A Contribuição de uma Associação Ecológica e Ambientalista ao Ensino de Ciências em de Jaciara: limites e possibilidades
The Contribution of an Ecological and Environmentalist Association to the Teaching of Sciences in de Jaciara: limits and possibilities
La Contribución de una Asociación Ecológica y Ambientalista a la Enseñanza de Ciencias en Jaciara: límites y posibilidades
A Contribuição de uma Associação Ecológica e Ambientalista ao Ensino de Ciências em de Jaciara: limites e possibilidades
Research, Society and Development, vol. 8, núm. 8, pp. 01-19, 2019
Universidade Federal de Itajubá

Recepção: 21 Maio 2019
Revised: 25 Maio 2019
Aprovação: 29 Maio 2019
Publicado: 02 Junho 2019
Resumo: Esta pesquisa tem por objetivo compreender a contribuição da AEMA – Associação Ecológica e Meio Ambientalista - localizada na Avenida Pajé, s/n, Bosque Augusto Ruschi, Centro, Jaciara – MT, no sentido de possibilitar uma alternativa de ensino prático e reflexivo de Ciências e, como tal, difundir a cultural ambiental através das escolas de ensino fundamental do município de Jaciara-MT. Esta Associação Ecológica é sem fins lucrativos e tem como finalidade exclusivamente associativa, cultural e técnica–científica de proteção e recuperação do meio ambiente, podendo colaborar com outras associações análogas, além de estender suas ações a outros municípios, sempre que requisitada, minimizando assim danos ambientais na região. Os procedimentos metodológicos e técnicas adotadas para desenvolver esta pesquisa científica, visando alcançar o objetivo proposto, são de cunho qualitativo, utilizando-se de um estudo de caso, além de uma exaustiva busca através de levantamentos bibliográficos, leitura de documentos da AEMA, visitas e entrevistas. Os resultados alcançados possibilitam uma nova forma de se trabalhar a disciplina de Ciências, de forma que a prática se converta em ações responsáveis e sustentáveis, difundindo assim uma cultura ambiental na sociedade do Vale do São Lourenço.
Palavras-chave: AEMA, Cultura Ambiental, Parceria, Ensino.
Abstract: This research aims to understand the contribution of AEMA - Ecological Association and Environmental Environment - located at Avenida Pajé, s / n, Bosque Augusto Ruschi, Centro, Jaciara - MT in the sense of providing an alternative of practical and reflective teaching of Sciences and, as such, to diffuse the environmental culture through the elementary schools of the municipality of Jaciara-MT. This Ecological Association is non-profit and exclusively associative, cultural and technical-scientific of protection and recovery of the environment, being able to collaborate with other similar associations, in addition to extend its actions to other municipalities, whenever requested, thus minimizing damages environmental impacts in the region. The methodological and technical procedures adopted to develop this scientific research, aiming to achieve the proposed objective, are qualitative, using a case study, in addition to an exhaustive search through bibliographic surveys, reading of EEA documents, visits and interviews. The results achieved allow a new way of working the science discipline, so that the practice becomes responsible and sustainable actions, thus spreading an environmental culture in the society of the São Lourenço Valley
Keywords: AEMA, Environmental Culture, Partnership, Teaching.
Resumen: Esta investigación tiene por objetivo comprender la contribución de la AEMA - Asociación Ecológica y Medio Ambientalista - ubicada en la Avenida Pajé, s / n, Bosque Augusto Ruschi, Centro, Jaciara - MT en el sentido de posibilitar una alternativa de enseñanza práctica y reflexiva de Ciencias y, como tal, difundir la cultura ambiental a través de las escuelas de enseñanza fundamental del municipio de Jaciara-MT. Esta Asociación Ecológica es sin fines de lucro y tiene como finalidad exclusivamente asociativa, cultural y técnica-científica de protección y recuperación del medio ambiente, pudiendo colaborar con otras asociaciones análogas, además de extender sus acciones a otros municipios, siempre que sea solicitada, minimizando así daños ambientales en la región. Los procedimientos metodológicos y técnicas adoptados para desarrollar esta investigación científica, con el objetivo de alcanzar el objetivo propuesto, son de cuño cualitativo, utilizando un estudio de caso, además de una exhaustiva búsqueda a través de encuestas bibliográficas, lectura de documentos de la AEMA, visitas y entrevistas. Los resultados alcanzados posibilitan una nueva forma de trabajar la disciplina de Ciencias, de forma que la práctica se convierta en acciones responsables y sostenibles, difundiendo así una cultura ambiental en la sociedad del Valle del São Lourenço.
