Artigo
DOI: https://doi.org/10.5335/hdtv.23n.3.15087
Resumo: Julio Meinvielle (1905-1973) foi um padre católico que atuou na Argentina ao longo das décadas de 1930-1970. Foi um dos principais intelectuais do nacionalismo católico argentino, corrente de pensamento conservadora de forte influência na política argentina, sobretudo, na extrema-direita militar. Iniciou sua trajetória intelectual polemizando com o pensamento renovador católico liderado por Jacques Maritain. Ao longo do governo Arturo Frondizi (1958-1962), proferiu inúmeras conferências e palestras denunciando que se estava pavimentando o caminho para a implantação do comunismo na Argentina. Em um contexto marcado pela Guerra Fria, Julio Meinvielle aproximava em seus posicionamentos o antissemitismo e o anticomunismo na defesa dos autênticos valores católicos nacionais argentinos.
Palavras-chaves: Anticomunismo, Antissemitismo, Guerra Fria.
Abstract: Julio Meinvielle (1905-1973) was a Catholic priest who worked in Argentina during the 1930s-1970s. He was one of the main intellectuals of Argentine Catholic nationalism, a conservative current of thought that had a strong influence on Argentine politics, especially on the military extreme right. He began his intellectual trajectory by polemicizing with the Catholic renovator thought led by Jacques Maritain. Throughout the Arturo Frondizi government (1958-1962), he gave numerous conferences and lectures denouncing that the way was being paved for the implantation of communism in Argentina. In a context marked by the Cold War, Julio Meinvielle brought together anti-Semitism and anti-communism in his positions in defense of authentic Argentine national Catholic values.
Keywords: Anticommunism, Antisemitism, Cold War.
Resumen: Julio Meinvielle (1905-1973) fue un sacerdote católico que trabajó en Argentina durante las décadas de 1930-1970. Fue uno de los principales intelectuales del nacionalismo católico argentino, corriente de pensamiento conservador que tuvo una fuerte influencia en la política argentina, especialmente en la extrema derecha militar. Inició su carrera intelectual polemizando con el pensamiento de la renovación católica liderado por Jacques Maritain. A lo largo del gobierno de Arturo Frondizi (1958-1962), dictó numerosas conferencias y disertaciones denunciando que se estaba allanando el camino para la implantación del comunismo en la Argentina. En un contexto marcado por la Guerra Fría, Julio Meinvielle aunó antisemitismo y anticomunismo en sus posiciones en defensa de los auténticos valores católicos nacionales argentinos.
Palabras clave: Anticomunismo, Antisemitismo, Guerra Fría.
Introdução: a presença de Julio Meinvielle na “anormalia permanente” argentina
Ao longo das décadas de 1930-1970, a Argentina passou um processo histórico marcado por aquilo que Donghi (2006) chamou de “anormalidade permanente”. Foram seis golpes de Estado concretizados2 e dezenas de tentativas frustradas. Nesse período, a sociedade argentina vivenciou a falência da modernização conservadora advinda do modelo agroexportador (1860-1930), a chamada “Década Infame” (1930-1943), a emergência das massas populares no processo político após a Revolução de 1943 e o surgimento do peronismo, o revanchismo antiperonista pós-Revolução Libertadora (1955), o fracasso do desarrollismo-frondicista (1962), o fechamento das margens do desenvolvimento autônomo proposto por Arturo Illía (1966) e a emergência do Terrorismo de Estado a partir do Golpe Civil-Militar de 1976 (ROMERO, 2006). Com exceção deste último momento, todos os demais eventos coincidiram com a trajetória do Padre Julio Meinvielle.
Padre Julio Meinville foi um dos principais expoentes do pensamento conservador argentino entre as décadas de 1930 e 1970, sendo considerado um dos intelectuais mais destacados do nacionalismo católico argentino, corrente de pensamento de forte influência na extrema-direita militar. Julio Meinvielle nasceu em Buenos Aires, em 31 de agosto de 1905. Estudou no Seminário de Villa Devoto, onde foi ordenado sacerdote e se doutorou em Teologia e Filosofia. Em março de 1933, foi nomeado padre na Paroquia de Nossa Senhora da Saúde no bairro de Versailles, Buenos Aires. A partir de sua atuação como principal liderança católica naquele bairro, criou grupos de trabalhos e diversas instituições paroquias, entre essas o Ateneo Popular e o Escotismo Católico, uma forma de buscar contato com os jovens do local. Ao mesmo tempo, manteve uma intensa atividade intelectual colaborando com a revista católica Critério e, posteriormente, fundando a também revista católica Crisol. Além de participar ativamente nos Cursos de Cultura Católica. A partir de sua atuação nesses cursos atuação se converteu em mentor de um grupo de nacionalistas católicos que contava com a participação de jovens intelectuais como Marcelo Sánchez Sorondo, Máximo Etchecopar, Ignacio Anzoategui, César Pico, Mario Amadeo (SAÍTTA; ROMERO, 2006).
