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O mal-estar docente no contexto escolar: um olhar para as produções acadêmicas brasileiras

The teacher malaise in the school context: a look at the brazilian academic production

El malestar docente en el contexto escolar: una visión a la producción académica brasileña

Ana Paula Rodrigues Sanches
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) , Brasil
Renata Prenstteter Gama
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) , Brasil

O mal-estar docente no contexto escolar: um olhar para as produções acadêmicas brasileiras

Laplage em Revista, vol. 2, núm. 3, pp. 149-162, 2016

Universidade Federal de São Carlos

Atribuição não comercial internacional. Direitos de compartilhar igual e dar crédito aos autores e periódico.

Recepção: 10 Setembro 2016

Aprovação: 03 Outubro 2016

Resumo: O presente trabalho problematiza o mal-estar docente no contexto escolar a partir do que dizem as produções acadêmicas brasileiras. Foi realizado um estado da arte com as teses, dissertações e artigos publicados em dois bancos de dados: o Portal de Periódicos da Fundação de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd). A partir deste quadro construímos um panorama sobre o que tem sido estudado sobre essa temática no Brasil. Os resultados indicam o mal-estar enquanto traço da profissão docente na contemporaneidade, especialmente na relação com o aluno e na intensificação de tarefas profissionais a partir da ampliação do papel profissional docente. Os trabalhos indicam a precarização do trabalho docente que sofre com a falta de apoio, as pressões e cobranças do entorno social, cultural e político com o qual interage.

Palavras-chave: Mal-estar docente Contexto escolar. Profissionalidade de professores..

Abstract: The objective of this study is problematize the teacher malaise in the school context according the Brazilian academies productions. For this, it was realized a state of art with published theses, dissertation and articles in two databases, the first one, The Coordination Foundation of Personnel high education Improvement Journal Portal (Capes) and the second, Nacional association of post-graduation and Education researches (ANPEd). From the identified productions and specialized literature about the topic, we could build an overview about what have been studied about it in Brazil. The results indicate the malaise as a trace in the teachers in this contemporary, especially in relations with the student and the intensification of professional tasks regarding the expansion of the teaching professional role. The studies indicate the precariousness of teaching that are suffering with a lack of support, with pressures and social, cultural and political demands with interacts.

Keywords: Teaching malaise School context. Teacher’s professionalism. .

Resumen: El presente trabajo tiene como objetivo describir el malestar docente en el contexto escolar a partir de lo que dicen las producciones académicas brasileñas. Para esto, fue realizado un estado del arte con las teses, disertaciones y artículos publicados en dos bases de datos, primero, el Portal de Periódicos da Fundación de Coordinación de mejora del Personal de Nivel Superior (Capes) y segundo, a Asociación Nacional de Posgrado y Pesquisa en Educación (ANPEd). A partir de las producciones identificadas y literatura especializada sobre el tema, construimos un panorama sobre lo que se ha estudiado sobre ese tema en Brasil. Los resultados indican el malestar de la profesión docente en la sociedad contemporánea, sobre todo en la relación con el alumno y en la intensificación de las tareas profesionales a partir de la ampliación del papel profesional del docente. La literatura muestra la precariedad del trabajo docente que sufre de una falta de apoyo, las presiones y exigencias de la vida social, cultural e político con las cuales interactúa.

Palabras clave: Malestar docente Contexto escolar. Profesionalidad de los profesores. .

Introdução

Este artigo tem como objetivo problematizar o mal estar docente no contexto escolar a partir do que dizem as produções acadêmicas brasileiras com o intuito de conhecermos o tema sob a ótica dos autores das pesquisas neste campo, dialogando com a literatura especializada sobre o tema.Para identificação das produções acadêmicas brasileiras sobre a temática, foi realizada uma busca em dois bancos de dados, sendo o primeiro, o Portal de Periódicos da Fundação de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o segundo, a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), por reunirem e disponibilizarem acervo importante de produção científica às instituições de ensino e pesquisa no Brasil.

Ao utilizarmos como indicador o mal-estar docente, encontramos 179 trabalhos que, ao refinarmos utilizando o critério dos trabalhos escritos em língua portuguesa, reduzimos para 79. Voltamos a refinar diante do objeto do nosso estudo, selecionando os tópicos: Educação; Professores-atuação profissional; Mal-estar docente; Satisfação no trabalho; Professores- formação profissional; Formação de professores, por se aproximarem da temática escolhida para a presente pesquisa e encontramos 30 trabalhos.

