ARTIGOS
Recepción: 11 Abril 2022
Aprobación: 21 Octubre 2022
DOI: https://doi.org/10.5212/Rev.Conexão.v18.20299.009
Resumo: O modo como as autoridades públicas estão gerenciando a prevenção e tratamento da Covid-19 tem sido bastante discutida atualmente. Assim, a pesquisa levantou a percepção da população da região de Bauru acerca das medidas de prevenção e combate à Covid-19 adotadas pelas autoridades públicas (federal, estadual e regional). Trata-se de um estudo exploratório quantitativo, realizado por meio de análise bibliográfica sobre o tema, e, de uma averiguação de opinião pública aplicada por meio de um questionário disponibilizado no Google Forms. O estudo foi executado no 1º semestre de 2021, no qual foi possível constatar que a maioria dos participantes apresentou insatisfação em relação às medidas de contenção adotadas pelas autoridades públicas para combater a Covid-19. Em conclusão, a maioria dos participantes expôs que as medidas de saúde como vacinação em massa, protocolos de segurança e medidas políticas são as iniciativas de contenção mais seguras e eficazes no combate à pandemia.
Palavras-chave: Brasil, Covid-19, Opinião pública, Política, Saúde.
Abstract: The way public authorities are managing the prevention and treatment of Covid-19 has been hotly debated these days. In this way, the research raised the perception of the population of Bauru and region about the measures to prevent and combat Covid-19 adopted by public authorities (federal, state and local). Bibliographic analysis on the subject, as well as a survey of public opinion applied through a questionnaire made available on Google Forms. The study was carried out in the first half of 2021, and it was possible to verify that most participants were dissatisfied with the containment measures by Brazilian public authorities in relation to Covid-19. In conclusion, most of the participants exposed that health measures such as mass vaccination, safety protocols and policy measures are the safest and most effective containment initiatives in the fight against the pandemic.
Keywords: Brazil, Covid-19, Health, Public Opinion, Politics.
Introdução
O Sistema Único de Saúde (SUS) foi instituído pela Constituição Federal de 1988 e consolidado pelas Leis 8.080 e 8.142 (BRASIL, 1990), o qual foi consequência de décadas de luta de um movimento que foi denominado como “Movimento da Reforma Sanitária”. Anteriormente ao ano 1988, somente quem contribuía para a Previdência Social conseguia ter acesso à saúde pública, sendo cerca de 30 milhões de brasileiros. Então, em 1988 foi instituído pela Constituição Federal do Brasil, um sistema descentralizado, com o lema “Saúde pública é um direito de todos, da gestação para toda vida”. Com a nova lei, mais 70 milhões de brasileiros conseguiram ter direito ao atendimento pelo SUS na época, em média 152 milhões de brasileiros no total. (BRASIL, 2016).
De acordo com o autor Carvalho (2013), o artigo 5 da lei 8.080 foi o que definiu os objetivos do SUS: identificar e divulgar os condicionantes e determinantes da saúde; desenvolver a política de saúde para auxiliar na economia e quesitos sociais, diminuindo riscos de agravos à saúde; promoção de saúde, integrando ações assistenciais e preventivas. Nessa perspectiva, nota-se que o SUS também tem o dever de promover estudos epidemiológicos e divulgá-los para a população. Paralelamente, o dever do Estado para garantir a saúde, de acordo com a Lei 8.080 estabelecida, é formular e executar políticas econômicas e sociais a fim de reduzir riscos de doença. Portanto, é função do SUS fornecer ações de assistência aos indivíduos por intermédio da promoção, proteção e recuperação da saúde, fornecendo assim, uma melhor qualidade de vida à população.
Pela sua universalidade, integralidade e equidade, é fato que o sistema de saúde brasileiro se tornou um sistema público de referência mundial. De acordo com Pinafo et al., (2020), a descentralização transferiu responsabilidades de gestão e ações administrativas de serviços de saúde aos representantes municipais, sendo uma função complexa por influência de fatores sociais, epidemiológicos, aspectos técnicos, políticos e/ou econômicos. Em vista disso, o SUS pode ter dificuldades em atender a todas as demandas da população, devido à falta de recursos financeiros e/ou práticas de má gestão.
O contexto brasileiro atual estimulou a reflexão sobre as medidas preventivas e de combate quanto à Covid-19, adotadas pelos governos brasileiros neste momento de crise de saúde que o país está vivendo. A situação sanitária do país impactou significativamente a saúde brasileira, devido à alta demanda aos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por causa do aumento no número de casos, e consequentemente, mais indivíduos utilizando esses serviços, gerando uma sobrecarga.