Palabras clave: AEMA, Cultura Ambiental, Asociación, Educación.
1. Introdução
É recorrente dizer que nos dias atuais os problemas ambientais, desde a perspectiva local até mundial têm se tornado uma preocupação para diferentes segmentos da sociedade, seja educacional, ambientalista ou de outras agências socializadoras. Neste sentido, é de fundamental relevância a parceria entre escolas e associações ecológicas no sentido de, não somente sensibilizar a comunidade escolar e a sociedade em geral sobre esses problemas, mas sobretudo, difundir uma cultura ambiental através de novas reflexões, valores e comportamentos.
A disciplina de Ciências apresenta diversos temas relacionados com o Meio Ambiente, tais como lixo urbano e reciclagem; diversos tipos de poluição; a importância dos recursos hídricos, entre outros. E uma das formas de contribuir para uma educação realmente transformadora é utilizar, entre outras coisas, as atividades oferecidas por estas associações ecológicas, através de uma prática pedagógica significativa e contextualizada.
Em Jaciara – MT, desde o dia 10 de outubro de 1988, existe uma associação ecológica que vem atuando como defensora do meio ambiente na região do Vale São Lourenço. Essa Associação Ecológica e Meio Ambientalista – AEMA é uma entidade Civil de Direito Privado, sem fins lucrativos, autônomos e com personalidade jurídica, regendo-se pela legislação aplicável e pelas normas deste Estado. A mesma está localizada na Avenida Pajé, s/n, Bosque Augusto Ruschi, Centro, na cidade de Jaciara – MT.
Essa Associação tem como finalidade exclusivamente associativa, cultural e técnico– científica de proteção e recuperação do meio ambiente, podendo colaborar com outras associações análogas, além de estender suas ações a outros municípios, sempre que requisitada, minimizando assim danos ambientais na região.
Além de desempenhar um papel de suma importância no Vale São Lourenço no que se refere às questões sobre o meio ambiente, visto que disponibiliza colaboradores capacitados para atuar como palestrantes, onde expõem os problemas e possíveis soluções ambientais que existem na região, a AEMA é um espaço de difusão da cultura ambiental através de suas ações. Portanto, a parceria desta associação com as escolas de Jaciara é uma via afortunada para um ensino significativo e transformador, possibilitando o uso de espaços pedagógicos, bem como de ferramentas que contribuam para fortalecer o ensino nas escolas do município.
Diante de tantos problemas ambientas que o planeta vem enfrentando, implica grande relevância quando as escolas encontram aliados na missão de sensibilizar a comunidade escolar e a sociedade em geral, no sentido de preservar e conservar o meio ambiente, bem como minimizar as consequências das ações gananciosas do ser humano.
A AEMA se preocupa com as mazelas provocadas pela atuação antrópicas no meio ambiente. Por isso mesmo, sua trajetória e compromisso com as questões ambientais devem ser difundidas à comunidade escolar, para que esta perceba as possibilidades de parceria e cumplicidade na árdua batalha pela vida do planeta, entendendo seu papel enquanto cidadão, garantindo assim que as futuras gerações possam entender que o cuidado com o meio ambiente é uma luta constante e de todos.