Assim, pelos títulos e resumos, selecionamos 4 trabalhos mais correlatos ao mal estar docente no contexto escolar para leitura detalhada, cujos títulos e autores seguem: tese de doutorado “Um olhar implicado sobre o mal-estar docente” (ARANDA, 2007); dissertação de mestrado “Formação de professores: identidade e mal estar docente” (OLIVEIRA, 2005); artigos “De fardos que podem acompanhar a atividade docente ou de como o mestre pode devir burro (ou camelo)” (COSTA, 2005); “O niilismo nietzschiano como mais uma referência analítica para a compreensão do fenômeno do mal-estar docente” (SANTOS; SILVA, 2014).

Em consulta à Plataforma da ANPEd, de 2009 a 2013, recorte que se refere aos últimos cinco anos dessas publicações até o momento, com o intuito de ampliarmos nossa busca e conhecermos o que dizem os estudos publicados nos anais de eventos promovidos pela referida Associação, encontramos pelos títulos, trabalhos que focam o mal-estar docente.

Localizamos três trabalhos, sendo na 34ª Reunião, no GT 8, Formação de Professores, intitulado “O mal-estar segundo professores de história” (NICHES, 2011); o segundo na 35ª Reunião, no GT 13, Educação Fundamental, intitulado “O mal-estar no chão da escola fundamental” (MARTINS, 2012) e o terceiro na 36ª Reunião, no GT 9, Trabalho e Educação, intitulado “Processo de trabalho das professoras de educação infantil: entre imagens de bondade e o mal-estar docente” (VIEIRA, 2013).

Ampliando a busca a fim de verificarmos a temática presente mesmo sem a sua explicitação no título, buscamos outros trabalhos cujos títulos trouxessem palavras que se aproximassem do mal-estar docente como tensões ou dilemas vividos no contexto escolar.

A nova busca identificou mais três trabalhos, sendo que dois deles se juntaram à nossa revisão bibliográfica. Um apresentado na 33ª Reunião, no GT 9, intitulado “Constituição das doenças da docência” (VIEIRA, 2010) e outro, apresentado na 36ª Reunião, no GT 8, intitulado “A constituição da profissionalidade docente: os efeitos do campo de tensão do contexto escolar sobre os professores” (ANDRÉ; ALVES, 2013).

Para realizar o mapeamento do estado da arte da pesquisa acadêmica brasileira relativa ao mal-estar docente, foi selecionado, como material de análise, um total de 09 produções. Após a leitura desses trabalhos, realizou-se a sua apresentação por meio da construção de um panorama geral das mesmas, seus apontamentos e considerações.

Importante explicitarmos a necessidade de mais pesquisas sobre a temática, pois o trabalho dos professores e as suas implicações precisam ser estudados e melhores compreendidos se queremos as mudanças educacionais almejadas. O mal-estar docente tem recebido olhares bastante diversos pelos pesquisadores. No entanto, a sua relação com o contexto escolar, pautado pelas percepções dos próprios professores, ainda necessita ser explorado.

Revisão de teses e dissertações

No quadro 1, a seguir, explicitamos as pesquisas: tese e dissertação, selecionadas na Capes, identificando os pesquisadores e o ano de publicação, as instituições nas quais foram produzidas e os objetivos da pesquisa.

Quadro 1
Tese e dissertação sobre o mal-estar docente
Tese e dissertação sobre o mal-estar docente
Fonte:Quadro elaborado pela pesquisadora

As pesquisas investigam o mal-estar docente no ensino fundamental, sendo que uma em escolas estaduais, municipais e particulares (ARANDA, 2007) e outra, um estudo de caso em escola municipal (OLIVEIRA, 2005). São de natureza qualitativa, utilizando como instrumento de coleta de dados o questionário e a entrevista.

Aranda (2007) demonstra em seu estudo, que o mal-estar docente é contemporaneamente, um dos traços do ofício do professor. Portanto, apesar de revestir-se muitas vezes, de características individuais, não pode ser tratado apenas como um adoecer ou um ciclo degenerativo do docente enquanto indivíduo, mas como um fenômeno histórico e cultural que perpassa as relações que se estabelecem na escola.

A autora investiga as percepções dos professores acerca das situações que causam mal-estar no cotidiano do seu trabalho na escola, sendo que identificou em sua pesquisa que os principais, advêm da relação com o aluno, com a comunidade, com as colegas e equipe diretiva. Segundo ela, ganha destaque nessas relações, aquela com o aluno que não está mobilizado para aprender.

