Pedagogia hospitalar: conhecendo as suas modalidades de atendimento
Hospital Pedagogy: Knowing its modalities of attendance
Pedagogia hospitalar: conhecendo as suas modalidades de atendimento
Research, Society and Development, vol. 5, núm. 1, pp. 18-32, 2017
Universidade Federal de Itajubá

Recepção: 18 Fevereiro 2017
Aprovação: 23 Março 2017
Resumo: O presente estudo discute um campo em que o pedagogo pode exercer fora do ambiente escolar: a área da pedagogia hospitalar, no qual encontra-se dentro da educação especial. Teve como justificativa ampliar o conhecimento e a divulgação da área tratada, contribuindo assim para a formação visando atuação futura. O objetivo geral deste estudo é apresentar as modalidades de atendimento pedagógico existentes em ambientes hospitalares. A metodologia utilizada foi à revisão bibliográfica. Discutimos neste estudo que a função da pedagogia hospitalar é a de fornecer ás crianças e adolescentes hospitalizadas um atendimento adequado, onde elas se sintam bem atendidas e acolhidas, pois o ambiente hospitalar é diferente de sua realidade. Neste contexto, é necessário que haja profissionais preparados e capacitados adequadamente para atuar. A formação adequada desse pedagogo permite com que ele atue de maneira coerente dentro das modalidades existentes no âmbito hospitalar, no qual destacam-se três delas: atendimento no leito, classe hospitalar e brinquedoteca. Consideramos relevante ressaltar que a pedagogia hospitalar não é de conhecimento de todos, sendo necessário que haja uma maior divulgação de sua importância para a conscientização.
Palavras-chave: Educação Especial, Pedagogia Hospitalar, Modalidades de Atendimento.
Abstract: The present study presents a field in which the pedagogue can exercise outside of the school environment: the area of the hospital pedagogy, in which it is within the special education. It has as justification to extend the knowledge and the divulgation of the treated area, thus contributing to the aim of this study was to understand and deepen our studies about the modalities of pedagogical assistance existing in hospital environments. The methodology used was the bibliographic review. We discuss in this study that the function of hospital pedagogy is to provide hospitalized children and adolescents with adequate care, where they feel well attended and welcomed, since the hospital environment is different from their reality. In this context, it is necessary that there are professionals prepared and adequately trained to act. The adequate training of this pedagogue allows him to act in a coherent way within the existing modalities in the hospital scope, in which three of them stand out: bed attendance, hospital class and toy library. We consider it relevant to emphasize that hospital pedagogy is not known to all, and it is necessary to have a greater dissemination of its importance for awareness.
Keywords: Special Education, Hospital Pedagogy, Modalities of Attendance.
1. Introdução
A pedagogia hospitalar é uma das áreas da pedagogia que enfatiza o processo de ensino e aprendizagem para crianças e adolescentes que se encontram hospitalizados e sem condições de acesso a escola. Neste contexto, o pedagogo exerce responsabilidade em desenvolver de forma adequada atividades educacionais que busquem proporcionar um ambiente diferenciado de sua realidade e em situações de recuperação e tratamento de saúde (DAMASCENO; LEANDRO; FANTACINI, 2017; MATOS; MUGIATTI, 2009).
A atuação do pedagogo restringe-se há três tipos de modalidades de atendimento no qual serão apresentadas como atendimento no leito, classes hospitalares e brinquedoteca (COMIN,2009; FANTACINI; SILVA,2012; OLIVEIRA; SILVA; FANTACINI, 2016). Tais modalidades são desenvolvidas de acordo com o estado de saúde e o diagnostico médico de cada criança e adolescente hospitalizado.
O trabalho do pedagogo neste contexto não deve ser individualizado e sim, ter uma ligação entre os familiares dos hospitalizados e os profissionais da saúde, contribuindo assim para a continuidade dos estudos e do desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Com isso, exige do pedagogo atuante no ambiente hospitalar uma formação qualificada para exercer adequadamente o seu papel nesta área, além da parceria atualizada e humanizada com os demais profissionais do hospital.
O presente estudo vem retratar sobre um campo em que o pedagogo pode exercer fora do ambiente escolar: a área da pedagogia hospitalar, no qual encontra-se dentro da educação especial. Tem-se como justificativa ampliar o conhecimento e a divulgação da área abordada, contribuindo assim para a nossa formação e de nossos colegas, visando uma possível atuação futura.