Desse modo, é válido compreender a percepção da população (residentes na região de Bauru) acerca das medidas de enfrentamento da crise sanitária do novo Coronavírus realizadas a nível nacional, estadual e regional. O problema de pesquisa desse estudo foi: Qual a opinião da população, de Bauru e região, a respeito das políticas de saúde adotadas pelos governos (federal, estadual e regional) para a prevenção e combate durante a pandemia de Covid-19 no Brasil?
Já o objetivo da pesquisa foi verificar a opinião da população da região de Bauru/SP sobre as medidas preventivas e de combate à pandemia da Covid-19 realizadas pelas autoridades públicas (federal, estadual e regional). Portanto, esse estudo pode trazer maiores esclarecimentos para a comunidade tanto científica quanto em geral, acerca da percepção da população de Bauru e região sobre essas medidas, além de auxiliar na criação e estabelecimento de possíveis novas medidas, ou alteração das medidas de contenção já existentes.
Pandemia do Novo Coronavírus
A Covid-19 é uma doença infectocontagiosa, ocasionada pelo contato com o SARS-CoV-2 (também conhecido como “Novo Coronavírus”), por uma pessoa infectada ou ambiente/objetos contaminados. A infecção por SARS-CoV-2 foi notificada pela primeira vez no final do ano de 2019, em Wuhan, capital da província de Hubei na China. (MARQUES; SILVEIRA; PIMENTA, 2020). Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2020).
De acordo com dados da plataforma “Coronavírus/Brasil”, (BRASIL, 2022), até o mês de outubro de 2022, o número de casos positivos era de mais de 37 milhões e 700 mil e o número de óbitos ultrapassavam os 687 mil1 no país. Já no estado de São Paulo havia mais de 6 milhões de infectados até o momento e o número de óbitos se aproximava acima de 175 mil2. Somente na cidade de Bauru/ SP o número de infectados até setembro de 2022 se aproximava de mais de 104 mil pessoas e número de mortes estava em torno de 1450 pessoas3. (SÃO PAULO, 2022).
Desde o início da epidemia no país, o Ministério da Saúde usou da comunicação e informação para a população e para imprensa como estratégia para o combate à pandemia, reconhecendo que a divulgação de fake news poderia agravar a situação. Boletins de casos foram divulgados diariamente, além disso houve a disponibilização de novos meios para atendimento à população, a exemplo do aplicativo “Coronavírus-SUS” e do canal por WhatsApp.
As orientações para a população foram sempre reforçadas, desde o princípio, a respeito dos meios de transmissão e prevenção. Segundo o Ministério da Saúde (2020), as medidas de prevenção incluíam: lavagem das mãos com água e sabão ou sua higienização com álcool em gel 70%; “etiqueta respiratória”, que consiste em cobrir o nariz e a boca ao espirrar ou tossir; o distanciamento social; o não compartilhamento de objetos de uso pessoal, como copos e talheres; e o hábito de se manter a ventilação nos ambientes. A partir de abril de 2020, o Ministério da Saúde passou a orientar a população para o uso de máscaras, para atuarem como barreira à propagação do SARS-CoV-2, o uso facultativo das máscaras foi sendo gradualmente liberado apenas em 2022. Além disso, foram realizadas ações para a capacitação de recursos humanos e ampliação da cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da contratação de profissionais, especialmente médicos. De acordo com a plataforma Coronavírus/Brasil (2022), o país teve um grande aumento no número de casos e mortes pela Covid-19, no 1º semestre de 2021.
Atualmente, de acordo com o site do Ministério da Saúde, a última atualização4 realizada em outubro de 2022, já haviam sido aplicadas a 1ª dose da vacina em mais de 181 milhões de pessoas, a 2ª dose ou dose única em 171 milhões de pessoas e a dose de reforço em quase 105 milhões de pessoas para a prevenção da Covid-19, aplicadas em todo o país. As vacinas aplicadas foram: Oxford (Astrazeneca). Coronavac a qual foi produzida pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa; Sinovac. Pfizer, e Janssen que foi criada pelo laboratório da Johnson & Johnson. (SÃO PAULO, 2021). Consequentemente, ao avanço da vacinação no Brasil, os casos de Covid-19 foram diminuindo gradativamente por todo o país.