Nessa perspectiva, o mal-estar não está localizado na figura do professor ou provoca seu adoecimento por questões particulares, mas ocorre devido a esta trama de significações nas quais estão imersos, sendo denominado então pela autora de mal-estares. Aponta as transformações sociais e apresenta a escola como instituição moderna, pesada, que vive em descompasso com o movimento da sociedade, parecendo não saber como ensinar aos alunos que têm hoje ou limitar o que a sociedade diz não ter limites.

Oliveira (2005) também afirma ser a relação entre o professor, o aluno e o ensino-aprendizagem, causa evidente de mal-estar docente. A autora infere que a relação com os alunos é decisiva para a auto- imagem do professor e para a identificação com o seu trabalho, pois é nos alunos que o professor busca o retorno sobre o mesmo.

Explicita necessidade de reconstrução da identidade docente através de uma formação problematizadora da prática pedagógica, possibilitando ao professor conferir significado à atividade docente. A autora afirma que os professores e a escola devem se repensar visto que atendem hoje, aqueles que derivam de camadas sociais com imenso histórico de exclusão.

Os trabalhos focam o processo de trabalho, suas pressões e mal-estar docente, a formação e identidade do professor contemporâneo, causas e consequências do mal-estar frente aos novos papéis atribuídos à escola e ao professor. De modo geral, essas dificuldades são semelhantes àquelas encontradas nos estudos destacados pela literatura nesse campo.

Diante das transformações sociais e culturais, modificação do trabalho do professor (OLIVEIRA, 2005), Esteve (1999) evidencia a impossibilidade de mantermos as mesmas expectativas, intenções, práticas e exigências sobre a educação visto que foram gestadas para contemplar um sistema educativo de elite.

O autor (1999, p. 36) problematiza “(...) se a seleção social já não depende do nível de escolaridade, não é uma contradição continuar mantendo um sistema de ensino seletivo, baseado na competitividade?

Percebemos que o sistema de ensino já não assegura o status social aos seus alunos como quando os pais encaminhavam os filhos à escola enquanto garantia de sucesso social, profissional e retorno financeiro. Muitos professores enfrentam o mal-estar por manterem objetivos que já não correspondem ao contexto social.

Admitir junto aos colegas que têm dificuldades para ensinar, que os alunos têm dificuldades em aprender, que as alternativas possíveis são desconhecidas, deixam entrever nos professores um doloroso sentimento que muitas vezes, tem provocado o seu desinvestimento profissional, adoecimento e desejo de abandonar a docência.

Revisão de artigos

No quadro 2, a seguir, explicitamos os artigos, selecionados no Portal de Periódicos da Capes, identificando os pesquisadores, o ano de publicação e os objetivos da pesquisa.

Quadro 2
Artigos sobre o mal-estar docente
Artigos sobre o mal-estar docente
Fonte:Quadro elaborado pela pesquisadora

Santos e Silva (2014) descrevem o mal-estar docente como uma crise dos sentidos (niilismo), segundo o qual, os professores estariam envoltos em uma atmosfera de imprevisibilidade, individualidade, burocracia, descompromisso e pessimismo pedagógico. Para os autores, o sentido da ação pedagógica ruiu juntamente com a queda de valores fundamentais como o da própria educação, do conhecimento e autoridade docente.

Nesse sentido, Costa (2005) afirma que historicamente, em nossa sociedade, ser professor, educar e formar educadores, tornaram-se atividades valorizadas socialmente, ou seja, significadas como dignas e importantes. Segundo o autor, a valorização tal desse fazer, sob os ombros do professor, terminaria por lhe trazer uma enorme responsabilidade social diante da tarefa de produzir prosperidade, melhoria e civilizar todo um mundo que inexoravelmente se globaliza. Faz um alerta sobre os processos educacionais, por submeter os professores a dilemas ou fardos e rebaixamento do seu status social, que culmina no esgotamento docente.

Hargreaves (2001), autor que problematiza o tema do mal-estar, corrobora com tal afirmação pois, segundo o autor, desde a emergência da educação compulsória para todas as crianças e de sua disseminação em todo o mundo, a educação pública tem sido repetidamente sobrecarregada com a expectativa de que pode salvar a sociedade.

A partir dos apontamentos das pesquisas, podemos observar que cabe à escola hoje, além de socializar os conhecimentos, desenvolver valores positivos muitas vezes contraditórios diante da intolerância, autoritarismo e individualismo efetivamente praticados pela sociedade. Deve combater as drogas e a violência entre os alunos, compensar carências decorrentes da desestrutura familiar ou pais sobrecarregados de trabalho. Podemos inferir que imbuídos da tarefa de educar e mudar o mundo, a escola e os professores vivem os imperativos de uma tarefa essencial, porém inatingível diante das condições a que estão submetidos.

