Artigo
Recepción: 01 Noviembre 2024
Aprobación: 30 Diciembre 2024
Publicación: 15 Enero 2025
DOI: https://doi.org/10.24065/re.v15i1.2763
RESUMO: Este artigo, por meio de uma revisão narrativa de literatura, busca traçar um panorama sobre o debate contemporâneo a respeito da relação entre capital cultural e reprodução das desigualdades educacionais. A fundamentação teórica apoia-se na sociologia da educação de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron. O trabalho se orienta pela seguinte questão: como os estudos recentes avaliam a atualidade do conceito de capital cultural e da obra A Reprodução na compreensão dos fenômenos educativos contemporâneos? Para responder a essa questão, foram selecionados e analisados artigos indexados na Plataforma SciELO, publicados entre 2021 e 2022, utilizando os descritores “Capital Cultural”, “A Reprodução” e “Bourdieu e Passeron”. A revisão resultou em duas principais sínteses: (1) O conceito de capital cultural diante das novas realidades sociais e (2) A relevância e o legado da obra A Reprodução. As conclusões apontam que, apesar das críticas e limitações, o conceito de capital cultural permanece essencial para entender os processos contemporâneos de reprodução social produzidos pela instituição escolar. Além disso, a obra A Reprodução continua a ser aplicada e adaptada a novos contextos e desafios sociais, mantendo sua relevância na análise das desigualdades educacionais.
Palavras-chave: Revisão narrativa, Capital Cultural, Reprodução.
ABSTRACT: This article, through a narrative literature review, seeks to outline an overview of the contemporary debate on the relationship between cultural capital and the reproduction of educational inequalities. The theoretical basis is based on the sociology of education of Pierre Bourdieu and Jean-Claude Passeron. The work is guided by the following question: how do recent studies assess the relevance of the concept of cultural capital and the work Reproduction in understanding contemporary educational phenomena? To answer this question, articles indexed in the SciELO Platform, published between 2021 and 2022, were selected and analyzed using the descriptors “Cultural Capital”, “Reproduction” and “Bourdieu and Passeron”. The review resulted in two main syntheses: (1) The concept of cultural capital in the face of new social realities and (2) The relevance and legacy of the work Reproduction. The conclusions indicate that, despite criticisms and limitations, the concept of cultural capital remains essential to understand the contemporary processes of social reproduction produced by the school institution. Furthermore, the work Reproduction continues to be applied and adapted to new contexts and social challenges, maintaining its relevance in the analysis of educational inequalities.
Keywords: Narrative review, Cultural Capital, Reproduction.
RESUMEN:
Este artículo, a través de una revisión narrativa de la literatura, busca brindar
un panorama del debate contemporáneo sobre la relación entre capital cultural y
la reproducción de las desigualdades educativas. La fundamentación teórica se
fundamenta en la sociología de la educación de Pierre Bourdieu y Jean-Claude
Passeron. El trabajo se guía por la siguiente pregunta: ¿cómo evalúan los
estudios recientes la relevancia del concepto de capital cultural y de la obra
Reproducción en la comprensión de los fenómenos educativos contemporáneos? Para
responder a esta pregunta, se seleccionaron y analizaron artículos indexados en
la Plataforma
SciELO, publicados entre 2021 y 2022, utilizando los descriptores “Capital
Cultural”, “Una Reproducción” y “Bourdieu y Passeron”. La revisión resultó en
dos síntesis principales: (1) El concepto de capital cultural frente a las
nuevas realidades sociales y (2) La relevancia y legado de la obra La
Reproducción. Las conclusiones indican que, a pesar de las críticas y
limitaciones, el concepto de capital cultural sigue siendo esencial para
comprender los procesos contemporáneos de reproducción social producidos por la
institución escolar. Además, la obra Reproducción continúa aplicándose y
adaptándose a nuevos contextos y desafíos sociales, manteniendo su relevancia en
el análisis de las desigualdades educativas.
Palabras clave: Revisión narrativa, Capital cultural, Reproducción.
INTRODUÇÃO
Os estudos de revisão bibliográfica têm se mostrado, nos últimos anos, preeminentes em diversas áreas e campos do conhecimento, contribuindo de forma incontornável com o desenvolvimento e avanço científico (Cavalcante; Oliveira, 2020; Dorsa, 2020; Mainardes; Stremel, 2021). Afinal, ao se revisar a literatura, os pesquisadores podem identificar áreas em que o conhecimento é insuficiente ou contraditório, apontando para novas direções de pesquisa, evitando a duplicação desnecessária de esforços e permitindo que os recursos sejam direcionados para áreas mais promissoras ou negligenciadas (Rother, 2007). Partindo desse ponto de vista, é possível aferir que estudos de revisão são centrais, na medida em que contribuem para o processo de validação ou refutação das pesquisas e teorias existentes, fornecendo uma visão crítica das evidências acumuladas e levando, por seu turno, ao refinamento ou até mesmo à substituição de teorias, com base em novos dados e interpretações (Mancini; Sampaio, 2006).
