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A atuação profissional de enólogos do IFRS Campus Bento Gonçalves no enoturismo brasileiro

The professional performance of oenologists of IFRS Campus Bento Gonçalves in brazilian wine tourism

El desempeño profesional de los enólogos del IFRS Campus Bento Gonçalves en el turismo brasileño del vino

Hernanda Tonini
Instituto Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
Gabriela Agostini Coppini
Instituto Federal do Rio Grande do Sul, Brasil

A atuação profissional de enólogos do IFRS Campus Bento Gonçalves no enoturismo brasileiro

Desenvolvimento Regional em Debate, vol. 10, pp. 774-788, 2020

Universidade do Contestado

Recepção: 13 Junho 2020

Aprovação: 29 Junho 2020

Resumo: Este trabalho objetiva analisar a atuação profissional dos técnicos e tecnólogos em Viticultura e Enologia egressos do IFRS Campus Bento Gonçalves, e sua relação com atividades de enoturismo. Trata-se de um estudo descritivo-exploratório, mediante questionário online, contendo questões abertas e fechadas sobre aspectos sociodemográficos, formação e atuação profissional. A amostra corresponde a 91 participantes que concluíram o curso entre 2011 a 2017, sendo N = 322. As estatísticas descritivas aplicadas identificaram as principais atividades executadas pelos respondentes, que incluem a elaboração e análise de vinhos, recepção e atendimento a turistas, guiamento em visitas, varejo e comercialização. Dos participantes, 75 % acompanharam visitantes em degustações, mas apenas 59 % indicaram ter trabalhado com atividades enoturísticas. O técnico em Viticultura e Enologia é visto como um profissional que deve atuar no enoturismo em vinícolas, seguido pelo turismólogo e pelo enólogo. Todos consideraram relevante aprender sobre enoturismo; entretanto, 68 % indicaram que a instituição de ensino não oportunizou conhecimentos na área. Constata-se que os enólogos têm papel substancial no desenvolvimento do turismo de vinhos, apesar de não disporem de grade curricular que oferte conhecimentos teórico-práticos enriquecedores à qualificação, cabendo às instituições de ensino adaptarem seus currículos frente à demanda do mercado de trabalho.

Palavras-chave: Turismo de vinhos, Formação profissional, Desenvolvimento rural.

Abstract: This article aims to analyse the professional performance of technicians and technologists in the Viticulture and Oenology graduation course at IFRS Campus Bento Gonçalves, and their relation to wine tourism activities in a descriptive and exploratory study, through an online survey. This survey consists in open and closed questions about socio-demographic, qualification and professional performance aspects. The sample corresponds to 91 participants, who concluded college between 2011 and 2017, considering N = 322. The descriptive statistics applied identified the main activities respondents, including: wine analysis and elaboration, visitors reception and serving, guide tours and cellar door. Among the participants, 75 % had guided visitors during tasting, but just 59 % had indicated that they have already worked with wine tourism activities. The technician in Viticulture and Oenology is one of the professionals that has to work in wine tourism, followed by the tourism professional and the oenologist. Every informant has considered meaningful to learn about wine tourism, however 68 % indicates that the college do not provide enough background related to. Results confirm that oenologists have a relevant role to develop for wine tourism, because of the tourist activities they are involved, although they do not have enough practical and theoretical background knowledge to promote their qualification. It is institute duty to adapt the curriculum courses, updating them according to the job market.

Keywords: Wine tourism, Professional education, Rural development.

Resumen: El objetivo de este trabajo es analizar el desempeño profesional de técnicos y tecnólogos graduados en Viticultura y Enología en el IFRS Campus Bento Gonçalves y su relación con las actividades de enoturismo. Es un estudio descriptivo-exploratorio, mediante un cuestionario online de preguntas abiertas y cerradas acerca de los aspectos sociodemográficos, capacitación y desempeño profesional. La muestra corresponde a 91 participantes que completaron el curso entre 2011 y 2017, con N = 322. Las estadísticas descriptivas identificaran las principales actividades realizadas por los egresos, que incluyen la preparación y el análisis de vinos, recepción y servicio a los turistas, guía en visitas, venta y comercialización. De los participantes, el 75 % acompañó a los visitantes en degustaciones, pero solo el 59 % indicó haber trabajado con actividades de enoturismo. El técnico en Viticultura y Enología es visto como un profesional que debe trabajar con enoturismo en las bodegas, seguido por el experto en turismo y después por el enólogo. Todos consideran relevante aprender sobre enoturismo; sin embargo, el 68 % indicó que la institución educativa no ofreció conocimiento acerca del tema. Los enólogos tienen un papel importante en el desarrollo del enoturismo, a pesar de que no tienen un plan de estudios que proporcione conocimientos teóricos y prácticos que favorezcan la calificación, siendo responsabilidad de las instituciones educativas adaptar sus planes a la demanda del mercado laboral.

