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A APRENDIZAGEM EXPERIENCIAL NO CONTEXTO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA – UM ENCONTRO ENTRE MÚSICA, CUIDADO E TRANSPESSOALIDADE

EXPERIENTIAL LEARNING IN THE CONTEXT OF UNIVERSITY OUTREACH PROGRAMS – AN ENCOUNTER BETWEEN MUSIC, CARE AND TRANSPERSONALITY

APRENDIZAJE EXPERIENCIAL EN EL CONTEXTO DE LA EXTENSIÓN UNIVERSITARIA – UN ENCUENTRO ENTRE MÚSICA, CUIDADO Y TRANSPERSONALIDAD

Fabiana Aguiar de Oliveira
Unversidade Federal da Bahia - IMS/CAT/UFBA, Brasil
Juliana Xavier Pinheiro da Cunha
UFRGS, Brasil
Chrisne Santana Biondo
UESB, Brasil
Carolina Bagano Cruz
Brasil
Emanuelle Caires Dias Araújo Nunes
USP, Brasil

A APRENDIZAGEM EXPERIENCIAL NO CONTEXTO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA – UM ENCONTRO ENTRE MÚSICA, CUIDADO E TRANSPESSOALIDADE

Revista Conexão UEPG, vol. 19, núm. 1, pp. 01-17, 2023

Universidade Estadual de Ponta Grossa

Recepción: 05 Diciembre 2023

Aprobación: 28 Febrero 2024

Resumo: Este estudo foi realizado no contexto da extensão universitária Agrupamento Mobilizador de Acolhimento, vinculada a uma instituição federal de ensino do interior da Bahia. A ação consiste no cuidado transpessoal de famílias no ambiente hospitalar, incluindo o uso da música. O objetivo foi conhecer a experiência de aprendizado de egressos extensionistas sobre o cuidado transpessoal realizado mediante visita musical às famílias no contexto da hospitalização. Trata-se de uma pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa, fundamentada na Teoria da Aprendizagem Experiencial de Kolb. Foram entrevistados 12 egressos do projeto, cujos relatos foram submetidos à análise temática de conteúdo. Os resultados enunciaram que o cuidado musical desencadeia um processo reflexivo de autoconhecimento, mediado por sentimentos e espiritualidade aflorados no aprendiz, que o mobilizam para uma interação mais empática às necessidades transpessoais do outro. Portanto, a experiência convergiu em um diferenciado aprendizado construído por transformações convergentes a uma relação significativa de cuidado transpessoal humano.

Palavras-chave: Extensão Comunitária, Educação em enfermagem, Capacitação Profissional, Música.

Abstract: This study was carried out in the context of the university outreach program ‘Agrupamento Mobilizador de Acolhimento’ (Welcoming mobilized grouping) linked to a federal education institution in the interior of Bahia. The action consists of transpersonal care for families in the hospital environment including the use of music. The objective was to understand the learning experience of former outreach students about transpersonal care carried out through musical visits to families in the context of hospitalization. This is descriptive research, with a qualitative approach, based on Kolb’s Experiential Learning Theory. Twelve graduates who had participated in the project were interviewed, and their reports were subjected to thematic content analysis. The results showed that musical care triggers a reflective process of self-knowledge, mediated by feelings and spirituality experienced by learners, which mobilize them for a more empathetic interaction with the transpersonal needs of others. Therefore, the experience promoted a differentiated learning process built by transformations converging on a significant relationship of transpersonal human care.

Keywords: Community-Institutional Relations, Education, Nursing, Professional Training, Music.

Resumen: Este estudio se realizó en el contexto de la extensión universitaria Agrupamento Mobilizador de Acolhimento vinculado a una institución educativa federal en el interior de Bahía. La acción consiste en el cuidado transpersonal de las familias en el ámbito hospitalario, incluyendo el uso de la música. El objetivo fue comprender la experiencia de aprendizaje de ex extensionistas sobre el cuidado transpersonal realizado a través de visitas musicales a familias en el contexto de hospitalización. Se trata de una investigación descriptiva, con enfoque cualitativo, basada en la Teoría del Aprendizaje Experiencial de Kolb. Fueron entrevistados 12 egresados del proyecto, cuyos informes fueron sometidos a análisis de contenido temático. Los resultados mostraron que el cuidado musical desencadena un proceso reflexivo de autoconocimiento, mediado por sentimientos y espiritualidad conmovidos en el alumno, que lo movilizan para una interacción más empática con las necesidades transpersonales de los demás. Por lo tanto, la experiencia convergió en un proceso de aprendizaje diferenciado construido por transformaciones que convergen en una relación significativa de cuidado humano transpersonal.

Palabras clave: Relaciones Comunidad-Institución, Educación en Enfermería, Capacitación Profesional, Música.