A partir dessas considerações iniciais e em diálogo com elas, o presente artigo pretende produzir uma revisão narrativa de literatura. Para tanto, filiamo-nos à perspectiva desenvolvida pelos autores Botelho, Cunha e Macedo (2011), os quais denominam revisão narrativa enquanto publicações que visam a descrever, de maneira ampla, o desenvolvimento de um assunto específico e os tipos de metodologias que estão sendo empregadas por acadêmicos e pesquisadores no estudo do tema. Por essas razões, este trabalho é tributário da premissa segundo a qual “a revisão narrativa é utilizada para descrever o estado da arte de um assunto específico, sob o ponto de vista teórico ou contextual” (Botelho; Cunha; Macedo, 2011, p. 125). Assentado nessa abordagem, este estudo, por meio de uma revisão narrativa, tem como objetivo traçar um panorama geral sobre o debate em torno da relação capital cultural e reprodução das desigualdades educacionais contemporâneas.
Essa revisão narrativa será balizada pela sociologia da educação de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron (2009, 2015, 2019), a qual “configura seu objeto particular quando se constitui como ciência das relações entre a reprodução cultural e a reprodução social” (Bourdieu, 2011, p. 295). Ou seja, essa abordagem teórica parte do pressuposto de que a escola desempenha um papel crucial na manutenção das estruturas de poder e na reprodução das desigualdades sociais, através de mecanismos sutis e frequentemente invisíveis (Knoblauch; Medeiros, 2022; Valle, 2022). Nessa perspectiva, “o sistema de ensino cumpre uma função de legitimação cada vez mais necessária à perpetuação da ordem social” (Bourdieu, 2011, p. 311). Para Bourdieu e Passeron (2015), essas instituições educacionais reconhecem e legitimam certas formas de capital cultural enquanto outras formas são desvalorizadas. É neste sentido que “a noção de capital cultural impõe-se, primeiramente, como uma hipótese indispensável para dar conta da desigualdade de desempenho escolar” (Bourdieu, 2015, p. 81).
A teoria do capital cultural ocupa um lugar de destaque na sociologia da educação de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron (2009, 2015, 2019). Ela analisa como os recursos culturais são distribuídos desigualmente na sociedade e como essa distribuição contribui para a manutenção das hierarquias sociais. A explicação clássica desenvolvida por esses autores supõe, de fato, que os estudantes das classes abastardas herdariam de suas famílias diversos recursos culturais (como linguagem, cultura geral, ferramentas intelectuais, disposições corporais e estéticas, modos de se comportar e falar e gostos refinados) que se acumulam e se transformam, no ambiente escolar, em vantagens reais (Draelants; Ballatore, 2021). Isso ocorre porque o conteúdo imposto aos alunos e as avaliações escolares fazem parte de uma cultura considerada “legítima”, composta por produtos simbólicos socialmente valorizados (artes, letras, ciências) provenientes dos grupos sociais dominantes, que assim exercem uma forma de violência simbólica sobre os dominados (Piotto; Nogueira, 2021; Nogueira, 2021).
Dito isso, vale destacar que diversos autores, no campo atual da sociologia da educação, têm argumentado que é necessário revisitar o potencial do conceito de capital cultural e a atualidade da obra A Reprodução, à luz das profundas transformações que estão ocorrendo simultaneamente no cenário sociocultural e educacional contemporâneo (Nogueira, 2021; Valle, 2022). Ancorado por esse pressuposto, o presente artigo reúne esforços para responder à seguinte problematização: como os recentes estudos averiguam a atualidade do conceito capital cultural e da obra A Reprodução na compreensão de fenômenos educativos contemporâneos? Ao oferecer respostas ao problema levantado, pretendemos contribuir com os recentes esforços acadêmicos no sentido de entender se o uso do conceito de capital cultural, juntamente com as ideias apresentadas em A Reprodução, oferece pertinência e aplicabilidade em contextos educacionais atuais.
Além desta introdução e das considerações finais, este artigo está estruturado em outras duas seções. Na primeira seção, os procedimentos metodológicos utilizados na produção da revisão narrativa de literatura são detalhados. A segunda seção apresenta e analisa os resultados do estudo, argumentando que o cenário sociocultural e educacional contemporâneo passam por profundas transformações, incluindo mudanças tecnológicas, globalização e políticas educacionais. Essas transformações impõem a necessidade de uma revisão narrativa que explore como essas mudanças impactam e são impactadas pelo capital cultural e pelos conceitos da obra A Reprodução, atualizando a teoria para refletir as novas realidades. Os resultados serão apresentados por meio de duas sínteses: (1) O conceito de capital cultural à prova de novas realidades sociais e (2) A atualidade e o legado da obra A Reprodução.
