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MEMES NO FACEBOOK: LETRAMENTO CRÍTICO NA ESCOLA PÚBLICA A PARTIR DO HUMOR
MEMES ON FACEBOOK: CRITICAL LITERACY AND CRITICAL DISCOURSE ANALYSIS FROM THE HUMOR
MEMES EN FACEBOOK: ALFABETIZACIÓN CRÍTICA Y ANÁLISIS DE DISCURSO CRÍTICO DESDE EL HUMOR
Periferia, vol. 11, núm. 1, pp. 33-53, 2019
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Número Temático


Resumo: Resumo

Os memes presentes em nosso cotidiano são vistos como elementos de diversão e entretenimento, mas podem ser utilizados também como ferramenta de aprendizagem. Eles circulam em espaços digitais como Facebook, gerando interação e comunicação, sobretudo a partir do humor, nos comentários compartilhados em redes sociais. O desafio da prática pedagógica é associar o humor dos memes ao ensino de forma geral e, neste trabalho em específico, ao ensino de língua portuguesa. Este artigo tem por objetivo investigar como os memes podem ser utilizados nas aulas de língua portuguesa, para promover o letramento crítico dos alunos na escola pública. Apoiamos-nos nas discussões de GNL (1996) e Rojo (2012, 2013) sobre letramentos, bem como nos estudos sobre letramento crítico a partir da Análise de Discurso Crítica (ADC) de Fairclough (2001; 2003). Para atingir nosso objetivo, selecionamos um corpus, composto por dois memes de domínio público, cujo critério seja o de apresentar críticas sociais a partir do humor. Em seguida, analisamos o objeto de estudo à luz das categorias: a) Intertextualidade, b) Interdiscursividade, c) Avaliação, associadas ao letramento crítico e baseadas nos significados do discurso: acional, representacional e identificacional da ADC. Como resultado, espera-se que, além do humor utilizado para gerar interação, os alunos percebam a crítica social contra a perda de direitos adquiridos, racismo, ironia e explanem isso nos diversos eventos comunicativos dentro e fora da escola.

Palavras-chave: ensino, memes, letramento crítico.

Abstract: Abstract

The memes present in our daily lives are seen as elements of fun and entertainment, but can also be used as a learning tool. They circulate in digital spaces such as Facebook, generating interaction and communication, especially from humor, in shared comments on social networks. The challenge of pedagogical practice is to associate memes' humor with teaching in general and, in this specific paper, with teaching Portuguese. This article aims to investigate how memes can be used in Portuguese language classes to promote the critical literacy of students in the public school. We support the discussions of The New London Group (1996) and Rojo (2012, 2013) about literacy, as well as in studies on critical literacy from Fairclough's Critical Discourse Analysis (ADC) (2001; 2003). To achieve our goal, we analyze a corpus, composed of two memes of public domain, whose criteria is to present social critiques from the humor. Next, we analyze the object of study in the light of the categories: a) Intertextuality, b) Interdiscursivity, c) Assessment, associated to critical literacy and based on the meanings of the ADC's, representational, representational and identificational discourse. As a result, it is expected that, in addition to the humor used to generate interaction, students perceive social criticism against loss of acquired rights, racism, irony, and explain this in the various communicative events inside and outside of school.

Keywords: teaching, memes, critical literacy.

Resumen: Abstract

Los memes presentesennuestrocotidiano son vistos comoelementos de diversión y entretenimiento, peropueden ser utilizadostambiéncomoherramienta de aprendizaje. Elloscirculanenespaciosdigitalescomo Facebook, generandointeracción y comunicación, sobretodo a partir del humor, en los comentarioscompartidosen redes sociales. El reto de la prácticadocente es asociar el estado de ánimo de los memes en la enseñanza general y estetrabajoen particular, laenseñanza del idiomaportugués. Este artículotienecomoobjetivoinvestigarcómo los memes pueden ser utilizadosenclases de portugués para promover la lecturacrítica de los estudiantesen las escuelaspúblicas. Se apoyóen las discusiones de GNL (1996) y Rojo (2012, 2013) sobre las letras, asícomoen los estudiossobre la letracrítica del análisis de discursoscríticos de Fairclough (2001; 2003). Para alcanzarnuestroobjetivo, analizamos un corpus, compuesto por dos memorias de dominiopúblico, cuyocriterio es el de presentarcríticassociales a partir del humor. A continuación, analizamos el objeto de estudio a la luz de las categorías: a) Intertextualidad, b) Interdiscursividad, c) Evaluación, asociadas al letracrítico y basadasen los significados del discurso: acional, representacional e identificacional de la ADC. Como resultado, se espera que, además del humor utilizado para generarinteracción, los alumnosperciban la crítica social contra la pérdida de derechos adquiridos, el racismo, la ironía y lo explicanen los diversoseventoscomunicativos dentro y fuera de la escuela.

