ARTIGOS

IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO ECONÔMICA PARA O FUTURO DAS CRIANÇAS E JOVENS

THE IMPORTANCE OF ECONOMIC EDUCATION FOR THE FUTURE OF CHILDREN AND YOUNG PEOPLE

Marcelo Vargas
Universidade Estadual do Paraná - UNESPAR, Brasil
Franciele Henrique
Universidade Estadual do Paraná - UNESPAR, Brasil
Jéssica Letícia Souza da Silva
Universidade Estadual do Paraná - UNESPAR, Brasil
Fernanda Santos Rufato
Universidade Estadual do Paraná - UNESPAR, Brasil

IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO ECONÔMICA PARA O FUTURO DAS CRIANÇAS E JOVENS

Revista Conexão UEPG, vol. 19, núm. 1, pp. 01-15, 2023

Universidade Estadual de Ponta Grossa

Recepción: 20 Junio 2023

Aprobación: 27 Noviembre 2023

Resumo: O conhecimento de economia deve fazer parte da cultura de uma sociedade bem informada. Através do projeto de extensão “A Economia Traduzida (TECA)” realizou-se um curso para os alunos do ensino fundamental II e médio. O objetivo do artigo foi analisar a importância do conhecimento de economia na vida dos discentes. Para isso, fez-se uma pesquisa bibliográfica referente a extensão universitária e educação econômica e um estudo de campo que procurou captar a característica da população investigada e a percepção dos alunos sobre educação econômica. As informações analisadas mostraram que 18,72% dos discentes estão inseridos no mercado de trabalho, 57,48% participam no planejamento financeiro familiar, 75,43% consideram fundamental aprender economia na escola e 73,39% acreditam que ter conhecimento de economia influenciará sua vida. Observa-se que seria relevante haver novos projetos de extensão que levem a educação econômica para as crianças e jovens, ou ainda, poderia inseri-la na grade curricular.

Palavras-chave: Sociedade, conhecimento, projeto de extensão, educação econômica.

Abstract: The understanding of economics should be an integral part of the culture of a well-informed society. Through the extension project “The Translated Economy (TECA)” a course was conducted for primary and secondary school students. The objective of this article was to analyze the significance of economic knowledge in the lives of the students. To achieve this, a bibliographic review related to university extension and economic education was carried out, along with a field study aimed at capturing the characteristics of the investigated population and the students’ perceptions of economic education. The analyzed information revealed that 18.72% of the students are actively engaged in the labor market, 57.48% participate in family financial planning, 75.43% consider learning economics in school to be fundamental, and 73.39% believe that having knowledge of economics will influence their lives. It is observed that it would be relevant to implement new extension projects that bring economic education to children and young people, or alternatively, incorporate it into the curriculum.

Keywords: Society, knowledge, extension project, economic education.

Introdução

A extensão é uma ação da universidade realizada junto à sociedade. Os programas e projetos extensionistas compartilham do ensino e pesquisa realizados dentro do ambiente acadêmico, levando-os para fora de seus muros, englobando a participação de docentes, discentes e comunidade. No quarto trimestre de 2018 teve início o projeto de extensão “A Economia Traduzida (TECA)”1, sendo desenvolvido ao longo do ano de 2019, com duração de doze meses.

O projeto teve como foco principal a realização de um curso/aula2 expositiva (slides) dialógica com duração de duas horas, aproximadamente. Na ocasião, foram apresentados os conceitos básicos (introdução) da economia, como: inflação; moeda; oferta e demanda; produção, custo, preço e lucro; concorrência de mercado; setor público (impostos); mercado de fatores de produção, bem como de bens e serviços; mercado externo (exportação, importação e taxa de câmbio). Foram atendidos 4449 alunos do ensino fundamental II e médio da rede estadual de educação, localizados em dezenove escolas de oito cidades3 da macrorregião de Apucarana-PR. A seleção dos municípios ocorreu por meio do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), buscando-se as cidades que apresentaram os menores índices. Esse índice é baseado em três indicadores: educação, renda e saúde.

A ideia principal do projeto foi mostrar que os conceitos de economia estão presentes no cotidiano dos indivíduos e é algo simples de compreender. Ou seja, quando há uma aplicação prática do conhecimento dos conceitos econômicos no dia a dia das pessoas, esse entendimento se torna uma ferramenta importante, seja na vida financeira, pessoal ou profissional (ALONSO, 2016). Além disso, esse conhecimento pode auxiliar as ações econômicas ao longo da vida, desde o entendimento do funcionamento da economia como um todo (comportamento do mercado e do consumidor) até o planejamento econômico individual de forma consciente. Por exemplo, a importância de se ter poupança, preparando os indivíduos para gerir de forma adequada seus rendimentos futuros, seja no curto, médio ou longo prazo.

Aproveitando da realização do projeto, buscou-se analisar a relevância da educação econômica na vida escolar e pessoal das crianças e jovens. Isso, deve-se ao fato de que há poucos estudos científicos disponíveis que estudam a educação econômica na vida das pessoas, principalmente realizando um estudo de campo com alunos do ensino fundamental e médio. Assim, nesse estudo, aplicou-se um questionário aos alunos participantes, com quinze questões estruturadas, visando conhecer a população investigada e a visão que tinham sobre a educação econômica em suas vidas. Após a coleta, os dados foram tabulados e analisados, fazendo-se uma ligação entre a fundamentação e as informações adquiridas, e também uma descrição das especificidades.

