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Construção e validação de tecnologia educativa acerca da Sífilis Congênita
Lidiane Grutzmacher Azeredo; Claudia Maria Gabert Diaz; Martha Helena Teixeira de Souza;
Lidiane Grutzmacher Azeredo; Claudia Maria Gabert Diaz; Martha Helena Teixeira de Souza; Regina Gema Santini Costenaro; Janete de Lourdes Portela
Construção e validação de tecnologia educativa acerca da Sífilis Congênita
Construction and validation of educational technology about Congenital Syphilis
Construcción y validación de tecnología educativa sobre Sífilis Congénita
Research, Society and Development, vol. 8, núm. 12, pp. 01-22, 2019
Universidade Federal de Itajubá
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Resumo: A sífilis congênita constitui um grave problema de saúde pública e questiona-se se uma tecnologia educativa pode ser utilizada na sua prevenção. Construir e validar uma tecnologia educativa (vídeo) sobre a temática da Sífilis Congênita.Trata-se de uma pesquisa metodológica do tipo desenvolvimento, realizada entre dezembro de 2017 a novembro de 2018. A análise e validação de conteúdo ocorreram por meio da Técnica de Delphi, com participação de dez especialistas na área da saúde, no primeiro ciclo e nove, no segundo. Para validação do vídeo pelos especialistas, os itens do roteiro apresentaram Índice de Validade do Conteúdo maior ou igual a 0,78. Posteriormente à validação do roteiro, foi realizada a filmagem do vídeo mediante suporte técnico de dois profissionais da área de jornalismo. Após a produção do material educativo (vídeo), o mesmo será disponibilizado online para que possa ser utilizado pelos profissionais da área da saúde, no meio acadêmico e pelos usuários interessados no tema. O vídeo educativo pode ser um aliado na prevenção dos agravos da sífilis congênita e na promoção da saúde materno-infantil, sendo uma ferramenta importante no cuidado.

Palavras-chave:Sífilis congênitaSífilis congênita,Saúde materno-infantilSaúde materno-infantil,Tecnologia educativaTecnologia educativa.

Abstract: Congenital syphilis is a serious public health problem and it is questioned whether an educational technology can be used in its prevention. To construct and validate an educational technology (video) on the subject of Congenital Syphilis. This is a methodological research of the type development, carried out between December 2017 and November 2018. The analysis and validation of content occurred through the Delphi Technique, with participation of ten specialists in the health area, in the first cycle and nine, in the second. For validation of the video by the experts, the script items presented Content Validity Index greater than or equal to 0.78. Following the validation of the script, the video was filmed through technical support of two journalism professionals. After the production of the educational material (video), it will be made available online so that it can be used by health professionals, academics and users interested in the subject. Educational video can be an ally in the prevention of congenital syphilis diseases and in the promotion of maternal and child health, being an important tool in care.

Keywords: Congenital syphilis, Maternal and child health, Educational technology.

Resumen: La sífilis congénita es un problema grave de salud pública y la pregunta es si se puede utilizar una tecnología educativa para prevenirla. Construir y validar una tecnología educativa (video) sobre el tema de la sífilis congénita. Esta es una investigación metodológica del tipo de desarrollo, realizada entre diciembre de 2017 y noviembre de 2018. El análisis y la validación del contenido se realizaron a través de la Técnica Delphi, con la participación de diez expertos en salud en el primer ciclo. y nueve en el segundo. Para la validación experta del video, los elementos del script tenían un índice de validez de contenido mayor o igual a 0,78. Después de validar el guión, el video se filmó con el soporte técnico de dos profesionales de periodismo. Después de la producción de material educativo (video), estará disponible en línea para uso de profesionales de la salud, académicos y usuarios interesados en el tema. El video educativo puede ser un aliado en la prevención de las enfermedades congénitas por sífilis y en la promoción de la salud materna e infantil, siendo una herramienta importante en la atención.

Palabras clave: Sífilis congénita, Salud materna e infantil, Tecnología educativa.

