Artigo
BIOGRAFIA DA PROFESSORA ROSÁLIA BARROS: itinerâncias da formação e da atuação na educação básica
BIOGRAPHY OF TEACHER ROSÁLIA BARROS: itinerancies of training and performance in basic education
BIOGRAFÍA DE LA DOCENTE ROSÁLIA BARROS: itinerarios de formación y rendimiento en educación básica
BIOGRAFIA DA PROFESSORA ROSÁLIA BARROS: itinerâncias da formação e da atuação na educação básica
Revista Exitus, vol. 14, e024055, 2024
Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA
Recepción: 15 Octubre 2024
Aprobación: 16 Octubre 2024
Publicación: 07 Noviembre 2024
RESUMO: Este estudo insere-se no campo da História da Educação ao discutir o percurso formativo e a prática docente de uma educadora cearense. Com esse fim, objetivamos biografar a professora Rosália Barros com destaque para a sua prática docente e para os fatores que contribuíram para a sua constituição profissional. Assim, este estudo amparou-se teoricamente nos pressupostos da História Cultural e na metodologia da História Oral, que teve sua materialidade a partir de entrevistas livres produzidas com a própria biografada. Os achados mostram que Rosália Barros sempre estudou em escolas públicas, contudo, concluiu o curso normal numa instituição particular que concedia bolsas de estudos aos estudantes das classes mais populares. Apontam ainda que, ao longo da sua trajetória profissional, perpassou gerações, bem como diferentes políticas educacionais. Por fim, demonstram uma prática construída majoritariamente pelos saberes experienciais. Dessa forma, concluímos que estudos de cunho biográfico merecem sempre novas perspectivas, abordagens e revisitações, pois são passíveis de salvaguardar a memória e a história da educação.
Palavras-chave: Biografia de mulheres, História da educação cearense, História Oral, Prática docente.
ABSTRACT: This study is inserted in the field of History of Education by discussing the formative path and the teaching practice of an educator from Ceará. To this end, we aim to biograph Professor Rosália Barros with emphasis on her teaching practice and the factors that contributed to her professional constitution. Thus, this study was theoretically supported by the assumptions of Cultural History and the methodology of Oral History, which had its materiality from free interviews produced with the biographee herself. The findings show that Rosália Barros always studied in public schools, however, she completed the normal course in a private institution that granted scholarships to students from the lower classes. They also point out that, throughout his professional career, he has crossed generations, as well as different educational policies. Finally, they demonstrate a practice built mostly by experiential knowledge. Thus, we conclude that biographical studies always deserve new perspectives, approaches and revisitations, as they are likely to safeguard the memory and history of education.
Keywords: Biography of women, História da educação cearense, Oral History, Teaching practice.
RESUMEN: Este estudio se inserta en el campo de la Historia de la Educación a partir de la discusión sobre el camino formativo y la práctica docente de un educador cearense. Para ello, nos proponemos biografiar a la profesora Rosália Barros con énfasis en su práctica docente y los factores que contribuyeron a su constitución profesional. Así, este estudio se apoyó teóricamente en los supuestos de la Historia Cultural y en la metodología de la Historia Oral, que tuvo su materialidad a partir de entrevistas libres producidas con la propia biografiada. Los hallazgos muestran que Rosália Barros siempre estudió en escuelas públicas, sin embargo, realizó el curso normal en una institución privada que otorgaba becas a estudiantes de las clases bajas. También señalan que, a lo largo de su trayectoria profesional, ha atravesado generaciones, así como diferentes políticas educativas. Por último, demuestran una práctica construida mayoritariamente por el conocimiento experiencial. Por lo tanto, se concluye que los estudios biográficos siempre merecen nuevas perspectivas, enfoques y revisitaciones, ya que pueden salvaguardar la memoria y la historia de la educación.
Palabras clave: Biografía de mujeres, História da educação cearense, Historia Oral, Práctica docente.
CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS
“As mulheres nem sempre são oprimidas, e pode acontecer de exercer um poder, e até uma opressão. Elas não têm sempre razão. Pode acontecer de serem felizes, e apaixonadas. Escrever sua história não é um meio de reparação, mas desejo de compreensão, de inteligibilidade global”. (Perrot, 2019, p. 166).