Pretendemos com esse estudo conhecer e compreender as modalidades de atendimento que o pedagogo poderá atuar em ambientes hospitalares. Sendo assim, destacaremos os diferentes tipos de atuação que o mesmo pode exercer, como leito, classe e brinquedoteca.
Em suma, o papel do pedagogo no hospital se baseia em auxiliar na educação de crianças e adolescentes que se encontram hospitalizadas, contribuindo para que seja cumprida assim com os direitos e deveres da educação. O objetivo geral deste estudo é apresentar as modalidades de atendimento pedagógico existentes em ambientes hospitalares.
No primeiro momento, iremos discutir sobre os fundamentos básicos da pedagogia hospitalar; a sua origem e a sua contribuição para o desenvolvimento de crianças e adolescentes que se encontram hospitalizados.
No segundo tópico será abordada a questão da formação do pedagogo para atuar no ambiente hospitalar onde apresenta a importância de sua atuação na pedagogia hospitalar, contribuindo com o desenvolvimento da criança e do adolescente hospitalizado e com a continuação de seus estudos.
Será abordado as três principais modalidades de atendimento que o pedagogo pode exercer existentes no ambiente hospitalar, no qual destacam-se: atendimento no leito, classe hospitalar e brinquedoteca. Tais modalidades se fundamentam nos direitos de educação instituídos na Constituição Federal e são plenamente exercidas pelo pedagogo com formação voltada no âmbito hospitalar
2.Metodologia
A metodologia utilizada para a elaboração deste estudo será a pesquisa bibliográfica (revisão de literatura), por meio de livros, revistas e artigos científicos disponíveis em sites confiáveis.
A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Parte dos estudos exploratórios podem ser definidos como pesquisas bibliográficas, assim como certo número de pesquisas desenvolvidas a partir da técnica de análise de conteúdo (GIL, 2008, p. 69).
Nesse sentido, esta pesquisa bibliográfica, encontra-se fundamentada teoricamente a partir das contribuições de estudiosos da área da Educação Especial, que abordam o tema Pedagogia Hospitalar, tais como: Barros (2007); Cardoso, Silva e Santos (2012); Comin (2009); Fontes (2005); Fontes e Vasconcellos (2007); Loredo e Linhares (2016); Matos e Mugiatti (2009) e Silva e Fantacini (2013).
Para fundamentação teórica, este Artigo de Pesquisa será dividido em 3 tópicos sendo eles: 1) Pedagogia Hospitalar; 2) Formação do Pedagogo e 3) Modalidades de Atendimento Pedagógico em Ambientes hospitalares.
3. Desenvolvimento
3.1. Pedagogia Hospitalar
A pedagogia vem expandindo seu campo de atuação, segundo os autores Cardoso, Santos e Silva (2012, p. 47):
A educação se faz necessárias em todos os contextos sociais, de maneira formal ou não. Devido à grande importância da educação em nossas vidas é que a ação pedagógica vem se realizando também em hospitais. A Pedagogia Hospitalar é um novo caminho que está sendo construído pelos profissionais da educação.
Sendo assim, a área da educação exige maior preparo dos profissionais que atuam nela para a melhoria de sua formação (CENCI; BÔAS; DAMIANI, 2016; FONSECA; SOARES; MAGALHÃES, 2016; SANTO, 2016; SOARES, 2016). A área pedagógica não é atuada apenas nas escolas, mais em vários campos educativos, conforme afirma Cardoso, Santos e Silva (2012, p. 47) onde "o pedagogo pode atuar em diferentes âmbitos sociais, pois a educação está presente em todos os contextos”.
De acordo com Cardoso, Santos e Silva (2012) a educação vai muito além dos muros da escola, ela se faz necessária em todos os contextos. A educação é importante e está presente em nossas vidas, e vem se expandindo também nos ambientes hospitalares.
A pedagogia hospitalar é um novo caminho que está sendo construído pelos profissionais da educação. Ela surgiu para suprir as necessidades de crianças que passavam muito tempo hospitalizadas e acabavam tendo prejuízos na aprendizagem escolar ou até mesmo perdendo o ano letivo. (CARDOSO, SANTOS; SILVA, 2012, p. 48).
De acordo com a autora Fontes (2005, p. 122), podemos entender a pedagogia hospitalar como:
Uma proposta diferenciada da pedagogia tradicional, uma vez que se dá em âmbito hospitalar e que busca construir conhecimentos sobre esse novo contexto de aprendizagem que possam contribuir para o bem-estar da criança enferma.
