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Análise do Filme a “Ilha do Medo” sob o olhar da Psicologia Cognitiva
Betina Lascombe; Fernanda Dornelles; Iuri Borowski;
Betina Lascombe; Fernanda Dornelles; Iuri Borowski; Mariana Ferrigolo; Taciane Nicolai; Janaína Pereira Pretto Carlesso
Análise do Filme a “Ilha do Medo” sob o olhar da Psicologia Cognitiva
Movie Review "Island of Fear" under the eyes of Cognitive Psychology
Reseña de la película "Isla del miedo" bajo los ojos de la psicología cognitive
Research, Society and Development, vol. 8, núm. 1, pp. 01-16, 2019
Universidade Federal de Itajubá
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Resumo: O presente estudo abordou uma análise cinematográfica do filme “A ilha do medo”. Através do olhar da Psicologia, tal atividade advém como uma tentativa de construção e apreensão do conteúdo programático transmitido na disciplina de Processo Básicos. O objetivo do presente artigo foi apresentar um estudo de caso clínico pelo viés da Psicologia Cognitiva, por meio da análise do comportamento do personagem principal do filme. Por meio da análise de cenas do filme foi possível investigar especificamente como os deslocamentos do personagem, estão associados aos processos básicos cognitivos, como memória, aprendizagem, percepção, atenção e linguagem. A coleta de dados bibliográficos foi feita nas bases de dados eletrônicas: Scielo, Pepsic, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), e também foram realizadas visitas a biblioteca física da Universidade. Os resultados da análise fílmica apontam que o paciente Andrew Laeddis do ponto de vista da Psicologia cognitiva apresentava alterações da sensopercepção quantitativas como Hiperestesia, como também alterações qualitativas da sensopercepção - alucinações e quadros de alucinose. Observou-se que o paciente também apresentava alterações patológicas da memória quantitativas -Amnésia ou Hipomnésia, alterações patológicas qualitativas da memória denominadas ilusões mnêmicas alucinações mnêmicas. Conclui-se que o estudo de caso por meio da análise fílmica possibilitou associar os comportamentos do personagem principal do filme a Ilha do Medo aos processos básicos cognitivos estudados teoricamente na disciplina de Processos Básicos. Essa atividade mesmo que por meio da ficção também oportunizou aos acadêmicos a observar os aspectos, características e sintomas numa perspectiva da Psicologia Cognitiva do transtorno mental caracterizado nesse estudo.

Palavras-chave:Psicologia CognitivaPsicologia Cognitiva,estudo de casoestudo de caso,análise fílmicaanálise fílmica.

Abstract: The present study addressed a cinematographic analysis of the film "The Island of Fear". Through the look of Psychology, this activity comes as an attempt to construct and apprehend the programmatic content transmitted in the Basic Process discipline. The objective of this article was to present a clinical case study from the bias of Cognitive Psychology, through the analysis of the behavior of the main character of the film. Through the analysis of scenes of the film it was possible to investigate specifically how the displacements of the character are associated with the basic cognitive processes, such as memory, learning, perception, attention and language. The collection of bibliographic data was done in the electronic databases: Scielo, Pepsic, Virtual Health Library (VHL), and visits were also made to the physical library of the University. The results of the film analysis show that the patient Andrew Laeddis from the point of view of cognitive psychology presented quantitative sensory perception changes like Hyperesthesia, as well as qualitative alterations of sensoperception - hallucinations and hallucinose pictures. It was observed that the patient also presented quantitative pathological memory alterations - Amnesia or Hypnomnesia, qualitative pathological alterations of memory called mnemic illusions mnemic hallucinations. It is concluded that the case study through the film analysis made it possible to associate the behaviors of the main character of the film to Ilha do Medo to the basic cognitive processes studied theoretically in the Basic Processes discipline. This activity, even though through fiction, also enabled academics to observe the aspects, characteristics and symptoms from a Cognitive Psychology perspective of the mental disorder characterized in this study.

Keywords: cognitive psychology, case study, film analysis.

Resumen: El presente estudio abordó un análisis cinematográfico de la película "La isla del miedo". A través de la mirada de la Psicología, tal actividad adviene como un intento de construcción y aprehensión del contenido programático transmitido en la disciplina de Proceso básico. El objetivo del presente artículo fue presentar un estudio de caso clínico por el sesgo de la Psicología Cognitiva, por medio del análisis del comportamiento del personaje principal de la película. Por medio del análisis de escenas de la película fue posible investigar específicamente cómo los desplazamientos del personaje, están asociados a los procesos básicos cognitivos, como memoria, aprendizaje, percepción, atención y lenguaje. La recolección de datos bibliográficos fue hecha en las bases de datos electrónicos: Scielo, Pepsic, Biblioteca Virtual en Salud (BVS), y también se realizaron visitas a la biblioteca física de la Universidad. Los resultados del análisis fílmico apuntan que el paciente Andrew Laeddis desde el punto de vista de la Psicología cognitiva presentaba alteraciones de la sensopercepción cuantitativas como Hiperestesia, así como alteraciones cualitativas de la sensopercepción - alucinaciones y cuadros de alucinosis. Se observó que el paciente también presentaba alteraciones patológicas de la memoria cuantitativa -Amnésia o Hipomnesia, alteraciones patológicas cualitativas de la memoria denominadas ilusiones mnémicas alucinaciones mnémicas. Se concluye que el estudio de caso por medio del análisis fílmico posibilitó asociar los comportamientos del personaje principal de la película a la Isla del Miedo a los procesos básicos cognitivos estudiados teóricamente en la disciplina de Procesos Básicos. Esta actividad aunque por medio de la ficción también oportunizó a los académicos a observar los aspectos, características y síntomas en una perspectiva de la Psicología Cognitiva del trastorno mental caracterizado en ese estudio.

