Educação Empreendedora pela Experiência: O Caso do Festival de Artes Empreendedoras em Itabaiana

Entrepreneurial Education by Experience: The Case of the Entrepreneurial Arts Festival In Itabaiana

Gracyanne Freire de Araujo
Universidade Federal da Bahia - UFBA, Bahia, Brasil
Eduardo Paes Barreto Davel
Nova School of Business and Economics da Universidade Nova de Lisboa, Portugal

Educação Empreendedora pela Experiência: O Caso do Festival de Artes Empreendedoras em Itabaiana

Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas, vol. 8, núm. 1, pp. 176-200, 2019

Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas

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Recepción: 14 Mayo 2018

Aprobación: 16 Septiembre 2018

Resumo: O objetivo deste caso para ensino é suscitar uma aprendizagem sobre: a) a importância da educação empreendedora na formação profissional e no ensino superior; b) como formar educadores com sensibilidade e consciência para as necessidades e particularidades do empreendedorismo; e c) como desenvolver uma reflexão crítica sobre as pedagogias da educação empreendedora. O caso retrata a experiência de estudantes de graduação em Administração ao longo de um componente curricular na Universidade Federal de Sergipe voltado para o empreendedorismo cultural. O caso é baseado em uma pesquisa qualitativa (entrevistas, observações e documentos) de quatro componentes curriculares voltados para a educação empreendedora pela experiência ao longo de dois anos. Recorrentemente, professor e estudantes combinam teoria, prática e reflexão, o que provoca uma discussão sobre os desafios pedagógicos e experiencias da educação empreendedora.

Palavras-chave: Educação Empreendedora, Empreendedorismo Cultural, Ensino-Aprendizagem, Pedagogia Experiencial.

Abstract: The goal of this teaching case is to provoke learning about: a) the importance of entrepreneurial education in professional formation and in the high-level education; b) how to train educators with consciousness and sensibility in regard to the necessities and particularities of entrepreneurship; and c) how to develop a critical thinking about entrepreneurial education pedagogies. The case reports the experience of undergraduate students in Management during a course in the Federal University of Sergipe oriented to cultural entrepreneurship. The case is based on a qualitative research (interviews, observations, documents) of four courses driven by entrepreneurial education by experience during two years. Recursively, professor and students combine theory, practice and reflection, that provokes a discussion about pedagogical and experiential challenges of entrepreneurial education.

Keywords: Entrepreneurial Education, Cultural Entrepreneurship, Teaching-Learning, Experiential Pedagogy.

1 Caso para Ensino

1.1 Novos Horizontes

Renata é uma jovem professora da Universidade Federal de Sergipe em Itabaiana, onde leciona no curso de Administração. Nos últimos anos, a professora sentia-se incomodada e desmotivada com a metodologia tradicional de ensino que vinha utilizando no componente curricular que ministrava. Ela ensinava empreendedorismo e sempre refletia sobre a sua forma de conduzir as aulas. Renata achava suas aulas metódicas e sem muita reflexão sobre o dinamismo do ato de empreender. Eram aulas expositivas, com slides, vídeos, estudos de casos, elaboração de plano de negócios, resenhas e provas escritas.

Devido ao empreendedorismo ser um tema tão dinâmico, requer-se do ensino-aprendizagem uma atividade prática, de experiência, que tenha por objetivo formar e fomentar empreendedores. A professora questionava se essas atividades tradicionais de ensino que ela realizava realmente contribuíam para que os estudantes refletissem sobre o que é ser empreendedor pela experiência e qual a importância dessa reflexão para a vida deles.

Diante dessa inquietação, Renata começou a estudar alguns teóricos da educação que discutem sobre experiência e encontrou em John Dewey o arcabouço que precisava para mudar a forma de ensinar empreendedorismo. Durante os estudos, a professora compreendeu como a experiência vem sendo abordada por vários pesquisadores no campo do Empreendedorismo e como ela pode ser ampliada ao integrar-se nos estudos no campo da Educação. Assim, Renata conseguiu suscitar um debate interdisciplinar, com a proposta de ampliar e melhorar o entendimento do que a experiência realmente significa ou pode significar no contexto do empreendedorismo e da educação empreendedora.

Existem pesquisas que utilizam o termo experiência ou experiencial no processo de ensino-aprendizagem do empreendedorismo, só que esse termo permanece ainda superficial, sem aprofundamento. Em contrapartida, no campo da Educação, a experiência tem uma carga conceitual de teorias muito mais aprofundadas. Por isso, escolheu-se o conceito de experiência em Dewey, um teórico da Educação que possui um entendimento de experiência como vivência que se define pelas situações da vida, possibilitando reflexão e aprendizado. Diante disso, a professora teve um insight e redigiu uma proposta diferente de educação empreendedora, fundamentada na experiência. O semestre iniciou com novidades!!

No primeiro dia de aula, Renata encontrou uma turma de 30 estudantes expressando tranquilidade. Todos já conheciam a forma de ensino tradicional da professora. Ela conversou com os estudantes sobre como seria conduzido o componente curricular por meio da pedagogia da experiência, realizando a relação entre teoria e prática, ao vivenciar na prática a criação e organização de um festival cultural. Os estudantes teriam aulas expositivas, mas ao mesmo tempo, possuíam um planejamento de execução de tarefas para a gestão do empreendimento cultural. Como o foco das aulas seria sobre empreendedorismo, os estudantes aprenderiam na prática a organização de um festival cultural.

Durante essa explanação, a professora percebeu certo espanto entre os estudantes e todos ficaram sem reação. Alguns estudantes pronunciaram-se, não entendendo bem essa nova pedagogia e questionaram como aprenderiam a empreender organizando um festival cultural. A professora explicou que pela experiência, os estudantes aprenderiam, na prática, como empreender. Ou seja, eles iriam vivenciar a gestão de um empreendimento cultural, lidando com artistas, empresários, patrocinadores e o público, administrando recursos financeiros, tomando decisões, trabalhando em equipe e acima de tudo, inovando, criando soluções para problemas e sendo empreendedores.

Os estudantes mostraram-se apavorados com a proposta de Renata. A sala ficou agitada. Todos conversavam ao mesmo tempo. Os estudantes questionavam como conseguiriam organizar um festival em um semestre sem nenhum tipo de recurso financeiro. As perguntas mais frequentes eram: como seria a avaliação? Teriam provas? Eram dúvidas que deixaram os estudantes angustiados. Nas aulas que se seguiram, a professora apresentou a metodologia de ensino com mais detalhes.

