CAPOEIRA, ESPAÇO E CIDADANIA: UM ESFORÇO DE ANÁLISE A PARTIR DE NARRATIVAS DE MESTRES CAPOEIRISTAS
CAPOEIRA, SPACE AND CITIZENSHIP: AN EFFORT OF ANALYSIS BASED ON THE NARRATIVES OF CAPOEIRISTA MASTERS
CAPOEIRA, ESPACIO Y CIUDADANÍA: UN ESFUERZO DE ANÁLISIS A PARTIR DE LAS NARRATIVAS DE MAESTROS CAPOEIRISTAS
CAPOEIRA, ESPAÇO E CIDADANIA: UM ESFORÇO DE ANÁLISE A PARTIR DE NARRATIVAS DE MESTRES CAPOEIRISTAS
GEOSABERES: Revista de Estudos Geoeducacionais, vol. 11, pp. 277-288, 2020
Universidade Federal do Ceará

Recepção: 02 Outubro 2019
Aprovação: 15 Abril 2020
Publicado: 15 Abril 2020
Resumo: Esse trabalho objetiva investigar, através de relatos orais dos mestres capoeiristas, a relação estabelecida entre a capoeira e a cidadania. Como prática metodológica, foi realizada uma pesquisa qualitativa. Sendo assim, para compreender os aspectos que envolvem a capoeira vivenciada na cidade de Vitória (ES), optou-se pela aplicação de entrevista semiestruturada. A base para a investigação parte das narrativas dos respectivos mestres de cada grupo estudado. Entendemos que cada grupo de capoeira tem suas particularidades, a sua história, sua trajetória, tal como a história dos personagens do grupo que se configura na personificação dos mestres. Todos os grupos pesquisados carregam consigo uma característica em comum que é a utilização de espaços públicos, ou seja, espaços de convívio coletivo para realização de suas atividades. A capoeira praticada em Vitória, surge como uma alternativa de manifestação cultural que ocupa e ressignifica os lugares públicos da cidade. Ao longo da pesquisa é percebido que o principal componente que auxilia na ampliação da cidadania são os valores transmitidos pela oralidade e pela experiência de vida dos mestres, que passam de geração a geração.
Palavras-chave: Capoeira, Espaço, Cidadania.
Abstract: The finality of this paper is to investigate the relation between capoeira and citizenship amplification, trough of reports from Teachers and Mestres. Was realized a qualitative research as methodological practice. Therefore, was used a semi structured interview, where the interviewer prepares a script and leading of bruising form to understanding all relevant aspects that involve the daily capoeira in Victoria City. The base of the investigation starting from Mestres reports of each group studied. We understand there are many particulars in each groups of capoeira, its history, its trajectory, such as the history of the personage of the group configured in Mestres's impersonate. There is a common characteristic in all investigated groups, everyone use public places, in other words, collective places to realize their activities. The Capoeira practiced in Victoria, comes up as a cultural alternative manifestation, that brings meaning and take up public places. Throughout of the research, was observed that the principal component are values transmitted generation to generation, through oral form Mestres's lives experience.
Keywords: Capoeira, Space, Citizenship.
Resumen: Esse documento tiene como objetivo investigar a través de informes orales de maestros y profesores la relación establecida entre la capoeira y la expansión de la ciudadania. Como práctica metodológica, se realizó una investigación cualitativa. Por lo tanto, para comprender los aspectos que involucran a la capoeira experimentada em laciudad de Vitória (ES), se decidió aplicar una entrevista semiestructurada, em la que el investigador prepara um guión, realizando las preguntas de la manera que Le parezca más llamativa. La base de la investigación proviene de lãs narraciones de los respectivos maestros de cada grupo estudiado. Entendemos que cada grupo de capoeira tiene sus particularidades, su historia, su trayectoria, así como la historia de los personajes del grupo que se configura em la personificación de los maestros. Todos los grupos estudiados llevan consigo una característica común que es el uso de los espacios publicos, es decir, espacios para la vida colectiva para realizar sus actividades. La capoeira, practicada en Vitória, aparece como una alternativa de manifestación cultural que ocupa y resignifica los sitios públicos de la ciudad. A lo largo de la investigación se percibe que el componente principal que ayuda em la expansión de la ciudadania son los valores transmitidos por la oralidad y la experiencia de vida de los maestros, que pasan de generación em generación.
Palabras clave: Capoeira, Espacio, Ciudadania.
INTRODUÇÃO
A presente pesquisa apresenta como foco de análise a capoeira. Porém, é preciso salientar que o estudo e a compreensão da capoeira na atualidade não é uma tarefa fácil, uma vez que, no processo de mundialização, o fazer capoeira ganha uma grande diversidade, isso levando em consideração as inúmeras formas pelas quais o jogo é praticado.