Carátula del artículo

Construção e validação de tecnologia educativa acerca da Sífilis Congênita

Construction and validation of educational technology about Congenital Syphilis

Construcción y validación de tecnología educativa sobre Sífilis Congénita

Lidiane Grutzmacher Azeredo
Universidade Franciscana (UFN), Brasil
Claudia Maria Gabert Diaz
Universidade Franciscana (UFN), Brasil
Martha Helena Teixeira de Souza
Universidade Franciscana (UFN), Brasil
Regina Gema Santini Costenaro
Universidade Franciscana (UFN), Brasil
Janete de Lourdes Portela
Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), Brasil
Research, Society and Development, vol. 8, núm. 12, pp. 01-22, 2019
Universidade Federal de Itajubá

Recepção: 28 Outubro 2019

Aprovação: 30 Outubro 2019

Publicado: 01 Novembro 2019

1. Introdução

A sífilis congênita é a infecção transmitida ao feto pelas mulheres grávidas contaminadas pela sífilis (OMS, 2008). Constitui-se em um grave problema de saúde pública, apesar do seu diagnóstico fácil e acessível, além de totalmente evitável quando o tratamento é realizado adequadamente (Costa, 2016).

Atualmente, a sífilis é responsável por altos índices de morbidade intrauterina e por desfechos negativos da gestação em mais de 50% dos casos. Como exemplos, podem ser citados: aborto, nati e neomortalidade, bem como complicações precoces e tardias dos nascidos vivos portadores da doença (Macedo et al., 2009). O aumento da ocorrência da sífilis congênita, no Brasil e no exterior, revela falhas na assistência pré-natal, cujo protocolo clínico é bem definido, com triagem sorológica e tratamento de baixo custo (Amaral, 2012).

Com o intuito de modificar esta realidade, os profissionais de saúde, especialmente o enfermeiro, devem participar ativamente de atividades de educação em saúde que abordem e incentivem as formas de prevenção da doença, o diagnóstico precoce de sífilis, captando as gestantes e iniciando, o mais precocemente possível, o pré-natal, proporcionando uma assistência de qualidade, organizada e comprometida com a participação dos parceiros (Brasil, 2007).

Nesse contexto, faz-se imprescindível a criação de novas estratégias/tecnologias que possibilitem a atuação nas lacunas que impossibilitam o tão sonhado controle desse agravo, e que possibilitem a sensibilização e o empoderamento das mulheres e de seus parceiros, quanto à importância de sua participação no processo de controle da sífilis congênita. Por isso, tem-se a assistência pré-natal como um período propício para a atuação do enfermeiro como educador em saúde, onde, por meio de ações educativas, estimule a autonomia dos usuários e os prepare para se tornarem sujeitos ativos na promoção de sua saúde (Costa, 2016).

Frente a isto, considera-se que essa tecnologia educativa trará um enorme benefício para a população em geral, servindo de ferramenta de apoio em salas de aula, para usuários do sistema de saúde enquanto esperam na unidade para serem atendidos e na promoção da saúde e prevenção de doenças. Desse modo, questiona-se se uma tecnologia educativa pode ser utilizada na prevenção da transmissão vertical da sífilis. O objetivo deste estudo é construir e validar uma tecnologia educativa (vídeo) sobre a temática da Sífilis Congênita.

Metodologia

Trata-se de uma pesquisa metodológica do tipo desenvolvimento, com enfoque na construção e validação de uma tecnologia educativa (vídeo) sobre a temática da SC, a qual segue a Linha de Pesquisa: Atenção integral à saúde materna, neonatal e infantil da Universidade Franciscana (UFN). A pesquisa metodológica investiga, organiza e analisa dados para construir, validar e avaliar instrumentos e técnicas de pesquisa, centrada no desenvolvimento de ferramentas específicas de coleta de dados com vistas a melhorar a confiabilidade e validade desses instrumentos (Polit & Beck, 2011).

Desta forma, este estudo visou construir e validar o conteúdo e aparência de uma tecnologia educativa (vídeo) para o fim a que se destina, auxiliado por especialistas sobre o tema. Para a construção dessas ferramentas, é necessário o desenvolvimento de pesquisas metodológicas para validá-las, sendo submetidas à apreciação por juízes-especialistas e público-alvo, objetivando um processo participativo e integral. Com a validação dos instrumentos atesta-se sua qualidade e afasta-se a possibilidade de erros aleatórios, aumentando a credibilidade de sua utilização na prática (Lobiondo-Wood & Haber, 2011; Teixeira; Mota, 2011).