1.2 Uma Nova Experiência Pedagógica

Na segunda aula, Renata apresentou o plano de aula para os estudantes de forma mais detalhada. A pedagogia utilizada em sala de aula seria a de unir teoria e prática na medida em que os estudantes empreendiam o Festival de Artes Empreendedoras de Itabaiana (FAE ITA). A organização do festival e a avaliação seriam feitas por meio das equipes de empreendimento, distribuídas entre os estudantes: recursos, marketing, logística, segurança, comunicação e transporte (alimentação). Cada equipe seria responsável por atividades para o empreendimento do festival cultural. Essas atividades seriam mediadas por um aplicativo gratuito que ajudaria na gestão de projetos, o Trello (www.trello.com). Depois que a professora explicou a pedagogia em detalhes, cada estudante escolheu a equipe que tivesse mais afinidade com as tarefas que seriam designadas. Em seguida, todos os estudantes decidiram sobre sua equipe e a professora deu uma nova explicação sobre como seriam ministradas as aulas.

A professora explicou que as aulas seriam ministradas por atividades teóricas e práticas. As aulas com temáticas teóricas seriam conduzidas por teorias sobre empreendedorismo, empreendedorismo cultural e gestão de eventos. Então, o desafio para os estudantes foi alinhar os temas do empreendedorismo e da cultura dentro do mercado da cultura e do campo da produção cultural. Tal dinâmica é considerada inovadora no campo da educação empreendedora.

As aulas práticas seriam orientadas pela prática de gestão de eventos, nas quais os estudantes iriam aprender a gerenciar o empreendimento, elaborando atividades para o empreendedorismo do festival. Durante as aulas, a professora explicou que seriam discutidos: a curadoria, os critérios de formação do público e a programação do festival. Na prática de gestão do empreendimento, o Trello seria usado como um facilitador do gerenciamento das tarefas realizadas pelas equipes.

Como muitos estudantes não estavam captando as novas informações ao mesmo tempo, a professora disponibilizou um cronograma de aulas para que os estudantes pudessem acompanhar o planejamento das aulas. Nesse cronograma, estava detalhado que em cada aula, as equipes teriam um tempo para apresentarem e debaterem sobre o avanço das atividades de organização do festival. As equipes iriam refletir sobre a relação teoria-prática e sua experiência criativa e emocional de empreender um festival.

Sobre a curadoria do festival cultural, cada equipe seria responsável por assegurar a participação de um artista sergipano e um artista de outro Estado. Além disso, as equipes teriam que mobilizar o público para participar do festival. O objetivo seria contatar e convidar estudantes do ensino médio das escolas públicas e privadas da região, além do público em geral.

No primeiro momento, os estudantes ficaram preocupados com a contratação dos artistas para participarem do festival e como organizariam tudo em tão pouco tempo e sem recursos financeiros. A professora explicou que seriam experiências como essa que fariam os estudantes aprenderem na prática. Além de que, eles seriam avaliados por meio de 5 atividades com notas.

As atividades foram divididas em 3 atividades por equipes e 2 individuais. As atividades em equipe seriam: a) plano de empreendimento; b) relatório de atividades para o empreendimento; e c) relatório de avaliação do empreendimento. As atividades individuais seriam: a) crítica colaborativa; e b) diário de bordo empreendedor. Cada atividade teve um prazo para ser entregue a professora.

No plano de empreendimento, as equipes elaborariam um planejamento para realizar as atividades quanto à participação dos artistas, formação de público e gestão do festival, aliando a proposta com a teoria de gestão de eventos estudada em sala de aula.

No relatório de atividades para o empreendimento, as equipes avaliariam o plano de ações do empreendimento, fundamentado com a teoria de gestão de eventos. Essas duas atividades seriam acompanhadas pelo aplicativo Trello. Quanto ao relatório de avaliação do empreendimento, cada equipe faria uma avaliação sobre as ações planejadas bem-sucedidas e as que não obtiveram sucesso durante o festival. Essas atividades seriam apresentadas em slides pelas equipes nos dias planejados, seguindo o cronograma de aulas. Sobre as atividades individuais, na crítica colaborativa, os estudantes refletiriam e comentariam sobre as sugestões das outras equipes para melhorarem o empreendedorismo do festival, construindo críticas construtivas que pudessem ajudar as equipes a implementarem melhor seus planos de ação. Já no diário de bordo empreendedor, os estudantes refletiriam sobre as aprendizagens para serem empreendedores. Nesse trabalho, eles relatariam textualmente como aprenderam a ser empreendedores, destacando seus aspectos criativos e emocionais. No diário de bordo empreendedor eles também apresentariam um vídeo mostrando um processo criativo que cada um vivenciou e fotos de momentos de dificuldades que enfrentaram no decorrer da organização do empreendimento.

Renata chamou a atenção dos estudantes para a data do festival, que aconteceria uma semana antes do encerramento do componente curricular. Nos últimos dias de aula, os estudantes iriam avaliar o empreendimento cultural e o componente, além de concluírem sobre o processo de ensino-aprendizagem do empreendedorismo. Nessa aula, os estudantes iriam expor suas inquietações, dificuldades e aprendizagens.

Este seria um momento de compartilharem sobre suas experiências, emoções e criatividades. Depois da explicação do método, dos objetivos do componente curricular e das avaliações, começou uma intensa euforia na sala. Os estudantes conversavam e discutiam sobre o método. A maioria achou interessante, outros estavam receosos com a novidade e outros comentavam sobre a possibilidade de trancar o componente curricular. De certa forma, Renata percebeu uma motivação generalizada para o empreendedorismo do festival.

1.3 A Experiência nas Aulas e entre as Aulas

Algumas aulas se passaram. Umas equipes estavam a todo vapor, já outras nem se quer se movimentaram. Surgiam situações inesperadas para a tomada de decisões na organização do festival. Durante os debates em sala de aula, as equipes apresentaram suas dificuldades e desafios, como conseguir um local para realizar o evento, a escolha do dia do festival e sugestões para a busca de patrocínio. A professora interveio várias vezes para orientá-los quanto às decisões a tomar. De qualquer forma, tudo era decidido por meio de amplas discussões e de votação.

Pedro, estudante da equipe de comunicação, propôs visitar alguns espaços na cidade de Itabaiana para a realização do FAE. Ele convidou os colegas para o acompanharem. Alguns membros das equipes de marketing, recursos e logística se ofereceram para ajudar na tarefa. Como alguns estudantes estavam atentos aos prazos indicados no cronograma de aulas, adiantaram-se para a busca pelo espaço.

