Impactos da educomunicação na educação básica e a sua contribuição para a prática docente
Impacts of educommunication in basic education and its contribution to teacher practice
Impactos de la educomunicación en la educación básica y su contribución a la práctica docente
Impactos da educomunicação na educação básica e a sua contribuição para a prática docente
Research, Society and Development, vol. 8, núm. 3, pp. 01-21, 2019
Universidade Federal de Itajubá

Recepção: 07 Dezembro 2018
Revised: 10 Dezembro 2018
Aprovação: 18 Dezembro 2018
Publicado: 21 Dezembro 2018
Resumo: O presente trabalho tem por objetivo analisar os impactos da educomunicação no ensino-aprendizagem na educação básica, com ênfase nas contribuições para a prática docente. Nesse contexto, destaca-se a educomunicação, prática que integra a educação e a comunicação, atuando como metodologia ativa, capaz de qualificar a prática docente e o ensino aprendizagem. Para tanto, buscou-se conceituar educomunicação; descrever as orientações da BNCC; e apontar as contribuições de ações educomunicativas na escola. A luz dos entendimentos de autores escolhidos e da Base Nacional Curricular Comum procurou-se elucidar o tema. O presente estudo é de natureza qualitativa, e o método de pesquisa é revisão bibliográfica, partindo de conceitos de autores basilares sobre educomunicação, e educação. Diante do exposto, conclui-se que muitas são as contribuições da educomunicação para a inovação do ensino e qualificação da prática docente.
Palavras-chave: Educação, Comunicação, Metodologia ativa, BNCC.
Abstract: The present study aims to analyze the impacts of education on teaching-learning in basic education, with emphasis on contributions to teaching practice. In this context, we highlight the educommunication, a practice that integrates education and communication, acting as an active methodology, capable of qualifying teaching practice and teaching learning. To do so, we sought to conceptualize educommunication; describe BNC guidelines; and to point out the contributions of educomunicative actions in the school. The light of the understandings of chosen authors and the National Curricular Common Base sought to elucidate the theme. The present study is of a qualitative nature, and the research method is a bibliographical review, based on the concepts of basic authors on educommunication, and education. In view of the above, it is concluded that many are the contributions of educommunication to innovation teaching and qualification of teaching practice.
Keywords: Education, Communication, Active methodology, BNCC.
Resumen: El presente trabajo tiene por objetivo analizar los impactos de la educomunicación en la enseñanza-aprendizaje en la educación básica, con énfasis en las contribuciones a la práctica docente. En este contexto, se destaca la educomunicación, práctica que integra la educación y la comunicación, actuando como metodología activa, capaz de calificar la práctica docente y la enseñanza del aprendizaje. Para ello, se buscó conceptuar educomunicación; describir las orientaciones de la BNCC; y señalar las contribuciones de acciones educomunicativas en la escuela. La luz de los entendimientos de autores escogidos y de la Base Nacional Curricular Común se buscó elucidar el tema. El presente estudio es de naturaleza cualitativa, y el método de investigación es revisión bibliográfica, partiendo de conceptos de autores basilares sobre educomunicación, y educación. Ante lo expuesto, se concluye que muchas son las contribuciones de la educomunicación para la innovación de la enseñanza y calificación de la práctica docente.
Palabras clave: Educación, Comunicación, Metodología activa, BNCC.
1. Introdução
Em tempos de profundas transformações sociais, numa era cada vez mais digital, o papel da escola vem se reformulando, para tentar evoluir e tornar-se capaz de desenvolver habilidades e competências de forma mais eficaz, na busca por um ensino aprendizagem de qualidade.
Nesta perspectiva, a escola tem o dever de atualizar-se quanto a novas práticas de conceber o ensino, de abrir-se a novas metodologias e instigar e estimular o professor a utilizar estas novas metodologias, ferramentas que irão possibilitar uma nova forma de aprender, que viabilize uma aprendizagem mais significativa para o aluno. “Promover a aprendizagem é compreender a importância da relação ao saber, é instaurar novas formas de pensar e de trabalhar na escola, é construir um conhecimento que se inscreve numa trajetória pessoal” (NÓVOA, 2009, p. 88).
É necessário refletir a respeito da introdução tecnológica na escola, e essa reflexão dialoga com os anseios dos alunos diante das particularidades do processo educacional, visto que crianças e jovens são sujeitos e donos de produção e circulação comunicações diversas, e a educação, por sua vez tem que lançar mão destas ferramentas para qualificar o ensino, e motivar seus alunos para que obtenha reflexos na aprendizagem.