Introdução

No decorrer da História, o ensino de enfermagem foi se adaptando para atender às necessidades da sociedade e acompanhar as evoluções que as novas políticas públicas de saúde trouxeram para o exercício profissional do enfermeiro. Nesse sentido, as universidades e instituições de ensino superior se moldam para oferecer uma educação de qualidade, por meio de disciplinas e conteúdos focados nas demandas epidemiológicas e sociais da população, com o intuito de formar profissionais aptos para ter uma atuação efetiva e resolutiva em diversos contextos (Petry; Padilha; Costa et al., 2021).

Conforme a Lei de Diretrizes e Bases educacionais (LDB), a Educação Superior tem como finalidade incentivar o desenvolvimento de conhecimentos científicos, culturais e técnicos, convergentes ao pensamento reflexivo do acadêmico, além de primar pela relação entre instituição e comunidade, para entender às principais dificuldades contextuais e, a partir disso, trabalhar na criação de soluções. Assim, a extensão fomenta a participação popular e a universalização, por meio da integração e disseminação dos saberes (Brasil, 2022).

Nesta perspectiva, a Teoria da Aprendizagem Experiencial de David Kolb traz a aprendizagem como o conjunto de experiências e reflexões sobre o contexto vivenciado, ao passo que o experiencial é descrito como uma referência teórica interdisciplinar do processo de aprendizagem de cada indivíduo, dentro de todas as realidades em que ele é inserido. Logo, a aprendizagem experiencial é a construção de conhecimentos e saberes por meio dos processos sucessivos de experimentar, discernir e agir voltados aos aspectos individuais/subjetivos e coletivos/sociais, que fortificam a relação entre educação, desenvolvimento pessoal e campo de trabalho, e traz para o aprendiz a oportunidade de se inserir na realidade estudada (Kolb, 2014).

A aprendizagem experiencial se apresenta como ferramenta diferenciada na comunicação entre conhecimentos teóricos e práticos, no desenvolvimento das competências dos enfermeiros em suas diversas atribuições e no pensamento crítico-reflexivo acerca dos desafios encontrados na enfermagem. Segundo a teoria, a aprendizagem se constrói como um processo acumulativo de saberes, que potencializa as vivências e a atuação do indivíduo em contextos sociais, culturais e tecnológicos, além de explorar o novo e potencializar o aprendizado pela experiência (Figueiredo; Silva; Prado, 2022).

Assim sendo, a extensão universitária se torna um espaço propício para tal aprendizagem, na medida em que integra ensino, pesquisa e extensão, e se torna instrumento de produção de conhecimento e disseminação de informações intra e extra institucionais, por meio de saberes técnico-científicos e populares. As vivências de ensino-aprendizagem na comunidade possibilitam aos acadêmicos a maior compreensão do processo saúde-doença e favorecem o desenvolvimento de estudos na área. Desse modo, maximizam-se o pensamento crítico-reflexivo e a autonomia frente a dificuldades e habilidades profissionais e pessoais necessárias para a futura atuação profissional (Santana; Santana; Costa Neto et al., 2021, Nunes; Melo; Xavier, 2022).

Neste estudo, a atividade extensionista esteve centrada no uso da música como instrumento de cuidado. Acerca disto, a literatura afirma que a música consiste em uma estratégia importante em projetos extensionistas da área de saúde, pois auxilia a promoção da saúde do sujeito e da coletividade e promove o exercício da empatia e humanização na perspectiva do cuidado (Souza; Brum; Tomazi et al., 2020).

Dessa forma, o projeto extensionista Agrupamento Mobilizador de Acolhimento (AMA) consiste em uma ação interdisciplinar de ensino-pesquisa-extensão para o cuidado à família no contexto hospitalar de fim de vida. Ele realiza, como uma de suas práticas acolhedoras, a visita musical baseada no Cuidado Transpessoal de Jean Watson. Essa ação busca o cuidado integral para as dimensões biopsicossocial e espiritual do indivíduo, para além do foco exclusivo da cura física (Nunes; Santos; Gomes et al., 2016).

O projeto está em sua sétima edição anual e reúne estudantes de enfermagem e psicologia, com o objetivo de acolher e acompanhar famílias com pessoas hospitalizadas em cuidados paliativos, a partir da práxis sistematizada do cuidado transpessoal-sistêmico. A atividade ocorre no cenário de um hospital público de referência para a região, nas alas de internamento geral e intensivo, pediátrico e adulto, tendo como público-alvo famílias com pessoas hospitalizadas.

A atividade de visita musical, foco deste estudo, é uma das estratégias de cuidado transpessoal desenvolvidas no projeto e utiliza como instrumentos voz e violão de acadêmicos, além de livro de canto próprio, sendo realizada mensalmente, após ensaios, junto ao leito dos pacientes, em canto coral de canções ecléticas baseadas nas preferências previamente levantadas entre as famílias.