Abordar a complexidade das experiências das mulheres significa reconhecer que elas são sujeitos históricos e que buscam o protagonismo de suas narrativas. O que possibilita refletir sobre a multiplicidade das suas experiências de vida, tornando-as compreensíveis de uma maneira mais ampla. A frase de Michelle Perrot, utilizada como epígrafe, remete à sensibilidade das pesquisadoras, não como uma ação reparadora, mas como ponte para contar essas tramas na sua inteireza.
Nessa perspectiva, este artigo insere-se no campo da História da Educação ao discutir o percurso formativo e a prática docente da cearense Rosália Barros. A educadora nasceu em 24 de junho de 1963, na cidade de Missão Velha/CE. Em 1970, a família veio para a capital, Fortaleza, em busca de melhores condições de vida e educação escolar para as crianças. Estudou os primeiros níveis de escolarização em escolas públicas em Fortaleza e, por influência familiar, fez o curso normal no extinto Colégio São José, concluindo em 1980 o 4º ano adicional.
Nesse ínterim, exerceu as suas funções educativas tanto em escolas particulares quanto em escolas do estado através de contratos temporários, quando em 1996, assumiu o cargo de professora do estado do Ceará após ter sido aprovada em concurso público, passando a lecionar as disciplinas de Ciências e Biologia até os dias atuais, aos 61 anos de idade.
A partir desses elementos, surgiu a seguinte inquietação: como a educação familiar, no que concerne à influência de familiares e a sua formação escolar reverberaram na prática docente de Rosália Barros? Com o intuito de responder a tal questionamento, objetivamos biografar a professora Rosália Barros com destaque para a sua prática docente e para os fatores que contribuíram para a sua constituição profissional.
A metodologia utilizada neste trabalho situa-se no campo dos estudos biográficos (Dosse, 2015), pois enfatiza as experiências pessoais a dar vida a um certo período, proporcionando uma visão mais humana e próxima das condições sociais de uma dada época. Em paralelo, foram coletadas entrevistas livres como forma de materializar esse intento, devidamente amparadas na metodologia da História Oral (Portelli, 2016).
Em resumo, biografar Rosália Barros torna-se relevante não apenas para destacar a sua prática docente e os elementos que influenciaram a sua formação profissional, mas também para enriquecer o entendimento sobre a historiografia da educação cearense. Esta investigação busca não só documentar uma história individual, mas, sobretudo, suscitar novos estudos biográficos que possam oferecer compreensões sobre as dinâmicas educacionais locais e os desafios enfrentados por educadores no contexto cearense.
Este escrito encontra-se estruturado da seguinte forma: primeiro as ”Considerações introdutórias”, parte em que abordamos a temática geral, a questão norteadora, os objetivos e a síntese do percurso teóricometodológicos. Na segunda parte, intitulada “Itinerários teórico- metodológicos” foi descrito com minúcias todo o trajeto metodológico em que a pesquisa foi desenvolvida. Na terceira parte, trouxemos as narrativas da professora biografada Rosália Barros e, junto a isso, fomos tecendo análises diante dos contextos que foram emergindo a partir da sua fala. Na quarta parte, chamada “Considerações finais”, apresentamos as nossas conclusões e retomamos o objetivo do estudo, bem como são apontadas as principais ponderações no que concerne à pesquisa biográfica e as suas colaborações nesse contexto.
ITINERÁRIO TEÓRICO-METODOLÓGICO
Com vistas a dar prosseguimento ao presente estudo, convém mencionar que valorizamos os aspectos da abordagem qualitativa pelo teor subjetivo que possui. Segundo Flick (2009, p. 20), “a pesquisa qualitativa é de particular relevância ao estudo das relações sociais devido à pluralização das esferas da vida”, já que tais relações são intrinsecamente complexas, pois envolvem múltiplos atores, contextos e dinâmicas.
Devemos mencionar que nem sempre todo e qualquer ator social, seus contextos e dinâmicas eram passíveis de se tornar elementos historiográficos. Esse contraste com abordagens mais tradicionais aconteceu a partir da História Cultural, que despertou o interesse em entender como as pessoas comuns vivem suas vidas, como se expressam e como suas identidades são construídas por meio da cultura (Pesavento, 2014).
A partir dessa quebra de paradigmas, as pesquisas biográficas ganharam espaço pela possibilidade de ser um elemento poderoso na reconstituição de uma época, já que oferece uma perspectiva íntima e pessoal dos acontecimentos históricos, dos valores dominantes e das transformações sociais e culturais que caracterizam um dado período específico. Corroborando com tais ponderações, Dosse (2015, p. 11) assevera que “a biografia pode ser um elemento privilegiado na reconstituição de uma época, com seus sonhos e angústias”.
