A inclusão do aluno com transtorno do espectro autista na educação infantil
Including the student with Autism Spectrum Disorder in early childhood education
La inclusión del alumno con trastorno del espectro autista en la educación infantile
A inclusão do aluno com transtorno do espectro autista na educação infantil
Research, Society and Development, vol. 8, núm. 1, pp. 01-15, 2019
Universidade Federal de Itajubá

Recepção: 18 Setembro 2018
Revised: 21 Setembro 2018
Aprovação: 26 Setembro 2018
Resumo: O presente estudo tem como fundamento a trajetória das dificuldades da inclusão do aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Educação Infantil e os desafios dos professores para receber estes alunos em sala de aula. A escolha deste tem por justificativa aprofundar os nossos conhecimentos como futuras pedagogas, aperfeiçoando ainda mais a ideia do que é a inclusão na Educação Infantil. O objetivo deste artigo é compreender a importância do aluno com TEA na Educação Infantil. A metodologia é constituída por pesquisa bibliográfica, artigos, livros impressos, documentos oficiais do Ministério da Educação. Discutimos neste estudo do artigo os aspectos que constituem o aluno com TEA na sala de aula, estratégias educativas e a importância da inclusão. Uma vez que esse artigo visa como os alunos com TEA são incluídos na sala de aula infantil e a preparação dos professores para que isto possa acontecer. Assim, sendo este estudo baseia-se na formação do professor e se estão preparados profissionalmente para preparar estes alunos para o futuro sendo um bom mediador. Como relevância é importante ressaltar o desafio da inclusão que deve ser cumprido no cotidiano escolar, pois não é somente saber que a inclusão existe, e sim fazer acontecer, e o professor como mediador, compreender todos os aspectos que envolva esse aluno a uma socialização constante.
Palavras-chave: Educação Especial, TEA, Inclusão.
Abstract: The present study has as its foundation the trajectory of the difficulties of including the student with Autism Spectrum Disorder (ASD) in early childhood education and the challenges teachers to receive these students in the classroom. The choice of this is justification to deepen our knowledge as future pedagogues, improving even more the idea of inclusion in early childhood education. The purpose of this article is to understand the importance of student with ASD in early childhood education. The methodology consists of bibliographic research, articles, printed books, official documents of the Ministry of education. Discussed in this article study aspects that constitute the student with ASD in the classroom, educational strategies and the importance of inclusion. Since this article is aimed at how students with TEA are included in the children's classroom and the preparation of teachers that this can happen. So, this study is based on teacher training and in note to be prepared professionally, being a good mediator to prepare these students for the future. As relevance, it is important to emphasize the challenge of inclusion that should be fulfilled in every school day, because it's not only because that exists, but do happen, and the teacher as mediator, to understand all aspects involving this student to a constant socialization.
Keywords: Special education, ASD, Inclusion.
Resumen: El presente estudio tiene como fundamento la trayectoria de las dificultades de la inclusión del alumno con Trastorno del Espectro Autista (TEA) en la Educación Infantil y los desafíos de los profesores para recibir a estos alumnos en el aula. La elección de este tiene por justificación profundizar nuestros conocimientos como futuras pedagogas, perfeccionando aún más la idea de lo que es la inclusión en la Educación Infantil. El objetivo de este artículo es comprender la importancia del alumno con TEA en la educación infantil. La metodología está constituida por investigación bibliográfica, artículos, libros impresos, documentos oficiales del Ministerio de Educación. Discutimos en este estudio del artículo los aspectos que constituyen el alumno con TEA en el aula, estrategias educativas y la importancia de la inclusión. Una vez que este artículo se refiere a cómo los alumnos con TEA se incluyen en el aula infantil y la preparación de los profesores para que esto pueda suceder. Así, siendo este estudio se basa en la formación del profesor y si están preparados profesionalmente para preparar a estos alumnos para el futuro siendo un buen mediador. Como relevancia es importante resaltar el desafío de la inclusión que debe ser cumplido en el cotidiano escolar, pues no es sólo saber que la inclusión existe, sino hacer suceder, y el profesor como mediador, comprender todos los aspectos que involucra a ese alumno a una socialización constante .
Palabras clave: Educación Especial, TEA, Inclusión.
1. Introdução
O presente estudo tem por trajetória e dificuldades da inclusão do aluno com Transtorno do Espectro Autista na Educação Infantil e os desafios dos professores para receber estes alunos na sala de aula.