Metodologia da Pesquisa
O Datalab5 foi um projeto de extensão realizado pelo Centro Universitário Sagrado Coração (Unisagrado)6 em Bauru durante o ano de 2021. A iniciativa teve como objetivo promover pesquisas semestrais de forma quantitativa e qualitativa de opinião pública na cidade na região de Bauru/SP, onde fica localizada a instituição de ensino superior, sobre diferentes temas relacionados a área social e de saúde, de modo remoto, sendo uma adaptação frente ao contexto atual.
Foi um projeto de extensão interdisciplinar que contou com a participação de graduandos de diversas áreas e cursos da instituição; o DataLab foi coordenado por uma das coautoras dessa pesquisa, contou com a participação de aproximadamente 15 alunos por semestre. No 1º semestre de 2021 foram desenvolvidas duas pesquisas de opinião pública, na metodologia quantitativa, sobre a erradicação da pobreza no contexto da Covid-19 e sobre as medidas de proteção e combate a pandemia pelas autoridades competentes. Os temas foram alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e relacionados à pandemia da Covid-19.
Sobre a pesquisa de opinião com população da região de Bauru/SP acerca das medidas implementadas para enfrentar a Covid-19 pelas autoridades públicas, foi realizado um levantamento bibliográfico no 1º semestre de 2021 em textos, livros, documentos publicados a respeito do problema e temas abordados pela pesquisa. Para isso, foram consultados livros e artigos científicos disponíveis em domínio público, em plataformas como LILACS, PubMed, SciELO e na biblioteca do Unisagrado, que entre eles estão: saúde pública no Brasil; políticas públicas voltadas para a saúde e medidas de prevenção e combate a pandemia da Covid-19.
Em seguida foi feita a pesquisa de opinião pública por meio do método quantitativo, composta por variáveis quantificadas em números, as quais foram analisadas de modo estatístico, com o objetivo de determinar se as generalizações previstas na teoria se sustentam ou não. Desse modo, foi produzido e aplicado um questionário sobre a percepção da população da cidade de Bauru e região sobre as medidas de prevenção e combate a pandemia da Covid-19 pelos governos (federal, estadual e regional).
O universo de pessoas pesquisadas foi de indivíduos de 18 a 60 anos de ambos os sexos, que residiam na região de Bauru/SP e cidades próximas, que se interessaram pelo tema e concordaram em participar da pesquisa. O instrumento de pesquisa foi disponibilizado de forma on-line, por meio da plataforma digital Google Forms, e nas redes sociais digitais (Facebook e Instagram) da pesquisadora responsável (a coordenadora do projeto) e dos estudantes participantes da pesquisa, residentes na região de Bauru/SP, bem como por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp com contatos e grupos com pessoas que tinham o perfil da pesquisa e grupos. O questionário foi disponibilizado por aproximadamente 20 dias no Google Forms entre os meses de maio e junho de 2021.
O instrumento de pesquisa foi divido em duas partes: Sociodemográfico e Opinião Pública, a fim de facilitar a interpretação dos dados. Inicialmente foi apresentada a pesquisa de opinião; o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) disponível no Apêndice A; o perfil sociodemográfico com informações sobre idade, sexo, cidade em que mora, escolaridade e renda média mensal; e as 9 perguntas (7 fechadas e 2 abertas), disponível no Apêndice B, relacionadas à opinião do entrevistado sobre: as medidas e eficácia da gestão de saúde pública no Brasil; as medidas de enfrentamento da saúde pública no Brasil; ações adotadas pelas autoridades de saúde no âmbito federal, estadual e regional no combate a pandemia de Covid 19; o que pode ser feito para melhorar a situação; e se gostaria de acrescentar alguma informação. Após a concordância, os pesquisados acessaram o questionário via Google Forms e responderam às perguntas, sendo que 49 pessoas aderiram e participaram de todas as etapas da pesquisa. A investigação também foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Unisagrado com parecer número 4.751.738 em 02 de junho de 2021.
Após isso, os dados coletados foram organizados e classificados para a análise a fim de compreender a percepção dos investigados sobre o tema abordado. Foram elaborados gráficos e tabelas para apresentar as informações obtidas e a discussão dos dados pelos autores da pesquisa. Os dados obtidos foram disponibilizados publicamente para a comunidade através do Instagram7 oficial do projeto Datalab. Além disso, essas informações vêm sendo disponibilizadas publicamente, de forma parcial e inédita8, por meio de material científico. Assim, esses dados poderão ser utilizados por governos e organizações que possam se interessar sobre o tema para subsidiar ações de saúde voltadas para a crise sanitária do novo Coronavírus. As informações poderão também contribuir com novas pesquisas científicas o que pode auxiliar para o avanço do conhecimento sobre o tema.