A escola tem o dever de atualizar-se quanto a práticas inovadoras de conceber o ensino aprendizagem, a fim de evitar práticas de conhecimentos compartimentadas, de abrir-se a novas metodologias e instigar e estimular o professor a buscar novas metodologias e ferramentas que possam viabilizar uma aprendizagem mais significativa e atrativa para seu aluno. Para Zabala (1998, p. 28) “educar quer dizer formar cidadãos e cidadãs, que não estão parcelados em compartimentos estanques, em capacidades isoladas”. Isso significa que, ao potencializar determinadas capacidades cognitivas, o educador também influi em outras capacidades do indivíduo, e que isso pode acontecer tanto de forma positiva quanto negativa.
Diante de tais necessidades, destaca-se a educomunicação, como uma metodologia ativa, que atende as necessidades de abertura e revitalização do ensino aprendizagem, e vem despertar o interesse dos alunos, que a cada dia estão mais conectados, diante de uma educação tradicional superada. “Ampliar as condições de expressão da juventude como forma de engajá-la em seu próprio processo educativo é uma meta que vem sendo perseguida no Brasil e no exterior” (SOARES, 2011, p. 15).
Através da educomunicação, escola e professores tem a oportunidade de explorar recursos tecnológicos no processo de ensino-aprendizagem, possibilitando a construção de novas aprendizagens, em que o aluno busca construir e dar sentido ao seu conhecimento, sendo o protagonista neste processo.
Cabe ressaltar que a educomunicação, desperta e muito o interesse do aluno, pois sabe-se o quanto as novas gerações estão imersas no universo tecnológico e digital, embora alguns professores estejam construindo uma caminhada tímida neste sentido, os alunos estão anos luz à sua frente. Observam-se alunos em diferentes graus de escolaridade, demonstram familiaridade imediata com esta linguagem, e através dela sentem-se estimulados a buscarem novos saberes e desvelar novas realidades, e o professores devem estar preparados para atendê-los.
A partir do contexto exposto, o presente artigo tem como objetivo analisar como a educomunicação impacta o ensino aprendizagem, como metodologia ativa e inovadora, capaz de contribuir para qualificar as práticas educativas na escola e os reflexos de suas ações na prática docente e no dia a dia do cotidiano escolar. Para isso, será necessário conceituar a educomunicação como processo educativo e comunicativo; destacar quais são as orientações sobre o tema, através da Base Nacional Comum Curricular – BNCC, e ainda, verificar suas as contribuições da inserção de ações educomunicativas para a prática docente e a qualificação da aprendizagem e do ambiente escolar.
Ciente de que processo de ensino aprendizagem está em constante transformação, a escola tem um papel importante em trazer discussões mais amplas sobre as tecnologias, incentivando projetos que envolvam a criação de conteúdo digital, que possibilite ao aluno ser agente de transformação, capaz de pensar e agir de forma crítica, contribuindo assim para a melhoria da sociedade a qual está inserido.
A natureza desta pesquisa é qualitativa, pois “se propõe a colher e analisar dados descritivos, obtidos diretamente da situação estudada” (MICHEL, 2015, p. 40). Os fenômenos sociais serão interpretados à luz do seu contexto, e das interferências que o atravessam. Isso reforça o que Michel (2015, p. 42) diz ao afirmar que o “pesquisador participa, compreende e interpreta” quando se trata de uma pesquisa qualitativa. Para tanto, utilizamos o método de revisão bibliográfica, em que partimos dos conceitos de educomunicação de autores basilares, a saber, Soares (2011), Citelli (2015), Aparici (2014), e de educadores como Morin (2003), Nóvoa (2009), Perrenoud (2002), e Carvalho (2017). Assim, as orientações sobre o tema e suas contribuições serão identificadas e descritas no trabalho a seguir.
2. O ensino e a educomunicação
Frente às atuais transformações sociais que ocorrem na sociedade, bem como o contexto social no qual se insere os indivíduos, a escola merece destaque reconhecido. A escola constitui-se um espaço importante de transformação, formação e de crescimento para o ser humano, um espaço privilegiado de construção de conhecimentos, novas aprendizagens e saberes.
O ambiente escolar é dinâmico, heterogêneo, abrangendo diferentes formas de comunicar-se, pensar e agir. É no ambiente escolar é que o indivíduo constrói e amplia seu conhecimento de mundo, aprende a interagir, e a alicerçar a sua formação, fundamentado em valores e princípios que carregará para a vida. Com base neste pensamento, Morin (2003, p. 65) ensina que a educação reflete na autoformação dos indivíduos, ou seja, ensina “como se tornar um cidadão,” e isso faz parte da condição de ser humano.
Observa-se que o cenário educacional vem se transformando, nas últimas décadas e a influência das tecnologias em nosso meio é significativa. Nossa vida tem se tornado cada vez mais digital, a cada dia estamos mais conectados com o mundo a nossa volta, com diferentes contextos, sendo bombardeados por informações por todo lado e sem perceber influenciados por elas. O ambiente escolar, e o processo de ensino aprendizagem não tem como fugir desta realidade, cada vez mais digital e dinâmica, em que os alunos encontram-se cada vez mais absorvidos.