A música, dentro do contexto hospitalar, transforma-se em uma possível ferramenta terapêutica para ser utilizada com pacientes e seus familiares, oportunizando, por meio do cantar, ouvir e improvisar, a integração entre corpo, mente e espírito (Frizo; Souza; Muller et al., 2020). Dessa forma, a Teoria de Jean Watson enfatiza a importância do cuidado transpessoal voltada para todas as dimensões do ser humano e, consequentemente, uma assistência humanizada e integral, que aconteça por meio de práticas que vão além dos cuidados terapêuticos comuns e que utilize da criatividade, ludicidade e transpessoalidade para levar conforto e alívio às pessoas (Watson, 2002; Dias; Reichert; Evangelista et al., 2023).

Neste contexto, o presente estudo se direciona a investigar a repercussão da experiência da visita musical extensionista na formação profissional dos seus participantes, egressos do referido projeto. A relevância científica do estudo versa na sua contribuição para ampliar o conhecimento na área e minimizar as lacunas referentes a associações entre Cuidado Musical e Cuidado Transpessoal no processo de formação interdisciplinar de profissionais de saúde.

Desse modo, a pesquisa foi guiada a partir do seguinte questionamento: como os egressos da extensão AMA percebem o seu aprendizado experiencial após a realização de visitas musicais junto a pacientes e famílias no contexto de internação hospitalar? A partir disso, direcionou-se ao objetivo: Conhecer a experiência de aprendizado de egressos extensionistas sobre o cuidado transpessoal realizado mediante visita musical às famílias no contexto da hospitalização.

Método

Trata-se de uma pesquisa descritivo-exploratória, com abordagem qualitativa, realizada a partir do cenário da Universidade Federal da Bahia, Campus Anísio Teixeira, Instituto Multidisciplinar em Saúde (UFBA/CAT/IMS). Os participantes foram 12 egressos do projeto extensionista AMA, vinculado a esta instituição, selecionados de forma não probabilística, por acessibilidade, a partir do critério de inclusão: ter participado do projeto pelo período mínimo de um semestre; e ter participado de, pelo menos, 2 visitas musicais.

Como critério de exclusão, foi observado não residir na cidade de Vitória da Conquista no período de coleta de dados (presencial). Eles foram recrutados a partir do registro de participantes do projeto, contactados pelo WhatsApp ou por e-mail, quando era confirmada a sua adequação aos critérios e feito o convite. O total abrangeu 12 entrevistados, delimitados pela saturação teórica dos dados e anuentes à pesquisa, por meio de assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido, após a aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa, em consonância com a Resolução 466/12.

Os participantes receberam codinomes de instrumentos musicais com vistas à garantia de seu anonimato. A coleta de dados se deu por meio de entrevista semiestruturada, realizada por uma das autoras, a qual já tinha experiência com a técnica. O roteiro consistiu nas questões: Quais sentimentos você experimentou enquanto realizava a visita musical? Em sua opinião, qual a relevância desta atividade no ambiente hospitalar? Como esta experiência contribuiu para a sua formação profissional? Como você (re)significa o cuidado Transpessoal a partir da práxis da visita musical? Escolha uma música que você gostaria de oferecer à família que enfrenta a hospitalização, cite o trecho/estrofe que motivou a sua escolha.

A coleta foi realizada no período de um mês e meio, em local privativo do referido instituto, sendo os relatos dos participantes gravados em formato Mp3 e transcritos posteriormente. A análise se deu mediante a temática de conteúdo, que é estruturada em três etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados. A pré-análise consistiu na seleção prévia de todo conteúdo, a partir da leitura flutuante e, por conseguinte, a construção do corpus, reformulação de hipóteses e objetivos. Na exploração do material, a etapa se resumiu na organização do texto para subsequente categorização. Por fim, o tratamento dos resultados ocorreu com a interpretação dos dados e estruturação das informações obtidas (Minayo, 2014).

Resultados

Os resultados convergiram em quatro categorias: 1) Me conhecendo – o eu transpessoal; 2) Descobrindo sentimentos no cuidado musical – da alegria à empatia; 3) Desenvolvendo habilidades para o exercício profissional; e 4) Ressignificando o Cuidado Transpessoal – tecendo música e espiritualidade em prol da resiliência.

Os participantes da pesquisa abrangem 10 entrevistados do gênero feminino e 2 do gênero masculino, os quais permaneceram, em média, por um ano no projeto AMA. Desse total, 8 já haviam se formado. Cada um deles foi convidado, ao final de sua entrevista, a escolher um trecho de uma música para oferecer simbolicamente às famílias que acompanhavam no projeto, justificando suas escolhas. Os trechos citados foram inseridos nos resultados como ilustrações, seguindo a coerência das categorias organizadas pela análise. O sentido de seu uso se refere à possibilidade de que tais figuras comuniquem a sonoridade melódica dos trechos citados pelos participantes ao leitor, remetendo à parte dinâmica da visita musical, objeto deste estudo.