Resultados
Em relação ao perfil sociodemográfico dos pesquisados, a faixa etária mais prevalente entre os participantes, foi de 18 a 25 anos, representando a maioria do público, com 53,1%, seguido de pessoas com 36 a 45 anos, 26 anos a 35 anos (16,3%), 56 anos ou mais (4,1%) e 46 anos a 55 anos (2%), respectivamente, sendo a maioria do sexo feminino (59,2%).
Os pesquisados são de diferentes cidades, como: Agudos, Botucatu, Barra Bonita, Dois Córregos e Itapuí. No entanto, a cidade prevalente no número de pessoas participantes da pesquisa, foi a cidade de Bauru/SP, apresentando 57,1%. Ainda, na primeira parte do questionário, constatou-se que 55,1% das pessoas tinham ensino superior completo, seguido por: superior cursando (36,7%) e nível médio completo (4,1%).
Na parte de opinião pública do questionário, na primeira pergunta, os participantes opinaram sobre a gestão da saúde pública no Brasil pelas autoridades públicas durante as últimas décadas, e, com base na análise dos dados foi possível destacar a insatisfação da maioria da população da região da cidade de Bauru diante da gestão da saúde pública no Brasil pelas autoridades durante as últimas décadas. Ao passo que nenhum participante da pesquisa considera que essa questão é enfrentada de maneira realmente eficaz pelas autoridades, apenas 12,2% acreditam que há uma boa gestão de saúde pública no Brasil. Em oposição, o restante dos participantes considera que tal situação é respondida de maneira regular (36,7%), ruim (32,7%) ou péssima (18,4%), avaliando as últimas décadas.
Na segunda pergunta, os participantes deveriam colocar o seu nível de satisfação sobre as políticas públicas da saúde brasileira, em que se notou uma insatisfação maior em relação ao SUS (45,45%), seguido da insatisfação econômica (18,18%), porém contrastado com a satisfação referente a saúde da mulher (9,09%). No entanto, outras opiniões também verificadas não se enquadram em nenhumas dessas categorias apresentadas (27,27%).
No questionário também foi avaliado a gestão de saúde pública na atualidade e durante a pandemia no Brasil, cujas respostas podem ser visualizadas na Figura 1 com as porcentagens de satisfação da população.

Com base na análise dos dados e a partir das hipóteses levantadas na pesquisa, foi perceptível que o nível de insatisfação com a gestão pública é elevado e grande parcela da população avalia a saúde pública atual e principalmente durante a pandemia como péssima, sendo que dentre os 49 participantes, mais da metade (27 participantes) compartilham dessa mesma opinião, ou seja, 55,1%, uma taxa considerável.
Posteriormente, o público demonstrou sua opinião sobre as medidas adotadas pelo governo estadual (Plano do Estado de São Paulo) na contenção do Coronavírus. Segue o Quadro 1 com os resultados do levantamento.

A partir dos dados apresentados, percebe-se que a maioria dos entrevistados, cerca de 77, 6% o que representa 38 pessoas, acham que as medidas adotadas pelo estado de São Paulo na contenção do Coronavírus ajudaram um pouco, mas não o suficiente. Em seguida, 14,3%, que representa 7 pessoas, votou que o governo estadual não ajudou na contenção do Covid-19. Nesse sentido, a maior parte dos entrevistados mostra-se insatisfeita com as ações governamentais, isso provavelmente se deu pela quantidade do número de casos e mortes diários de Covid-19 e pela demora da vacinação da população naquele momento.
Os participantes também expuseram sua percepção sobre as medidas adotadas pelo governo municipal na contenção à Covid-19. O quadro a seguir ilustra os resultados.

Com base na análise dos dados, foi possível observar que grande parte dos participantes da pesquisa não acreditam que as medidas adotadas pelo governo do próprio município foram eficazes para conter a Covid-19. Apenas 18,4% (9) dos participantes julgaram eficiente a ação do governo, enquanto nenhum considera que as medidas adotadas ajudaram muito na contenção da Covid-19. Em oposição, 28,6% (14) dos entrevistados consideram que o governo não ajudou na contenção e 53,1% (26) acredita que o ele ajudou um pouco, mas não foi suficiente para o combate ao vírus no município.