Ao longo da década de 1930, Meinvielle escreveu algumas de suas mais importantes obras: Concepción católica de la política (1932), Concepción católica de la economía (1936), El judío (1936) e Los tres pueblos bíblicos en la lucha por la dominación del mundo (1937). No âmbito dos debates teológicos, manteve uma forte polêmica com o pensamento progressista de Jacques Maritain, um dos mais importantes filósofos católicos, sobretudo, em relação à Guerra Civil Espanhola e as críticas que este fazia ao franquismo. Segundo Meinville, na Espanha se travava uma Guerra Santa e o franquismo representava a defesa dos valores católicos e da Igreja (SAÍTTA; ROMERO, 2006).
Em 1948, a partir de um dos grupos de cultura católica que participava, ajudou a fundar a Sociedade Tomista Argentina, que teve como seu primeiro presidente Tomás Casares e Meinvielle como secretário. A ideia era, a partir dos estudos e da difusão de uma concepção “autenticamente tomista”, alertar contra “la corriente progressista, de aquellos que deprecian la filosofia y teologia tomista”. A necessidade de “una filosofia sana para una buena teologia” era uma de suas principais preocupações. Essa era uma forma de proteger a cristandade de seus inimigos: a nova cristandade proposta por Maritain, o liberalismo anticlerical, o judaísmo e, sobretudo, o comunismo (BENSON, 2014).
Em oposição aos inimigos da cristandade, uma das características fundantes do povo argentino, segundo Meinvielle, propunha uma concepção que mesclava o nacionalismo e o catolicismo conservador, com um forte antissemitismo: o nacionalismo católico. Foi a partir desse nacionalismo católico que se tornou também um intelectual influente entre grupos protofascistas e neonazistas argentinos, como a Asociación Nacionalista Tacuara e a Guardia Restauradora Argentina, que atuaram nas décadas de 1950 e 1960.
Julio Meinvielle faleceu em um acidente de automóvel em 03 de agosto de 1973. Na década que antecedeu a sua morte, proferiu inúmeras conferências e palestras denunciando que na Argentina estava sendo pavimentado o caminho para a implantação do comunismo. Uma tese que, em um contexto marcado pela Guerra Fria, ganhou a adesão de inúmeros militares antiperonistas, sobretudo, entre aqueles que comandaram o Golpe Civil-Militar que depôs o presidente Arturo Frondizi em 29 de março de 1962.
O desarrollismo-frigerista-frondicista como tática comunista
Apesar de também ser católico e de proferir publicamente inúmeras críticas ao comunismo3, o presidente Arturo Frondizi e seus principais assessores eram vistos pelo Padre Julio Meinvielle como as pontas de lança do projeto de implantação do comunismo na Argentina. O governo Arturo Frondizi (1958-1962) tinha dois grandes objetivos: a implantação do desarrollismo, um projeto de industrialização acelerada a partir da participação de capitais estrangeiros nos setores estratégicos da economia; e a sobrevivência política do governo em meio ao conflito peronismo-antiperonismo. Ao mesmo, no plano internacional, o governo Frondizi teve que lidar com o acirramento da Guerra Fria na América Latina após a tomado do poder pelos revolucionários cubanos em 1959.
O conflito peronismo-antiperonismo tem suas origens no próprio surgimento do peronismo como força política de massas, sobretudo, após as jornadas de 17 de outubro de 1945 e vitória eleitoral de Juan Domingos Perón em 19464. O conflito, porém, ganhou novas dimensões quando, em 16 de setembro de 1955, um Golpe liderado pelo general Lonardi interrompeu uma década de governo peronista. A autodenominada Revolução Libertadora inaugurou um tempo de intenso revanchismo por parte da oligarquia argentina, sobretudo, dos setores que foram retirados do poder com o Golpe de 1943. Após um breve governo encabeçado por Lonardi, um nacionalista católico que ao assumir o governo proclamou a fórmula “não há vencedores e nem vencidos na Revolução”, uma tentativa de inserção de “um peronismo sem Perón” no novo regime instaurado, assumiu o governo o general Pedro Eugenio Aramburu.
O governo Aramburu (1955-1958) adotou uma linha de ação sem concessões e flexibilidades com o peronismo. Dessa forma, inaugurou um processo de intensa repressão, marcado pelo fuzilamento de militares ligados a Perón, pela perseguição e intervenção nos sindicatos e pela proscrição de qualquer símbolo que lembrasse Perón, Evita e o peronismo (LUNA, 1974, p. 95-104). Porém, mesmo sendo um governo intensamente repressor, a Revolução Libertadora foi marcada por fragilidades políticas evidentes. De um lado, o antiperonismo constituía-se como o único fator de unidade entre os contraditórios interesses de classe, frações e grupos que apoiaram a deposição do governo peronista. De outro lado, as medidas antiperonistas faziam com que a Revolução Libertadora fosse trilhada pela ilegitimidade de um sistema político onde a principal força não podia atuar livremente.