O período de coleta de dados ocorreu entre os meses de abril e julho de 2018, em duas etapas. Primeiramente, foi enviado o roteiro inicial aos participantes da pesquisa por meio eletrônico (e-mail), juntamente com a Carta de apresentação e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), caracterizando o 1º Ciclo da Técnica de Delphi. O prazo inicial para devolução do material dado aos especialistas foi de 15 dias, no entanto, houve a necessidade de prorrogação para quarenta dias, até que todo o material retornasse. A segunda etapa, 2º Ciclo da Técnica de Delphi, foi realizada no período de junho a julho, na qual o instrumento retornou aos especialistas, contemplando as alterações sugeridas no 1° ciclo.

No período de julho a agosto, foi elaborado o roteiro final do vídeo educativo sobre Sífilis Congênita, a partir da validação dos itens contidos no instrumento, de acordo com o consenso dos especialistas no 2° ciclo.

Para compor este estudo foram convidados vinte especialistas na área de interesse, com conhecimento comprovado sobre o tema e selecionados por meio de amostragem “bola de neve”, na qual, ao identificar um sujeito que se encaixa nos critérios para participação do estudo, é solicitado que sugira outros participantes (Polit & Beck, 2011). Foi utilizada a Plataforma Lattes, com busca dos cinco primeiros currículos de profissionais para iniciar a técnica, com afinidade e publicações na área da temática proposta neste estudo. Para a seleção dos especialistas, ressalta-se que o número de seis a vinte é o recomendável para o processo de validação (Pasquali, 2010).

Para o desenvolvimento da pesquisa foram seguidas três etapas, a seguir descritas.

Primeira etapa – Construção do instrumento de coleta de dados

Nesta etapa foi elaborado um roteiro com o conteúdo a ser abordado no vídeo, ancorado na revisão integrativa da literatura dos estudos que abordam o tema, bem como manuais ministeriais e livros didáticos. Este instrumento foi desenvolvido a partir da conceituação minuciosa do constructo de interesse, partindo da revisão de literatura, do resultado de outra(s) investigação(ões), bem como do conhecimento do pesquisador (Polit; Beck & Hugler, 2011). O roteiro inicial foi elaborado contendo as etapas da filmagem sobre a temática da SC, conforme constam no Quadro 1.

Quadro 1 –
Roteiro inicial do vídeo, caracterizando o 1º Ciclo da Técnica de Delphi. Santa Maria, 2018.

Segunda Etapa – Validação do conteúdo do instrumento obtido por meio da Técnica de Delphi

Após a organização das etapas do roteiro do vídeo, o primeiro contato com os vinte especialistas foi realizado por e-mail, explicando sobre o estudo e esclarecendo sobre a participação na pesquisa. Neste momento, o roteiro primário para avaliação foi enviado por e-mail aos especialistas, juntamente com a Carta de apresentação e o TCLE. Foram solicitados a responder sobre os itens contidos no roteiro do vídeo, optando por notas crescentes de concordância, de 1 a 4, para posterior devolução à autora.

Esse processo de análise e validação de conteúdo, por especialistas da área da saúde, ocorreu por meio da Técnica de Delphi. A técnica de Delphi consiste em um método sistematizado de análise de informações, utilizado para obter concordâncias de especialistas, também chamados de peritos ou juízes, sobre determinado assunto, por meio de validações articuladas em fases ou ciclos (Castro & Rezende, 2009). Para caracterizar esse processo são realizadas, no mínimo, duas rodadas para avaliação dos especialistas (Scarparo et al., 2012).

Foi concedido o prazo de quinze dias para devolução dos instrumentos avaliados. Aos que não devolveram no período estabelecido previamente, foi feito novo contato para esclarecimentos, enfatizando a importância da avaliação. Os especialistas que não responderam no prazo de quarenta dias foram excluídos da pesquisa.