Apesar das limitações no ensino, as escolas têm a liberdade e a possibilidade de planejar e executar projetos voltados para e no meio ambiente. Neste sentido, seria pertinente à disciplina de Ciências trabalhar uma temática que pode ser utilizada nesses projetos, sendo que a AEMA proporciona apoio para execução dos mesmos, dando ênfase aos problemas ambientais que assolam a região do Vale São Lourenço. Esta possibilidade proporcionaria a convergência do cognitivo, trabalhado teoricamente com o educando, com a experiência vivenciada na prática, compreendendo o que está acontecendo com o meio ambiente na região e seu entorno.
O fato de utilizar o apoio de uma associação como a AEMA, a qual tem se mostrado defensora do meio ambiente, poderá ser uma possibilidade de romper com situações limitantes e despertar o interesse da comunidade escolar, sobretudo na disciplina de Ciências, no sentido de promover ações e refletir sobre valores que convergem à preservação e conservação dos recursos naturais.
Esta pesquisa teve por objetivo compreender e mensurar a contribuição da AEMA como uma alternativa de ensino prático e reflexivo em relação à disciplina de Ciências e, como tal, difundir a cultural ambiental através das escolas de ensino fundamental do município de Jaciara-MT. Os procedimentos metodológicos e técnicas adotadas para desenvolver esta investigação científica, visando alcançar o objetivo proposto, são de cunho qualitativo, utilizando-se de um estudo de caso, além de uma exaustiva busca através de levantamentos bibliográficos, leitura de documentos da AEMA, visitas a campo e entrevistas.
Como resultados alcançados, além de demostrar as formas de manutenção desta Associação, foi possível verificar o processo de formação histórico e de sua estrutura física, além de associar as ações ambientais que a AEMA desenvolve à uma nova forma de se trabalhar a disciplina de Ciências, de forma que a prática se converta em ações responsáveis e sustentáveis, difundindo assim uma cultura ambiental na sociedade do Vale do São Lourenço.
2. Breve histórico da Associação Ecológica e Meio Ambientalista – AEMA
Associação está localizada às margens da BR 364, Km 272, perímetro urbano do município de Jaciara - MT. Nesse local, várias empresas e alguns moradores depositavam seus lixos, fazendo com que degradassem a única área verde do município.
Surgiu então um grupo de pessoas que sentiram a necessidade de fazer algo pelo meio ambiente no Vale São Lourenço. Este grupo era composto pelos senhores Luiz Carlos Soares (Luizão), Luiz Gonzaga Pivetta, Carlos Loureiro, Fernando Morais (Casarão) e Domingo Braun. Mais tarde, entrou o Professor Antônio Lucas Neto, Padre Günther Lendbradl, Padre Martin Peter Huthmann e outros.
De início eles enfrentaram muitas críticas e insultos, tanto dos empresários quanto de alguns moradores que estavam destruindo o meio ambiente, pois diziam que estavam retardando o progresso do município. Reuniam-se no escritório do senhor Luiz Carlos Soares, nas casas dos membros da recém equipe, na Paróquia São Francisco de Assis ou no Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso - SINTEP.
Vendo que esse local era inapropriado para o depósito de lixo, elaboraram um projeto no ano de 2000 para a construção da associação numa área do Bosque Augusto Ruschi, que possui 22 (vinte e dois) hectares, sendo que 900,00 m² (novecentos metros quadrados) foram doados pela prefeitura na pessoa do então prefeito, Sr. Valdizete Martins Nogueira para a construção da sede que atualmente tem 286,55 m² (duzentos e oitenta e seis e cinquenta e cinco metros quadrados).
O Bosque Augusto Ruschi recebeu esse nome mediante da Lei nº 495/91 - de, 10 de dezembro de 1.991, na pessoa do Sr. Arnildo Helmuth Sulzabacher, artigo 1º. O Parque Municipal de Jaciara Bosque, localizado entre as Avenidas Tupiniquins, Pajé (BR – 364), e Caetés, e a zona rural, constante do loteamento urbano da cidade de Jaciara, passa a ser denominado “Parque Municipal de Jaciara Bosque Augusto Ruschi”, como mostra a Figura 1.