Revisão de produções publicadas nos Anais da ANPEd

No quadro 3, a seguir, explicitamos as produções, selecionadas nos anais das reuniões da ANPEd, identificando os pesquisadores e o ano de publicação, as instituições nas quais foram produzidas, as reuniões e grupos de trabalho divulgados e os objetivos da pesquisa.

Quadro 3
Estudos sobre o mal-estar docente
Estudos sobre o mal-estar docente
Fonte:Quadro elaborado pela pesquisadora

Nas pesquisas analisadas, Vieira (2010, 2013) e Martins (2012) evidenciam a intensificação do trabalho do professor, que junto a outros fatores, ocasionam o mal-estar docente. O professor se depara, em seu fazer, com o desempenho de várias funções que não estariam até então, circunscritas sob a ótica da educação institucionalizada.

Vieira (2013) verificou em sua pesquisa, professoras que acreditam trabalhar muito, não tendo tempo suficiente para a realização das tarefas que lhe são exigidas. A autora afirma que o trabalho docente envolve, cotidianamente, demandas conflitantes, intensa concentração nas tarefas e constantes interrupções por problemas existentes dentro da própria organização escolar.

Martins (2012) discorre sobre a escola como uma instituição atarefada e afirma que falta à mesma um estatuto, um projeto pedagógico e a coletividade. O autor que investigou o mal-estar no chão da escola fundamental, conforme título do seu trabalho, afirma que a escola precisa se reinventar.

Se ela é cada vez mais uma “agência de múltiplos serviços da inclusão”, se é cada vez mais uma “instituição atarefada”, ela não pode contar apenas com os tempos e espaços de sala de aula, nem apenas com o/a professor/a como seu único profissional. Se a escola tem que tratar da saúde, ela precisa de profissionais da saúde, se ela tem que oferecer arte e cultura, ela tem que contar com profissionais da arte e cultura (...) ela precisa de outro tipo de investimento, de outros profissionais, de outros tempos, espaços e equipamentos (p.13).

A literatura sobre o mal-estar docente destaca estas questões e Hargreaves (1994) problematiza o que denomina Tese da Intensificação. O autor discorre sobre o princípio da profissionalização, que se organiza por meio de argumentos que têm sublinhado a luta por um maior profissionalismo entre os professores, através de extensões do seu papel. Por outro lado, defende-se que o seu trabalho se intensificou a fim de responderem às pressões e inovações.

Segundo Hargreaves (1994, p.132), “(...) o profissionalismo alargado é um artificialismo retórico, uma estratégia para levar os docentes a colaborar de boa vontade na sua própria exploração, à medida que lhe vai sendo exigido cada vez mais esforço”.

André e Alves (2013), ao tratarem da constituição da profissionalidade docente, abordaram os efeitos determinantes do contexto institucional, social, cultural, político nessa constituição. Apontam como resultados de sua investigação, alguns elementos pertinentes à nossa pesquisa, sendo que afirmam ser a rotatividade dos professores entre as escolas, fator de desprofissionalização, devido às dificuldades de se estabelecer vínculos entre os professores, deles com seus alunos, com a comunidade e a instituição como um todo. Afirmam que é no dia-a-dia que os professores colocam à prova os seus saberes, reformulando-os e que a inexistência de programas de acolhimento, principalmente para o professor iniciante, é determinante para que o trabalho se converta em fonte de sofrimento e mal-estar.

Niches (2011), com a perspectiva de analisar como professores de história têm compreendido e significado o mal-estar docente, visto a constatação de um vácuo nas pesquisas que relacionem a ocorrência do mal-estar docente às áreas disciplinares, entrevista professores e aponta que os significados da docência na especificidade disciplinar da história para esses professores se dá sobre a compreensão de que sua função profissional será a de humanização associada ao esclarecimento promovido pela razão científica, expressa na forma dos conteúdos históricos que ministram.

Segundo a autora, os professores entrevistados compreendem que a produção do mal-estar decorre de elementos sociais, mas também elementos que dizem respeito à forma com que os próprios docentes se colocam diante da profissão. Apontam a necessidade de se comunicar com os alunos que se têm e não com os desejados, flexibilidade para lidar com as situações diversas e inusitadas e estar abertos às expectativas dos estudantes, às novas tecnologias, aos tempos e possibilidades. É o que acreditam que os mantém na profissão, apesar dos problemas que se apresentam.