As contraposições no interior das forças políticas que apoiaram o golpe de 1955 se evidenciaram ao longo do processo de articulações para as Eleições Constituintes de 1957 e para as Eleições Presidenciais de 1958. A principal contraposição ocorreu entre os liberais, defensores da política repressora de Aramburu, e os desarrollistas, que, apesar de ter um viés antiperonistas, defendiam a participação política do peronismo, porém sem Perón. O acirramento desta contraposição resultou na divisão da União Cívica Radical (UCR), segundo partido da preferência dos argentinos, depois do peronismo. Nas eleições constituintes de 1957, os desarrollistas, liderados por Arturo Frondizi, se apresentaram como a União Cívica Radical Intransigente (UCRI). Já os liberais, liderados por Ricardo Balbin se apresentaram como a União Cívica Radical do Povo (UCRP). (UZAL, 1989).
A vitória da intransigência eleitoral peronista nas eleições constituintes de 1957, para além de uma demonstração da vitalidade e da força do peronismo, deixou evidente que qualquer possibilidade de vitória eleitoral passava pela busca do voto dos aliados de Perón5. Ciente desta questão, o então candidato presidencial Arturo Frondizi procurou o ex-presidente deposto e estabeleceu com ele um pacto secreto. O Pacto Perón-Frondizi, documento assinado pelos dois líderes e por seus principais delegados, John William Cooke e Rogélio Frigerio, garantia a transferência dos votos peronistas para o candidato da UCRI em troca da legalização e do fim das perseguições ao peronismo. A aliança com o peronismo garantiu a vitória de Frondizi nas eleições de 23 de fevereiro de 19586.
Os boatos sobre o pacto secreto com Perón geraram desconfianças nos militares antiperonistas, incomodados com os métodos que levaram o candidato da UCRI à vitória eleitoral. Um incomodo agravado ainda mais devido ao apoio dado também pelos comunistas. A posse presidencial somente foi garantida após a concessão de uma forte autonomia aos militares por parte de Frondizi, o que acabou transformando seu governo em um governo tutelado pelos setores mais radicais do antiperonismo, porém com o compromisso de honrar os acordos feitos com o peronismo. Por conta disso, as margens de manobra para as ações do governo Arturo Frondizi foram extremamente restritas, o que fez com que a maior parte de suas medidas, muitas vezes contraditórias com a própria trajetória do presidente, foram sendo tomadas ao calor dos movimentos de uma conjuntura onde a instabilidade era a regra. Ao longo de 3 anos e quase 11 meses, foram cerca de três dezenas de tentativas do golpe contra o governo, muitos desses tinham como justificativa o caráter comunista do presidente e de seus principais assessores.
Conforme, Motta (2022), no exercício das disputas no campo político-ideológico, o termo comunista serve para caracterizar tudo aquilo que é considera oposto ao ideário definido por aqueles que se entendem como anticomunistas. Nesse sentido, muito mais do que um projeto, o anticomunismo consiste em uma atitude de recusa militante ao projeto comunista ou aquilo que se identifica como tal, congregando diferentes e diversos grupos. Esse amplo leque anticomunista que pode congregar fascistas, socialistas democráticos, liberais e grupos religiosos, entre esses, grupos católicos. Um dos principais grupos que acusavam o governo Frondizi de comunista era o nacionalismo anticomunista católico que tinha no Padre Julio Meinvielle um de seus principais expoentes. Meinvielle via o governo Frondizi como uma ponta de lança do projeto de implantação do comunismo na Argentina.
O anticomunismo esteve presente já nos primeiros escritos de Julio Meinvielle, na década de 1930. Em sua obra “Um juízo católico sobre os novos problemas da política”, escrita em 1937, a “política proletária” e definida como “o mais horrível que se pode imaginar para uma sociedade”, sendo que somente uma palavra “pode expressar a verdade do comunismo: o caos”. O comunista, por sua vez,
[...] é um homem de quem se tirou sua formalidade sobrenatural, sua formalidade natural, e sua formalidade animal; que se resta de um homem que se despojou destas três formalidades? Resta uma coisa. Algo que caminha ao nada. E o comunismo é, verdadeiramente, a deificação da realidade que tende ao nada. Qual é a realidade que tende ao nada? Que é o que segue sendo algo e é nada por seu caráter informe? É a matéria prima. [...]. (MEINVILLE, 2020a, p. 24).
Dessa forma, o comunismo pode ser definido “como aquele sistema de vida e de cultura que tende à resolução do homem em matéria prima, em algo puramente informe, caótico”. No comunismo o homem se torna um “miserável farrapo humano sem as elementares possibilidades da simples existência” e o “nome de Deus é objeto dos ódios mortais mais amargos”. Uma das principais pilastras do comunismo seria “uma campanha sistemática de ateísmo” que abalasse “domínio do virtuoso” através dos “pecados públicos mais horrendos, tais como a prostituição do matrimonio e da família, o roubo pela negação da propriedade, o homicídio pela eliminação dos que não aceitam essa imposição”. (Idem, p. 23-24).
