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			<journal-id journal-id-type="nlm-ta">Calidoscópio</journal-id>
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				<journal-title>Calidoscópio</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Universidade do Vale do Rio dos
					Sinos</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2177-6202</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Vale do Rio dos Sinos</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.4013/cld.2019.171.01</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00001</article-id>
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					<subject>Artigos</subject>
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			<title-group>
				<article-title><italic>High Up:</italic> análise do processo de ensino-aprendizagem
					de leitura em língua inglesa</article-title>
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					<trans-title><italic>High Up:</italic> analysis of the reading teaching-learning
						process in English</trans-title>
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						<surname>Jesus</surname>
						<given-names>Talita Duarte de</given-names>
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						<surname>Back</surname>
						<given-names>Angela Cristina Di Palma</given-names>
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				<label>1</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade do Extremo Sul
					Catarinense</institution>
				<email>talitaduarte_sc@hotmail.com</email>
				<institution content-type="original">Universidade do Extremo Sul Catarinense
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				<label>2</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade do Extremo Sul
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			<author-notes>
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					<label>*</label>
					<p>Licenciada em Letras; Mestranda em Educação na Universidade do Extremo Sul
						Catarinense.</p>
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					<label>**</label>
					<p>Doutora em Linguística; Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação e
						do Curso de Letras da Universidade do Extremo Sul Catarinense.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>25</day>
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				<year>2019</year>
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				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Apr</season>
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			<volume>17</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>3</fpage>
			<lpage>23</lpage>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo:</title>
				<p>A presente pesquisa, fundamentada em uma concepção de leitura como construção de
					significado, verificou, por meio da análise do conteúdo do livro didático (LD)
					de Língua Inglesa High Up, aprovado pelo Plano Nacional do Livro Didático (PNLD)
					no ano de 2015, em que medida o LD contribui para a formação de um leitor
					proficiente, autônomo. Para isso, foram analisadas, qualitativamente, atividades
					referentes a dois gêneros textuais: conto e piada, procurando perceber os
					modelos de leitura adotados. Foi possível constatar que a formação leitora é um
					objetivo do LD, contudo, algumas atividades não contribuem efetivamente para uma
					prática autônoma do sujeito frente à leitura para além do espaço escolar.
					Entretanto, a postura crítica do professor enquanto mediador pode contribuir
					para uma significação consistente da prática leitora durante o uso do material
					didático.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract:</title>
				<p>The present research, based on a reading conception as a construction of meaning,
					observed through the analysis of the English textbook <italic>High Up</italic>,
					approved by the Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) in 2015, in which way
					the textbook contributes to the development of a proficient, autonomous reader.
					For this purpose, activities related to two textual genres (“short story” and
					“joke”) were analyzed qualitatively, seeking to understand the reading models
					adopted. It was possible to verify that the reader development is a goal of the
					textbook. However, some activities do not contribute effectively to an
					autonomous practice of the student regarding reading beyond the school space.
					Critical posture of the teacher as mediator can contribute to a consistent
					meaning of the reading practice during the use of didactic materials.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>formação leitora</kwd>
				<kwd>língua inglesa</kwd>
				<kwd>livro didático</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Reader formation</kwd>
				<kwd>English language</kwd>
				<kwd>Textbook</kwd>
			</kwd-group>
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			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec>
			<title>Reflexões prévias</title>
			<p>Propiciar o acesso aos bens culturais relacionados à língua alvo (LA) e desenvolver a
				cidadania e a visão crítica dos alunos a respeito de assuntos sociais estão dentre
				os objetivos apontados por documentos oficiais, como as Orientações Curriculares
				para o Ensino Médio (OCEM) (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2006</xref>), no
				que diz respeito às aulas de língua estrangeira para alunos do Ensino Médio. A
				leitura, por sua vez, aparece várias vezes nesses documentos como uma das principais
				habilidades a serem desenvolvidas na LA. Corrobora-se, por conseguinte, a concepção
				de que a apropriação da leitura faz-se fundamental ao processo de
				ensino-aprendizagem, além de ser um dos maiores suportes de acesso ao conhecimento e
				à comunicação.</p>
			<p>Por meio da leitura, o professor pode não só propiciar o contato direto com a língua
				estrangeira, como também a todos os outros aspectos citados pelos documentos, os
				quais mencionados anteriormente, como indispensáveis à educação. Tais aspectos, por
				sua vez, distanciam-se dos objetivos de cursos de idiomas, que, por vezes, priorizam
				a apropriação da língua alvo para objetivos funcionais, ou seja, seu caráter
				linguístico instrumental, enquanto a escola preocupa-se ainda com uma formação mais
				ampla relacionada a fatores socioculturais (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil,
					2006</xref>). Assim, muito mais que entender o significado de vocábulos isolados
				na língua estrangeira, o aluno precisa construir o sentido dos textos com os quais
				têm contato e refletir sobre suas teses, que devem também estar de acordo com os
				demais objetivos formativos da disciplina de língua estrangeira no ensino médio.
