos para o desenvolvimento do artigo. Na perspectiva de analisar as contribuições da extensão universitária como fenômeno que integra estudantes e o ecossistema empreendedor no contexto do extremo sul de Santa Catarina, a primeira etapa se estabeleceu na medida em que uma investigação, de cunho bibliográfico, foi desenvolvida com o intuito de fortalecer o arcabouço teórico-conceitual que sustentou a investigação. Nesse sentido, utilizando as bases da Revisão Sistemática de Literatura, os autores se propuseram a abordar a literatura de forma exploratória, para identificar evidências que pudessem alicerçar a investigação. Considerando as orientações de Cordeiro (2007), a literatura foi abordada a partir de termos-chave que contribuíram para o levantamento de trabalhos empíricos que pudessem colaborar com o desenvolvimento de um levantamento teórico coerente com a pesquisa.

Em cada uma das sessões que trataram dos conceitos centrais propostos na segunda seção deste artigo, foram empregados mecanismos de busca que permitiram alocar produções relevantes que pudessem contribuir com os ordenamentos conceituais propostos. O quadro 01 apresenta a estrutura de busca, considerando as bases de dados e os termos-chaves empregados:

Quadro 01: Exercício aplicado a coleta de fontes para a revisão de literatura
TemaTermos-chaveBases ConsultadasQuantidade de referências*
Extensão Universitária“Extensão Unversitária” AND “Extensão no Ensino Superior”DOAJ SPELL Google Acadêmico Scielo Scopus10
Integração Universidade Empresa“Triplice-Hélice” AND Ensino Superior”DOAJ SPELL Google Acadêmico Scielo Scopus12
Identidade docente“Docência AND Ensino Superior” “Prática Docente” AND “UniversidadeDOAJ SPELL Google Acadêmico Scielo Scopus10
Fonte: Elaborado pelos autores.

A partir da coleta realizada, alguns filtros foram aplicados. Dos 32 artigos selecionados, apenas 23 foram utilizados para a construção dos textos, a partir dos seguintes critérios:

  1. Eliminação dos textos repetidos;

  2. Eliminação dos textos que tratavam de maneira parcial dos objetos descritos nos termos-chave;

  3. Eliminação dos textos publicados antes de 2016.

Ao final, portanto, restaram 23 textos que puderam compor o escopo estrutural da redação proposta como suporte teórico dos fenômenos investigados nesta pesquisa.

A segunda etapa, considerou um ordenamento metodológico organizado em torno de uma investigação qualitativa, pautada nas premissas da etnometodologia, ambas definidas por Flick (2008), as quais consideram elementos integrados entre o discurso dos indivíduos e o contexto. Nesse sentido, o artigo buscou, por meio da análise de um repertório compartilhado de um determinado contexto, levantar percepções de uma comunidade que compartilha um determinado projeto de extensão, que ocorre em uma Universidade Comunitária, localizada no extremo sul de Santa Catarina. Ainda considerando a proposta de Flick (2008), a pesquisa possui uma abordagem narrativa.

Utilizou-se de uma entrevista semiestruturada composta por sete perguntas abertas. Essa, foi aplicada entre os meses de setembro e outubro de 2019, e contou com a participação de 20 entrevistados. O critério de seleção dos entrevistados foi, alem do aceite, fazer parte do ecossistema de desenvolvimento do projeto e serem membros da última oferta das atividades da proposta, desenvolvida no bojo de uma disciplina do curso de Administração e a partir de um edital extensionista da Universidade.

O quadro 02 sistematiza o perfil dos entrevistados que participaram da pesquisa, que contou com a participação de empreendedores, - que atuaram como mentores ou convidados do projeto - com estudantes, - que se dispuseram a contribuir com a pesquisa a partir do relato de suas experiências no contexto da participação do projeto - com professores, - que eram membros da equipe organizadora do projeto - e com membros da sociedade civil organizada, nos quais eram participantes convidados a realizar a avaliação dos resultados do projeto.

Quadro 02: Enquadramento dos entrevistados

Quadro 02: Enquadramento dos entrevistados
Informações complementares dos entrevistados
Código do EntrevistadoPapel no ecossistemaPeríodo de realização
EMP1Empreendedor, participante convidado do ProjetoDe 05 a 08 de set_2019
EMP1
EMP3
EMP4
EMP5
ALU1Alunos membro das turmas participantes dos projetosDe 20 a 24 de set_2019
ALU2
ALU3
ALU4
ALU5
PROF1Professores integrantes da equipe responsável pelo projetoDe 05 a 10 de out_2019
PROF2
PROF3
PROF4
PROF5
SOC1Membros da sociedade civil que participaram como convidados de eventos do projetoDe 15 a 20 de out_2019
SOC2
SOC3
SOC4
SOC5
Fonte: Elaborado pelos autores.