Boa parte dessas ideias, escritas quase três décadas antes, foram retomadas e readequadas por Meinvielle em Conferência pronunciada no dia 21 de novembro de 1960, no Instituto Bautista Bustos, na Província de Córdoba, intitulada La dialectica de la accion o como se propaga el comunismo en nuestro país. O texto da conferência começa chamando atenção para o fato de que estava evidente “para todo el que tiene sensibilidad social que el comunismo está avançando rapidamente en el país” (MEINVIELLE, 1960, p. 1).
Tal avanço possuía causas remotas e causas próximas. Como causa remota, Meinvielle mencionava o “estado de desarme” que se encontrava o povo argentino devido a “prédica laicista” que tomou conta da educação, da cultura e da vida nos últimos 80 anos. A laicização desarmou o povo argentino para o enfrentamento ao comunismo, sobretudo, por tê-lo deixado com falta de convicções religiosas firmes. Ou seja, utilizando os termos de três décadas atrás, o “domínio do virtuoso” do povo argentino estava abalado.
Entre as causas próximas estava a própria propaganda comunista, bastante presente na vida pública da geração que estava entre os 35 e 55 anos. Uma geração que havia sido doutrinada a partir dos princípios da reforma universitária nas universidades de Buenos Aires, La Plata, do Litoral e de Córdoba. Esses homens imbuídos da “mentalidad comunista”, quando não formando até mesmo células comunistas, estão atuando “en los ambientes en que les corresponde actuar”, ambientes esses, que haviam se ampliado consideravelmente nos últimos anos. Um dos principais expoentes desta geração imbuída da mentalidade comunista era o economista Rogelio Julio Frigerio, um dos principais responsáveis pela elaboração do projeto desarrollista, denominada por Meinvielle (1962, p. 2) como a “la etapa del frigerismo”, a primeira etapa para se chegar ao comunismo.
Durante a campanha eleitoral, Frigerio foi figura fundamental na articulação do pacto com Perón que garantiu a vitória de Arturo Frondizi. No governo, desempenhou inicialmente a função de Secretário de Assuntos Econômicos e Sociais, sendo obrigado a renunciar em fins de 1958 por pressão das forças armadas que o viam como o grande fiador do peronismo. Mesmo sem cargo oficial, Frigeiro organizou uma espécie de gabinete extraoficial da presidência, montando uma equipe de intelectuais para elaborar e acompanhar as políticas do governo apelidada de USINA, por ser “la fábrica, la fuente de toda la energia, de todas las ideas, de todas las estrategias del gobierno” (GÓMEZ, 2004, p. 82). Segundo Meinvielle (1960, p. 1), Frigerio formava, junto “con Narciso Machinandiarena, E. Aragon y Carlos Hojvat, homeopata y socio de Grinhaus, el médico de Frondizi”, uma célula comunista que operava ativamente “en el primer plano del poder y de la política nacional”.
Frigerio nunca escondeu de ninguém sua proximidade com o pensamento hegeliano, chegando inclusive a se identificar como tal. Em muitos de seus escritos chegou inclusive a tecer críticas ao marxismo (BOTEGA, 2012). Mesmo assim, Meinvielle e a extrema-direita militar o identificavam como o grande mentor intelectual da dialética comunista que vinha sendo operada pelo governo Frondizi. Segundo o padre anticomunista, Frigerio era o legitimo fruto das Universidades Oficiais Argentinas. Meinvielle (1960, p. 2) considerava que tais universidades eram “el celebro del comunismo en el país”.
Se as Universidades Oficiais Argentinas eram o cérebro do comunismo, para que este se desenvolvesse ainda era necessário um corpo. Este corpo “solo se lo puede dar la masa asalariada”. A formação deste corpo seria justamente o trabalho que estaria sendo desenvolvido, a passos rápidos, pelo governo Frondizi. Esse trabalho consistia na colocação em prática da “dialectica de la acción” que operava por trás do desarrollismo frigerista-frondicista.
O comunismo, alertava Meinvielle (1960, p. 3), “no se difunde por la enseñanza de su doctrina, de hombre a hombre”, mas sim, “haciendole practicar, poniéndolo en práctica” e “la practica del comunismo es la dialéctica, pero no la dialectica como artificio de razonamiento sino la dialectica de la acción”. Era a partir da dialética da ação que os comunistas buscavam atrair os não comunistas, apresentando disjuntivas que não eram precisamente comunismo-anticomunismo, afinal o comunismo sempre se apresenta por baixo de uma máscara. A principal disjuntiva que vinha sendo apresentada pelo comunismo frigerista-frondicista era “imperialismo-antiimperialismo”.