ASPECTOS METODOLÓGICOS DO ESTUDO
Para o processo de produção da presente revisão narrativa de literatura, utilizamos trabalhos adquiridos a partir da busca dos seguintes descritores: “Capital Cultural”, “A Reprodução” e “Bourdieu e Passeron”. Eles foram eleitos com vistas a atender aos propósitos desse artigo, reiteradamente, averiguar a atualidade do conceito de capital cultural e da obra A Reprodução, sob o viés da sociologia da educação de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron (2009, 2015, 2019). O emprego de tais descritores permitiu acessar uma vasta gama de artigos que aplicam, discutem e criticam as teorias dos referidos autores no contexto educacional contemporâneo. A busca foi feita por meio da Plataforma SciELO (Scientific Electronic Library Online), sob a justificativa de ser uma base de dados de acesso aberto que inclui uma larga quantidade de pesquisa produzida na América Latina e, por isso, crucial para entender como os conceitos de Bourdieu e Passeron são aplicados e interpretados em diferentes contextos culturais e educacionais.
A seleção dos estudos foi balizada pelos seguintes filtros: (1) Ano de Publicação: 2021 e 2022; (2) SciELO Áreas temáticas: Ciências Humanas; (3) WoS Áreas Temáticas: Educação; e (4) Tipo de literatura: Artigo. Após a seleção dos artigos com base nos critérios previamente estabelecidos, foi realizada uma análise qualitativa do conteúdo, com foco na identificação de como os conceitos de capital cultural e as contribuições teóricas de Bourdieu e Passeron são aplicados, discutidos e criticados no âmbito educacional. Essa análise envolveu a leitura detalhada dos textos, buscando mapear os principais temas estratégicos, as perspectivas teóricas obrigatórias, os contextos educacionais investigados e as contribuições empíricas apresentadas.
Adicionalmente, foi realizado um agrupamento dos estudos conforme suas abordagens, dividindo-os em categorias temáticas, tais como aplicações práticas, análises críticas e revisões teóricas. Esse processo possibilitou uma compreensão mais abrangente das interpretações e atualizações do conceito de capital cultural e da obra A Reprodução no contexto das Ciências Humanas e da Educação nos últimos anos. Por fim, os resultados obtidos foram organizados e planejados à luz da sociologia da educação, considerando as contribuições de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron como eixo central para a análise.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Respeitando os filtros propostos, foram identificados e inclusos 37 estudos. A partir desse quantitativo de artigos, selecionamos os trabalhos que apresentavam menções ao conceito de capital e à obra A Reprodução no título e no corpo do artigo de forma abrangente. Além disso, elegemos um outro recorte: optamos por estudos cujo escopo era questionar a prerrogativa segundo a qual a obra A Reprodução e o uso do conceito de capital cultural são ainda centrais na explicação das desigualdades escolares contemporâneas. Seguindo esse percurso metodológico, chegamos a 5 artigos. Eles servirão como base para a elaboração de nossa revisão narrativa de literatura e estão detalhados no Quadro 1 (abaixo).

Por meio da leitura, análise e interpretação dos artigos selecionados para este estudo, optamos pela descrição panorâmica, focando em aspectos que contemplassem as relações entre atualidade, capital cultural e reprodução escolar. Com base nessa perspectiva, produzimos duas sínteses: (1) O conceito de capital cultural à prova de novas realidades sociais e (2) A atualidade e o legado da obra A Reprodução. Elas descrevem a contribuição e a pertinência do conceito de capital cultural e da referida obra para o entendimento das disparidades educacionais em curso.
Síntese 1: O conceito de capital cultural à prova de novas realidades sociais
A percepção atual das desigualdades sociais no contexto educacional demanda uma abordagem mais específica para compreender os fenômenos escolares. Não se trata apenas de revisitar questões já discutidas, mas de propor novos questionamentos que considerem as circunstâncias atuais. Assim, é possível verificar se determinados problemas foram superados ou, como sugerido aqui, se essas mudanças podem ser compreendidas sob uma nova ótica teórico-metodológica. Neste caso, a aplicação do conceito de capital cultural às estruturas educacionais contemporâneas, com base em estudos recentes, permite uma análise mais aprofundada da realidade educacional.
A percepção das desigualdades educacionais à luz do conceito de capital cultural é discutida por Piotto e Nogueira (2021, p. 3), que questionam: “na contemporaneidade, a reprodução social ainda passa pela questão cultural por meio da ação escolar?”. Segundo as autoras, essa pergunta propõe um diagnóstico em uma perspectiva macro, sugerindo novas alternativas para estudos em educação. Ao mesmo tempo, reforça a ideia de que mudanças significativas ocorreram nas últimas décadas, exigindo uma compreensão atualizada desse conceito. A renovação do capital cultural é, portanto, uma discussão fundamental para o diálogo com o campo educacional contemporâneo.