Na semana seguinte, durante o debate em sala de aula, a comissão que se formou para a visita aos espaços para a realização do festival apresentou as dificuldades de se encontrar um local gratuito. Os estudantes disseram que receberam muitos “nãos” e que não aceitaram bem essa experiência. A professora interveio no depoimento, explicando como essa experiência demonstra ser difícil o ato de empreender, pois os estudantes estavam vivenciando o que o empreendedor enfrenta para inovar e realizar algo em que acredita. A motivação para empreender naquilo em que se acredita é um dos perfis do empreendedor. Renata explicou que os valores, as motivações humanas e a necessidade de autorrealização movem as pessoas para almejarem atividades empreendedoras. A professora indicou a leitura do livro de McClelland (1972), intitulado “A sociedade competitiva”, para que os estudantes pudessem entender melhor sobre as questões das motivações humanas para empreender. Ela explicou também que as dificuldades só estariam aparecendo e que os estudantes podiam aprender com elas e lembrou-os de registrarem essas experiências no diário de bordo empreendedor.

Em uma outra aula, o estudante Anderson, da equipe de recursos, informou a turma que anexou no Trello uma planilha orçamentária, para que todas as equipes acompanhassem as receitas e despesas do festival. Diante das despesas apresentadas por todas as equipes para a execução de suas tarefas, Anderson alertou que não teriam recursos suficientes para organizar o festival. Houve um brainstorming de sugestões para tentar solucionar o caso. O estudante Artur, da equipe de logística, sugeriu criar uma rifa de um celular. Com o dinheiro da rifa pagariam o celular e o restante ficaria para pagar as despesas do festival. Cada estudante ficaria com uma cartela da rifa e um prazo seria definido para a prestação de contas. Ao mesmo tempo em que os estudantes vendiam a rifa, divulgavam o festival.

Alguns estudantes, como Paulo, não aceitaram a sugestão, com receio de ter colegas que não venderiam a cartela e não atingir o objetivo esperado. Depois de uma ampla discussão, a professora interferiu, a proposta foi votada e o resultado foi o seguinte: todos os estudantes venderiam a cartela dentro de um determinado período. Caso não conseguissem vender a cartela inteira, o estudante prestaria contas do que conseguiu vender. Se vendesse toda a cartela, o estudante, se quiser, também poderia vender uma nova cartela ou bilhetes que foram devolvidos por um dos colegas.

A medida em que a prática era vivenciada, a teoria avançava. Renata apresentava as perspectivas teóricas do empreendedorismo, as motivações para empreender, o perfil empreendedor, a teoria sobre gestão de eventos, etc. Ela relacionou o fato ocorrido em uma das aulas quando os estudantes estavam motivados a resolverem a questão do orçamento para que o festival fosse realizado. O estudante Gustavo relatou que a leitura de um dos capítulos do livro de McClelland (1972) indicado pela professora, mostrou que entre os principais motivos que estimulam o indivíduo a agir, a necessidade de conquistas e realizações se sobressaem, e era nisso que todos estavam engajados: em realizar o festival cultural.

Professora: Na aula de hoje iremos discutir sobre as motivações para empreender. O que leva um indivíduo a empreender?

Gustavo: Desejo de realização pessoal?

Ludmilla: Independência financeira?

Anderson: Gosta de assumir riscos?

Professora: Todas essas respostas estão corretas. O empreendedor é naturalmente levado a empreender por alguma razão. Ele pode empreender por necessidade, quando não há uma alternativa de trabalho, ou por oportunidade, quando identifica uma oportunidade de negócio e pretende persistir nela.

Maria: O empreendedor por necessidade pode iniciar na informalidade?

Professora: Sim. Mas, se o empreendimento for bem sucedido, necessitará se formalizar. Já os empreendedores por oportunidade criam seus negócios de forma planejada, então, a formalização é necessária.

Artur: No Brasil, o que mais se vê é o empreendedor por necessidade. As pessoas iniciam seus negócios por falta de opção de renda. Precisam manter a família e tendem a abrir um empreendimento, pequeno, inicialmente na informalidade.

Diogo: Para ter motivação para empreender, é preciso assumir certos riscos e tomar decisões difíceis, não é?

Renata: Isso mesmo, Diogo. Os empreendedores assumem riscos calculados. Vocês já estão fazendo isso durante a organização do festival. Essa é uma forma interessante de associar a teoria com a prática. Para a próxima aula, por favor, leiam o artigo “Motivações para o Empreendedorismo: necessidade versus oportunidade”, de Vale, Corrêa e Reis (2014), para discutirmos. Tenho certeza que entenderão melhor essa relação.

A programação teórica era apresentada aos estudantes, ao mesmo tempo em que os estudantes vivenciavam a prática. Essa relação entre teoria e prática estava favorecendo os estudantes para uma aprendizagem pela experiência. Na aula seguinte, os estudantes estavam atentos a essa associação e relatavam o aprendizado dessa relação em depoimentos em sala de aula.

Marta: Professora, a indicação da leitura do artigo de Vale, Corrêa e Reis (2014) me ajudou bastante a entender a prática. O artigo trata das motivações do empreendedor, dos riscos que ele corre e dos fatores pessoais que influenciam uma pessoa a tornar empreendedor. A todo momento, estamos tomando decisões e assumindo riscos calculados, motivados pela oportunidade que nos foi apresentada pela pedagogia da experiência. Estamos aprendendo a decidir diante das circunstâncias que foram apresentadas para a organização do festival, como decidir sobre as despesas prioritárias, local e data do evento, artistas para participação do evento, etc.

Marcos: Estamos vivenciando tudo isso na organização do FAE. Ele está sendo uma ótima oportunidade para vermos se temos competências empreendedoras.

Professora: Os estudantes interessados em aprofundar melhor sobre as motivações por oportunidade x necessidade, recomendo a leitura do relatório anual do Global Entrepreneurship Monitor (GEM). O relatório tem apresentado que o empreendedor por oportunidade tem evoluído no Brasil. Além disso, o relatório traz estatísticas anuais sobre o nível de empreendedorismo nos países membros da pesquisa. Em uma determinada aula, as equipes apresentaram os relatórios de atividades para o empreendimento. A equipe de recursos apresentou o orçamento para a realização do festival, o que gerou uma polêmica na turma. Anderson apresentou a planilha com o planejamento financeiro de cada equipe e a quantia arrecadada até o momento. O orçamento não fechava. Os estudantes precisavam desenvolver novas alternativas para gerar uma soma de recursos para atender as despesas de organização do festival.

Depois da apresentação de Anderson, começou uma desavença entre Paulo e Marcos por causa do orçamento que se apresentava negativo, pois um estava apontando o erro do outro na indevida condução das tarefas. Os estudantes ficaram observando a discussão. A professora ficou constrangida com a situação e pedia, educadamente, para se acalmarem e tentarem resolver esse problema da melhor forma possível. Depois que os ânimos se acalmaram, Ludmilla teve uma ideia: vender lanches na universidade. Com isso, arrecadariam mais. Cada equipe traria um lanche, em um dia programado, para ser comercializado. As despesas do lanche ficariam por conta de cada equipe. A proposta foi aceita pela turma.