Julio Meinvielle já havia alertado para “o perigo do ressentimento anti-imperialista” em seu livro Conceitos Fundamentais da Economia, escrito em 1953. Tal questão estaria ligada, conforme Meinvielle (2020b, p. 200), diretamente ao problema da dependência que “necessariamente se estabelecerá entre uma economia de perfeito desenvolvimento e uma economia de desenvolvimento imperfeito”. Essa relação pode produzir relações de abuso de uma e de outras partes.
[...]. O país forte se inclina, não sempre conscientemente, pretendendo que o frágil trabalhe para ele sem a contrapartida correspondente. Mas o país frágil pode abusar quando não deseja reconhecer e aceitar a própria fragilidade e a necessária e inevitável - ainda que não isso comensurável - inferioridade em que se sua fragilidade o coloca frente ao forte. [...]. (MEINVIELLE, 2020b, p. 200).
Esta “consciência de ressentimentos” do “país frágil” em relação ao “país forte” é desenvolvida pelo socialismo. É esse “estado de ressentimento” que mantem “o comunismo entre os países frágeis contra os Estados Unidos”, desenvolvendo uma luta “contra a frágil camada que constituí o que se chama civilização” (Idem, p. 200).
Avançando nessa concepção, na Conferência de 1960, Meinvielle (1960, p. 13) afirmou que foi através da disjuntiva “imperialismo-antiimperialismo” que o comunismo penetrou em larga escala na China, em Cuba e que penetra em todos os países coloniais ou semicoloniais. É o seu “primer planteo económico-político para apoderarse del poder”. Uma vez conquistado o poder, o comunismo passa a outros planos, se apoderando progressivamente “de toda la vida nacional, ejército, cultura, economia, política, religión, que en parte al menos, habrán acompañado al comunismo sin saberlo en aquella primera etapa”.
A apresentação da disjuntiva imperialismo-antiimperialismo era uma forma eficaz de apurar e agudizar a oposição entre “Capital internacional-oligarquia criolla” e “Nación-pueblo”. Para isso, a célula comunista que dominava o governo Frondizi tinha não apenas um forte aliado como também um agente de quem recebe ordens e é instrumentalizado: o comunismo que opera desde “un centro mundial” que atua conectado com “el super capitalismo financiero judio”. Aqui ao seu anticomunismo, Julio Meinvielle soma outra característica de seu pensamento e de sua trajetória: o antissemitismo.
O judaísmo e o comunismo como inimigos do autêntico nacionalismo argentino
A figura do judeu, conforme Reiss e Ehrilich (2020), tem historicamente ocupado o “papel negativo do perigo da subversão na sociedade que convencionamos chamar de ocidental”. Desde o período helenístico, foi sendo construído um conjunto de construções imaginárias que definiram o judeu como alguém que ocupa “um estranho não lugar” e que, por essa condição, está constantemente “subvertendo a ordem e, portanto, ameaçando-a”. Tal definição constituiu uma das principais fontes do pensamento antissemita.
Uma das principais características do antissemitismo é a sua capacidade de adaptação aos diferentes contextos históricos (POLIAKOV, 2000). No emergir da modernidade capitalista surgiu a visão do judeu como uma figura tacanha e calculista. Uma figura avida e gananciosa que subvertia os valores estabelecidos. Num contexto em que o capitalismo nascente abalava os alicerces da sociedade e modificava a ordem vigente, colocando em risco o status quo, o judeu tornou-se o bode expiatório na simplificação do entendimento das transformações estruturais. Uma vez consolidado o capitalismo, na passagem do Século XIX para o Século XX, passou a ser associado ao comunismo. Reiss e Ehrilich (2020, p. 31), chamam atenção para fato de o mito do judeu comunista ter ganho “dimensões tenebrosas com o nazismo que, entre outros mitos antissemitas, associava judeus e comunistas, os dois maiores inimigos do seu ideário ideológico”. Uma associação que transpôs as próprias fronteiras do Reich e da Europa.
Na Argentina, ao longo das décadas de 1930 e 1940, o nazifascismo passou a ter a simpatia de alguns grupos nacionalistas que viam no Reich uma alternativa ao domínio imperialista da Inglaterra, dos Estados Unidos e da União Soviética (JIMENEZ, 2015). Julio Meinvielle, em seus escritos da década de 1930, considerava o nazismo hitlerista uma política pagã. Porém, em relação ao fascismo italiano, apesar de criticar a violência fascista, o via como “essencialmente uma reação contra o demoliberalismo que desemboca no comunismo”. Por isso, não deveria ser jugado “como um fenômeno estático”, mas sim, como “um movimento impulsionado por um dinamismo poderoso de reintegração na ordem que, ainda que sem querer, o leva à política cristã”. Exemplo disso seria o reconhecimento do Poder Espiritual por parte do governo de Mussolini, “como atesta o Tratado de Latrão e a Concordada firmada com a Santa Sé”. (MEINVIELLE, 2020).