Palabras clave: enseñanza, memes, alfabetizacióncrítica.

MEMES NO FACEBOOK: LETRAMENTO CRÍTICO E ANÁLISE DE DISCURSO CRÍTICA A PARTIR DO HUMOR

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Os espaços digitais e as práticas sociais têm ganhado relevância nos últimos trinta anos e tem nos trazido mudanças na forma de comunicação, revendo conceitos, como o de letramento, discutido desde a década de 1970 nos EUA, que leva(va) em consideração os usos sociais da escrita e da leitura (SOARES, 2003). Segundo o Grupo de Nova Londres (GNL, 1996), este conceito já não dá conta das práticas sociais vividas, e Rojo (2013, p.236) traz uma discussão pertinente ao cenário da educação do país:

O que temos no Brasil hoje é um problema com os letramentos do alunado (e da população em geral). Não será o ensino de regras da língua, das estruturas dos textos, das formas dos gêneros ou das escolas literárias que poderá dar jeito nisso, mas sim eventos escolares da letramento que provoquem a inserção do alunado em práticas letradas contemporâneas e, com isso, desenvolvam as competências/capacidades de leitura e escrita requeridas na atualidade (alfabetismos).

Na esteira do pensamento da pesquisadora, uma pessoa considerada letrada deve construir sentido em textos constituídos por múltiplas fontes de linguagens, bem como ser capaz de se comunicar incorporando essa diversidade. Rojo e Moura (2012) afirmam que o significado do texto depende do contexto de construção da obra, dos objetivos do autor, do momento em que é lido e ressignificado de acordo com o tempo histórico, os leitores, as situações de leitura e as novas práticas multimodais e letradas. Os significados podem ser modificados pelo processo histórico, político e social, ou seja, devemos considerar quem é o produtor do texto, de que lugar produziu, em que momento histórico e qual o objetivo pretendido; ao mesmo tempo em que as interpretações também podem variar de acordo com o momento histórico, a classe social e os fatores políticos em que o texto é lido. É sobre a questão da construção do sentido e competência linguística e leitora que este trabalho versa.

De acordo com os PCN (BRASIL, 1998), “a escola tem a função de tornar os cidadãos aptos para se manifestarem, linguisticamente, na vida em sociedade,” e espera-se que o aluno amplie o domínio ativo do discurso nas diversas situações comunicativas, sobretudo nas instâncias públicas de uso da linguagem [...], ampliando suas possibilidades de participação social no exercício da cidadania. (id., p. 33). Espera-se que o alunado consiga distinguir diversificados discursos que emanam de textos pertencentes a diferentes gêneros e, em tempos de fakenews, nós, professores, e as agências de letramento têm a responsabilidade de fornecer ferramentas teóricas e metodológicas para que isso seja possível nos diferentes níveis de ensino. Uma dessas possibilidades é trazida pela Pedagogia dos Multiletramentos (GNL, 1996), espraiada desde fins dos anos 1990 pelo mundo e divulgada, sobretudo com os trabalhos de Rojo (2012) pelo Brasil.

A autora sugere que o trabalho na escola esteja voltado a possibilitar práticas, em que os alunos se tornem criadores de sentido, ou seja, se tornem analistas críticos capazes de transformar os discursos produzidos nos eventos comunicativos. Inserido na grande área de Ensino, na CAPES, este trabalho tende a contribuir para o empoderamento do aluno da escola pública, ampliando as discussões sobre ensino e práticas discursivas utilizadas na aprendizagem. Em suma, buscamos aqui investigar como os memes podem ser utilizados nas aulas de língua portuguesa, para promover o letramento crítico dos alunos na escola pública.

Para efeito de organização, dividimos o artigo em quatro subseções, além destas considerações iniciais que agora são lidas: o item 2 traz a concepção de Letramento Crítico que nos ampara; no 3, mostramos o que se entende por meme e sua relação com o ensino; no 4, trazemos a metodologia da pesquisa, seguindo para resultados e discussões no item 5.

2 LETRAMENTO CRÍTICO NA PERSPECTIVA DA ANÁLISE DE DISCURSO CRÍTICA

Street (2012) aborda o letramento crítico a partir de seu modelo ideológico, onde o letramento é um campo para investigar os processos de hegemonia, as práticas e os discursos em competição. Nessa abordagem, a leitura e a escrita são práticas sociais transpostas por relações de poder que necessitam de uma abordagem que considere a multiplicidade cultural e semiótica, bem como a influência ideológica dos discursos.