Em outra aula, mais um conflito surgiu entre as equipes de transporte (e alimentação) e a de segurança por causa da venda dos lanches, pois algumas equipes estavam desfalcadas por conta do trancamento do componente curricular de alguns membros da equipe. Isso sobrecarregaria a equipe com poucos membros.

O conflito provocou uma discussão entre os estudantes. Foi preciso a intervenção da professora, novamente, para encerrar a discussão. Depois disso, os estudantes se reuniram em equipes e debateram sobre as atividades que iriam executar a fim de realizar a atividade. Quando a aula terminou, Marina procurou a professora para compartilhar algo pessoal:

Apesar dessa confusão toda para organizar o festival e ter que dar conta dos trabalhos do componente, estou muito satisfeita com a sua pedagogia de ensino. Me tirou da zona de conforto. Nunca me senti tão produtiva. Mesmo que o festival não seja um sucesso, o esforço está sendo proveitoso. Poderia te dar um abraço para agradecer o quanto isso tudo tem me ajudado a enxergar novas habilidades que não identificava em mim?

As semanas foram avançando e a teoria ajudava os estudantes a entenderem cada vez mais a prática. Entretanto, a prática também motivava todos a quererem conhecer as teorias que ajudaria melhor entender o que estava acontecendo em suas vidas.

Artur: Professora, gostaria de relatar uma experiência interessante que estamos vivenciando com a organização do festival. Nossa rede de contatos está sendo muito útil para conseguirmos patrocínio para o FAE.

Maria: Os custos do festival seriam mais elevados se não conhecermos os fornecedores para pedir descontos ou patrocínios.

Professora: O empreendedor precisa das redes sociais para promover seu negócio. Sozinho não conseguiria criar um empreendimento com sucesso. Lembram-se dos casos de sucesso dos empresários Carlos Wizard e do Robinson Shiba, proprietário do China in Box que discutimos na aula passada? Os dois empreendedores relatam que não conseguiriam o sucesso do empreendimento sem a rede de contatos que construíram durante o desenvolvimento de seus negócios. Da mesma forma, os empreendedores culturais precisam estabelecer contatos de confiança e duradouros para desenvolverem seus empreendimentos culturais. Recomendo a leitura do artigo “As redes sociais dos empreendedores na formação do capital social: um estudo de casos múltiplos em municípios do norte pioneiro no estado do Paraná”, de Ducci e Teixeira (2011).

Depois dessa aula, foi realizada a venda de rifa e a comercialização de lanches na Universidade. Essas iniciativas foram momentos de identificação de oportunidades que os estudantes enxergavam quando executavam essas atividades e construíam sua rede de relacionamentos. Na aula depois dessas atividades de campo, Pedro deu o depoimento de como o artigo ajudou a entender melhor sobre a importância das redes sociais.

Pedro: As redes sociais estão sendo fundamentais para ampliar e fortalecer a rede de contatos com os nossos amigos, com a família, empresários e fornecedores para mobilizar o FAE.

Ludmilla: O artigo apresenta também como as redes sociais são fontes ricas de informações sobre o empreendimento. No caso do FAE, compreendo que por meio delas, as pessoas estão nos fornecendo um feedback importante para empreender melhor o empreendimento cultural.

Marta: Concluo com o artigo e com a experiência do FAE que, sem a rede de contatos os empreendedores não conseguem gerar novos negócios.

As desavenças entre alguns membros das equipes continuaram fora da sala de aula. Manoela e Marta procuraram a professora depois da aula e relataram que Paulo e Marcos não estavam se falando.

Além de reclamarem que alguns membros de suas equipes, estavam executando as atividades designadas e outros não faziam nada. Elas relataram uma sensação de estarem levando as atribuições da equipe sozinhas. Essa não era a primeira vez que a professora recebia esse tipo de reclamação de alguns estudantes. A ausência do trabalho em equipe era um dos principais dilemas que se expressava entre eles. O espírito de equipe não estava plenamente presente na turma.

A experiência das atividades de campo foi relatada na última aula antes do FAE ITA. As equipes explicaram sobre a divulgação do festival nas escolas, nas emissoras de rádios e na cidade com a distribuição de panfletos. Os estudantes demonstraram preocupação com a aparente baixa adesão do público. Embora considerem que a divulgação nas redes sociais seja suficiente, acham que as pessoas não se sensibilizam quando o evento é cultural.

Na última aula antes do FAE acontecer, os estudantes estavam eufóricos. Faltavam poucos dias. Eles estavam preocupados com a formação do público. Pendências precisavam ser resolvidas pelas equipes, como a contratação do som, da empresa de segurança e da iluminação, pois não tinham arrecadado o montante suficiente para pagar pelos serviços. A realização do festival ainda gerava dúvidas.

Em suma, os estudantes vivenciaram ações de empreendedorismo à medida em que as aulas eram ministradas pela professora, no gerenciamento dos recursos para o festival, nas contratações de fornecedores, na administração da segurança, de logística, além de terem contato direto com empreendedores na busca por patrocínio. Os estudantes foram desafiados pela professora para convidarem artistas nacionais para participarem do evento, sem recursos financeiros pré-definidos. Eles desenvolveram o senso de criatividade e alternativas para levantar fundos, custear as despesas do evento e divulgar o festival nas redes sociais e em escolas para que estudantes valorizassem a cultura e enxergassem nela uma alternativa de carreira.

1.4 A Experiência no Dia do Festival

Os membros da equipe de marketing conseguiram, gratuitamente, o salão de festas da Câmara de Dirigentes Lojistas de Itabaiana (CDL-ITA) para a realização do FAE ITA. Quando a professora chegou no local do evento às 9:00, uma parte dos estudantes já estavam presentes. Todos executavam suas tarefas e ajudavam os colegas. Imprevistos aconteciam a todo momento e os estudantes estavam tomando decisões e trabalhando em equipe. Cada um ficava responsável pela resolução de um dos imprevistos que não paravam de surgir. Aos poucos, o espaço onde aconteceria o festival estava tomando forma. Mesmo assim, já era meio-dia e tinha muito trabalho a ser feito.

Eram 17:30 e os estudantes ainda estavam decorando o espaço. Os brindes doados para serem sorteados estavam sendo embrulhados. Muitas pendências estavam sendo resolvidas. A equipe de comunicação não havia concluído o cerimonial e a equipe de segurança estava nos ajustes finais de revisão da segurança do espaço. Grande parte das tarefas estavam atrasadas. Na programação do FAE havia apresentação teatral, de dança, de quadrilhas juninas, de cantores sergipanos e de outros estados e exposições dos trabalhos dos artistas plásticos.