Sobre a questão dos judeus, Meinvielle defendia uma concepção onde o judaísmo é visto como “un enemigo declarado y activo de todos los pueblos, en general, y de modo especial de los pueblos cristianos”. Essa inimizade tinha um caráter universal, inevitável e terrível, pois tinha como base uma inimizade teológica. Apesar de sua origem divina, o povo judeu cometeu o pecado do deicídio7. Ao entregar Jesus Cristo aos Romanos e, consequentemente, à morte, os judeus demonstraram que para manter a própria existência necessariamente devem destruir a civilização cristã. Desde então, “el mundo ha quedado entregado a dos fuerzas verdaderamente opuestas: la judía y la Cristiana” (MEINVIELLE, 1959, p. 30-31).
Por trás de todo movimento que promoveu abalos no cristianismo, ao longo da História, estavam os judeus. O Renascimento, a Reforma Protestante, o Enciclopedismo, a Revolução Francesa, o capitalismo, o liberalismo, o socialismo, o comunismo e a Revolução Soviética haviam sido movimentos originados da luta dos judeus contra o cristianismo. (MEINVIELLE, 1959, p. 75). Boa parte destas ideias tinham como base Os Protocolos dos Sábios de Sião, uma publicação apócrifa de cunho antissemita do final do século XIX com ampla circulação entre os nazistas e os setores conservadores da Igreja Católica. Como se pode ver, apesar de considerar o nazismo uma “política pagã”, no que tange ao judaísmo, o pensamento de Meinvielle era muito próximo daquele propagado pelos discípulos de Hitler.
Após a Segunda Guerra Mundial, como bem lembram Reiss e Ehrilich (2020, p. 37), “a comoção com a tragédia que se abateu, especialmente sobre os judeus, fez com que a materialização do antissemitismo tivesse um arrefecimento”. Nos chamados países ocidentais, nem mesmo as controvérsias geradas pela criação do Estado de Israel e a ocupação dos territórios palestinos foi capaz de reacender, pelo menos na mesma intensidade, o antissemitismo. A exceção foram os grupos de extrema-direita, entre esses, no âmbito latino-americano, o Tacuaras, na Argentina, os Tecos e El Yunque, no México. Ambos eram fortemente influenciados pelas elaborações de Julio Meinvielle que, diferentemente de outros intelectuais que eram antissemitas nas décadas de 1930 e 1940 e que renegaram essa condição no contexto do pós-Guerra, não apenas manteve suas posições, como muitas vezes as fortaleceu a partir da nova cruzada anticomunista deflagrada pela Guerra Fria (JIMÉNEZ, 2015).
Nesse novo contexto, Meinvielle reforçou a sua tese com a publicação de uma nova versão de sua obra El judio, publicada pela primeira vez em 1937. Publicada em 1959, com o título El judío en el misterio de la historia, a nova versão reafirmava a ideia de que os judeus desejavam a construção de um Império Universal Judaico sobre todos os “povos amanansados”. Dessa vez, porém, tendo Jerusalém como capital do mundo. Isso explica os seus desejos de reintegração junto a Palestina. A “Nova Judeia” não teria como objetivo englobar a totalidade dos judeus, mas sim, “la creación de un centro judío sea a modo de un hogar común que comunique la impulsión necesaria a la mayoría de judíos que permanecerían en su patrias de adopción”. A partir de Jerusalém, os judeus articulam sua rede de grupos para a realização de seu objetivo final: transformar todas as nações do mundo em escravas. Desse objetivo final deriva a sua ligação com o comunismo (MEINVIELLE, 1959).
Na Argentina, o governo “comunista” de Arturo Frondizi se conectava com “el super capitalismo financiero judio”, representado pelo Banco Karl Loeb and Co. que “controla directamente las inversiones petrolera de nuestro país e indirectamente las otras radicaciones de capital”. Outro aliado do “supercapitalismo financeiro internacional judeu”, segundo Meinvielle (1960, p. 5), era o Departamento de Estado dos Estados Unidos, cuja “burocracia ha sido denunciada repetidas veces como minada por los comunistas”. Por isso, as “embajadas americanas, al menos en América Latina, no oferezcan garantias, sino pelo contrario, contra la penetración comunista”. Uma ideia um tanto, quanto absurda, tendo em vista que, naquele contexto, o Departamento de Estado dos Estados Unidos já havia colocado em prática sua política de estímulo aos golpes preventivos com a deposição do governo Jacobo Árbenz, na Guatemala, em 1954.