De acordo com os estudos de Barbosa et al (2013, p.06) “[...] a escola que antes excluía e rejeitava crianças com deficiência, agora se vê desafiada a prover um ensino de qualidade, criando metas para enfrentar e superar as dificuldades encontradas. [...]”
O indivíduo com TEA tem condições neurológicas e neuro diferenciadas, onde ocorre problemas na fala, na linguagem, interação social e no comportamento tanto estereotipados ou repetitivos. Para que a criança tenha um desenvolvimento frequente na sala de aula de maneira regular, conta-se com a ajuda de profissionais como: psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e professores capacitados.
Segundo os estudos do Manual Diagnóstico da American Psychiatric Association (APA, 2014, p.95) “em relação ao especificador “com ou sem comprometimento intelectual concomitante”, há necessidade de compreender o perfil intelectual (frequentemente irregular) de uma criança ou um adulto com transtorno do espectro autista para interpretar as características diagnósticas. [...]”
A base do artigo não está pautada na questão clínica, apesar de ser comentado em alguns momentos, características comportamentais, mas sim na inclusão destes indivíduos na educação infantil, onde não garante somente a inclusão, e sim os caminhos que a instituição escolar deve recorrer para se preparar à chegada de crianças com TEA, onde contribuirá para o desenvolvimento social e pessoal, e assim desenvolver suas habilidades e competências.
O seguinte estudo se enquadra na importância de saber o quão singular é cada criança com o TEA e mostrar, de fato, se a inclusão esta existente nos aspectos pedagógicos e escolar, onde estabeleçam condições para desenvolver a inclusão, pois a demanda está cada vez maior na inclusão de crianças com TEA em sala de aula.
O tema é importante pela existência da inclusão e dos alunos com TEA, para mostrar a uma instituição que devem estar preparados com docentes capacitados, a realidade de crianças com tal transtorno, pois a demanda é grande, e a inclusão tem que ser feita dentro da escola.
O objetivo deste estudo será compreender a importância da inclusão do aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Educação Infantil, onde tem como objetivos específicos: definir e caracterizar o transtorno do espectro autista (TEA); reconhecer o processo de inclusão dentro do ambiente escolar e seus aspectos pedagógicos na educação infantil; apontar as possibilidades e desafios no processo de inclusão.
2. Metodologia
A metodologia utilizada para a elaboração deste artigo será a pesquisa bibliográfica (revisão de literatura), por meio de artigos e livros impressos, documentos oficiais do Ministério da Educação e artigos científicos disponíveis em sites confiáveis.
Pesquisa bibliográfica é a busca de uma problematização de um projeto de pesquisa a partir de referências publicadas, analisando e discutindo as contribuições culturais e científicas. Ela constitui uma excelente técnica para fornecer ao pesquisador a bagagem teórica de conhecimento, e o treinamento cientifico que habilitam a produção de trabalhos originais e pertinentes (CARVALHO, et al., 2004).
Nesse sentido, esta pesquisa bibliográfica, encontra-se fundamentada teoricamente a partir das contribuições de autores ou pesquisadores renomados na área da Educação Especial, que abordam o tema “A inclusão do Aluno com Transtorno Espectro Autista na Educação Infantil”, tais como: Belsário (2010), Barbosa (2013), Sanini (2015), Lemos (2016), Ferreira (2017).
Para fundamentação teórica, este estudo será dividido em 3 tópicos, sendo eles:
No primeiro tópico intitulado Transtorno do Espectro Autista (TEA): definição e caracterização, abordaremos o TEA, que tem por definição e caracterização, a sua não interação social/comunicação, onde os indivíduos não correspondem aos estímulos vivenciados no seu cotidiano escolar, tendo em vista que cada aluno reage de uma maneira diferente e, seguindo a mesma reflexão, é possível ser trabalhado em sala de aula a sua interação, fazendo com que o mesmo se desenvolva dentro de suas limitações e de seu convívio social.
No segundo tópico denominado Inclusão: aspectos pedagógicos na educação infantil, destacaremos os aspectos pedagógicos na educação infantil onde o professor é capaz de compreender e ter propriedades nas práticas aplicadas no conhecimento pleno do que é o autismo. Também é muito importante que o professor tenha sensibilidade e serenidade para promover a consciência na sala de aula de atos inclusivos, buscando contribuir, dessa forma, no desenvolvimento e a aprendizagem.