Desse modo, a questão que esse artigo procura responder é: “Ter conhecimento de economia, desde o ensino fundamental, influenciará a vida dos alunos?” Dentre as possibilidades, destaca-se que a vida pessoal, financeira e profissional desses jovens será afetada de forma positiva. Por sua vez, ter esse entendimento não mudará suas vidas. Observa-se que um curso com duração de duas horas falando sobre conceitos de economia é apenas um impulsionar da discussão e disseminação desse conhecimento para discentes do ensino fundamental e médio.

Diante disso, o objetivo geral do artigo é analisar a importância do conhecimento de economia na vida dos alunos, segundo suas percepções. No intuito de atingir tal objetivo, o estudo intenciona: i) apresentar o embasamento teórico sobre a extensão universitária e educação econômica, mostrando a importância e influência desse ensino na vida das crianças e jovens; ii) realizar um estudo de campo com os alunos participantes do projeto, buscando conhecer suas características e percepções sobre a educação econômica em suas vidas (pessoal, financeira e profissional); e, iii) analisar a relevância dada à educação econômica pela ótica dos alunos, estabelecendo uma ligação com a fundamentação teórica.

Por fim, concluiu-se o artigo, observando que a universidade, por meio do projeto de extensão, contribuiu com a sociedade, especialmente na vida das crianças e jovens envolvidos, pois, para 73,39% deles, ter conhecimento de economia mudará suas vidas, sendo importante portanto, a aprendizagem da economia na escola para 75,43%. Além disso, a relação alunos e recém-formados trouxe um pouco do meio acadêmico para as escolas, despertando nos alunos o desejo de conhecerem e cursarem o ensino superior.

A extensão universitária e a educação econômica

A universidade, por meio de suas três funções (ensino, pesquisa e extensão), desempenha um importante papel na sociedade. Através do ensino, forma graduados que combinam o conhecimento profissional e especializado para transmitir, cooperar e interagir com os demais agentes do meio do qual fazem parte. Na pesquisa, o ambiente universitário é fundamental para se realizar a criação de conhecimento. Na terceira função, extensão, a comunidade universitária interage com a sociedade contribuindo com o seu crescimento e desenvolvimento.

Assim, a extensão universitária é uma ação realizada junto aos agentes externos, através da qual são compartilhados conhecimentos adquiridos por meio do ensino e da pesquisa desenvolvidos na instituição de ensino superior. Para Santos (2010), nas universidades brasileiras, o ensino-pesquisa-extensão são uma de suas maiores qualidades e demonstração de compromisso social, haja vista que a realização dessas funções é necessária para a excelência no ensino superior. Desse modo, a universidade se insere, interage e transforma a realidade social através da construção do conhecimento científico. Segundo Rodrigues et al. (2013), a extensão surgiu como uma forma de propiciar uma educação continuada e gerar aproximação entre a universidade e a comunidade. Ademais, a ideia é que essa ligação possa trazer benefícios e conhecimentos para ambos os lados.

A atividade extensionista é fonte de aprendizagem e fortalecimento do conhecimento, seja artístico, científico, cultural ou tecnológico, produzido na universidade, promovendo a geração de novos conhecimentos de maneira interdisciplinar, por meio de suas ações. Além disso, corrobora com a formação cidadã e profissional do aluno universitário, possibilitando que ele a trabalhe a partir da realidade da população, cooperando para a formação de uma sociedade mais democrática, igualitária e justa (SANTOS, 2012).

Além disso, programas extensionistas melhoram a qualidade de vida dos alunos, pois propicia um avanço para fora da sala de aula. Os alunos recém-formados também podem ser inseridos nesses programas, aplicando os conhecimentos assimilados na graduação junto à comunidade. Para Carbonari e Pereira (2007), esse processo traz mudanças que viabilizam novas oportunidades e conhecimentos para as duas partes. Essa interação faz com que a universidade colete dados e crie uma dinâmica para trabalhar junto à comunidade, promovendo a integração e produção de conhecimento.

Por isso, a extensão é uma função acadêmica que tem como base o ensino e a pesquisa, a teoria e a prática, proporcionando um novo modo de pensar e fazer, que provoca uma influência e intervenção na realidade dos indivíduos. Faz com que a sociedade deixe de ser um agente passivo (aquele que apenas recebe informações) para ser participativo (aquele que constrói e critica os modos de organização e cidadania) (JENIZE, 2004). Essa participação reflete-se em ações e atitudes diretamente no ambiente social, gerando melhorias na qualidade de vida. Logo, os programas ou projetos são caminhos a serem utilizados. Para Castro (2004) é preciso investigar a prática dos projetos, seu dia a dia, sua influência no processo de formação dos alunos, sua contribuição no conhecimento e nos efeitos das atividades acadêmicas. À vista disso, a investigação presente nesse artigo se concentrará na educação econômica, tendo na sequência seu embasamento teórico.