Foi com Bourdieu e Passeron (2009, 2015, 2019) que o conceito de capital cultural emergiu como uma ferramenta essencial para analisar as desigualdades educacionais e sua relação com o sucesso escolar. Esse conceito abriu novas frentes de debate pedagógico e outras análises antes menos exploradas, especialmente no contexto da educação francesa, espalhando-se posteriormente em âmbito internacional.
Dessa forma, a proposta não se limita a examinar apenas aspectos pontuais, como a promoção institucional ou o direito à escolarização formal. É fundamental também analisar de maneira detalhada a relação entre o indivíduo, em seus contextos cultural e social, e a escola, no seu papel educacional. Isso deve ser feito revisitando as estruturas sociais nas quais esses indivíduos estão inseridos, levando em conta suas realidades, sem perder o foco na educação.
Nessa perspectiva, essa provocação nos leva a questionar a ideia de enxergar apenas quórum, resultados e classificações como formas definitivas de avaliação, tanto dos estudantes quanto da instituição. Aprovações e reprovações, quando apresentadas de maneira isolada, podem sugerir que a educação oferecida se limita a rotular os alunos, o que não é verdadeiro. No entanto, essas métricas são importantes nos apontamentos críticos relacionados ao desempenho escolar. As motivações, causas e intenções que emergem no cotidiano escolar são constantemente formuladas e reformuladas, o que nos instiga a compreender uma realidade múltipla e plural. Nesse sentido, o foco não deve estar apenas no resultado final, mas também em toda a trajetória dos alunos. Esse processo, moldado por um contexto cultural que permeia a instituição ao longo da vida escolar de alunos e gestores, faz com que todos se tornem cocriadores desse espaço.
Embora o conceito de capital cultural tenha se consolidado no século passado, ele ainda exerce uma forte influência nas instituições de ensino atuais. Esse conceito continua a ser relevante para a compreensão dos processos de aprendizagem contemporâneos e contribui significativamente para investigações sociológicas e estudos em educação. Sua flexibilidade, ao longo do tempo, torna-o um conceito dinâmico, que se adapta às mudanças sociais. Assim, desafios que antes eram identificados acabam se deparando com novas questões e complexidades no contexto atual (Piotto; Nogueira, 2021).
Draelants e Ballatore (2021) ampliam a discussão ao abordar a persistência da violência simbólica exercida por grupos dominantes no ambiente escolar. Eles destacam que Bourdieu e Passeron “nos convidam a fazer um retorno crítico sobre esse conceito e a nos perguntarmos: o processo de reprodução social ainda é de natureza essencialmente cultural?” (Draelants; Ballatore, 2021, p. 7). Essa provocação abre espaço para pensar em duas dimensões do conceito de capital cultural: sua definição ampla e, consequentemente, sua aplicação mais restrita, considerando seus impactos e aplicabilidades no contexto atual.
Na sociologia da educação, a definição restrita de capital cultural é frequentemente utilizada para contextualizar a “alta” cultura - uma visão homogênea e hegemônica, que privilegia expressões culturais eruditas em detrimento de outras formas culturais, frequentemente consideradas inferiores, subalternizadas e socialmente desvalorizadas. Embora amplamente empregada por pesquisadores da área, Draelants e Ballatore (2021) a criticam por ser excessivamente quantitativa. Eles questionam as metodologias que focam em perguntas como: “quantas vezes o entrevistado vai ao museu?”, “quantos livros leu?”, “qual é o seu nível de instrução acadêmica?”, entre outras. Essas abordagens tendem a legitimar apenas a cultura erudita, associando-a ao consumo de literatura clássica, concertos, acervos artísticos, visitas a museus e bibliotecas, o que acaba marginalizando outras formas culturais. Para os autores, essas indagações resultam em análises limitadas e fechadas, impedindo que o conceito de capital cultural seja explorado de maneira mais ampla e enriquecedora.
Na definição ampla do conceito de capital cultural, quando aplicada a formas contemporâneas de vantagem, como aulas de idiomas, reforço escolar e intercâmbios, ele é visto como um diferencial no processo educacional. Essa abordagem permite análises mais inclusivas e amplia a compreensão do conceito, alinhando-se melhor à proposta crítica de Bourdieu e Passeron (2009, 2015, 2019). No entanto, expandir demais o conceito pode banalizá-lo, diluindo sua essência como ferramenta metodológica. É necessário cautela ao definir seus limites, especialmente em pesquisas quantitativas, que exigem precisão e dados mais robustos, evitando a relativização excessiva.