Categoria 1: Me autoconhecendo – o eu transpessoal

Esta categoria expressa a descoberta de um novo eu pessoal e profissional que surge no egresso após vivenciar a visita musical. Ele se descobre mais empático, cuidadoso e humanizado, pois, enquanto canta, encontra a emoção no olhar de cada paciente ou familiar, e isso o faz refletir sobre a necessidade de se autoconhecer e, assim, seguir em busca de novos horizontes e aperfeiçoamento no seu exercer profissional. Logo, no momento da visita, renasce um novo eu, disposto a fazer a diferença na vida daqueles que o ouvem.

Figura 1: Pais e Filhos (Dado Villa Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá)
Figura 1: Pais e Filhos (Dado Villa Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá)
Fonte: Elaboração Própria

Eu escolho esta música porque traz a importância de a gente aproveitar os momentos com as pessoas que amamos [...] de nos dedicarmos ao outro hoje, e não esperar para o amanhã. E esse momento da hospitalização traz essa reflexão também, é o momento de aproveitar e estar perto do seu familiar, de demonstrar todo seu amor e cuidado a ele (Sino - Música).

A gente sempre acha que é humanizado durante nossa assistência, só que, depois que eu vivenciei a experiência da atividade musical, descobri que me tornei mais humana ainda. Enquanto cantava, desenvolvia sentimentos que estavam apagados em mim (Sanfona).

Quando eu tocava dentro das enfermarias, tinha a oportunidade de perceber a emoção da outra pessoa, a oportunidade de interagir, abraçar, olhar nos olhos, e isso me humanizou demais, porque naquele momento não era só aquela pessoa doente, mas um ser humano como eu (Tambor).

Quando eu entrei no projeto AMA, tinha dificuldades de pensar em formas de acessar tanto a fala quanto o sentimento do outro; eu focava somente na escuta e não pensava em outros meios lúdicos de acessar as pessoas. Então, a visita musical me mostrou a capacidade de tocar o outro, mesmo aqueles que são mais calados, mais fechados, e isso trazia uma satisfação muito grande pra mim, enquanto cantava (Flauta).

Categoria 2: Descobrindo sentimentos no cuidado musical – da alegria à empatia

Esta categoria se expressa a partir de 2 subcategorias: o cuidado musical me mobiliza para me doar ao outro e o cuidado musical me traz satisfação pessoal. Por meio das falas presentes nesta categoria, é possível perceber como a visita musical contribuiu de maneira positiva no desenvolvimento de um olhar mais empático no egresso frente ao enfrentamento da hospitalização. Além disso, as falas de cada um trazem consigo a gratidão em poder proporcionar momentos especiais, de tranquilidade e distração, através da música para os pacientes e seus familiares.

Figura 2: Trem Bala (Ana Vilela)
Figura 2: Trem Bala (Ana Vilela)
Fonte: Elaboração própria

Fala de zelo, de algo que aqueça no momento da hospitalização. Muitas vezes, encontrei pessoas que moram em outras cidades, ficam sozinhas, pessoas que não têm acompanhante. E essa música traz isso, que tem alguém que zela por ela, mesmo no momento estando só. (Violino - Música)

Subcategoria 2a: O cuidado musical me mobiliza para me doar ao outro

Quando eu via que a pessoa estava muito emocionada com alguma música, eu ficava mais empática, percebia que realmente a música fazia sentido para aquela pessoa; em nenhum momento senti tristeza, pensando em mim, mas sentia uma sensação muito boa em estar ajudando as pessoas de outra forma, com a música, no caso (Violino).

[...] o sentimento principal que me vem é a compaixão. Sentimento de empatia, de amor, ao ver aquelas pessoas passando por um momento tão difícil, e também alegria pra mim enquanto profissional, porque quando a gente cantava um trecho, todos já se emocionavam, e eu via como era importante, né (Violão).

O sentimento foi amor, amor ao próximo, ali a gente vê que somos iguais e, assim, podemos nos colocar no lugar deles; então, eu tinha muito amor por eles enquanto a gente cantava (Saxofone).

Subcategoria 2b: o cuidado musical me traz satisfação pessoal

É um sentimento de dever cumprido [...] quando a gente entra nas enfermarias e aí eles já abrem aquele sorriso com um olhar de gratidão, me deixava comovido e feliz, por saber que estava levando mais tranquilidade a todos que nos ouviam (Tambor).

Eu sentia muita alegria e gratidão também, por poder tá trazendo um pouco de conforto para aquelas famílias (Zabumba).

Eu me sinto com um diferencial a mais ao exercer meu cuidado, porque eu sei que, graças ao AMA, eu tenho bagagem pra isso, de fazer a diferença na vida dos meus pacientes, e sei que, de alguma forma, eu vou passar isso para minha equipe, que atua comigo (Sino).