A educação econômica

A educação permite aos indivíduos participar de uma sociedade alfabetizada. Porém, para Gemp et al. (2007), se a essa educação for acrescentado a educação econômica, as pessoas terão ferramentas para compreender seu mundo econômico, interpretar acontecimentos que lhes afetam direta ou indiretamente e melhorar suas decisões pessoais e sociais sobre os diversos problemas econômicos encontrados no seu dia a dia. Assim, o conhecimento básico sobre economia deve estar inserido na vida das pessoas, contribuindo para a tomada mais adequada de decisões em relação a alocação de renda e tempo, compras diárias, escolhas políticas representativas (gastos públicos), entre outras (BATISTA; SILVA, 2010).

Ter conhecimento econômico impacta nas escolhas das pessoas, influenciando a economia. Para Araujo (2009), a educação econômica oferece ações educativas que visam fornecer, às crianças e jovens, noções básicas sobre economia e consumo. Viabiliza estratégias que ajudam na condução de situações diárias e forma pessoas solidárias, responsáveis, críticas e conscientes. De acordo com Fermiano (2010), o processo de educação econômica deve oferecer o entendimento dos conceitos econômicos básicos existentes na sociedade, como: valor do dinheiro, poupança, leis de demanda e oferta, juros, gastos, consumo, entre outros. Esses conceitos ajudam as crianças e jovens a interpretar o mundo econômico e compreender os acontecimentos que influenciam suas vidas, auxiliando-os na tomada de decisões.

Para Walstad (1979), um dos principais objetivos da educação econômica é fornecer aos estudantes o conhecimento econômico necessário para tomar decisões econômicas e sociais. Com isso, segundo o autor, ao trabalharem com problemas abrangentes, realistas e orientados para a economia percebe-se uma melhora na compreensão econômica dos discentes do ensino básico. Assim, nesse processo, Walstad (1979) observa que os alunos desenvolvem uma atitude mais positiva em relação à economia.

As Ciências Econômicas utilizam de outras áreas do conhecimento para explicar as relações econômicas, havendo uma inter-relação com a matemática, história ou geografia, entre outras. Isto é, por exemplo, a economia utiliza-se da matemática para testar proposições teóricas com os dados da realidade. Utiliza-se da história para entender a influência das guerras e revoluções no comportamento e na evolução econômica. E, utiliza-se da geografia para estudar a concentração espacial dos fatores de produção (VASCONCELLOS; GARCIA, 2018). Essa inter-relação acontece em dupla direção. Por um lado, a economia busca alicerce nos desenvolvimentos das demais áreas do conhecimento, além de sua própria coerência, consistência e aderência à realidade. Por outro lado, a economia influencia os princípios e conceitos dessas áreas (ROSSETTI, 2016). Assim, a educação econômica serve como ferramenta para ajudar as crianças e jovens no entendimento da matemática, história ou geografia, entre outras. Por exemplo, na matemática, que tem métodos abstratos para os alunos, como a porcentagem, pode-se utilizar a taxa de juros para ensinar o conceito de número percentual, aplicando-se o cálculo de juros no dinheiro, mostrando o rendimento da poupança. No caso da história, entender a trajetória da economia brasileira desde o descobrimento do Brasil facilita a compreensão da atual situação econômica que o país se encontra. Na geografia, a globalização econômica e financeira mundial trouxe produtos e empresas internacionais para o dia a dia dos alunos e famílias. Logo, essas situações do cotidiano aproximam os discentes da realidade, facilitando a compreensão e discussão do conhecimento.

Contudo, não se aprende e não se tem uma cultura de educação econômica nas escolas no Brasil. Não se ensina as crianças a investirem desde pequenas. Não há uma idade mínima para isso, mas quanto mais cedo se iniciar, mais cedo haverá cidadãos preparados econômica e financeiramente (ALONSO, 2016). Denegri et al. (2006) defendem que a educação econômica tardia pode não impactar nos hábitos de consumo, comportamento econômico eficiente e atitudes em relação ao endividamento. Segundo os autores, estudantes universitários que cursaram disciplinas avançadas de economia mostraram desempenho econômico nas suas finanças pessoais tão ineficientes quanto os indivíduos que não tiveram educação econômica. Ou seja, não houve mudança nos hábitos, comportamento e atitudes econômicas.

Por isso, Alonso (2016) argumenta que é fundamental ter conhecimento básico de economia, sabendo, ao menos, alguns conceitos econômicos presentes no dia a dia e a calcular contas simples. Ela relata que, por exemplo, ao ir ao supermercado as pessoas precisam realizar um planejamento, pois necessitam comparar preços, tamanhos de embalagens, calcular descontos e realizar uma compra consciente. Assim, a sociedade tendo conhecimentos de economia poderá entender os motivos das flutuações de preços dos produtos (inflação), por exemplo, podendo planejar seu consumo.