Janks (2012) define letramento crítico como prática social, que reflete sobre desigualdades diversas, dentre elas, de linguagem, etnia, gênero e classe, buscando igualdade e justiça por meio da conscientização crítica dos indivíduos sociais. Dialoga com as transformações no ambiente de comunicação contemporâneo convocando o emprego explícito de uma perspectiva crítica de ensino, buscando a participação consciente e informada dos alunos nas diferentes esferas da sociedade atual. Portanto, concluímos que o leitor crítico reflete sobre o que lê, interpreta os possíveis conceitos e se posiciona em relação à ideia apresentada. Incentivar ações pedagógicas, de ordem crítica, que considerem o caráter inseparável do texto com seu contexto, significa investigar com a mesma rigidez e criteriosidade, tanto os aspectos linguísticos e textuais quanto a dinâmica contextual que gera os textos (CATTO, 2015, p. 58).

Neste trabalho, buscamos interligar os conceitos de letramento crítico com os estudos sobre a ADC de Fairclough (2003), voltado, sobretudo, para os textos midiáticos. A ADC é uma teoria jovem e se tornou disciplina a partir de 1990. Essa área de estudo investiga a influência das relações de poder, entre linguagem e sociedade, voltada à transformação social, analisando as interações sociais com base na análise de textos, mas não se trata de um estudo puramente sociológico, e sim da relação entre o elemento linguístico e o elemento social. Nessa abordagem sociodiscursiva, discurso e prática social têm fundamental importância para a ADC e abrange várias conceituações, mas nos interessa aqui o conceito de Fairclough (2001, 2003) que entende discurso como parte da prática social, ligada a outros elementos, tais como: o mundo material, as relações sociais e os sujeitos com suas crenças e valores.

Combinando alguns termos da Linguística Sistêmico-Funcional (LSF) às finalidades da ADC, o autor propõe três tipos de significados do discurso que ocorrem simultaneamente: o acional, o representacional e o identificacional. O acional reflete o modo de ação e interação, ou seja, é como o gênero textual atua nas práticas sociais, é a ação propriamente dita. O significado representacional relaciona-se ao discurso, como o modo de representar o mundo material, mental e social. O significado identificacional corresponde ao modo de ser, ao estilo como o aspecto linguístico e semiótico constrói a identidade. Com base nesses significados do discurso, nos interessa tratar neste trabalho a ação e a interação entre leitor e texto, a representação do discurso e a recontextualização/reflexão do leitor em relação ao texto.

Para Fairclough (2001, p.90), o discurso é visto como um fenômeno que vai além da realização linguística, e “o uso da linguagem como forma de prática social”. Nosso estudo trata da análise das práticas discursivas onde os leitores (sujeitos) são, além de falantes e ouvintes, “atores ou agentes sociais” (FAIRCLOUGH, 2003, p. 223) que agem e interagem através da linguagem influenciando ou sendo influenciado.

Nós poderíamos dizer que nenhuma das atuais instâncias da língua em uso é um texto – embora isso seja muito limitado, porque textos tais como programas de televisão envolvem não só a língua, mas também imagens visuais e efeitos sonoros. O termo língua será usado em seu sentido mais usual, para significar linguagem verbal – palavras, sentenças etc. Dessa forma, podemos falar de língua em um sentido mais geral. [...] O termo discurso (no qual está evocada largamente a análise de discurso) sinaliza a visão particular da língua em uso, como eu me referi acima, como um elemento da vida social que está estreitamente interconectado com outros elementos (FAIRCLOUGH, 2003, p. 3)[3]

Em relação à representação do discurso, Fairclough (2003) explica que a ADC possibilita a análise de elementos explícitos no enunciado e também disponibiliza meios para revelar o implícito, o não dito, presentes em textos verbais ou não verbais. Abordar na prática a representação dos discursos possibilita aos leitores condições para serem sujeitos ativos com liberdade para selecionar os elementos linguísticos que melhor conceituem suas ideologias, construindo identidades e relações de poder, que, segundo Fairclough (2001), são “maneiras não-óbvias pelas quais a língua se envolve em relações sociais de poder e dominação”.

O conceito de recontextualização utilizado em nosso trabalho é trazido por Motta-Roth e Lovato (2011, p. 253):

processo de transferência de textos de um contexto a outro e envolve o “deslocamento do campo” original e a “recolocação do discurso” (CHOULIARAKI; FAIRCLOUGH, 1999, p. 91) do seu contexto primário de produção para outro contexto de práticas sociais. É o processo de movimentação de discursos e gêneros de um contexto de práticas sociais para outro, dentro da rede de articulação entre práticas sociais.