Palabras clave: Psicología Cognitiva, estudio de caso, análisis fílmico.

Carátula del artículo

Análise do Filme a “Ilha do Medo” sob o olhar da Psicologia Cognitiva

Movie Review "Island of Fear" under the eyes of Cognitive Psychology

Reseña de la película "Isla del miedo" bajo los ojos de la psicología cognitive

Betina Lascombe
Universidade Franciscana-UFN, Brasil
Fernanda Dornelles
Universidade Franciscana-UFN, Brasil
Iuri Borowski
Universidade Franciscana-UFN, Brasil
Mariana Ferrigolo
Universidade Franciscana-UFN, Brasil
Taciane Nicolai
Universidade Franciscana-UFN, Brasil
Janaína Pereira Pretto Carlesso
Universidade Franciscana-UFN, Brasil
Research, Society and Development, vol. 8, núm. 1, pp. 01-16, 2019
Universidade Federal de Itajubá

Recepção: 16 Julho 2018

Aprovação: 16 Agosto 2018

1. Introdução

O presente artigo discorre sobre uma análise cinematográfica do filme “A ilha do medo”. Através do olhar da Psicologia, tal atividade advém como uma tentativa de construção e apreensão do conteúdo programático transmitido na disciplina de Processo Básicos, do curso de Psicologia da Universidade Franciscana.

Deste modo, o objetivo do presente artigo foi apresentar um estudo de caso clínico pelo viés da Psicologia Cognitiva, por meio da análise do personagem principal do filme “A ilha do medo”. Foi possível investigar especificamente como os deslocamentos do personagem principal, estão associados aos processos básicos cognitivos, como memória, aprendizagem, percepção, atenção e linguagem, através da análise de cenas do filme. Bem como tais conceitos se deslocam através de diferentes modos, a fim de sintonizar o aparelho biológico com o psíquico, convocando o sujeito a se posicionar em sua radical singularidade.

Assim, justifica-se a pesquisa, pois permitiu uma aproximação com temáticas relevantes diante da clínica psicológica, como assuntos acerca do sofrimento humano e as delicadezas em transitar pelas fronteiras do ser, sobre hipótese diagnóstica e regimes de instituições totais como modelos de tratamento. Deste modo, considerando os desafios e impasses de discorrer sobre questões complexas, dentro do permitido nesta análise de filme, esse trabalho serve como disparador crítico, sobre rumos do laço social na sociedade contemporânea, fazendo-se mais pertinente através da incitação de pesquisas futuras a respeito da temática.

Com isso, tal traçado não pretende dar conta de todas as possibilidades analíticas do filme e do campo social, não almejando um caráter conclusivo, mas de abertura para novas reflexões.

2. Metodologia

O modelo metodológico a ser desenvolvido, juntamente com a sinopse e uma breve fundamentação teórica, sobre os deslocamentos do personagem principal através de cenas selecionadas, interligando com o entendimento acerca dos processos básicos cognitivos. Bases bibliográficas, como Scielo, Pepsic, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), bem como a biblioteca da instituição, foram visitadas, buscando fundamentar teoricamente, através de uma análise de conteúdo (BARDIN, 2009).

A partir do discurso que emergiu após a observação do filme determinado, foi realizada uma análise, através de dois principais passos metodológicos. Foi preciso descrever o filme e, em seguida, estabelecer e compreender os deslocamentos do personagem ao longo da trama e as relações entre os processos básicos cognitivos.

Em primeiro, foi necessário desunir os elementos, separando o filme em cenas selecionadas em grupo. Esse processo implicou interpretar os conceitos relativos à imagem, seja no que diz respeito aos enquadramentos, composição, ângulo, som, planos, cenas, sequências, a fim de esclarecer o funcionamento que o diretor queria transmitir, para assim propor uma interpretação, através do olhar psicológico.

Após a identificação desses elementos necessários para a percepção da articulação entre os mesmos, tratou-se de fazer uma reconstrução para perceber de que modo esses elementos auxiliam na compreensão do personagem principal, associados ao conteúdo da disciplina. O filme então foi o ponto de partida para a sua decomposição e, também, o ponto de chegada na etapa de reconstrução do material apreendido durante o bimestre.

2.1 Sinopse do filme

“Ilha do medo” é filmado nas Boston HarborIslands, em um cenário onde um manicômio judiciário é o único prédio da ilha, que ostenta um misterioso farol.O longa acontece no ano de 1954.