Este trabalho resulta da pesquisa de mestrado desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGG/UFES), que se propôs a investigar como os grupos de capoeira localizados na cidade de Vitória - ES exercem a sua prática, evidenciando aspectos que promovem a consolidação das identidades culturais e a ampliação da cidadania no território em que se encontram inseridos.
Para a realização desse artigo foi realizado um recorte das categorias investigadas na dissertação. É, nesse sentido, que iremos enfatizar a relação entre a capoeira e a cidadania. Objetivou-se pesquisar, por meio dos relatos orais dos mestres de capoeira, os meandros da ligação estabelecida entre a capoeira e a tão desejada ampliação da cidadania, terma importante para a Geografia.
Ao optar pela cidade de Vitória, consideramos que a história da capoeira, neste território, ainda não está completamente contada. Dessa forma, a realização desta pesquisa possibilita uma maior visibilidade do(s) modo(s) como a capoeira está se organizando socioespacialmente na capital capixaba.
Como admirador e pesquisador da cultura afro-brasileira e, principalmente, da capoeira como manifestação cultural, é percebido alguns desafios referentes ao entendimento da realidade da capoeira atualmente, sobretudo no que concerne à sua consolidação como instrumento para o processo de formação da cidadania. Esses desafios estão atrelados à necessidade de melhor refletir e debater acerca da identidade cultural brasileira, estabelecendo uma ligação direta com a herança africana que é relegada e omitida diante de uma sociedade preconceituosa e racista.
Portanto, julgamos imprescindível compreender como as narrativas da capoeira vivenciada em terras capixabas se estruturam por meio das redes de relações estabelecidas nos dias atuais, que envolvem diversos sistemas socioculturais.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Os procedimentos metodológicos utilizados na elaboração do presente trabalho, consistiu na realização de uma pesquisa qualitativa, em que “o sujeito-observador faz parte do conhecimento de fenômenos, atribuindo-lhes um significado. Sendo assim, o objeto não é neutro, possui significados e relações que os sujeitos concretos criam em suas ações” (GRUBITS; DARRAUT-HARRIS, 2004, p.110).
Esse tipo de pesquisa apresenta algumas características fundamentais que auxiliam o objetivo da investigação. A pesquisa qualitativa se identifica com algumas técnicas, tais como observação participante, história ou relatos de vida, análise de conteúdo e entrevista (GRUBITS; DARRAUT-HARRIS, 2004).
Para compreender os aspectos que envolvem a capoeira vivenciada na capital capixaba, optou-se pela aplicação de entrevista semiestruturada, em que o pesquisador prepara um roteiro, conduzindo as perguntas da maneira que achar mais contundente. Além disso, esse tipo de entrevista proporciona resultados diferentes, visto que os participantes acabam por nortear o curso da entrevista por meio de suas respostas. Após a realização das entrevistas, foram realizadas as transcrições das falas, analisando as narrativas, estabelecendo como foco a base teórica trabalhada.
O trabalho empírico envolveu seis grupos de capoeira (Figura 1), são eles: Barravento, Volta ao Mundo, Sapeba Capoeira, Beribazu, Herança Cultural e Renascer, todos com suas sedes localizadas na cidade de Vitória – ES.
Sendo assim, nesse artigo, serão apresentadas narrativas levantadas durante as entrevistas, de modo a apresentar as principais características que marcam a dinâmica territorial da relação entre a prática capoeirista de cada grupo e a apropriação dos mais diversos territórios localizados no espaço urbano da cidade de Vitória. No processo de análise das narrativas buscamos estabelecer um panorama, visando compreender e refletir a trajetória da capoeira vivenciada em solo capixaba.
Para entender o universo vivenciado pela capoeira durante o período de realização da pesquisa de mestrado (2017-2018), foi feita uma imersão, na qual foram acompanhadas as mais diversas atividades promovidas pelos grupos de capoeira pesquisados. Nesse período, realizamos 45 inserções de campo, em que participamos de diversas atividades, como: treinos, rodas, batizados, “aulão da amizade” e eventos em geral.
Entre mestres, contramestres, professores e iniciantes no mundo da capoeira, perfazendo uma estimativa geral, foram estabelecidos diálogos com aproximadamente 200 (duzentas) pessoas. Contudo, os dados trabalhados neste artigo, são provenientes de 06 (seis) sujeitos, sendo 04 (quatro) mestres, 01 (uma) contramestra e 01 (um) professor de capoeira. Na pesquisa, utilizamos nomes fictícios, a fim de preservar a identidade dos sujeitos envolvidos.