A educação de maneira particular aquela de natureza formal, está circundada pelas instâncias comunicacionais e com elas mantêm determinados vínculos, diálogos, tensões, interlocuções, conforme o caso. Tais instâncias sobrelevam-se, contudo, segundo operações mais ou menos objetivas explicitando-se ou não nas salas de aula, nas relações entre docentes e discentes (CITELLI, 2015, p. 65).
Percebe-se que o ensino também não fica fora desta realidade, e está passando por grandes mudanças, onde alunos se tornaram produtores de informação e conhecimento. Hoje, observa-se que as pessoas querem dialogar, debater, interagir, trocar e compartilhar o tempo todo. O mundo passou a ser feito de usuários, por muita gente interligada e não mais por meios tradicionais. “Nossos alunos deixaram de ser alunos passivos para serem criativos, muito ativos, criadores ativos” (FEDRIZZI, 2017, p. 13).
Diante deste cenário instigante, desta inter-relação comunicação e educação, surgiu a educomunicação, conceito que é explicado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, que é coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP.
Partimos da premissa de que a educomunicação, conceito que – no entendimento do Núcleo de Comunicação e educação da USP – designa um campo de ação emergente na interface entre os tradicionais campos da educação, apresenta-se, hoje, como um excelente caminho de renovação das práticas sociais que objetivam ampliar as condições de expressão doe todos os seguimentos humanos, especialmente da infância e juventude (SOARES, 2011, p. 15).
A educomunicação possibilita a relação de dois campos de estudo: a educação e a comunicação. Podemos dizer que é um campo de estudos, práticas e relações da educação com a comunicação, o que vem diretamente ao encontro das necessidades educacionais atuais. “Um campo, uma zona de convergência que articula os conhecimentos educacionais que necessitam ser abordados e construídos, a partir de uma metodologia inovadora” (APARICI, 2014, p. 1).
Ainda segundo Aparici (2014, p. 29), a educomunicação é oriunda da América Latina, logo se estendeu à Espanha. Posteriormente, a partir da segunda metade do século XX, outros países se articularam, mesmo sem terem contato entre si, começaram a desenvolver-se em diferentes contextos este novo campo de estudo, caso do Reino Unido e Estados Unidos. Em 1970, foram criadas organizações não governamentais dedicadas ao estudo das mídias e suas linguagens. Em 1980, período caracterizado pela organização e expansão deste campo de estudo. No final da década de 1990 e início do século XXI, percebe-se um avanço da virtualidade e das tecnologias digitais se disseminando nas sociedades, e por sua vez torna-se significativo o seu avanço.
A abordagem de conhecimentos e conteúdos através da educomunição permite ao aluno ser sujeito de sua aprendizagem, propõe uma abordagem pedagógica dialógica, crítica e reflexiva. Também desperta o interesse pela busca do conhecimento, estimulando os alunos a serem agentes de transformação social e manter uma atitude de constante aprendizado, diante de uma diversidade cultural. Nóvoa (2009, p. 31) explica que “hoje, a realidade da escola obriga-nos a ir além da escola.” Assim é necessário educar no sentido das relações e dos princípios, dos valores, da inclusão social e da diversidade cultural.
Nesse contexto, a relação entre aluno, ensino aprendizagem e comunicação encontra-se no centro deste processo educativo, para tanto devemos estar ciente que alunos, escolas e ensino estarão circundados pela influência digital, e a comunicação cada vez mais estará em constante transformação, o que requer da escola e dos educadores novas posturas frente a condução do processo educacional, visto que, a educomunicação se opõe ao modelo tradicional de transmissão de conteúdos fragmentados a serem memorizados pelos alunos.
Borba (2017) discorre:
Pode se dizer que, na educação para o século XXI, o professor mantém a centralidade. Entretanto, nosso papel anteriormente era de entregar para os alunos a informação que estava restrita aos livros e ao conhecimento que construíamos a nossa trajetória. Hoje a informação está no bolso do aluno, com supercomputadores que lhe permitem acesso instantâneo, e muitas vezes mais atualizada do que a que estamos entregando em nosso discurso ou em nossa apresentação. Dessa forma inverter a sala de aula, buscar no aluno a informação e construir o conhecimento a partir de nossa competência de análise e síntese, é fundamental (BORBA, 2017, p. 97).
Embora possamos citar várias contribuições que a educomunicação traz ao ser inserida no contexto escolar, ainda é um grande desafio para as escolas e professores. Acredita-se que este desafio se torne ainda maior, pois, nem todos os professores possuem o domínio das ferramentas digitais e acesso aos recursos tecnológicos. Esse pensamento é reforçado por Aparici (2014, p. 32) quando afirma que a educomunicação precisa de “uma mudança de atitudes e concepções”, e não apenas da inserção da tecnologia em sala de aula.