A partir daí, com auxílio da análise de conteúdo estabelecida por Bardin (2004), foi possível elencar categorias que também foram codificadas a partir do uso dos princípios da codificação estabelecidos por Strauss e Corbin (1997). Com base nos dados proporcionados pela pesquisa, as análises irão viabilizar a compreensão das contribuições do projeto para os empreendedores, para os alunos participantes, para os professores e para os membros da sociedade que se envolveram diretamente com o projeto.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ao redor do mundo, percebe-se uma mudança de paradigma substantiva no contexto da educação superior. A Pandemia do SARS-COV-19 trouxe à discussão uma série de situações que estão alterando o paradigma, as competências e a própria percepção daquilo que se entende por educação superior. Esta pesquisa foi construída ao longo deste período de pandemia, e seus resultados ratificam aquilo que o contexto educacional discute e proporciona em seus novos projetos institucionais. Até o momento, são poucos trabalhos que discutem as relações entre a extensão e as novas competências exigidas neste período, mas certamente isso logo será equacionado. Acredita-se que este trabalho possua o potencial de contribuir com essas discussões.

Do ponto de vista conceitual, a extensão é um aspecto que há muito tempo vem sendo discutido como oportunidade para o desenvolvimento de novas competências que se aplicam ao que se denominou de quarta revolução industrial (SCHWAB, 2019). Ao se referir à extensão como prática curricular aplicada aos Projetos Pedagógicos de Curso, a Resolução CES/CNE N° 7, de 18 de dezembro de 2016, Mota, Tena e Knoerr (2019) destacam que, a prática deve considerar um processo interdisciplinar, político institucional, cultural, científico e interativo. Nesse sentido, a extensão deve ser um movimento integrador, entre cursos e áreas do conhecimento, sistematizado e estratégico para as instituições e dialógico, ao ponto de englobar ações que integrem instituições e cursos com a comunidade.

Amparados nesta estrutura conceitual, este artigo busca fomentar uma discussão sobre as contribuições da extensão universitária para o desenvolvimento de ações integradas entre estudantes de um curso de Administração e o ecossistema empreendedor. Para atingir os resultados propostos, a pesquisa foi aplicada no âmbito dos participantes de um Projeto de Extensão desenvolvido em um curso de Administração, que é oferecido em uma Universidade Comunitária Catarinense. Atualmente o curso conta com mais de 400 alunos e, com uma trajetória de 45 anos, tragetoria essa, que já proporcionou a formação de cerca de 5.000 egressos em uma Universidade reconhecida pela comunidade como “Comunitária”, graças a sua intervenção social proporcionada pelos projetos de extensão.

O projeto tem o objetivo de ampliar as ações de integração entre o curso e o ecossistema empreendedor, na tentativa de desenvolver soluções ágeis para negócios em desenvolvimento ou em fase de concepção. Ele foi desenvolvido por dois anos e financiado por um edital institucional. No bojo estrutural das ações, o projeto colaborou com o ecossistema empreendedor na medida em que desenvolveu palestras, oficinas, workshops e rodas de interação com representantes do ecossistema empreendedor, entendendo este elemento como sendo um componente formado por empreendedores, alunos, professores e representantes da sociedade civil.

Do ponto de vista estratégico, o projeto compõe um portfólio bastante consistente de atividades e faz parte do Programa de Orientação ao Pequeno Empreendedor, que é um grande “guarda-chuva” extensionista da área das Ciências Sociais Aplicadas da Universidade. Com um total de mais de 10 projetos em desenvolvimento, o programa proporciona a interação entre os cursos e a sociedade, promovendo desenvolvimento sustentável no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). A seguir, os resultados da pesquisa são apresentados e seguem segmentados por cada um dos papéis representados no ecossistema da pesquisa.

4.1 A EXTENSÃO E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA OS EMPREENDEDORES

A integração entre a Universidade e a Empresa estabelece um conjunto sistêmico de oportunidades que podem ser ampliadas na medida em que surjam projetos que possam conjugar interesses de ambos os espectros. Nesse sentido, o projeto em discussão neste artigo trouxe, em seu bojo estrutural, uma forma ampliada de proporcionar a relação entre os estudantes, docentes, a classe política da sociedade civil organizada e empreendedores. No intuito de apresentar as contribuições da extensão universitária na visão dos empreendedores, esses foram convidados a realizarem a avaliação dos projetos desenvolvidos pelos alunos ao longo dos períodos de oferta das atividades extensionistas. Os dados a seguir serão representados pelos códigos “EMP1”, “EMP2”, “EMP3” e “EMP4.