Categoria 3: Desenvolvendo habilidades para o exercício profissional

A categoria 3 envolve as subcategorias “Desenvolvendo habilidades socioemocionais e Ampliando minha visão sobre o cuidado profissional”. Elas evidenciam como a experiência de cantar nas enfermarias traz benefícios diretamente relacionados à atuação profissional de cada egresso. Enquanto realizavam as visitas, tinham um contato maior em cada leito e, apesar de tanto ouvirem sobre a integralidade do ser humano, naquela vivência é que despertavam para outras formas de cuidado, capazes de tornar o ambiente hospitalar mais leve.

Figura 3: Mais uma vez (Flávio Venturini e Renato Russo)
Figura 3: Mais uma vez (Flávio Venturini e Renato Russo)
Fonte: Elaboração própria

Eu escolhi essa música porque ela traz uma mensagem muito importante, que é de não nos deixarmos influenciar pelas palavras negativas que os outros nos dizem, porque, quando nós acreditamos que é possível vencer as adversidades, a gente tem uma visão diferente do problema (Piano – Música).

Subcategoria 3a: Desenvolvendo habilidades socioemocionais

Ter participado das visitas musicais foi muito importante no meu processo de formação, porque muitas vezes, quando você tá na universidade, você acaba sendo induzido a somente aprender procedimentos técnicos, a identificar a patologia e daí tratar os sintomas físicos do ser humano. E aí acaba que a gente não tem a oportunidade de aprender a trabalhar com as outras dimensões. No AMA, desenvolvi habilidades para poder intervir de forma efetiva no sofrimento humano durante a hospitalização (Harpa).

A visita musical pra mim contribuiu de forma muito positiva, na minha formação enquanto enfermeira, me aproximou mais do paciente e de sua família [...] não é só ir ali e chegar para fazer medicação, curativo, prestar os cuidados que envolvem habilidades técnicas; a visita me permitiu desenvolver outras habilidades, sensibilizar a empatia que já existia em mim. O que eu trouxe de maior aprendizado foi perceber que eu posso e devo levar conforto e cuidado emocional pra quem vive um momento difícil (Zabumba).

Subcategoria 3b: Ampliando minha visão sobre o cuidado profissional

Como profissional, eu só crescia e ampliava minha visão de cuidar durante as visitas musicais. Só ganhos positivos. Na psicologia, temos a musicoterapia na clínica, e é muito interessante, porque a música tem a capacidade de mudar realidades. Então, trazer a música é essencial, porque às vezes a pessoa não verbaliza a dor, não fala o que tá sentindo, mas quando ela ouve a música a emoção se expressa (Violão).

Me mostrou que não é só cuidar do lado físico do paciente, mas que ele precisa de atenção e outras formas de cuidado dentro do hospital. [...] Contribuiu também por aflorar meu lado humanizado, porque quando eu cantava era possível demonstrar pra eles que eu não cuidava só da doença, passava disso [...] ampliou meu olhar como futura enfermeira, porque é sempre bom implementar novas práticas (Bateria).

Ter tido a oportunidade de participar dessa experiência de visita musical no ambiente hospitalar me permitiu ver que o ser humano não está lá somente para tratar a doença. Então, me trouxe essa visão de um profissional que enxerga que é preciso tratar o ser humano como um todo, e que existe outras formas de trazer melhoria e tornar aquele enfrentamento e ambiente hospitalar mais leve (Harpa).

Categoria 4: Ressignificando o cuidado transpessoal – tecendo música e espiritualidade em prol da resiliência

A categoria 4 mostra o alinhamento das três dimensões do ser, por meio da atividade musical, em que a percepção dos egressos explanada a partir de suas falas comprova o quanto os efeitos da música são reproduzidos de forma positiva no indivíduo, em seu corpo, mente e alma, respectivamente, as subcategorias deste eixo.

Figura 4: Espírito Santo (Eyshila Santos)
Figura 4: Espírito Santo (Eyshila Santos)
Fonte: Elaboração própria

A música Espírito Santo, com toda certeza, porque é uma música bem simples, mas que traz uma mensagem muito linda; porque quem tá hospitalizado e o familiar estão precisando e pedindo por oração, então, esse trecho tem tudo a ver com o momento. Essa que eu ofereceria traz conforto e confiança (Violão – Música).

Subcategoria 4a: Corpo

A música interfere no cuidado físico também, eu já vi gente que saía do quarto para dançar, pessoa que levantava da cama e mexia o que podia. Se você está abatida, seu físico também demonstra em dores; se você tem aquele momento para relaxar, seu corpo também vai responder a isso (Flauta).

E no físico, ela tem efeito benéfico, faz com que os parâmetros fisiológicos melhorem e ajuda na resolutividade da patologia (Bateria).

É incrível que, depois desse cuidado musical, há sempre um resultado positivo, uma melhora no físico, porque a melodia e as letras proporcionavam isso (Saxofone).