No processo de análise, articulamos dados provenientes de diferentes fontes – para que a unilateralidade de um dado não se sobreponha à complexidade da realidade – com os pressupostos teórico-metodológicos que orientaram esta pesquisa.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Tanto na vida como na roda, é preciso gingar sempre: buscando a cidadania
Moleque do morro (Mestre Toni Vargas)
Moleques do Morro do Boréu
Santa Marta, Pavão, cais da Bahia
Nunca que frequentaram academia
Já nasceram jogando capoeira
Aprenderam a gingar na ladeira
Atravessando a rua, a esquiva
E fugindo da vida, a negativa
O martelo cruzado e a rasteira
O macaco por pura brincadeira
E o aú nem se fala, que é bobagem
Já cresceram vivendo a malandragem
Se não fossem malandros, nem cresciam
E o toque do Berimbau que ouviam
Era dentro do peito que tocava
Era a voz de Zumbi que então gritava
“Corre livre, moleque
Não se entregue”
Que filho de Zumbi já nasce livre
Ele luta com força e valentia
Até que se possa dizer, um dia
Somos livres, irmãos de toda raça
Berimbau vai tocar em plena praça
E o povo vai jogar a noite inteira
Capoeira Meu povo!
A ideia de iniciar este item com a letra da música “Menino do Morro” é mostrar a realidade de tantos capoeiristas que não têm seus direitos garantidos, como diz a letra “já cresceram vivendo a malandragem, se não fossem malandros nem viviam”. Podemos evidenciar nessas palavras a materialização daqueles que caracterizam o não-cidadão. De acordo com Santos (1993 p. 19), “é extensa a tipologia das formas de vida não-cidadãs, desde a retirada, direta ou indireta, dos direitos civis à maioria da população, ao abandono de cada um à sua própria sorte”.
Os não-cidadãos, de forma geral, correspondem a uma parcela da sociedade que a todo momento tem seus direitos negados. No Brasil, parte dessa população seria composta por classes de baixo poder aquisitivo, descendentes de povos negros e (sempre) periféricos que, historicamente, também são representados por diversos capoeiristas, uma vez que genuinamente a capoeira é uma prática ligada e vivenciada pelos negros e negras.
Nessa reflexão, Santos (1993) faz a seguinte reflexão: quantos habitantes, no Brasil, são cidadãos? Quantos nem sequer sabem que são? A partir disso e envolvendo o debate sobre cidadania e a sua ausência, Freire (2006, p. 17), destaca que:
Precisamos enfatizar, antes de tudo, que a busca pelo direito de cidadania, pelo direito à cidade, precede uma intensa luta pela melhoria nas condições da vida cotidiana, a existência digna, o que significa, dentre outros movimentos relevantes, a luta contra um cotidiano massacrante e alienante a favor da humanização do homem. Daí podermos pensar, sim uma cidadania e uma democracia verdadeiras.
A ideia de cidadania caminha junto com a concepção de conjunto de direitos político e civis, em outras palavras, “entendemos que a cidadania, de fato, passa pela concreta participação e o envolvimento integral do indivíduo no lugar em que ele vive, seja na escala micro ou macro: o bairro ou a grande cidade” (FREIRE, 2006, p. 19). Contudo, no Brasil a realidade é bem diferente. Vivemos em um mundo onde as desigualdades sociais imperam e, as oportunidades não chegam para todos. Diante desta realidade podemos nos perguntar: o que a capoeira tem a ver com isso? Silva; Heine (2008, p. 29) nos ajuda a responder:
A capoeira sempre foi e será símbolo de resistência e de luta por uma sociedade mais justa e com direitos reais e iguais para todos. Com a capoeira, os escravizados lutaram pelo direito a vida e não se acomodaram nem aceitaram a escravidão. Acreditaram no sonho de liberdade, arregaçaram as mangas, criaram estratégias e batalharam por uma vida mais digna. Assim, a capoeira pode dar às pessoas um sentido de dignidade para a vida, esperança e força para lutar e construir um futuro melhor para todos (SILVA; HEINE, 2008, p.29).
É preciso deixar claro que a intenção ao trazer a citação acima não é romantizar a capoeira, mas mostrar que, desde a sua origem, a forma como ela foi vivenciada durante o período da escravidão, já era possível perceber características do que hoje consideramos ser a busca pela cidadania.
Sendo assim, ressaltamos que na atualidade o simples fato de estudar, e de certa forma trazer essa reflexão para o debate, já simboliza uma atitude cidadã. Dessa forma, a principal intencionalidade desse debate é pensar a capoeira como lugar de cidadania.
A história de vida do professor Berimbau é singular ao mostrar a superação que a vivência no mundo da capoeira possibilitou:
Desde quando eu conheci a capoeira, eu comecei com 9 anos de idade, com 10 anos eu fui morar nas ruas, morei 8 anos nas ruas e graças a capoeira assim, se não fosse a capoeira na minha vida eu não sei o que eu seria hoje. Mesmo morando na rua eu sempre pratiquei capoeira então a capoeira me instruiu muito (PROFESSOR BERIMBAU - Transcrição de entrevista realizada em 05/06/2018).
