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ENTRE REDES E DESENHOS: CURRÍCULOS EM TRANSFORMAÇÃO
Estér de Souza Batista Correa; Gênesis Guimarães Soares
Estér de Souza Batista Correa; Gênesis Guimarães Soares
ENTRE REDES E DESENHOS: CURRÍCULOS EM TRANSFORMAÇÃO
Revista Exitus, vol. 14, e024016, 2024
Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA
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RESENHA

ENTRE REDES E DESENHOS: CURRÍCULOS EM TRANSFORMAÇÃO

Estér de Souza Batista Correa
Universidade Estadual de Santa Cruz
Gênesis Guimarães Soares
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Revista Exitus, vol. 14, e024016, 2024
Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA

Received: 27 October 2023

Accepted: 27 March 2024

Published: 18 April 2024

O livro "Currículos em Rede: Composições Temáticas e Movimentos de Resistência com os Cotidianos das Escolas Públicas", organizado pelos professores Carlos Eduardo Ferraço, Danielle Piontkovsky e Maria Regina Lopes Gomes, é composto por 23 capítulos os quais dialogam entre si a respeito dos currículos escolares e de como eles são moldados em diferentes locais.

O primeiro capítulo, intitulado "Currículos em Redes: Planejamento Curricular nas Zonas de Influência Pedagógica em Moçambique como uma Comunidade de Afectos", é de autoria de Adelino Inácio Assane, Elsa Marisa Eduardo Sandifolo Changa Macia e Wilson Profirio Nicaquela. O capítulo apresenta um estudo realizado na Escola Primária de Nicuta e discute como a aplicação de um currículo flexível, em oposição a um currículo rígido imposto por pessoas que não atuam no ambiente, pode ser funcional.

O segundo capítulo, intitulado "Estética e Currículo: Considerações e Cuidados", é escrito por Aldo Victorio Filho, Edivan Carneiro de Almeida e Pâmela Souza da Silva. A ideia principal desse capítulo é relacionar a estética aos currículos em rede, trazendo três conceitos principais para a educação: beleza, gosto e arte. Nesse diálogo, os autores destacam a imposição de padrões estéticos pelos grupos economicamente dominantes e ressaltam a importância de se compreender a estética.

O capítulo número 3, intitulado "Cartografando e Biografemando um Coletivo de Forças entre Escolas, Famílias e Universidade Pública", é escrito por Anelice Ribetto e Sara Busquet. Ele apresenta uma investigação das diferenças na educação, destacando a importância da construção de uma abordagem metodológica através dos currículos em rede para estabelecer uma conexão entre alunos, escola e gestores de políticas públicas.

O capítulo seguinte, intitulado "Currículo em Redes e Aprendizagens: A Aula como Acontecimento", dos autores Carmen Lúcia Vidal Pérez e Minna Gondim Rodrigues, aborda o pressuposto do fracasso na educação infantil ao relacionar a educação com as experiências culturais das crianças. O capítulo também estabelece uma conexão com o conceito de estética, ao incentivar o uso da criatividade.

“Linhas, Traços... O que Pode uma Educação Desenhante?” é o título do quinto capítulo, escrito pelos autores César Donizetti Pereira Leite, Christiane Aparecida Tragante e Cláudia Seneme do Canto, cujo principal objetivo é o de expor como um desenho pode servir para a educação. Os autores afirmam que o desenho “é didático porque serve para explicar algo”, concluindo, assim, que currículos são tipos de desenhos.

O capítulo seguinte, “Desafios da Formação de Professores nos Institutos Federais: as Diretrizes Curriculares em Análise”, com autoria de Denise Lima de Oliveira e Miriam Fábia Alves, visa trazer a discussão do currículo de formação dos professores no Brasil com foco nos Institutos Federais. Os autores fazem uma crítica à tentativa de padronização dos currículos dos docentes, uma vez que ela reforça a falsa ideia de que a partir dessa padronização é possível controlar a qualidade da educação.

O capítulo de número 7, "Currículos em Rede e Processos de Subjetivação", de autoria de Eduardo Simonini, Andréa da Conceição Cândido Rosado e Auxiliadora Aparecida de Matos, tem como objetivo trazer a importância da subjetividade e da individualidade nos currículos em redes.