Subcategoria 4b: Mente

A música tem o poder de mudar a realidade. Se você tá triste, você ouve música; se tá feliz, quer ouvir música; se tá com TPM, ouve música para desestressar. Então assim, a música já tem poder cognitivo, já mexe com nossa estrutura mental, ativa as sinapses do cérebro. Eu acho que o cuidado musical ressignifica em todos os aspectos o cuidado transpessoal, quando entra no pensamento da pessoa, a mente, no caso, a música tem o poder de entrar sutilmente no indivíduo, contemplando todas as dimensões (Violão).

Eu acredito que a música vai ajudar na mente do paciente e familiar, porque, a partir do momento que ele ouve, já se acalma, fica leve, os pensamentos se organizam, e aí esquece um pouco daquele momento que ele tá passando; e aí tira aquela preocupação da mente, mesmo que por pouco tempo (Sanfona).

Subcategoria 4c: Alma

Acho que a música atinge a alma, evoca espiritualidade, a gente percebe que a espiritualidade está bem implicada nos pacientes do hospital, tanto que os maiores pedidos são de músicas religiosas, até porque é um momento bem sensível para eles, né, então é um momento em que eles procuram um apoio espiritual (Flauta).

[...] as pessoas hospitalizadas estão sendo cuidadas do físico, às vezes é só isso que hospitais oferecem. Mesmo no AMA, a gente ia lá e conversava durante o acompanhamento semanal, mas a conversa não aliviava o suficiente, mas quando a gente traz a música, o cuidado transcende, transcende esse físico e o mental, toca a parte do espírito dessa pessoa, traz um cuidado melhor, mais ampliado, na verdade, toca uma outra dimensão que antes não era de possível acesso (Violino).

Muitas canções que cantávamos falavam de amor, esperança, fortalecimento, fé, enfrentamento de alguma dor, ressignificava aquela vivência, fazia entender que a situação não se resume somente àquele momento, mas que aquela pessoa tem uma história de vida antes daquela hospitalização. Evoca a fé e espiritualidade, também. Na minha opinião, é isso que mais fortalece o espírito daquele indivíduo (Harpa).

[...] vejo que a música é o elo entre essas dimensões (corpo-mente-alma), porque, quando se acessa uma, vai ao encontro da outra, são interligadas, e a música é capaz de acessá-las no mesmo momento; e assim a alma é renovada através da fé (Saxofone).

Discussão

A formação acadêmica em saúde deve possibilitar aos estudantes a compreensão do sujeito e de suas singularidades, no entanto, para que isso aconteça, é necessário se autoconhecer e entender suas próprias características, necessidades, subjetividades e seus sentimentos. A partir do autoconhecimento do estudante e futuro profissional da saúde, será factível o desenvolvimento de relações empáticas e compassivas, sem desgastes psicológicos no direcionamento de uma assistência qualificada e efetiva (Silva, 2020).

O autoconhecimento subsidia a concepção da identidade profissional, por meio de vivências pessoais e conhecimentos científicos e culturais que são aprimorados durante a formação acadêmica (Lima; Silva; Andrade et al., 2020). Assim, o processo de ensino-aprendizagem nas instituições deve ir além do ensino tecnicista, valorizando o pensamento crítico-reflexivo e a busca pela estabilidade emocional, que desperta o olhar humano, solidário e empático para o paciente em todas as suas dimensões. Além disso, a compreensão de que o conceito de saúde também abrange o contexto social da pessoa (Figueiredo; Orrillo, 2020).

Nessa perspectiva, o Cuidado Transpessoal de Jean Watson tem a potencialidade de auxiliar o acadêmico na fundamentação de um cuidado intersubjetivo na relação entre cuidador e ser cuidado, visto que, se esse vínculo for construído de forma respeitosa e humanística, as práticas do cuidado e a qualidade do convívio terão grande impacto no restabelecimento da saúde do paciente.

A teoria fundamenta a importância de adicionar ao ato de cuidar aspectos que vão além do biológico, como a humanização, a empatia e a compaixão nos profissionais da saúde, que devem buscar constantemente se autoconhecerem para serem capazes de exercer este cuidado (Watson, 2002; Dias; Reichert; Evangelista et al., 2023).

Uma das ações que melhor agregam esses princípios é o cuidado através da música. Nesse sentido, o cuidado transpessoal musical no ambiente hospitalar se caracteriza como uma prática assistencial alternativa, que reflete diretamente no restabelecimento do bem-estar mental dos pacientes, familiares e profissionais da saúde. Trata-se de um dispositivo relevante na construção de um ambiente mais acolhedor, que valoriza aspectos biopsicossociais e espirituais dos pacientes, viabilizando uma melhor resiliência (Frizo; Souza; Muller et al., 2020).

As diretrizes e os princípios da Política Nacional de Humanização corroboram a assertividade dessa estratégia na humanização do ambiente hospitalar, principalmente por meio do acolhimento dos pacientes pelos profissionais e da construção de vínculos e de ambientes saudáveis para todos os indivíduos envolvidos no processo (Souza; Mutti; Santos et al., 2021).