Palabras clave: Turismo del vino, Formación profesional, Desarrollo rural.

INTRODUÇÃO

Embora não seja exclusivo do espaço rural, o enoturismo ou turismo de vinhos é caracterizado pela visitação a atrativos frequentemente localizados na área rural, tais como a própria vinícola e seus vinhedos, as salas de degustação, tours, eventos, entre outras experiências. É uma atividade que envolve turistas e produtores de vinhos – de pequeno, médio ou grande porte – na direção de uma nova forma de vivenciar a área rural e arredores. Segundo Dubrule (2007), o enoturismo pode ser traduzido como “a arte de viver”, pois é uma atividade repleta de prazeres, capaz de integrar o vinho com diversos outros produtos e serviços, favorecidos pelo entorno com belas paisagens (BEAMES, 2003).

Nessa perspectiva, a indústria vinícola vem se transformando ao longo dos anos e uniu o trabalho relacionado à agricultura e processamento de matéria-prima à prestação de serviços ligados ao turismo. Nas últimas décadas, as vinícolas vêm percebendo a importância de receber visitantes na própria empresa, favorecendo a comercialização e divulgação dos vinhos. Essa associação da vitivinicultura ao turismo (enoturismo) tem sido responsável por um grande número de pessoas que visitam a região turística Uva e Vinho, em especial a cidade de Bento Gonçalves, que, em 2017, recebeu cerca de 1,5 milhão de pessoas nos roteiros turísticos, sendo um deles o principal destino enoturístico do país: o Vale dos Vinhedos (CIC-BG, 2017).

A implantação da Escola de Viticultura e Enologia há 60 anos – atual Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – foi fundamental para o desenvolvimento do arranjo produtivo local da uva e vinho na região e também no país. O setor vitivinícola teve início em 1532 no Brasil, se concretizando de fato com a vinda dos imigrantes italianos para o Rio Grande do Sul ao final do século XIX. Com o cultivo voltado para variedades americanas até a década de 1970, a região cresceu impulsionada pela formação de Técnicos em Viticultura e Enologia desde 1960, com a criação da Escola de Viticultura e Enologia (ligada ao Ministério da Agricultura). De lá para cá, se instalaram na região empresas vitivinícolas multinacionais que introduziram o cultivo de variedades viníferas (europeias) e novas tecnologias para elaboração de vinhos (DEBASTIANI et al., 2015). Desde então, a Instituição vem formando profissionais que atuam no desenvolvimento do setor vitivinícola nacional e também internacional e, em 1995, foi criado o curso superior de Tecnologia em Viticultura e Enologia.

Os cursos da Instituição ainda possuem papel de destaque para o setor, sendo responsáveis pela formação de profissionais qualificados, que hoje trabalham em grandes empresas ou em suas próprias vinícolas por todo Brasil, expandido a importância da vitivinicultura brasileira. Embora o estado do Rio Grande do Sul seja responsável por 63 % de área plantada (EMBRAPA, 2018), a vitivinicultura vem se expandindo para outras regiões do país (SC, PR, MG, SP, ES, GO, MT, PE), a partir de conhecimentos levados por egressos do IFRS Campus Bento Gonçalves (IFRS, 2018a, b). O segundo curso de formação de enólogos no país foi criado apenas em 2005, localizado em Petrolina (PE), o que reforça a importância dos egressos do IFRS no desenvolvimento da vitivinicultura nas diferentes regiões do Brasil.

Até o ano de 2018, o IFRS formou 1.360 técnicos e tecnólogos. Nos cursos, as áreas específicas de formação incluem conhecimentos relacionados à viticultura, vinificação, análise sensorial e comercialização do produto final. O curso também promove o empreendedorismo, a partir de disciplinas como economia, gestão e planejamento, tanto a nível técnico como tecnólogo. Contudo, os PPC’s não citam a aptidão do egresso em realizar atividades ligadas ao enoturismo, embora seja uma qualificação que se faz cada vez mais importante para o perfil dos profissionais da área.