E por fim, no terceiro tópico Possibilidades e desafios no processo de inclusão, destacarmos as possibilidades e os desafios dos professores no processo da inclusão, como trabalham, como se preparam para a chegada dos alunos com transtorno do espectro autista no ensino regular, as barreiras que encontram no dia a dia, os diferentes tipos de autismo e a formação dos professores, se estão adequados a ensinarem e a receber estes alunos.
3. DEFINIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista tem por definição, a especificidade em sua necessidade de apoio, onde crianças nascem Autistas e, diante da observação deve ser colocado em prática, notando que cada criança com TEA, reage de maneiras diferentes, onde uns irão obter a comunicação verbal, mas não será com a mesma reciprocidade e outros não terão a comunicação verbal e social.
O transtorno do espectro autista também é definido por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (conforme especificado no Critério B) que mostram uma gama de manifestações de acordo com a idade e a capacidade, intervenções e apoios atuais. Comportamentos estereotipados ou repetitivos incluem estereotipias motoras simples (p. ex., abanar as mãos, estalar os dedos), uso repetitivo de objetos (p. ex., girar moedas, enfileirar objetos) e fala repetitiva (p. ex., ecolalia, repetição atrasada ou imediata de palavras ouvidas, uso de “tu” ao referir-se a si mesmo, uso estereotipado de palavras, frases ou padrões de prosódia). Adesão excessiva a rotinas e padrões restritos de comportamento podem ser manifestados por resistência a mudanças (p. ex., sofrimento relativo a mudanças aparentemente pequenas, como embalagem de um alimento favorito; insistência em aderir a regras; rigidez de pensamento) ou por padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (p. ex., perguntas repetitivas, percorrer um perímetro). Interesses altamente limitados e fixos, no transtorno do espectro autista, tendem a ser anormais em intensidade ou foco (p. ex., criança pequena muito apegada a uma panela; criança preocupada com aspiradores de pó; adulto que gasta horas escrevendo tabelas com horário). Alguns encantamentos e rotinas podem estar relacionados a uma aparente hiper ou hiper-reatividades a estímulos sensoriais, manifestada por meio de respostas extremadas a sons e texturas específicos, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, encantamento por luzes ou objetos giratórios e, algumas vezes, aparente indiferença a dor, calor ou frio. Reações extremas ou rituais envolvendo gosto, cheiro, textura ou aparência da comida ou excesso de restrições alimentares são comuns, podendo constituir a forma de apresentação do transtorno do espectro autista. (APA, 2013, p.98).
Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem por caracterização a não interação social, comunicação/linguagem, referente ao convívio diário, a criança mostra-se mais quietinha, séria, não correspondendo à interação social. Segundo os estudos de American Psychiatric Association (APA, 2014, p.14):
1. Déficits na reciprocidade socioemocional, variando, por exemplo, de abordagem social anormal e dificuldade para estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido de interesses, emoções ou afeto, a dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais. 2. Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social, variando, por exemplo, de comunicação verbal e não verbal pouco integrada a anormalidade no contato visual e linguagem corporal ou déficits na compreensão e uso gestos, a ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal. 3. Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos, variando, por exemplo, de dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais diversos a dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos, a ausência de interesse por pares.
Nessa mesma linha de pesquisa, refletimos que, as crianças com TEA tem seu primeiro momento, onde não ocorre a demonstração dos interesses sociais, e obtém movimentos repetitivos (estereotipias), trazendo consigo mesma a sua peculiaridade. Seguindo a mesma reflexão é possível ser trabalhado em sala de aula a interação, fazendo com que o mesmo se desenvolva dentro de suas limitações, o seu convívio social.
Segundo Manual Diagnóstico da American Psychiatric Association (APA, 2014, p.97) “[...] manifestações do transtorno também variam muito dependendo da gravidade da condição autista, do nível de desenvolvimento e da idade cronológica; daí o uso do termo espectro [...]”.
É possível perceber que, se a criança com TEA é estimulada diariamente, a sua socialização se tornará uma possibilidade, apesar de apresentar comportamentos agressivos. Portanto, sempre que são observados seus aspectos, e fazendo com que sua rotina seja constantemente centrada, seu cotidiano escolar se tornara inclusivo, trazendo então uma observação constante dentro da necessidade de apoio.
Conforme o Manual Diagnóstico da American Psychiatric Association (APA, 2014, p.94) “pode haver interesse social ausente, reduzido ou atípico, manifestado por rejeição de outros, passividade ou abordagens inadequadas que pareçam agressivas ou disruptivas.