A música tem, ainda, o poder de mobilizar a espiritualidade humana. Ela aproxima os vínculos entre paciente e cuidador e fortalece suas capacidades de transcendência espiritual. Esta perspectiva faz refletir sobre a importância de considerar, na assistência à saúde, o espírito humano, os sentimentos, as emoções, os pensamentos e as memórias, neste caso, suscitadas pela música. Nasce do espírito humano a força de enfrentamento frente à doença e hospitalização. Assim, a espiritualidade se mostra como instrumento de amadurecimento e autoconhecimento, oferecendo diferenciado suporte no processo do cuidar (Rosas-Cervantes; Valenzuela-Suazo; Jimenes-Gonzalez, 2020).

A visita musical em questão mostrou seu alinhamento com o cuidado transpessoal ao proporcionar bem-estar para o corpo, para a mente e para a alma/espírito, na percepção dos participantes. Além disso, por meio dessa atividade, os egressos enxergaram a música como instrumento de humanização da assistência, e, por meio dela, aproximaram-se dos cuidados, conhecendo melhor suas necessidades integrais (Marques; Alves; Carbogim et al., 2020).

Com isso, ficou evidente como essa prática proporcionou aos acadêmicos o desenvolvimento de habilidades e competências diferenciadas e extremamente necessárias na formação de profissionais qualificados para o cuidado humano sensível, proximal e transpessoal. Trata-se de um dispositivo capaz de contribuir para o desenvolvimento da identidade ética do acadêmico, mobilizando sua capacidade crítico-reflexiva e suas escolhas formativas e profissionais, futuramente, na direção de um cuidado forjado por habilidades emocionais e psicológicas oportunas para uma assistência humana (Lima; Silva; Andrade, 2020; Nunes; Szylit, 2021).

Tal competência é necessária no contexto de cuidados por contribuir com o desenvolvimento das emoções, do apego, da interação e da afetividade, tão fundamentais para a efetivação do relacionamento e do vínculo peculiares ao cuidado pretendido. Neste sentido, a leitura de significados que a experiência da visita musical (grifo nosso) traz corrobora a formação socioemocional dos futuros profissionais de saúde envolvidos na extensão em questão (Azevedo; Balsanelli; Tanaka, 2021).

Recorrentes estudos publicados em periódicos nacionais e internacionais validam a importância de formar profissionais aptos para um cuidado competente, que se efetive pela via do diálogo, do vínculo, da confiança, da empatia e do acolhimento (Bueno; Velaski; La Calle, 2020; Suazo; Péres- Fluentes; Molero et al., 2020; Azevedo; Balsanelli; Tanaka, 2021; Ilkafah; Mei Tyas; Haryanto, 2021; Nunes; Szylit, 2021).

Assim sendo, o cuidado musical tem a natureza de contrapor as práticas convencionais e tecnicistas produzidas pelo ambiente hospitalar, por meio das letras e melodias que tocam o coração e a alma dos pacientes e seus familiares. Frente a essa realidade, o cuidado é produzido considerando a história e experiências humanas, e, a partir disso, cria condutas terapêuticas para ressignificar o olhar do ser cuidado e do cuidador (Marques; Alves; Carbogim et al., 2020).

O cuidado lúdico, então, deve ser valorizado dentro da extensão universitária, por promover ações satisfatórias que se caracterizam como produtoras de saúde e se destinam a todos os envolvidos no processo do cuidado, além de auxiliar na formação e no alcance de aspectos técnicos/científicos efetivos e, acima disso, para a construção de uma assistência integral. As práticas musicais aprimoram as habilidades dos futuros profissionais da saúde, por meio do olhar humanizado e afetivo ao ser cuidado, adquirido durante as intervenções.

Destarte, a extensão universitária conduz os acadêmicos a realizarem atividades com foco nas necessidades do público-alvo e contribui para o aprendizado de como planejar, implementar e avaliar ações inovadoras, processo que desperta para um pensamento crítico-reflexivo sobre qual conduta deve seguir diante de cada público/situação (Lima; Joventino; Silva et al., 2021).

No contexto de saúde-doença, especialmente, a implementação uma assistência integral e efetiva deve ser priorizada mediante o acolhimento da história e trajetória de cada paciente, sua cultura e espiritualidade. Para isso, é de suma importância que temas como cuidado holístico e espiritual integrem as grades curriculares das instituições de ensino, para que os acadêmicos possam conhecer e desenvolver novos recursos voltados para o cuidado, que garanta a dignidade do paciente e de seus familiares (Palmeira; Lopes; Neves, 2023).

Associada aos investimentos de melhoria de formação, nesse sentido, a educação permanente se mostra como uma alternativa importante na direção de melhorar a consciência e o aprimoramento de habilidades relacionais dos multiprofissionais de saúde. Iniciativas como palestras, discussões e trocas de experiências podem fundamentar a assistência e possibilitar um novo olhar e novas atitudes na prática, viabilizadas pela inovação nas ações de cuidado ao encontro das necessidades biopsicossociais e espirituais da pessoa hospitalizada (Oliveira; Oliveira; Ferreira, 2021).