O “EMP1” é idealizador de duas startups e, atualmente, também atua como investidor de empresas no ecossistema de inovação da região, que se encontra em formação. Seus modelos de negócio estão focados no entretenimento social e na oferta de tecnologia para facilitação de eventos de grande porte, proporcionando soluções pautadas na tecnologia blockchain. O “EMP2” é sócio proprietário de uma empresa de registro de marcas e patentes, que atua no desenvolvimento deste tipo de ferramenta para empreendedores da região. O “EMP3” é o idealizador de uma solução específica para o Comércio Exterior, que está em fase de tração e já atende diversos países, com um modelo de negócio aplicado ao acompanhamento e gestão de embarcações. Já o “EMP4” é empreendedor que atua em uma organização que promove o desenvolvimento de soluções para a inovação corporativa, facilitando a construção de negócios inovadores.

No sentido de compreender a percepção dos empreendedores sobre as contribuições da extensão, ambos foram bastante objetivos em afirmar que a extensão é um elemento fundamental para apresentar as ações institucionais e do curso para a sociedade. Nesse sentido, para o “EMP4” uma das principais ações promovidas pela extensão é a de ampliar a relação entre o curso e a sociedade:

Eu mesmo não sabia que o curso de Administração tinha ações desse tipo, pois como me formei em uma instituição que não tinha extensão dessa forma, sempre achei que a linha que vocês seguiam era mais acadêmica. Mas os resultados dos trabalhos apresentados pelos alunos mostram que a extensão abre uma porta bastante grande para que a sociedade possa conhecer melhor uma universidade deste tamanho. (EMP4).

Ainda na perspectiva das primeiras contribuições, os empreendedores relatam que o projeto de extensão, além de abrir as portas da Universidade para a sociedade, proporcionou a interação entre os empreendedores, permitindo trocas, aprendizados coletivos e, até mesmo, oportunidades de parceria entre os empreendedores. Esses resultados corraboram com Ahuja (2000), ao demonstrar que relações diretas entre os atores em uma rede tem efeitos positivos nos resultados da inovação, por fornecer três benefícios principais: conhecimento compartilhado, complementaridade de competências e escala nos projetos de Pesquisa Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

Para o “EMP1”, o “EMP2” e o “EMP3”, destacam-se as seguintes contribuições:

Eu não conhecia o “EMP2”, mas já ouvi falar do modelo de negócio dele. Foi legal, pois participar do projeto nos proporcionou a condição de conhecer o modelo de negócio dele e propor uma parceria. Já estamos até expandindo as ideias, e tudo isso graças à participação neste projeto. (EMP1).

Foi muito legal, pois eu precisava de um apoio para aprimorar uma parte do meu modelo de negócio, e conheci o “EMP3”, que me ajudou demais nisso. É legal investir nestes projetos, pois me parece que a extensão proporcionou a formação de uma rede que eu não tinha (EMP2).

Foi em uma das avaliações que eu fiz contato com o “EMP2” e vi que ele tinha uma necessidade. Consegui ajudar, e acho que esse movimento de extensão ajuda a formar uma rede de capital bastante partilhado. (EMP3).

A partir da fala dos entrevistados, até aqui dois pontos são claros a respeito da contribuição da extensão para os empreendedores. O primeiro deles, está no desenvolvimento de oportunidades para o compartilhamento de tecnologias e transferência de conhecimento, proporcionando aprimoramentos em modelos de negócio que estão em desenvolvimento e contribuindo para expandir conhecimentos em relação ao ecossistema do qual os empreendedores fazem parte. O segundo está na formação de redes colaborativas, as quais proporcionam aprendizados e novas oportunidades, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias singulares que posicionam de forma mais efetivas as empresas participantes do projeto.

Outro ponto evidenciado pela pesquisa foi a percepção dos empreendedores em relação às expectativas com suas participações como avaliadores dos projetos e soluções apresentadas. Em geral, pela contribuição dos entrevistados, percebe-se que diversas oportunidades futuras, tais como a mentoria, surgem como elementos que direcionam as expectativas dos participantes. Isso, além de expandir as intenções e objetivos do projeto, promove também uma maior integração entre a Universidade e a Sociedade, na medida em que permite aos estudantes uma inserção, direcionada, no contexto de atividade previsto no perfil do egresso do curso em que o projeto está sendo desenvolvido.

O quadro 03 apresenta um registro da contribuição dos entrevistados a respeito de suas expectativas futuras com o projeto:

Quadro 03: Resultados das expectativas dos empreendedores participantes do projeto
Expectativas dos entrevistados
Enormes. Eu quero continuar a tutoriar um dos projetos e poder ver isso virar negócio. Que legal, pois pela extensão dá pra multiplicar os negócios que ainda estão na fase da ideia. (EMP1)Muito legal. Eu vou dispender tempo sim, pois eu aprendi algumas coisas que posso colocar em prática. Espero pode continuar ajudando, inclusive em outros projetos. (EMP2)Eu já me organizei para poder participar de outros projetos semelhantes, pois eu tenho interesse em investir em empresas que me tenham esse tipo de pegada (EMP3)É muito legal. Espero poder indicar colegas para participar dos próximos, e ajudar a oferecer oportunidades de negócio para a cidade. (EMP4)Aprender. Eu espero que a relação que construímos aqui tenha a condição de me ajudar a pensar melhor o meu modelo de negócio (EMP5)
Fonte: Elaborado pelos autores.