Segundo Kiyosaki (2018), as crianças saem das escolas sem uma educação econômica e acabam afundando-se em dívidas na vida adulta. É necessário uma estratégia para mudar esse panorama. É preciso uma estrutura para se formar uma habilidade econômica e financeira. Ou seja, é essencial haver uma base forte. Para o autor, pode-se começar com a apresentação de desenhos simples, um relevante instrumento de fixação e, depois, avançar para números, como uma maneira de auxiliar os alunos a formar uma base econômica e financeira sólida. Além disso, para Muniz e Ferreira (2020), o nível de escolaridade dos pais ou responsáveis pode interferir no processo de alfabetização das crianças e jovens, impactando também na formação econômica e financeira. Para Varum e Ferreira (2013), os pais têm um papel importante na transferência de conhecimento e ambientação dos filhos com a economia. As autoras descrevem que a maior ou menor atuação dos pais com os filhos tem relação com o tipo de atividade profissional que exercem ou com o hábito de conversar com os descendentes sobre assuntos referentes a economia, por exemplo, sobre poupança.

Segundo Veras e Campos (2018), os pais que têm baixo nível de escolaridade possuem um sentimento de insegurança na transmissão de conhecimento para os filhos. Ademais, baixo nível de escolaridade dos pais implica em menor renda familiar (FRANÇA, 2005). Assim, para Oliveira e Robazzi (2001), os jovens acabam necessitando ir para o mercado de trabalho para ajudar na sobrevivência da família. Porém, essa inserção dependerá da idade e sexo do aluno.

Araujo (2010) relata que os discentes são sujeitos sociais e históricos, influenciados pelas contradições e complexidade da sociedade na qual vivem, sendo essencial que as ações formativas comecem cedo, através da criação de espaços diferenciados que consolidem a cooperação e estruturação de relações econômicas mais conscientes. Os resultados do estudo de France, Summary e Vasegh-Daneshvary (1989) mostraram que disciplinas de educação econômica afetaram significativamente a compreensão de economia nos alunos participantes. Assim sendo, a educação econômica é um importante instrumento de ação sustentável, pois uma sociedade é capaz de tomar decisões de longo prazo, discutir definições econômicas e compreender o resultado de suas escolhas quando é mais consciente econômica e financeiramente. Com conhecimento básico de economia e finanças consegue-se direcionar melhor sua renda (PEROBELLI et al., 2017).

Materiais e métodos

Para esse estudo foi realizado uma pesquisa de natureza exploratória, efetivada por meio de uma pesquisa bibliográfica sobre extensão universitária e educação econômica, assim como um estudo de campo referente à percepção dos alunos quanto ao aprendizado, influência e importância da economia em suas vidas. Para Gil (2002) a pesquisa exploratória tem como principal objetivo o desenvolvimento de ideias ou a descoberta de intuições. Segundo Prodanov e Freitas (2013), essa pesquisa, em geral, assume as formas de pesquisas bibliográficas e estudos de caso.

Na pesquisa bibliográfica foi apresentado o que é extensão universitária e tratou-se sobre o vínculo da extensão com a sociedade e a importância do desenvolvimento de projetos/programas extensionistas. Além disso, mostrou-se a contribuição que o conhecimento de economia pode proporcionar para a sociedade. Uma das maneiras, seria através da educação econômica nas escolas, possibilitando o acesso ao conhecimento por parte de crianças e jovens.

No estudo de campo aplicou-se um questionário, ao final da aula, para 4449 alunos do ensino fundamental II e médio que participaram do projeto. Esse continha quinze questões estruturadas (fechadas), que visavam conhecer a característica da população investigada e também a percepção dos alunos sobre a educação econômica inserida em suas vidas. Segundo Prodanov e Freitas (2013), o questionário é uma técnica de levantamento de dados primários que dá grande importância à informação respondida, havendo questões formuladas na mesma sequência para todas as pessoas participantes da pesquisa. Os alunos, ao começarem a ler o questionário, encontravam uma frase inicial que dizia: “Este questionário é não identificado e a participação é voluntária.” Na linha seguinte o texto era: “Deseja participar do questionário? Se você assinalar a alternativa ‘Não’, devolva o documento sem responder as questões abaixo.” Com isso, buscou preservar a identidade dos entrevistados e respeitar seus direitos. Além disso, antes de distribuí-los, os recém-formados e ministrantes do curso, orientavam os alunos a não colocarem o nome no documento e só responderem se assinalem “Sim” na pergunta inicial. Todos os alunos aceitaram responder o questionário.

Após a coleta, os dados foram tabulados e analisados procurando estabelecer um elo entre a fundamentação apresentada e o material coletado. As informações estão organizadas em tabelas, com textos descrevendo as particularidades. Dessa forma, a abordagem dos dados teve caráter quantitativo-qualitativo, pois para Oliveira (2011) a pesquisa qualitativa pode ser usada para explicar os resultados obtidos pela pesquisa quantitativa. Por fim, apresentou-se a conclusão do artigo.

Educação econômica: percepção dos alunos

Nessa seção, que está dividida em duas partes, apresentam-se as características gerais dos pesquisados, inicialmente, e, depois, analisa-se a percepção dos alunos quanto ao aprendizado, influência, e importância de estudar economia para suas vidas.