No fim do questionário houve duas perguntas abertas, para que o público pudesse colocar dicas e suas opiniões sobre como melhorar as medidas de contenção e comentários adicionais a respeito do tema, respectivamente. O gráfico e quadro a seguir ilustram os resultados dessas perguntas.

Diante dos dados apresentados, observou-se que grande parte dos entrevistados acredita que a situação da pandemia no Brasil tende a melhorar, sendo um total de 91,84%, entretanto, as medidas de melhoria divergem. Foi possível perceber que 44,90% (22) dos participantes consideram que o governo, as empresas, as entidades sociais e a população devem adotar medidas de saúde para a melhoria dessa situação, como a vacinação em massa, o uso obrigatório de máscara e o distanciamento social, já uma parcela um pouco maior da população, cerca de 46,94% (23) enfatizam que devem ser adotadas medidas políticas, como a conscientização da população, a valorização da ciência e dos profissionais de saúde, campanhas de prevenção, garantia dos direitos trabalhistas frente a essa doença, entre outros. Por fim, apenas 6,12% (3) da população entrevistada não sabe ou não acredita que a situação tende a melhorar devido à má gestão pública desde o começo da pandemia.

Essa questão tratou de a iniciativa dos entrevistados colocarem mais algum comentário que acrescentasse à pesquisa. Por se tratar de uma pergunta escrita e da opinião das pessoas, a tabulação se deu por meio das respostas mais frequentes com características em comum, como mostrado na tabela acima. A partir disso, é possível notar que a maioria dos comentários se referiu à política, havendo críticas às condutas do presidente atual e à gestão do governo, nesses mesmos comentários, alguns também continham outras questões como a vacinação e a economia. Além disso, houve dois comentários que tiveram suas observações voltadas para a conduta da população, exigindo multas e mais bom senso da mesma. A outra categoria estabelecida foi a de “Outros”, em que se encaixam comentários como elogios e parabenizações pela pesquisa, falando sobre a saúde mental das pessoas nesse contexto, parabenizações aos profissionais da saúde e críticas a respeito das desinformações disseminadas (Fakenews).
Diante dessa perspectiva, pôde-se perceber que a pesquisa foi satisfatória, pois foram apontados elogios e a relevância do tema abordado pelo público. Além disso, elas também puderam expor suas opiniões e suas insatisfações com a gestão da pandemia. Assim, fica evidente a necessidade de a população ser mais ativa politicamente e votar com consciência, para que o Brasil tenha representantes responsáveis e comprometidos com a ciência e com o bem-estar da sociedade.
Durante a realização da pesquisa, houve dificuldade em obter a quantidade de participantes necessária para a realização da pesquisa levando ao aumento do prazo para a realização do estudo. Além disso, o desinteresse ou inexperiência de alguns estudantes que participaram do DataLab dificultou a realização das análises dos resultados obtidos.
O estudo realizado mostrou que na percepção dos investigados a gestão da saúde pública no Brasil é realizada de forma regular e que reconhecem a relevância do SUS e os avanços que foram proporcionados, porém acreditam que as políticas de saúde da mulher ainda são limitadas. Porém, quando se trata da pandemia de Covid-19 acreditam que a atuação das autoridades federais, estaduais e regionais foi ruim/péssima e insuficiente. Para resolver a situação, apontam medidas diferentes como: vacinação em massa; medidas de proteção de saúde; sensibilização da população; valorização da ciência e garantias sociais.
Considerações finais
A gestão da saúde pública no Brasil tem sido aperfeiçoada ao longo do tempo, garantindo que mais pessoas tenham os seus direitos de saúde atendidos com a implantação do SUS. Embora o sistema tenha avançado, ainda há questões de saúde pública que são limitadas como aconteceu com a gestão da Covid-19 em que as medidas de prevenção e combate adotadas foram insuficientes a ponto de impactar a vida de muitas pessoas. As políticas públicas empregadas pelas autoridades de saúde foram desarticuladas, dificultando o atendimento dos usuários do SUS, no alto número de óbitos e na imunização da população.