Entretanto, é necessário que a prática da educomunicação se consolide como prática efetiva na inter-relação constante da educação, do currículo com a comunicação, possibilitando a construção de uma aprendizagem significativa e não mero recurso utilizado pelo professor para ilustrar um conteúdo a ser ministrado. Neste sentido, Nóvoa (2009, p. 91) reforça que “é preciso abrir os sistemas de ensino a novas ideias”, ou seja, é importante deixar de lado os modelos inalterados e abrir espaço às novas possibilidades.
A perspectiva interdisciplinar que a educomunicação propõe, é riquíssima e mobiliza diferentes áreas do conhecimento, para as quais o professor, que tem a função de agente mediador neste processo interdisciplinar junto aos alunos, deve estar preparado. Consoante a isto, reforça-se a necessidade de formação e a capacitação docente, para que se sintam preparados para dar conta do impacto das mudanças e transformações sociais e de um novo perfil de aluno que a cada dia adentra os espaços escolares.
Características como a busca de conhecimento aplicado e rápido, a impaciência com aulas expositivas ou mesmo com vídeos de longa duração estão presentes na maioria dos estudantes. Essas questões entre várias outras, dificultam a formação de cidadãos com capacidade de análise e a construção de conhecimentos transformadores. Entretanto, esse mesmo aluno está mais engajado socialmente, preocupa-se com o impacto de suas ações no ambiente e possui competências digitais avançadas, que podem nos ajudar no contexto de sala de aula (BORBA, 2017, p. 95).
Portanto, num mundo de tantas informações e transformações tecnológicas e digitais, é importante que as práticas pedagógicas inovadoras e currículos escolares estejam em sintonia com a nova demanda e anseios dos alunos, principalmente, procurar estabelecer um link com a realidade e as necessidades dos contextos sociais e com este aluno cada vez mais conectado.
Diante deste exposto, e da necessidade de qualificar a educação brasileira, como um todo, considerando o novo perfil de aluno, visando a sua formação integral, foi homologada em dezembro de 2017, a Base Nacional Curricular Comum. Este documento norteador, baseado em competências e habilidades, busca uma educação igualitária de norte a sul, considerando diferentes contextos. Ele chega às escolas em um momento importante, em que as transformações sociais impactam o cenário educacional e suscitam mudanças importantes na educação, desde o aumento da oferta, infraestrutura das escolas e novas práticas docentes.
3. Educomunicação e Base Nacional Comum Curricular – BNCC
A Base Nacional Curricular Comum, surgiu da necessidade de implementação de regularizar uma formação de ensino aprendizagem, visando à formação integral do aluno em todo o território nacional, de maneira a assegurar uma formação básica a todos.
Começou a ser construída em 2015, objetivando orientar as habilidades, competências e conteúdo a serem ministrados desde a Educação Infantil ao Ensino Médio. Aprovada em dezembro de 2017, este documento complementa as orientações e leis publicadas pelo MEC nos últimos anos. Através dela, há um direcionamento contínuo de aprendizagens estabelecidas para cada nível de ensino, que devem ser respeitadas pelas três esferas: Federal, Estadual e Municipal, para se efetivar a busca por uma educação de qualidade. Neste contexto, “[...] para além da garantia de acesso e permanência na escola, é necessário que sistemas, redes e escolas garantam um patamar comum de aprendizagens a todos os estudantes, tarefa para a qual a BNCC é instrumento fundamental” (BRASIL, 2017, p. 8).
A Base Nacional Curricular Comum chega às escolas em época de profundas transformações que não abalam apenas as práticas de sala de aula, mas a escola como um todo. A adaptação às orientações da BNCC é necessária para que as adequações dos currículos, frente às orientações da base possam ser elaboradas ou reformuladas, e com isso possam ser considerados o centro da qualificação do processo de ensino aprendizagem.
Segundo a Base Nacional Comum Curricular:
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE). Este documento normativo aplica-se exclusivamente à educação escolar, tal como a define o § 1º do Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996)1, e está orientado pelos princípios éticos, políticos e estéticos que visam à formação humana integral e à construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva, como fundamentado nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN) (BRASIL, 2017, p. 7).
Seu objetivo é promover a equidade de ensino no Brasil, dispõe sobre uma educação igualitária, em que os alunos de qualquer região do país tenham as mesmas oportunidades de acesso à educação, e com isso o país possa melhorar o seu desempenho e reverter casos de evasão e exclusão social. A BNCC foi criada para combater estas desigualdades, em propostas educacionais. Com isso, pretende-se que instituições públicas e privadas, dos estados e municípios brasileiros se apropriem de suas premissas, e possam trabalhar as mesmas habilidades e competências, contemplando diferentes áreas de conhecimentos, necessárias para desenvolvimento dos alunos em diferentes contextos.
Nesse processo, a BNCC desempenha papel fundamental, pois explicita as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver e expressa, portanto, a igualdade educacional sobre a qual as singularidades devem ser consideradas e atendidas. Essa igualdade deve valer também para as oportunidades de ingresso e permanência em uma escola de Educação Básica, sem o que, o direito de aprender não se concretiza (BRASIL, 2017, p. 15).
