Evasão escolar como desafio contemporâneo à Escola de Ensino Médio Luiz Girão, em Maranguape - CE

School evasion as a contemporary challenge to the Middle School of Teaching Luiz Girão, in Maranguape-CE

Evala escolar como desafio contemporáneo a la escuela de Enseñanza Medio Luiz Girão, en Maranguape-CE

Francisco Euguenys Medeiros da Silva
Instituto Federal do Ceará, Brasil
Solonildo Almeida da Silva
Instituto Federal do Ceará (IFCE), Brasil
Sandro César Silveira Jucá
Instituto Federal do Ceará (IFCE, Brasil
Aldayr de Oliveira Monteiro
Instituto Federal do Ceará (IFCE, Brasil
Pedro Bruno Silva Lemos
Instituto Federal do Ceará (IFCE), Brasil
Paulo César da Silva Rocha
Instituto Federal do Ceará (IFCE), Brasil

Evasão escolar como desafio contemporâneo à Escola de Ensino Médio Luiz Girão, em Maranguape - CE

Research, Society and Development, vol. 8, núm. 8, pp. 01-16, 2019

Universidade Federal de Itajubá

Recepção: 31 Maio 2019

Revised document received: 05 Junho 2019

Aprovação: 07 Junho 2019

Publicado: 08 Junho 2019

Resumo: O artigo apresenta a problemática da evasão na Escola de Ensino Médio Luiz Girão, situada no município de Maranguape no Estado do Ceará, no Brasil. A nossa investigação reporta-se ao período entre os anos de 2013 e 2017. A evasão escolar engendra discussões com ênfase nas turmas de 1ª série do ensino médio, etapa conclusiva da educação básica, no Brasil. A metodologia utilizada para a análise desse fenômeno deu–se através de um estudo de caso, tomando como referência a pesquisa quantitativa e qualitativa aplicada, utilizando a técnica do questionário, realizado com 15 (quinze) discentes evadidos entre os anos de 2013 e 2017, que retornaram à Escola após o quadriênio. Como pergunta central, tem-se: “Quais as reais motivações que levaram a sua evasão na educação básica, especialmente na 1ª série do Ensino Médio?”. O objetivo deste trabalho foi conhecer algumas das causas que contribuíram para o abandono escolar e consequente evasão de um determinado número de alunos da 1ª série do Ensino Médio. Os resultados apontam que as causas da evasão em 40% refletem condicionantes externos ao ambiente escolar, isto é, foram causas relacionadas às questões de emprego, trabalho, renda, saúde. Nesse sentido, o presente estudo de caso constatou que as premissas da evasão são multifatoriais e reverberam para a retenção escolar.

Palavras-chave: Abandono escolar, Evasão escolar, Ensino médio.

Abstract: This article presents the problem of evasion at Luiz Girão High School, located in the municipality of Maranguape in the State of Ceará, Brazil. Our research refers to the period between 2013 and 2017. School dropout engenders discussions with emphasis on the first-grade classes of high school, the final stage of basic education in Brazil. The methodology used for the analysis of this phenomenon was based on a case study, taking as reference the quantitative and qualitative research applied, using the questionnaire technique, carried out with fifteen (15) students evaded between the years of 2013 and 2017, who returned to school after the four year period. As a central question, one has: "What are the real motivations that led to their avoidance in basic education, especially in the first year of high school?” The objective of this study was to know some of the causes that contributed to the dropout and consequent evasion of a certain number of students of the 1st grade of High School. The results indicate that the causes of evasion in 40% reflect external factors to the school environment, that is, they were causes related to employment, work, income, health. In this sense, the present case study found that the premises of evasion are multifactorial and reverberate for school retention.

Keywords: School dropout, School evasion, High school.