Para a materialização deste estudo, mobilizamos a metodologia da História Oral, em que foram utilizadas entrevistas com o intuito de ouvir, conhecer e refletir sobre os múltiplos contextos - familiares, sociais, educacionais e profissionais - de Rosália Barros. Conforme Portelli (2016, p. 10), a “história oral, então, é primordialmente uma arte da escuta”. Essa arte possibilitou-nos desvelar os saberes e fazeres, as crenças e os valores da biografada.
Nessa seara, as memórias são dinamizadas “por meio da comunicação verbal e assim ganha enlevo, dignifica a experiência de registros por modestas que sejam” (Meihy; Seawright, 2020, p. 13). Assim, os sujeitos participam do processo de criação e da produção de registros que podem ser visitados, revisitados e compartilhados, ajudando na preservação de memórias e a transmitir conhecimentos para as gerações futuras.
Tencionando aproximações a partir da ampliação de fontes orais, realizamos entrevistas temáticas com a professora Rosália Barros a fim de conhecer seus percursos educativos, formativos e profissionais. As entrevistas foram realizadas, nos dias 03 e 04 de maio de 2023, no local de trabalho da biografada, com duração de 20min12seg e 55min23seg, respectivamente, além de complementações de informações através de áudios de WhatsApp, sendo todas elas gravadas, transcritas e, posteriormente, validadas pela biografada. Entrevistamos também, via WhatsApp, José Helves Moraes de Oliveira, ex-aluno de Rosália Barros no dia 04 de julho de 2024.
Importa mencionar que foi utilizado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que foi assinado pelos sujeitos. Também foram apresentados os principais aspectos da pesquisa aludindo que esta não traria quaisquer benefícios, bem como foram expostos os riscos, assegurando a possibilidade de desistência dos participantes a qualquer momento, caso assim o desejassem.
Cabe destacar, ainda, que este estudo está em consonância com as pesquisas desenvolvidas pelo grupo Práticas Educativas, Memórias e Oralidades (PEMO), que objetivam discutir a História da Educação a partir de práticas educativas de professoras cearenses. Com esse intuito, o Quadro 1 apresenta os trabalhos que tiveram como foco a vida de mulheres nos seus múltiplos enfoques, totalizando 31 artigos que compreendem o período entre 2017 e 2024. É notório, a partir da observação do quadro, a autoria, os nomes da mulheres biografadas, o ano e o periódico no qual está publicizado.

Dessa forma, ressaltamos que as pesquisas desenvolvidas no âmbito do grupo PEMO, elencadas no quadro, centram seus estudos nas contribuições de educadoras das mais diversas trajetórias, sejam elas leigas, militantes, da elite, indígenas, quilombolas, professoras da educação básica ou universitárias, tendo como eixo comum as reverberações de suas práticas na educação local.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Rosália Barros é a filha mais velha do eletricista e bombeiro hidráulico Francisco de Barros e da dona de casa Irene Maria de Barros, que tinha formação em nível médio para o magistério, mas que nunca exerceu a profissão. O casal teve seis filhos, contudo, três morreram ainda bebês e ficaram outros três, a biografada e mais dois irmãos: José Iran de Barros e Francisco Wendel de Barros.
A biografada nasceu na cidade de Missão Velha, na região sul do Ceará, no ano de 1963. Nesse período, o município tinha uma população aproximada de 30 mil habitantes que, na sua maioria, viviam primordialmente de atividades como agricultura e pecuária (Brasil, 1965). Ademais, na década de 1960, o estado do Ceará era governado por Virgílio Távora, eleito em 1962 por uma coligação entre o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN) (Farias, 2012).
Importa ponderar que no campo educacional brasileiro, as décadas de 1950 e 1960 marcam um processo de ampliação da cobertura dos serviços escolares. Apesar disso, o déficit na oferta do ensino primário era na ordem de 1.200.000 vagas (Freitas; Biccas, 2009). Cumpre destacar a vigência da Lei 4024/1961, que fixava as normas e diretrizes da educação nacional. Nela, ficava estabelecido que a educação pré-primária destinava-se aos menores até sete anos, enquanto o ensino primário seria ministrado em, no mínimo, quatro séries anuais, época em que a biografada estudou.