Com a transformação dos postos de trabalho no setor e a ampliação das atividades para outras áreas de conhecimento, o profissional que atua em uma vinícola deve reconhecer a importância do enoturismo, compreendendo aspectos a ele inerentes, tais como atendimento ao público e recepção de turistas, desenvolvimento de atividades turísticas, entre outros. Assim, a proposta da presente pesquisa é analisar o envolvimento dos egressos dos Cursos de Viticultura e Enologia do IFRS Campus Bento Gonçalves no enoturismo, identificando as tarefas realizadas por eles, a qualificação necessária para tais atividades e a qual a contribuição da matriz curricular dos Cursos para sua formação.

Tal pesquisa justifica-se devido à consolidação do enoturismo na região Uva e Vinho e seu papel no crescimento da atividade turística nas cidades que compõem a região. Dessa forma, é necessário compreender as variáveis relacionadas à absorção dos egressos pelo mercado de trabalho, em paralelo à identificação dos conhecimentos exigidos para atuação com o turismo associado à produção vitivinícola.

Nesse sentido, o presente projeto objetiva compreender a relação dos Cursos de Viticultura e Enologia do IFRS Campus Bento Gonçalves (técnico e superior) no desenvolvimento do enoturismo do país, por meio da identificação da atuação dos egressos nas atividades associadas ao turismo de vinhos. Dentre os objetivos específicos, estão: a) verificar a importância dos Cursos de Viticultura e Enologia do IFRS no desenvolvimento do enoturismo nacional; b) identificar dados e variáveis sociodemográficas sobre egressos dos cursos técnico e tecnólogo de Viticultura e Enologia do IFRS, no período de 2011 a 2017; e c) identificar as atividades realizadas pelos egressos dos cursos, relacionadas ao enoturismo.

Em um primeiro momento, o trabalho discorre sobre como o turismo do vinho contribui para o desenvolvimento rural e regional. Nesse sentido, há uma abordagem teórica referente ao fortalecimento do enoturismo e a necessidade de profissionais com qualificações adequadas para atuarem no setor. Em um segundo, relata-se a metodologia utilizada para a realização da pesquisa, além de dados relacionados aos egressos participantes da pesquisa. A partir disso, são expostos e discutidos os resultados alcançados e, por fim, há uma reflexão sobre o que foi constatado ao longo da pesquisa e as demandas do mercado de trabalho atual, que surgiram devido ao crescimento do enoturismo no país.

ENOTURISMO E DESENVOLVIMENTO RURAL

A produção agrícola em propriedade familiar, a paisagem formada pela associação do trabalho humano com a natureza, a biodiversidade, a cultura local e suas particularidades, entre outros fatores, são responsáveis por fazer com que um número cada vez maior de pessoas se desloque do ambiente urbano para o rural. No momento em que as pessoas deixam suas residências para conhecer o campo, elas têm as mesmas necessidades de qualquer outro turista: transporte, sinalização, locais para alimentação, hospedagem, lojas de souvenir, informações, ou seja, estimulam produtores rurais a organizarem sua propriedade para receber um público interessado em interagir e conhecer uma realidade diferente, estruturando o turismo rural.

Graziano da Silva (2002), ao analisar os interesses relacionados ao espaço rural, crescentes nas últimas décadas, classificou o fenômeno como “o novo rural”, visto a procura dessas regiões por motivos que não apenas a produção agrícola (por exemplo, para moradia – por parte de pessoas que residiam nos centros urbanos – e também para o lazer por meio de atividades turísticas). Esta configuração viabiliza aos produtores rurais outras formas de geração de renda, agora também provenientes da prestação de serviços e não apenas da produção agropecuária. Segundo Tonini:

Pelas suas particularidades, a área rural possui um grande potencial turístico, baseado principalmente no patrimônio cultural e natural. Além de oportunizar melhoria na renda do produtor rural, o turismo tem como objetivos fomentar novas modalidades de turismo, promover a melhoria da qualidade de vida, reduzir o êxodo rural, valorizar o potencial turístico e agrícola e estimular a preservação do meio rural e da cultura regional (TONINI, 2013, p. 222).