A pedagogia hospitalar teve início no ano de 1935 em Paris por Henri Sellier, para suprir as necessidades de crianças e adolescentes que ficavam muito tempo hospitalizados por doenças crônicas, e não tinham condições de frequentar o ambiente escolar (CARDOSO; SANTOS; SILVA, 2012).
A primeira classe hospitalar no Brasil foi a Classe Hospitalar Jesus no ano de 1950, vinculada no Hospital Municipal Jesus, no Estado do Rio de Janeiro. Essa classe foi uma das primeiras classes hospitalares representadas no 1° Encontro Nacional sobre o Atendimento Escolar Hospitalar no ano de 2000, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FONTES, 2005).
As atividades pedagógicas contribuem para as crianças e os adolescentes enfermos, pois é através do lúdico que eles passam a se desenvolver e a se distrair, e também é uma maneira onde permite que explorem o ambiente em que estão hospitalizados permitindo que aprimorem seus conhecimentos (FONTES, 2005).
Segundo as autoras Loredo e Linhares (2014) a criança hospitalizada apresenta alguns prejuízos, pois sua realidade é diferente do seu cotidiano, com isso a criança não tem frequência à escola e não tem condições de ver os seus amigos, sendo assim, as instituições hospitalares tem a função de acolher a essas crianças e adolescentes e ter uma parceria com os profissionais da saúde, o pedagogo e a família contribuindo para a sua recuperação.
A pedagogia hospitalar tem a função de apoiar estas crianças/adolescentes, por meio do atendimento educacional nas dependências hospitalares, integrando o aluno/paciente à escola, e colaborando para a socialização da criança, amenizando os transtornos causados pela internação como a raiva, insegurança, medo, ansiedade, frustrações e incapacidades que podem tardar o processo de cura do paciente (LINHARES; LOREDO, 2014, p.3).
A pedagogia hospitalar se refere ao atendimento das crianças e adolescentes hospitalizados, este trabalho dentro do hospital é voltado ao ser total, não apenas no corpo por ela estar hospitalizada, mais também para as necessidades afetivas, emocionais, físicas e sociais das crianças (FANTACINI; SILVA, 2013).
Pensando na importância da pedagogia hospitalar, no tópico a seguir iremos enfatizar a formação do pedagogo neste campo.
3.2. Formação do Pedagogo
Quando falamos em formação do pedagogo logo pensamos no ambiente escolar, porém essa formação não deve se restringir somente a esse âmbito, uma vez que na Resolução nº 01/2006 que aborda as Diretrizes Nacionais para o Curso de Pedagogia do Conselho Nacional de Educação-CNE diz que:
Art. 4º - O curso de Licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. Parágrafo único. As atividades docentes também compreendem participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino, englobando: II- planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas não-escolares.
Art. 5º O egresso do curso de Pedagogia deverá estar apto a: IV - trabalhar, em espaços escolares e não-escolares, na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo (BRASIL, 2006, p. 02).
Apresentamos assim, a formação ampliada para o ambiente hospitalar, uma vez que é direito da criança e do adolescente desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar. (BRASIL, 1995). Para tal, é necessário que haja profissionais capacitados que visem “propostas criativas, comprometidas e competentes no atendimento da criança e adolescente internados, ou seja, é imprescindível que tenha habilitação específica para o desempenho e prática de ensino, possibilitando atender este nível de exigência” (MATOS; MUGIATTI, 2009. p. 118). Devem ser promovidas atividades que visem o desenvolvimento intelectual da criança e do adolescente que não estejam inseridos na sala de aula regularmente (BARROS, 2007), além de “contribuir para a saúde da criança que ali se encontra” (FONTES; VASCONCELOS, 2007, p. 284).
Para esses profissionais, mais precisamente o professor, é necessário que além da formação inicial e contínua, também haja conhecimentos sobre seu papel enquanto docente e enquanto atuante no hospital, fornecendo serviços e recursos para o atendimento educacional especializado. (BRASIL, 2001).
Sendo assim, a ligação entre educação e saúde garante ás crianças e adolescentes internados o elo com a escola, resultando na continuidade e numa nova construção de seu desenvolvimento, ocasionando na superação dos choques e traumas referentes à hospitalização.
[...] a atuação prática do pedagogo hospitalar, pode-se compreender, que é necessário e possível que alunos que forem hospitalizados, possam dar continuidade aos seus estudos, sendo capazes de realizar atividades adequadas ao seu nível de escolaridade, que permitam que estes alunos continuem tendo uma vida escolar parcialmente próxima da que exercia antes. (FANTACINI; SILVA, 2013, p. 32).