Advinda de uma família de professores, Rosália Barros afirma acreditar na vocação para o exercício do magistério e, também, atribui à influência familiar a sua escolha profissional porque todas as suas tias paternas eram professoras. Conforme narra, suas lembranças emergem revelando como a profissão das tias serviu de inspiração para ela e para outros membros da família.
Quando eu era pequenininha, a minha brincadeira era brincar de professora [...] Agora, assim, é de família porque todas as minhas tias, irmãs do meu pai, são professoras. Aí os primos passaram a ser professores, e a minha mãe também se formou como professora (Barros, entrevista em 03/05/2023).
Dos idos tempos de infância, Rosália Barros relata detalhadamente a relação de respeito que mantinha com a sua primeira professora, Luciêda, que foi responsável pelo seu processo de alfabetização e que era amiga de sua família. A professora Luciêda, segundo narra Rosália Barros, ficava incomodada quando a aluna a chamava apenas pelo seu primeiro nome em sala de aula, demonstrando uma relação de intimidade e que não deveria existir na escola.
Eu fui alfabetizada com seis anos. Com seis anos, eu já lia. Minha primeira professora, o nome dela era Luciêda, ela era vizinha da minha avó. [...] Naquele tempo, você não podia… professor tinha que ser respeitado. Eu, na rua em que eu morava, eu chamava ela de Luciêda, igual minha mãe e a minha avó chamavam, mas lá (na escola) era professora Luciêda. Não tinha essas coisas de tia, né? E, quando eu errava, era um carão que eu levava dela, porque ela achava que eu estava faltando com respeito quando eu chamava o nome dela.
Em seu relato, Rosália Barros destaca o uso da palmatória para castigar as colegas que brincavam com ela na infância. Na representação das crianças, ela assumia o papel de professora, enquanto as demais representavam as alunas. Essa encenação reproduzia, provavelmente, uma realidade vivenciada no cotidiano escolar. Embora a Lei das Primeiras Letras, de 1827 já previsse que os castigos físicos fossem aplicados apenas em último caso, Olinda (2004) ressalta que, na prática, eram comuns os relatos do uso abusivo desse método. Assim, pela narrativa da biografada, é possível inferirmos que, no interior do Ceará, essa prática foi mantida por quase todo o século XX.
Eu juntava as minhas coleguinhas lá no fundo do quintal, em Missão Velha, e aí eu dava aula para elas. E aí eu tinha uma tabuazinha. Foi no tempo da palmatória, né? [...]. Do jeito que faziam na escola com os alunos, eu fazia com elas. Quem não acertasse (Rosália Barros reproduz o barulho da palmatória)... As bichinhas saíam todas chorando... Daí, a minha mãe acabava com a escola e me colocava de castigo, porque eu estava batendo nas meninas (Barros, entrevista em 03/07/2024).
O brincar de professora na infância e o discurso da vocação para o magistério encontram respaldo na forma como as mulheres foram se inserindo no mercado de trabalho no Brasil. Mesmo após as conquistas femininas com a consolidação da república no país, “o doar-se com nobreza e resignação, qualidades inerentes às mulheres, era premissa com a qual também afinavam-se profissões como enfermeira ou parteira” (Almeida, 1998, p. 32).
Após ser alfabetizada em Missão Velha, a família de Rosália Barros mudou-se para Fortaleza, fixando residência na Barra do Ceará, região periférica da cidade. É pertinente mencionar que a família da biografada sempre morou com a avó materna, Antônia de Oliveira Silva e, devido a esse fator, seu pai eximia-se de colaborar com as despesas para manter os filhos e a casa. A educadora lembra que a avó era como uma mãe, a quem demonstra apego e gratidão, pois era quem garantia a subsistência familiar e o cuidado que deveria vir dos seus genitores. Ela “deixou um legado de honestidade, experiência, trabalho, amor” (Barros, entrevista em 04/07/2024).
Rosália Barros fez o curso normal no Colégio São José, uma extinta instituição que ficava situada na Avenida Visconde do Rio Branco, ao lado da Cidade da Criança, no Centro de Fortaleza. Como se tratava de uma escola privada, a professora conta que pagava apenas uma taxa e, assim, fez todas as séries pertinentes ao curso normal, inclusive, o 4º ano adicional. Tal formação, segundo a legislação vigente na época, dava direito ao professor ensinar até a 6ª série do ginásio.