Resumidamente, dois agentes federais (Leonardo Di Caprio e Mark Ruffalo), vão até a ilha investigar o desaparecimento incompreensível de uma mulher internada no manicômio de segurança máxima. Seu crime fora o de matar os próprios filhos.

Baseado no livro “Paciente 67” de Dennis Lehane, o roteiro, juntamente com a edição do filme, criam o clima de descobertas assustadoras que vão contando uma história sob o prisma do protagonista, o detetive de Di Caprio, ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, que testemunhou a libertação dos campos de concentração e que ficou marcado pelo horror e impotência do ser humano frente ao mal que vem do seu semelhante.

3. Resultados e Discussões

O filme começa com uma tela branca e aos poucos é possível visualizar que um barco surge, saindo de um espesso nevoeiro, em um mar revolto. O detetive Teddy Daniels passa mal. Seu parceiro o ajuda. Já no início o espectador é atraído por uma possibilidade de sondar a dor humana em seus diferentes níveis de expressão, dando o tom pesado, encoberto, intrigante, que assalta a apreensão.

Teddy Daniels é um detetive federal enviado a instituição psiquiátrica Aschecliffe para investigação de um caso de desaparecimento. Esse consiste no ponto de partida do filme, do qual se desenrolam os acontecimentos e as tramas, sendo tudo articulado por e para Teddy.

Ao chegar aos primeiros portões em terra, o detetive comenta com estranheza os guardas estarem tensos. Isso pode ser interpretado do ponto de vista dele, considerando o fato dele acreditar que uma paciente da instituição havia fugido. Por outro lado, pode-se entender esse desconforto dos guardas por ele ser o real paciente.

Na sala do Dr. Cawlay, informações sobre a fuga e vida de Rachel Solando foram esclarecidas. Na perspectiva de Teddy, estava conhecendo a instituição e o caso de Rachel. Porém, no decorrer da explicação ele vê uma foto de Rachel e tem uma lembrança da guerra, e aparentemente, relaciona essa lembrança com a imagem de sua filha. Isso pode ser interpretado como uma conexão das vítimas presentes no Campo de Concentração que ele não conseguiu salvar durante a guerra, assim como não conseguiu salvar seus filhos. Além disso, Teddy aparenta demonstrar um pouco apreço ou consideração por assassinos, talvez porque ele entenda as implicações de ser um.

Teddy sai para fazer um reconhecimento e procurar Rachel Solando através da ilha, e pode-se notar claramente a falta de motivação dos guardas ao desempenharem a busca. Isso se deve ao conhecimento prévio dos funcionários em relação à verdadeira condição de Teddy.

Ainda sobre a investigação, em uma reunião comandada por Teddy e seu parceiro, enfermeiros foram interrogados sobre do caso e, na ocasião, o Dr. Sheehan, psiquiatra de Rachel, foi citado. O que Teddy não sabe é que o Dr. Sheehan é, na verdade, seu psiquiatra, mas atua como seu parceiro Chuck dentro da fantasia criada por Teddy. Além disso, Dr. Sheehan/Chuck não é o único personagem a atuar, pois todos os funcionários e pacientes da instituição são atores dentro desse “teatro” encenado para Teddy.

Em seguida, Teddy e seu parceiro (Chuck) tem uma conversa com Dr. Cawlay e o Dr. JeremiahNaehring. Momentos antes, Teddy escuta uma música tocando na vitrola e tem uma lembrança de guerra, reconhecendo o autor da música. O Dr. Jeremiah faz uma rápida análise, fala de seus mecanismos de defesa e os rotula de serem homens da violência e nesse momento mais uma vez Teddy demonstra um sentimento de raiva em relação a assassinos e pessoas violentas, perdendo controle. Verifica-se aqui que todos os elementos são articulados nas cenas para introduzir gatilhos que evoquem em Teddy recordações de sua vida real.

Em um de seus sonhos, Teddy vê sua esposa com uma garrafa de bebida na mão, representando seu vício por álcool que surgiu após a guerra. Ele fica impactado e simultaneamente confuso com as falas dela. O cenário passa-se no apartamento incendiado em que moravam, cinzas caem do teto, mas efeitos relacionados com a verdadeira história do protagonista entram em cena, como água e o real ferimento de morte de sua esposa. Assim, destaca-se a contraposição entre os elementos fogo e água, onde o primeiro enuncia uma realidade alterada pelo personagem, enquanto o segundo denuncia a verdade negada.

Mais tarde, Dr. Cawlay explica para Teddy e Chuck a situação da área da saúde mental da época. Conta que existe um grupo de profissionais que apoiam a lobotomia na esperança de deixar os pacientes mais dóceis, outro grupo, de farmacologistas, acredita que os remédios e novas drogas seriam a solução para controlar os pacientes. Contrário a esses grupos, Dr. Cawlay diz acreditar que tratando seus pacientes com respeito e os ouvindo, é possível alcançar melhoras significativas. Nesse ponto do filme, pode-se observar pequenas relações entre a história de Rachel Solando e a história de Teddy.