A Teoria do Cuidado Transpessoal corrobora o cuidado em questão e, por isso, tem tido destaque em instituições de ensino em muitas partes do mundo, aplicada na educação de profissionais, como também na assistência à saúde, pela necessidade crescente de humanização das ações de cuidado (Valencia Contrera; Melita Rodríguez, 2022).

Portanto, o seu uso na visita musical do projeto AMA caracteriza-se como uma ferramenta assertiva no processo de formação de multiprofissionais de saúde, ao convergir com o preconizado nas diretrizes dos cursos de seus integrantes (Enfermagem e Psicologia), que agregam a ação interdisciplinaridade, também aprendida por seus participantes.

A Diretriz Curricular Nacional de Enfermagem destaca que a articulação entre ensino, pesquisa e extensão/assistência garante um ensino crítico, reflexivo e criativo. Assim, orienta os cursos de graduação a proporcionarem ao discente participar de atividades complementares que deverão ser incrementadas durante toda a graduação em Enfermagem. Prevê, portanto, que as instituições de ensino superior devem criar mecanismos de aproveitamento de conhecimentos adquiridos pelo estudante, por meio de estudos e práticas independentes, como os projetos de extensão (Brasil, 2001).

Já a Diretriz Curricular de Psicologia ressalta a importância da interdisciplinaridade, pois possibilita ao formando reconhecer as possibilidades de interação com a área da Psicologia, bem como com outras áreas do saber, em uma perspectiva de educação continuada. As atividades acadêmicas na graduação devem possibilitar aos discentes a aquisição de competências, habilidades e conhecimentos necessários ao seu futuro exercício profissional. Assim, essas atividades extensionistas funcionam como molas propulsoras para o desenvolvimento de competências previstas na sua profissão (Brasil, 2004).

Reitera-se, por fim, a grande relevância da prática interdisciplinar na formação e no trabalho em saúde, já que, a partir dela, se torna possível o compartilhamento de conhecimentos, saberes e experiências de diferentes áreas. As ações voltadas para essa prática têm como principal finalidade a busca por uma atenção integral ao indivíduo, família e comunidade, em que se distancia do modelo hegemônico de cuidado e se baseia nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa forma, os futuros profissionais de saúde têm a possibilidade de aprender novos caminhos para realizar cuidado e produzir saúde, pensando em todas as dimensões do indivíduo, família e comunidade (Ogata; Silva; Peduzzi et al., 2021).

Considerações Finais

O objetivo de conhecer a experiência de aprendizado de egressos extensionistas sobre o cuidado transpessoal realizado mediante visita musical às famílias no contexto da hospitalização foi alcançado, a partir do novo olhar reflexivo que esses egressos tiveram frente às suas práticas de cuidado.

A experiência vivida aponta para novos horizontes e possibilidades de transformação da formação universitária, mediante a reflexão coletiva no contexto da interdisciplinaridade, capaz de promover o reconhecimento da necessidade de novas condutas na atuação do enfermeiro e do psicólogo, na busca pela integralidade entre teoria e prática; ensino e aprendizagem; relação sala de aula e extensão; ciência e espiritualidade; cuidado humanizado e saber técnico.

O trabalho permitiu conjecturar, a partir da análise dos dados, o papel especial e importante de uma formação extensiva na vida pessoal e profissional do acadêmico da área de saúde, de modo que a extensão se apresentou como aliada essencial no ensino. Ela possibilitou uma interação entre discente e sociedade, que resultou em benefícios e aprendizado mútuo, regados por doces melodias e pela doação de sentimentos em uma via de mão dupla.

Destaca-se a relevância das Diretrizes Curriculares dos cursos de saúde, da Política Nacional de Humanização, assim como da Teoria do Cuidado Transpessoal, entre outras possibilidades de subsídio teórico. Trata-se de ferramentas capazes de agregar ao papel das instituições formadoras, ao fomentar uma atitude ética, compassiva e empática no profissional, por meio do tripé ensino-pesquisa-extensão. Tais requisitos corroboram, junto ao profissional, maior autoconhecimento e desenvolvimento de habilidades relacionais, humanísticas e inovadoras na formação profissional.

Conclui-se que a extensão universitária humanística e interdisciplinar em saúde oportuniza uma diferenciada formação profissional e, ainda, que Cuidado Musical e Cuidado Transpessoal se afinam na capacidade de melhorar as competências do acadêmico no cenário desafiador do cuidado integral ao ser humano.

As limitações deste estudo relacionam-se ao restrito cenário de sua coleta, ao passo que incentivam outras pesquisas e investimentos afins em outras realidades, o que certamente contribuirá para ampliação do estado da arte e, ainda, para acrescentar aos resultados aqui encontrados.

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