Nesse contexto, a pesquisa aplicada mostrou que a maioria dos participantes apresentou insatisfação com as medidas de contenção à Covid-19 pelas autoridades regionais, estadual e federal. Além disso, os entrevistados apontaram que as medidas de saúde como vacinação em massa, protocolos de segurança e medidas políticas, tais como conscientização e comunicação, são as medidas de contenção mais seguras e eficazes no combate à pandemia. Além disso, a pesquisa indicou na maioria dos comentários críticas às ações políticas praticadas e às condutas do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, assim como à gestão do seu governo; também destacou a importância da vacinação, economia e investimento na ciência. Ademais, houve observações voltadas para a conduta da população, exigindo multas e conscientização da população brasileira.
Diante disso, a pesquisa atingiu seu objetivo geral, pois os participantes que se dispuseram puderam expor sua opinião sobre o tema, fornecendo informações importantes para o projeto e novas pesquisas posteriores sobre o tema em questão.
Portanto, essas informações fornecidas na pesquisa podem ser utilizadas para a síntese de medidas de contenção mais eficazes, além disso, através dessas informações pode-se estabelecer novos protocolos e leis que possam auxiliar no controle da Covid-19 e de outras doenças transmissíveis. Com isso, nota-se também a importância da atuação dos governos federal, estadual e municipal nesse contexto, sendo fundamental que o Brasil tenha representantes responsáveis e comprometidos com a ciência e com o bem-estar da sociedade, para que assim haja criação de medidas eficazes.
Enfatiza-se, que para combater o novo Coronavírus, é necessário que haja então, a conscientização coletiva de saúde e política, cobrança aos governantes, adesão aos protocolos de segurança pela população, medidas vigentes, multas rigorosas e maior investimento na saúde brasileira, assim, há uma maior possibilidade de prevenção e uma melhor preparação para epidemias ou pandemia.
REFERÊNCIAS
BAPTISTA, Tatiana Wargas de Faria. História das Políticas de Saúde no Brasil: a trajetória do direito à saúde. In: MATTA, Gustavo Corrêa; PONTES, Ana Lúcia de Moura (Orgs). Políticas de saúde: a organização e a operacionalização do SUS. FIOCRUZ e Escola Politécnica de Saúde Joaquim, Venâncio, 2007.
BELLIA, Rogério. Material didático: falando sobre pesquisa. Paraná, 2008. Disponível em: http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/producoes_pde/md_neide_regina_usso_barreto.pdf. Acesso em: 10 abr. 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção é a principal medida para o combate à Covid-19. Agência Nacional de Saúde Suplementar, Ministério da Saúde. [S. l.], 30 nov. 2020. Disponível em:http://www.ans.gov.br/aans/noticias-ans/coronavirus-covid-19/coronavirus-todas-as-noticias/6085-prevencao-e-a-principal-medida-para-o-combate-a-covid-. Acesso em: 13 maio 2021.
BRASIL. Lei Eloy Chaves de 24 de janeiro de 1923. Base da Previdência Social Brasileira. Brasília (DF), 1923. Disponível em: https://mps.jusbrasil.com.br/noticias/2063032/87-anos-lei-eloy-chaves-e-a-base-da-previdencia-social-brasileira. Acesso e: 10 maio 2021.
BRASIL. Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990. Brasília (DF), 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 10 maio 2021.
BRASIL. Constituição Federativa do Brasil de 1988. Brasília/DF. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 10 maio 2021.
BRASIL. Vacinação. Ministério da Saúde, 2021/2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/. Acesso em: 05 jan. 2022.
BRASIL. Covid-19. Painel Coronavírus/Brasil, 2021. Disponível em: https://covid.saude.gov.br/. Acesso em: 05 jan. 2022.
BRASIL. Painel Coronavírus Brasil. Governo Federal, 2022. Disponível em: https://covid.saude.gov.br/. Acesso em: 20 outubro de 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. SUS: A saúde do Brasil. Rio de Janeiro, RJ: Centro Cultural do Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: http://www.ccs.saude.gov.br/sus/antes-depois.php. Acesso em: 05 jan. 2022.
CARVALHO, Gilson. Saúde Pública no Brasil. SciELO. Vol.27, no.78, São Paulo, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010340142013000200002&script=sci_arttext. Acesso em: 09 abr. 2021.
DUARTE et al. Como o Brasil pode deter a COVID-19. SciELO, Brasília – Distrito Federal - Brasil, 27 abr.2020. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/ress/2020.v29n2/e2020044/pt/ . Acesso em: 13 maio 2021.