Teddy conduz com seu parceiro Chuck uma série de interrogatórios. Durante estes, se depara com uma paciente e a questiona a respeito de vários elementos referentes ao caso, incluindo informações sobre Dr. Sheehan. Quando Teddy pergunta sobre esse médico, a paciente olha para Chuck e desvia o olhar, e as semelhanças entre o real Dr. Sheehan e o fictício Chuck se tornam mais aparentes. A pergunta seguinte, referente a Andrew Laeddis, deixa-a instantaneamente nervosa, pois ela possui conhecimento de quem ele é de fato.

O filme chega a um momento importante. Chuck questiona quem é Andrew Laeddis. Segundo Teddy, Andrew Laeddis fazia a manutenção no prédio em que morava com sua esposa e, esse homem era um incendiário, responsável pelo incêndio em que sua esposa faleceu. Além disso, Laeddis encontrava-se internado naquela instituição devido a outros crimes cometidos, e Teddy requisitou trabalhar na investigação para ter acesso ao homem que matou sua esposa Dolores.

Percebe-se nesse momento um quadro de ilusões mnêmicas, que são o acréscimo de elementos falsos a um núcleo verdadeiro da memória trazendo um caráter fictício à história subconscientemente criada pelo protagonista (DALGALARRONDO, 2000). Ou seja, a partir de fatos reais como o incêndio no apartamento e a morte de Dolores, são articulados outros elementos, incluindo uma terceira pessoa denominada Laeddis, responsável pelo crime, de forma que, o produto final possui caráter fictício e ilusório.

Em meio ao crescente clima de mistério que envolve a instituição, Rachel Solando é encontrada. Como Rachel é identificada como psicótica e possui uma percepção distorcida da realidade, o detetive, para entrevistá-la, se insere na trama articulada pela paciente, em que a instituição psiquiátrica é sua casa em Berkshire. Nesse sentido, Teddy questiona a ela sobre os acontecimentos do dia anterior e sua resposta corresponde a uma rotina normal de uma dona de casa: preparou café da manhã para seu marido Jim e as crianças; embrulhou o almoço do seu marido e esse saiu para o trabalho; depois, mandou as crianças para a escola; e foi nadar no lago atrás de sua casa por um tempo. Também, Rachel identifica o detetive com seu marido Jim.

A atitude da personagem possui a intenção de movimentar algo em Teddy. Pois ele é, na verdade, paciente na instituição e todos os acontecimentos correspondem a encenação de seu delírio. Nesse sentido, os fatos relatados por Rachel fazem referencia a mulher de Teddy e aos acontecimentos do dia em que seus filhos morreram afogados por sua esposa.

Posteriormente, no escritório do Dr. John Cawley, o detetive Teddy apresenta grande sensação de mal-estar. Seu desconforto se deve, principalmente, ao excesso de estímulo luminoso dos relâmpagos. Segundo o médico, esse sintoma decorre de uma forte enxaqueca e lhe medica com uma pílula.

Porém, os sintomas identificados – fotossensibilidade, dor de cabeça, enjoo, vômito e tremores – indicam um estado de abstinência. A abstinência corresponde a alterações fisiológicas e psicológicas que ocorrem quando um indivíduo para de usar determinada substância (WHITBOURNE; HALGIN, 2015). No caso do personagem, os sintomas apresentados são consequência da interrupção de seu tratamento com Clorpromazina, um antipsicótico utilizado no tratamento de pacientes com esquizofrenia.

Um dos elementos chave do filme são os sonhos, pois suas revelações possibilitam diferentes interpretações. Em um sonho, Teddy encontra-se no Campo de Concentração em Dachau, referente às suas lembranças dos acontecimentos ao final da Segunda Guerra Mundial. No cenário há pilhas de corpos, mortos e congelados, e em meio ao fundo escuro e cinza destacam-se dois corpos vermelhos e vivos: Rachel Solando e sua filha. A menina se direciona a Teddy e fala que o mesmo deveria ter lhes salvado. A partir disso, pode-se interpretar que a criança seria filha de Teddy e, seu aparecimento meio ao Campo de Concentração, pode ser relacionado ao intenso sentimento de culpa do personagem por não ter salvado nem aquelas vítimas da guerra, nem sua filha.

O cenário do sonho modifica, se passa no alojamento dos médicos localizado na instituição psiquiátrica. O fogo na lareira se estende ao ambiente, que possui tons quentes e vívidos. Ao fundo toca a música de Mahler, mesma que tocava no alojamento nazista do Campo de Concentração. A frente da lareira encontra-se Laeddis, que se refere a Teddy com intimidade, acende seu cigarro e lhe mostra um cantil contendo álcool. Tal cena pode ser interpretada como referência a dependência por álcool que o personagem desenvolveu, possivelmente associada às dificuldades do trauma decorrente da guerra. Após um grito de pavor, Rachel aparece banhada em sangue, aos seus pés três crianças mortas. Novamente, a menina questiona porque ele não os salvou e Teddy responde que quando chegou era tarde demais.