Com o retorno das avaliações, as sugestões/comentários dos especialistas foram agrupados e analisados para serem incorporados ao roteiro, quando aceitos. As observações que não foram aceitas estão registradas e discutidas entre os dados. Após a realização dos ajustes necessários, o roteiro retornou para nova avaliação dos especialistas, caracterizando o 2° Ciclo de Delphi.

Para validação do vídeo pelos especialistas, os itens do roteiro deveriam apresentar Índice de Validade do Conteúdo (IVC) maior ou igual a 0,78. O IVC mede a proporção dos juízes em concordância sobre determinado aspecto do instrumento. Esse método utiliza a escala Likert com pontuações de um a quatro. O índice é calculado por meio do somatório de concordância dos itens marcados como “3” e “4” pelos especialistas, dividido pelo total de respostas (Alexandre & Coluci, 2011). A fórmula para o cálculo do IVC encontra-se na equação a seguir.

Esse processo se repete em rodadas subsequentes até que se atinja o consenso previamente definido ou até que o nível de discordância se reduza em nível de saturação. Vale ressaltar que poderão ser realizadas duas a quatro rodadas, ou mais, se ainda houver questões em que o consenso não tenha sido atingido e para que o instrumento (roteiro) possa ser validado (Scarparo et al., 2012). No caso do roteiro proposto neste estudo, como cada um dos 11 itens obteve nota maior ou igual a 0,78. Todos foram validados para compor o roteiro final.

Terceira etapa – Construção do vídeo

Posteriormente à validação pelos especialistas do roteiro, foi realizada a filmagem mediante suporte de profissionais da área de publicidade e propaganda, em relação aos detalhes técnicos. Depois da produção do material educativo (vídeo), o mesmo foi disponibilizado on-line para que possa ser utilizado pelos profissionais da área da saúde, no meio acadêmico e pelos usuários interessados no tema.


Figura 1 –
Etapas da Pesquisa

Aspectos éticos

Nesta pesquisa foram observados os aspectos éticos sobre a pesquisa envolvendo seres humanos, de acordo com a Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (Brasil, 2013). O projeto foi encaminhado para a aprovação ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UFN, via Plataforma Brasil, para apreciação e parecer.

Os participantes foram informados e orientados a respeito do TCLE, que deveria ser assinado em duas vias pelos mesmos, pelo pesquisador e testemunhas. Foram garantidos sigilo, anonimato e privacidade durante toda a pesquisa, por meio da assinatura do Termo de Confidencialidade (TC) pela pesquisadora e sua orientadora. Além disso, foi assegurado total liberdade para desistirem da pesquisa se desejassem, sem qualquer punição. Ao término do estudo e defesa da dissertação, os resultados e o produto final (vídeo), serão retornados aos especialistas.

Os especialistas foram identificados no decorrer do estudo pela letra maiúscula A, de avaliador, seguido do número correspondente à ordem da coleta das informações (A1, A2...), a fim de preservar a identidade dos participantes da pesquisa.

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFN, parecer 80819617.9.0000.5306, em 04/12/2017.

Resultados e discussão

Os resultados serão apresentados em três partes: a primeira se refere à elaboração do instrumento; a segunda, a validação do conteúdo do instrumento obtido por meio da Técnica de Delphi e a terceira, a apresentação do roteiro do vídeo.

Elaboração do instrumento (roteiro) inicial

O instrumento inicial foi construído a partir da literatura científica nacional e internacional sobre Sífilis Congênita dos últimos dez anos, principalmente, nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), e no site da Vigilância em Saúde (Portal da Saúde do Ministério da Saúde do Brasil), bem como, leis, portarias e normativas vigentes que abordem a temática do estudo, acrescido das experiências e vivências da pesquisadora, além de observações de vídeos educativos sobre SC. Para a construção do instrumento é necessário inicialmente um processo de investigação profunda, consistente e cuidadosa da referência bibliográfica disponível, por meio de instrumentos atualizados, bem como, das legislações e normas nacionais e estrangeiras que abordem o tema (Magalhães, 2007).

Após a elaboração do instrumento apresentado no Quadro 1, foi encaminhado aos especialistas para validação de conteúdo, contemplando o 1° Ciclo da Técnica de Delphi.