Observa-se que o objetivo do documento, é assegurar o desenvolvimento integral da pessoa humana, destacando aprendizagens essenciais, de forma igualitária, respeitando as singularidades e valores culturais de cada região do país. Cabe salientar que a BNCC, ao longo do processo de ensino aprendizagem está alicerçada em competências e habilidades contínuas, que deverão tornando-se mais complexa ao longo da sua vida escolar. Ressaltamos que competência, na BNCC “é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho” (BRASIL, 2017, p. 8).
Para tanto é imprescindível que estas competências e habilidades se inter-relacionem para que possibilite uma formação de qualidade, que progridem ao longo da Educação Básica. Através do desenvolvimento destas competências, espera-se que os alunos ao longo dos anos, adquiram conhecimentos e habilidades, para que estejam preparados e sejam capazes construir uma sociedade mais justa e democrática. Isso está de acordo com a finalidade da educação escolar inserida no contexto tecnológico e globalizado, que segundo Pimenta (2012, p. 25) é “possibilitar que os alunos trabalhem os conhecimentos científicos e tecnológicos, desenvolvendo habilidades para operá-los, revê-los e reconstruí-los com sabedoria”.
Quanto ao desenvolvimento das competências no ensino aprendizagem a BNCC acrescenta:
Ao adotar esse enfoque, a BNCC indica que as decisões pedagógicas devem estar orientadas para o desenvolvimento de competências. Por meio da indicação clara do que os alunos devem “saber” (considerando a constituição de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) e, sobretudo, do que devem “saber fazer” (considerando a mobilização desses conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho), a explicitação das competências oferece referências para o fortalecimento de ações que assegurem as aprendizagens essenciais definidas na BNCC (BNCC, 2017, p. 15).
Para um melhor entendimento o Portal Porvir, construiu um infográfico para facilitar a síntese e o melhor entendimento. Veja a Figura 1.
A figura 1 ilustra, de forma clara e direta, as dez competências que orientam a BNCC indicando as suas principais características e relacionando-as com o motivo pelo qual são necessárias. Essas Competências Gerais apresentam-se na introdução da Base Nacional Comum Curricular e foram definidas a partir dos direitos éticos, estéticos e políticos assegurados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais e dos conhecimentos, habilidades, atitudes e valores essenciais para a vida no século XXI. Perrenoud (2002) explica que os formadores contribuem para o desenvolvimento de postura e competências reflexivas quando conseguem trabalhar diferentes dimensões da formação.
Ao observarmos a figura 1, percebemos que as escolas terão que se debruçar com muita seriedade sobre a Base Nacional Curricular Comum para alinhar seus currículos e suas práticas a sua proposta e adaptá-las a suas diretrizes até 2020. A escola irá elaborar seus currículos de forma a atender as orientações do documento. Assim, articular-se gestores, equipe pedagógica e professores para que, conjuntamente planejem estratégias de execução, centrando o processo no desenvolvimento das dez competências elencadas pelo documento.
O texto das competências gerais da educação básica é bem claro, e na competência número um diz que: “valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.” (BRASIL, 2017, p. 9). Percebe-se que, já na primeira competência que é a do conhecimento, encontra-se a menção para a valorização e utilização dos conhecimentos sobre cultura digital, conteúdos estes que alicerçam os estudos educomunicativos.
No decorrer do documento, na competência quatro, refere-se à comunicação, no que diz respeito ao uso de diferentes linguagens, para expressar-se e partilhar informações, experiências e ideias. E dentre estas diferentes linguagens insere-se a comunicação e cultura digital, que faz parte do repertório do aluno e da sociedade como um todo.
E de forma bem clara, a competência cinco, trata da competência da cultura digital, que visa compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de forma crítica, significativa e ética. Para que os alunos possam comunicar-se, acessar e produzir informações e conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria. Ou seja, fazer inter-relações entre a educação e a comunicação, construir conteúdos educativos através da comunicação. Assim, fica claro que a BNCC tem a preocupação de inserir tanto a cultura digital, quando diferentes linguagens e letramentos, independente do nível de complexidade (BRASIL, 2017).
Nesta perspectiva, a educomunicação e a BNCC, Base Nacional Comum Curricular compartilham dos mesmos objetivos que é possibilitar um ensino aprendizagem dinâmico, com uma metodologia ativa e inovadora, a fim de viabilizar aos alunos uma nova forma de aprender, superando a tradicional transmissão de conteúdos para construção de conteúdo a partir de um currículo inovador, dentro desse viés destaca-se a educomunicação como uma proposta que potencializa o ensino, agrega valor ao trabalho docente e o protagonismo do aluno.