A sede da Associação tem um formato octogonal que foi desenhado pelo padre Martin Peter Huthmann e contém 1(um) salão para reuniões, 2 (dois) banheiros, 1 (uma) cozinha e 1 (um) quarto, como apresentado na figura 2.

Com as doações em dinheiro e material de construção pelas pessoas simpatizantes ao meio ambiente, deputados estaduais e outros, se iniciou em abril de 2000 a construção da sede da AEMA (Figura 2).
Esta nasce com o objetivo defender o meio ambiente, proporcionando melhorias à qualidade de vida, através do uso sustentável dos recursos naturais, de modo a obter o máximo de benefício para atual e futura geração, estimulando a participação da comunidade, promovendo projetos e ações que visem à preservação, bem como a recuperação de áreas já degradadas; além de promover a preservação do patrimônio histórico e cultural existente nas suas áreas de atuação; esclarecer à sociedade sobre a importância da preservação ecológica da região através da educação ambiental e demais instrumentos; promover campanhas educativas com a finalidade de divulgar a filosofia do desenvolvimento sustentável, propondo a utilização do meio ambiente e dos recursos naturais; buscar representações junto aos organismos que atuam nas áreas de planejamento e ordenamento territorial, manejo dos recursos naturais, estudos ecológicos e empresas de prestação de serviços públicos fundamentais; denunciar sistematicamente à opinião pública toda ação que venha comprometer os objetivos da Associação e outros.
A AEMA é uma Organização Não Governamental – ONG - que trabalha ecumenicamente (todas as religiões), tendo como prioridade impedir ações humanas que provocam danos ambientais e comprometam o ecossistema. Em segundo plano, dinamiza o trabalho educativo no sentido de criar uma nova mentalidade em relação ao modelo de desenvolvimento que a associação propõe (CORREIA, 2009). Tal compromisso e dedicação desta entidade com a problemática ambiental, justifica a parceria desta com as escolas do município e possibilita uma real transformação na maneira de ensinar e aprender.
2.1 Formas de manutenção da Associação Ecológica e Meio Ambientalista – AEMA
A associação se mantem de doações, vendas de calendários e das mensalidades dos seus sócios ativos. Como sustenta Silva (2011), a manutenção desse tipo de entidade se dá de duas maneiras: sendo a primeira delas a ação voluntária de seus membros, que destinam parte do seu tempo para realizarem atividades em prol das metas almejadas pela entidade, ou num segundo caso, através da obtenção de recursos financeiros para a efetivação das ações propostas. Neste caso, costuma-se haver a contratação de profissionais aperfeiçoados com as metas da organização, que acabam por compor a estrutura organizacional e política da entidade.
2.2 Atividades realizadas pela AEMA
Desde a sua fundação a AEMA vem defendendo questões sobre o meio ambiente, além de realizar parceiras com as prefeituras da região, desenvolvendo projetos, consultorias e reivindicando junto à comunidade, que solucione essas questões ambientais, visto que é através da mesma que as agressões ao meio ambiente são evidenciadas.
Além de conseguir firmar parcerias com instituições relevantes, tais como: da SEMA, IBAMA, Policia Florestal, e a curadoria do Meio Ambiente, a associação tem contribuído para inibir crimes ambientais, bem como promovendo palestras, tanto nas escolas, como na própria Sede, à toda comunidade. Adotando a prática de confecções de folderes, panfletos, calendários ecológicos, uso das redes sociais e mídias para a divulgação do seu trabalho (Correia, 2009), a AEMA tem conquistado resultados bastante significativos para a conservação ambiental do município.
Em relação às escolas, a associação tem demostrado estar preparada para receber educandos e também professores, onde se discutem diversos temas relacionados às questões ambientais, como lixo urbano e reciclagem, queimada urbana e rural, contaminações diversas dos rios da região, recuperação da mata ciliar das margens do rio São Lourenço e outros. Esta associação busca proporcionar à comunidade conhecer suas instalações, bem como realizar um trabalho de sensibilização nas escolas quanto à importância de uma educação ambiental, onde todos realizem seu papel de cidadão, sendo que todos os anos as Escolas Estaduais, Municipais e Particulares de Jaciara recebem convites para manter parcerias e ações com a entidade.