Neste contexto, a atividade enoturística ganha corpo, unindo a vitivinicultura às experiências turísticas, envolvendo pessoas, fazeres, serviços, produtos, paisagem, entre outros elementos. Ou seja, o enoturismo vai muito além de ser simplesmente uma forma de favorecer a comercialização de vinhos. Refere-se a toda experiência para o turista, cercado pelo vinho e pela gastronomia, conhecendo o sabor do vinho e de outros produtos locais, visitando atrações locais, realizando esportes e outras atividades de lazer, encontrando pessoas da comunidade e saboreando a atmosfera rural (HALL; MACIONIS, 1998; BEAMES, 2003). Embora seja o elemento motivador, não são apenas os apreciadores de vinho que têm realizado turismo em regiões vitivinícolas, pois, além do vinho, a paisagem também gera interesses, até mesmo naqueles que não tem o hábito de consumir a bebida (HALL; MACIONIS, 1998).

Para Lignon-Darmaillac (2009), o enoturismo pode ser considerado um “turismo de terroir”, pois a atividade turística está diretamente associada a cada região produtora, ou seja, ligada ao território e suas características: seus elementos identitários como as paisagens culturais, o savoir-faire, a história, suas pessoas e seus produtos. É por meio dessa ligação que a atividade turística proporciona incremento de renda mediante a utilização da propriedade rural para prestação de serviços e não apenas para produção de matéria-prima. As novas tarefas podem ser realizadas por membros da família ou por pessoas contratadas, pois requer conhecimentos voltados para o atendimento de turistas, acompanhamento e guiamento de grupos, elaboração de alimentos, higienização de ambientes, entre outros.

Considerando suas características, o enoturismo beneficia uma série de pessoas envolvidas com a prestação de serviços e oferta de produtos aos visitantes, além do potencial de promover a valorização do saber fazer e do estilo de vida de pessoas das áreas rurais, fortalecendo a identidade cultural. Assim, pode-se afirmar que o enoturismo gera benefícios diretos para produtores, vinícolas, turistas, empresas turísticas e comunidade local. Tais benefícios vão desde a geração de empregos e aumento de receita, até a preservação da paisagem e da cultura e a melhoria dos serviços básicos à população local. Ao unir o turismo com o vinho, as vinícolas incrementam suas vendas, ampliando os canais de distribuição, além de divulgar sua marca e fortalecer sua relação com os consumidores (HALL et al., 2000; THACH; CHARTERS, 2016). Byrd et al. (2016) salienta a capacidade da indústria do enoturismo de promover uma base de receita sustentável para pequenas e médias vinícolas.

Dessa forma, o enoturismo possui grande potencial de contribuir com o desenvolvimento rural das regiões. Segundo Ellis e Biggs (2001), o conceito de desenvolvimento rural foi se transformando no decorrer das últimas décadas. Entre os anos de 1950 e 1970, a visão girava em torno dos processos de modernização e mecanização, especialmente com a chamada Revolução Verde, combatendo a agricultura atrasada e a ideia de que o camponês era preguiçoso. A partir da década de 1970, paralelo ao interesse tecnológico, o desenvolvimento procura ser integrado e passa a dar atenção para necessidades básicas – de produção – trabalhando com crédito e políticas agrícolas e com a racionalidade do pequeno produtor. Com a abertura dos mercados, durante as décadas de 1980 e 1990, se fez necessário um ajuste estrutural e o Estado se retira do cenário, enquanto surgem as organizações não-governamentais e os novos atores sociais, como as mulheres, fazendo com que o desenvolvimento rural seja entendido como um processo orientado ao ator. Nos primeiros anos do século XXI, a busca por meios de vida sustentáveis, a erradicação da pobreza e a proteção social se articulam com a descentralização e participação crítica dos atores. Para Ellis e Biggs (2001), os principais enfoques do desenvolvimento rural entre os anos de 1950 e 2000 foram: desenvolvimento comunitário, crescimento do pequeno produtor, desenvolvimento rural integrado, liberalização do mercado e participação e estratégias de redução da pobreza.

Segundo Ploeg et al. (2000), a ideia de desenvolvimento rural associa-se à busca de um novo modelo para o setor agrícola, com a produção de bens públicos, o cuidado com os ecossistemas, a valorização da economia de pequena escala e a pluriatividade da família rural. A pluriatividade na agricultura é entendida como a combinação de atividades não agrícolas – complementares ou não e que podem ocorrer na propriedade ou fora – no intuito de gerar novos rendimentos ao produtor e seus familiares (SILVA; DEL GROSSI, 1998; KAGEYAMA, 2001; ELLIS; BIGGS, 2001; ANJOS, 2003; SCHNEIDER, 2009), como é o caso do turismo.