Entendemos então que, a relação direta com as crianças com TEA é essencial, desenvolvendo frases simples e diretas, sempre manter o contato visual, onde o estimule ao entendimento daquilo que está sendo dito.
O Manual Diagnóstico da American Psychiatric Association (APA, 2014, p. 100) “que o transtorno do espectro autista não é um transtorno degenerativo, sendo comum que aprendizagem e compensação continuem ao longo da vida.”
Em crianças pequenas com transtorno do espectro autista, a ausência de capacidades sociais e comunicacionais pode ser um impedimento à aprendizagem, especialmente à aprendizagem por meio da interação social ou em contextos com seus colegas. Em casa, a insistência em rotinas e a aversão à mudança, bem como sensibilidades sensoriais, podem interferir na alimentação e no sono e tornar os cuidados de rotina extremamente difíceis (p. ex., cortes de cabelo, cuidados dentários). As capacidades adaptativas costumam estar abaixo do QI medido. (APA, 2014, p. 101).
Seguindo a mesma linha de pesquisa, é importante dar ênfase que para uma criança com TEA a mudança de hábitos é uma das situações deveram ser apontadas e serem trabalhadas, sempre mostrando para o mesmo com figuras ou verbalmente (comunicação direta) o que virá depois, mas sempre lembrando que cada uma das crianças tem a sua singularidade.
Conforme dados do Manual Diagnóstico da American Psychiatric Association (APA, 2014, p.97) “[...] uma vez que a linguagem receptiva pode se mostrar mais atrasada do que o desenvolvimento da linguagem expressiva, no transtorno do espectro autista, as habilidades de linguagem receptiva e expressiva devem ser consideradas em separado [...]”.
Os prejuízos na comunicação e na interação social especificados no Critério A são pervasivos e sustentados. Os diagnósticos são mais válidos e confiáveis quando baseados em múltiplas fontes de informação, incluindo observações do clínico, história do cuidador e, quando possível, autorrelato. Déficits verbais e não verbais na comunicação social têm manifestações variadas, dependendo da idade, do nível intelectual e da capacidade linguística do indivíduo, bem como de outros fatores, como história de tratamento e apoio atual. Muitos indivíduos têm déficits de linguagem, as quais variam de ausência total da fala, passando por atrasos na linguagem, compreensão reduzida da fala, fala em eco até linguagem explicitamente literal ou afetada. Mesmo quando habilidades linguísticas formais (p. ex., vocabulário, gramática) estão intactas, o uso da linguagem para comunicação social recíproca está prejudicado no transtorno do espectro autista. (APA, 2014, p.97).
Dentro dessa mesma perspectiva, não existem exames que mostrem o que e como se forma o autismo, o diagnóstico utilizado nos dias atuais é 100% comportamental. Portanto crianças com TEA, podem nunca desenvolver os comportamentos e as características esperadas para as fases de desenvolvimento do mesmo, como podem também sofrer uma regressão, onde desenvolvia todos os aspectos e características e acontecer de parar e não desenvolver mais. É importante sempre observar e estimular a interação social, dentro da necessidade de apoio de cada criança com esse transtorno.
4. INCLUSÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
É indispensável que o professor conheça todas as características e dificuldades que abrangem esse transtorno, só assim ele será capaz de planejar suas ações de modo que no vivenciar das experiências, a criança não seja vítima de atos discriminatórios. Sobre isso, Orrú (2003, p.1) diz:
É imprescindível que o educador e qualquer outro profissional que trabalhe junto à pessoa com autismo seja um conhecedor da síndrome e de suas características inerentes. Porém, tais conhecimentos devem servir como sustento positivo para o planejamento das ações a serem praticadas e executadas […].
Entendemos que para um bom resultado nesse processo, o professor deve ter propriedade nas práticas aplicadas e conhecimento pleno do que é o autismo. É muito importante que ele tenha sensibilidade e serenidade para promover em sala de aula a consciência de atos inclusivos, buscando contribuir, dessa forma, no desenvolvimento e na aprendizagem.