Através da narrativa acima, fica evidente a proposta de formação cidadã proporcionada pela capoeira, Ainda em sua infância, por questões que não cabem ser mencionadas neste momento, foi vivenciada a falta de direitos ao ponto de vir morar nas ruas. Todavia, a aproximação com a prática cultural - a capoeira - levou-o a trilhar outro caminho:
Olha a minha história de vida, eu morei tantos anos na rua, de mais de 30 crianças que morava comigo na Praça da Sé, só 3 vingaram, e os três hoje se tornaram cidadãos de bem, no meu caso foi graças aos bons exemplos que recebi dos meus mestres de capoeira (PROFESSOR BERIMBAU - Transcrição de entrevista realizada em 05/06/2018).
Dentro da capoeira, os mestres exercem uma figura singular, atrelando ao seu papel a responsabilidade de direcionar por meio de seus atos e atitudes a vida daqueles que os tomam como exemplo. Nesse sentido, o entrevistado acima pôde experenciar outras possibilidades em sua vida.
Gomes (2002) argumenta que uma formação cidadã deve estar em conformidade com a interpretação do espaço através dos múltiplos fatores intencionados que o condicionam. Sendo assim, os bons exemplos recebidos foram os condicionamentos necessários para a sua formação como cidadão, e isso é tão significativo que em sua prática, nos dias atuais, o fator exemplo pode ser percebido como metodologia na busca da formação da cidadania de seus alunos.
Eu acredito que dentro da capoeira a formação da cidadania passa muito pelo exemplo dos mestres e professores para com seus alunos. Eu acredito que a partir do momento que você tem uma conduta legal, mesmo a criança sendo de um território conflituoso de vulnerabilidade, a pessoa olha para você e diz que quer seguir seus passos, nós acabamos sendo espelhos para os alunos (PROFESSOR BERIMBAU - Transcrição de entrevista realizada em 05/06/2018).
Diante do relato, podemos associar o conceito de cidadania vivenciada pelo professor Berimbau àquele que DaMatta (2000) vai propor, em que a cidadania é um pacto social estabelecido simultaneamente como relação de pertencimento a um grupo, ou seja, o fato de pertencer ao grupo de capoeira foi fator decisivo para a construção dos ideários de cidadão vivenciado na sua trajetória de vida, sendo que hoje, professor Berimbau, acredita que a capoeira possibilitou mudanças e mostrou caminhos que fizeram total diferença em seu percurso: “tudo que eu tenho hoje a capoeira me deu” (PROFESSOR BERIMBAU – Transcrição de entrevista realizada em 05/06/2018).
A capoeira é elemento de transformação social evidenciada na fala do Mestre Atabaque: “como disse o mestre Pastinha, a capoeira é tudo aquilo que a boca come. Então, ela traz tudo de bom para quem a pratica e quem a entende. Ela traz tudo que nós precisamos. Dentro do estudo, dentro da prática como defesa pessoal e dentro da musicalidade” (MESTRE ATABAQUE - Transcrição de entrevista realizada em 06/06/2018).
Entende-se, por meio das falas analisadas, que com a capoeira é possível fomentar a ampliação da cidadania e, até mesmo, a construção desta, uma vez que por meio da vivência no grupo tem-se a chance de conhecer deveres e direitos, conviver com seus semelhantes e acreditar nas suas potencialidades.
Nesse aspecto, os grupos da cidade de Vitória - ES têm feito um trabalho direcionado para a prática cidadã, em que os resultados podem ser comprovados através das falas levantadas durante o trabalho de campo.
Para mim, participar da capoeira foi muito importante, pois tenho vários amigos que hoje estão no tráfico, e eu só não estou por que através da capoeira percebi que não é legal (Diário de campo do dia 03/09/2018 – PANDEIRO 15 anos).
Se não estivesse praticando capoeira, hoje poderia estar na rua, fazendo sei lá o que (Diário de campo do dia 01/08/2018 – AGOGÔ, 18 anos).
Na atualidade, em que as desigualdades em nosso país são grandes, os grupos de capoeira exercem um papel fundamental dentro da perspectiva da formação cidadã. Além disso, levando-se em consideração que, mesmo aqueles grupos localizados em bairros mais elitizados, de alto poder aquisitivo, há uma responsabilidade social em manter a função da capoeira como veículo de afirmação da cidadania.