Em que pese tal absurdo, em sua busca por interligar suas antigas ideias antissemitas com a sua leitura anticomunista católica da conjuntura em que estava mergulhado, Meinvielle procurava comprovar sua tese de que o governo Arturo Frondizi estava pavimentando o caminho para a implantação do comunismo na Argentina, a partir das ações do próprio governo. A partir desse objetivo, Meinvielle realizava uma das características fundamentais das ideologias: recortar partes da realidade que lhe permitam uma interpretação que promova nos sujeitos a sua representação imaginária do mundo (ALTHUSSER, 2001). Um dos pontos desse recorte visando reafirmar sua concepção anticomunista-antissemita foi a política petrolífera adotada pelo governo Arturo Frondizi. Segundo Meinvielle (1960), a evidência de que o governo Frondizi estava aliado ao “supercapitalismo financeiro judeu” foi a chamada Batalha do Petróleo, a política de abertura da exploração daquele setor por empresas multinacionais. Tal medida fez com que o “supercapitalismo financeiro judeu” passasse a controlar diretamente os investimentos petrolíferos e indiretamente as outras radicações de capitais na Argentina.
Porém, o principal ponto dessa aliança, destacado por Meinvielle em sua conferência de 1960, foi o Plano de Estabilização Econômica adotado pelo governo Frondizi, em janeiro de 1959, após acordos firmados com o Fundo Monetário Internacional (FMI).8 Segundo Meinvielle (1960, p.5), tais acordos eram parte da estratégia de apurar e agudizar a oposição entre “Capital internacional-oligarquia criolla” e “Nación-pueblo”. O FMI, um “organismo mundial fundado y dirigido por judios comunistas”, havia preparado para o país “un plan que, al tiempo que pasa al capital internacional nuestras fuentes de riquezas, somete a empobrecimento de la Nación y al hambre a nuestra masa assalariada”. Com isso se agudizava a polarização social, produzindo uma realidade onde “a una minoria cada vez más reducida de adinerados en uno de los polos corresponde una masa de empobrecidos en el otro”. O polo da população oprimida dirigido “por agitadores professionales, va a comezar a rebelarse y a colocarse en estado de tensión y agitación, huelgas y terrorismo”. Em contraposição o outro polo “va a lanzar su denuncia de comunismo contra el polo de rebelión” e aplicará através da força militar e policial um plano de repressão que “tendrá como resultado exacerbar al polo de los oprimidos”. Por conta das medidas repressivas duas instituições que são a garantia contra o comunismo tenderão a ser odiadas pelo povo: o Exército e a Igreja. O Exército por ter sido utilizado como um instrumento de repressão puramente policial. A Igreja por ter sido cooptada pelo governo por uma série de concessões como o ensino livre e alguns favores, dádivas, ajudas, subvenções e toda um conjunto de “complacencia en una esfera superficial de la vida nacional” (Idem, p.6).
Meinvielle procurou comprovar a veracidade sua tese a partir do Plan Conintes (Conmoción Interna del Estado). Estabelecido pelo governo Frondizi, juntamente com a decretação do Estado de Sitio, em novembro de 1958, o plano foi uma resposta a erupção de um conjunto de greves bancárias, metalúrgicas e ferroviárias devido à queda do nível de vida da classe trabalhadora. O Plan Conintes foi aprofundado ao longo de todo o ano de 1959, após a grande greve do Frigorifico Lisandro de La Torre. Como resposta a forte repressão que atingiu principalmente o braço sindical do peronismo, Perón, ainda exilado, publicizou o pacto estabelecido com Frondizi durante o período eleitoral. Como forma de acalmar os ânimos dos militares antiperonistas, Frondizi estregou áreas estratégicas do governo para figuras da extrema-direita como o general Carlos S. Toranzo Montero, alçado ao cargo de Comandante em Chefe das Forças Armadas. Meinvielle interpretou essas tentativas de sobrevivência do governo diante dos ultimatos golpistas como parte do plano da célula comunista. A entrega das principais tarefas repressivas à um militar reconhecidamente conservador era mais uma forma de desgastar o exército com o povo.
Com relação a Igreja, o padre anticomunista se referia Lei de Enseñanza Libre, proposta por Frondizi nos primeiros meses de seu governo, que abria a possibilidade da criação de universidades pela iniciativa privada, quebrando o monopólio estatal sobre o ensino superior. Tal proposta vinha de encontro aos interesses da Igreja e do empresariado e colocou Frondizi em oposição com boa parte dos setores que apoiaram a sua eleição.
A partir destas medidas, segundo Meinvielle (1960, p.7-8), a célula comunista que dominava o governo Frondizi estava tendo êxito, sobretudo, por estar conseguindo debilitar o “nacionalismo auténtico-popular y católico”, favorecendo um “nuevo nacionalismo filocomunista que se está perfilando”. Dessa forma, “el mismo sentimiento nacional que hasta diez años era, en nuestro país, exclusivamente cristiano” estava hoje “poderosamente canalizado pelo comunismo” na construção de um “nacionalismo marxista”. Porém, apesar dos avanços que a estratégia frondicista-frigerista, em aliança com o “supercapitalismo financeiro judeu”, vinha tendo, a sociedade argentina ainda possuía uma forte barreira contra o comunismo: as Forças Armadas. Mesmo com os comunistas tendo conseguido aumentar no povo “el despretigio de las fuerzas armadas”, estas ainda eram “la única garantia sólida contra la penetración comunista” (Idem, p.9).