Percebe-se no decorrer do texto, da BNCC, que na etapa da Educação Infantil, já se faz menção as interações sociais e tecnológicas, que solicita que se promova, diferentes experiências pedagógicas para as crianças, não só escritas, mas digitais também.
As experiências das crianças em seu contexto familiar, social e cultural, suas memórias, seu pertencimento a um grupo e sua interação com as mais diversas tecnologias de informação e comunicação são fontes que estimulam sua curiosidade e a formulação de perguntas. O estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas e de avaliar respostas, de argumentar, de interagir com diversas produções culturais, de fazer uso de tecnologias de informação e comunicação, possibilita aos alunos ampliar sua compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e com a natureza (BRASIL, 2017, p. 58).
O Ensino Fundamental, fase que os alunos vivenciam mudanças importantes no seu desenvolvimento tanto físico quanto intelectual, que em média compreende dos 6 aos 14 anos de idade, também propõe uma continuidade na formação integral, através de uma educação dialógica e reflexiva.
Conforme assevera o texto da Base Nacional Curricular Comum (BRASIL, 2017, p. 59), no Ensino Fundamental ampliam-se a autonomia intelectual, a compreensão de normas e os interesses pela vida social, o que lhes possibilita lidar com sistemas mais amplos, que dizem respeito às relações dos sujeitos entre si, com a natureza, com a história, com a cultura, com as tecnologias e com o ambiente.
Esta linha de direcionamento da aprendizagem é mantida até o Ensino Médio, percebe-se com isso, que o documento considera o contexto e as transformações sociais em que se vive, onde a realidade é circundada pela tecnologia. Fedrizzi (2017) reforça que com o ensino, de forma geral, a situação não é diferente, já que também está afetado pelas transformações do ambiente.
A Base Nacional Comum Curricular, reconhece ao longo do documento o quão dinâmico é o contexto social que estamos inseridos, e a influência das tecnologias na vida das pessoas e dispõe que o ensino aprendizagem deve adaptar-se a esta realidade. Nesse viés, e objeto de estudo deste artigo, enfatiza-se a relevância e as contribuições da educomunicação diante deste contexto.
Diante disso, faz-se necessário, [...] selecionar, produzir, aplicar e avaliar recursos didáticos e tecnológicos para apoiar o processo de ensinar e aprender (BRASIL, 2017, p. 17).
Moran (2017) entende que o processo de educar faz parte de um processo que além de complexo é mutante e necessita que todos participem deste espaço de trocas que deve incluir tanto os docentes quanto os discentes e suas famílias para que com a utilização de metodologias ativas consigam dar conta das tecnologias existentes e adequar seus espaços de atuação conforme seu contexto.
Reforça-se, portanto, a necessidade, das escolas e professores investirem em metodologias inovadoras, cito aqui, a educomunicação, para qualificar a prática docente e consequentemente o ensino aprendizagem, a fim de preparar o aluno para o século XXI.
4. Educomunicação na escola e seus reflexos na prática docente
Nos últimos anos as escolas estão buscando e investindo em mudanças metodologias, em novas formas de ensinar, percebe-se, que boa parte destas mudanças se deu a partir do avanço da tecnologia, da cultura digital na sociedade, que vem refletindo na sociedade e adentra os espaços escolares.
Atentos a isso, e à disseminação de conhecimento cada vez mais acelerados e virtuais, gestores e educadores buscam metodologias e estratégias curriculares, a fim de qualificar suas práticas, para que possam oferecer um ensino de qualidade. A educomunicação como linguagem no contexto educacional, está comprometida com esta produção de saberes, a partir das transformações da linguagem decorrentes do seu uso pela sociedade e ajudar a transformar a educação de crianças e adolescentes, alunos em geral através da tecnologia, conectividade e prazer em aprender. Como bem resume Soares (2011, p.18), “os campos da comunicação e da educação, simultaneamente e cada um a seu modo, educam e comunicam”.
O contexto escolar é amplo, abrange alunos influenciados pela cultura digital, portanto a escola e os professores têm que pensar em meios e estratégias para dar conta desta realidade. Através do uso das tecnologias em sala de aula, utilizadas como meios produtores de conhecimentos, os professores poderão aproveitar o potencial criativo dos alunos, através de diferentes interações e possibilidades democráticas de aplicação. Braga (2010) considera a escola como instituição, na qual a aula, a conferência e os debates funcionam como os dispositivos que proporcionam os vários ambientes propícios para a interação.
Pode se dizer, que a comunicação na escola constitui-se o tempo todo, todos que ali estão interagem a todo o momento, seja presencialmente ou virtualmente, estão conectados através da tecnologia. O professor, seja ele, da rede pública ou privada, constitui-se o grande mediador do processo de ensino aprendizagem, e deve reavaliar permanentemente sua prática, para procurar agregar valor ao trabalho pedagógico desenvolvido, através da comunicação e da tecnologia.