Para Fairclough (2003), quando representamos um evento social, estamos inserindo-o em um novo contexto, de outro evento social, e, portanto, recontextualizando-o, ou seja, é a reflexão feita pelo leitor seguida de seu posicionamento, sua releitura. Embora, quando pensou no conceito, o autor não estivesse falando exatamente das práticas sociais e discursivas que acontecem especificamente na internet, assumimos que os conhecidos memes (DAWKINS, 1976; RECUERO, 2009), que circulam em sites de redes sociais e aplicativos de telefonia móvel, são bons exemplos de recontextualização. A seguir veremos a utilização do meme no ensino.

3 O MEME COMO FERRAMENTA DE LC NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

O termo meme surgiu com o biólogo Dawkins (1976), quando o pesquisador fez uma analogia com o gene, sob o argumento de que ambos funcionam como replicadores, ou seja, criam cópias de si. Enquanto os genessão replicadores biológicos, pois repassam para gerações futuras uma quantidade de informações que podem durar bilhões de anos, os memesseriam um outro tipo de replicador, sobretudo de ideias, que podem levar a outros tipos de evoluções, como a que acontece nas culturas humanas. O meme é uma “unidade de transmissão cultural, ou unidade de imitação” (DAWKINS, 2007, p. 330). Melodias, moda de vestuário, slogans, estilos musicais etc. e seriam exemplos de memes para o autor.

Defendemos que os gêneros também são bons exemplos de memes, uma vez que, como ações retóricas tipificadas baseadas em situações recorrentes (MILLER, [1984] 2009), surgem de outros gêneros, de negociação de linguagem, ao sabor das necessidades enunciativas de uma determinada cultura, com o fim de atender a determinados propósitos. Logo, os gêneros são copiados e utilizados em contextos específicos, para responder a ações sociais, por um grupo de indivíduos pertencentes a uma comunidade, o que acaba se dando por imitação. Quando se chega à internet, alguns memes podem marcar uma cultura específica, a que Santaella (2008) chama de cultura digital.

Construímos esse argumento para defender que os memes são excelentes mecanismos de trabalho com textos orais e escritos em sala de aula, seguindo o que propõem os PCN desde 1998 (BRASIL, 1998), quando recomendam que o trabalho com textos orais e escritos na escola ampare-se nos gêneros textuais, pois entende-se que eles são fortes aliados no processo de ensino/ aprendizagem da Língua Portuguesa. É nas séries iniciais que a criança aprende a interpretar o mundo onde ela convive, e isso significa que sua aprendizagem está estritamente ligada a atributos culturais e sociais que podem ser representados por meio da leitura e da escrita. Segundo o PCN, Língua Portuguesa:

Considerando os diferentes níveis de conhecimento prévio, cabe à escola promover a sua ampliação de forma que, progressivamente, durante os oito anos do ensino fundamental, cada aluno se torne capaz de interpretar diferentes textos que circulam socialmente, de assumir a palavra e, como cidadão, de produzir textos eficazes nas mais variadas situações. (BRASIL, 1998, p.23).

Este é o motivo, portanto, de partirmos do universo do Facebook como importante espaço de escrita da linguagem online. Os memes interessam-nos não só por serem uma prática presente no cotidiano escolar e extra-escolar (online) dos alunos, mas também por apresentarem aspectos linguístico-textuais, semânticos, pragmáticos e discursivos relevantes no processo de desenvolvimento da competência discursiva e comunicativa.

Os memes, independentemente dos gêneros que ali se realizam, são carregados de valores ideológicos e, assim sendo, as práticas de letramento devem levar o sujeito a uma postura de discernimento, de questionamento, de consciência crítica frente às imagens lidas. Além de conhecer o funcionamento desses textos, essa prática discursiva pode tornar os alunos mais conscientes de suas escolhas, como afirma Rocha (2007, p.73):

Levar os alunos a reconhecerem esses modos de manobra da ideologia e introduzi-los em formas arrojadas de letramento é fortalecê-los para que se tornem sujeitos conscientes, críticos, emancipados para uma participação cidadã e, assim, tornarem-se aptos a fazer suas escolhas.