O cenário modifica para a casa no lago. Teddy segura a menina morta em seus braços e caminha, retrocedendo, em direção ao lago. A cena parece invertida, como se voltasse, como uma expressão do desejo de retornar ao passado, ao momento em que algo poderia ser modificado. Após, Teddy acorda em um dormitório, mas ainda sonha. Por uma porta vermelha em que a água escorre, sua esposa aparece, toda molhada e lhe diz que Laeddis não está morto e ainda está ali.

Durante todo o sonho destaca-se a contraposição entre a água/gelo (cores escuras e cinzas) e o fogo (cores quentes e vibrantes), de forma que a primeira refere-se a lembranças da sua realidade e a segunda, associada as suas ilusões.

Impulsionado pelas revelações do sonho, Teddy decide investigar a Ala C do hospital, de acesso proibido e onde estão os pacientes considerados mais perigosos. Dentro das instalações da Ala C, Teddy ouve vozes chamando por Laeddis. O detetive segue o chamado em direção à escuridão, enquanto acende fósforos para iluminar o ambiente. Novamente, o elemento fogo pode ser interpretado como um indicativo de suas alucinações. Assim, as vozes percebidas são, na verdade, uma alucinação audioverbal e não correspondem a um estímulo real do ambiente (DALGALARRONDO, 2000).

Teddy encontra um paciente chamado George Noyce. Durante a conversa, o paciente questiona se Teddy não o reconhece, e lhe revela a verdade – não há investigação, tudo é um “jogo” criado para ele, como se fosse um rato no labirinto. Além disso, Noyce afirma que não há como descobrir a verdade e matar Laeddis ao mesmo tempo, é uma escolha, pois saber a verdade traria Andrew Laeddis de volta e eliminaria Teddy Daniels.

Confuso sobre as revelações de Noyce, Teddy decide investigar o Farol da ilha, pois acredita que Laeddis encontra-se lá. Após não conseguir acesso ao Farol, Teddy sai a procura de seu parceiro Chuck. E durante sua busca, identifica uma caverna no penhasco a partir de um feixe luminoso. Na caverna, o detetive encontra a verdadeira Rachel Solando e, essa lhe revela a verdade. Antes de ser uma paciente em Aschecliffe, Rachel trabalhou como médica psiquiatra na instituição e questionou o uso de drogas psicotrópicas e de cirurgias no cérebro como lobotomia transorbital no tratamento de paciente, para lhes deixar obedientes, dóceis e tratáveis. As críticas de Rachel revelaram o verdadeiro propósito da instituição, que seria realizar pesquisas experimentais para o setor militar com a finalidade de operar lavagens cerebrais em pacientes para que estes se tornassem soldados fantasmas, sem dor ou afetos, e sugestionáveis a realizar qualquer operação.

Todos na instituição encontram-se envolvidos na trama e, assim como Rachel foi declarada doente mental para lhe silenciar e encobrir a verdade, Teddy também seria. Inclusive, já estava acontecendo, pois desde sua chegada a ilha foi envenenado através do consumo de água, comida, cigarros e pílulas, e demonstrava sintomas como dificuldades para dormir, sonhos estranhos e enxaquecas.

Toda a trama articulada a partir dessa teoria da conspiração decorre da fantasia de Teddy. Pois ao colocar todos na instituição em suspeita, estabelece um clima de descredito, sendo que possível negar toda a verdade revelada. Além disso, essa teoria também justifica os sintomas físicos da abstinência, negando a possibilidade de ser um paciente da instituição.

Posteriormente, Teddy retorna ao hospital e encontra Dr. Cowley. No mesmo ambiente estão outros pacientes e funcionários da instituição, que conversam e encaram Teddy. A agitação presente é justificada devido ao aparecimento de um homem estranho e perigoso na Ala C no dia anterior. No entanto, sabe-se que o clima de estranhamento se deve a presença de um paciente perigoso, circulando livremente pelo hospital. Em seguida, Teddy e o médico fazem combinações sobre sua partida. Também, questiona ao médico sobre seu parceiro Chuck e, este lhe afirma que chegou a ilha sozinho.

A teoria sobre a conspiração parece mais real, em reação a isso Teddy decide fugir e ir até o Farol para salvar seu parceiro Chuck. Para isso, Teddy incendia o carro de um dos médicos a fim de criar uma distração. Nesse momento, alucina com sua esposa, que lhe pede para não ir ao Farol, pois irá morrer. De certa forma, Dolores diz a verdade, pois ao ir ao Farol ele descobrirá sobre sua realidade e isso significa a morte de seu personagem Teddy. Além disso, durante a explosão, Teddy vê sua esposa de mãos dadas com a suposta filha de Rachel Solando e, compreender que, na verdade, aquela é sua filha.

Finalmente, Teddy chega ao Farol onde descobrirá a verdade. Dr. Cawley o espera e lhe revela ser paciente da instituição há dois anos. Segundo a descrição sua ficha de admissão: “paciente é muito inteligente. Veterano condecorado. Presente na liberação de Dachau. Ex-policial federal. Tendência à violência. Não mostra remorso porque nega que o crime aconteceu. Narrativas bem desenvolvidas impedem arrancar a verdade” (ILHA, 2010).