Resumen: El artículo presenta la problemática de la evasión en la Escuela de Enseñanza Media Luiz Girão, situada en el municipio de Maranguape en el Estado de Ceará, Brasil. Nuestra investigación se reporta al período entre los años 2013 y 2017. La evasión escolar engendra discusiones con énfasis en las clases de 1ª serie de la enseñanza media, etapa conclusiva de la educación básica, en Brasil. La metodología utilizada para el análisis de este fenómeno se dio a través de un estudio de caso, tomando como referencia la investigación cuantitativa y cualitativa aplicada, utilizando la técnica del cuestionario, realizado con 15 (quince) discentes evadidos entre los años de 2013 y 2017, que regresaron a la escuela después del cuadrienio. Como pregunta central, se tiene: "¿Cuáles son las motivaciones reales que llevaron su evasión en la educación básica, especialmente en la 1ª serie de la Enseñanza Media?". El objetivo de este trabajo fue conocer algunas de las causas que contribuyeron al abandono escolar y consecuente evasión de un determinado número de alumnos de la 1ª serie de la Enseñanza Media. Los resultados apuntan que las causas de la evasión en un 40% reflejan condicionantes externos al ambiente escolar, es decir, fueron causas relacionadas a las cuestiones de empleo, trabajo, renta, salud. En este sentido, el presente estudio de caso constató que las premisas de la evasión son multifactoriales y reverberan para la retención escolar.

Palabras clave: Abandono escolar, Evasión escolar, Enseñanza media.

Introdução

A Escola de Ensino Médio (EEM) Luiz Girão está localizada no distrito de Sapupara, no município de Maranguape, com distância média de 25km de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, Brasil. A Instituição oferta Educação Básica no nível de Ensino Médio, ofertados em períodos matutinos e vespertinos, sendo que os estudantes são matriculados, somente em um dos dois períodos, portanto, em regime parcial de estudos. A EEM, também oferta o Ensino Médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), no período noturno.

No Plano de Gestão quadriênio (2018 – 2021), documento elaborado pelo Núcleo Gestor da EEM Luiz Girão que trata do perfil da Escola e apresenta metas a serem operacionalizadas no Projeto Pedagógico:

Esse plano se configura como um instrumento de intervenção e mudança da realidade escolar, tendo como objetivo nortear a organização do trabalho pedagógico que a escola desenvolverá nos diversos contextos do cotidiano, incluindo as ações voltadas para a diminuição da evasão (EEM Luiz Girão, 2018).

Trata-se, portanto, de um documento que traz em seu bojo os fundamentos teóricos e metodológicos os quais abordam as concepções de educação, aprendizagem, avaliação, currículo, resultados escolares, permanência dos educandos e gestão escolar. Além de servir como parâmetro para dimensionar os indicadores educacionais da escola.

A partir da coleta e análise dos resultados contidos nesse documento, nos deparamos com um problema proeminente: a evasão de alunos no Ensino Médio ocorre nos três anos escolares, sendo mais expressiva no 1o primeiro ano escolar.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é um indicador criado pelo governo federal para medir a qualidade do ensino nas escolas públicas. O último IDEB, realizado em 2017, declara a nota do Brasil sendo 5,8 nos anos iniciais, 4,7 nos anos finais e 3,8 no Ensino Médio, assim, podemos afirmar que é necessário melhorias no ensino em toda educação básica brasileira. E isso só pode tornar-se realidade através de um efetivo investimento nesse setor, tanto na infraestrutura quanto nos profissionais.

Destarte, questões relevantes e inquietantes perpassam pela consciência de muitos pesquisadores dessa temática, uma vez que evidencia-se um déficit expressivo de jovens que efetuam matrícula na primeira série do ensino médio, mas que não conseguem concluir a educação básica. Pelo exposto, indaga-se: Quais as origens desse problema que tanto faz dispersar o desenvolvimento da aprendizagem dos educandos e por consequência o bom êxito dos resultados educacionais da EEM Luiz Girão?

A problemática da evasão escolar é discutida por toda a comunidade escolar desta instituição, especialmente através de reuniões em que se expõem os resultados por meio de planilhas, tabelas e gráficos, nos quais contém as informações relativas aos resultados dos quatro últimos anos e do ano letivo vigente.

Temos, então, a evasão escolar como desafio contemporâneo para esse estabelecimento de ensino, e também como algo que perdura ao longo dos anos e que necessita de estudos e aplicações de planos que visem influenciar os jovens estudantes a não tomarem a decisão de abandonar a escola.