FERREIRA, Carlos Augusto Lima. Pesquisa quantitativa e qualitativa: perspectivas para o campo da educação. Revista Mosaico, Goiânia, v. 8, n. 2, p.173-182, jul./dez. 2015. Disponível em: tede2.pucgoias.edu.br/index.php/mosaico/article/download/4424/2546. Acesso em: 10 abr. 2021
FRIEDE, Reis. Uma reflexão sobre as medidas iniciais adotadas no combate à Covid-19 no Brasil. Revista Augustus, Rio de Janeiro, v.25, n. 51, p. 15-30, jul-out. 2020. Disponível em: https://apl.unisuam.edu.br/index.php/revistaaugustus/article/view/598/289 . Acesso em: 13 maio 2021.
LAGE, N. Controle da opinião pública: um ensaio sobre a verdade conveniente. Petrópolis: Vozes, 1998.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do Trabalho Científico. 8. ed. São Paulo: Atlas. 2018.
OLIVEIRA. De Luiz, André. História da saúde no Brasil: dos primórdios ao surgimento do SUS. Encontros Teológicos. Nº. 61, n. 1, p. 31-42, 2012. Disponível em: https://facasc.emnuvens.com.br/ret/article/viewFile/198/189. Acesso em: 12 jan. 2022.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Organização Pan-Americana da Saúde. Histórico da pandemia de COVID-19. OPAS, 2020. Disponível em: https://www.paho.org/pt/covid19/historico-da-pandemia-covid-19. Acesso em: 12 jan. 2022.
PAIVA, A.C; TEIXEIRA, A. L. Reforma sanitária e a criação do Sistema Único de Saúde: notas sobre contextos e autores. SciELO, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/hcsm/a/rcknG9DN4JKxkbGKD-9JDSqy/?lang=pt. Acesso em: 25 jan. 2022.
PINAFO et al. Problemas e estratégias de gestão do SUS: a vulnerabilidade dos municípios de pequeno porte. SciELO, 2020. Disponível em: https://scielosp.org/article/csc/2020.v25n5/1619-1628/. Acesso em: 20 jan. 2022.
SÃO PAULO (Bauru). Secretaria da saúde. Informe Epidemiológico. nº 082. 26 de setembro de 2022. Disponível em: https://www2.bauru.sp.gov.br/arquivos/sist_noticias/36584/arq_36584_692.pdf. Acesso em: 20 out. 2022.
SÃO PAULO. Instituto Butantan. Quais são as diferenças entre as vacinas contra Covid-19 que estão sendo aplicadas no Brasil?. Instituto Butantan, 2021. Disponível em: https://butantan.gov.br/covid/butantan-tira-duvida/tira-duvida-noticias/quais-sao-as-diferencas-entre-as-vacinas-contra-covid-19-que-estao-sendo-aplicadas-no-brasil. Acesso em: 05 jan. 2022.
ROSSI, Jéssica de Cássia. DATALAB. Proposta Projeto de Extensão. Bauru/SP. Unisagrado, 2020.
APÊNDICES
Apêndice A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
O Sr. (a) está sendo convidado (a) como voluntário (a) a participar da pesquisa “Percepção da População de Bauru/SP e Região sobre a Gestão da Covid-19 pelas Autoridades Públicas Brasileiras”. Nesta pesquisa objetiva-se verificar a opinião da população de Bauru e região sobre as medidas preventivas e de combate à pandemia da Covid-19 realizadas pelas autoridades públicas (federal, estadual e municipal) na atualidade. Para a realização da pesquisa adotaremos os seguintes procedimentos: informações sobre o seu perfil sociodemográfico e questões referentes as medidas de combate e prevenção a pandemia do coronavírus adotadas pelos governos (federal, estadual e municipal). O questionário será respondido de forma on-line (via plataforma Google Forms), a fim de se obter as respostas sobre o tema que esta pesquisa de opinião pública visa compreender. A pesquisa apresenta risco de constrangimento e de exposição de dados, ficando ao critério do participante em optar por responder ou não a pergunta da pesquisa, caso se sentir desconfortável ou não souber responder e desistir do questionário. As pesquisadoras tomarão os devidos cuidados para assegurar sigilo ao entrevistado, e que somente ele tenha acesso aos dados coletados. A pesquisa contribuirá para obtenção de conhecimento, tanto para a comunidade científica e em geral, sobre a percepção da população de Bauru e região sobre as medidas de prevenção e combate à Covid-19 adotadas pelas autoridades públicas na atualidade.
