Cartas ao Editor

Bacilão vacilão: uma mascote de amigurumi para educação em tuberculose

Bacilão vacilão: an amigurumi mascot for tuberculosis education

Bacilão vacilão: una mascota amigurumi para la educación sobre la tuberculosis

Mariana Quaresma de Souza
Universidade Federal do Rio GrandeBrasil
Dienefer Venske Bierhals
Universidade Federal do Rio GrandeBrasil
Yasmin Castillos das Neves
Universidade Federal do Rio GrandeBrasil
Jéssica Quaresma da Rosa
Universidade Federal do Rio GrandeBrasil
Ana Júlia Reis
Universidade Federal do Rio GrandeBrasil
Andrea von Groll
Universidade Federal do Rio GrandeBrasil
Pedro Eduardo Almeida da Silva
Universidade Federal do Rio GrandeBrasil
Ivy Bastos Ramis
Universidade Federal do Rio GrandeBrasil

Bacilão vacilão: uma mascote de amigurumi para educação em tuberculose

Revista de Epidemiologia e Controle de Infecção, vol. 15, núm. 2, pp. 110-112, 2025

Universidade de Santa Cruz do Sul

Recepción: 20 Diciembre 2024

Aprobación: 10 Marzo 2025

Ações de educação e promoção em saúde são fundamentais para a conscientização da população sobre autocuidado, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida. Essas iniciativas desempenham um papel relevante para o controle de doenças infecciosas, como a tuberculose (TB).1 O Brasil é um dos países com maior índice de TB no mundo, e em 2023, foram estimados cerca de 80 mil novos casos da doença.2,3 Dessa forma, estratégias nacionais de educação em saúde se alinham ao “Plano Nacional pelo Fim da TB” e ao “Programa Brasil Saudável – Unir para Cuidar", do Ministério da Saúde, e ao propósito social de controle da doença, visto que a TB é uma enfermidade associada a determinantes sociais, com maior prevalência em pessoas de baixa renda e menor escolaridade e em pessoas em situação de vulnerabilidade, como as privadas de liberdade, em situação de rua e vivendo com HIV/Aids.2

Buscando uma forma lúdica e acessível para abordar a TB em ações de educação em saúde, o Núcleo de Pesquisa em Microbiologia Médica da Universidade Federal do Rio Grande (NUPEMM-FURG), em Rio Grande, Rio Grande do Sul (RS), desenvolveu uma mascote nomeada “Bacilão Vacilão”. A mascote foi confeccionada em crochê, seguindo o estilo amigurumi. O termo amigurumi é definido por “boneco de crochê” e seu uso já foi demonstrado como promissor no ensino em saúde.4 O amigurumi desenvolvido pelo NUPEMM-FURG foi inspirado no bacilo Mycobacterium tuberculosis, agente etiológico da TB, quando visualizado por microscopia, após coloração de Ziehl-Nielsen. Sua coloração rosa, seu tamanho aumentado e seus aspectos humanizados foram idealizados para atrair visualmente o público (Figura 1).

Imagem ilustrativa da mascote "Bacilão vacilão", destacando suas dimensões, cores e formatos específicos, utilizado para fins didáticos, em Rio Grande, Rio Grande do Sul, 2024.
Figura 1
Imagem ilustrativa da mascote "Bacilão vacilão", destacando suas dimensões, cores e formatos específicos, utilizado para fins didáticos, em Rio Grande, Rio Grande do Sul, 2024.

Estratégias envolvendo o uso de textos, ilustrações e conteúdo audiovisual podem servir para informar os principais conceitos relacionados à TB, uma vez que estes podem ser disseminados por meio de redes sociais ou demonstrados em ações de promoção da saúde.5 A mascote de amigurumi, dessa forma, pode auxiliar na explicação sobre a etiologia da doença e sobre a transmissão do bacilo, facilitando a popularização de informações básicas sobre a TB. “A TB pode ser transmitida?”. A partir de uma pergunta simples e com o auxílio do Bacilão Vacilão, pode-se desenvolver um diálogo iniciado sobre o que é uma bactéria e como vê-la no microscópio, se estendendo até em como o M. tuberculosis afeta os pulmões, abrindo margem para explicações sobre a tosse como um dos principais sintomas da doença, por exemplo. No entanto, destacamos que até o momento não foi relatado o uso da técnica de amigurumi para esse propósito, sendo “Bacilão Vacilão” uma ferramenta inovadora que poderá ser replicada em diferentes cenários.