Diante dessa discussão, é evidente que o conceito de capital cultural, seja em sua forma restrita - voltada à cultura erudita -, seja em sua versão mais ampla, como propõe Bourdieu, continua sendo relevante e produtivo para as análises acadêmicas. Todavia, à luz das demandas do cenário atual, é necessário reavaliá-lo, pois, desde os anos 1960 até o presente, práticas pedagógicas, gestão e currículos escolares passaram por modificações que refletem as desigualdades educacionais. Assim, o conceito, por ser multifacetado, seguirá essencial para orientar novas pesquisas sobre educação e reprodução social.
Outra evidência da evolução do conceito de capital cultural é o desafio que os autores fazem aos pesquisadores: ao “abrir a caixa preta”, um novo mundo de possibilidades se revela. Por exemplo, capital linguístico e cognitivo têm impactos diferentes. Eles questionam: “É mais eficaz educacionalmente frequentar o teatro ou ser um grande leitor?” (Draelants; Ballatore, 2021, p. 17). Esse questionamento indica um declínio na visão restrita do capital cultural, que privilegia a cultura dominante. Com base em outras pesquisas, os autores destacam que o hábito de leitura é mais eficaz para o sucesso escolar do que a simples participação em espaços culturalmente valorizados. Isso reflete uma construção social específica de cada sociedade, onde certos capitais são mais valorizados. Além disso, o uso de capitais digitais, mencionado por outros pesquisadores no artigo, também amplia as possibilidades de análise, exigindo uma reavaliação das maneiras de captar o capital cultural e sua relação com as disparidades educacionais.
É importante refletir ainda sobre o papel do habitus na transmissão do capital cultural, pois “não herdamos capital cultural como herdamos um patrimônio material ou capital econômico” (Draelants; Ballatore, 2021, p. 19). Enquanto o capital cultural objetivado pode ser transmitido, o capital incorporado exige esforços sociais, corporais e cognitivos para ser adquirido. Por exemplo, possuir livros não basta; é necessário dedicar tempo à leitura contínua, algo que pode ou não derivar de um hábito familiar. Segundo os autores, essas críticas, ainda que usem o mesmo conceito, desafiam os cientistas a explorar novos caminhos, antes negligenciados. Dada a diversidade do cenário atual, é preciso reconsiderar os modelos tradicionais de pesquisa e adaptar-se a um horizonte mais amplo e flexível.
Sob outra perspectiva, Nogueira (2021) aborda novamente o conceito de capital cultural, apoiando-se em autores francófonos, e analisa a transformação das desigualdades sociais e educacionais ao longo dos anos. Para a autora, inicialmente, “o pressuposto era de que os bens culturais herdados dos pais exerceriam maior influência do que os recursos econômicos da família nos trajetos escolares dos indivíduos” (Nogueira, 2021, p. 3). Sua pesquisa busca examinar a relação entre o capital econômico e os capitais culturais legítimos.
Nesse contexto, as questões levantadas em torno da natureza abrangente e multifacetada do conceito de capital cultural são vistas como sua maior força, mas, ao mesmo tempo, representam um desafio, especialmente para pesquisadores quantitativos, devido à dificuldade de realizar uma análise empírica adequada (Nogueira, 2021). Vale lembrar os três estados do capital cultural propostos por Bourdieu (2015): 1. Incorporado - representado por posturas corporais, esquemas mentais e competências linguísticas; 2. Objetivado - ligado a objetos concretos, como livros, obras de arte e instrumentos; 3. Institucionalizado - relacionado a diplomas, títulos e premiações.
Ainda nessa direção, Nogueira (2021) destaca um padrão recorrente e quase automático no debate sobre desigualdades escolares, em que os pesquisadores frequentemente evocam o conceito de capital cultural como pano de fundo para estudos educacionais. Para ilustrar esse argumento, são apresentadas duas dimensões que regem essa lógica: uma sociológica e outra social. A primeira dimensão, de perspectiva sociológica, é voltada para a forma como a geração atual de pesquisadores se apropria desse conhecimento. No que tange à segunda dimensão, de perspectiva social, ela está relacionada ao papel que o conceito de capital cultural desempenha no contexto atual do funcionamento dos sistemas educacionais (Nogueira, 2021).
Síntese 2: A atualidade e o legado da obra A Reprodução
A princípio, para compreender os tensionamentos apresentados na obra A Reprodução, é importante notar que as discussões sobre educação provocaram uma verdadeira revolução na França por volta de 1960. No Brasil, porém, devido a questões históricas e políticas, especialmente no contexto do golpe militar, o país seguiu uma trajetória oposta. Segundo Valle (2022), em A Reprodução, fica evidente o caminho rigorosamente seguido por Bourdieu e Passeron (2009) para expor a estrutura cultural hegemônica que permeia o sistema educacional, responsável por reproduzir e hierarquizar desigualdades. Esse sistema opera como um "jogo" com regras bem definidas, rituais e uma linguagem própria, cujo objetivo é dificultar o acesso para alguns, enquanto simultaneamente desperta, em outros, o desejo de superação, promovendo uma trajetória contrária.