Afirma em seus estudos, ser uma fonte de mal-estar, a tensão vivida pelos professores entre a sociedade atual e a presença, por vezes, de uma cultura escolar que deveria estar ultrapassada. O olhar de Niches para o mal-estar docente, portanto, ocupa-se de sua perspectiva histórica de produção, atribuindo sua ocorrência às mudanças sociais aceleradas do último século, exigindo dos professores a reflexão sobre a função social da escola e da docência.

Fullan e Hargreaves (2000) concordam que a incerteza, o isolamento, a saturação de tarefas burocráticas, a hierarquização sem sentido e o individualismo compõem uma potente combinação que conduz, inevitavelmente, ao conservadorismo.

Tais considerações e apontamentos nos remetem a observação de que a realização do ensino na escola envolve não só o saber acadêmico dos professores, expresso nas teorias ou disciplinas escolares, mas também os saberes da experiência, que compreendem a organização do próprio trabalho, a partilha com os colegas de como lidar com a turma, organizar a sala de aula, os materiais e a própria aula. Trabalhar na escola significa não só gerir e organizar o trabalho de ensinar, mas encontrar-se com outras exigências da profissão, interagindo com a carreira, reformas e políticas educacionais.

Vieira (2013) verificou, nas entrevistas que realizou, professores que relataram sentir o apoio da direção e dos colegas quanto aos dilemas em seu trabalho. Entretanto, explicitaram também que procuram resolver os problemas de ordem pedagógica de forma individualizada.

Na tentativa de entender melhor esse posicionamento dos professores, buscamos amparo teórico em Hargreaves (1994), que ao redefinir as causas do individualismo, considera ser o isolamento visto por alguns professores como autonomia individual e apoio profissional. Afirma “(...) portanto, quando falamos de individualismo, estamos a referir claramente, não uma única coisa, mas antes um fenômeno social e cultural complexo que possui muitos significados, nem todos necessariamente negativos (p.193)”.

O autor aponta a necessidade de abordarmos o individualismo a fim de compreendê-lo se pretendemos entender o modo como os professores trabalham com os seus colegas, as vantagens e desvantagens dessas formas de trabalho.

Para Vieira (2010), a reconfiguração do Estado Educador em Estado Avaliador, impõe à cultura escolar a exigência do êxito e obtenção de resultados a curto prazo ainda que sejam apenas aparências formais. O autor afirma que o volume de trabalho, a precariedade das condições existentes, a complexidade presente na sala de aula e uma expectativa de excelência podem gerar queixas e mal-estar docente. Pérez Gómez (2001) concorda ao afirmar que:

(...) esta ideologia da rentabilidade escolar, tão difundida e querida pelas políticas neoliberais dos governos conservadores, provoca nitidamente a desvalorização da tarefa educativa, situa o docente à mercê dos ventos revoltos do mercado e provoca sua insatisfação e ansiedade profissional (...)” (p.178).

Assim, compreendemos que transformar os professores em meros aplicadores de métodos e técnicas descaracteriza o seu papel social e o próprio processo educativo. Há que se considerar que a atuação profissional docente se dá sobre e com seres humanos tendo o saber historicamente produzido e acumulado como matéria prima do processo educativo. Dessa forma, o trabalho do professor não permite a distinção entre os responsáveis pela concepção ou execução, sob o risco de transformar o processo educativo em treinamento e reprodução do que está posto.

Dialogando com as produções brasileiras

As contribuições das produções selecionadas explicitam elementos referentes ao mal-estar docente trazidos por referencial teórico específico. Em linhas gerais, identificaram o mal-estar enquanto traço da profissão docente na contemporaneidade, que se apresenta de diversas formas, mas especialmente na relação com o aluno e na intensificação de tarefas profissionais a partir da ampliação do papel profissional docente.

Nesse sentido, a literatura tem destacado que ao pressionar o contexto escolar, as características da pós-modernidade ampliam o papel do professor que é impelido a assumir novas tarefas e desafios. As inovações contribuem para a intensificação do trabalho do professor, gerando sobrecarga e incerteza diante dos propósitos anteriores. Sacristán (1999, p.64) considera que:

Grande parte dos problemas e dos temas educativos conduzem a uma implicação dos professores, exigindo-lhes determinadas atuações, desenhando ou projetando sobre a sua figura uma série de aspirações que se assumem como uma condição para a melhoria da qualidade da educação.