Esse tema trata de assunto que é evidente e preocupante em todas as escolas públicas brasileiras e impacta diretamente nos resultados da nossa escola e traz à tona um sentimento de aflição numa expressiva parcela de professores, gestores e demais profissionais da educação. Esse fenômeno – da evasão escolar – vem sendo combatido em nosso país, e também no nosso estado, entretanto, tomou proporções altíssimas na escola Luiz Girão nos últimos 04 (quatro) anos, tornando-se mais evidente, particularmente, na 1ª série. Esta foi analisada para a elaboração deste artigo. Embora inúmeras medidas governamentais, tanto na parte de gestão, quanto na parte pedagógica escolar estejam em execução na tentativa de minimizar esse problema, não estão sendo eficazes para garantir a permanência desses jovens e a sua promoção na escola.

Dessa forma, está aqui exposto um trabalho com o intuito de contribuir com o aperfeiçoamento das discussões que giram em torno da temática da evasão escolar. Espera-se que esse artigo sirva de base de informações que subsidiem educadores, pesquisadores e demais estudiosos que influem para que a educação em nosso país obtenha bons resultados, especialmente no tocante ao ensino médio.

Evasão escolar

É autêntico que a evasão escolar se reflete negativamente no desenvolvimento da educação, não somente no sistema educacional - consideradas suas dimensões, mas no próprio crescimento intelectual dos educandos que possuem mais oportunidades de aquisição de conhecimento estando no lócus da unidade escolar. O não comparecimento dos alunos matriculados em sala de aula aparece como um dos principais fatores que influenciam nos déficits dos resultados contidos nos indicadores pedagógicos do sistema educacional, o que inclui também os indicadores da escola citada nesta pesquisa, além de ser um dos principais causadores da repetência escolar, bem como o desencadeamento de problemas como a discrepância entre a faixa etária dos sujeitos estudantes e a série correspondente (observada a possível matrícula dessa clientela no ano posterior).

A expressão da evasão escolar indica que um determinado sistema educacional precisa passar por profundas mudanças já que é um dos pilares do fracasso escolar. Em se tratando desse tipo de fracasso é consenso de muitos pesquisadores, autores de livros e demais estudiosos da educação (e de outras áreas) que toda a sociedade é atingida com os danos causados pela evasão escolar dos jovens discentes.

Para Dotti apud Schmitt & Marques (2005):

O fenômeno do fracasso escolar constitui-se de várias faces extremamente negativas, pois representa desperdício de verba pública; revela a baixa capacidade da escola em trabalhar com as classes populares; é prenúncio de exclusão; limita as oportunidades educacionais; aumenta os custos sociais relativamente ao financiamento da escola pública; e, acima de tudo, produzem fracassados na medida em que condena toda uma gama da população ao não exercício da cidadania, da autonomia individual e de um povo como coletividade. (Dotti apud Schmitt & Marques, 2005, p.28).

De acordo com Camargo (2006), os principais custos da evasão escolar são relativos à manutenção de programas sociais como: saúde, assistência social, seguro desemprego e outros e, maior probabilidade de que pessoas com menor nível educacional se envolvam em atividades antissociais de alto risco, como crime, uso de drogas, gravidez precoce que geram custos adicionais à sociedade.

Assim temos que, considerando o aporte financeiro oriundos do executivo estadual a evasão contribui negativamente para a escola, pois os recursos financeiros são repassados de acordo com o número de alunos que permaneceram até o final. Ou melhor, quando os alunos se evadem, a escola perde o recurso que seria destinado para estes alunos no próximo ano letivo.

Os problemas são evidentes e representam verdadeiros desafios. Numa escola que atende a uma população rural – do campo, como a EEM Luiz Girão, por exemplo, podem-se observar fatores de ordem principalmente socioeconômica que influenciam nesse abandono.

Nesse contexto Schimtt e Marques (2005), afirmam que:

Os jovens deixam a escola, pois, muitas vezes, se veem num processo de sucessivas repetências, seja porque têm de migrar para completar a renda familiar; abandoná-la, temporariamente, para ajudar os pais no plantio quando chega o período de chuvas; ou porque a escola que têm não lhes oferece perspectivas de futuro profissional, principalmente no momento de entrada no mercado de trabalho; seja pelo acontecimento de uma gravidez precoce (Schimitt & Marques, 2005, p.26-27).