De acordo com Valle (2022), é revelada uma perspectiva sobre a educação francesa no século XX, especialmente a partir de 1960, ao tratar de temas interrelacionados, como: i) educação e desigualdades sociais; ii) dominação e reprodução; e iii) as obras Os Herdeiros e A Reprodução. Além disso, a autora discute a abordagem de Pierre Bourdieu e sua ferramenta metodológica conhecida como habitus. Este conceito é fundamental para a análise da vida social, pois não distingue indivíduo e sociedade, mas os vê como inseparáveis. A socialização faz com que o caráter individual esteja sujeito às construções coletivas, influenciado pelas concepções do meio em que o sujeito está inserido. Assim, os objetivos e comportamentos individuais são moldados socialmente de maneira inconsciente, embora permaneçam enraizados na vida do sujeito. Isso pode ser observado na forma de capital cultural incorporado, que se manifesta em gostos musicais, modos de vestir, expressões corporais, frequência a determinados locais, lazer, educação, entre outros aspectos.
No entendimento dos conceitos de dominação e reprodução em Bourdieu e Passeron (2009), destacam-se duas observações feitas pela autora a respeito da educação e seus desdobramentos. A primeira é que “...em seus primeiros estudos, desenvolvidos na Argélia, ficou evidente que, quanto mais complexas são as estruturas de uma sociedade, mais dissimulados são os mecanismos de dominação...” (Valle, 2022, p. 3). Na segunda, a autora observa que
...nas sociedades contemporâneas a reprodução da ordem social e a persistência das desigualdades e injustiças são promovidas, essencialmente, pelas estratégias escolares, que variam segundo o volume e a espécie de capital possuído (Valle, 2022, p. 3).
Seguindo a reflexão proposta por essas duas perspectivas, fica claro que, entre as diversas variáveis sociais, a escola atua como um instrumento que favorece a reprodução das desigualdades sociais, uma vez que cada estudante carrega consigo uma história de vida, além de trajetórias políticas, econômicas e culturais distintas. Essa situação está, em parte, intrínseca à instituição escolar; no entanto, mesmo quando inseridos em um contexto comum, os alunos se deparam com conflitos e adversidades intensificados pelo ambiente educativo. Esse espaço institucional, construído de maneira inconsciente pelos habitus, reproduz desigualdades sociais e perpetua interesses dominantes por meio do sistema educacional, fundamentando-se em normas e regras excludentes que legitimam a manutenção de uma cultura em detrimento de outra.
Nesse sentido, as obras Os Herdeiros e A Reprodução exploram a educação democratizante, seus impactos e outras percepções. Valle (2022) destaca que, em Os Herdeiros, a autora apresenta não apenas uma justificativa econômica, mas também cultural; nesse contexto, além dos bens econômicos, herdam-se nome, sobrenome, status social e privilégios que (re)produzem posições sociais. Em A Reprodução, Bourdieu e Passeron (2009) discutem as teorias sobre o funcionamento do sistema de ensino e as diretrizes pedagógicas que acentuam as desigualdades, além de distinguir entre capital econômico e capital cultural para ampliar a compreensão desses fenômenos. Ao investigar e organizar suas considerações, os autores concluem que a educação fundamentada nesses princípios implica uma estrutura de desigualdades sociais e educacionais, refletindo a lógica do funcionalismo social na instituição escolar. Para além da ilusão de uma educação democrática, eles se debruçam sobre os métodos utilizados pelas instituições de ensino e os resultados gerados.
Em relação aos contextos políticos e educacionais, Bourdieu e Passeron (2009) analisaram um momento crítico do sistema educacional francês, tanto público quanto privado, que teve um grande impacto na reforma do ensino em Paris. Seus escritos serviram de combustível para uma revolução com consequências a médio e longo prazo. No Brasil, em contraste com a França, já em 1964, o país vivia sob um regime autoritário decorrente do golpe militar. Nesse contexto, houve intensa observação e intimidação nas estruturas educacionais de colégios e sistemas de ensino em todos os níveis, resultantes da constante vigilância governamental sobre o que poderia ou não ser ensinado, lido ou divulgado em sala de aula. O objetivo era evitar que os estudantes fossem “corrompidos” por ideologias contrárias aos golpistas da época. Assim, a educação assumiu um papel supostamente cívico durante esse período, incluindo obrigatoriamente disciplinas que promoviam a Doutrina da Segurança Nacional e a Integração Social no planejamento escolar.
Para comprovar essa análise, Valle (2022) apresenta dados sobre o analfabetismo da época, que retratam indiretamente a falta de políticas educacionais. As taxas de analfabetismo eram de 39,7%, em 1960, e 33,7%, em 1970, para a população acima de 15 anos. Esses números evidenciam uma redução lenta no número de alfabetizados ao longo de uma década. Atualmente, segundo dados do IBGE3, a taxa de analfabetismo no Brasil em 2022 é de 5,6%, um significativo declínio após mais de 50 anos.