Segundo o autor, a evolução da sociedade e suas exigências, afetam a escola com um conjunto cada vez mais alargado de funções e exige do professor, resposta às aspirações educativas. Afirma haver uma hiper-responsabilização dos professores em relação à prática pedagógica e à qualidade do ensino.

Esteve (1999) também indica que se exige dos professores que preparem seus alunos para uma sociedade em que viverão como adultos, muito diferente da atual.

A partir destas afirmações, podemos considerar que os professores devem aprender a ensinar de um modo que eles mesmos não foram ensinados, tornando-se agentes da própria mudança, capazes de reagir rápida e eficazmente às transformações que ocorrem a sua volta.

Diante da complexidade vivenciada na profissão docente, Esteve (1999) ao identificar os possíveis fatores que configurariam a presença do mal-estar docente, distingue fatores primários, sendo os que incidem diretamente sobre o trabalho do professor em sala de aula e os secundários, referentes ao contexto em que se exerce a docência. Esses fatores podem afetar o trabalho do professor a ponto de isolados ou combinados entre si, provocar o mal-estar docente.

O autor destaca a modificação no papel do professor e do apoio do contexto social, os objetivos inadequados de um ensino voltado às massas, a imagem social fragilizada do professor, os recursos insuficientes e condições de trabalho problemáticas, a violência nas instituições escolares e a acumulação de exigências sobre o professor.

Afirma ainda que os professores se encontram com uma nova fonte de mal-estar pois há alguns anos a escola, a família e demais grupos sociais convergiam em relação aos valores e modelos que deveriam ser transmitidos. Atualmente, perdeu-se este consenso e, portanto, escola e família muitas vezes discordam em relação aos valores defendidos, posturas e posicionamentos. Algumas famílias, de forma diferente, renunciaram às responsabilidades que vinham desempenhando no âmbito educativo, cobrando-as das instituições escolares. Vive-se uma época em que se exige cada vez mais da escola e dos professores, em contrapartida, não se tem os recursos e apoio necessários para a sua concretização.

Nesse mesmo sentido, Cavaco (1999) afirma que a própria sociedade se mostra incapaz de esclarecer sobre o que se espera da escola e as contradições das suas expectativas facilitam o insucesso escolar. A autora explicita que se proclama a democratização da escola, mas exige-se que selecione em função de critérios de excelência, definem-se políticas que manifestam uma visão holística, global e integrada dos problemas, mas decide-se compartimentando, idealiza-se uma escola humanista, mas que opera de forma a satisfazer as necessidades econômicas de formação e encaminhamento profissional.

Compreendemos desta forma, tal como as produções acadêmicas explicitam, que o professor é suscetível tanto aos elementos que perpassam a rotina escolar quanto às suas relações com outras instâncias- o entorno social, cultural e político com o qual a escola interage. Alves (2010) também corrobora com tal percepção ao afirmar que os professores trabalham obedecendo a certa ordem institucional (organização da escola, atribuições profissionais) e seus condicionantes (demandas sociais, políticas educacionais), sendo que “(...) os professores (individual e coletivamente) na realização de sua tarefa transitam por essas vias, transformando-as e sendo transformados por elas” (ALVES, 2010, p. 250).

Nóvoa (1999) confirma a crise da profissão e afirma que as consequências do mal-estar que atingem os professores são visíveis, expressas na desmotivação pessoal, nos altos índices de absentismo e de abandono da profissão. Insatisfação traduzida numa atitude de desinvestimento e indisposição profissional. Estrela (1997, p. 223) também tece considerações sobre os professores, seu trabalho e os dilemas enfrentados:

São homens e mulheres comuns que, no dia-a-dia do seu exercício profissional, enfrentam incertezas e dúvidas, e se sentem desiludidos por uma reforma de isolamento. (...) Chamados a desempenhar uma multiplicidade de papéis para os quais não foram preparados, sentem na pele o contraste entre o muito que se lhes exige e o pouco que se lhes dá e esperam que a formação de ensino que sentem fracassada, experimentam conflitos de valores e dilemas de ação que se tornam mais pesados por serem vividos sem partilha, num clima contínuo os ajude a crescer pessoal e profissionalmente.

Compreendemos que a mudança no contexto social onde se exerce o ensino, apresenta demandas e exigências que a escola e o professor nem sempre têm condições para cumprir. A educação tem sido sobrecarregada com a expectativa de que pode salvar a sociedade, preparando as gerações do futuro, salvando as crianças e jovens do analfabetismo, da privação, violência e desemprego. Os professores encontram-se, ante as dificuldades diante das novas responsabilidades a cada dia, demandas contraditórias e a crítica social por não as atender. Essas exigências junto às implicações do contexto social, compõem uma nova organização escolar que, sem as adequações necessárias, traduzem-se em precarização do trabalho docente e consequente mal-estar profissional.