Com um atraso de 1 hora, o FAE ITA começou. Os estudantes estavam ansiosos. Tudo acontecendo ao mesmo tempo. As equipes posicionadas em suas responsabilidades. Havia estudantes que não estavam muito envolvidos. Esses alunos apareceram apenas no momento do festival, outros sequer apareceram. O pouco público presente se aglomerava nas apresentações musicais e teatrais. Nos intervalos das apresentações, os visitantes apreciavam os artistas que estavam expondo suas obras de arte, como quadros, desenhos e esculturas.

A professora conseguia perceber a felicidade de alguns e a frustração de outros devido aos problemas que surgiam. Alguns deles eram resolvidos, mas a maioria não. O principal problema foi a falta de público. A ausência de público culminou na frustração de grande parte dos estudantes.

1.5 A Reflexão no Pós-Festiva

A aula após o festival foi interessante. Os estudantes estavam experimentando sensações diferentes: uns animados e outros frustrados. Um clima de união e companheirismo permeava parte dos estudantes. Apesar das divergências e conflitos, a experiência demonstrou que os problemas fazem parte do processo de aprendizagem pela experiência e que a turma obteve êxito nesse processo.

Todas as equipes apresentaram o relatório de avaliação do empreendimento. Os relatórios foram apresentados e discutidos entre as equipes. As equipes concluíram que as atividades bem-sucedidas foram realizadas com planejamento prévio e dedicação. Quanto às atividades que deram errado, as equipes demonstraram que dependiam de terceiros para serem realizadas, como empresas e prestadores de serviços. Ou seja, não dependiam deles diretamente para serem executadas. Um fato que chamou a atenção foi a falta de público no festival. Antes do festival começar, os estudantes já se preocupavam com isso. Todavia, como tinham feito um trabalho de divulgação, achavam que o público seria, no mínimo, suficiente. A falta de público espantou os estudantes.

Depois das apresentações, a professora apresentou as críticas colaborativas que mais foram citadas pelos estudantes, seguindo as orientações do Trello. A rifa do celular, indicada por Artur da equipe de marketing; a venda de lanches, sugerida por Ludmilla da equipe de segurança; a decoração da mesa de comidas típicas no evento, iniciativa de Barbara da equipe de transporte (e alimentação); a sugestão do local do evento, feita por John da equipe de comunicação; e a arte do festival criada por Renée e Júlia, da equipe de marketing. Feita a contabilização, sobraram R$ 200,00. A turma decidiu doar o dinheiro para uma colega de classe que estava passando por um tratamento de saúde grave. Depois dessa avaliação do festival, os estudantes foram solicitados pela professora para fazerem uma reflexão do processo de aprendizagem pela experiência. Todos queriam falar e expressar suas emoções.

O processo de aprendizagem na relação teoria-prática foi muito citado entre os estudantes em seus diários de bordo empreendedor.

Maria: Professora, esse foi o único componente curricular, no curso de Administração, que se utilizou da prática no processo de ensino-aprendizagem. Foi o único em que eu tive a oportunidade de viver uma experiência inovadora de gestão.

Paulo: Gostaria de dar um depoimento sobre o que vivenciei e aprendi. Para mim, a venda de lanches na Universidade foi um momento ímpar. Desenvolvi habilidades que não conhecia. Com o contato direto com um público, pude vender, negociar, fazer novas amizades.

Matheus: Esse dia foi um divisor de águas. Durante a atividade, todos se uniram, se engajaram, algumas desavenças foram superadas e a turma trabalhou junta em prol do festival.

Ludmilla: Para mim, a aprendizagem por meio da prática, da experiência, da vivência, me ajudou a refletir sobre minhas ações e a reconhecer que tenho perfil para empreender.

Artur: Já para mim, a importância da relação teoria-prática me ajudou a ser um ser humano melhor. Aprendi com os erros. Mas cheguei à conclusão de que não tenho perfil empreendedor.

Márcia: Aprendi na prática como trabalhar em equipe, a planejar, organizar o meu tempo, já que trabalho e estudo.

Cintia: Aprendi a ter paciência, ouvir a opinião dos outros, a respeitar o tempo do outro. Cada um tem o seu jeito, que precisa ser respeitado.

Marcos: Aprendi a ouvir “não”, a enfrentar a timidez e a colocar em prática as funções da administração.

Tadeu: Aprendi a ser empreendedor por meio da prática. Desenvolvi habilidades pessoais e competências. Acho que estou mais preparado para enfrentar o mercado de trabalho.

Pedro: Eu desenvolvi a criatividade e controlei melhor minhas emoções. Aprendi a enfrentar os medos, as dificuldades. Melhorei minha autoestima.

Júlia: Essa pedagogia não me trouxe um aprendizado importante. Pela experiência não aprendi nada.

Barbara: Comigo também. Não consegui enxergar um aprendizado importante do que é empreender pela experiência.

Os estudantes finalizaram as aulas com uma nova mentalidade em relação ao entendimento do que é ser empreendedor, quem quer ser ou não empreendedor, mas também do autoconhecimento, quando afirmam que se tornaram pessoas melhores. A experiência humana permite despertar novos desejos dos estudantes e que isso faz parte da educação: as narrativas dos estudantes sobre estarem preparados ou não para empreenderem, estarem motivados em cursar Administração e enxergarem no curso novos horizontes profissionais.

2 Notas de Ensino

2.1 Sinopse

Renata, professora universitária que ministra um componente curricular sobre empreendedorismo, estava incomodada com seus métodos tradicionais de ensino. Ela decidiu mudar radicalmente sua forma de ensino, trilhando uma nova experiência em que estudantes e professora se aproximam da prática, da inovação, da criatividade e da provocação para estimular o empreendedorismo. O processo é novo e não deixa de causar incômodo, preocupação, surpresa e satisfação entre os estudantes.

A professora enfrentou conflitos entre estudantes. Teve que apaziguar discussões, ouvir comentários maldosos de estudantes quanto ao comportamento de colegas. Em certos momentos, ela sentiu-se incomodada quando os estudantes, inicialmente, não levavam a sério as aulas, achando que seria simplesmente a organização de uma “festa”. Havia também situações que geravam preocupação quando percebia os estudantes desmotivados durante as aulas, sem um verdadeiro compromisso com a entrega de trabalhos no prazo e ausência nas aulas. Certos trabalhos das equipes não eram apresentados conforme as instruções propostas pelo cronograma. Ao mesmo tempo em que ela era surpreendida por estudantes que mudavam o comportamento no decorrer do semestre letivo, eram tímidos, calados e depois iam mostrando desenvoltura, resolvendo problemas, tomando decisões. A professora sentia uma certa satisfação em ver os estudantes motivados, felizes em organizarem um empreendimento, como se aquilo pertencesse a eles.