Dentro dos diversos papeis que cercam o professor dentro do hospital, espera-se que o mesmo seja composto por algumas capacitações citadas pela autora Barros (2007, p. 265). Sendo elas:
- Capacidade do professor de se adaptar à demanda de uma nova classe hospitalar e justificá-la a partir da apreciação de variáveis [...];
- Capacidade de, quando implantar uma nova classe hospitalar, apreciar a existência de outras medidas humanizadas [...] e integrá-las às atividades correntes de uma classe hospitalar;
- Capacidade de, quando na presença, por exemplo, de profissionais do tipo atores clown*, sugerir modos criativos e funcionais de explorarem os espaços e as rotinas hospitalares [...];
- Capacidade de, quando da ocorrência desses momentos, adaptar flexivelmente as atividades de ensino e aprendizagem [...];
- Capacidade de propor maneiras e materiais alternativos na confecção de jogos e brinquedos;
- Capacidade de sugerir modos mais apropriados de diagnosticar as demandas de acompanhamento escolar do paciente [...].
Nota-se as atribuições do pedagogo no campo hospitalar, devendo partir de uma boa e adequada formação. No Plano Nacional de Educação de 2001 - Educação Especial, tópico 19, é proposto que seja incluído nos currículos que formam os professores voltados ao atendimento aos alunos especiais* “conteúdos e disciplinas específicas para a capacitação” nesse âmbito.
Para Rabelo e Silva (2012) a formação do pedagogo pretende ampliar o entendimento sobre o ensino e a aprendizagem, utilizando de suas experiências e práticas sociais no qual foram construídas enquanto vivenciava diferentes situações em sua vida. Neste sentido, a formação não escolar proporciona ao docente um novo campo de atuação onde poderá vivenciar os conhecimentos adquiridos no percurso de sua formação acadêmica.
De acordo com Cardoso, Silva e Santos (2012, p. 47) “a pedagogia vem expandindo seu campo de atuação e é preciso que o pedagogo esteja atento e preparado para atuar em diferentes locais, pois a educação não ocorre somente no ambiente escolar”. Pode-se concluir a relevância da ação do pedagogo hospitalar e ocasionalmente sua formação, que se compõe a partir de sua formação acadêmica e de suas experiências sociais e morais.
A seguir, destacaremos nas modalidades que o pedagogo pode exercer no ambiente hospitalar.
3.3. Modalidades de Atendimento Pedagógico em Ambientes Hospitalares
De acordo com Comin (2009) e Fantacini e Silva (2012) a pedagogia hospitalar apresenta três tipos de atendimento que são: 1) Leito; 2) Classe; e 3) Brinquedoteca; onde restringem-se á crianças e adolescentes que não podem ir à escola por problemas de saúde e internação, focando em suprir as necessidades educacionais em ambiente hospitalar, uma vez que, conforme Constituição Federal de 1988, no Título VIII – Da Ordem Social, Capítulo III – Da Educação, da Cultura e do Desporto, Seção I, artigo 205: “A educação, direito de todos [...] visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”.
De acordo com Fantacini, Silva, Ceccim e Carvalho (FONSECA, 2008, p. 15):
O atendimento pedagógico-educacional no ambiente hospitalar deve ser entendido como uma escuta pedagógica das necessidades e interesses da criança, buscando atendê-las o mais adequadamente possível nestes aspectos, e não como mera suplência escolar ou “massacre” concentrado do intelecto da criança.
Com isso, nota-se que toda criança e adolescente possui como direito o acesso à educação independente de quaisquer restrições que a mesma pode se encontrar.
Sobre as diferentes modalidades de atendimento, leito, classe e brinquedoteca, mesmo estando no mesmo ambiente, que é no hospital têm modos diferentes em ser exercido, pois a criança deve ser avaliada de acordo com seu estado e capacidade.
Primeiramente, o atendimento no leito é realizado no quarto em que do paciente onde se realiza uma avaliação e atividades com o paciente individual.
De acordo com Jordão, Trindade e Fantacini (Vieira 2011) o leito é um trabalho individua e realizado em serviço de emergência onde busca dar continuidade ao estudo da criança lhe garantindo seus direitos.
As aulas ministradas no leito são individualizadas, o que dá ao professor possibilidade de trabalhar com os conteúdos enviados pelas escolas das crianças, assim como permite a organização de um planejamento mais amplo, com propostas de atividades que podem se estender por mais de um dia de trabalho (COMIN, 2009, p.58).