Caracterização dos Especialistas

Neste estudo foram convidados vinte especialistas na temática da SC, destes, dez aceitaram participar no 1º Ciclo de Delphi, devolvendo o instrumento preenchido. No 2º Ciclo, participaram nove, confirmando a estatística de, aproximadamente, 50% de abstenção no primeiro ciclo e um percentual de 10% no segundo ciclo, caracterizando o mínimo de desistência na segunda etapa. No transcorrer da técnica de Delphi espera-se índice de abstenção de 30% a 50% na primeira etapa e de 20% a 30%, na segunda (Wright & Giovinazzo, 2000).

Quanto às características dos especialistas, constatou-se que 99% são do sexo feminino, 60% profissionais enfermeiros e 40% médicos, revelando, ainda, uma predominância feminina na área da saúde.

Quanto ao tempo de formação, 40% dos especialistas concluíram sua graduação há mais de 25 anos, outros 40%, há mais de dez anos e 20% terminaram seu curso há cinco anos ou mais. Destes, 30% possuem o título de Doutores, 20% são Mestres e 50% são Especialistas (sendo que 30% destes são Mestrandos). Os especialistas, na sua totalidade, atuam na assistência e junto à temática da Sífilis Congênita. A capacitação perpassa por etapas e resulta da formação, treinamento e experiências vivenciadas pelo profissional para que ele possa exercer determinada função, além de representar o domínio de conhecimentos adquiridos ao longo desta caminhada. Quanto melhor capacitado for o profissional, maiores suas chances de serem competentes no exercício de suas funções (Martins et al., 2006).

Ciclos de Delphi
1º Ciclo da Técnica de Delphi

No primeiro ciclo, os especialistas avaliaram a construção do roteiro inicial que ancorou os objetivos propostos neste estudo, determinando se concordavam ou discordavam com as fundamentações contidas em cada etapa do mesmo. Em toda pesquisa de opinião, a obtenção de informações dos especialistas consiste em uma das etapas de maior importância no processo de avaliação. Ela deve ser realizada por meio do emprego de um instrumento eficaz e preciso, pois, do contrário, os dados obtidos podem não corresponder à percepção dos avaliadores (Freitas & Rodrigues, 2005).

Em muitas pesquisas é importante levar em conta que, às vezes, os avaliadores não querem, não sabem ou simplesmente se esquecem de responder a alguns itens do questionário (Freitas & Rodrigues, 2005). Isto se torna aceitável quando a ausência de resposta é inferior a 20% (Afifi & Elashoff, 1966). Notou-se que dois dos itens contidos no roteiro não foram avaliados por um dos especialistas, enquanto outro item não foi respondido por outro especialista, durante o 1° Ciclo da Técnica de Delphi, o que correspondeu a 20%, sendo estes modificados por valores médios.

Conforme foram sendo feitos os apontamentos dos especialistas nas devolutivas dos roteiros, os mesmos foram avaliados se eram apropriados ou não. No primeiro item, três especialistas sugeriram que fosse utilizada uma linguagem mais acessível para a população em geral no que se referia ao conceito de SC. Outros três também propuseram que a etapa número 7 fosse trocada de posição e passasse a ser a etapa 2, sendo ambas as sugestões aceitas, pois foram consideradas adequadas e modificadas no instrumento do ciclo seguinte.

É válido salientar que as pessoas frequentemente possuem opiniões e interpretações diferentes sobre os itens em avaliação. Por este motivo, é muito difícil que haja uma concordância absoluta a respeito de determinado item. Entretanto, quando os avaliadores são semelhantes em sua natureza e formação profissional (especialistas), possivelmente existirá menor variabilidade nos julgamentos (Freitas & Rodrigues, 2005).

A análise realizada sobre as devolutivas dos especialistas, referentes ao roteiro avaliado no 1º Ciclo de Delphi (Apêndice IV), foram aceitas e realizadas as alterações para ser encaminhado novamente para avaliação, após leitura criteriosa para dar seguimento à trajetória de validação do instrumento, caracterizando o 2º Ciclo de Delphi.