Na primeira semana do mês de junho de cada ano se comemora a Semana do Meio Ambiente. Nessa semana, a AEMA desenvolve um trabalho diferenciado com as Escolas de Jaciara – MT, onde são realizados desfiles, declamações de poemas e poesias relacionadas com o Meio Ambiente, paródias, confecções de cartazes e faixas com diversas frases sobre os cuidados com o planeta e com nossa saúde, como apresentado na figura 3.

Além disso, conforme demonstra a figura 4, são realizadas oficinas educativas e teatros temáticos como estratégia de sensibilização e conscientização a respeito da problemática ambiental.

O envolvimento da comunidade, sobretudo a escolar, com a responsabilidade ambiental é primordial para a construção de uma cultura ambiental, além de proporcionar ambientes de aprendizagem fora da sala de aula, conforme demonstra a figura 5.

Quando a escola se alia à uma associação comprometida e envolvida com o meio ambiente, as possibilidades de êxitos se ampliam, pois, tal parceria possibilita ações grandiosas, as quais podem envolver toda a comunidade local, como demonstra a figura 6, contribuindo assim para a construção de uma cultura ambiental.

Conforme Correia (2009), todos os anos a referida associação recebe mais de mil (1000) alunos e também professores, onde trabalham com temas relacionados às questões ambientais atuais, principalmente na semana do meio ambiente e no dia da árvore. No ano 2015, a proposta da AEMA para a Semana do Meio Ambiente foi que as escolas trabalhassem com seus educandos na elaboração de textos, expressando o “Sonho sobre uma futura Jaciara”, confecções de painéis para serem expostos na sede da associação, elaborando poemas e paródias, textos narrativos ou argumentativos, realizando visitas no viveiro “Mata Vivas”, aula de campo no Eco Ponto de Jaciara–MT e visita na Horta Orgânica, conforme apresentado na figura 7.

Também faz parte das atividades da associação promover cursos e palestras para os profissionais da educação, conforme registrado na figura 8, proporcionando uma troca de saberes para que estes reflitam sobre sua práxis pedagógica e perceba sua função social de agente transformador e sujeito comprometido com a difusão da cultura ambiental nos mais diferentes espaços de socialização, sobretudo o espaço onde este profissional é mediador e possibilitador do conhecimento.

2.3 Relação Escola e a Associação Ecológica e Meio Ambientalista – AEMA
De acordo com o Decreto nº 6.094, de 24 de abril de 2007 (Capítulo I, Art. 2º § XXVII do Plano de Metas – compromisso todos pela educação) pode-se firmar parcerias externas à comunidade escolar, visando à melhoria da infraestrutura da escola ou a promoção de projetos socioculturais e ações educativas. A partir desta perspectiva essa associação vem cada vez mais em busca de novas parcerias com as instituições educacionais do município e entorno. Barros & Santos (2010) dizem que o constante desenvolvimento do Terceiro Setor, no qual a sociedade civil passa a ter responsabilidade pelas questões sociais, as organizações não governamentais, nos últimos dez anos, estão ganhando visibilidade pública. Estes organismos passam a ter crescente relevância na prestação de serviços e ampliam sua presença e atuação na sociedade, tornando-se essenciais para o exercício das atividades do Estado junto à população, desenvolvendo ações de preservação ambiental e de promoção dos direitos humanos.
A parceria que a AEMA tem com as Escolas de Ensino Fundamental de Jaciara – MT é muito importante para o desenvolvimento do aprendizado dos educandos em relação à temática, visto que por ser uma Associação Ecológica e Meio Ambientalista, ela assume e propaga diversas atividades relacionadas ao Meio Ambiente. Diante disso, Silva (2011) diz que existe uma espécie de senso comum na área de “projetos sociais” e políticas públicas de educação, que os programas educacionais na educação formal são considerados préestabelecidos, portanto, caracterizados como fechados e pouco flexíveis. Em contrapartida, os programas educacionais nas ONGs, principalmente se comparados com a escola, são qualificados, na maioria dos casos, como abertos e flexíveis. Com essa flexibilidade que existe, facilita o seu uso pelas escolas por meio de agendamentos do local e o tema proposto pela temática do ensino para que a AEMA disponibilize os recursos necessário para o desenvolvimento das atividades.