O núcleo da Pedra da Cebola tem a função de organizar o grupo como um todo, aqui 80 a 90% do grupo é universitário. Nosso objetivo é espalhar a semente do trabalho que já realizamos mantendo a tradição e nos outros núcleos sociais como nós chamamos que são em comunidades que a capoeira atende que nós achamos que a capoeira tem que chegar lá, então como é que funciona isso, esse grupo dos adultos que tem a possibilidade de escrever editais. Num edital que escrevemos para a Pedra da Cebola, a gente vai colocar o uniforme para o núcleo das crianças, é como se fossem os meus soldados e a gente sai para atuar nos núcleos sociais e esses trabalho de crianças e adolescentes vão trazer todas as formas de contribuições que a capoeira vai proporcionar, que é essa mistura de elementos multidimensional que abre esse campo de ação que uma escola de sabedoria de autoconhecimento, conhecimento humano em geral, a preservação da ancestralidade valorizando e resgatando a história afro-brasileira o legado cultural e trabalhando junto com isso outros elementos como companheirismo, respeito, ética, dentre outros valores. Eu acho que existe uma valorização da auto-estima muito grande de todos os praticantes de todos os núcleos, os relatos que chegam é que eles falam que o grupo me deu força, o grupo me encorajou a seguir em frente, a capoeira fortalece por si só (CONTRA MESTRA CAXIXI - Transcrição de entrevista realizada em 05/09/2018).
Quando se fala em Capoeira, as palavras inclusão e cidadania devem vir sempre atreladas, pois, engloba os vários elementos mencionados na fala da contramestra: autoconhecimento, preservação, companheirismo, respeito, ética. Tais itens são parte integrante que deveriam compor o cotidiano de todo e qualquer indivíduo. Todavia, sabemos que diante da atual realidade, uma parcela da população não é reconhecida de fato como cidadã, cujos elementos não acontecem em uma proporção ideal de igualdade, sendo a capoeira, principalmente, nos bairros periféricos, a responsável por mitigar tais efeitos.
Falar em cidadania é falar do processo educativo e as ações dos grupos pesquisados têm uma preocupação através de suas atitudes em potencializar e incentivar a ampliação da cidadania por meio do incentivo aos estudos.
A capoeira tem sido uma ferramenta de transformação e a comunidade aceitou super bem [...], a garotada antes da chegada do projeto não gostava de estudar então montei um projeto específico “Capoeira e o caderno”, onde para participar da capoeira os integrantes precisam melhorar o rendimento escolar, e isso eu fui acompanhando, e desta forma tenho certeza que exercer uma prática voltada para a cidadania (PROFESSOR BERIMBAU - Transcrição de entrevista realizada em 05/06/2018).
Nós temos que ter a educação para as nossas crianças. Que elas estejam na escola. Ter uma boa formação educativa, para que elas possam ser inseridas na sociedade com muita responsabilidade com muito cuidado. Dependendo da situação, buscar saber se essa criança está com algum problema dentro da escola, na sociedade ou dentro de casa. Para que essa criança seja formada como uma boa cidadã. Por que a criança de hoje seja futuro de amanhã. E se não formar uma criança com boa educação, eu não vou ter uma boa cidadã (MESTRE ATABAQUE - Transcrição de entrevista realizada em 06/06/2018).
Dentro da questão que abarca a cidadania e a educação, além do incentivo aos estudos, a questão disciplinar é um ponto que pode ser percebido na fala dos entrevistados.
Nós trabalhamos muito a disciplina. Não é por que nós praticamos uma luta, uma arte marcial, que tem musicalidade e movimento, que deixamos de praticar disciplina. Então nós exigimos isso, disciplina e respeito com os seus colegas. Mostramos isso aos alunos, independente de qual idade for que ele precisa respeitar seu próximo (MESTRE ATABAQUE - Transcrição de entrevista realizada em 06/06/2018).
No decorrer desta pesquisa, foi mostrado que a capoeira possibilita a formação da cidadania, isso levando em consideração, que é uma cultura muito rica, e que diante dos espaços apropriados para sua prática, existe uma intencionalidade muito clara no que diz respeito a essa proposta, cujos entrevistados verbalizaram:
Às vezes, acontecem várias rodas, sempre com a mesma intencionalidade de levar a cultura afro-brasileira e potencializar a cidadania (MESTRE BAQUETA - Transcrição de entrevista realizada em 07/07/2018).
O grupo, como forma de estimular a cultura e potencializar a cidadania aqui na região do Centro de Vitória, realiza todo mês uma roda que reúne todos os polos na Vila Rubim, resgatando assim a capoeira do Estado, se tornando um polo turístico e de valorização e também de resgate da cidadania (MESTRE BERIMBAU - Transcrição de entrevista realizada em 06/06/2018).
Araújo (2010) faz uma reflexão associando o termo “ginga” à capacidade que a população tem de gingar, referindo-se ao jogo de cintura frente aos conflitos e desigualdades impostos pelo sistema que vivemos. Nessa “ginga da vida”, os grupos entrevistados agem de forma a possibilitar meios para que aqueles que os participantes vivenciem situações que futuramente favoreçam as práticas cidadãs.