A trama articulada pelo paciente, na impossibilidade de reconhecer a verdade, segue a “regra dos quatros”: Edward Daniels e Rachel Solando são personagens criados pelo paciente e, seus nomes correspondem a um anagrama de Andrew Laeddis e Dolores Chanal (realidade).

Portanto, o paciente Andrew Laeddis criou uma realidade diferente e outra personalidade para si, de forma que seu entorno e os acontecimentos fossem justificados. Seu outro eu, Edward Daniels, é um policial federal e herói de guerra, que se encontra na instituição para investigar um caso de desaparecimento. Ou seja, não está ali por ter cometido assassinato, não está ali por ser um paciente. Além disso, seu personagem Teddy descobre uma conspiração dentro da instituição, o que coloca tudo e todos em suspeita e, assim, aquilo que lhe é revelado acaba descartado como mentira.

A necessidade do paciente manter sua fantasia o levou a agredir e quase matar outro colega, George Noyce, devido a esse ter lhe revelado que era Laeddis. A violência e perigo que o paciente representa tornaram-se evidentes após tal evento. Também, a ineficiência do tratamento através de psicofármacos alude à necessidade de buscar um tratamento alternativo, no caso, a lobotomia.

No entanto, Dr. Cowley e Dr. Sheehan (Chuck) introduziram outra opção de tratamento, em que o hospital psiquiátrico era o cenário, funcionários e pacientes os atores, e Andrew poderia encenar e viver sua fantasia plenamente. Dentro desse contexto, tudo foi articulado de forma a acionar gatilhos no paciente que desconstruíssem sua realidade alternativa, lhe direcionando a descoberta de sua verdadeira condição.

Por fim, a verdade é exposta. Os eventos ao final da Guerra representam um trauma para Andrew e, diante da sua incapacidade de viver com isso, acabou desenvolvendo a dependência por álcool. Sua condição culminou no afastamento de sua família, a ponto de não perceber o que se passava. Sua esposa, Dolores, era maníaco-depressiva – experiências intensas e eufóricas contrastavam com sentimentos de grande tristeza e pensamentos suicidas (WHITBOURNE; HALGIN, 2015). Durante um episódio depressivo, Dolores incendeia o apartamento da família e por isso mudam-se para a casa do lago em Berkshires. A situação se agrava e um dia, ao retornar do trabalho, Andrew encontra sua esposa em estado de confusão e aparente entorpecimento, e seus filhos Simon, Andrew e Rachel mortos, afogados no lago por Dolores. Em seguida, Andrew comete o crime que lhe levou a ser paciente da instituição: mata Dolores com um tiro.

Nesse sentido, o paciente desenvolveu um transtorno psicótico a partir de eventos traumáticos e de sua impossibilidade de aderir a realidade. Ou seja, devido à intensa ansiedade e sofrimento decorrente dos acontecimentos, que poderiam levar a desorganização psíquica, o paciente desenvolve uma realidade alternativa para fazer sentido a sua existência (CALLIGARIS, 1989).

Ao final, os esforços implementados no tratamento são eficientes no sentido de desvelar a verdade. No entanto, no desfecho da história, o paciente opta por sua realidade alternativa e, consequentemente, o tratamento por cirurgia cerebral. Afinal, “o que é pior, viver como um monstro ou morrer como um homem bom?” (ILHA, 2010).

4. Hipóteses diagnósticas pelo viés da Psicologia cognitiva

O paciente Andrew Laeddis do ponto de vista da Psicologia cognitiva apresentava alterações quantitativas da sensopercepção - Hiperestesia: aumento da capacidade sensitiva (DALGALARRONDO, 2000). O paciente apresentou grande sensibilidade a luz (fotossensibilidade). Sendo o sintoma relacionado a abstinência, devido a interrupção de seu tratamento com Clorpromazina, um antipsicótico utilizado no tratamento de pacientes com esquizofrenia. Também apresentou alterações da sensopercepção (qualitativas): Alucinações: percepção clara, definida e convicta de um objeto inexistente, vivenciada como fenômeno próprio do mundo do sujeito, sem a presença do objeto real. Os tipos de alucinações mais frequentes são as auditivas e visuais (DALGALARRONDO, 2000). No caso, o paciente apresentou ambas.

A alucinação áudio-verbal, mais complexa e significativa, foi identificada em um momento, quando o paciente ouviu a palavra “Laeddis”. Sendo esse nome significativo na fantasia do paciente, pois representa o homem responsável pela morte de sua esposa Dolores.

As alucinações cenográficas consistem em visões de cenas complexas e foram observadas em diferentes momentos, principalmente ao final do tratamento experimental do paciente, visto que este se encontrava a mais tempo sem uso do antipsicótico e, também, pelo fato de cada vez mais sua fantasia se chocava com a realidade. As alucinações visuais do paciente foram identificadas em quatro ocasiões: ao ser confrontado por George Noyce sobre sua real condição,alucinou com sua esposa Dolores; viu seu parceiro Chuck morto abaixo de um penhasco; encontrou e conversou com a personagem imaginária Rachel Solano em uma caverna; e, por fim, alucinou com sua esposa e sua filha quando incendiou um carro.