O trabalho em equipe sempre foi um problema entre os estudantes. Eles tinham certa dificuldade em trabalharem uns com os outros. Outra importante aprendizagem foi saber receber um “não”. Isso causava constrangimento para os estudantes. Mas eles foram se superando, criando alternativas para enfrentá-lo. Saber administrar o tempo foi uma grande surpresa para os estudantes. Ao conseguirem gerenciar todas as tarefas, isso foi se revertendo em fonte de satisfação para os estudantes, que identificavam suas forças e competências.

2.2 Objetivos Educacionais

O caso para ensino permite alcançar os seguintes objetivos educacionais:

· Entender a importância da educação empreendedora na formação profissional e no Ensino Superior;

· Formar educadores com sensibilidade e consciência para as necessidades e particularidades do empreendedorismo;

· Discutir e desenvolver uma reflexão crítica sobre as pedagogias da educação empreendedora.

2.3 Fonte de Dados

O caso é construído a partir de um estudo de caso do componente curricular Iniciação Empresarial, lecionado no curso de Administração da Universidade Federal de Sergipe durante 4 semestres letivos.

O componente curricular conjuga leituras teóricas com a realização de um festival de artes empreendedoras a ser disponibilizado para a comunidade. A realização do festival cultural é a experiência que convida os estudantes a experimentarem o empreendedorismo e se pensarem como empreendedores.

Os dados foram coletados a partir da observação direta, documentos, vídeos e entrevistas semiestruturadas. Os debates em sala de aula sobre os avanços das atividades de organização do festival foi um momento em que ocorreu a observação direta sobre como os estudantes estavam trabalhando em equipes. A temática ensino-aprendizagem por meio da prática do empreendedorismo permitiu um detalhamento das informações coletadas, além do acesso à professora no campo para a coleta de informações informais e em profundidade ao longo do processo de ensino-aprendizagem. Os nomes e informações presentes não são reais, apesar de suas ações, experiências e práticas serem extraídas das informações do estudo de caso.

Quanto à documentação, os estudantes produziram “trabalhos de reflexão”. São trabalhos que constam a experiência de cada equipe quanto à elaboração do plano do empreendimento (descrição das responsabilidades iniciais para a organização do evento, fundamentando-as com a teoria sobre gestão de eventos e empreendedorismo) e do relatório de atividades para o empreendimento (avaliação das ações do plano de empreendimento).

Além desses trabalhos, os estudantes produziram, individualmente, um trabalho de crítica colaborativa e um diário de bordo empreendedor. A crítica colaborativa foi um trabalho em que cada estudante refletiu e elaborou críticas detalhadas e construtivas, que ajudaram as equipes a reverem seus planos e a melhorarem suas práticas de gestão do empreendimento. O diário de bordo empreendedor foi um relato textual desenvolvido pelos estudantes durante o experimento de ensino-aprendizagem do empreendedorismo ao longo do componente curricular.

Os vídeos contribuíram para uma produção seletiva do que foi documentado por meio da experiência empreendedora dos estudantes. Para atender esse aspecto importante da pesquisa através do vídeo, a professora solicitou aos estudantes (individualmente) a produção de um relato audiovisual apresentando momentos em que eles se sentiram realizados através do processo de criatividade. Ou seja, os estudantes filmaram os momentos mais criativos durante a organização do empreendimento (festival). Cada vídeo teve o tempo médio de 5 minutos. Esses momentos contribuíram para uma reflexão sobre ser empreendedor, pois os estudantes apresentaram como eles aprenderam a ser empreendedores através da criatividade.

As entrevistas semiestruturadas foram realizadas com o coletivo de estudantes em cada componente em um momento de reflexão em sala de aula depois da realização do festival. As entrevistas grupais ajudaram na reflexão sobre a criatividade como fundamento de aprendizagem empreendedora, além de os estudantes discutirem sobre a experiência empreendedora de organizar o festival.

O relato fotográfico que compôs o diário de bordo empreendedor foi desenvolvido pelos estudantes em cada semestre letivo. Os estudantes foram orientados a fotografarem momentos de dificuldades baseados nos desafios emocionais de ser empreendedor.

2.4 Uso Pedagógico Sugerido

Este aso pode ser explorado por educadores de diversas organizações públicas ou privadas. Pode também ser utilizado no contexto de cursos de graduação e pós-graduação em Administração e de outros cursos que possuam componentes curriculares voltados para o empreendedorismo para estimular o espírito empreendedor e formador entre os estudantes.

Para o uso do caso em sala de aula, muitos usos são possíveis. Uma sugestão inclui as seguintes atividades, que podem ser realizadas em uma ou em várias aulas:

1. Dividir a sala em grupos para a leitura do caso;

2. Sugere-se que o professor solicite aos estudantes a leitura prévia dos textos de Vale (2014) e Lima, Hashimoto, Melhado e Rocha (2014) para a elaboração, por equipe, de uma resposta para a Questão #1, a ser apresentada para a turma. Esses textos podem ser trocados pelos que o professor desejar;

3. Apresentação das respostas que cada equipe elaborou para a Questão #1, com discussões realizadas logo após a apresentação de cada equipe ou no final de todas as apresentações;

4. Sugere-se que o professor solicite aos estudantes a leitura prévia do texto de Silva e Pena (2017) para a elaboração, por equipe, de uma resposta para a Questão #2, a ser apresentada para a turma. Esses textos podem ser trocados pelos que o professor desejar;

5. Apresentação das respostas que cada equipe elaborou para a Questão #2, com discussões realizadas logo após a apresentação de cada equipe ou no final de todas as apresentações;

6. Sugere-se que o professor solicite aos estudantes a leitura prévia dos textos de Dewey (1971 - capítulo 1) e Dewey (2010- capítulo “Ter uma experiência”) para a elaboração, por equipe, de uma resposta para a Questão #3, a ser apresentada para a turma. A leitura de Dewey é indicada para ampliar, aprofundar e completar o entendimento sobre o papel da experiência no empreendedorismo e na educação empreendedora. Porém, outros textos podem ser utilizados para discutir essa questão, tratando a noção de experiência de forma mais aprofundada e ampliada a partir das pesquisas sobre ensino-aprendizagem do empreendedorismo. Pode-se dividir as equipes em dois grandes grupos. Cada parte das equipes trabalha com um texto de Dewey, para evitar que uma mesma equipe tenha que ler e trabalhar com dois textos ao mesmo tempo;

7. Apresentação das propostas que cada equipe desenvolveu a partir da Questão #3, com discussões realizadas logo após a apresentação de cada equipe ou no final de todas as apresentações.

2.5 Questões para Discussão

Questão #1 – O empreendedor e a educação empreendedora: Que concepções de empreendedor e ações de educação empreendedora predominam no caso? Descreva, discuta e fundamente.