De acordo com Lopez e Meneses (2002), o que também ocasiona a desistência dos estudantes do ensino médio são as repetências, que os estimulam a abandonar os estudos, já que mexem com a autoestima deles.

Visto por esse viés, acredita-se que os alunos ficam mais motivados quando participam de atividades lúdicas e interativas como gincanas, feiras de ciências e eventos culturais e na tomada de decisões, principalmente, atuando no grêmio estudantil e se inserindo como representantes do conselho escolar. Ou seja, os alunos se tornam mais atraídos pela escola quando se veem e sentem parte dela.

Recapitulando acerca dos motivadores da evasão escolar podemos citar ainda a carência e o absenteísmo docente (contribuindo para que os alunos sejam liberados mais cedo das aulas, ficando sem o conteúdo), a falta de material didático (principalmente relacionados às TIC’s) e a dificuldade de acesso no que tange ao percurso casa/escola. É importante salientar que aproximadamente 50% (cinquenta por cento) desses alunos residem em Distritos rurais distantes da escola.

Na tentativa de combater ou minimizar os problemas geradores da evasão dentro das escolas é necessário também o acompanhamento da família, para que o jovem tenha condições de frequentar regularmente o ambiente escolar. Sem esse apoio e compreensão fica praticamente impossível para a maioria das pessoas a dedicação necessária para o sucesso em seus estudos. Entretanto, sabe-se que, sozinho, o apoio familiar é insuficiente para que alguém consiga frequentar as aulas e não seja obrigado a desistir de seus estudos.

Sob esta lógica, é dever do Estado criar estratégias apropriadas para dar as condições necessárias para que todo cidadão possa iniciar sua vida escolar, de preferência na idade certa, tendo assim a possibilidade de se desenvolver socialmente e que, dessa forma, haja uma mínima desistência possível.

A própria Carta Magna dispõe claramente que o ensino será ministrado com base em princípios dos quais faz parte a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola (Brasil, 1988).

E ainda, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de forma semelhante, dispõe:

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-lhes:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola (Brasil, 2008, s/p),

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96), também enfatiza o assunto e trata-o de forma semelhante, como afirma Pacievitch (2012):

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), um número elevado de faltas sem justificativa e a evasão escolar ferem os direitos das crianças e dos adolescentes. Nesse sentido, cabe à instituição escolar valer-se de todos os recursos dos quais disponha para garantir a permanência dos alunos na escola. Prevê ainda a legislação que esgotados os recursos da escola, a mesma deve informar o Conselho Tutelar do Município sobre os casos de faltas excessivas não justificadas e de evasão escolar, para que o Conselho tome as medidas cabíveis.

Contudo, tão importante quanto existir o amparo legal é necessário que hajam ações concretas voltadas ao combate da evasão escolar. Observam-se nesse sentido algumas políticas públicas que, pelo menos em tese, estão preocupadas em amenizar ou mesmo erradicar o problema.

Pode-se citar dentre tais políticas, em termos de infraestrutura, as recentes reformas nas escolas com a construção de laboratórios de Informática e de Ciências e Ginásios poliesportivos que, entre outras coisas, procura criar um ambiente mais atrativo para os alunos através das práticas científicas e esportivas, respectivamente, além das atividades artístico-culturais e, assim, motivá-los a permanecer na escola.

Em relação à parte pedagógica, a existência dos Professores Coordenadores de Áreas (PCAs), dos Professores do Laboratório Educativo de Informática (LEI), dos Professores do Laboratório de Ciências (LEC), dos Professores do Centro de Multimeios (biblioteca, sala de vídeo, etc.) e dos Professores Diretores de Turma (PDT’s), inseridos nas escolas estaduais do Ceará também pode ser considerada como uma ação voltada ao combate ao abandono escolar (ESCOLA LUIZ GIRÃO, 2018). Uma das atribuições desses professores é a de “proteger” e/ou otimizar o “tempo” pedagógico junto ao aluno na eventual falta do professor, além de, no caso dos PDT’s, contatarem os pais ou responsáveis pelo educando que não esteja frequentando a escola com assiduidade. Já se observou que o costume de os alunos saírem “mais cedo” estimula alguns a não quererem frequentar assiduamente à sala de aula e tal infrequência pode, com o decorrer do ano letivo, transformar-se em abandono.