A partir das contribuições dos entrevistados, percebe-se que há o interesse em continuar a participar de projetos dessa natureza, especialmente pelas oportunidades emergentes que fortalecem os laços entre os empreendedores e a Universidade, discutido na literatura como frágil em vários aspectos (ALLEN; TAYLOR, 2005). Não é o caso aqui levantar as causas dessas críticas, mas sim o fato de que é possível criar elementos consistentes que proporcionem oportunidades para desenvolver parcerias sólidas entre os vários stakeholders que constituem o ecossistema de desenvolvimento institucional da Universidade e da sociedade do entorno.

No sentido das contribuições, para os empreendedores, três pontos aparecem como elementos essenciais, a partir dos resultados da pesquisa. O primeiro deles, é a oportunidade de transferir tecnologia e de fomentar aprendizados sistêmicos, que impactam em novas oportunidades de negócio. O segundo está na ampliação das relações entre o conglomerado empresarial da região e a Universidade, especialmente no campo da gestão de negócios, que pode fomentar oportunidades de troca para o desenvolvimento de novos modelos de negócio, ou a consolidação dos já existentes. O terceiro aspecto, está na oportunidade do desenvolvimento de mentorias, de tutorias e de métodos de acompanhamento para o desenvolvimento dos negócios avaliados pelos empreendedores, o que fortalece ainda mais as relações entre a Universidade e seu Ecossistema.

4.2 A EXTENSÃO E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA OS ESTUDANTES

Um dos principais grupos que podem ser considerados beneficiados pela extensão é o grupo dos acadêmicos, já que um dos objetivos da atividade extensionista é ampliar o percurso formativo do indivíduo, proporcionando novas oportunidades para o desenvolvimento do perfil do egresso. Nesse sentido, a pesquisa apresenta dados advindos da pesquisa em que estudantes participantes do projeto puderam contribuir, apresentando suas percepções a respeito da contribuição do processo e da prática extensionista. Todos eles participaram do projeto como estudantes proponentes de soluções para novos negócios, aderentes aos objetivos do projeto. Para melhor identificação dos participantes todos serão identificados como “ALU”, codificados pelo respectivo número que representa a sua identificação.

Para os estudantes, percebe-se que a extensão é um fenômeno que promove a ampliação de oportunidades de interação com a sociedade, permitindo que os acadêmicos tenham condição de desenvolver capacidades que são inerentes à sua formação profissional, mas que só podem ser efetivamente desenvolvidas com um processo interativo consistente que, na visão dos alunos, só a extensão pode proporcionar. Visão aderente a este aspecto é demonstrada pelo “ALU1” e pelo “ALU2”, que integraram uma das turmas do projeto, na medida em que eles destacam que:

Nosso grupo viu coisas que nunca tínhamos aprendido até aqui. Estamos nas etapas finais do curso, mas nunca tivemos, até então, uma oportunidade para interagir com problemas reais e propor soluções. O mais interessante é ver que o erro faz parte do aprendizado, e só assim que se aprende mesmo (“ALU1”).

Foi legal por poder ver coisas que não tem em nenhuma disciplina, e poucos professores falaram a respeito. Tipo, sair e botar a cara para a sociedade é bastante difícil, pois não depende só de conhecer uma ferramenta ou instrumento de gestão. Mas tem que saber falar, reagir, se comportar (“ALU2”).

Pela contribuição dos estudantes, até aqui percebe-se que um dos grandes elementos que fomentam a eficiência da extensão está no fato de possibilidade de interagir com um contexto, altamente complexo, para exercer capacidades que são pouco trabalhadas no contexto da formação do egresso. No caso do curso de Administração, que é referência para este estudo, é possível afirmar, especialmente considerando a contribuição de outros entrevistados, que a extensão pode desenvolver um conjunto de competências que são pouco desenvolvidas nas atividades curriculares do curso. O “ALU3” destaca este aspecto, salientando que há capacidades que devem ser desenvolvidas “na marra, para fazer o negócio acontecer”, o que está análogo a algumas das competências socioemocionais que são amplamente discutidas na literatura, definidas também por Schwab (2019) como essenciais para o novo contexto do trabalho. Nesse sentido, além de aproximar os estudantes de um contexto “prático”, a extensão também permite com que sejam desenvolvidas atividades para o desenvolvimento de capacidades essenciais para que o profissional egresso tenha condição de se inserir, não apenas no contexto de trabalho, mas também na sociedade. As contribuições a seguir demonstram este fundamento:

A gente passou a se interessar por assuntos que não estão na matriz curricular, e que não são tratados nas disciplinas. Por exemplo: fez muito sentido a relação entre política e estratégia, pois não dá pra tomar decisão sem conhecer esse tipo de variável. O fato é que nunca tivemos uma oportunidade para aplicar isso, e com a extensão aconteceu. (ALU3).