Por essa razão, a escola precisa estar atenta ao uso crescente de práticas discursivas, como o meme, procurando proporcionar aos alunos as condições necessárias para que eles cheguem ao LC. É importante que o leitor esteja apto a ler as diferentes linguagens que lhe são apresentadas, sendo capaz, portanto, de conferir sentido ao que lê e de utilizar essa prática de leitura em situações cotidianas da sua vida. Lima-Neto (2014) sintetiza que o meme, de uma forma geral, tem sido utilizado para nomear os mais variados tipos de artefatos verbo-visuais que se replicam na web por um determinado tempo, mas os usuários tendem a utilizá-lo sem exatamente saber do que se trata e, por falta de nomes próprios para o que acontece no Facebook, rotulam tudo o que veem sob o nome de meme. Ao que parece, o fato de determinado elemento se replicar indiscriminadamente na rede (por meio de ferramentas dos ambientes digitais, como “compartilhar”) já é garantia de tal elemento ser nomeado como meme.

Dawkins entende que tanto os genes quanto os memes são replicadores, mas de ordem diferente. Enquanto os genes se replicam em seres vivos, por meio de uma carga genética repassada via esperma ou óvulos, os memes se replicam de mente em mente, pulando de um cérebro para outro. Os seres humanos, então, seriam máquinas de reprodução de ideias também. Se uma ideia é bem concebida, é eficaz e tem um propósito que pode ajudar uma espécie, ela deve ser imitada e se propaga numa cultura. (LIMA-NETO, 2014, p. 111-112).

Com base nesse arrazoado teórico, a nossa proposta foi a de observar, a partir dos memes compartilhados em redes sociais, como essa prática pode ajudar os alunos a se posicionarem sobre questões relacionadas ao racismo, à violência, ao sexismo, ao controle institucional, à identidade nacional, dentre outros temas discutidos nas mídias. Analisaremos o letramento crítico dos alunos, que revelam os discursos que possuem relacionados aos elementos sociais do seu cotidiano.

A partir dessa premissa, levantamos alguns questionamentos em relação aos memes e aos significados do discurso: 1) O meme consegue cumprir o princípio da ADC, ou seja, consegue relacionar o componente linguístico (língua portuguesa) com o componente social (letramento crítico)? 2) O meme produz uma ação/interação com o aluno? 3) Consegue representar um determinado discurso? 4) Ele consegue construir ou desconstruir uma identidade ou representação ideológica?

Com base nos significados do discurso da ADC, sugerimos algumas categorias para análise dos comentários sobre memes compartilhados no Facebook: a) Intertextualidade, b) Interdiscursividade, c) Avaliação. Abordaremos a partir de agora sobre essas categorias e os procedimentos metodológicos seguidos da análise.

4 CATEGORIAS DE ANÁLISE À LUZ DA ADC

Fairclough (2003) afirma que os três significados: acional, representacional e identificacional atuam simultaneamente em todo enunciado. Ele explica que o discurso representa partes das práticas sociais, na relação entre textos e eventos de três formas: modos de agir, modos de representar e modos de ser. Então cada modo de interação entre discurso e prática social equivale a um significado. O autor ainda postula uma correspondência entre ação e gêneros, representação e discursos, identificação e estilos. Gêneros, discursos e estilos são modos relativamente estáveis de agir, de representar e de identificar, respectivamente.

Para Resende e Ramalho (2006, p.61), “a análise de discurso deve ser simultaneamente à análise de como os três tipos de significado são realizados em traços linguísticos dos textos e da conexão entre o evento social e práticas sociais, verificando-se quais gêneros, discursos e estilos são articulados nos textos”. Diante dessas considerações, selecionamos as seguintes categorias de análise: a) Intertextualidade, b) Interdiscursividade, c) Avaliação, explicadas a seguir.

De acordo com Resende e Ramalho (2006), quando se analisa um texto em termos de gênero, o objetivo é examinar como o texto figura na (inter)ação social e como contribui para ela em eventos sociais concretos. Segundo as autoras (2006, op cit., p.64), “em decorrência de sua mobilidade e dialogicidade características, os gêneros estão sempre submetidos à reformulação nas interações semióticas, o que torna difícil trabalhar com uma proposta tipológica fixa”. Por este motivo, dentre as categorias de análise do significado acional, selecionamos a categoria de Intertextualidade devido à dificuldade em enquadrar o meme numa estrutura genérica para analisar os elementos relativamente estáveis do gênero.

A intertextualidade é uma categoria de análise complexa, a partir da qual os textos são dialógicos, ou seja, todo texto articula vozes, de quem pronuncia um enunciado com outras vozes articuladas. Ainda corroborando com Resende e Ramalho (2006), a intertextualidade cobre uma gama diversa de possibilidades, como verificação de quais vozes são incluídas e quais são excluídas, isto é, que ausências significativas podem ser observadas, assim como que presenças.