Foram justamente as Forças Armadas que, em 29 de março de 1962, deram o golpe que depôs Arturo Frondizi. Porém, o golpe que não foi dado contra o suposto avanço comunista. Apesar das posições independentes assumidas pela política externa argentina em relação a questão cubana terem interferiram na decisão, essas não foram o fator determinante para a derrubada do governo. O fator determinante foram as significativas vitórias que os peronistas obtiveram nas eleições provinciais de 18 de março de 1962, sobretudo, a vitória na Província de Buenos Aires.
Apesar de também serem ferrenhos anticomunistas, diferentemente do principal intelectual do nacionalismo anticomunista católico, os setores majoritários da extrema-direita militar argentina miravam em um inimigo mais concreto, a única força política que de fato possuía forte penetração popular na argentina: o peronismo. Curiosamente, nas duas décadas que se seguiram ao golpe contra o governo Arturo Frondizi, os militares que governaram a Argentina promoveram justamente uma política de aprofundamento da dependência do país aos capitais estrangeiros. Esses mesmos que eram denunciados por Julio Meinvielle como “el super capitalismo financiero judio”.
Conclusão
Anticomunismo e antissemitismo são duas posturas políticas que atuam não necessariamente no combate ao que de fato sejam o comunismo e o semitismo, mas sim, como a construção imaginárias de um personagem definido a partir da escolha de um inimigo. No que tange o anticomunismo e o antissemitismo de vieses católico, o comunista e o judeu são associados aos males da modernidade, a subversão dos status quo e dos valores cristãos. Ambos podem ser identificados em suas especificidades imaginadas ou em uma atuação conjunta na trama de um sinistro complô visando a dominação mundial.
Foi a partir desta atuação conjunta que Julio Meinvielle construiu seu pensamento e sua trajetória anticomunista e a antissemita ao longo de cinco décadas de atuação como um dos principais intelectuais do nacionalismo anticomunista católico argentino. Primeiramente, Meinvielle atuou integrado a um contexto marcado pela ascensão dos movimentos nazifascistas, que tinham no anticomunismo e no antissemitismo duas de suas principais características. Porém, diferentemente de outros personagens da política e da intelectualidade que após a Segunda Guerra Mundial e a revelação dos horrores do Holocausto abandonaram o antissemitismo, Meinvielle me manteve fiel a este até o final de sua vida.
Durante o governo de Arturo Frondizi (1958-1962), Meinvielle, enxergava em cada medida tomada visando a execução do programa desarrollista um passo rumo a implantação do comunismo na Argentina. O desarrollismo-frigerista-frodicista estava longe de ser um projeto comunista, muito pelo contrário, era na verdade um projeto de construção de um capitalismo industrial financiado por capitais estrangeiros, uma construção que, inclusive, era vista por Frondizi como uma forma de conter o comunismo, melhorando a qualidade de vida das camadas populares.
O contexto histórico não se demonstrou favorável aos objetivos do governo Frondizi. A radicalização da polarização peronismo-antiperonismo, sobretudo, após o Golpe de 1955, e a forma dúbia como Frondizi lidou com essa condicionante política, serviram como um impulso para a construção das ideias antissemitas e anticomunistas de Meinvielle. O pragmatismo que dominou o governo frondicista, determinado pelo objetivo de sobrevivência política, era visto como uma trama da célula comunista que ocupava o centro do governo. As medidas que visavam a atração dos capitais internacionais, por sua vez, eram vistas como sinais da aliança do governo com o “supercapitalismo financeiro judeu”.
O governo Arturo Frondizi acabou deposto, não por conta de seu projeto de “implementação do comunismo” na Argentina, em uma de suas tantas tentativas de acenos à extrema-direita anticomunista, Frondizi determinou a ilegalidade do Partido Comunista Argentino, que o havia apoiado nas eleições de 1958. Não foi o perigo comunista que determinou o Golpe das Forças Armadas contra o governo Frondizi, mas sim, o perigo peronista, que mesmo proibido e com sua liderança no exílio seguia demonstrando sua forte penetração social.
A deposição do governo Frondizi foi celebrada por Meinvielle. Porém, o golpe de 29 de março de 1962, não foi o suficiente para que “abaixasse a guarda”. Em um mundo onde o clima da Guerra Fria alimentava teorias conspirativas, era dever de todo nacionalista autêntico e cristão seguir atendo aos perigos do comunismo e do judaísmo. Por isso, Padre Julio Meinvielle foi até a sua trágica morte reafirmando seu anticomunismo e seu antissemitismo.
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Notas