Atualmente, o Bacilão Vacilão vem sendo utilizado pelo NUPEMM-FURG em ações voltadas para a comunidade local, no município do Rio Grande, prioritário para o controle da TB no RS. Com 40 casos novos de TB a cada 100 mil habitantes, destacamos que esse estado apresenta um coeficiente de incidência superior à média nacional (37 casos novos de TB a cada 100 mil habitantes). Rio Grande, por sua vez, está entre os dez municípios prioritários para o controle da doença no RS, com 71,4 casos de TB a cada 100 mil habitantes em 2023.2,6 Apesar desse cenário, reconhece-se que ações de educação em saúde voltadas à TB ocorrem em baixa frequência no estado.1

Esta carta ao editor apresenta uma ferramenta didática e inovadora para a popularização de conhecimento sobre a TB, e reconhece a necessidade de fortalecimento de ações de educação e promoção da saúde focadas na doença. Previamente, o Bacilão Vacilão foi utilizado em ações extensionistas e de promoção da saúde em escolas da rede pública do município de Rio Grande e em atividades voltadas aos alunos de graduação da FURG, com a colaboração do Programa “Ciência na Cidade, Ciência na Vida”, da própria universidade. Além disso, foi apresentado a professores da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da região sul do estado por meio do Projeto "Quebrando Barreiras - Comunidade Carcerária contra Tuberculose e Hepatite C", promovido pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão com Foco no Sistema Prisional (NUPESISP), da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Nesses diferentes cenários mencionados, a mascote foi recebida com entusiasmo, promovendo diálogos sobre a TB.

Portanto, como perspectivas futuras, destaca-se o uso da mascote por educadores, em ações voltadas a alunos do ensino fundamental e médio de escolas públicas e privadas da região sul do RS. Entende-se que as crianças e os adolescentes alcançados pelas ações a serem desenvolvidas poderão atuar como multiplicadores do conhecimento sobre a TB em seus círculos sociais. Além disso, as ações em escolas almejam alcançar o público adulto, por meio da EJA em estabelecimentos prisionais, uma vez que se trata de uma população de risco para o desenvolvimento da TB.

O uso da mascote também poderá servir de inspiração para ações no âmbito nacional, resultando na criação de protótipos similares e no incentivo à educação em saúde. Ademais, a mascote proposta é resultado de um projeto de extensão (EXT – 2114) desenvolvido na FURG e reflete a responsabilidade de pesquisadores, engajados no combate à TB, de adaptar os seus conhecimentos sobre a doença com o objetivo de disseminá-los de forma compreensível à comunidade. Dessa forma, destaca-se que, a extensão universitária, um dos pilares da tríade ensino-pesquisa-extensão do ensino superior brasileiro, atua no desenvolvimento de práticas educativas por meio da integração do conhecimento técnico-científico da academia com o conhecimento popular, sendo uma ferramenta importante para a promoção da saúde.7

Agradecimentos

Os autores agradecem pelo apoio financeiro da Universidade Federal do Rio Grande – FURG (Edital ProExtensão 2023) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil – CAPES (Código Financeiro 001).

REFERÊNCIAS

1. Kessler M, Thumé E, Duro SMS, et al. Ações educativas e de promoção da saúde em equipes do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica, Rio Grande do Sul, Brasil. Epidemiol Serv Saúde 2018; 27 (2):e2017389. https://doi.org/10.5123/S1679-49742018000200019

2. BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico - Tuberculose 2024. Brasília: Ministério da Saúde; 2024; 67 p. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/boletins-epidemiologicos/2024/boletim-epidemiologico-tuberculose-2024/view

3. World Health Organization. Global Tuberculosis Report 2023. Geneva: World Health Organization; 2023; 57 p. Disponível em: https://www.who.int/teams/global-tuberculosis-programme/tb-reports/global-tuberculosis-report-2023

4. Kırkan Ç, Kahraman A. Effect of therapeutic play using a toy nebulizer and toy mask on a child’s fear and anxiety levels. J Pediatr Nurs 2023; 73:e556– 62. https://doi.org/10.1016/j.pedn.2023.10.033

5. Ni S, Wang J, Li X, et al. Assessment of health promotion action for tuberculosis of end tuberculosis action plan (2019–2022) in China. BMC Public Health 2024; 24(1):2051. https://doi.org/10.1186/s12889-024-19413-w

6. BRASIL. DATA SUS TabWeb - Casos de tuberculose desde 2001 [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde. 2024. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/acesso-a-informacao/casos-de-tuberculose-desde-2001-sinan/

7. Santana RR, Santana CCAP, Neto SBC, et al. Extensão universitária como prática educativa na promoção da saúde. Educ Real 2021; 46(2):e98702. https://doi.org/10.1590/2175-623698702

Información adicional

redalyc-journal-id: 5704

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