Questão #2 – Práticas pedagógicas no ensino-aprendizagem do empreendedorismo: Quais são as principais práticas pedagógicas apresentadas no caso? Quais são seus sentidos e valores no decorrer do processo de ensino-aprendizagem no caso? Descreva, discuta e argumente.

Questão #3 – Ensino baseado na experiência: Qual é a importância do processo experiencial na melhoria da aprendizagem empreendedora proporcionada no caso? Explique, reflita e embase.

2.6 Análise e Discussão do Caso

2.6.1 Questão #1 – O empreendedor e a educação empreendedora: Que concepções de empreendedor e ações de educação empreendedora predominam no caso? Descreva, discute e fundamente.

As concepções de empreendedor que predominam no caso dizem respeito às vertentes econômica, sociológica, psicológica e da inovação, discutidas por Vale (2014):

a) Na vertente econômica ( Baumol, 2010; Knight, 2009; Kirzner, 1979), o empreendedor toma decisões em situação de incerteza. O empreendedor mantém-se em estado de alerta para identificar oportunidades. No caso, os estudantes estavam constantemente alertas quanto à identificação de oportunidades para a busca de patrocínio, fortalecendo contatos com empresários e promovendo o festival. Qualquer oportunidade que os estudantes tinham com os empresários, explicavam sobre o FAE para solicitar algum tipo de ajuda para a divulgação ou pagamento de despesas com artistas;

b) Na vertente da inovação (Schumpeter, 1991), a perspectiva do empreendedor é a de um ator coletivo. Os estudantes configuraram-se como empreendedores que trabalhavam coletivamente quando agiam e tomavam decisão em coletivo em prol do FAE. Mesmo que alguns estudantes conduziam as atividades mais que outros, a exemplo das críticas que a professora recebeu de alguns estudantes da equipe que não estavam colaborando, as decisões eram sempre tomadas em coletivo. O grupo trabalhou unido para a concretização do festival;

c) Para a vertente psicológica (MCclelland, 1972), o empreendedor possui a necessidade de realização, pois é motivado a empreender. No início, os estudantes estavam desmotivados com a nova atividade pedagógica. Depois, tomaram o empreendimento como se fosse deles. Havia uma necessidade de realização do evento, de algo pertencente a eles que queriam que fosse realizado. No encerramento do componente curricular, muitos estudantes estavam motivados pela organização do festival e felizes, já outros estavam frustrados com o resultado do evento;

d) A vertente sociológica (Weber, 1958) ressalva as relações pessoais como necessárias e importantes para o empreendedor identificar a oportunidade e executá-la. O caso apresentado mostra que entre estudantes, patrocinadores, fornecedores e artistas foram estabelecidas relações em prol de um evento cultural e gratuito. A necessidade de inserção social e de afiliação de grupos sociais é uma característica presente no empreendedor. Trata-se também da relação entre empreendedorismo e cultura, denominado de empreendedorismo cultural, com foco na produção e transformação de valores culturais na esfera social por meio de novos empreendimentos (Davel, & Corá, 2016).

e) Vale destacar que, diante da importância que a cultura possui nas economias contemporâneas e a força que o empreendedorismo expressa dentro da formação do trabalho na sociedade brasileira ( Davel, & Corá, 2016), esses temas precisam necessariamente serem discutidos e aprimorados no Ensino Superior, bem como na educação empreendedora. Nesse sentido, o caso apresentado traz um convite a esse tipo de reflexão para os estudantes.

No caso, as ações de educação empreendedora que predominam revelam uma contribuição importante sobre a prática de educação empreendedora em uma Instituição de Ensino Superior. Lima et al. (2014) descrevem que a educação empreendedora gera efeitos positivos para a autoeficácia dos estudantes, estimula o comportamento empreendedor e diferentes competências úteis para se empreender. O caso apresenta tais características quando os estudantes estão organizando o festival. Eles desenvolveram o potencial empreendedor, mobilizando-se para empreender o festival cultural.

Lima et al. (2014) argumentam que a educação empreendedora no Brasil está presa aos paradigmas que privilegiam mais a formação e transmissão de conhecimento do que a atividade prática.

O caso fornece uma resposta a essa crítica quando ressalta a atividade prática, a aprendizagem pela experiência, momento em que os estudantes empreendem, na prática, o festival cultural, incluindo a relação com a sociedade nessa equação. Para Lima et al. (2014), as características pessoais e as habilidades para empreender podem ser geradas e aperfeiçoadas com a educação empreendedora. O caso demonstra isso. No pós-festival, os estudantes relatam que desenvolveram habilidades pessoais e competências durante a relação teoria e prática.

Hjorth (2011) pode ajudar nessa discussão sobre educação empreendedora promovendo uma reflexão sobre quais são os objetivos de vida pessoal e profissional dos estudantes. Em seu artigo, Hjorth (2011) descreve sobre a importância de provocar os estudantes e de proporcioná-los uma experiência de vida, em que sejam provocados a agirem e refletirem sobre suas ações através da experiência empreendedora. O caso apresenta uma perspectiva engajada de ensino em que provoca e desafia os estudantes a refletirem sobre suas ações, tanto durante as aulas, quanto no momento de encerramento do componente curricular.

2.6.2 Questão #2 – Práticas pedagógicas no ensino-aprendizagem do empreendedorismo: Quais são as principais práticas pedagógicas apresentadas no caso? Quais são seus sentidos e valores no decorrer do processo de ensino-aprendizagem no caso? Descreva, discuta e argumente.

Silva e Pena (2017) apontam os principais métodos e práticas de ensino adequados à educação empreendedora. Esses autores citam Kassean et al. (2015), que descrevem que o sucesso da educação empreendedora depende principalmente da definição dos objetivos de aprendizagem e da compreensão das intenções dos estudantes para se criar um programa ou processo de ensino por meio de recursos que privilegiem a prática experimental. O caso apresenta essa prática experimental. A professora propõe uma aprendizagem pela experiência, por meio da relação entre teoria e prática na organização de um festival cultural.

Para o desenvolvimento efetivo de habilidades pessoais e gerenciais, os métodos de ensino devem ser voltados à ação, baseados na experiência e de caráter vivencial (Guimarães, 2002).

Nesse sentido, o caso apresenta momentos em que cada estudante vai propondo novas ideias diante das dificuldades que se apresentam, desenvolvendo assim certas habilidades. Para Silva e Pena (2017), as aulas de empreendedorismo devem ser ministradas por meio de ações que possibilitem a participação dos estudantes, de modo a desafiá-los através de trabalhos práticos, mantendo contato com pessoas que já praticam o empreendedorismo. Podemos perceber essa concepção neste caso. Cheung e Au (2010) ressaltam que as aulas de educação empreendedora não devem centrar-se em livros didáticos, mas devem permitir a experiência prática dos estudantes por meio do contato com o contexto efetivo dos empreendedores.