O professor deve desenvolver na criança a autoconfiança e a independência, pois são características ausentes em sua personalidade. Para o professor também recai a responsabilidade de desenvolver atividades de acordo com o grau de conhecimento da criança, para que ela possa desempenhar as atividades de forma correta, possibilitando o surgimento de novas aprendizagens e o avanço no desenvolvimento de atividades escolares. (BARBOSA, et al., 2013, p. 10)
Além de estudar e analisar o desenvolvimento da criança com autismo, o professor tem a incumbência de tornar a sala de aula um ambiente inclusivo e sempre possibilitando às crianças o conhecimento das diferenças e o incentivo para que elas desenvolvam a solidariedade.
A criança com autismo, diante do convívio pode apresentar comportamentos agressivos com os professores e colegas, podendo ocasionar conflitos. Entretanto, o professor, quando recebe uma criança com autismo em sua sala de aula, sente-se desafiado ao processo de inclusão, pois a criança apresenta grande dificuldade em interagir e se comunicar. Acerca disso, Felício (2007, p. 25):
É importante salientar que, para se educar um autista é preciso também promover sua integração social e, neste ponto, a escola é, sem dúvidas, o primeiro passo para que aconteça esta integração, sendo possível por meio dela a aquisição de conceitos importantes para o curso da vida.
O aluno tem a necessidade de apoio de profissionais para saber como é sua socialização com as pessoas e como papel do próprio professor poder saber incluí-lo em grupos na sala de aula.
Segundo Santos (2008, p.30),
O nível de desenvolvimento da aprendizagem do autista geralmente é lento e gradativo, portanto, caberá ao professor adequar o seu sistema de comunicação a cada aluno. O aluno deve ser avaliado para colocá-lo num grupo adequado, considerando a idade global, fornecida pelo PEP-R, desenvolvimento e nível de comportamento. É de responsabilidade do professor a atenção especial e a sensibilização dos alunos e dos envolvidos para saberem quem são e como se comportam esses alunos autistas.
Já o ensino que possibilita educar de forma inclusiva para as diversidades, segundo Melo, Lira e Facion (2008, p.65):
[...] impõe a construção de um projeto que não se dará ao acaso nem de uma hora para outra e que não é uma tarefa individual. Ao contrário, trata-se de um trabalho coletivo, que envolve discursões e embates entre diferentes esferas (governo, sociedade, escola e indivíduo) em que seja possível refletir sobre que escola queremos construir e que indivíduos pretendemos formar.
Podemos entender que para acontecer a inclusão de fato, os sistemas de ensino devem criar escolas e capacitar professores e funcionários, para que os mesmos compreendam a singularidade de cada uma das crianças e aprendam a conviver, respeitar e principalmente oferecer a mesma qualidade de ensino a todos, com as mesmas condições de desenvolvimento.
De acordo com Mousinho, et al (2010, p. 9):
As crianças que apresentam dificuldades de comportamento e socialização, são geralmente vistas como excêntricas e bizarras por seus colegas, tornando difícil e complexo o papel do professor diante do desafio de ensinar e incluir simultaneamente. As crianças com autismo têm dificuldade de entender sobre as relações humanas e as regras e convenções sociais. Podem ser ingênuas e não compartilham do senso comum. Sua rigidez gera dificuldade em gerir a mudança e as tornam mais vulneráveis e ansiosas. Muitas vezes não gostam de contato físico. Se a situação for mal manejada, podem acabar exploradas e ridicularizadas por outras crianças. No entanto, elas querem ser parte do mundo social e ter amigos, mas não sabem como fazer para se aproximar.
Para Marocco (2012, p.3):
Uma criança com autismo pode despertar sentimento de frustração no professor pelas dificuldades de comunicação, resistência à novidade e facilidade com que se desorganiza diante de desafios,suas tentativas de participação e interação social nem sempre são facilmente percebidas, sejam porque fogem ao convencional ou porque são “tênues”, isto é, revelam-se em pequenos detalhes.
Portanto, o aluno com TEA tem que ter um despertar pelo docente o interesse no qual facilite sua participação e interação em sala de aula, para que possa desenvolver o aprendizado constante.
Segundo os estudos Melo e Ferreira (2009, p.6). “Ao se cuidar de uma criança é muito importante levar em consideração as suas necessidades, que ao serem respeitadas e atendidas proporcionam importantes informações sobre a qualidade daquilo que é recebido”.
Conforme Marocco (2012, p.6),” a proposta da educação infantil embasa-se no binômio cuidar-educar, sendo estes considerados diferentes aspectos de um mesmo processo.”