A obra A Reprodução, discutida por Knoblauch e Medeiros (2022, p. 3), integra a noção de capital cultural e capital linguístico, enfatizando que essa ideia está associada “... às noções de capital linguístico ou competências linguísticas”. Nesse contexto, o sistema de ensino é compreendido como um sistema comunicacional. Ao abordar o conceito de arbitrário cultural para explicar o sistema pedagógico, é fundamental considerar a violência simbólica, conforme os autores afirmam: “toda ação pedagógica é objetivamente uma violência simbólica enquanto imposição, por poder arbitrário, de um arbitrário cultural” (Knoblauch; Medeiros, 2022, p. 3). Essas compreensões são essenciais para a produção científica no campo educacional e refletem sua complexidade contemporânea.
Desse modo, entende-se que a instituição escolar exerce uma autoridade pedagógica que se manifesta em todas as suas esferas. Essa autoridade impõe questões pedagógicas, seja pela figura do professor ou da coordenação escolar, legitimando processos de aprendizagem que intensificam a reprodução das desigualdades por meio desse arbitrário cultural.
Ademais, o livro A Reprodução aborda o conceito de habitus com o objetivo de explicar o que é interiorizado e exteriorizado no indivíduo, o que, por sua vez, é condicionado e acumulado em seu arcabouço cultural. Um dos exemplos utilizados demonstra que, embora as universidades tenham experimentado uma entrada de habitus heterogêneos nos últimos anos, isso não implica que as problemáticas pedagógicas deixem de ser relevantes nessas instituições. É fundamental analisar esse nexo, pois, apesar de o ensino superior estar marcado por uma cultura academicista, existe uma linguagem específica nesse ambiente, que se assemelha a um rito, com suas regras, normas e significados próprios. Essa realidade alimenta um debate extenso sobre a forma como os professores atuam, ainda imersos nesse universo acadêmico e excludente. Essa problemática permeia o sucesso (ou insucesso) escolar, pois transmite a falsa ideia de democratização da educação, enquanto, na realidade, ela continua condicionada ao regime dominante, ocultando a estrutura do sistema e privilegiando aqueles que foram "escolhidos" para obter esse capital cultural ao ingressar no ensino superior.
É fundamental destacar a importância da construção epistemológica realizada por Bourdieu e Passeron (2009), que vão além da percepção empírica dos mecanismos envolvidos na educação. Eles
não se contentaram em dizer que o sistema de ensino elimina os alunos das classes desfavorecidas, mas buscaram explicar porque isso ocorria, evidenciando a contribuição dos educadores na reprodução das divisões sociais (Knoblausch; Mederios, 2022, p. 5).
Em outra parte do texto, é ressaltado que os indivíduos menos favorecidos que conseguem alcançar prestígios sociais, como a entrada na universidade, a formação e a conquista de melhores oportunidades de vida, muitas vezes não acreditam imediatamente na escola como um espaço libertador. Isso ocorre porque, afinal, foram eles que foram selecionados por essa mesma instituição, que tende a hierarquizar os “bons” e “ruins”. Portanto, não devem se deixar enganar por essa lógica. Para que todos possam, de fato, ter seu lugar garantido, em vez de precisarem se esforçar o dobro ou o triplo para alcançar um direito básico, é fundamental que aqueles que conseguiram acessar esses ambientes - muitas vezes privilegiados devido ao seu nível de escolaridade - atuem para facilitar o acesso para outros.
A Reprodução oferece uma compreensão mais complexa da relação entre sociedade e escola, abrangendo perspectivas culturais, simbólicas, morais, psicológicas e corporais dentro do contexto social. Essa abordagem tem sido particularmente relevante para a sociologia da educação, contribuindo para diversas pesquisas sobre a educação brasileira contemporânea. Ao buscar elaborar textos que utilizam as obras de Bourdieu e Passeron (2009), os pesquisadores se deparam com uma ampla gama de produções. Os critérios para essa seleção incluem: ser da área da educação, ser um artigo acadêmico, ser de origem nacional, gratuito e escrito em português. Após aplicar esses critérios e restringir as produções científicas, chega-se à conclusão de que todos os 146 artigos encontrados que atendem a esses requisitos fazem referência à obra A Reprodução para sustentar suas argumentações ou, em alguns casos, para criticá-las.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O artigo produziu uma visão geral sobre o debate acerca da relação entre a noção de capital cultural e a reprodução das desigualdades educacionais vigentes. Partindo das perspectivas inerentes à sociologia da educação de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron (2009, 2015, 2019), o trabalho buscou identificar como os recentes estudos averiguam a atualidade do conceito capital cultural e da obra A Reprodução na compreensão de fenômenos educativos contemporâneos. Para atender a esse propósito, o artigo fez uso de uma revisão narrativa de literatura, produzindo duas sínteses teóricas. A primeira demonstrou, por um lado, a relevância e a influência do conceito de capital cultural, apesar das críticas e limitações, para captar os processos contemporâneos de reprodução social gestados no interior da Escola. A segunda síntese revelou, por outro lado, que os conceitos levantados na obra A Reprodução, embora publicada inicialmente em 1970, continuam a ser adaptados e aplicados em pesquisas recentes. Isso evidencia que as desigualdades educacionais persistem em várias formas e que a análise das estruturas e práticas escolares através das lentes da teoria da reprodução social ainda oferece insights valiosos.