A efetiva participação dos alunos em avaliações externas, como o caso do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Estado do Ceará - SPAECE mostra outra tentativa de combater a evasão escolar. Por exemplo, existe um percentual recomendado para participação dos estudantes naquela avaliação. Em 2010, este valor foi baseado na matrícula inicial e era de 80% da mesma (SEDUC/CE, 2018). E ainda, as escolas que não o atingissem ficariam sujeitas a algumas restrições, inclusive financeiras.

Outros incentivadores para que as famílias matriculem e apoiem seus filhos para que frequentem assiduamente as aulas são os programas governamentais como o Programa Bolsa Família. Estudos mostram que houve queda na taxa de evasão em alguns locais com a aplicação desses programas.

Metodologia

Atento a problemática da evasão, o autor do presente trabalho realizou uma pesquisa de natureza quanti-qualitativa junto a um grupo de quinze alunos que abandonaram a EEM Luiz Girão durante o período de 2013 a 2017, e que para lá voltaram em 2018. A investigação realizada foi feita mediante um questionário. Também se utilizou a técnica da entrevista semiestruturada com cinco professores e o núcleo gestor da escola (Diretor e Coordenadores) como forma de obter subsídios para a construção dos resultados da pesquisa.

Os dados coletados foram tabulados no software Excel 2008. A análise dos dados foi realizada por meio dos enfoques qualitativo e quantitativo, o que proporcionou uma melhor visão e compreensão do contexto da temática estudada, bem como a enquanto a quantificação dos dados e apresentação estatística dos resultados.

Certamente, agindo a partir das declarações dessa pequena parcela de alunos e de professores o que for realizado terá como base uma pesquisa por amostragem.

Resultados e discussões

Adiante, o Quadro 01, com base nas respostas dos alunos ao questionário, que descreve os motivos pelos quais os alunos desistiram de estudar no período de 2013 à 2017.

Identificamos os alunos pela letra “A” seguida de um número, com elementos de A-01 até A-15. Todas as informações constantes a seguir estão em conformidade com os resultados coletados pelos questionários oferecidos.

Quadro 01:
Motivos pelos quais os alunos desistiram de estudar (2013 a 2017).
ALUNO (A)JUSTIFICATIVA
A-01Falta de interesse próprio.
A-02Motivos pessoais, sem ligações com a escola.
A-03Gravidez.
A-04Tentativa frustrada em terminar pelo EJA.
A-05A escola oferece poucas opções de lazer.
A-06Má influência de colegas, mas culpou a escola.
A-07Tentativa frustrada em arranjar emprego.
A-08Gravidez.
A-09Problemas familiares.
A-10Problemas de saúde.
A-11Não conseguiu conciliar com o emprego.
A-12Viagem.
A-13Não conseguiu conciliar com o emprego
A-14Ficou impossibilitado após um acidente.
A-15Mudou de endereço.
Fonte: Elaborado pelo autor

De forma genérica, podem-se dividir as causas da desistência dos alunos participantes em cinco subgrupos, com os respectivos percentuais (Quadro 2): Subgrupo I: Alunos que desistiram por causa de emprego (A-07, A-11 e A-13); Subgrupo II: Alunos que desistiram por consequências da gravidez (A-03 e A-08); Subgrupo III: Alunos que desistiram por problemas de saúde (A-10 e A-14); Subgrupo IV: Motivos externos à escola (A-01, A-02, A-04, A-09, A-12 e A-15); Subgrupo V: Por vontade própria, mas responsabilizaram a escola (A-05 e A-06).