Nossa segunda categoria de análise é a Interdiscursividade, relacionada ao conceito de discurso como modo de representação de aspectos do mundo, a partir do significado representacional dos textos. Na leitura de Resende e Ramalho (op.cit., p.71), um mesmo texto pode envolver diferentes discursos, e a articulação da diferença entre eles pode realizar-se de muitas maneiras, variando entre a cooperação e a competição, podendo haver um discurso “protagonista” e um discurso “antagonista”.

Finalizando as categorias de análise, relacionamos o conceito de “estilo” ao significado identificacional. Para Resende e Ramalho (2006), estilos constituem o aspecto discursivo de identidades, ou seja, a identificação de atores sociais com os textos. Fairclough (2003) compreende identificação como um processo dialético, onde discursos produzem identidades.

Nesse processo, identidade e diferença são definições dependentes. Segundo as autoras, por serem construções simbólicas, identidades e diferenças são instáveis, sujeitas a relações de poder e a lutas por sua (re)definição. A partir desse contexto e das categorias relacionadas ao significado identificacional, selecionamos para nossa análise a Avaliação. Para Resende e Ramalho (2006), essa categoria sugere afirmações avaliativas (juízo de valor), afirmações com verbos de processo mental afetivo e presunções valorativas. Conceituando cada uma, as afirmações avaliativas são enunciados acerca do que é considerado desejável ou indesejável, relevante ou irrelevante. As afirmações com verbos de processo mental e afetivo recebem essa denominação por marcar explicitamente a afirmação como sendo do autor. As presunções valorativas são os casos em que a avaliação depende não só do que está explícito em um texto, mas também do que está implícito ou presumido. Na próxima seção, explanamos sobre a metodologia e análise dos dados a partir das categorias aqui descritas.

5 SOBRE A METODOLOGIA E A ANÁLISE DE DADOS

Este trabalho se inscreve numa perspectiva qualitativa, priorizando a compreensão de um grupo social (SILVEIRA; CÓRDOVA, 2009), ou seja, descreve as relações dos indivíduos em um evento comunicativo e busca, dentro dos limites da pesquisa qualitativa, alcançar os resultados mais fidedignos possíveis. Segundo Silveira (id., p. 32), os pesquisadores que adotam os métodos qualitativos explicam o porquê das coisas, sugerindo o que pode ser feito, mas não quantificam os valores nem se submetem à prova de fatos, pois os dados analisados são não-métricos (suscitados e de interação) e se valem de diferentes abordagens.

Queremos investigar se a utilização de memes compartilhados no Facebook oferece subsídios para desenvolver o letramento crítico nas aulas de língua portuguesa. Em suma, é possível que os memes, nas aulas de LP, auxiliem o aluno a ler, interpretar e se posicionar diante de uma ideia apresentada?

Para a escolha do corpus, coletado no período de abril a julho de 2017, selecionamos vinte textos cuja nomeação tem sido dada popularmente por meme no Facebook, cujos critérios são os seguintes:

1. Propósito crítico de interesse social (temas polêmicos na sociedade atual, como política, aborto, religião, racismo);

2. Propagação com mais de 10.000 compartilhamentos.

Para este trabalho em específico, trazemos uma amostragem de dois desses memes.

Figura 1: Meme político

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/27/ciencia/1495899503_382776.html

O primeiro meme trata da polêmica envolvendo o atual presidente Michel Temer, quando sua assessoria de imprensa enviou, em maio de 2017, uma notificação para os principais representantes de comunicação e mídias[4], onde avisava o seguinte, sobre fotografias divulgadas a partir da Presidência:

[...] estão liberadas para uso jornalístico e divulgação das ações governamentais. Para outras finalidades, é necessária autorização prévia da Secretaria de Imprensa da Presidência da República.

As “outras finalidades” a que a nota se referia era criação de memes sobre o Presidente. É evidente que, num ambiente democrático, volátil e dinâmico como a internet, espaço digital cujos usuários têm maior liberdade de expressão, desde que não infrinjam as leis que regem o país, a solicitação da assessoria do Governo não foi atendida; ao contrário, serviu como criação de diversos memes, dentre eles o que está em tela.

Iniciando a análise pela categoria intertextualidade, podemos identificar no meme que o discurso é polifônico, marcado por uma articulação de vozes. A voz presente no texto responde a uma pergunta feita por uma voz ausente, que pode ser inferida pelo leitor: “Podemos desligar a internet de quem faz memes?”. O próprio uso das aspas (“) no trecho: “desligar a internet” nos remete a esse pressuposto e comprova a citação desse enunciado em outro texto. A partir da voz do enunciador, o leitor pode perceber que este meme é uma recontextualização de um outro texto que também pode ser inferido, onde há uma proibição de se usar fotos do presidente para fazer memes.