Características do público atendido

Essa primeira subseção traz as características dos discentes que participaram do projeto. As informações apresentadas são: idade, sexo, cor ou raça, alunos inseridos ou não no mercado de trabalho, participação ou não no planejamento financeiro da família, renda familiar, quantidade de moradores na residência, escolaridade do pai e da mãe, e conhecimento de economia na família. Ao conhecer algumas características do público assistido é possível saber quanto foi a abrangência do projeto na sociedade atendida, ou seja, até que ponto houve a aproximação entre universidade e comunidade, pois, segundo Rodrigues et al. (2013), a extensão possibilita uma educação continuada e uma ligação entre universidade e sociedade.

A primeira característica refere-se à idade dos alunos. As faixas apresentadas na Tabela 1 respeitam a etapa ou fase de ensino a qual o aluno estava matriculado. O projeto atendeu o ensino fundamental II (11 a 14 anos) e o médio (15 a 17 anos).

Tabela 1 – Idade dos alunos atendidos pelo projeto
FAIXASNº DE ALUNOS%
Até 10 anos1262,83
De 11 a 14 anos2.70960,89
De 15 a 17 anos1.45232,64
De 18 anos ou mais1343,01
Não responderam280,63
Fonte: Os autores (2019).

A primeira faixa mostra alunos até 10 anos que, aparentemente, não se encaixariam no ensino fundamental II. No entanto, deve-se considerar que alunos da 6ª série estão em transição de idade, ou seja, de 10 para 11 anos. Na última faixa, há alunos que já deveriam ter terminado o ensino médio, uma vez que normalmente isto ocorre aos 17 anos. Porém, há discentes que reprovam de ano e também aqueles que fazem parte do supletivo. Portanto compreende-se que esses sujeitos podem estar matriculados no ensino médio e justificam a faixa de idade contida na última faixa que foi atendida pelo projeto.

O sexo dos participantes do projeto é a segunda característica. A pesquisa mostrou que as mulheres totalizaram 2266 (50,93%), enquanto os homens correspondiam a 2054 (46,17%). Os alunos que não responderam essa questão foram 129 (2,90%). Percebe-se que esses percentuais estão próximos aos dados da população brasileira, que tem 51,80% de mulheres e 48,20% de homens (IBGE, 2020).

A terceira característica é a cor ou raça dos alunos. Essa questão foi realizada com base na autodeclaração dos participantes, em que foram perguntados sobre sua cor de acordo com as opções: branca, preta, parda, indígena ou amarela (Tabela 2). Essas opções estão de acordo com o que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) utiliza na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD)4.

Tabela 2 – Cor da pele ou raça dos alunos participantes
COR OU RAÇANº DE ALUNOS% DOS ALUNOS% DO BRASIL*
Parda2.07846,7146,80
Branca1.58035,5242,70
Preta3277,359,40
Amarela1052,360,60
Indígena701,570,50
Não quiseram declarar2635,91-
Não responderam260,58-
Fonte: Os autores (2019) e *IBGE (2020).

Como comparação, a última coluna mostra os percentuais da população brasileira. Observa-se que na cor parda as porcentagens são próximas. As demais apresentaram variações acima de um por cento, principalmente na cor branca, com diferença superior a sete por cento. Percebe-se que quase seis por cento dos alunos tiveram dúvida ou não quiseram responder, assinalando a opção “Não quero declarar”. No caso daqueles que não marcaram nenhuma opção, verifica-se que, talvez, tenham esquecido de anotar (pularam), ou estavam em dúvida, ou não quiseram declarar.

A próxima característica mostra os alunos que exerciam algum tipo de trabalho que gerasse renda. Verifica-se que, dos alunos entrevistados, 833 (18,72%) estavam inseridos no mercado de trabalho, 3488 (78,40%) não trabalhavam e 128 (2,88%) não assinalaram nenhuma alternativa. Mesmo os alunos estando na adolescência e estudando, alguns exerciam atividades remuneradas. Para Oliveira e Robazzi (2001), a inserção dos jovens no mercado de trabalho depende da renda familiar, idade e sexo do aluno. A existência de iniciativas do setor público, como o Jovem Aprendiz (BRASIL, 2000), auxilia os adolescentes de 14 a 18 anos a entrarem no mercado de trabalho na condição de aprendiz, oportunizando experiências, em diversas áreas, ao jovem trabalhador.

Após essas primeiras informações de particularidades dos alunos participantes do projeto, os dados seguintes apresentam propriedades relacionadas ao ambiente familiar dos pesquisados. Assim, a característica seguinte mostra a participação do aluno no planejamento financeiro da família (Tabela 3).

Tabela 3 – Participação do aluno no planejamento financeiro familiar
CONTRIBUIÇÃONº DE ALUNOS%
Ajudo financeiramente58013,04
Economizo para diminuir as despesas da casa1.97744,44
Não vejo importância em contribuir1994,47
Não sei como poderia contribuir1.60236,01
Não responderam912,04
Fonte: Os autores (2019).