Para participar deste estudo, o Sr. (a) não terá nenhum custo, nem receberá qualquer vantagem financeira. Caso sejam identificados e comprovados danos provenientes desta pesquisa, o Sr.(a) tem assegurado o direito a indenização. O Sr. (a) terá o esclarecimento sobre o estudo em qualquer aspecto que desejar e estará livre para participar ou recusar-se a participar. Poderá retirar seu consentimento ou interromper a participação a qualquer momento. A sua participação é voluntária e a recusa em participar não acarretará qualquer penalidade. Os resultados da pesquisa estarão à sua disposição quando finalizada. Seu nome ou o material que indique sua participação não será liberado sem a sua permissão. O (A) Sr. (a) não será identificado (a) em nenhuma publicação que possa resultar.
Este termo de consentimento encontra-se impresso em duas vias originais, sendo que uma será arquivada pelo pesquisador responsável e a outra será fornecida ao Sr. (a). Os dados e instrumentos utilizados na pesquisa ficarão arquivados com o pesquisador responsável por um período de cinco anos, e após esse tempo serão destruídos. Os pesquisadores tratarão a sua identidade com padrões profissionais de sigilo, atendendo a legislação brasileira, utilizando as informações somente para os fins acadêmicos e científicos.
Eu, , portador do documento de Identidade fui informado (a) dos objetivos da pesquisa de maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei que a qualquer momento poderei solicitar novas informações e modificar minha decisão de participar se assim o desejar.
Declaro que concordo em participar ao selecionar a opção “Concordo” no campo abaixo. Recebi uma via original deste termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada à oportunidade de ler e esclarecer as minhas dúvidas.
Bauru,________de__________________________________________de 2021.
Nome:
Assinatura participante:______________________________________________________ Data:__________
Nome:
Assinatura pesquisador:_____________________________________________________ Data:___________
Em caso de dúvidas, com respeito aos aspectos éticos desta pesquisa, você poderá consultar:
Pesquisador Responsável:
Jessica de Cássia Rossi, E-mail jessica.rossi@unisagrado.edu.br e Telefone: (14) 2107-7000
CEP - Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humano do UNISAGRADO
Endereço –Rua Irmã Arminda 10-70– Fone: (14) 2107-7340
horário de funcionamento: 2a a 6a. feira das 8:00 às 17:00
e-mail: cep@unisagrado.edu.br
Apêndice B – Questionário da Pesquisa de Opinião Pública Quantitativa
Perfil Sociodemográfico
( ) 18 a de 25 anos
( ) 26 anos a 35 anos
( ) 36 anos a 45 anos
( ) 46 anos a 55 anos
( ) 56 anos ou mais
Feminino ( )
Masculino ( )
Outros ( )
Sim ( )
Se não, onde?
Fundamental Completo ( )
Fundamental Incompleto ( )
Nível Médio Completo ( )
Nível Médio Incompleto ( )
Nível Médio Cursando ( )
Superior Completo ( )
Superior Incompleto ( )
Superior Cursando ( )
Até 1 Salário Mínimo ( )
Até 2 Salários Mínimos ( )
De 3 a 5 Salários Mínimos ( )
Acima de 5 Salários Mínimos ( )
QUESTIONÁRIO
Ótimo ( )
Bom ( )
Regular ( )
Ruim ( )
Péssimo ( )
Sim ( )
Não ( )
Talvez ( ) Justifique:
Ótimo ( )
Bom ( )
Regular ( )
Ruim ( )
Péssimo ( )
( ) 0 a 2 (Não ajudou na contenção à Covid-19)
( ) 3 a 5 (Ajudou um pouco, mas não o suficiente)
( ) 6 a 8 (Ajudou o suficiente)
( ) 9 a 10 (Ajudou muito na contenção à Covid-19)
( ) 3 a 5 (Ajudou um pouco, mas não o suficiente)
( ) 6 a 8 (Ajudou o suficiente)
( ) 7 a 10 (Ajudou muito na contenção à Covid-19)
( ) 0 a 2 (Totalmente insatisfeito)
( ) 3 a 5 (Um pouco insatisfeito)
( ) 6 a 8 (Satisfeito)
( ) 8 a 10 (Totalmente satisfeito)
( ) 1 a 2 (Não ajudou na contenção à Covid-19)
( ) 3 a 5 (Ajudou um pouco, mas não o suficiente)
( ) 6 a 8 (Ajudou o suficiente)
( ) 8 a 10 ( Ajudou muito na contenção à Covid-19)
R:
R:
Notas