Editorial

Prezados leitores(as) da RAEP,
Fizemos nos primeiros meses de 2018 um processo de escuta aos acadêmicos que têm atuado na área de ensino e pesquisa em Administração e, dentre esses, uma parcela significativa que têm apoiado a RAEP, seja por meio das avaliações, seja por intermédio de suas pesquisas e publicações. Tivemos dois objetivos: buscamos estreitar o relacionamento com os docentes e pesquisadores, assim como procuramos definir nossas ações e prioridades com base nas demandas apontadas pelos profissionais do campo de ensino, pesquisa e aprendizagem em Administração do país.
Obtivemos 103 respostas, entre os meses de fevereiro e abril, de 67 Instituições de Ensino Superior – IES, das cinco regiões do país, e os principais resultados foram: 91,4% são doutores ou doutorandos e 8,6% mestres ou mestrandos, indicando uma alta qualificação acadêmica; são profissionais experientes, pois 83% dos respondentes têm, no mínimo, cinco anos de atuação na área; 55% deles atuam nos cursos de graduação ou pesquisam esse nível de formação, 31% são pesquisadores em Programas de Pós-graduação stricto sensu e 14% atuam majoritariamente em cursos de Pós-graduação lato sensu; para 54% o ensino e pesquisa em Administração é a principal temática de trabalho.
Os interesses dos respondentes estão concentrados em questões didáticas e aspectos aplicados do ensino e da pesquisa, tais como: Casos para Ensino em Administração (considerado prioritário para 15%), Estratégias e Métodos de Pesquisa Quantitativos e Qualitativos (relevante para 14%), Formação do Professor e do Pesquisador (indicado como relevante por 13%) e Ação Docente e Ambiente de Aprendizagem (apontado como importante por 11%).
Há diversos outros achados, mas acreditamos ser válido destacar dois aspectos – (i) propostas simples e inovadoras para o ensino e aprendizagem em Administração, tais como o fomento e a disponibilização de vídeos como complemento aos Casos de Ensino e como recurso didático aos professores de graduação e também a disponibilização de situações-problema e que permitam aos docentes a aplicação do PBL (Problem Based Learning) em sala de aula e (ii) necessidade de se abordar o prazer e o sofrimento do docente e do pesquisador, assim como questões como assédio docente e discente, o produtivismo, enfim, o trazer à tona reflexões sobre universo vivido pelos professores e pesquisadores em Administração; (iii) outra demanda que emergiu foi a necessidade de mais espaço para as pesquisas que tenham impacto nas organizações, assim como nas práticas de ensino, ou seja, privilegiar pesquisas aplicadas e de pesquisa-ação.
Nesta segunda edição de 2018, apresentamos quatro artigos e dois casos de ensino. Buscamos artigos que pudessem contribuir com a reflexão e a prática da pesquisa em Administração. Os casos de ensino, por sua vez, tendem a contribuir como um recurso didático e pedagógico aos professores em sala de aula.
O primeiro artigo de Breno de Paula Andrade Cruz da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ e de Steven Dutt Ross da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, intitulado “Caminhos Sinuosos: Os Deslizes nos Estudos em Administração Pública e de Empresas” trata dos 13 deslizes comuns encontrados em estudos no campo de Administração Pública e de Empresas no Brasil os quais foram agregados em três grandes categorias: (i) “Falta de Reflexão”, (ii) Deslizes na Utilização do Método” e (iii) “Deslizes no Sentido de Fazer Ciência”. É um texto que busca contribuir para que as pesquisas sejam mais consistentes e relevantes, tanto para questões teóricas, como também empíricas.
Em seguida, os autores Alfredo Ribeiro Cárdenas do Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC, Tiago da Costa da Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS, Graziela Dias Alperstedt e Simone Geisi Feuerschütte da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC apresentam o artigo denominado “O Uso da Triangulação em Teses e Dissertações de Programas de Pós-Graduação em Administração No Brasil”. O artigo teve como objetivo identificar, analisar e exemplificar o uso da triangulação em teses e dissertações da área da Administração no Brasil. Os resultados apontam que existe um predomínio da triangulação entre métodos, assim como o uso escasso da triangulação de teorias. Tal pesquisa colabora para o rigor científico das teses e dissertações no país.
O terceiro artigo “Triangulação em Estudos de Caso: incidência, apropriações e mal-entendidos em pesquisas da área de Administração” escrito por Camila Bruning da Universidade Federal do Paraná – UFPR, Luciana Godri da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC-PR e Adriana Roseli Wünsch Takahashi da Universidade Federal do Paraná – UFPR apresenta uma análise bibliométrica na qual se busca identificar a incidência do uso e apropriações da triangulação como estratégia metodológica em Estudos de Caso. As pesquisadoras apontam os mal-entendidos e apresentam sugestões para garantir o correto uso da triangulação em Estudos de Caso. O trabalho é útil aos pesquisadores que buscam aperfeiçoar os procedimentos metodológicos e dos relatos de pesquisa.
O quarto artigo dos autores Sandro Vieira Soares, Icaro Roberto Azevedo Picolli e Jacir Leonir Casagrande da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL com o título “Pesquisa Bibliográfica, Pesquisa Bibliométrica, Artigo de Revisão e Ensaio Teórico em Administração e Contabilidade” buscou com base em livros-texto de metodologia e fontes complementares, delinear aspectos em comum, assim como as distinções entre os tipos de pesquisa investigados. Trata-se de uma contribuição aos que não têm a suficiente clareza de tais procedimentos de pesquisa.
O primeiro caso de ensino, em inglês, com o título “Growing Fast and Profitably in High Competitive Telecom Industry: The GVT´s Case” dos autores Bruno Henrique Rocha Fernandes da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC-PR, Francisco Sergio Barbosa da Silva da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP e Rodrigo Vinícius Sartori da Universidade Positivo – UP busca compreender as características e limitações dos conceitos tradicionais de modelos de negócios, auxiliando os docentes, especialmente dos programas de mestrado e doutorado em Administração, discutir e refletir sobre a estratégia de diferenciação, execução consistente, gerenciamento de processos e capacidades de aprendizagem.
Finalmente, o segundo caso de ensino “Ser ou não ser gay-friendly: O Caso da Beauty Factor” das autoras Estela Maria Hoffmann, Maria José Barbosa de Souza e Ana Paula Kieling da Universidade do Vale do Itajaí – Univali trata do dilema da equipe de Marketing com base na seguinte questão: qual a melhor forma de anunciar o produto para o segmento homossexual sem desconsiderar os interesses dos segmentos atendidos pela empresa até o momento? A ideia é estimular os alunos dos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Administração de Empresas, Marketing e Publicidade e Propaganda a debaterem a estratégia de Marketing, a segmentação de mercado, e a publicidade e propaganda.
Os artigos e casos, anteriormente comentados, reforçam o compromisso da RAEP com pesquisas e trabalhos que possam contribuir com o avanço do conhecimento, assim como colaborar com as práticas de ensino e pesquisa na área de Administração. Ainda assim, sabemos que o desafio de atender as demandas dos acadêmicos dedicados à pesquisa e ao ensino não é algo simples e trivial. Por essa razão, gostaríamos de agradecer, especialmente, aos 103 profissionais que compartilharam conosco suas ideias, críticas e sugestões de forma que a RAEP possa contribuir, cada vez mais, com o ensino, pesquisa e aprendizagem em Administração no Brasil.
Edson Sadao Iizuka
Editor Científico