Destaque para a primeira opção, pois, verifica-se que dos 833 alunos que trabalham (característica anterior), 580 ajudam financeiramente as suas famílias, ou seja, quase setenta por cento dos que tem renda, enquanto o restante fica com o total do salário. Por sua vez, observa-se que mais de um terço dos alunos não sabem como poderiam contribuir com o planejamento financeiro familiar. Alonso (2016) diz que um planejamento familiar pode iniciar através da simples rotina de ir ao supermercado, por exemplo, pois os filhos podem participar nesse processo.

A sexta característica apresenta a renda familiar total dos alunos participantes do projeto. Ao assinalar a alternativa, o aluno deveria considerar sua renda, caso tivesse. A faixa de renda da Tabela 4 foi construída baseando-se no salário mínimo (R$ 954,00 em 2018).

Tabela 4 – Renda familiar total dos alunos atendidos
FAIXASNº DE ALUNOS%
Até R$ 1.431,0061813,89
De R$ 1.431,01 a R$ 2.862,0070515,85
De R$ 2.862,01 a R$ 4.293,004079,15
De R$ 4.293,01 a R$ 5.724,001583,55
De R$ 5.724,01 a R$ 9.540,001543,46
Não sabiam2.35853,00
Não responderam491,10
Fonte: Os autores (2019).

Observa-se que mais da metade dos alunos não sabem a renda familiar total. Isso mostra que a realidade e as limitações financeiras do núcleo familiar não são compartilhadas pelos pais ou que os alunos não têm interesse em saber. Alonso (2016) diz que a simples rotina de ir ao supermercado, por exemplo, faz parte de um planejamento familiar, haja vista a necessidade de atender os hábitos de consumo e, ao mesmo tempo, controlar as despesas baseada na renda, precisando comparar preços de produtos, tamanho de embalagens e calcular descontos. Além disso, a situação econômica do país e a inflação impactam no consumo. Desse modo, as crianças e jovens podem participar dessa rotina, compreendendo as limitações e desafios financeiros da família, e a influência que a conjuntura econômica do país provoca em suas vidas.

A característica seguinte apresenta a quantidade de pessoas que residem com o aluno, sem considerá-lo. As respostas dos questionários mostram que 202 alunos (4,54%) moram com 1 membro, 755 (16,97%) residem com 2, 1310 (29,45%) vivem com 3, 1079 (24,25%) moram com 4, 627 (14,09%) residem com 5, 266 (5,98%) vivem com 6, e 175 (3,93%) moram com 7. Os que “Não responderam” representa 0,79% (35). Segundo o IBGE (2019), o tamanho médio da família no Brasil é de três membros. A média da pesquisa é de 4,5 membros (3,5 mais o aluno). Essas informações têm impacto direto na renda familiar média, pois se dividir a renda familiar total pela quantidade total de pessoas que moram na residência, tem-se a realidade financeira da família, haja vista quanto menor for a renda média, maiores são as limitações financeiras familiares e vice-versa5. Assim, é importante um planejamento familiar, que envolva todos os membros. A pesquisa mostrou que 18,72% dos alunos trabalham e, desses, 69,63% ajudam financeiramente suas famílias. Conforme Oliveira e Robazzi (2001), para ajudar na sobrevivência da família, alguns jovens precisam estar no mercado de trabalho.

A oitava característica apresenta o nível de escolaridade do pai e da mãe dos alunos. Nesse caso, o questionário estava dividido em duas questões, sendo uma relacionada ao pai e outra à mãe. Na construção das tabelas referentes a essas questões, buscou-se deixar as informações em um único local (Tabela 5) para facilitar a visualização e análise.

ETAPA CONCLUÍDA

Tabela 5 – Escolaridade dos pais do aluno atendido
Tabela 5 – Escolaridade dos pais do aluno atendido
Fonte: Os autores (2019).

Observa-se que um percentual maior de alunos soube responder quanto à escolaridade da mão do que do pai. Considerando os dados levantados, verifica-se que as mães apresentaram um percentual de escolaridade maior, no ensino fundamental II, médio e superior, comparado à escolaridade dos pais. Por outro lado, o percentual de pais que não possuem instrução é menor do que das mães. Segundo Muniz e Ferreira (2020), o nível de escolaridade dos pais pode impactar no processo de alfabetização das crianças e jovens, influenciando também na educação econômica e financeira. Veras e Campos (2018) relatam que a baixa escolaridade dos pais interfere na transmissão de conhecimento aos filhos, pois sentem-se incapazes de ajudá-los.

Por fim, a última característica dessa subseção é a percepção do aluno quanto ao conhecimento de economia entre as pessoas que moram com ele. Para 3305 alunos (74,29%) há alguém em sua casa que sabe mais sobre economia (pai, mãe ou responsável). Essa percepção, segundo Varum e Ferreira (2013), pode estar associada ao hábito dos pais ou responsável de conversar com os filhos sobre algum assunto relacionado à economia, como poupança, por exemplo. Dos demais alunos, 1079 (24,25%) entendem que não existe na casa uma pessoa que saiba mais sobre economia. Nesse caso, provavelmente, os pais não conversam com os filhos sobre algo de economia. Não responderam a essa questão, 65 alunos (1,46%).

Após essas características, a subseção seguinte traz a percepção dos alunos quanto ao aprendizado de economia.