Foi preciso melhorar a nossa oratória para poder conversar com pessoas que pudessem investir em nossa ideia, pois além da boa impressão foi necessário também apresentar um vocabulário adequado para que pudéssemos trocar ideias com esse pessoal. (ALU4).

Nessa perspectiva, percebe-se que a extensão, além de ser um elemento norteador da formação do egresso em função da possibilidade para o desenvolvimento de uma relação bastante coerente com as capacidades profissionais que devem ser desenvolvidas, proporciona também o desenvolvimento de um conjunto amplo de capacidades e competências que são relevantes para o posicionamento social do cidadão, do egresso e do futuro profissional. A extensão, portanto, pode ser reconhecida como um importante potencializador da formação acadêmica, pelo fato de inserir o estudante no front de seu ambiente de atividade, de forma proativa e, sobretudo, autônoma. Fato já destacado por Toaldo (1977). Para o autor, existem cinco benefícios para os estudantes quando estão engajados em projetos de extensão: o conhecimento da realidade, a formação prática, o treinamento interdisciplinar, a consciência social e a motivação e maturidade. Na explicação de cada item, o autor destaca que extensão universitária amplia a visão e aprofunda o sentido da aprendizagem, que, no curso, é percebida de forma fragmentária. Oferece oportunidade de experiência direta, de aplicação de conhecimentos que são testados e confrontados com a realidade, a qual difere, muitas vezes, daquilo que foi transmitido no curso. Favorece a troca de ideias com profissionais de várias áreas, e como consequência, o estudante adquire a visão globalizante do seu campo de atuação.

No que se refere às contribuições, percebe-se que todos os entrevistados são bastante pontuais em afirmar que a extensão proporciona maior possibilidade de interação, aumentando redes, proporcionando autonomia e fomentando estruturas cognitivas que podem potencializar o aprendizado do indivíduo. A seguir, o quadro 04, apresenta um resumo das principais contribuições:

Quadro 04: Resultados das expectativas dos estudantes participantes do projeto
Expectativas dos entrevistados
Espero poder aproveitar o contato dos empreendedores para poder aprender mais. Inclusive, neste processo aprendi a valorizar mais os professores e o esforço de cada um. No próximo semestre, espero muito pela disciplina do DOC3. (ALU1)De fato foi bastante legal sim, e espero poder levar a ideia pra frente pois ela tem relação com a empresa do meu pai, e agora isso ta fazendo sentido pra mim. (ALU2)Sem dúvidas aprender mais com as disciplinas que tem relação com o projeto. E poder também manter contato com o pessoal que veio avaliar o projeto (ALU3)Para mim, é fundamental continuar com a ideia. A equipe pegou junto e talvez pudéssemos conversar mais com outros alunos, das turmas anteriores, para integrar as ideias (ALU4)Foi essencial, pois aprendemos coisas importantes e eu espero continuar aplicando isso e mantendo contato com os professores e com os empreendedores (ALU5)
Fonte: Elaborado pelos autores.

Um ponto, em específico, chama a atenção nas expectativas dos estudantes. A extensão, além de ser um fundamento essencial para o desenvolvimento das capacidades dos estudantes, proporcionou interação com o ecossistema e viabilizou também um elemento essencial para a construção do processo de ensino e aprendizagem, já que fortaleceu a relação dos estudantes com os docentes e possibilitou maior atribuição de valor, por parte dos alunos, às atividades dos professores. Santiago e Fumes, (2005) afirmam que o trabalho em conjunto realizado durante o planejamento, execução e avaliação do projeto de extensão favorece ao docente e discentes que esses desenvolvam nas aulas as competências pessoais, sociais, cognitivas e afetivas dos alunos, oportunizando novas vivências, auxiliando assim no desenvolvimento da autonomia e da criticidade de cada indivíduo.

A extensão é, portanto, um dos elos essenciais ao processo formativo do estudante, pois atribui também significado a atividades de apoio e suporte, que são desenvolvidas pelos professores, pelos tutores e por aqueles responsáveis pela gestão do percurso pedagógico do estudante.

4.3 A EXTENSÃO E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA OS DOCENTES

Um dos grupos investigados nesta pesquisa foram os docentes que participaram como membros organizadores e orientadores dos projetos, também responsáveis por disciplinas que compõem a estrutura curricular do curso que deu origem ao projeto de extensão. Do ponto de vista do perfil, todos os professores participantes da pesquisa possuem título de Pós-Graduação Stricto-Sensu (Mestrado ou Doutorado), são contratados em regime de tempo integral e possuem formação em Administração, aderente ao currículo do curso. Todos eles lecionam, pelo menos, a mais de 10 anos e compreendem a extensão como uma forma “inovadora” que aprimora os planos de ensino e o percurso formativo do qual eles fazem parte. Da mesma forma que os demais grupos entrevistados, os docentes participantes da pesquisa serão identificados como “DOC”, enumerados a partir de suas contribuições com os resultados.