Entretanto, usar a tecnologia a seu favor, é um grande desafio para escola, para alguns professores e até mesmo para certos alunos. Muitas vezes, a dificuldade se dá pelo fato de que nem todos possuem o domínio das ferramentas, ou até mesmo, por não possuírem acesso as mesmas. Diante deste contexto, o professor deve saber adequar a tecnologia que possui ao seu contexto e a realidade dos alunos. “A educação pode acontecer em qualquer lugar e a qualquer hora, tendo como referência professores reais ou virtuais” (NÓVOA, 2009, p. 75).
A escola desenvolve importante papel, ao inserir discussões mais amplas sobre o uso das tecnologias no seu currículo, incentivando projetos que envolvam a criação de conteúdo digital, que possibilite ao aluno ligar sabres, ser agente de transformação, de pensar e agir de forma crítica, contribuindo assim para a melhoria da sociedade a qual está inserido.
Outro fator importante a ser destacado, é que há necessidade de maior envolvimento da escola neste aspecto e incentivo por parte dos gestores, de desafiarem os professores a capacitarem-se ou buscarem cursos de aperfeiçoamento, formação continuada ou troca de experiência com seus pares, para que possam posteriormente oportunizar aos seus alunos, construírem saberes a partir do uso das tecnologias, de metodologias ativas e práticas educomunicativas.
Metodologias ativas são estratégias de ensino centradas na participação efetiva dos estudantes na construção do processo de aprendizagem, processo que se dá de forma flexível, interligada e híbrida. As metodologias ativas em um mundo conectado e digital se expressam por modelos de ensino híbrido, com muitas possíveis combinações. A junção de metodologias ativas com modelos flexíveis, híbridos, traz contribuições importantes ao desenho de soluções atuais para os aprendizes de hoje (MORAN, 2017, p. 75).
O professor deve estar atento sobre o impacto das tecnologias na vida das pessoas, em especial na dos alunos, possibilitando para si e para o seu aluno, uma visão crítica de todo este contexto, alertando para o uso adequado, das inúmeras possibilidades que a tecnologia oferece, estimulando o aluno, a fazer uso consciente dos seus benefícios e construir significado através do conhecimento.
A tarefa do professor será de provocar, instigar, sugerir aos alunos, que busquem construir conhecimentos através dos recursos tecnológicos, aliados ao contexto educacional, as possíveis respostas para seus questionamentos, estimulando-os o seu espírito crítico e a sua autonomia. Com isso, Moran (2017) relata que, as etapas de aprendizagem irão acontecer de acordo com a gestão de tempo e espaço que o professor planejar para as suas aulas.
Trabalhar a educomunicação no espaço escolar traz inúmeras contribuições, que impactam não só na motivação, envolvimento e interesse dos alunos em sala de aula, como também impactam na motivação, envolvimento e interesse dos professores, em dar aula, a partir de diferentes metodologias e recursos utilizados no seu planejamento, a fim de propor uma aprendizagem dinâmica, diversificada e inovadora.
Com novas ou velhas tecnologias é imprescindível perguntar-se sobre novas formas de ensinar e aprender. As mudanças metodológicas, à procura de novos modelos pedagógicos, e as práticas interativas baseadas no diálogo são questões que estão além do uso de uma tecnologia ou outra (APARICI, 2014, p. 38).
Pode-se dizer que a sala de aula é um ambiente complexo, rico em interações, constituída de diferentes indivíduos, com diferentes expectativas e objetivos, em que o professor consegue proporcionar uma aprendizagem efetiva por parte dos alunos, quando estes constroem significados e atingem seus objetivos. Fedrizzi (2017) chama a atenção para o fato de que os debates é que vão dominar os espaços acadêmicos no futuro, e isso acontecerá pelo fato de que a busca pelos conteúdos já está acontecendo de formas diversas e de acordo com as particularidades e conhecimentos prévios de cada indivíduo.
O professor ao observar a motivação do aluno com certeza irá empenhar-se para qualificar a sua prática, buscar o melhor, através de estratégias inovadoras e diferenciadas para que o aluno se insira de forma crítica, cada vez mais no seu processo educativo.
Este protagonismo do aluno, diante da construção da sua aprendizagem irá refletir no seu aproveitamento e rendimento escolar. Conforme Pimenta (2012),
A educação escolar, [...] está assentada fundamentalmente no trabalho dos professores e dos alunos, cuja finalidade é contribuir com o processo de humanização de ambos pelo trabalho coletivo e interdisciplinar destes com o conhecimento, numa perspectiva de inserção crítica e transformadora (PIMENTA, 2012, p. 25).
Ao inserir tecnologias com objetivo educativo, percebe-se o aluno passa a ser construtor de seu conhecimento e não mero receptor, como nos métodos tradicionais de ensino, pois a educação digital é emancipadora. O seu aproveitamento passa a ser evidenciado de forma mais qualitativa, na busca pela informação que consequentemente, irá gerar conhecimento. Aparici (2014) relata que a educomunicação alia as práticas da educação e da comunicação com ênfase no diálogo e também na participação. Com isso, a exigência deixa de ser puramente tecnológica, já que também implica em mudanças tanto de atitudes quanto de compreensões pedagógicas e de comunicação.