Existem alguns projetos onde orientamos a importância de ter todos os documentos pessoais começando pela carteira de identidade, orientamos a estudar, a se colocar no mercado de trabalho, são elementos pontuais por isso que falo que é uma cidadania limitada. Outro ponto é a relação com meio ambiente, o lixo, outra é o cuidado com a saúde, então trabalhamos o banho, a higienização a boa alimentação, mas às vezes a criança não tem o alimento em casa por isso que falo que é limitada. Não adianta falar que tem de chegar a casa e se alimentar se o cara não tem condições de comprar. Por isso que ela é limitada, trabalhamos também nas reconfigurações familiares. Trabalhamos nesses tipos de formação do cidadão para que ao menos possa balizar e tomar uma atitude e também orientando a formação (MESTRE BAQUETA - Transcrição de entrevista realizada em 07/07/2018).
Dentro da proposta da pesquisa, uma das questões emblemáticas diz respeito ao entendimento por parte dos entrevistados sobre o conceito de cidadania e como a capoeira atua em prol da construção cidadã.
Tal questionamento parte da perspectiva de que a capoeira é um caminho para esta construção, uma vez que levando-se em consideração toda a sua trajetória ela vem na contramão, sendo uma ferramenta de luta e principalmente uma prática cultural contra toda forma de desigualdade, fazendo emergir, através de sua multidimensionalidade, toda condição que corrobora para a prática e vivência da igualdade.
Durante as observações, foi possível participar de rodas de conversas com temas de suma importância que tocam diretamente a vida cotidiana dos seus praticantes: extermínio da juventude negra, feminicídio da mulher negra, cotas sociais, assistência social, atual cenário político e as formas de resistência, dentre outros.
Contribuindo para o debate que envolve o conceito de cidadania partimos do pressuposto de que “a cidadania ampla passa, inclusive, pela existência de tempo, não o tempo da produção, mas o tempo para a vida mais digna; para que o indivíduo possa usá-lo no seu cotidiano; tempo para apreender, tempo para criar, tempo para o vivido” (FREIRE, 2006, p.18). Em relação ao questionamento referente à cidadania, algumas das respostas foram as seguintes:
A primeira ideia que vem à cabeça é a ideia de direitos e deveres dos indivíduos em uma sociedade, então trazendo o conceito para a relação da capoeira porque são justamente essas questões que nós temos consciência da forma que é desigual em nosso país (CONTRA MESTRA CAXIXI - Transcrição de entrevista realizada em 05/09/2018).
A gente pode partir das questões de princípios, respeito ao próximo, lealdade, consciência da importância que tem a integridade física e moral do outro, respeito às leis, por que a capoeira tem regras, tem normas, disciplina, e a pessoa que na capoeira aprende a respeitar as normas ela lá fora tende a respeitar também. Na capoeira ela aprende a respeitar o próximo, a tendência dela lá fora também ser um cidadão mais compromissado com o outro [...] então acredito na formação de um cidadão através da capoeira por essas ferramentas que promovem educação, que promovem socialização, e acho que para uma pessoa ser realmente um cidadão de bem ela tem que além de se gostar, se conhecer, respeitar o próximo e a pessoa que não respeita o próximo na capoeira ela não fica. Ela não cabe (MESTRE DOBRÃO - Transcrição de entrevista realizada em 02/08/2018).
Não existe cidadania neste país, cidadania existe de direita, na parte jurídica, no voto, então é uma cidadania incompleta. Eu posso falar que tentamos levar a cidadania, mais ela chega incompleta, não é uma cidadania plena, eu não posso falar que na capoeira e no grupo trabalhamos a cidadania plena. O que seria uma cidadania plena... Ter o poder de decidir acima do estado e nós não temos isso, a capoeira não tem esse poder, nós trabalhamos a cidadania no sentido de encaminhar, mostrar o caminho, criar proximidade com a cultura. Para mim a cidadania seria você ter poder de decisão sobre o seu destino com qualidade de vida e com consciência. A capoeira trabalha sim com cidadania mais de forma limitada, apontando, guiando, balizando a criança, o jovem o adulto onde ele pode ir de uma forma segura, diante das drogas das armas, do comércio do corpo. Nós trabalhamos uma cidadania muito limitada. A capoeira possibilita uma cidadania autonomia cuidadora, pois de poder de decisório a capoeira não tem espaço para isso, a capoeira em sua trajetória exerce de certa forma uma cidadania de resistência (MESTRE BAQUETA - Transcrição de entrevista realizada em 07/07/2018).
Gomes (2002) indica que o conceito de cidadania é uma ideia muito valorizada. Todavia, na atualidade, acaba sendo impreciso em suas significações. Na concepção do autor, a cidadania atua como uma representação dos indivíduos dentro do Estado Nacional, contudo, este se coloca como um fenômeno muito mais complexo que incide no quadro da dinâmica territorial cotidiana da sociedade.