Percepção dos alunos sobre economia

Nessa segunda parte é apresentado a visão dos alunos quanto ao entendimento sobre economia, a importância de aprender economia na escola, se compartilharia este conhecimento adquirido com as pessoas, se aprender economia na escola mudaria sua vida no futuro, e qual a opinião sobre o projeto.

Na primeira informação buscou-se compreender como foi para os alunos aprenderem sobre economia. Verifica-se que 758 alunos (17,04%) acharam que a economia é “Difícil de entender”, 836 (18,79%) “Não souberam determinar” a percepção que tiveram e 69 (1,55%) “Não responderam”. Neste caso, pode ser devido ao simples esquecimento ou não saberem determinar. Duas respostas foram as mais assinaladas, com 1213 alunos (27,26%) marcando “Fácil de entender” e 1573 (35,36%) apontando “Médio/sem muitas dificuldades”. A soma delas chegou a quase dois terços dos alunos. Acredita-se que o formato de realização das aulas tenha ajudado a traduzir a economia para os alunos, pois foram utilizados desenhos, figuras e situações/exemplos do dia-a-dia deles. Para Kiyosaki (2018) apresentar desenhos simples e números cotidianos das crianças e jovens são uma maneira de introduzi-los em uma vida econômica sólida.

A próxima informação da percepção dos alunos refere-se ao interesse deles em aprender sobre economia na escola. Observa-se que 74 alunos (1,66%) não responderam essa questão, 398 (8,95%) acham indiferente e 621 (13,96%) não veem importância. Porém, 3356 alunos (75,43%) consideram interessante ou legal ter o aprendizado de economia na escola. Segundo Araujo (2010), é importante que as ações formativas iniciem cedo. Para a autora, através de uma educação econômica é possível formar uma sociedade capaz de discutir definições de economia, compreender o resultado de suas escolhas econômicas e financeiras, e tomar decisões de longo prazo. Além disso, Kiyosaki (2018) diz que os jovens que saem da escola sem uma educação econômica, entram na vida adulta e afundam-se em dívidas. Por isso, é preciso de uma estrutura para se formar habilidades econômicas e financeiras na sociedade.

Na percepção seguinte, 3265 alunos (73,39%) entendem que aprender sobre economia na escola mudaria suas vidas após se formarem no ensino médio. No entanto, 638 (14,34%) acham que seria indiferente, 487 (10,94%) consideram que sua vida não mudaria, e 59 (1,33%) não responderam. Alonso (2016) descreve que não há uma cultura e não se aprende sobre educação econômica nas escolas brasileiras, mas seria importante iniciar cedo, pois assim haveria cidadãos preparados econômica e financeiramente. Além disso, segundo a autora, sabendo alguns conceitos de economia, a vida pessoal e profissional dos jovens que acabaram de sair da escola também seria influenciada.

A quarta percepção dos discentes mostra que 3767 alunos (84,67%) compartilhariam, com seus colegas e familiares, o conhecimento sobre economia se soubessem mais. Para Araujo (2009), a educação econômica forma pessoas solidárias, responsáveis, críticas e conscientes. Observa-se que o projeto parece ter impactado o público atendido, pois segundo Jenize (2004), a extensão faz com que a sociedade deixe de ser apenas um agente passivo passando a ser participativo, compartilhando o conhecimento adquirido. Dos demais alunos, 311 (6,99%) não compartilhariam seus conhecimentos, enquanto 310 (6,97%) são indiferentes e 61 (1,37%) não responderam essa questão.

Por fim, na última percepção buscou-se, através de uma nota entre 0 e 10, saber quanto os alunos aprenderam sobre economia (Tabela 6).

Tabela 6 – Nota dos alunos indicando o quanto aprenderam
NOTANº DE ALUNOS%
Zero1463,28
0,1 a 4,02174,88
4,5 a 6,568215,33
7,0 a 9,82.13047,88
Dez1.13925,60
Não responderam1353,03
Fonte: Os autores (2019).

Observa-se que quase três quartos dos alunos atribuíram nota igual ou acima de 7,0, indicando um importante nível de aprendizado entre os participantes. A média obtida foi de 7,6, a qual pode-se dizer que foi boa, pois este resultado mostra que o projeto conseguiu atingir seu objetivo de mostrar, a uma parte da sociedade, que a economia não é difícil, apesar de ter sido um curso realizado em apenas duas horas. Essa média foi obtida através da multiplicação entre a nota e a quantidade de alunos que atribuíram a respectiva nota. Depois somou-se os totais e dividiu-se por 4314 alunos que deram nota. Destaca-se que, durante as aulas, os discentes se mostraram interessados e participativos quanto aos conteúdos explorados, fazendo muitas perguntas sobre a situação econômica do país, possibilidades de melhora da economia e sobre o curso de graduação em Ciências Econômicas.

Conclusão

O objetivo do artigo foi analisar a importância, na visão dos alunos, do conhecimento econômico em suas vidas. Inicialmente, apresentou-se a fundamentação teórica referente a extensão universitária e educação econômica, com foco no impacto desse ensino no cotidiano dos discentes. Depois, realizou-se um estudo de campo procurando captar a percepção dos alunos quanto à importância da educação econômica no dia a dia deles.