Ela afirma que costumava tirar boas notas na escola e nunca ter repetido de ano. Sobre as preferências escolares, Rosália Barros revela que gostava de Matemática, apesar de não ser tão boa na matéria. No que se refere às disciplinas que não tinha tanta afinidade, ela destaca as da área de Ciências Humanas. “História e Geografia nunca gostei. Na minha época, História e Geografia eram só decoreba. Você tinha um questionário, não sei quantas questões que você tinha que decorar” (Barros, entrevista em 04/07/2024).
A afirmação faz referência a um histórico de ensino de História e Geografia voltado para a memorização. Bittencourt (2018) destaca que, em âmbito global, foi após a Segunda Guerra Mundial que a História deixou de ser uma disciplina mnemônica, que valorizava uma sucessão de feitos cronológicos dos grandes heróis, para se tornar uma disciplina que suscita nos alunos condições para uma construção política e democrática. Apesar disso, essa transição não foi homogênea. Assim, a fala de Rosália Barros leva-nos a inferir que essa prática permaneceu no Brasil mesmo após o período mencionado.
Rosália Barros começou a atuar como professora quando ainda cursava a 8ª série. Ela relembra que “naquela época, não tinha o negócio de você ter um diploma”. Em muitas cidades, a falta de mão de obra especializada para o ensino era suprida por professores leigos.
No que se refere ao período em que a biografada se formou, cumpre pontuar que, conforme pondera Saviani (2009, p. 146), a lei n. 5.692/71 alterou a denominação dos ensinos primário e médio para primeiro e segundo grau. “Nessa nova estrutura, desapareceram as Escolas Normais. Em seu lugar foi instituída a habilitação específica de 2º grau para o exercício do magistério de 1º grau (HEM)”. Por conseguinte, os estudantes passaram a ter uma formação comum básica e uma parte diversificada para a habilitação no magistério sendo, portanto, extinto o curso normal.
Seguindo os fios da sua memória, no ano de 1992, Rosália Barros foi aprovada em concurso público para professora da Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc), tendo sido convocada para assumir o cargo 4 anos depois, somente no ano de 1996. Nessa época, a professora teve o incentivo de sua avó, Dona Antônia.
Em 92 teve esse concurso, aí a minha avó disse assim: você vai fazer esse concurso e você vai passar, porque você é capaz. Eu disse: não, vó, guarde seu dinheiro e ela falou: não, vou pagar a sua inscrição. Você vai fazer, vai passar e vai ser chamada e vai ser com esse emprego que você vai se manter, criar seu filho (Barros, entrevista em 03/05/2023).
Ao assumir o cargo, a biografada começou a atuar no contexto da política pública do Sistema de Telensino. Criado no Ceará, a partir da Lei nº 5.692/71, o Telensino começou a funcionar no ano de 1974, sendo universalizado no ano de 1994, na gestão do governador Ciro Gomes. “A Secretaria da Educação Básica do Ceará [...] vive o impacto da reestruturação do ensino fundamental como forma de "resolver" os alarmantes índices de fracasso escolar, criando as salas de aceleração, desdobrando as séries em ciclos” (Fortes, 2002, p. 14, grifos da autora). Tal informação revela que essa reestruturação buscava soluções para os graves problemas de desempenho escolar, o que não deixa de ser uma resposta aos dados alarmantes.
Sobre a sua atuação nesse referido período, Rosália Barros narra com detalhes como foi a sua entrada na profissão, ou seja, como foram os primeiros anos de magistério, destacando as dificuldades vivenciadas e a ineficiência do método adotado do Sistema de TV, como ela destaca.
Quando eu entrei, eu ensinava esse Sistema de TV e como eu tinha 4º pedagógico, eu podia ensinar até a 6ª série [...]. Só que depois inventaram, eu passei um tempo no Sistema de TV, aí inventaram uma tal de Aceleração e Ciclos, que foi um inferno na educação! Aí, o que que a diretora fez, como eu tinha muito domínio de classe, e as salas de aceleração, especialmente de Aceleração e Ciclos eram muito trabalhosas, ela me tirou do sistema de TV e me botou na Aceleração, eu ensinava uma tal de Aceleração 3. Era assim, alunos de 7 a 17 anos, numa sala só, com atividades diversificadas, diferenciadas para você alfabetizar esse povo e quando você alfabetizava, ele já passava para outra série. E foi a pior coisa que eu já vi na educação foi essa (Barros, entrevista em 04/05/2023).