Na categoria interdiscursividade, podemos perceber a representação de diferentes discursos que se articulam, sendo os principais o discurso político, o de dominação e o humorístico. O primeiro se caracteriza, segundo Van Dijk (1997), por estar vinculado às práticas e ações de seus atores ou autores, os próprios políticos. Tal perspectiva vai ao encontro de Fairclough e Fairclough (2012), que assumem que o discurso político só pode ser anexado aos atores políticos, engajados nos eventos e processos políticos. Logo, termos como ação . legitimação ganham escopo nesta perspectiva. O segundo discurso, de dominação, também pode ser vislumbrado e atrelado ao discurso político, uma vez que as decisões dadas por um grupo político são legitimadas e muitas vezes impostas a um determinado grupo social (sejam cidadãos, sejam pessoas que trabalham no campo jornalístico, como é o caso em tela), que podem se sentir reprimidas de alguma maneira. Por fim, o discurso humorístico acaba por atravessar o texto em análise, cuja caracterização se dá, grosso modo, pela busca do riso.

Não é incompatível afirmar que, no texto em análise, o discurso político e o de dominação acabam se entrecruzando a partir da figura do Presidente da República, que exigiu às mídias do país não utilizarem suas fotos para fins que não sejam políticos. É, de certa forma, um assédio e uma exigência que, numa república democrática, é impossível de ser seguida. A resposta a esta intimação da presidência veio com milhares de textos humorísticos zombando da “ordem”, jamais cumprida.

Finalizando a análise desse meme, temos a categoria avaliação. Possui afirmações avaliativas percebida nas marcações do advérbio de negação e verbo, como “não dá”. Também possui afirmações com verbos de processo mental afetivo, marcado explicitamente na afirmação do autor: “eu desligar”. As presunções valorativas que podemos fazer são de que o presidente desejar impor sua vontade e impedir a todo custo a produção de memes.

A proposta de trabalho com alunos é a de fazer com que eles percebam essas nuances do texto humorístico e os interdiscursos que ali circulam, fazendo com que eles tenham condições de se posicionar sobre tais atos. Vejamos outro exemplo:

Figura 2: Meme polêmico

Fonte: https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/defender/indicacao/tais-araujo-vira-meme-e-autores-serao-denunciados-por-racismo/

O segundo meme surgiu após a participação da atriz Taís Araújo, em agosto de 2017, em um evento da TEDx, no qual falou sobre os desafios de criar filhos no Brasil enquanto mãe negra, de crianças negras e destacou o impacto da cultura racista vigente no Brasil na vida de seus filhos. Sua fala, no evento, acabou viralizando: "Quando ele se tornar adolescente, ele não vai ter a liberdade de ir pra sua escola, pegar uma condução, pegar um ônibus, com seu boné, ou capuz, e andar como adolescente sem correr o risco de levar uma investida violenta da polícia ao ser confundido com um bandido. No Brasil, a cor do meu filho é a cor que faz com que as pessoas mudem de calçada e blindem seus carros", disse na palestra.

Essa fala em relação ao preconceito contra a população negra, como forma de conscientização da população branca, com intuito de combater essa realidade e transformar o Brasil em um país mais igualitário, serviu para mais preconceito, comentários racistas e memes bastante ofensivos à ocasião. Um dos memes que viralizou foi postado pelo presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) Laerte Rimoli, ironizando a fala da artista[5]. Trazendo as categorias já discutidas por nós, vejamos:

Começando a análise pela categoria intertextualidade, podemos identificar no meme que há um diálogo com as vozes de outro texto, marcado pela retomada de um discurso já dito (pela Taís). A voz presente no texto retoma em forma de ironia o enunciado feito por uma voz ausente, que pode ser inferida pelo leitor: “a cor do meu filho é a cor que faz com que as pessoas mudem de calçada”. A partir da voz do enunciador, o leitor pode perceber que este meme é uma recontextualização de um outro texto (quando a Taís critica a forma racista como muitas crianças são tratadas), mas a relação entre as vozes presentes diverge das ausentes, ou seja, não são harmônicas, pois a recontextualização feita a partir do texto original mudou de sentido e agora reforça a ideia de que “devemos mudar de direção, ao encontrar uma criança negra, pois esta pode ser um bandido.”