Belisário e Cunha (2010, p.24) afirmam:
Por parte dos professores, a vivência desses primeiros momentos pode ser paralisante, carregada de sentimento de impotência, angústia e geradora de falsas convicções a respeito da impossibilidade de que a escola e o saber/fazer dos professores possam contribuir para o desenvolvimento daquela criança. Mediante as dificuldades iniciais, as escolas recorrem a todo tipo de tentativa de acolhimento ao aluno. Essa é uma atitude absolutamente compreensível, embora sejam importantes alguns cuidados. Se conseguirmos deslocar nossa atenção das estereotipias e reações da criança e nos projetarmos a um cotidiano futuro, é possível "cuidar" de algumas questões.
Contudo, a inclusão dos alunos na educação infantil com TEA, procura em seu professor uma forma de acolhimento, pois apresentam uma certa dificuldade em questão de ser o primeiro momento em que o aluno tem a “separação” da família, muitas vezes depende dos alunos também, porém alguns conseguem rapidamente se adaptar a vivência escolar, enquanto outros alunos levam dias.
5 POSSIBILIDADES E DESAFIOS NO PROCESSO DE INCLUSÃO
O que vemos hoje nas escolas, é que no dia-a-dia estão aparecendo novos casos de crianças com Transtorno do Espectro Autismo (TEA) ou algum outro tipo de deficiência, mas cabe aos professores saberem como lidar com a tal situação, partindo deste pressuposto, será que as instituições estão preparadas para receber estes alunos? Será que os professores estão realmente capacitados?
Percebe-se a falta de capacitação de alguns professores, porém, não é apenas isso, a falta de recursos escolares também é frequente e nota-se que a inclusão, dia-a-dia que passa está mais a frente nas escolas e, com ela, torna-se necessário a busca pelo conhecimento de como receber e estar preparado para estes alunos e, a partir daí, tornar a vida dos mesmos, ao menos, maleável e, concretizando assim, a estabilidade social.
Art. 1º. Para a implementação do Decreto no 6.571/2008, os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos; Art. 2º. O AEE tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem; Parágrafo Único. Para fins destas Diretrizes, consideram-se recursos de acessibilidade na Educação aqueles que asseguram condições de acesso ao currículo dos alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, promovendo a utilização dos materiais didáticos e pedagógicos, dos espaços, dos mobiliários e equipamentos, dos sistemas de comunicação e informação, dos transportes e dos demais serviços. (BRASIL, CNB/CNE, 2009, p.1).
Na busca pela socialização de crianças com TEA, ajudar na socialização é a chave principal. O aluno com TEA precisa compreender o que os outros pensam, querem e desejam dele para que ocorra a comunicação e aceitação. Por conta disto, as comunicações devem ser sempre diretas com estes alunos.
De acordo com Lemos (2016, p.352), ”considerando a importância de estimular precocemente habilidades e de favorecer as interações sociais, a inclusão escolar dessas crianças tem sido indicada por profissionais de diferentes áreas.”
Sabe-se que infelizmente existem profissionais que não estão aptos para trabalhar com inclusão escolar. Vive-se em constante busca de informações e recursos que viabilizem o trabalho. Porém, a maioria dos professores não são capacitados para trabalhar com o TEA ou qualquer outra deficiência, e se não buscam especialização,não será possível chegar a lugar algum e não ocorrerá uma boa qualidade de ensino.
De acordo com Daguano e Fantacini (2011, p. 119):
As doenças mentais [...] são passíveis de remissão e a educação acaba [...] conservando e fortalecendo os vínculos sociais e as práticas aprendidas, a partir da primeira infância, sendo com maior probabilidade que estas crianças amplifique sua habilidade intelectiva.
O professor tem que rever a modo como se trabalha, pois, sua sala será diversificada e terá que trabalhar de diversas maneiras. Para começar, o professor deve investigar onde está a dificuldade do aluno. O educador deverá trabalhar e constituir novas práticas de ensino. O problema nos dias atuais é a falta de formação e interesses dos professores. As escolas, hoje, estão com uma demanda muito grande de alunos com deficiência e isto requer mais atenção e mais buscas por informações, oferecer uma educação de qualidade e que possibilite autonomia às essas crianças é papel do educador.
O TEA impede a comunicação e o comportamento do aluno, e isto impede que ele se socialize. Assim, a aprendizagem é mais demorada, isso prejudica que ele consiga se expressar e a inclusão escolar traz a esse aluno uma nova esperança, mais vontade de aprender e traz também um grande passo no que se diz respeito à inclusão.
