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<subject>Perspectivas</subject>
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<article-title xml:lang="pt">Inovações no ensino superior. Metodologias inovadoras de aprendizagem e suas relações com o mundo do trabalho: desafios para a transformação de uma cultura</article-title>
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<p> As discussões sobre método na cultura ocidental são bastante antigas. No período clássico da filosofia helênica, na reflexão de filósofos como Platão e Aristóteles, a acepção originária de método dizia respeito ao caminho a ser seguido — do grego meta = atrás, em seguida, através e hodós = caminho —, referindo-se aos passos que deveriam ser dados para se atingir um lugar ou um fim.   </p>
<p>  Recorrer, então, ao sentido etimológico de método torna-se bastante pertinente ao considerar a educação como esse fim e, especialmente, quando se debate amplamente, como agora, os melhores caminhos para a formação de homens e mulheres capazes de viver adequadamente em sociedade. E isso implica adoção de determinados papéis, com destaque para a atuação profissional, ou seja, ao mundo do trabalho.  </p>
<p>  Além dos filósofos gregos, o pensador chinês Confúcio escreveu, 500 a.C,  </p>
<p> “o que eu ouço, eu esqueço;  </p>
<p> o que eu vejo, eu lembro;  </p>
<p> o que eu faço, eu compreendo”. </p>
<p>  Mas por que se tem tornado tão imprescindível rediscutir os processos de ensino-aprendizagem necessários à formação para o trabalho? A resposta passa pelo reconhecimento das profundas modificações que transparecem no mundo contemporâneo, primeiramente, a velocidade das transformações nas sociedades laicas e plurais contemporâneas, em um contexto em que a produção de conhecimento é extremamente veloz, tornando ainda mais provisórias as verdades construídas no saber-fazer científico.  </p>
<p>  Por conseguinte, o processo de formar profissionais precisa considerar múltiplos fatores, seja a rapidez na produção de conhecimento, a provisoriedade das verdades construídas no saber científico e, sobretudo, a facilidade de acesso à vasta gama de informações e não apenas baseado na mera transmissão de conhecimentos. Hoje, sabemos que informação não é conhecimento; e que memória não é inteligência; e, principalmente, que tecnologia não é pedagogia. </p>
<p>  Esses três princípios impõem uma mudança paradigmática na educação escolarizada em todos os níveis, seja na concepção de quem e como aprende, de quem e como se ensina; seja na concepção de quem e como gerencia, na arquitetura dos currículo e nas relações das agências formadoras e das reguladoras com o mundo do trabalho.</p>
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<title>Aluno, Professor, Gestor, Mantenedor e Trabalho 

 </title>
<p> Nesse contexto, as metodologias ativas surgem como proposta para transformar o processo de ensinar e aprender na busca da participação ativa de todos os envolvidos, centrados na realidade em que estão inseridos.  </p>
<p>  Como enfrentamento ao modelo tradicional imposto e aceito a longo tempo, tem-se lançado mão das chamadas metodologias ativas de ensino e aprendizagem, nas quais é dado forte estímulo ao reconhecimento dos problemas do mundo atual, tornando os alunos capazes de intervir e promover as transformações necessárias. O aluno torna-se protagonista no processo de construção de seu conhecimento, sendo responsável pela sua trajetória e pelo alcance de seus objetivos, no qual deve ser capaz de autogerenciar e autogovernar seu processo de formação. Metodologia ativa de aprendizagem é, portanto, um processo amplo cuja principal característica é a inserção do aluno/estudante como agente principal responsável pela sua aprendizagem, comprometendo-se com seu aprendizado. Analisando-se a sociedade atual, observam-se transformações que provocam mudanças profundas na vida humana individual e grupal. O indivíduo nasce, educa-se, trabalha e passa a vida ligado a organizações, e estas, na realidade, são responsáveis pela consistência do destino social.  </p>