O livro de Neck, Neck e Murray (2018) contribui para o entendimento do empreendedorismo como um método composto por um conjunto de práticas, de etapas de aprendizagem, de interatividade, de criatividade, com foco na ação, no investimento para aprender e na atividade colaborativa. Trata-se de uma nova concepção de educação empreendedora, na qual os estudantes passam a ter uma mentalidade empreendedora voltada para o desenvolvimento do autoconhecimento, promovendo uma mudança nos modos de expressar-se e de agir. Este caso se alinha com essa concepção.

2.6.3 Questão #3 – Ensino baseado na experiência: Qual é a importância do processo experiencial na melhoria da aprendizagem empreendedora proporcionada no caso? Explique, reflita e embase.

A experiência, no contexto da educação empreendedora, aparece de forma diferente nas pesquisas. Uma forma refere-se à experiência como um meio pedagógico de mudar o ensino universitário tradicional (baseado em modos passivos de aprendizagem) para um ensino com contato mais próximo entre os estudantes e o mundo dos negócios ( Kozlinska, 2011). Nesse sentido, a experiência na educação empreendedora refere-se ao planejamento de negócios, a participação em jogos e simuladores empresariais, experimentando o exercício da negociação, desenvolvendo produtos e criando oportunidades de negócios ( Gartner, & Vesper, 1994). Esse tipo de experiência tem o objetivo de orientar os estudantes a se tornarem empreendedores, criando seus próprios negócios e fomentando a economia.

Outra forma de entender a experiência advém do campo da educação. Nessa perspectiva educacional, a experiência refere-se ao sentido de necessidade de vida social, importante para o processo educativo e para o desenvolvimento do indivíduo (Dewey, 1971). Trata-se da educação empreendedora com foco na experiência como uma vivência, em que o indivíduo interage com o meio em que está inserido, desenvolvendo habilidades pessoais, aprendendo com as suas ações e situações do cotidiano, tornando-se uma pessoa melhor e mais competente. Dentro dessa concepção de experiência, os estudantes podem ter uma compreensão mais ampla, em que o empreendedorismo envolve os negócios e a vida para além dos negócios. Ou seja, a experiência ultrapassa as simulações e experimentos controlados em sala de aula. Essa compreensão ajuda a avançar no entendimento do ensino e da aprendizagem do empreendedorismo.

Para compreender melhor essa noção de experiência, Dewey é o que proporciona uma teoria educacional rica. O conceito de experiência é discutido por Dewey (2010) como uma experiência que se delineia pelas situações e episódios que ficam registradas na memória e que, assim, ocorrem os aprendizados.

No caso estudado, podemos mergulhar e melhor entender essa segunda concepção de aprendizagem, apoiada pelo conceito de experiência oriundo da educação e em específico da teoria de Dewey. Por exemplo, os estudantes narram que se tornaram seres humanos melhores quando afirmaram que o trabalho em equipe, a tomada de decisão em grupo, o respeito ao próximo e a resiliência ajudaram a avançar nas tarefas do festival, sentindo-se mais habilitados para desenvolverem habilidades específicas e, consequentemente, mais preparados para o mercado de trabalho.

Os estudantes referem-se a algumas situações afirmando: “isso é que foi experiência”. São situações ou episódios da organização do festival que se tornaram experiências efetivas, tais como: a) um estudante pediu patrocínio a empresários e recebeu um “não” como resposta; b) outros estudantes negociaram com prestadores de serviços e artistas que não compareceram ao festival; c) outros tiveram que gerenciar conflitos entre colegas e desenvolverem novas ideias para resolverem problemas. Com essas situações, os estudantes aprenderam que nem tudo pode sair como planejado, que a improvisação ajudou a resolver os imprevistos e que podem praticar a criatividade e controlar as emoções. Essas situações são experiências que ativaram a aprendizagem dos estudantes com base na experiência.

A aprendizagem pela experiência requer uma relação entre teoria e experiência. Por exemplo, a teoria de Vale, Corrêa e Reis (2014), sobre a importância da motivação para o empreendedor obter o sucesso, foi ativada e ativou a experiência. Os estudantes passaram por um encadeamento de experiências diferentes em que uma dependia da outra para a concretização do festival cultural e a realização do empreendimento. Um episódio que surgiu em sala de aula e que permitiu que a prática estimulasse a leitura aconteceu quando a experiência com as redes sociais dos estudantes ampliou a rede de contatos e facilitou o trabalho pela busca por patrocínios. A teoria de Ducci e Teixeira (2011) fundamentou esse entendimento, demonstrando a relevância das redes sociais empreendedoras para o sucesso do empreendedor. A experiência vivenciada pelos estudantes despertou o interesse de discutir o texto e melhorar o entendimento não só conceitual-teórico, mas na realidade prática.

Na experiência, segundo Dewey (2010), há início, desenvolvimento e consumação. Isso aconteceu com os estudantes quando iniciaram um processo de organização, gerenciamento e concretização do festival. Na visão de alguns estudantes, o festival foi um sucesso, mesmo pela falta de público e imprevistos não resolvidos. Para outros, a experiência foi frustrante. Ao dar continuidade ao entendimento de Dewey, Kolb (1984) defende uma proposta conceitual de aprendizagem baseada na experiência que ocorre ao longo da vida. Para Kolb (1984), a aprendizagem pela experiência é um estágio duradouro e estável, que surge de aspectos conscientes das combinações do indivíduo com o meio em que está inserido. As experiências entre os estudantes e o meio foram relatadas por todos durante a prática do componente curricular, em contato com colegas dentro do trabalho coletivo, negociando com empresários, artistas e mobilizando o público.

Pode-se encontrar outras perspectivas de entendimento da relação entre experiência e aprendizagem, além dessas duas mencionadas acima (experiência restrita ao negócio e experiência para além do negócio). Por exemplo, o estudo de Cope e Watts (2000) analisa o processo de aprendizagem empreendedora pela experiência que intermedia a relação entre os processos pessoais e o desenvolvimento de negócios. Pittaway e Cope (2007) estudam a falta de consenso nas pesquisas sobre o que é o empreendedorismo e a educação empreendedora na prática. Krakauer, Santos e Almeida (2017) desenvolvem um modelo conceitual de competências empreendedoras e os processos de aprendizagem empreendedora com estudantes em sala de aula.

Agradecimientos

Agradecemos o apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) na realização desta pesquisa. Os avaliadores merecem nosso pleno reconhecimento pelos estímulos que nos ofereceram na melhoria deste artigo.

3 Referências

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