Na categoria interdiscursividade,podemos perceber a representação de diferentes discursos que se entrecruzam entre si, sendo os principais o discurso de preconceito e o de dominação. Na verdade, em casos de uma luta hegemônica pelo poder, como acontece nas relações entre opressor(es) e oprimido(s) – e o preconceito é um bom exemplo dessas relações – nos é praticamente impossível separar os dois discursos. O preconceito é marcado no meme primeiramente pela montagem com a foto de uma criança que simula um movimento para a direita, inferindo-se a ideia de que ela mudaria de calçada se cruzasse com o filho da atriz, que é negro. Evidentemente está enraizada aí a ideia de inferioridade – e, portanto, dominação – de um ser humano em relação a outro, já marcado social, cultural e historicamente pela marginalização e, portanto, ser um indivíduo que não está no mesmo patamar que um grupo cuja cor da pele é branca.

Em relação à categoria avaliação, percebemos afirmações avaliativas nas marcações do verbo: “é”, ou seja, o enunciado afirma que “o filho dela . negro” e, por consequência, deve-se mudar de calçada. Também possui afirmações com verbos de processo mental afetivo, marcado explicitamente na afirmação do autor: “você percebe”. As presunções valorativas que podemos fazer são racistas e de preconceito, quando sugerem que você mude de direção (calçada) quando encontrar alguém de cor negra, pois popularmente essa expressão “mudar de calçada” remete a algo indesejável que deve ser evitado.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No intuito de observar, a partir dos memes compartilhados em redes sociais, como essa prática pode ajudar os alunos a se posicionarem sobre questões relacionadas ao racismo, à violência, ao sexismo, ao controle institucional, à identidade nacional dentre outros temas discutidos nas mídias, nosso objetivo foi investigar como os memes podem ser utilizados nas aulas de língua portuguesa, para promover o letramento crítico dos alunos na escola pública.

Nosso estudo foi mediado pelos conceitos da Análise de Discurso Crítica por Fairclough (2001; 2003) e de meme por Dawkins ([1976] 2010). Os memes selecionados para análise possibilitam uma discussão sobre temáticas diversas e, no decorrer do trabalho, podemos confirmar que encontramos nos mesmos recursos didáticos auxiliares ao letramento crítico no ensino de língua portuguesa. Os memes possibilitam aos alunos que reflitam sobre temas cotidianos e permitem que os eventos escolares de letramento provoquem a inserção dos alunos em práticas letradas.

Com base nesta experiência de pesquisa, destacamos algumas proposições em relação ao uso de memes no cotidiano escolar, como utilização destes em debates mediados, produções textuais e audiovisuais, discussão em fóruns e comunidades do Facebook, tendo em vista que, na cultural digital, a noção de meme que predomina é a de prática discursiva que se replica nas redes sociais, e o letramento crítico é tido como prática social, que reflete sobre desigualdades diversas, dentre elas de linguagem, etnia, gênero e classe, buscando igualdade e justiça por meio da conscientização crítica dos indivíduos sociais.

Com a orientação adequada, o aluno pode construir conceitos e ideias, levando-o a se posicionar de alguma maneira. A partir desta análise, percebemos que foram contempladas todas as categorias baseadas nos significados do discurso da ADC, e o professor pode ajudar a construir e desenvolver conceitos para o letramento crítico do aluno, sempre incentivando o discente a atribuir significado ao que está fazendo, atento às ferramentas e práticas disponíveis no ambiente cibernético.

REFERÊNCIAS

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[1]Professor do curso de Letras/ Português (UFERSA) e do Programa de Pós-graduação em Ensino (UFERSA/ UERN/ IFRN).vicente.neto@ufersa.edu.br

[2]Mestranda no Programa de Pós-graduação em Ensino (UFERSA/ UERN/ IFRN). erikaguimaraes1981@gmail.com

[3]No original: We could say that none of the current instances of language in use is a text - although this is very limited, because texts such as television programs involve not only the language but also visual images and sound effects. The term language is used in its more usual sense, to mean verbal language - words, sentences etc. Thus, we can speak the language in a more general sense. [...] The term discourse (which is largely evoked in discourse analysis) indicates the particular view of language in use, as I mentioned above, as an element of social life that is closely interconnected with other elements.

[4] Disponível em: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/presidencia-da-republica-faz-alerta-a-sites-que-criam-memes-com-fotos-de-temer.ghtml. Acesso em: 22 jul. 2018.

[5] Disponível em: https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2017/11/presidente-da-ebc-debocha-de-tais-araujo-sobre-racismo-sofrido-por-seu-filho. Acesso em: 23 jul. 2018.



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