Posteriormente, no capítulo 8, cujo título é "Escrevivências Curriculares: Narrativas Negras no Território do Silsal", escrito pelos autores Iris Verena Oliveira, Jeane Matos Araújo Lima e Valdemara Souza de Oliveira Costa, o objetivo é introduzir o conceito de "Escrevivência" juntamente com os currículos em redes.

O capítulo 9, "Narrativas Ultracurriculares de Sapatões e Bichas", de autoria de Jésio Zamboni e Monica Miniguite De Nadai, objetiva propor uma discussão sobre a inserção de currículos com temáticas de gênero nas escolas. O capítulo sugere que as questões de gênero devem ser incluídas nos currículos não como matérias extracurriculares, mas como "ultracurriculares," pois isso significaria trazer o que é fundamental para discussão, não algo externo ao currículo.

O décimo texto da obra, de Kelen Antunes Lyrio, "Os Entre-Lugares CMEI- EMEF: Pistas para Pensar o Currículo-Experiência", aborda as mudanças abruptas da transição do CMEI, que atende crianças de 0 a 5 anos, para o EMEF, que atende crianças de 6 a 14 anos. Este capítulo destaca as inseguranças das crianças ao fazer a transição do CMEI para o EMEF e questiona a organização linear dos currículos, marcada por idades e faixas etárias.

O décimo primeiro texto da obra, "Invenções e(m) Conhecimentos: uma Carta para Professores(as) de Biologia sobre os Cotidianos das Escolas em Feira de Santana-BA" tem como objetivo, por meio de uma carta, compartilhar a experiência do autor, Marco Antonio Leandro Barzano, como professor. Ele ressalta a importância da Educação Ambiental no contexto de uma engrenagem social e enfatiza que as comunidades não são apenas locais para projetos de extensão e pesquisa, mas também espaços para a produção de conhecimento.

O capítulo de número 12, "Cotidianos Escolares, Imagens, Acasos e Clichês", de autoria de Marco Antonio Oliva Gomes e Carlos Eduardo Ferraço, faz uma crítica ao modelo de currículo prescritivo, argumentando que não existe um modo correto de conceituar e entender imagens criadas pelos alunos.

No capítulo posterior, "Currículos em Redes e o Trabalho Docente", produzido pelos autores Maria Elizabeth Barros de Barros e Maria Carolina de Andrade Freitas, o objetivo é trazer as redes quentes para os currículos escolares. As redes quentes são construções de vínculos afetivos e envolvem a gestão coletiva dos processos do dia a dia nas escolas, ao invés de seguir um sistema hierárquico.

O capítulo 14, cujo título é "Convite Generoso à Criação Curricular", escrito por Maria Luiza Süssekind, Ana Cristina da Costa Gomes, Isabela Leal da Silva Cavalcante e Silvia Beatrix Tkotz, tem como foco apresentar conversas, criações e o cotidiano nos currículos escolares. Ele destaca o programa "Aqui Já Tem Currículo," criado pela Associação Nacional de PósGraduação e Pesquisa em Educação, que visa não aceitar currículos impostos, mas trazer "vida" aos currículos. No capítulo 15, de autoria de Maria Regina Lopes Gomes, "Currículos em Redes e Formações de Professores", o objetivo é defender a formação de currículos de acordo com o cotidiano. O argumento que sustenta a ideia defendida pela autora é que os currículos importados para o planejamento educacional excluem os valores culturais e as histórias de vida.

No décimo sexto capítulo, de título "Experiências da Educação Ambiental em Composições de Redes Curriculares", as autoras Martha Tristão, Fernanda Rezende e Helen Moura Pessoa abordam o contexto pós-pandemia como uma ressignificação do sentido de normalidade. Elas argumentam que o negacionismo ambiental pode levar a mais crises socioambientais e criticam a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) por praticamente excluir a educação ambiental dos currículos escolares.