<p>  A dinâmica e a velocidade cada vez maior das mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais da sociedade contemporânea caracterizam o que se convencionou chamar de “novo milênio”. No passado, as mudanças significativas na vida humana exigiriam, no mínimo, o tempo correspondente a uma geração para ocorrer. O sentido de “novo milênio” identifica-se, assim, com as transformações globais que caracterizam o mundo contemporâneo. Informatização, globalização e sociedade do conhecimento são alguns fatores que estão pressionando o status quo da vida atual. Como decorrência, tem-se a consolidação da sociedade do conhecimento. Sobretudo, mudanças profundas de valores e crenças pessoais e culturais marcam a sociedade atual.  </p>
<p>  As instituições educacionais, atentas às mudanças e transformações, podem escolher fundamentalmente dois caminhos, um mais suave ‒ mudanças progressivas ‒ e outro mais amplo, com mudanças profundas.  </p>
<p> No caminho mais suave, elas mantêm o modelo curricular predominante – disciplinar – mas priorizam o envolvimento maior do aluno, com metodologias ativas como o ensino por projetos de forma mais interdisciplinar, o ensino “mesclado” e a sala de aula invertida (metodologia de ensino que propõe aulas menos expositivas e melhor utilização do tempo e conhecimento do professor). Essas, sempre, terão menos sucesso do que as demais. </p>
<p>  Outras instituições propõem modelos mais inovadores, sem divisão estanque de disciplinas, rompem com os modelos tradicionais e redesenham o projeto, os espaços físicos, as metodologias, baseadas em atividades, desafios, problemas, jogos, em que cada aluno aprende no seu próprio ritmo e necessidade, bem como aprende com os outros em grupos, no desenvolvimento de projetos, com planejamento e supervisão de professores orientadores. </p>
<p>  A escola padronizada, que ensina e avalia a todos de forma igual e exige resultados previsíveis, ignora que a sociedade do conhecimento é baseada em competências cognitivas, pessoais e sociais; e que estas não se adquirem da forma convencional e que exigem proatividade, colaboração, personalização e visão empreendedora.  </p>
<p>  A educação formal está num impasse diante de tantas mudanças na sociedade: como e em que ritmo evoluir para tornar-se relevante e conseguir que todos aprendam de forma competente a conhecer, a construir seus projetos de vida e a conviver com os demais.  </p>
<p>  Os processos de organizar o currículo, as metodologias, os tempos e os espaços precisam ser revistos. Essa situação reflete-se direto na educação superior, muitas vezes, motivando discussões que evidenciam um caráter contraditório. Por exemplo, quando observadas as normas e leis que regulamentam o Ensino Superior, individuam-se várias formas de interpretação dadas pelos interessados em sua implementação. Comumente, elas refletem a resistência que existe em função da defesa de modelos que atendem aos seus interesses comerciais. Investimento versus tempo versus lucro. </p>
<p>  Apesar de pressões da Lei de Diretrizes e Bases de 1996, das mudanças globais, de transformações na percepção quanto à qualidade de ensino, há uma tendência à manutenção das características atuais do ambiente ligado ao Ensino Superior, pois sua estrutura de poder é composta por diferentes blocos de interesse. Nas raízes da sua expansão, entretanto, observa-se a predominância dos critérios de busca de atendimento de necessidades voltadas para o mundo do trabalho, fazendo prevalecer critérios econômicos.  </p>
<p>  Isso é ruim? Claro que não. É absolutamente legítimo buscar sucesso, também, por meio de egressos bem-posicionados no mundo do trabalho. </p>
<p>  Um dos grandes desafios do Ensino Superior nos dias de hoje é formar profissionais capazes de enfrentar as mudanças tecnológicas, científicas e sociais, que estão e que sempre estarão em constante ebulição e avanço e, por conseguinte, obrigam-nos a buscar uma adaptação contínua às novas formas de vida e de trabalho em sociedade.  </p>