Coriolano (2012), ao refletir sobre a perspectiva do desenvolvimento sob a ótica da valorização do ser humano, planejando o turismo para benefício da comunidade de entorno, indica a necessidade de adotar políticas de geração de renda para a maioria, em paralelo à proteção social das pessoas, caracterizando o desenvolvimento local. Na Europa, se fortaleceu a noção de desenvolvimento a partir de características endógenas e os conceitos associados ao local, fazendo com que produtos típicos da localidade se tornassem importantes recursos em prol do desenvolvimento (PLOEG et al., 2000). E, nesse caso, o vinho e as características locais do terroir impulsionam as perspectivas de desenvolvimento nas áreas rurais.

Ao contemplar a participação mais efetiva por parte dos stakeholders (pessoas, entidades, empresas, envolvidos direta ou indiretamente) nas ações em prol do desenvolvimento, cabe destacar a importância da relação com os arranjos produtivos locais (APL’s), caracterizados pela concentração de empresas em determinado território atuando de forma integrada (MARINI et al., 2012).

A partir da aproximação de vinícolas e considerando as características do território compartilhado, os APL’s vitivinícolas têm adotado uma estratégia que vincula seu produto ao local de produção, as chamadas IG’s. As indicações geográficas (IG’s) são uma modalidade de proteção intelectual, cujo objetivo é identificar um produto que possui determinadas características e qualidades atribuídas a sua origem geográfica e seu território (FLORES; TONIETTO.; TAFFAREL, 2019). As IG’s são recentes no país, sendo o Vale dos Vinhedos (principal roteiro de enoturismo brasileiro) o primeiro reconhecimento como Indicação de Procedência, em 2002, e primeira Denominação de Origem, em 2012. Atualmente, são 49 Indicações de Procedência e 10 Denominações de Origem no Brasil, sendo sete delas para o produto vinho (6 no RS e 1 em SC). Em andamento, estão outras 4, sendo umas delas em PE (FLORES; TONIETTO.; TAFFAREL, 2019).

Assim, trabalhando coletivamente e de forma associativa, produtores e empreendimentos vinícolas valorizam seus produtos e trazem maiores benefícios para a comunidade local, impulsionados pela qualificação da mão de obra e também pelo crescente fluxo turístico nas regiões vitivinícolas brasileiras.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O estudo caracteriza-se como exploratório-descritivo, pois busca informações acerca de um fenômeno e suas variáveis, de forma a descrever, na sequência, seu funcionamento. Para isso, foi utilizada metodologia quali e quantitativa, integrando dados com representação numérica e categórica. Inicialmente, realizou-se um levantamento de informações sobre os concluintes dos cursos no período de 2011 a 2017: universo que corresponde a 322 membros (N = 322), conforme descrição na tabela 1. Enquanto o número de mulheres concluintes no curso técnico é superior ao de homens, no curso tecnólogo este dado se inverte. O número de egressos que seguem estudando ou trabalhando na área alcança 96 % no curso superior, enquanto reduz para 51 % no curso técnico. Tabela 1.

Egressos por sexo e atuação na área de formação, de 2011 a 2017
Tabela 1
Egressos por sexo e atuação na área de formação, de 2011 a 2017
Fonte: Autoria própria (2020)

Como instrumento de coleta, foi enviado um questionário via e-mail aos egressos (formulário online), contendo 19 questões abertas e fechadas, divididas em 3 blocos: aspectos sociodemográficos, formação e atuação profissional. A amostra totalizou 91 participantes (n = 91), com taxa de retorno equivalente a 28,26%. Desses, 70% pertencem à faixa etária de 21 a 35 anos, sendo que 56 % são mulheres e 44% são homens.

Os dados obtidos por meio do questionário foram tabulados, a partir do software Excel, e, posteriormente, analisados mediante estatística descritiva, representada por frequências e médias, e inferencial.