2º Ciclo da Técnica de Delphi

Dando seguimento à avaliação do instrumento, nesta segunda rodada, foi reenviado por e-mail aos dez especialistas participantes, o roteiro modificado com as devidas considerações apresentadas no Quadro 2, para reavaliação e aprovação.

Nove instrumentos foram devolvidos, com um percentual de abstenção de 1% (A4), equivalendo a uma taxa mínima de desistência, o que representa uma boa participação e colaboração por parte dos especialistas. Foi solicitada a devolução em 15 dias, mas, se fez necessário o aumento do prazo para trinta dias.

Neste segundo ciclo, foram avaliadas as notas dos especialistas quanto às etapas do roteiro para verificar a possível validação deste. As etapas 1, 2, 3, 4, 8, e 9 obtiveram IVC máximo de 1, as etapas 5, 6, 7 e 10 ficaram com nota 0,88, mesmo ocorrendo de três especialistas (A1, A2 e A9) não responderem um item de cada uma das etapas 5, 6 e 10, e por último, a etapa de número 11 obteve nota 0,78, por não ser respondida por um dos especialistas (A2). Conforme o IVC considerado nesta pesquisa, todas as 11 etapas do roteiro enviado no 2º Ciclo da Técnica de Delphi foram devidamente analisadas, calculadas e, posteriormente, validadas.

Nesta segunda rodada, as novas sugestões/comentários foram analisadas e incorporadas ao roteiro. Com todas as etapas validadas ao término deste ciclo, foi construído e validado o roteiro final aprovado pelos especialistas, conforme segue descrito no Quadro 2.

Quadro 2 –
Roteiro final validado pelos especialistas, com as respectivas modificações desenvolvidas após o 2° Ciclo de Delphi. Santa Maria, 2018

Roteiro do vídeo educativo sobre SC

O roteiro final contempla 11 etapas propostas para a confecção do vídeo e sua construção é original e resultante da avaliação coletiva dos especialistas e da pesquisadora, a fim de alcançar o objetivo geral deste estudo, o qual consiste na construção e validação de um vídeo educativo acerca da SC.

Conclusões

Acredita-se que o vídeo poderá ser usado como uma ferramenta educativa nas estratégias de educação em saúde para aumentar o alcance do público alvo e proporcionar um melhor entendimento da população em geral acerca da temática da SC, com fácil acesso e aplicabilidade, devido sua disponibilização online.

Por ser uma tecnologia de largo alcance, facilita a sua propagação por meio da mídia eletrônica e, desse modo, contribui cientificamente pela sua validação realizada por especialistas na área. A adesão ao seu uso nos serviços de saúde por profissionais e usuários, em especial no pré-natal, pode facilitar o processo de entendimento acerca da importância da prevenção e tratamento, modificando o cenário epidemiológico.

A construção do vídeo educativo, validado por especialistas, pode ser uma ferramenta útil nas atividades educativas desenvolvidas para promover a saúde e prevenir os agravos da SC. Por se tratar de um recurso visual e didático, o estudo traz como contribuições, a disponibilização online para o seu uso pelos profissionais de saúde nas redes de serviço, meio acadêmico e usuários do sistema. Desse modo, colabora com o ensino, a pesquisa e a assistência na área materno-infantil.

Material suplementar
Apêndices
Porcentagem de contribuição de cada autor no manuscrito


Lidiane Grutzmacher Azeredo – 30%

Claudia Maria Gabert Diaz – 30%

Martha Helena Teixeira de Souza – 15%

Regina Gema Santini Costenaro – 15%

Janete de Lourdes Portela – 10%

Referências
Afifi, A. & Elashoff, R. (1966). Missing observations in multivariate statistics. Part 1: review of literature. J Am Stat Assoc, 61(315), 596-604.
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Notas
Quadro 1 –
Roteiro inicial do vídeo, caracterizando o 1º Ciclo da Técnica de Delphi. Santa Maria, 2018.


Figura 1 –
Etapas da Pesquisa
Quadro 2 –
Roteiro final validado pelos especialistas, com as respectivas modificações desenvolvidas após o 2° Ciclo de Delphi. Santa Maria, 2018

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