No capítulo 17, "Currículos Cotidianos e Redes de ‘Conhecimentossignificações’ ", a autora Nilda Alves destaca que as redes são "espaço-tempos," ou seja, transmissão de informações, "práticas-teóricas," o assunto em questão, e "praticantes-pensantes," são as pessoas envolvidas. A autora defende que esses pontos são importantes para a criação de currículos escolares e que é necessário compreender os processos de transformação da sociedade para que a aprendizagem ocorra.

O capítulo de número 18, "Currículos em Redes e Práticas como Produção de Sentidos", de autoria de Nilma Margarida de Castro Crusoé, tem como objetivo introduzir a Fenomenologia Sociológica de Alfred Schutz na discussão curricular, posto que o método fenomenológico enfatiza a produção de sentidos. O capítulo ressalta a importância do sujeito na formação do currículo através das suas vivências e dos significados atribuídos por meio das relações sociais e do mundo.

Em continuação, é proposto no capítulo 19, "Conversas sobre Gênero nas Políticaspráticas de Currículo da Educação de Jovens e Adultos", escrito por Rafael Ferreira de Souza Honorato e Ana Cláudia da Silva Rodrigues um currículo múltiplo e rico em diversidade para o público da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os autores argumentam que focar apenas no ensino e aprendizagem e no público da EJA apenas sob a ótica de uma idade mais avançada é insuficiente, antes é importante considerar esses estudantes como indivíduos com suas crenças, valores, culturas e gêneros.

No capítulo 20, "Currículo em Rede e Hibridismo ou Quando Perder-se no Caminho é se Achar!", a autora Rita de Cássia Prazeres Frangella faz uma crítica aos modelos atuais de currículos que se concentram apenas no início e ignoram o caminho percorrido. A autora defende uma visão de currículo como uma produção cultural contínua e modificada, em vez de estática, e sugere a ideia de currículo híbrido, cultura/currículo.

"Articulando Políticas de Cognição e Políticas de Formação de Professores: uma Aposta na Invenção de Si e do Mundo" é o título do capítulo número 21, cujas autoras são Rosimere de Oliveira Dias e Virgínia Kastrup. Esse capítulo aborda a ética, a estética e a política como aspectos importantes da formação de professores. Ele destaca a importância de vincular a formação dos professores às políticas de cognição e busca identificar e diferenciar os processos de formação atuais.

No penúltimo capítulo, com o título "Infâncias Atravessadas e em Travessia de uma Educação Cotidiana", a autora Tamili Mardegan defende a ideia de um currículo focado em diferentes espaços-tempo, não apenas no futuro da criança, mas também no que ela é no presente. A autora aborda o conceito de devir-criança, que envolve escapar do controle, se aventurar e surpreender, e argumenta que os sujeitos moldados por esse devir não se limitam a padrões.

O último capítulo, "É Preciso Ter Sonho Sempre: Gestão Escolar, Currículos e [Re]invenções no Sertão Cearense", de autoria de Wenderson Silva Oliveira, Isabel Maria Sabino de Farias e Valdriano Ferreira do Nascimento, faz uma crítica à maneira isolada pela qual o currículo escolar foi desenvolvido, excluindo questões como gênero, sexualidade, etnia e raça de forma intencional.

Em seus 23 capítulos, o livro "Currículos em Redes, Composições Temáticas e Movimentos de Resistência com os Cotidianos das Escolas Públicas", organizado por Carlos Eduardo Ferraço, Danielle Piontkovsky e Maria Regina Lopes Gomes, se propõe e alcança o objetivo de destacar a importância dos debates sobre currículos em rede. Através da leitura de suas partes, é possível perceber como o sistema educacional tem sido negligente em diversos aspectos e como a discussão sobre currículos com os educadores poderia atender de maneira mais ampla a todos os envolvidos.

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REFERÊNCIAS
FERRAÇO, C. E.; PIONTKOVSKY, D.; GOMES, M. R. L. Currículos em redes, composições temáticas e movimentos de resistência com os cotidianos das escolas públicas. Curitiba: CRV, 2021. 331p.
Notes
Notes
FERRAÇO, C. E.; PIONTKOVSKY, D.; GOMES, M. R. L. (orgs.). Currículos em redes, composições temáticas e movimentos de resistência com os cotidianos das escolas públicas. Curitiba: CRV, 2021. 331p. ISBN:978-65-251-0965-7.
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