Quadro 2.
Causas da desistência dos alunos em subgrupos e percentual
SUBGRUPO / CAUSANº DE ALUNOS%
EMPREGO/TRABALHO320
GRAVIDEZ213,3
SAÚDE213,3
DIVERSOS/EXTERNOS640
VONTADE PRÓPRIA213,3
TOTAL15100
Fonte: elaborado pelo autor

Representação gráfica das causas das desistências dos alunos
Figura 1.
Representação gráfica das causas das desistências dos alunos
Fonte: elaborada pelo autor

Apenas dois alunos desistiram por vontade própria e responsabilizaram a escola de alguma forma pela atitude de suas desistências. Em termos percentuais isso equivale a aproximadamente 13,3% do total. Essa investigação faz-se criar uma indagação: Como a escola pode desenvolver estratégias de combate às causas da evasão de seus alunos se a maioria delas, ou melhor, 86,7% (de acordo com a pesquisa) têm origem em fatos que ocorrem fora de seu lócus?

Os autores da obra Ação Educativa (2004), também indagam:

Será que sabemos quem são os alunos que, na nossa escola apresentam maior dificuldade no processo de aprendizagem? Sabemos quem são aqueles que mais faltam na escola? Onde e como vivem? Quais são as suas dificuldades? E os que abandonaram ou se evadiram? Sabemos os motivos? O que estão fazendo? Estamos nos esforçando para trazê-los de volta para a escola? Temos tratado a situação com o cuidado e carinho que ela merece? (Ação Educativa, 2004, p.47).

No Quadro 02, encontram-se algumas sugestões de ações elaboradas a partir das respostas do grupo de alunos evadidos no período inframencionado.

Quadro 03:
Acompanhamento e/ou avaliação das ações em prol da diminuição da evasão escolar na EEM Luiz Girão
AçãoAcompanhamento / Avaliação
1. Elaborar novos instrumentais para acompanhar a frequência dos alunos.Relatório diário de faltas, para posterior esclarecimento sobre infrequência (falta).
2. Formar parcerias com as empresas para que exijam a frequência escolar dos trabalhadores.Relatório mensal de acompanhamento da frequência daqueles que estejam trabalhando.
3. Entrar em contato com os discentes via telefone e/ou outros mecanismos.Registro da presença do aluno com observação ao número de faltas existentes
4. Estabelecer critérios para matrícula para quem tem histórico de abandono / evasão.Relatório de acompanhamento dos alunos que possuam histórico de evasão.
Fonte: Elaborado pelo autor

Através da apresentação das ações supracitadas pode-se notar que algumas causas identificadas na pesquisa realizada com os alunos evadidos no referido período já podem ser combatidas. Mas, obviamente, nem todas. Assim, as alegações dos alunos pertencentes ao subgrupo III (problemas de saúde) são de ordem natural e casual, não havendo maneira de evitar o abandono através de quaisquer ações.

Contudo o autor deste trabalho necessita acrescentar outro fator que considera, influência nas altas taxas de evasão nas turmas de 1ª série do Ensino Médio. Sendo professor, ele e o restante do Corpo Docente da escola mantém um consenso de que os alunos desistem, também, pelo fato de, ao ingressar no Ensino Médio, sentem grande dificuldade de adaptação às novas exigências inerentes a esse nível da educação básica e também pelo fato dessa unidade escolar não ofertar uma educação profissionalizante, uma vez que uma parcela desses alunos evadidos desiste do ensino médio regular porque almejam uma formação técnica e profissional na tentativa de inserção no mercado de trabalho. Essa temática (educação profissional) será abordada em outro trabalho.

O fato é que além da metodologia de ensino ser diferente e os conteúdos ministrados serem bem mais complexos que no Ensino Fundamental, a cobrança por resultados é bem maior e, desse modo, muitos alunos acabam optando em não mais estudar. Esse fator gera certa curiosidade por não ter sido relatado na amostra analisada.

Destarte, todas as ações no intuito de aumentar a permanência dos jovens que cursam o ensino médio, especificamente a 1ª série, na escola e, consequentemente ampliar o nível de aprendizagem significativa devem sinalizar para despertar a atenção de todos os envolvidos nesse processo.

Conclusão

As causas da evasão escolar, especialmente nas turmas de 1ª série do ensino médio, há muito tempo intrigam os integrantes da comunidade que forma a EEM Luiz Girão e, sendo assim, esse tema vem despertando o interesse do autor deste trabalho em desenvolver tal pesquisa. Desde que esse estudioso ingressou como professor da referida instituição, atualmente na função de Coordenador Escolar, considerou o assunto como algo digno e à altura de ser escolhido como proposta de trabalho científico.