Acredita-se que a noção de “aceitação do aluno”, por parte do professor, parece depender de vários fatores, tais como: a sua formação as políticas de inclusão, a concepção de deficiência e de autismo que possui e, também, do tipo de relação que se propõe a estabelecer como aluno: se com os seus “sintomas” ou com a criança que constitui este aluno. (SANINI e BOSA, 2015, p.2).
O professor é o principal mentor para abrir as portas e os caminhos, portanto ele precisa conhecer seus alunos, saber suas dificuldades, deficiências, saber o que ele deve se trabalhar sempre tentando alcançar o sucesso. O aluno com TEA não se enturma muito e sempre prefere fazer atividades no seu espaço, cabe aos professores saber lidar com a situação.
Segundo Brito (2015, p.83) “Nos aspectos educacionais percebe-se que para se educar um autista é preciso também promover sua integração social e, neste ponto, na escola é, sem dúvidas, o primeiro passo para que aconteça esta integração.”
A educação é a chave para a socialização e a inclusão do aluno autista, e a escola é o alicerce para que ocorra o contanto professor-aluno e aluno-aluno. Contudo, na Educação Infantil, como exemplo, a creche tem a função de desenvolver e conduzir a relação psicológica intelectual e afetivo da criança, fazendo ter uma interação com o ambiente, socializar, desenvolver habilidades e melhorar o desempenho do aluno com TEA para os anos escolares seguintes. Enfim, a educação infantil é o alicerce da aprendizagem.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Consideramos que, para compreender a importância da inclusão do aluno com Transtorno do Espectro Autista na Educação Infantil, deve-se observar que a sua inclusão na escola é de extrema importância pelo fato de desenvolver avanços no desenvolvimento da interação da criança com o outro. Portanto, as séries iniciais são extremamente importantes para a preparação e o desenvolvimento do aluno, conseguindo, assim, amplificar as habilidades intelectivas.
O TEA tem por sua definição e caracterização a não interação social, trazendo consigo a não comunicação verbal, tendo em vista que cada criança que com TEA, se desenvolve de maneiras diferentes, fazendo com que a palavra espectro se faça presente. Seguindo a mesma linha de pensamento, é importante afirmar que, a comunicação é de extrema importância e direta, com falas curtas e objetivas, fazendo com que o mesmo entenda.
Consequentemente, crianças com TEA, podem sim desenvolver suas habilidades, explorar o que desejam, mas sempre dentro do seu limite diário, pois a mudança torna as situações mais difíceis para serem exploradas, pois existe uma linha de pensamento concreto, assim, é importante sempre estimular e desenvolver certas habilidades, dentro da necessidade de apoio de cada criança com tal transtorno.
O trabalho do professor é fundamental para um bom convívio diário a uma criança com TEA, por isso é sempre importante estar em processo de formação, pois é atraves de um docente capacitado e preparado, que certos desafios fluem, para que assim possam receber e incluir o seu aluno com TEA. É importante lembrar que alunos com dificuldades demandam de um bom ensino e o professor como mediador tem o dever de conhecer tais definições que complementam ao desenvolvimento.
As instituições escolares e professores não se encontram preparados para receberem alunos com TEA, ou até mesmo qualquer criança com qualquer outra deficiência e as possibilidades de aprendizagem podem ser baixas. Portanto, é por conta de situações não coerentes, que as escolas precisam sempre planejar trabalhos pedagógicos, capacitações a fim de darem propostas inovadoras. O aluno precisa de um docente capacitado, onde será sua referência em sala de aula e para sua vida, quanto ela pessoal ou profissional, sempre engrandecendo o seu próprio conhecimento.
Dessa forma, concluímos que a inclusão do aluno com TEA,deve ser vista como um desafio a ser cumprido, não é somente saber que ela existe, é fazer acontecer, mostrando que sempre há um objetivo que pode e deve ser desenvolvido, acreditando nas diferenças que cada aluno representa em sala de aula. É importante ressaltar, que o professor como mediador da sala de aula, sempre observa o seu aluno com TEA, em sua comunicação com os amigos, entre as atividades e acreditando realmente na essência do fazer acontecer a inclusão. A principal diferença é a sala de aula em que o mesmo se encontra, onde tenha amor, carinho, respeito, onde queiram a criança autista sempre por perto, que sejam inclusivos e, com isso, ter a certeza que o desenvolvimento do mesmo será e acontecerá.
Referências
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