Conforme a legislação da época, os professores formados em nível de 2º grau tinham habilitação para ensinar da 1ª à 4ª série do primário, contudo, se cursassem o 4º ano adicional poderiam, conforme a Lei de nº 7.044/1982, "lecionar na 5ª e 6ª séries do ensino de 1º grau, mediante estudos adicionais”. Dessa maneira, Rosália Barros estava apta a lecionar até a 6ª série.
É ainda pertinente mencionar sobre as classes de aceleração. No trecho da narrativa, a professora fez alusão as salas de aceleração, destinadas a alunos com múltiplas repetências, fora de faixa e que não conseguiam acompanhar a seriação na idade correta. Na prática, elas ficaram conhecidas como as salas dos alunos atrasados. E, por conseguinte, os professores rechaçavam a atuação nessas classes pelos múltiplos problemas dos alunos e pela falta de apoio da gestão (Sousa, 1999).
Criadas pelo Ministério da Educação no ano de 1997, as classes de aceleração tinham por objetivo corrigir a distorção idade/série. Apesar de o projeto ter sido visto com entusiasmo por seus idealizadores, da fala da professora emergem as dificuldades enfrentadas durante o projeto. Menezes e Santos (2001 n./p.) descrevem essa política pública, o que diverge da perspectiva vivenciada pela professora.
São as classes que participam do programa de aceleração de aprendizagem, instituído em 1997 pelo Ministério da Educação (MEC), que visa corrigir a distorção do fluxo escolar, ou seja, a defasagem entre a idade e a série que os alunos deveriam estar cursando. Constituem salas idealizadas para ter mais recursos pedagógicos e professores especialmente capacitados onde o ensino é intensivo e voltado para a recuperação dos alunos. O projeto “Classes de Aceleração”, do governo brasileiro, foi premiado pelo UNICEF em 1997.
A biografada trabalhou durante 10 anos na EEF Monsenhor Hélio Campos, no bairro Cristo Redentor, até a unidade deixar de ofertar o ensino regular. Após esse período, migrou para outra escola na região. Dessa época, narra as dificuldades enfrentadas com a morte da avó e com o aparecimento de um nódulo na mama, que a obrigou a afastar-se temporariamente do trabalho para ser submetida a uma cirurgia e tratar a doença. No ano de 2011, lotou-se na EEFM Fernando Cavalcante Mota, unidade escolar em que atua até os dias atuais.
Rosália Barros foi-se constituindo professora na periferia de Fortaleza, tendo que lidar com situações adversas, nas quais os discentes buscam bem mais do que o aprendizado de conteúdo, seu uso prático. Para o ex-aluno José Helves Moraes de Oliveira, atuar nesse cenário exige muito trato com os alunos, algo que a biografada consegue fazer muito bem. “Acredito que, por ser uma pessoa muito extrovertida, muito alegre e acessível, ela conseguia manejar bem, conseguia trazer o conteúdo de forma coesa, de forma compreensível” (Oliveira, entrevista em 04/07/2024).
Sobre sua prática docente, Rosália Barros afirma que tem o diálogo como um de seus pilares, tentando compreender o que se passa no cotidiano dos discentes. “Quando eu vejo um aluno triste, eu digo, venha cá, o que está acontecendo com você?”. (Barros, entrevista em 04/07/2024). Para um colega de trabalho que não quis ser identificado, a educadora tem um jeito peculiar de lidar com os alunos, que muitas vezes destoa do que é ensinado nos manuais de didática. No entanto, “com a autenticidade, Rosália Barros consegue conquistar o carinho dos alunos”.
Como ressalta Tardif (2010, p. 49) ao conceituar os saberes experienciais, o docente não atua sozinho. Ele se constitui na relação com os outros. Ele destaca, ainda, que é preciso estar atento a “valores, sentimentos, atitudes”. Assim, ao mostrar interesse pelos sentimentos dos alunos, a educadora está em contato com saberes adquiridos durante a sua prática docente.