Os resultados da pesquisa realizada junto a um grupo de alunos de 1ª série evadidos entre os anos de 2013 e 2017 foram utilizados na construção deste trabalho. Alguns deles tradicionalmente relacionados ao ensino médio serviram para confirmar certas causas do abandono por parte dos alunos. Outros trouxeram novos desafios a serem enfrentados.

Outras fontes, bem específicas, como conversas informais com profissionais do local, a própria experiência do autor desta pesquisa e uma breve consulta a outras obras, foram utilizadas na elaboração das ações aqui propostas.

Considerando a situação na escola envolvida bastante delicada nas turmas em questão, espera-se que as ações engendram mudanças positivas e que, em curto prazo, sejam perceptíveis os avanços, as melhorias e a redução esperada na taxa de evasão escolar.

Os docentes têm grande importância e, ao mesmo tempo, muita responsabilidade sobre a execução e o resultado das ações, pois o professor é o responsável por executar sua metodologia de ensino e é necessário que ele inove-as em suas aulas, fazendo com que os alunos se sintam motivados, desenvolvendo neles a capacidade de aprender e de raciocinar, criando, assim, condições mais favoráveis à aprendizagem e, por conseguinte sua permanência na escola.

Entretanto, o sucesso só ocorrerá se toda a comunidade escolar colaborar nas ações propostas e, porventura, oferecer outras que até aqui não foram consideradas, tais como promoção de projetos criativos baseados nas vocações e interesses do grupo de alunos, uso melhor das tecnologias educacionais, dentre outras. Este estudo realizado na EEM Luiz Girão constitui um momento ímpar, pois, a experiência, principalmente se for exitosa, servirá de modelo para outras instituições. Precisamos reorientar nossa prática docente e contribuir para a manutenção da aprendizagem e desenvolvimento da escola como um todo.

REFERÊNCIAS

Ação Educativa, Unicef, Pnud, Inep – Mec (coordenadores). 2004. Indicadores da qualidade na educação. São Paulo: Ação Educativa.

Brasil. Constituição (1988). 1998. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva.

Brasil. Ministério da Saúde.2008. Estatuto da Criança e do Adolescente. Ministério da Saúde. 3ª edição.Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 96p. (Série E. Legislação de Saúde).

Brasil. Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996. 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. DOU 23.12.

Camargo, J. M. 2006. Dívida por educação: efeitos sobre o crescimento e pobreza. UNESCO, Disponível em: www.unesdoc.unesco.org. Acesso em: 15/12/2018.

Lopez, F. L.; Menezes, 2002. N. A. Reprovação, Avanço e Evasão Escolar no Brasil. Pesquisa e Planejamento Econômico, n. 32.

Luck, Heloísa. 2006. A gestão participativa da escola. Petrópolis / RJ: Vozes.

Pacievitch, T. 2009. Evasão escolar. Disponível em: http://www.infoescola.com/educacao/evasao-escolar/. Acesso em 15/12/2018.

ESCOLA DE ENSINO MÉDIO LUIZ GIRÃO - EEMLG. 2018. Plano de Gestão. Quadriênio: 2018 – 2021. Maranguape – Ce.

Schmitt, C; Marques, J. 2005. A relação entre a prática pedagógica do BBDUCAR e as motivações que levam alfabetizandos adultos a manter frequência às aulas: um estudo de caso. Monografia (Especialização em Educação de Jovens e Adultos). Curso de Pós-Graduação em Educação. Brasília: UnB.

Silva, M. R. 2012. Causas e consequências da evasão escolar na Escola Normal Estadual Professor Augusto de Almeida. Monografia (Especialização em Gestão Pública Municipal). Curso de Pós-graduação em Gestão Pública Municipal. Paraíba: UFPB.

Porcentagem de contribuição de cada autor no manuscrito

Francisco Euguenys Medeiros da Silva - 25%

Solonildo Almeida da Silva - 15%

Sandro César Silveira Jucá - 15%

Aldayr de Oliveira Monteiro - 15%

Pedro Bruno Silva Lemos - 15%

Paulo César da Silva Rocha - 15%

HMTL gerado a partir de XML JATS4R por