O paciente demonstrou vivenciar uma alucinose ao final do tratamento experimental, quando foi confrontado pelos seus médicos sobre sua realidade. Na ocasião reagiu de forma violenta e disparou contra seus médicos e, ao mesmo tempo em que, visualizava o sangue decorrente dos tiros, também via que seu médico não estava ferido e se dirigia a ele. Através desse episódio, o paciente se conscientizou sobre a condição patológica de sua alucinação, identificando-a como irreal. Na alucinose, o paciente percebe a alucinação como algo estranho a sua pessoa, o indivíduo permanece consciente de que aquilo é um fenômeno estranho (DALGALARRONDO, 2000).

O paciente Andrew Laeddis também apresentou alterações patológicas da memória (quantitativas): Amnésia ou Hipomnésia: perda da capacidade de fixar oumanter e evocar antigos conteúdos mnêmicos.O paciente apresenta amnésia psicogênica, pois houve a perda de elementos mnêmicos focais, os quais possuem um valor especial para ele relacionado a aspectos simbólicos e afetivos (DALGALARRONDO, 2000). Nesse caso, a amnésia do paciente estava relacionada aos seus filhos, sendo que, não recordava ser pai e nem que seus filhos morreram. Também apresentou alterações patológicas da memória (qualitativas): Ilusões mnêmicas: acréscimo de elementos falsos a um núcleo verdadeiro da memória (DALGALARRONDO, 2000). Alucinações mnêmicas: criações imaginativas com aparência de lembranças que não correspondem a nenhuma recordação verdadeira vivenciada pelo indivíduo (DALGALARRONDO, 2000).

Nesse sentido, a partir de fatos reais, como o incêndio no apartamento que vivia com sua família e a morte de sua esposa Dolores, o paciente articulou outros elementos ilusórios, criando um personagem denominado Andrew Laeddis (seu nome verdadeiro), responsável pela morte de sua esposa e, também, criou outra personalidade para si (Teddy Daniels). De forma que, o produto final possui caráter fictício e ilusório. Foram observadas também a presença de fabulações. Fabulações: elementos da fantasia completam lacunas da memória, incapacidade de reconhecer como fato falso, sem intenção de mentir (DALGALARRONDO, 2000). O paciente Andrew Laeddis criou uma fantasia, em que assume outra personalidade para si (Teddy Daniels), de forma que seu entorno e os acontecimentos fossem justificados. Seu outro eu, Edward Daniels, é um policial federal e herói de guerra, que se encontra na instituição psiquiátrica para investigar um caso de desaparecimento. Ou seja, não está ali por ter cometido assassinato, não está ali por ser um paciente. Além disso, seu personagem Teddy descobre uma conspiração dentro da instituição, o que coloca tudo e todos em suspeita e, assim, aquilo que lhe é revelado acaba descartado como mentira.

5. Diagnóstico: Transtorno (da personalidade) Esquizotípica

O transtorno da personalidade esquizotípica é considerado parte dos transtornos do espectro da esquizofrenia. Nesse caso, os indivíduos vivenciam uma percepção distorcida da realidade e um prejuízo no comportamento, no afeto e na motivação. Assim, abrange uma variedade de sintomas envolvendo distúrbio do conteúdo e na forma do pensamento, na percepção, no afeto, no sentido de self, na motivação, no comportamento e no funcionamento interpessoal (WHITBOURNE; HALGIN, 2015).

Segundo o DSM-5 (2014), para ser diagnosticado com transtorno delirante, um indivíduo deve satisfazer os seguintes critérios diagnósticos:

  1. A. A presença de um delírio (ou mais) com duração de um mês ou mais.

  2. B. O Critério A para esquizofrenia jamais foi atendido.

    Nota: Alucinações, quando presentes, não são proeminentes e têm relação com o tema do delírio (p. ex., a sensação de estar infestado de insetos associada a delírios de infestação).

  3. C. Exceto pelo impacto do(s) delírio(s) ou de seus desdobramentos, o funcionamento não está acentuadamente prejudicado, e o comportamento não é claramente bizarro ou esquisito.

  4. D. Se episódios maníacos ou depressivos ocorreram, eles foram breves em comparação com a duração dos períodos delirantes.

  5. E. A perturbação não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica, não sendo mais bem explicada por outro transtorno mental, como transtorno dismórfico corporal ou transtorno obsessivo-compulsivo.

Portanto, a principal característica do transtorno delirante é a presença de um ou mais delírios que persistem por pelo menos um mês. No entanto, esse sintoma não é suficiente para satisfazer os critérios para esquizofrenia. Pois independente do impacto dos delírios, os prejuízos no funcionamento psicossocial podem estar mais circunscritos que os encontrados em outros transtornos psicóticos como a esquizofrenia, e o comportamento não é claramente bizarro ou esquisito (APA, 2014).