Alicerçada numa proposta interdisciplinar a educomunicação torna o ensino mais atraente para o aluno, pois mobiliza diferentes áreas do conhecimento, e possibilita fazer o link com a velocidade da comunicação, e com ferramentas que ele domina e faz uso direto no seu dia a dia, como celulares, tablets e smartphones.
A escola deixou de ser o único lugar de legitimação do saber, pois existe uma multiplicidade de saberes que circulam por outros canais, difusos e descentralizados. Essa diversificação é a difusão do saber, fora da escola, é um dos desafios mais fortes que o mundo da comunicação apresenta ao sistema educacional (MARTÍN-BARBERO, 2000, p. 55).
Num mundo acelerado, de tantas informações e transformações tecnológicas e digitais, faz-se importante que as práticas pedagógicas escolares estejam em sintonia com novos tempos e novas demandas, e principalmente com os anseios dos alunos. Para que, a partir daí, possam procurar estabelecer um link com a realidade, e as necessidades dos contextos sociais deste aluno cada vez mais conectado.
5. Considerações finais
Com a realização desta pesquisa, foi possível ampliar o conhecimento sobre as possibilidades proporcionadas com a inserção de ações educomunicativas em ambientes de ensino aprendizagem. Constatamos que a inserção desta metodologia ativa é bem aceita e contribui de forma direta para a qualificação das práticas que refletem positivamente no contexto escolar.
Isso acontece, vinculado ao fato de que vivemos em uma sociedade cada vez mais digital, na qual o papel da escola e do professor vem se transformando para atender alunos cada vez mais conectados, que demandam novas metodologias e práticas docentes, que ampliam a importância do uso de novas metodologias e práticas educacionais. A educomunicação, portanto, é uma prática que integra a educação e a comunicação, baseada no diálogo colaborativo e na participação ativa do aluno e do professor.
Reforçamos que essa prática não exige somente tecnologia, mas sim uma mudança de postura e de atitude, atuando metodologia ativa e inovadora, capaz de contribuir para qualificar os exercícios educativos e curriculares na escola, diante de ensino aprendizagem que necessita de inovação e principalmente, que seja capaz incentivar o potencial criativo do aluno.
Nesta perspectiva, visando qualificar a educação como um todo, considerando novos tempos e o novo perfil de aluno, a Base Nacional Curricular Comum vem a colaborar para que se pense numa educação baseada na formação de habilidades e competências, visando uma formação integral, a partir de uma educação crítica e dialógica. O que por sua vez, alinha-se à proposta dos estudos sobre educomunicação, no sentido de utilizar tecnologias digitais, no contexto educacional, de forma crítica, significativa e ética, para que os alunos possam comunicar-se, acessar e produzir informações e conhecimentos, fazer inter-relações entre a educação e a comunicação, e construir conteúdos educativos.
A educomunicação como linguagem, está comprometida com esta produção de saberes, através do uso das tecnologias, os alunos descobre o prazer em aprender. Vislumbra-se com esta prática educativa nas escolas a possibilidade de renovar as práticas docentes, vindo a revitalizar o ensino-aprendizagem.
A escola e os alunos podem beneficiar-se muito de uma proposta educomunicativa, pois aprender, não é só copiar e reproduzir conhecimentos, e sim, a aprendizagem a se constitui em um processo mais amplo, onde o aluno constrói seu conhecimento de modo dialógico e reflexivo, visando a sua formação integral. Embora seja desafiador para escola e professores, faz-se necessário repensar novas práticas.
Através da educomunicação, acena-se com a possibilidade de novos rumos a renovar as práticas docentes, com a contribuição relevante da comunicação e o uso das tecnologias, vindo a revitalizar o ensino aprendizagem, o desafio que se apresenta, porém, diante da realidade exposta, é preparar e subsidiar professores e gestores às demandas de uma geração cada vez mais digital.
Se quisermos realmente formar nossos alunos com competências e habilidades para o século XXI, temos que investir em inovação, em novas metodologias, para que o currículo se torne atraente, que tire o aluno de sua zona de conforto, estimule-o a ser protagonista de sua aprendizagem, neste sentido, há necessidade, das escolas e professores, adequarem-se a novos tempos, utilizarem-se de metodologias inovadoras, como a educomunicação, para qualificar a prática docente e o ensino aprendizagem.
Estamos cientes dos benefícios que a inserção da educomunicação pode proporcionar, mas ainda não constatamos como isso está sendo feito na prática, então, deixamos como sugestão para trabalhos futuros, a realização de um mapeamento da inserção destas atividades em ambientes escolares, avaliando os reflexos para o ensino aprendizagem.
Referências
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