Para complementar os resultados obtidos junto aos egressos, foi utilizada uma pesquisa documental, analisando os projetos pedagógicos vigentes dos cursos técnico e tecnólogo em Viticultura e Enologia ofertados pelo IFRS Campus Bento Gonçalves, no que diz respeito à carga horária, perfil do egresso, disciplinas da grade curricular e demais atividades propostas relacionadas ao enoturismo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Em virtude do crescimento do enoturismo no país, especialmente na região da Serra Gaúcha, é necessária a presença de profissionais qualificados para desenvolvimento das atividades, com competências que vão desde a recepção, atendimento e acompanhamento de turistas, até capacidade para gestão do turismo em uma vinícola ou território. São diversos roteiros espalhados no país, com destaque para o Vale dos Vinhedos, Pinto Bandeira e Altos Montes (na Serra Gaúcha), que receberam 1,5 milhão de pessoas no ano de 2017. Ainda no Rio Grande do Sul, com perspectivas de crescimento em virtude da IG, o roteiro da Campanha Gaúcha recebeu, no mesmo período, 5 mil visitantes. Os roteiros do município de São Roque (SP) também são muito procurados, tendo recebido 700 mil turistas em 2017. Em SC, o roteiro da Serra Catarinense é o principal, sendo visitado por 55 mil visitantes, enquanto que, no Vale do São Francisco, 20 mil pessoas estiveram presentes (VALDUGA; MINASSE, 2018). Esses dados demonstram o potencial do enoturismo no país e, consequentemente, o aumento de ofertas de trabalho voltadas à gestão e operacionalização da atividade turística, necessitando de uma formação que contemple conhecimentos que vão além de manejo da uva, vinificação e análise sensorial.

De acordo com os resultados da pesquisa, 60 % dos respondentes cursaram o tecnólogo, enquanto 23 % cursaram o técnico. Apenas 17 % dos respondentes concluíram ambos os cursos. Isso indica que a maior parte dos concluintes do curso técnico não seguem a formação na área de Viticultura e Enologia. A verticalização (do ensino médio ao superior), um dos princípios dos Institutos Federais e diferença fundamental em relação à Universidade, coloca-se mais uma vez como um desafio, dada suas dificuldades de efetivação (MORAES, 2013; BONFIM; RÔCAS, 2018).

Quanto à cidade onde trabalham, 49 % estão no Rio Grande do Sul, a grande maioria atuando em cidades da Serra Gaúcha, principalmente em Bento Gonçalves (29 %). Há ainda egressos trabalhando em outras regiões do Brasil – visto o crescimento da vitivinicultura no país – e também no exterior, conforme gráfico 1. A migração dos profissionais enólogos oriundos do Rio Grande do Sul é uma realidade identificada em estudos de regiões vitivinícolas mais recentes, como por exemplo, no Vale de São Francisco (VITAL, 2009).

Região de trabalho dos egressos participantes da pesquisa
Gráfico 1
Região de trabalho dos egressos participantes da pesquisa
Fonte: Autoria própria (2020)

Proposto inicialmente para atender às demandas do APL Uva e Vinho da região da Serra Gaúcha (ainda no ano de 1959), o curso de Viticultura e Enologia tinha como objetivo fornecer mão de obra qualificada para fortalecer a produção de uva e consequentemente o processo de vinificação. Ao longo dos anos, os egressos do IFRS Campus Bento Gonçalves se deslocaram para outras regiões do país (conforme gráfico 1), implantando a viticultura e criando oportunidades de trabalho, aumentando a produção de uvas e vinhos nacionalmente.

Em relação às atividades desempenhadas após a formação, as tarefas de vinificação e as atividades turísticas foram as mais citadas na pesquisa, em uma questão que permitia mais de uma escolha. Os principais resultados indicaram que 75,8 % dos egressos já trabalharam com elaboração de vinhos, 65,9 % fizeram análise de vinhos, 59,3 % atuaram em guiamento de visitas, 58,2 % em recepção e atendimento a turistas e 57,1 % no varejo e comercialização de produtos. Os dados, conforme número de respostas para cada atividade, são representados no gráfico 2. Com menor incidência, apareceram trabalho com controle de qualidade, cultivo da videira e marketing/comunicação.