A partir da investigação, a entrevista proporcionou a condição de compreender uma visão de um dos segmentos mais atuantes, do ponto de vista do percurso formativo do estudante. Para o grupo de docentes, de uma forma geral, o processo extensionista aparece como uma ferramenta importante de atualização metodológica e, inclusive, pedagógica. Na visão do “DOC2”, que tem experiências com extensão a mais de 5 anos, é possível identificar traços de elementos pedagógicos bastante aderentes ao desenvolvimento da extensão:

Em todas as minhas aulas eu procuro articular momentos de diagnóstico e aplicação prática do conteúdo e a extensão nos dá ferramentas para isso, na medida que induz a necessidade de uma interação com a sociedade. Dá pra extrair muitas ferramentas e boas oportunidades para aprimorar a disciplina (DOC 4).

O que é possível perceber, por intermédio das falas dos participantes deste grupo, é que a extensão também é uma ferramenta metodológica para o desenvolvimento de novas experiências de aprendizagem, especialmente em função das oportunidades de conexão com o ecossistema que a prática proporciona. Crisostimo (2011) destaca que para os docentes, a extensão pode também ser instrumento interessante porque, ao socializarem o conhecimento junto à comunidade, aprendem simultaneamente o conhecimento por aqueles vivenciado: o senso comum.

Um dos pontos evidenciados pelos entrevistados, é o fato de que as relações com o segmento empresarial e com a sociedade, no caso da região do extremo sul catarinense, proporcionou a oportunidade para o desenvolvimento de ferramentas aplicadas ao processo de ensino e aprendizagem, bem como ampliou condições para o desenvolvimento de visitas técnicas, palestras, workshops, diagnósticos, projetos e demais oportunidades de produção de conhecimento.

Na visão do “DOC1”, a extensão proporcionou a oportunidade para afinar as relações com as empresas da região, potencializando trabalhos desenvolvidos em outras disciplinas, gerando oportunidades de empregabilidade e fortalecendo o perfil do egresso do Projeto Pedagógico, já que construiu um caminho compartilhado e interativo entre empresa e instituição. Nesse sentido, o “DOC4” também destaca que que a extensão foi um “marco” para suas atividades acadêmicas, já que os resultados da prática extensionista criaram “significado e sentido para suas atividades pedagógicas”. Isso também pode ser percebido na fala do “DOC5”:

Muito se fala em metodologias ativas, mas me parece que a extensão é uma das melhores formas de potencializar o aprendizado dos estudantes. Um dos exemplos que trago é que, após uma das atividades do projeto, passamos mais de três horas apenas discutindo resultados alcançados pelo grupo de estudantes. A aula fluiu de uma forma incrível, com todos interessados e demonstrando que se apropriaram do conteúdo (DOC5).

Aderente à proposição de Horn, Staker e Christensen (2015) a extensão tem condições de proporcionar acesso a potenciais aspectos inovadores, disruptivos ou não, mas que fomentam oportunidades para aprimorar e significar o aprendizado dos estudantes. Dessa forma, portanto, a extensão assume seu papel de estrutura preditiva de aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento de ações pedagógicas e formativas que potencializam competências. Mas, mesmo com essas contribuições, há alguns desafios destacados pelos docentes.

Um dos pontos levantados pelos investigados, é o fato da dificuldade de “aprender” a extensão. Quase todos os professores citaram que a extensão necessita de formação, já que demanda dedicação, planejamento e o desenvolvimento de um projeto estruturado, com objetivos claros e factíveis. A visão do “DOC3” é a que mais confirma este aspecto:

É muito difícil. Não é como a pesquisa, que depende fundamentalmente do seu esforço individual. A extensão depende, especialmente, de um envolvimento genuíno de todos os envolvidos em um projeto e isso não é fácil. Engajar todos demora, e depende de muito convencimento, mas quando ocorre todos aprendem (DOC3).

Ainda nesse sentido, os demais entrevistados destacam que é fundamental compreender as amarras envolvidas no desenvolvimento de uma proposta extensionista, já que atribuem a ela significados específicos a cada parte do seu desenvolvimento. Pela contribuição dos entrevistados, percebe-se que o destaque é para o aprendizado dos pontos essenciais da extensão, da contrapartida entre os envolvidos, da dedicação e da avaliação dos resultados, especialmente pelos segmentos da sociedade que estão envolvidos em uma determinada proposta. Na visão dos entrevistados, é essencial proporcionar a formação adequada para a prática extensionista:

Mas sem dúvida nenhuma que a extensão é a parte mais difícil. Se não houver uma formação continuada forte, clara e complementar aderente a política de extensão da IES, nada funciona. Não tem como! Me diz... como faz para engajar uma sociedade inteira em torno de uma proposta? (DOC1).