A partir de uma práxis pedagógica fundamentada nesta proposta de ensino aberto e flexível é possível proporcionar aulas mais atrativas nas escolas. Esta possibilidade de parceria com as ONGs converge ainda a uma influência nas orientações pedagógicas, seja levando experiência de educação popular desenvolvida nos espaços da sociedade civil para as escolas públicas, seja realizando atividades que possam servir de modelos a serem socializados posteriormente nos sistemas públicos (Oliveira e Haddad, 2001).
2.4 As relações das atividades com a disciplina de Ciências
A disciplina de Ciências da Natureza aborda diferentes temáticas relacionadas à questão ambiental, tais como: conservação, preservação e sustentabilidade do planeta; ameaças ao equilíbrio ambiental; efeito estufa e aquecimento global; valores e atitudes que contribuem para a qualidade de vida no nosso planeta; tecnologia, desenvolvimento econômico e sustentabilidade, entre outros aspectos. Nesta perspectiva a AEMA se propõe a desenvolver algumas atividades que convergem às temáticas supracitadas, tais como: palestra para os alunos sobre as referidas temáticas; visitas técnicas a locais que apresentam problemas ambientais que requerem de intervenção; confecção de maquetes, trabalhando a sensibilização e a criticidade do aluno, bem como buscando minimizar ou quiçá, resolver o problema; visitação e exploração no Bosque Augusto Ruschi, visualizando e identificando algumas espécies de árvores e animais no local. Neste sentido, conforme afirma Correia (2009), o Bosque Augusto Ruschi é caracterizado como Unidade de Conservação, representa um laboratório natural, sendo propício para realização de aulas práticas, pesquisas, e atividades de Educação Ambiental por parte das unidades escolares e visitantes.
3. Procedimentos Metodológicos da Investigação
Segundo Triviños (2001), para desenvolver um bom trabalho de pesquisa científica é necessário definir o objeto que norteará as decisões e delimitações deste. Assim, essa investigação assumiu como objeto de pesquisa a Associação Ecológica e Meio Ambientalista – AEMA, criada através da lei municipal Nº 786/2000 – DE, 10 de março de 2.000, através do seu artigo 1º - Fica declarado de utilidade pública a Associação Ecológica Ambientalista – AEMA, CGC nº 24774150/0001 – 10, com sede provisória na Rua Itararé 1.779 – Centro, Jaciara – MT; e do artigo 2º - A presente declaração de utilidade pública municipal, terá vigência enquanto perdurar a entidade com os objetivos declarados no seu Estatuto.
Foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa, utilizando um Estudo de Caso como estratégia metodológica, pois segundo Godoy (1995) o estudo de caso é uma abordagem qualitativa que requer algumas características básicas que identificam o fenômeno estudado, de forma que este seja melhor compreendido no contexto onde ele ocorre, possibilitando uma melhor compreensão do fenômeno na perspectiva dos envolvidos, considerando os pontos pertinentes e relevantes da pesquisa. “O estudo de caso se caracteriza como um tipo de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente. Visa ao exame detalhado de um ambiente, de um simples sujeito ou de uma situação em particular” (Godoy, p. 25, 1995).