No que se refere às mudanças que aconteceram do seu tempo de estudante até dias atuais, a educadora Rosália Barros ressalta que há mais flexibilidade, pois “naquela época, o aluno não podia opinar. Ele não podia nem sequer falar, porque era aquele regime em que o professor era o que sabia tudo, e o aluno não sabia nada” (Barros, entrevista em 04/07/2024). A educadora destaca também que, além de poderem-se posicionar em sala de aula, os alunos de hoje em dia têm à disposição recursos tecnológicos, como acesso à internet e a celulares, que não existiam no seu tempo de estudante.
Nessa perspectiva, a influência familiar, as relações construídas na escola, a troca de experiência com outros professores, as aprendizagens compartilhadas com os alunos e as relações sociais compõem os saberes de Rosália Barros, uma vez que o professor é um sujeito que sofre influência das relações que constrói (Tardif, 2014).
É importante mencionar que a biografada encontra-se hoje com 61 anos de idade e ainda está em pleno exercício da profissão. Tal perspectiva, faz-nos refletir sobre o ciclo de vida do professor elencados por Huberman (2000). Segundo o autor, o ciclo de vida do professor é composto por sete etapas, a saber: Entrada na carreira (descobertas), Estabilização (motivação e dinamicidade), Diversificação (experiências novas e diversificadas), Pôr-se em questão (rotinas solidificadas), Serenidade e distanciamento afetivo (serenidade), Conservantismo e lamentações (aflição diante da evolução do público atendido) e Desinvestimento (saída gradual).
Segundo informações fornecidas pela Seduc-CE, o último levantamento realizado pela Coordenadoria de Gestão de Pessoas (COGEP/SEDUC), no mês de maio de 2024, revela que cerca de 2.500 profissionais que atuam como professores da rede estadual de ensino estão na faixa etária dos 60 anos. Um dado importante, já que nessa idade, comumente o docente atuante na educação básica tende a encerrar suas atividades laborais.
Ainda sobre esse ponto de vista, Huberman (2000, p. 55) pondera o seguinte:
Todavia, a carreira do professor do ensino secundário apresenta algumas constantes, componentes que pouco se alteraram no decurso dos anos. As expectativas sociais, a gama de actividades, a hierarquização dos papéis, o leque de trajectórias, no plano administrativo, a organização do trabalho, as normas etc., não variam assim tanto ao longo dos últimos trinta anos. Além disso, estes factores definem em grande parte os papéis a desempenhar no seio da profissão, de tal modo que cada geração interioriza representações e condutas análogas.
Nessa perspectiva de análise, a professora Rosália Barros encontra-se na fase de desinvestimento, contudo, suas práticas ainda são características da fase de pôr-se em questão, já que segue atuando na profissão com certo dinamismo e seguindo suas práticas habituais já consolidadas ao longo do tempo.
O fato de a biografada mencionar o desejo de continuar em exercício demonstra que ainda há disposição para dar continuidade mesmo tendo atravessado gerações, aspecto que mostra o quanto a profissão é importante na sua vida, e não um fardo a carregar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo objetivou biografar a professora Rosália Barros com destaque para a sua prática docente e para os fatores que contribuíram para a sua constituição profissional. Com esse intuito, foi desenvolvida uma pesquisa de abordagem qualitativa do tipo biográfica que se propôs a analisar as narrativas da professora Rosália Barros, coletadas a partir de entrevistas livres.
A biografada conta que desde criança queria ser professora, porém reproduzia nas brincadeiras de infância um ato já abolido (em teoria) que ainda era praticado nas escolas, a palmatória. Sua escolarização deu-se em escolas públicas de Fortaleza, contudo, formou-se no curso normal numa escola de iniciativa privada por meio de pagamento de uma pequena taxa. Sua formação possibilitou prestar concurso para a Seduc, onde atua até os dias atuais, aos 61 anos de idade, mesmo tendo idade e tempo de serviço para requerer a aposentadoria.
Essas constatações provocam reflexões sobre as itinerâncias possíveis que pessoas comuns podem percorrer. Tais percursos podem vislumbrar horizontes para novos estudos biográficos na área da História da Educação, possibilitando inclinações para a produção do conhecimento no que concerne à formação e à prática de mulheres educadoras com o intuito de contribuir para uma perspectiva histórica.
REFERÊNCIAS
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BARROS, R. Entrevista concedida a PEREIRA, L. da S., no dia 03 maio 2023.
BARROS, R. Entrevista concedida a PEREIRA, L. da S., no dia 04 maio 2023.
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