A relação entre universidade e comunidade traz benefícios para ambos os lados. A sociedade recebe o conhecimento e a universidade oportuniza ao acadêmico a realização da teoria na prática, interagindo com a realidade da população. Assim, por meio do projeto “A Economia Traduzida (TECA)” foi possível levar os conceitos básicos de economia, de forma simplificada, para o dia a dia das crianças e jovens das escolas públicas. Pode-se dizer que o projeto foi um sucesso, pois todas as cidades, escolas e turmas programadas foram atendidas, não havendo dificuldades ou limitações.

A análise inicial mostrou as características dos alunos, por meio das quais observou-se que que 93,53% estão na faixa etária de 11 a 17 anos, 50,93% são do sexo feminino, 82,23% se autodeclararam de cor parda ou branca, 53,70% moram junto com mais três ou quatro pessoas, e 53,00% não sabem a renda familiar total. Uma característica interessante, foi que 18,72% dos alunos encontram-se exercendo atividade remunerada, apesar de ainda estarem estudando. Destes, 69,63% ajudam financeiramente suas famílias.

Além das características, analisou-se, a percepção dos alunos quanto ao aprendizado, influência e importância que a educação econômica poderia trazer para suas vidas. Verificou-se que 62,62% acham a economia “Fácil de entender” ou “Médio/sem muitas dificuldades”, 75,43% consideram importante aprender economia na escola, 73,39% entendem que ter educação econômica mudaria suas vidas, e 84,67% compartilhariam o conhecimento de economia com seus colegas e familiares. Os alunos atribuíram uma nota de 0 a 10 para expressar o quanto aprenderam sobre economia. Como resultado, observou-se que 73,48% deram nota igual ou superior a 7,0, representando um bom nível de aprendizado.

Portanto, os resultados da pesquisa mostraram que a universidade, através do projeto de extensão (TECA), contribuiu com a sociedade, principalmente na vida das crianças e jovens envolvidos, pois, quase três quartos deles, tem a percepção de que ter conhecimento de economia mudaria suas vidas de forma positiva. Além disso, mais de quatro quintos dos alunos expressaram que compartilhariam esse conhecimento com seus familiares e colegas. Ademais, a relação dos alunos com as recém-formadas trouxe um pouco do meio acadêmico para a vida dessas crianças e jovens, despertando o desejo de conhecerem e/ou cursarem o ensino superior. Observa-se uma contribuição para todo o ambiente envolvido no projeto (escolas, universidade e sociedade), pois houve a aproximação da universidade com as escolas e propagação do conhecimento de economia com os discentes e comunidade.

Além disto, os resultados também mostraram que para mais de três quartos dos discentes é importante se aprender economia na escola. Isso está relacionado a Economia ser uma ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade escolhem utilizar recursos limitados para satisfazer as necessidades humanas ilimitadas. Logo, isso demonstra que o aprendizado de Economia deveria acontecer a partir do momento que o indivíduo for inserido no ensino (1ª série do ensino fundamental), não acontecendo apenas quando ele estiver cursando o ensino superior, dependendo ainda do curso que escolheu. Ou seja, o indivíduo aprendendo desde cedo sobre Economia, haverá uma influência na sua formação financeira, pessoal e profissional e no ambiente que vive. Assim, a educação econômica deveria ser inserida na grade curricular do ensino fundamental e médio. Ou, gradativamente, através de novos projetos de extensão que levem para as crianças e jovens essa educação.

Esse projeto e os resultados da pesquisa contribuem para a ciência, pois a atividade de extensão levou o conhecimento para as pessoas, impactando nos relacionamentos em sua volta, indicam que algumas ações podem atender necessidades da sociedade, que muitas vezes, a própria população não sabia que precisava.

Importante ressaltar que, inserido na educação econômica, há o ensino da educação financeira, o qual é adotado por algumas escolas. Desse modo, novas pesquisas poderiam ser realizadas, analisando se o aprendizado da educação financeira é suficiente para influenciar a vida financeira, pessoal ou profissional dos alunos por meio deste ensino nos ambientes onde ele está sendo implementado. Ou, após um projeto de extensão sobre educação econômica (realizado ao longo de um ano, com ao menos uma aula por semana), comparar a sua influência na vida das crianças e jovens em relação à educação financeira.

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Notas

1 Esse projeto foi realizado pela Universidade Estadual do Paraná – Campus de Apucarana e selecionado no Programa Universidade Sem Fronteiras (USF) do Governo do Estado do Paraná por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), a qual concedeu bolsa para duas recém-formadas e uma estudante, a época.
2 As aulas do curso foram ministradas pelas duas recém-formadas em Ciências Econômicas.
3 Florestópolis, Guaraci, Jaguapitã, Pitangueiras, Prado Ferreira, São João do Ivaí, Sarandi, Tamarana.
4 Amarela (pessoa que se declara de origem japonesa, chinesa, coreana, entre outras) e indígena (pessoa que se declara indígena ou índia).
5 Esse cálculo não foi realizado, pois seria preciso ter a renda familiar total exata de cada aluno. Além disso, também não é o foco deste estudo.
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