As produções também explicitaram a percepção de uma cultura escolar com características por vezes obsoletas e o modelo empresarial sendo implementado equivocadamente nas escolas como tentativa de resolver os problemas educacionais e conquistar resultados de eficiência e competência a curto prazo.

Em consonância à essa discussão, Pérez Gómez (2001, p.167) afirma que a cultura docente se encontra em momento de mudança e reestruturação, “ (...) provocado pelas exigências que a economia de livre mercado, orientada para o benefício e a rentabilidade, e as condições sociais e culturais da época pós-moderna estão exercendo sobre a escola”.

O autor acredita que a ideologia da rentabilidade escolar traduzida pela obsessão da eficiência aparente e a curto prazo, favorece a desvalorização da tarefa educativa e provoca no professor, sua insatisfação e ansiedade profissional.

Dessa forma, considerando que o trabalho docente não consiste apenas em executar ações prescritas, mas antes expressa um tipo determinado de produção com um sentido social, infere-se que as imposições e os direcionamentos arbitrários do trabalho do professor, cerceiam a sua autonomia e descaracterizam os traços da sua profissão.

Sacristán (1999, p.71) corrobora com tais afirmações ao problematizar o fato de a atividade pedagógica ser excessivamente regulamentada e determinada por interferências externas, afirmando que “ (...) a caracterização técnica dos currículos, a sua elaboração prévia por especialistas e uma maior regulamentação da atividade pedagógica, constituem fatores de desprofissionalização do professorado”.

O autor explicita ainda que o conceito de profissionalidade, isto é, os saberes, habilidades e atitudes docentes estão em permanente reconstrução em função do momento histórico e da realidade social que o conhecimento escolar pretende legitimar. Isso significa que “(...) a profissão docente é socialmente partilhada, o que explica a sua dimensão conflituosa numa sociedade complexa na qual os significados divergem entre grupos sociais, econômicos e culturais” (SACRISTÁN, 1999, p. 70).

Hargreaves (1994) afirma que as estratégias de mudança propostas ao trabalho docente, mesmo as que procuram promover o crescimento profissional dos professores e apoiar os seus esforços para construir uma comunidade profissional são comprimidas em modelos mecanicistas e se desenvolvem sob supervisões sufocantes. Para o autor:

O tempo extra que é concedido aos professores para se dedicarem a outras tarefas, que não as de sala de aula, pode ser-lhes tomado de volta através de controlos e de regulamentos mais apertados respeitantes à maneira como esse tempo deve ser utilizado. O desenvolvimento profissional pode ser transformado num controlo burocrático, as oportunidades para se dispor de um mentor, em sistemas de mentores, e as culturas de colaboração numa colegialidade artificial (HARGREAVES, 1994, p.3).

O autor reitera que muitas estratégias de mudança desconsideram as expectativas dos professores em relação ao ensino e ameaçam o seu próprio desejo de ensinar.

Para Fullan e Hargreaves (2000), o ato de ensinar não pode ser reduzido a técnicas eficientes e a comportamentos aprendidos, mas tem relação com a natureza das decisões e dos critérios dos professores, ou seja, as diferentes ações e juízos que são parte do trabalho profissional. Os professores devem estar envolvidos na tomada das decisões sobre a disciplina com a qual leciona, sobre o controle da sala de aula, sobre o fazer pedagógico, sobre a liberdade da criança e a necessidade de intervenção e orientação do professor. Trata-se da justa aplicação de suas habilidades e experiência profissionais às circunstâncias específicas e variáveis da sala de aula, definindo muito do seu profissionalismo. Afirmam que:

O comprometimento com essa visão do ensino e do trabalho do professor sugere métodos de liderança, de administração e de desenvolvimento pessoal que respeitem, apoiem e incrementem a capacidade que possuem os professores para formular juízos equilibrados e informados na sala de aula, em relação àqueles estudantes que eles conhecem melhor. Diferentemente, os métodos que buscam regular e normatizar as ações dos professores, limitar e reduzir suas oportunidades de julgamento e padronizar o processo e os produtos da aprendizagem, corroem seu profissionalismo e os princípios morais em que se baseiam (p.35).