De acordo com Comin (2009) mostra que os pacientes têm aulas individuais e que o educador pode planejar e suas atividades com o intuito de ajudá-los e ensiná-los nas matérias que aprenderiam na escola.
Na segunda modalidade de atendimento citada, a classe hospitalar, temos como definição, segundo Fantacini e Silva (BRASIL, 2001, p. 52):
Classe hospitalar: definida como sendo um serviço destinado a prover, mediante atendimento especializado, a educação escolar a alunos impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação hospitalar ou atendimento ambulatorial.
Com isso mostra-se que a criança e o adolescente que se encontram em tratamento hospitalar ou ambulatório, podem ter acesso a educação e um educador.
De acordo com os dados da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (2009, p. 01) as Classes hospitalares existentes são:

Por fim, a brinquedoteca é um lugar onde as crianças podem se divertir no ambiente hospitalar.
Reconhecendo a importância do desenvolvimento biopsicossocial de crianças e adolescentes em situação de hospitalização, os Direitos Nacionais para Educação Especial na Educação Básica, por meio da Resolução n.41/ 95, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, garantem para esta parcela da população, “o direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde e acompanhamento do currículo escolar, durante a sua permanência hospitalar” (ALBERTONI; GOULART; CHIARI, 2011, p.364).
De acordo com os autores Albertoni, Goulart e Chiari (2011) a brinquedoteca foi feita para a criança e adolescente hospitalizado com o intuito de se distrair e aprender ao mesmo tempo. O pedagogo pode fazer com que a criança saia de sua rotina cansativa de ficar na cama vendo TV e levando-a se desenvolver e recuperar de forma lúdica.
Nota-se que, o pedagogo deverá trabalhar de acordo com o estado especifico que se encontra cada criança e adolescente hospitalizado, baseado no diagnostico medico que apresentam a fim de propor estímulos adequados que desenvolvam os aspectos emocionais, cognitivos e sociais, além de suprir suas necessidades, seus limites e suas fragilidades (FANTACINI; SILVA, 2012; SILVA; SILVA, 2016; TEODORO; GODINHO; HACHIMINE, 2016).
4. Considerações Finais
O objetivo geral deste estudo foi apresentar as modalidades de atendimento pedagógico existentes em ambientes hospitalares. Durante o processo de realização do estudo, nos permitiu conhecer a importância da pedagogia hospitalar e as principais características das modalidades que nela se encontra, enfatizando sobre a atuação do pedagogo no ambiente hospitalar.
Podemos destacar que a função da pedagogia hospitalar é fornecer as crianças e adolescentes hospitalizadas um atendimento adequado, onde elas se sintam bem atendidas e acolhidas, pois o ambiente hospitalar é diferente de sua realidade. Neste contexto, é necessário que haja profissionais preparados e capacitados adequadamente para atuar, sendo de sua responsabilidade aprimorar seus conhecimentos e sua prática para que assim, conheça e respeite o desenvolvimento e limitações de cada um de seus alunos.
É papel do pedagogo proporcionar ás crianças e adolescentes hospitalizados a continuação de seus estudos para que, se retornarem à escola, possam acompanhar o processo de aprendizado de sua faixa etária. Sendo assim, a ligação entre educação e saúde permite a esses sujeitos hospitalizados o vínculo com a instituição escolar, para que não retrocedam em desenvolvimento além de eliminar os traumas vividos durante o processo de hospitalização.
A formação adequada desse pedagogo permite com que ele atue de maneira coerente dentro das modalidades existentes no âmbito hospitalar, no qual destacam-se três delas: atendimento no leito, classe hospitalar e brinquedoteca. No decorrer do artigo, nota-se que cada uma dessas modalidades possui sua característica especifica e seu modo de ser executado, sendo de responsabilidade do pedagogo avaliar o diagnostico medico dado para seus respectivos alunos a fim de lhe fornecer o atendimento adequado diante da situação em que os mesmos se encontram.
A partir do tema apresentado consideramos relevante destacar que a pedagogia hospitalar não é de conhecimento de todos, sendo necessário que haja uma maior divulgação de sua importância para a conscientização. Pode-se concluir assim que o papel que o pedagogo possui para as crianças e adolescentes que se encontram hospitalizados é de contribuição para o processo contínuo de aprendizagem além de favorecer uma melhor adaptação desses sujeitos ao hospital. Cabe á esse pedagogo estar em constante formação para que, independente da modalidade em que exercer, possa fazê-lo da maneira adequada, lúdica e que desenvolva integralmente seus alunos.
Referências
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Notas