Segundo definem Pereira, Shitsuka, & Shitsuka (2018, p. 67), “os métodos qualitativos são aqueles nos quais é importante a interpretação por parte do pesquisador com suas opiniões sobre o fenômeno em estudo. Neles a coleta de dados muitas vezes ocorre por meio de entrevistas com questões abertas”. É interessante essa perspectiva de pesquisa, visto que converge à ideia de uma característica, argumentada por Ludke e Andre (2013), apud Pereira, Shitsuka, & Shitsuka (2018, p. 67), onde expressam que: “ A pesquisa qualitativa, em geral, ocorre no ambiente natural com coleta direta de dados e o pesquisador é o principal instrumento”. Tais argumentações justificam a escolha metodológica desta investigação, visto que o objeto da pesquisa se encontra neste contexto, colaborando assim para tomadas de decisões assertivas e pertinentes ao trabalho
Para alcançar os objetivos propostos nesta investigação científica, foram utilizadas entrevistas com alguns fundadores e associados que participaram desde a fundação inicial até os dias atuais, onde eles puderam relatar todo o processo históricos que ocorreu até o presente momento e também demonstraram a preocupação com a inércia e desinteresse por parte das escolas de ensino fundamental de Jaciara pelas suas atividades já descritas anteriormente neste trabalho, além da ausência destas em reuniões mensais promovidas pela AEMA, nas dependências da mesma, onde se discutem vários assuntos relacionados ao meio ambiente, tanto no âmbito internacional, nacional, estadual como principalmente municipal, leitura de documentos e registros e visualizações de fotos das atividades realizadas na Associação.
As análises dos dados foram do tipo interpretativa qualitativa, que, segundo Vergara (2007), as análises qualitativas são de cunho exploratório, buscando extrair de forma natural os pensamentos dos entrevistados, no momento da entrevista sobre determinado tema, objeto ou conceito. Como resultado das análises das entrevistas com os pioneiros da AEMA, foi possível dimensionar a intensa paixão que move corações comprometidos com a esperança de um mundo melhor e mais equilibrado social e ecologicamente.
4. Resultados e Discussões
Desde que a Associação Ecológica e Meio Ambientalista – AEMA foi criada, percebeu-se que esta tem travado uma constate batalha em defesa do meio ambiente no Vale São Lourenço. A partir da sua criação, todas as ações foram realizadas junto com a comunidade e com as escolas que procuram parcerias e cooperação com a mesma, sendo que tais parcerias têm logrado grandes êxitos no sentido de sensibilizar, orientar e disseminar uma cultura em busca da qualidade ambiental na região.
Por se tratar de uma Associação não governamental e sem fins lucrativos, esta se mantém com as mensalidades dos associados e com o trabalho voluntário que a tem sustentado ativamente até os dias atuais.
Em relação às escolas do Vale São Lourenço, são garantidas as parcerias, de acordo com o decreto nº 6.094, de 24 de abril de 2007(Capítulo I, Art. 2º § XXVII do Plano de Metas – compromisso todos pela educação) que garante firmar parcerias externas à comunidade escolar, desenvolvendo todas as atividades já citadas.
Como já mencionado, Barros & Santos (2010) argumentam que essas associações cada vez mais vêm tendo relevância na prestação de serviços perante à sociedade, bem como o reconhecimento pelos serviços prestado e a importância que tem para com os cuidados com meio ambiente. Sabe-se que a destruição da natureza em busca de um progresso capitalista tem como consequência um resultado danoso e desastroso ao futuro do planeta. Portanto, uma intervenção que contribua positivamente para a manutenção da vida deve ser valorizada e difundida.
Nas escolas estão em formação os futuros cidadãos, dotados com senso crítico sobre a realidade em que vivem e que possam mudar a forma que tratam o meio ambiente. E com a parceria que essas estabelecem com essas associações, elas poderão ter uma visão na prática sobre as consequências desses problemas ambientais.
Como relatou Silva (2011), essas associações apresentam programas educacionais que estão de acordo com a grade curricular das escolas, os temas, na maioria dos casos, são abertos e flexíveis.
Simson et. al. (2007, p. 17) relatam essa flexibilidade que as ONGs têm, além de tratar problemas específicos da comunidade, preocupando-se com a transformação social. E essa flexibilidade atrelada ao ensino aberto torna-se atrativa para as escolas, com isso as ONGs ainda exercem influência nas orientações pedagógicas, segundo Oliveira e Haddad (2001).