Diante das opiniões levantadas, podemos dialogar com alguns autores que se aproximam das ideias e significações abordadas por nossos mestres. A primeira e segunda narrativa nos permite dialogar com DaMatta (2000), uma vez que este autor trabalha com a questão de princípios de universalidade na formação e concepção da cidadania.
A terceira narrativa abre espaço para dialogar de forma direcionada com a concepção de Santos (1993, p.43): “o espaço vivido consagra desigualdades e injustiças e termina por ser, em sua maior parte, um espaço sem cidadãos”. Condescendendo a ideia de Santos, o Mestre Baqueta afirma que “não existe cidadania neste país”, em que podemos interpretar, na verdade, seriam os não cidadãos, uma vez que através do relato, evidenciamos a falta de garantia de direitos. Dentro desta lógica de interpretação, Santos (1993, p. 13) vai dizer:
Em nenhum outro país foram assim contemporâneos e concomitantes processos como a desruralização, as migrações brutais desenraizadoras, a urbanização galopante e concentrada, a expansão do consumo de massa, o crescimento econômico delirante, a concentração da mídia escrita, falada e televisionada, a degradação das escolas, a instalação de um regime repressivo com a supressão dos direitos elementares dos indivíduos, a substituição rápida e brutal, o triunfo, ainda que superficial, de uma filosofia de vida que privilegia os meios materiais e se despreocupa com aspectos finalistas da existência e entroniza o egoísmo como lei superior, porque é instrumento da buscada ascensão social (SANTOS, 1993, p.13).
O Mestre Baqueta é categórico ao evidenciar em seu grupo algo que conduz à cidadania através do comportamento, atos e atitudes dos seus alunos “o comportamento social dentro do ritual da capoeira, paciência, escuta e esperar seu momento de jogo, e também na construção do evento, pois todo mundo se envolve”. Outro ponto destacado, na visão deste mestre seria a simbologia maior da representação da cidadania dentro do contexto que seu grupo está inserido.
Através da nova corda, que acaba construindo uma cidadania, o alcance do objetivo naquele espaço, não uma cidadania de Estado maior, naquele momento sim, existe um momento de valorização do cidadão diante do contexto cultural que é a capoeira, há uma identidade, há um reconhecimento, há um vínculo. A materialização é quando ele sai do evento e volta para casa circulando com a roupa na comunidade e as pessoas envolvidas com comportamentos inadequados (traficantes, assaltantes) respeitam aquelas crianças e por vezes até protege, neste momento, fica evidente a cidadania de resistência que sabe que existe a pessoa mais respeita (MESTRE BAQUETA - Transcrição de entrevista realizada em 07/07/2018).
A questão territorial é fundamental para pensar a lógica da cidadania na visão de Gomes (2002, p. 134): “a cidadania surge a partir de uma reorganização do território”. Na visão de Santos (1993, p.116), “é impossível pensar uma cidadania concreta que prescinda do comportamento territorial”.
Nessa perspectiva de análise, a cidadania atrelada ao território pode tornar-se um limitador na ampliação da condição de cidadão, sendo a prática da capoeira muitas vezes responsável por romper tal limite.
Quando um indivíduo vivencia outras situações diferentes do seu cotidiano, por exemplo, um jovem de periferia, que tem um acesso limitado a determinados espaços, determinados direitos e a capoeira abre para ele outros espaços, isso porque ele sai de dentro do mundinho dele e vai fazer rodas em outros lugares, conhece outras pessoas: então ele é levado ele conhece mundos distintos do que ele está acostumado e esses mundos distintos são diferentes do mundo dele que o sistema trabalhou arduamente para que ele acreditasse que só tinha acesso aquilo. Então a partir do momento que ele sai daquilo que o sistema falou “olha para você é só isso aqui” ai vê que existem outras coisas além do mundo que pertence ali da sua comunidade, então esse jovem começa a questionar as barreiras, as oportunidades que não chegam até ele que ele tem direitos que são negados, então esse despertar vem. A capoeira começa a mostrar uma situação de igualdade naquele espaço dos treinos e das rodas e porque essas igualdades não podem se expandir para além daquele espaço para a sociedade enquanto um todo, então o que vemos é um empoderamento e uma abertura da visão desse jovem citado no exemplo, e acaba por mudar suas expectativas futuras e do seu comportamento de suas atitudes. Entendo isso como parte da formação cidadã (CONTRA MESTRA CAXIXI - Transcrição de entrevista realizada em 05/09/2018).
Diante dessa situação de invisibilidade do indivíduo por habitar em determinados bairros, Santos (1993), diz que o valor do indivíduo depende de onde ele está. Argumenta, ainda que, o fato de morar na periferia da cidade já é se condenar duas vezes à pobreza: a pobreza do mercado econômico e a gerada pelo modelo de produção desigual do espaço urbano.