Atividades desempenhadas pelos participantes da pesquisa após sua formação
Gráfico 2
Atividades desempenhadas pelos participantes da pesquisa após sua formação
Fonte: Autoria própria (2020)

Entre os egressos participantes da pesquisa, 36 % já não trabalham mais no setor vitivinícola. Em uma questão aberta, os 64 % que continuam no setor puderam descrever as atividades realizadas em seu cargo atual. As atividades mais citadas foram, novamente, em relação à vinificação. Em seguida, apareceram atividades de enoturismo e enogastronomia, sucedidas por viticultura, administração e, por fim, docência. Os resultados são os mesmos tanto para o RS quanto para outras regiões do Brasil e do exterior, com exceção dos cargos de administração, que se limitam ao RS: nenhum egresso respondente da pesquisa trabalha em cargos administrativos fora do estado. Dessa forma, percebe-se a necessidade de uma formação multidisciplinar, cujo foco será nas disciplinas técnicas ligadas à viticultura e vinificação, mas que permita saberes voltados à gestão e operacionalização do turismo de vinhos.

A pluriatividade – atividades realizadas pelo produtor que podem ocorrer tanto na propriedade quanto fora dela (ANJOS, 2003; KAGEYAMA, 2001; SCHNEIDER, 2009), tem se destacado nas regiões vitivinícolas em função da importância econômica gerada pelo enoturismo. Por meio dessa pluriatividade, o peso das atividades agrícolas no trabalho e na renda dos produtores passa a dar espaço a outros empregos e fontes de renda diversificadas. Assim, as atividades turísticas identificadas durante a pesquisa remetem à ideia da pluriatividade, visto que não estão diretamente ligadas ao cultivo agrícola, embora, muitas vezes, sejam realizadas por agricultores e seus familiares.

O turismo é uma das principais atividades não agrícolas identificadas nos estudos de Escher et al. (2014) com base no Censo Agropecuário de 2006. Pesquisas indicam a importância dos investimentos em recursos humanos para o desenvolvimento do enoturismo (MARZO-NAVARRO; PEDRAJA-IGLESIAS, 2009), também considerados fatores críticos de sucesso do enoturismo na região do Napa Valley, Estados Unidos (JONES; SINGH; HSIUNG, 2015). A qualidade do serviço durante as visitas nas vinícolas tem forte impacto nas vendas futuras de vinhos, sendo os aspectos intangíveis – atendimento, por exemplo – mais relevantes que os tangíveis – a qualidade do vinho (O’NEIL, PALMER e CHARTES, 2002).

Ao caracterizar as CHA’s – competências, habilidades e atitudes – para atuação no turismo, Paula, Carvalho e Pimentel (2017) analisaram a percepção de empresários, estudantes e instituições de ensino. Para os primeiros, o principal é a compreensão do comportamento humano; os segundos identificaram o conhecimento de idiomas e promoção dos destinos; por fim, as instituições têm uma visão teórica e pouco aplicada ao mercado de trabalho. Dessa forma, percebe-se que o IFRS Campus Bento Gonçalves possui relevância no desenvolvimento do enoturismo no país, com o dever de oportunizar uma formação que aproxime os egressos das exigências profissionais do mercado vitivinícola.

Devido ao crescimento do enoturismo, muitas vinícolas têm estruturado espaços para recepção de visitantes, implementando atrativos diversos (museus, restaurantes, wine bars, entre outros). Assim, é necessário direcionar a formação do profissional para o desenvolvimento de competências vinculadas ao marketing, à comunicação (BENÍTEZ; MELERO; EYZAGUIRRE, 2017), à hospitalidade, ao planejamento e ao desenvolvimento do enoturismo como um todo. Em relação a essas considerações, 68 % dos participantes responderam que a instituição de ensino não oportunizou conhecimentos relacionados ao enoturismo, mas, ainda assim, 71 % se consideram aptos a realizar tais atividades. Esse dado pode estar relacionado às experiências externas à instituição, sejam adquiridas em cursos ou em vivências da própria atuação profissional, não necessariamente oportunizadas pela Instituição de ensino.