<p>  As instituições de Ensino Superior hoje, no Brasil, precisam corajosamente considerar o perfil de entrada de seus alunos e assumir a tarefa de repor aprendizagens essenciais que não foram construídas na educação básica. Ademais, assumir para si, também, o desafio de promover ambiente para o despertar e o desenvolvimento de iniciativa e criatividade, bem como favorecer oportunidades para que o aluno aprenda a aprender nos bancos escolares para poder aprender sempre depois deles. </p>
<p>  Nesta sociedade em construção e ebulição tecnológica, em que as transformações exigem constantes adaptações, precisamos olhar atenta e cuidadosamente para a educação a distância. Antes, vista como uma modalidade secundária ou especial para situações específicas, a EAD destaca-se, hoje, como um caminho estratégico para realizar mudanças profundas na educação como um todo.  </p>
<p>  É uma opção cada vez mais importante para aprender ao longo da vida, para a formação continuada, para a aceleração profissional, para conciliar estudo e trabalho. Ainda há resistências e preconceitos e estamos aprendendo a gerenciar processos complexos de EAD, mas um país com as dimensões do Brasil só pode conseguir superar sua defasagem educacional por meio do uso intensivo de tecnologias em rede, da flexibilização dos tempos e espaços de aprendizagem, da gestão integrada de modelos presenciais e digitais.  </p>
<p>  A educação a distância está modificando todas as formas de ensinar e aprender, inclusive, as presenciais, que começam a utilizar cada vez mais metodologias semipresenciais, flexibilizando a necessidade de presença física, reorganizando os espaços e tempos, as mídias, as linguagens e os processos. </p>
<p>  Para um futuro próximo, em razão dos desafios postos perante o avanço tecnológico e as mudanças da sociedade e da economia global, torna-se imperioso que as IES e o país busquem ajustes em reformas que vislumbrem questões significativas para que possamos competir no mercado internacional e, desse modo, consolidarmo-nos como referência acadêmica no Ensino Superior. </p>
<p>  Entre os desafios que, forçosamente, o Ensino Superior brasileiro precisa enfrentar, com vistas à transformação da cultura estabelecida, destacam-se:  </p>
<p> • Promoção de uma aprendizagem cooperativa (aprendizagem mais significativa é resultado de atos de cooperação); </p>
<p> • Desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais; </p>
<p> • Organização e proposição de tarefas e processos que ofereçam oportunidades concretas para o desenvolvimento de habilidades que favoreçam o aprender a aprender; </p>
<p> • Incentivo à criatividade. </p>
<p>  Em conclusão, a educação superior é uma instituição social, cujo papel fundamental é formar a elite intelectual e científica da sociedade à qual serve. Uma instituição social que se caracteriza pela estabilidade e durabilidade de sua missão e é estruturalmente assentada em normas e valores emanados do grupo ou da sociedade em que se insere.  </p>
<p>  Uma instituição social é, fundamentalmente, um ideal, uma doutrina. Assim, a educação superior é uma instituição social, estável e duradoura, concebida com base em normas e valores da sociedade. Ela é, acima de tudo, um ideal destinado, enquanto integrador de um sistema, à qualificação profissional e promoção do desenvolvimento político, econômico, social e cultural.  </p>
<p>  Refletir sobre como adotar e implantar “metodologias inovadoras de aprendizagem e suas relações com o mundo do trabalho como um desafio para a transformação de uma cultura” é, pois, uma imposição.   </p>
<p>  Sem se atualizar a instituição de Ensino Superior perde a oportunidade de cumprir seu papel fundamental na formação humana de cidadãos para uma atuação efetiva e uma consciência crítica no mundo do trabalho e na sociedade. </p>
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<mixed-citation>BACICH, L.; MORAN, J. Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora. PortoAlegre: Penso, 2017. ISBN: 978-85-308-0996-6</mixed-citation>
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<mixed-citation>JAEGER, W. Paidéia: a formação do homem grego. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes;1995.</mixed-citation>
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