Na perspectiva de fomentar a consolidação da cidadania, a capoeira praticada na cidade de Vitória – ES, como demonstrado na fala acima, busca propiciar uma prática empoderada, fornecendo acesso a espaços de direitos, levando o indivíduo a um pensamento crítico em relação ao meio em que ele está inserido.
Outra vivência muito interessante destacada nos grupos da cidade de Vitória é a formação da cidadania por partes daqueles que vivenciam o outro lado da situação, indo na contramão do que foi explicitado até agora. Aqueles que, por terem uma condição econômica mais confortável, conseguem ter acesso de forma mais digna aos bens e serviços universais.
A prática da capoeira nos bairros de classes de médio e alto poder aquisitivo possibilita uma formação crítica e humana, posto que provoca uma reflexão daqueles jovens de maior poder aquisitivo diante dos outros jovens de classes sociais menos favorecidas, o que oportuniza perceber que tem algo errado na distribuição dos bens e serviços produzidos pela sociedade.
Neste momento, esses jovens de classe média, ao perceber tal disparidade, começam a militar pela igualdade, mesmo não sendo atingidos diretamente por esta questão, ou seja, a capoeira possibilita ao indivíduo uma visão crítica que dentro da perspectiva trabalhada nesta pesquisa está atrelada à ampliação da cidadania.
Por fim, para melhor percepção da relação existente entre a capoeira vivenciada na cidade de Vitória e a ampliação da cidadania é apresentado um quadro síntese conclusivo com palavras chaves retirada das entrevistas, que na percepção dos mestres capoeiristas corroboram para construção e consolidação da cidadania.

CONCLUSÃO
Nesse estudo, analisamos o processo de apropriação do território na cidade Vitória, com o intuito de encontrar vestígios sobre os aspectos que essa apropriação pode revelar ou não em relação à ampliação da cidadania.
Durante o processo de investigação, reconhecemos os mestres de capoeira e seus discípulos como sujeitos ativos das relações estabelecidas e construídas nas aulas, nas rodas ou nos eventos. A pesquisa partiu do princípio de que a capoeira age como um elemento agregador de valores significativos. Esses valores são fundamentais para a formação da territorialidade, que corrobora para a ampliação da cidadania. Portanto, na realização da pesquisa, percebemos que a prática da capoeira se consolida em uma ação educacional, pois, ela atua na construção e no fortalecimento da cidadania.
As narrativas construídas, por meio das entrevistas, foram primordiais para entendermos e refletirmos sobre os componentes que integram a territorialidade dos grupos de capoeira, os quais colaboram para a ampliação da cidadania. Notamos que o principal componente desse processo são os valores transmitidos pela oralidade e pela experiência de vida dos mestres, que passam de geração a geração.
A capoeira, praticada em Vitória, surge como uma alternativa de manifestação cultural que ocupa e ressignifica os lugares públicos da cidade, isto é, são lugares perigosos que despertam medo e insegurança para a população, por causa da violência que assombra toda a sociedade. A exemplo de áreas periféricas, destacamos os bairros São Pedro, Gurigica, Jesus de Nazaré, Andorinha, Vila Rubim e Rodoviária.
A formação da cidadania é clara na capoeira capixaba, visto que todos os mestres entrevistados e seus grupos de atuação realizam atividades socioeducativa, porque atendem crianças e adolescentes de comunidades de baixa renda em toda a região metropolitana. Desse modo, compreendemos que a representatividade na capoeira é um marco na formação da cidadania. O fato de os mestres atribuírem a capoeira às suas conquistas, não só o financeiro, mas também a moral, desperta o sentimento e a necessidade de ajudar a comunidade.
Nas entrevistas, as falas dos mestres indicam que a missão de educar, ensinar e balizar o caminho da cidadania é mais importante do que todas as outras formas de ensino, que acaba emergindo de forma involuntária. Os autores mencionados na pesquisa e as observações mostram que a prática da capoeira fortalece a relação de respeito mútuo e de parceria entre os integrantes. Em outras palavras, não é possível realizar uma roda de capoeira sem o exercício da coletividade, uma vez que se faz necessário às palmas, o jogador, uma pessoa para tocar os instrumentos e cantar as músicas.
Nesse caso, a pesquisa indica que o caráter democrático, vivenciado durante as aulas de capoeira, possibilita a integração entre as pessoas, afinal, a capoeira é praticada por todas as idades (desde criança até a terceira idade) e por pessoas de todas as etnias e religiões provenientes do mundo inteiro.
As práticas de capoeira, executadas nos grupos estudados, ajudam a lidar uns com o outro e com as suas diferenças. Ainda, atenua as tensões cotidianas, aumentando a autoestima e as formas individuais mais conscientes.
REFERÊNCIAS
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