No que se refere à síntese 1, “O conceito de capital cultural à prova de novas realidades sociais” demonstramos que a literatura levantada apresenta uma análise crítica e abrangente da teoria do capital cultural, destacando tanto suas contribuições significativas para a sociologia da educação quanto as limitações e controvérsias que ela enfrenta (Draelants; Ballatore, 2021; Piotto; Nogueira, 2021; Nogueira, 2021). Os estudos, aqui revisados, deixam evidente que a medição e operacionalização do capital cultural, bem como suas interações com outros tipos de capital, são, atualmente, aspectos cruciais para compreender plenamente sua influência no sucesso escolar. Esses trabalhos destacam que, embora muitas pesquisas confirmem a importância do capital cultural, há variações na forma como ele é medido e na força da sua influência. Ou seja, existem diferenças contextuais e metodológicas significativas que afetam os resultados. Por exemplo, a influência do capital cultural pode variar entre diferentes sistemas educacionais e níveis de ensino. Apesar das críticas, os artigos selecionados nessa revisão narrativa chamam atenção para a necessidade de continuar explorando e expandindo a teoria do capital cultural para melhor compreender as desigualdades educacionais (Draelants; Ballatore, 2021; Piotto; Nogueira, 2021; Nogueira, 2021).
Na síntese 2, “A atualidade e o legado da obra A Reprodução”, os estudos selecionados por esse artigo celebram os 50 anos do livro e sua influência contínua tanto no campo acadêmico quanto no político, destacando como a obra transformou a compreensão do mundo educacional e estimulou estudos sobre a relação entre educação, cultura e desigualdade (Knoblauch; Medeiros, 2022; Valle, 2022). Trata-se de uma obra central para a sociologia da educação, na medida em que influenciou a percepção do sistema educacional como uma instituição que reproduz as estruturas de dominação e exclusão social (Bourdieu; Passeron, 2009). Neste sentido, os artigos analisados defendem a importância da obra A Reprodução, pois, ao empreender uma análise crítica das estruturas de poder na instituição escolar, ela levou a debates sobre políticas educacionais mais inclusivas e equitativas. Os artigos em análise apontam que a globalização e as transformações recentes nos sistemas educacionais exigem uma releitura das ideias de Bourdieu e Passeron, adaptando-as às novas realidades. Eles concluem que a obra continua a ser adotada e ajustada para novos âmbitos, conjunturas e desafios sociais (Knoblauch; Medeiros, 2022; Valle, 2022).
Apesar das contribuições deste artigo para a compreensão da relação entre o conceito de capital cultural e a reprodução das desigualdades educacionais, é importante considerar algumas limitações. Primeiramente, o escopo restrito à revisão de literatura baseada em artigos publicados na plataforma SciELO pode limitar a abrangência das análises, excluindo estudos relevantes disponíveis em outras bases de dados internacionais. Além disso, a seleção de trabalhos publicados apenas nos anos de 2021 e 2022 pode não captar completamente a evolução recente do debate. Por fim, a natureza qualitativa da análise aqui apresentada, embora excelente para sintetizar temas e perspectivas, não permite explorar quantitativamente a aplicação dos conceitos em diferentes contextos educacionais.
Essas limitações apontam para oportunidades de aprofundamento em estudos futuros. Um caminho promissor seria a realização de análises comparativas entre diferentes bases de dados e contextos geográficos, ampliando a compreensão das variações na aplicação do conceito de capital cultural. Ademais, estudos empíricos que integram abordagens quantitativas e qualitativas poderiam examinar com maior precisão as interações entre capital cultural e outros fatores que influenciam o desempenho educacional. Outra possibilidade seria investigar como as ideias apresentadas em A Reprodução podem ser reinterpretadas à luz das transformações contemporâneas nos sistemas educacionais, como a crescente digitalização da educação e o impacto da globalização na configuração das desigualdades escolares. Esses esforços não apenas contribuem para enriquecer a teoria da reprodução social, mas também podem informar políticas educacionais que visem promover maior equidade e inclusão nos mais diversos contextos.
REFERÊNCIAS
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Notas