Segundo Lantheaume (2012, p.371) “(...) os professores se sentem hoje coletivamente rebaixados, “menores” do que eram, e, individualmente, uma dificuldade profissional não superada deixa-lhes a impressão de perderem a própria dignidade”.

Para o autor, essa dignidade é constituída pelo sentimento de exercer um ofício de valor à sociedade, pela consciência de participar da história e de ser reconhecido como qualificado e competente. Afirma que os professores revelam sofrimento que se manifesta quando a impotência de agir engendra o sentimento de não saber mais o que significa fazer bem seu trabalho, introduz a dúvida sobre sua utilidade.

Compreendemos que entre as dificuldades observadas para a efetivação das diversas tarefas do processo de ensino e aprendizagem em sala de aula, a realização de tarefas burocráticas, as pressões e cobranças, inclusive por resultados nos exames e índices, os professores vivem a perda de autonomia, desqualificação e precarização do próprio trabalho e profissão.

O trabalho docente torna-se cada vez mais complexo, sujeito às prestações de contas e burocracias intensas, condições de trabalho desgastantes e inadequadas. Os professores não têm autonomia para definirem escolhas profissionais que acreditam serem melhores aos seus alunos em seu próprio espaço de trabalho. Hargreaves (1994) retrata este trabalho como mais rotineiro e menos qualificado.

Na análise de Cavaco (1999), diante de todo este contexto, os professores devem identificar formas de recriação da profissão e recomposição da sua imagem social. Por meio de incentivos ao trabalho coletivo, garantia de oportunidades de formação continuada, tempos, espaços e recursos disponíveis aos professores para as devidas reflexões e ações há que se resgatar o sentido da profissão, o que coloca não só aos professores, mas às demais instâncias envolvidas no processo educacional, o desafio de pensar a profissionalidade docente e realizar as transformações necessárias.

Considerações finais

As reflexões desenvolvidas no presente artigo pretenderam conhecer e problematizar o mal-estar docente no contexto escolar por meio das produções acadêmicas brasileiras e o diálogo com a literatura especializada. Para isto, realizamos pesquisa bibliográfica, levantando em dois bancos de dados, CAPES E ANPED, pesquisas sobre o tema com seus dados, análises e contribuições. Os trabalhos explicitaram a presença do mal-estar entre os professores de diversas formas, decorrente especialmente da sua relação com os alunos, da intensificação das tarefas docentes, alteração e ampliação do seu papel profissional.

No início da década de 80, a literatura pedagógica foi contemplada com obras e estudos sobre a vida dos professores, as carreiras e os percursos profissionais, recolocando-os, na análise de Nóvoa (1999), no centro dos debates educativos e das problemáticas de investigação. Tais perspectivas de investigação contribuíram para explicitar as questões de insatisfação dos professores no magistério, tema que tem sido objeto de estudo, tanto no Brasil quanto em outros países.

Podemos observar que os sentimentos de desânimo, insatisfação, frustração atingem os professores no exercício da sua profissão em maior ou menor grau e estão à vista de todos. Os professores enfrentam expectativas, cobranças e desafios crescentes em relação ao seu trabalho decorrentes das transformações sociais, inovações e reformas educacionais. Nem sempre têm condições de respondê-los adequadamente, sentindo o mal-estar.

As exigências da escolarização e inserção profissional em uma sociedade competitiva e de evolução acelerada, afetam a escola com um conjunto cada vez mais alargado de funções e exige do professor resposta às aspirações educativas. Concretamente, porém, o que geralmente encontramos em nossas salas de aulas são recursos ultrapassados, burocracias e metodologias que não dão conta de favorecer a autonomia, criticidade e criatividade dos educandos e profissionais envolvidos em suas atividades diárias.

Codo (1999) afirma que a tensão permanente entre os professores é devido a um processo de construção e desconstrução de identidades, em atenção às exigências educacionais do mundo atual e uma realidade social que impõe impasses constantes à atividade docente. Para o autor, os professores estão experimentando uma crise de identidade, onde o papel da escola e do professor são questionados e transformados.

Desta forma, as pressões e cobranças, inclusive por indicadores e índices aferidos por um modelo empresarial marcado pela busca da eficácia e eficiência a curto prazo, traduzem-se em inquietação ou insatisfação profissional, podendo gerar o mal-estar docente.

Finalizamos salientando que o propósito do nosso estudo não foi o de tecer críticas à instituição escolar, seus professores e práticas, mas propor uma reflexão, auxiliando-os na difícil tarefa de repensar a própria prática, buscando novas possibilidades de formação e interação com as demais instâncias sociais, culturais e políticas com as quais interage.

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