Ao planejar as temáticas do ensino de Ciências da Natureza, as Escolas de Ensino Fundamental de Jaciara – MT, juntamente com seus professores, se organizam de forma a adotar um agendamento e uma prévia do assunto a ser ministrado para utilizar os serviços e o espaço que a AEMA oferece durante o ano letivo. Essas atividades contribuem para enriquecer e proporcionar o conhecimento aos alunos, fortalecendo esse laço de cumplicidade pelo bem do meio ambiente.
5. Considerações Finais
Ao realizar essa pesquisa, percebe-se o quanto é importante apresentar aos alunos e à sociedade em geral, os problemas ambientais que assolam o mundo, o Brasil, o Estado de Mato Grosso e o Vale São Lourenço, de um ponto de vista prático.
Por não haver registros oficiais das ações desta Associação, que por quase 30 anos vem desempenhando essa função de protetora do meio ambiente na região do Vale São Lourenço, se justifica a necessidade de demostrar a sua importância, tanto para as Escolas, quanto para a sociedade.
Para a Escola, nota-se a importância quando, durante a realização do Estágio Supervisionado IV – Regência, foi oportunizado levar uma turma do CEJA Marechal Rondon deste município, do período noturno, para uma palestra que foi ministrada pelo Padre Martin Peter Huthmann, na sede da AEMA, onde o tema abordado foi os problemas ambientais no município de Jaciara – MT. Alguns alunos relataram que não sabiam o que era a AEMA e muito menos o que ela representava. Isso foi o motivo de surpresa, e se pode perceber o entusiasmo que os alunos demostraram sobre o conhecimento que adquiriram nessa palestra.
Também é notável uma ausência das Escolas durante anos, no que se refere à utilização dos serviços que essa associação oferece. Através desta pesquisa, foi possível mensurar, através dos dados produzidos e analisados, o comprometimento e envolvimento desta associação com as causas ambientais no Vale do São Lourenço, bem como identificar as potencialidades que esta pode oferecer às escolas de ensino fundamental do município, sobretudo no ensino de Ciências, proporcionando uma nova perspectiva e um novo e olhar sobre os problemas ambientais, além de difundir uma cultura ambiental a toda a comunidade.
Considera-se que as limitações verificadas estão relacionadas à subutilização dos espaços físicos e potencial humano que essa associação oferece às escolas do município, mas que, todavia, ainda não é coesa a parceira entre as escolas e a AEMA, o que constitui um entrave a uma educação significativa e orientada aos valores ambientais.
Houve algumas dificuldades para realização desta pesquisa, visto que apesar dos quase 30 anos de existência desta Associação, os seus registros, como atas, livros de presenças e outros faltam informações, então o que se pode ser apurado com mais detalhes nos dados coletados foram através das entrevistas e reuniões com a presença de alguns fundadores, como os senhores Luiz Gonzaga Pivetta, Domingo Braun e o Padre Martin Peter Huthmann e outros membros da diretoria.
Por não ser uma organização governamental e não receber ajuda financeira dos governos Municipal, Estadual ou Federal, ela passa por dificuldades financeiras, o que contribui para as dificuldades de expandir suas ações. Porém, com a ajuda dos seus colaboradores e voluntários, esta associação vem escrevendo a cada dia a sua história, visando sempre o cuidado com o meio ambiente e com uma cultura ambiental coesa.
Consideramos que a AEMA tem potencial para desenvolver muitas ações relacionada com o meio ambiente, através de parcerias com as Escolas de Ensino Fundamental, assim como com toda a sociedade do Vale São Lourenço.
Recomenda-se às escolas tomarem iniciativas para um melhor aproveitamento do potencial desta associação, contribuindo assim para o aprimoramento do conhecimento dos seus alunos e para que essa associação possa permanecer em sua missão em busca do um meio ambiente sustentável para toda a comunidade.
Referências
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Porcentagem de contribuição de cada autor no manuscrito
Quézia Ferreira Pimentel – 50%
Edione Teixeira de Carvalho – 50%