De fato, embora atue desde 1959, o IFRS somente incluiu no ensino tecnológico uma disciplina (de caráter optativo) de enoturismo na reformulação do PPC mais recente, em 2018. O PPC do curso técnico foi reformulado no mesmo ano; porém, continua sem disciplinas de qualificação para o turismo do vinho. Em ambos os PPC’s, a palavra “enoturismo” é citada poucas vezes: no documento do curso tecnológico, aparece 17 vezes, sendo 3 na matriz curricular, 7 no ementário e 7 na bibliografia; enquanto no documento do curso técnico, aparece apenas uma vez, em meio ao tópico de caracterização do Campus Bento Gonçalves, destacando que a cidade é o principal destino enoturístico do país. Assim, os PPC’s não estimulam o conhecimento e a capacitação ligados ao enoturismo, embora a maioria dos egressos se sinta apta para tal. Nesse caso, ou os respondentes buscaram ferramentas externas para essa formação ou não compreendem o real significado e exigências do turismo de vinhos. Considerando as características de oferta dos cursos, com disciplinas ocorrendo em horários diurnos, as possibilidades de estágio e trabalho aos estudantes acabam por se restringir aos finais de semana, períodos em que se amplia a oferta de vagas para recepção e acompanhamento de turistas nas vinícolas.

Autores destacam que as principais atividades enoturísticas são a visitação aos vinhedos, à vinícola e ao processo produtivo, realização de eventos, participação na colheita e pisa de uvas, vivências em restaurantes e serviços de alimentação, participação em cursos de vinhos, de harmonização e em degustação de vinhos e visitas a lojas com produtos da vinícola e outros acessórios (HALL; MACIONIS, 1998; VALDUGA; OLIVEIRA, 2015, CASTRO et al., 2017; SANTOS et al., 2018). Na pesquisa, constatou-se que, embora 75 % dos respondentes já tenham acompanhado visitas e degustações (consideradas atividades enoturísticas), apenas 59 % deles indicaram já ter atuado no enoturismo. Isso demonstra certa incompreensão acerca do significado de enoturismo e, consequentemente, do relevante papel que ele possui para contribuir com o desenvolvimento do APL Uva e Vinho.

Os egressos consideram o Enólogo, o técnico em Viticultura e Enologia e o Turismólogo os profissionais mais aptos a trabalhar com o enoturismo, sendo que 99 % dos egressos consideram importante aprender sobre enoturismo nas ementas das disciplinas dos cursos de Viticultura e Enologia, o que, até então, não estava contemplado nos PPC’s dos cursos do IFRS. Em pesquisa realizada em vinícolas do Vale de São Francisco, Jarocki, Oliveira e Sá (2014) dividiram as tarefas em três áreas: administração (que inclui atendimento em varejo e o enoturismo), campo e cantina. Os profissionais que estão assumindo tais funções são enólogos, e não turismólogos, com a responsabilidade de treinar suas equipes para receber turistas e profissionais do vinho. Novamente, percebe-se a importância de agregar outras competências à formação de Viticultura e Enologia, frente à crescente demanda do setor vitivinícola que comprova, cada vez mais, a interdependência com o turismo, visto seus benefícios que vão desde a valorização do produto até o incremento de receitas.

CONCLUSÃO

Existe um grande potencial de desenvolvimento local e regional a partir das ações programadas e benefícios oriundos do turismo de vinhos, envolvendo uma série de empreendimentos. Para adequado planejamento das atividades enoturísticas, é fundamental a existência de profissionais qualificados, atuando desde a linha de frente (atendimento a turistas) até a criação e promoção de novas experiências aos turistas.

No entanto, o IFRS, principal instituição de formação dos enólogos no país, oportuniza poucos conhecimentos em relação a essa área, que se mostra cada vez mais importante para a valorização e comercialização de produtos, geração de empregos e desenvolvimento regional. A partir dos resultados, observa-se a importância do enoturismo para o setor vitivinícola e, principalmente, a necessidade de preparação dos estudantes para trabalhar com atividades relacionadas ao turismo de vinhos.

Assim, mediante análise dos resultados da pesquisa, conclui-se que é necessária uma adequação da grade curricular dos cursos Técnico e Tecnólogo em Viticultura e Enologia do IFRS Campus Bento Gonçalves, em função das mudanças que ocorreram no setor vitivinícola no país e em nível mundial. O conteúdo pode ser desenvolvido de forma direta, como parte de componentes curriculares, ou ainda por meio de palestras, pesquisas, cursos de formação complementar e outras estratégias. Essa demanda provém da necessidade de preparar os futuros profissionais para atuarem não apenas com a elaboração de vinhos, mas também com o varejo, a comunicação e a hospitalidade, visto que parte considerável das vagas existentes no mercado é destinada ao acompanhamento de atividades enoturísticas, como visitas guiadas e degustações.

REFERÊNCIAS

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