Somente com formação continuada. Um professor não nasce extensionista, pelo menos na minha opinião. Não tem como. A extensão é um projeto que deve ser muito bem articulado e se não for assim, nada acontece. É preciso de uma formação para todos, algo do tipo 360 graus (DOC2).

Nesse sentido, portanto, a extensão, para os docentes, é um movimento altamente técnico, que demanda qualificação e, a partir dela, gera importantes significados que também proporcionam melhor entendimento da relação com o ensino e com a pesquisa. Do ponto de vista acadêmico, além de fomentar novas formas pedagógicas e percursos de aprendizagem, gera, também, competências para o engajamento da sociedade que se envolve com um determinado programa ou projeto.

4.4 A EXTENSÃO E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A SOCIEDADE

Uma das principais contribuições da extensão e o desenvolvimento de condições para ampliar a relação de parceria entre a Universidade e seu Ecossistema é proporcionar oportunidades para o fortalecimento de relações sustentáveis que podem promover um espaço de construção e troca de conhecimentos uteis à sociedade. Nesse sentido, as principais contribuições que emergiram dos entrevistados asseveraram que a extensão tem essa finalidade, especialmente quando se trata de projetos que fazem interlocuções com o conceito e a prática do empreendedorismo.

Em relação a pesquisa, os principais participantes deste estudo, que representavam o segmento da sociedade civil organizada, contribuíram como analistas dos resultados dos projetos desenvolvidos pelos estudantes, no qual estes eram responsáveis por apresentar contribuições a respeito da adequação das propostas desenvolvidas nos espaços em que estes agentes se posicionam. Para tanto, as contribuições de cada um deles serão apresentadas as seguir, organizadas pelos códigos “SOC”, representado pelo número indicativo do respectivo entrevistado.

Para os representantes da sociedade civil, uma das principais contribuições da extensão é, assim como para o segmento empreendedor, a possibilidade de manter e ampliar uma relação qualificada com a Universidade, fomentando um importante direcionamento para o desenvolvimento de soluções que possam atender, de forma proativa, a sociedade. Fato já mencionado por Rodrigues et al. (2013) ao destacar que além da integração do ensino com a pesquisa, outro objetivo da extensão é promover a integração entre universidade e sociedade, prestando serviços assistenciais a comunidade e levando, sobretudo, o conhecimento.

Na visão do “SOC1”, a extensão foi uma ferramenta muito significativa para “o desenvolvimento de uma consciência sobre a Universidade”, o que confirma o posicionamento do “SOC2”:

Eu não sou formado, e por isso tinha pouco conhecimento a respeito do papel da Universidade, muito embora a gente interaja um pouco pela associação. É essencial que a extensão continue cumprindo o seu papel, pois ela abre as portas da Universidade para toda a sociedade e faz com que o aprendizado seja real, e não simulado. (SOC2).

Ainda nesse sentido, os entrevistados representantes da sociedade demonstraram muita satisfação com as atividades de extensão e suas respectivas contribuições, em se tratando dos impactos dos projetos no ecossistema. Para eles, a extensão tem cumprido um papel de nortear algumas ações sociais, já que contribui com a (re) formulação de políticas e ações a partir de uma visão externa de seus ambientes:

Mudou bastante alguns paradigmas. A extensão foi uma forma da gente compreender a importância da teoria e da prática e aprender a incentivar a educação, que é um elemento essencial para a formação do profissional. Não tem condições de ter uma formação sem isso. (SOC3).

Isso mostra pra toda a sociedade a diferença de uma instituição como as que fazem extensão e aquelas que não fazem. Isso ajuda a escolher o lugar para uma boa formação, mas acima de tudo também nos ajuda a buscar apoio quando necessário. (SOC4).

Ainda na perspectiva das contribuições que emergem da extensão, um ponto significativo ficou claro na exposição de um dos entrevistados. Para o “SOC5” a extensão foi uma forma de proporcionar uma relação mais próxima com a Universidade, já que as entidades de classe parecem ter poucos esclarecimentos. Ele destacou que a extensão foi uma forma de ampliar a relação com os professores e conhece-los como profissionais. Isso demonstra que, assim como em outros segmentos, a extensão é um elemento substantivo para aproximar os responsáveis pelo desenvolvimento sustentável, estabelecendo mecanismos de compartilhamento de conhecimentos e de partilha de boas práticas, integrando profissionais e promovendo soluções que são aptas ao fomento de um ecossistema cada vez mais inovador.