Além disso, no caso do paciente analisado, o transtorno delirante pode ser restringido ao subtipo persecutório. Segundo o DSM-5 (2014):

Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio envolve a crença de que o próprio indivíduo está sendo vítima de conspiração, enganado, espionado, perseguido, envenenado ou drogado, difamado maliciosamente, assediado ou obstruído na busca de objetivos de longo prazo. Pequenas descortesias podem ser exageradas, tornando-se foco de um sistema delirante. O indivíduo afetado pode se envolver em tentativas repetidas de conseguir satisfação por alguma ação legal ou legislativa. Pessoas com delírios persecutórios costumam ser ressentidas e enraivecidas, podendo até recorrer à violência contra aqueles que, em sua opinião, lhe causam danos.

Após a identificação dos sintomas do paciente Andrew Laeddis retratado nas cenas do filme, buscou-se fundamentar teoricamente à problemática observada e construir a hipótese diagnóstica levantada, para isso foi realizado o uso do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-5 (2014), como uma ferramenta essencial para fazer a associação dos conhecimentos observados na ficção com a teoria. Cabe ressaltar, que uma fundamentação teórica bem desenvolvida leva o aluno a compreender o problema, não somente em suas dimensões baseadas na experiência ou situação, mas também nos princípios teóricos que o explicam.

6. Tratamento

O principal tratamento biológico para transtornos no espectro da esquizofrenia é o medicamento antipsicótico. Os psiquiatras prescrevem fármacos denominados neurolépticos (derivados das palavras gregas que significam “cisão da mente”), que além de suas qualidades sedativas, também reduzem a frequência e a gravidade dos sintomas psicóticos (WHITBOURNE; HALGIN, 2015). Em casos onde o transtorno é acompanhado de ansiedade e depressão é necessário uso de ansiolíticos e antidepressivos.

Também, é recomendado para esse tipo de transtorno a psicoterapia para que o paciente desconstrua a defesa psíquica delirante, trabalhando suas relações interpessoais e hábitos de pensamento. É importante para o paciente que sua rede de apoio seja presente durante o tratamento, indivíduos que possuem este transtorno podem aprender a reconhecer quando estão distorcendo a realidade.

Apesar do impacto potencialmente grave que o transtorno possui sobre a capacidade do individuo levar uma vida produtiva e realizada, ainda é possível encontrar formas de adaptar suas vidas à realidade da doença (WHITBOURNE; HALGIN, 2015).

Considerações Finais

A análise fílmica, proposta metodológica desenvolvida no presente artigo contribuiu de maneira importante no processo de ensino-aprendizagem dos acadêmicos do curso de Psicologia, pois possibilitou o desenvolvimento de competências e habilidades tais como: capacidade de observação, análise crítica da realidade, reflexão e discussão em grupo, associados ao conteúdo teórico ministrado em sala de aula pelo professor. Cabe ressaltar, que o estudo de caso por meio da ficção, também pode ser um dispositivo de ensino importante que contribuirá para inovação da prática docente em diferentes níveis de ensino, podendo ser aplicado em sala de aula também em outras áreas do conhecimento.

O estudo de caso por meio da análise fílmica possibilitou associar os comportamentos do personagem principal do filme a Ilha do Medo aos processos básicos cognitivos, como memória, aprendizagem, percepção, atenção e linguagem, estudados teoricamente na disciplina de Processos Básicos. Essa atividade mesmo que por meio da ficção também oportunizou aos acadêmicos a observar os aspectos, características e sintomas numa perspectiva da Psicologia Cognitiva do transtorno mental caracterizado nesse estudo.

Cabe ressaltar, que o filme como recurso de aprendizagem pode propiciar aos estudantes um exercício para identificação da demandas dos pacientes, entendimento e reflexão dos casos clínicos, estimulando-os a buscar soluções e direcionar de forma adequada o tratamento para as situações analisadas.

Sugere-se que os docentes de diferentes níveis de ensino invistam em metodologias ativas em sala de aula, utilizando os filmes, como também seriados, documentários como ferramentas de análise que possam auxiliar na aprendizagem dos alunos. Acerca disso, cabe ressaltar a importância de inovar as atividades no âmbito da sala de aula e estimular os acadêmicos a problematizar realidades mesmo que seja por meio da ficção. Essas ações possibilitam a identificação de situações-problemas que oportunizam o estudante a pensar e refletir, estimulando o raciocínio critico, e os conduz a um processo de construção de novos sentidos e conhecimentos em relação à realidade observada, percurso importante para que se consolide um aprendizado significativo.

Material suplementar
Referências
AMERICAN PSICHIATRIC ASSOCIATION (APA). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.
BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2009.
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2000.
ILHA do medo. Direção de Martin Scorsese. Estados Unidos: Paramount Pictures, 2010. 1 CD (148 min). DVD, son.,color.
WHITBOURNE, S. K.; HALGIN, R. P. Psicopatologia: perspectivas clínicas dos transtornos psicológicos. Porto Alegre: AMGH, 2015.
CALLIGARIS, C. Introdução à uma clínica diferencial das psicoses. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
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