Para os entrevistados, portanto, a extensão torna-se mecanismo indutor de relações proativas para o desenvolvimento de soluções relevantes para a sociedade:

Foi importante pois pudemos articular bons projetos de assessoria e consultoria com os professores, e foi muito produtivo pois isso também gerou condições de empregabilidade para os estudantes, o que pode também ser uma função secundária da prática extensionista (SOC3).

Certamente um dos pontos essenciais é o fato de que a extensão nos ajudou a desenvolver relações com bons profissionais, que não sabíamos existir na Universidade. Inclusive percebemos estudantes com altas condições profissionais que já estamos monitorando, e certamente poderão nos ajudar em projetos futuros (SOC4).

Pelas contribuições dos representantes da Sociedade Civil, percebe-se que a extensão é um elemento norteador de relações construtivas entre a sociedade e a Universidade, proporcionando à última a oportunidade de consolidar uma de suas principais atribuições. Em específico o cenário em que a pesquisa se desenvolveu, resta salientar que a extensão é um elemento cultural, articulador das ações institucionais de aprendizagem e das relações operacionais com a pesquisa.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como instrumento articulador do processo de ensino e aprendizagem, a extensão se configura como um elemento fundamental no desenvolvimento de competências essenciais, aplicadas às finalidades relacionadas aos projetos, programas ou outros artifícios pelos quais a prática extensionista se desenvolve. Nesse sentido, há elementos pertinentes que demonstram a importância da prática e asseveram a relevância das produções que discutem o tema, ainda escassas no contexto dos estudos relacionados a formação do Administrador. Nesse sentido, este artigo se posiciona de forma a contribuir para a ampliação das reflexões a respeito dessa temática, que ocupa um espaço simbólico e sensível no ambiente da educação superior no Brasil.

O objetivo desta pesquisa foi analisar as contribuições da extensão universitária como fenômeno que integra estudantes e o ecossistema empreendedor no contexto do extremo sul de Santa Catarina. Por meio da contribuição dos agentes pesquisados; representantes do ecossistema de formação do curso de Administração de uma Universidade Comunitária localizada no sul de Santa Cataria; foi possível identificar variáveis que permitissem compreender a importância da extensão para o percurso formativo do estudante, para o desenvolvimento de soluções sustentáveis para os negócios e para o ecossistema de inovação da região. Tendo como base os resultados da investigação e considerado a experiência metodológica de codificação proposta por Strauss e Corbin (1997), a seguir recomenda-se a “categoria central” do estudo, com base nas evidências levantadas a partir das entrevistas. Para tanto, pode-se considerar a extensão como:

Uma atividade acadêmica que articula a prática do ensino e da pesquisa, contribuindo para a geração de relações sustentáveis entre os entes envolvidos com um determinado programa ou projeto. Do ponto de vista acadêmico, a extensão promove o desenvolvimento de competências essenciais à adaptação em contextos em transformação, além de proporcionar um processo de aprendizagem significativa que gera engajamento nos professores e estudantes. No que se refere a sociedade, a extensão é um fenômeno que “abre as portas da universidade”, colaborando para ampliar as oportunidades para a inserção comunitária da sociedade. No caso dos empreendedores, considerando a especificidade do projeto, a extensão gera um espaço de trocas e compartilhamento de conhecimento, ampliando oportunidades para o desenvolvimento de negócios e de parcerias aplicadas à resultados que podem ser exponenciais.

Sob a ótica desta proposta de categoria, é possível também extrair algumas contribuições dos resultados, considerando os participantes da pesquisa e todos os seus envolvidos com a prática extensionista que fez parte da investigação.

Do ponto de vista teórico, o artigo contribui com o desenvolvimento de um referencial teórico que pode ser fonte de consulta para outras pesquisas, sem a pretensão de levantar “verdades absolutas”, mas com a intenção de ampliar as oportunidades de discussão da prática extensionista no campo da Administração. Ainda do ponto de vista teórico, o artigo também proporciona resultados que podem indicar novos estudos, em específico em uma área que ainda apresenta poucas referências, tal como é no contexto das Ciências Sociais Aplicadas. Já no que se refere ao contexto prático-empírico, as contribuições apresentam oportunidades para o desenho de projetos de extensão universitária no contexto da Administração, proporcionando novas ideias para o desenvolvimento de ações que possam integrar o processo de ensino e aprendizagem ao ecossistema de serviços acadêmicos e sociais de uma determinada instituição ou de um curso.

A partir de então, conclui-se que a extensão universitária é um mecanismo potente de aprendizado, proporcionando um conjunto de competências e práticas que fortalecem a inserção social da Universidade e ampliam as oportunidades de relação entre os docentes e a comunidade. Aos trabalhos futuros, recomenda-se estudos a respeito da inserção curricular da extensão nos Projetos Pedagógicos, por determinação do atual Plano Nacional da Educação.

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