				Nesse processo, no entanto, podemos encontrar problemas, visto que a leitura na
				própria língua materna exige sobremaneira do leitor do ponto de vista cognitivo e,
				em função disso, pode ser trabalhosa e cansativa, caso o aluno não possua um nível
				de proficiência que o auxilie na construção de significado. <xref ref-type="bibr"
					rid="B11">Kleiman (2013b)</xref> afirma que ler não é apenas passar os olhos
				pelo texto, mas requer o engajamento do leitor para a utilização de estratégias que
				o auxiliem em sua compreensão. Assim, até mesmo o leitor proficiente em língua
				materna, que já utiliza estratégias automatizadas, pode encontrar dificuldades ao se
				deparar com um texto em língua estrangeira, caso não tenha orientação sobre a
				importância de sua proatividade durante o processo de leitura.</p>
			<p>Além disso, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Solé (1998)</xref>, alguns
				fatores devem ser considerados durante o trabalho com leitura, e um deles refere-se
				ao grau de conhecimento prévio do aluno sobre o tema que está sendo abordado no
				texto. <xref ref-type="bibr" rid="B8">Dias (2005)</xref>, por sua vez, refere-se
				diretamente ao trabalho com textos nas aulas de língua estrangeira quando ratifica a
				importância de estes se apresentarem em padrões identificáveis pelos alunos e
				tratarem de temas sobre os quais eles detenham algum conhecimento. Quando se entende
				o processo de construção de sentido como um diálogo entre leitor e texto, há que se
				pensar acerca das estratégias que permitam essa interação. Assim, segundo <xref
					ref-type="bibr" rid="B1">Aebersold e Field (1997)</xref>, o trabalho com
				estratégias de leitura aparece mais uma vez como ponto forte, na medida em que
				objetiva a construção do significado do texto por meio da motivação e reflexão sobre
				os temas abordados que devem estar entrelaçados aos conhecimentos de mundo dos
				alunos. O professor, por sua vez, pode não só guiar os educandos no uso de
				estratégias de leitura individuais, como também os conduzir a usar estratégias
				previamente elaboradas, pois, ao perceber sua relevância, o sujeito poderá mantê-las
				em seu repertório e, posteriormente, automatizá-las. Faz-se necessário, ademais,
				pensarmos sobre o papel da proficiência leitora na formação integral do sujeito por
				meio da educação e, especificamente, das disciplinas de LE, as quais, como apontado
				anteriormente, visam o desenvolvimento da cidadania e o acesso a outras culturas por
				parte do aluno do ensino médio (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2006</xref>).
				Nesse contexto, podemos concordar que a mera decodificação de textos na língua alvo
				ou o trabalho com compreensão de frases fragmentadas, que não objetivam a reflexão,
				não nos guiarão a esse propósito.</p>
			<p>Por outro lado, ao olharmos para a realidade do ensino nas escolas públicas
				brasileiras, podemos perceber que grande parte dos docentes reclama da falta de
				tempo para cursos de aperfeiçoamento e preparação das aulas, devido à carga horária
				elevada. (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Lajolo, 1996</xref>). Assim, o livro
				didático (LD), que deveria ser utilizado apenas como uma ferramenta de auxílio ao
				professor (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2006</xref>), entra em cena e
				acaba assumindo a autoria de muitas aulas de língua estrangeira e das demais
				disciplinas. Há muitas discussões relacionadas ao uso do LD em sala de aula,
				contudo, ainda, segundo as OCEM, esse não deve ser o único meio de contato com a
				língua e cultura estrangeira por parte aluno do ensino médio (<xref ref-type="bibr"
					rid="B5">Brasil, 2006</xref>), e esse material deve contemplar todos os
				objetivos apontados como indispensáveis ao ensino de língua estrangeira nas salas de
				aula, inclusive no que diz respeito ao processo de ensino e aprendizagem de leitura.
				Por isso, na hora de sua seleção, um dos principais fatores a serem observados é a
				concepção de leitura que o sustenta, além de seu tratamento para com a prática,
				visto que isso será determinante em seu conteúdo e consequentemente no sucesso da
				realização dos objetivos citados. Em vista disso, esta pesquisa objetivou verificar,
				por meio da análise qualitativa, à luz de teorias da área da Psicolinguística, com
				enfoque no processo cognitivo de leitura, em que medida os livros didáticos de
				Língua Inglesa promovem o ensino-aprendizagem de leitura com vistas a formar um
				leitor proficiente e autônomo. Isso ocorreu por meio da análise de um livro do aluno
				de uma edição destinada aos terceiros anos do Ensino Médio, e aprovada pelo Programa
				Nacional do Livro Didático - PNLD<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>, no ano de
				2015. Realizou-se, previamente, um olhar geral para o LD, percebendo sua estrutura e
				o lugar reservado à formação leitora. Posteriormente, foram selecionadas algumas
				atividades com comandos explícitos de leitura para a análise de conteúdo.
				Objetivou-se, pois, a partir da análise, verificar o uso de estratégias de leitura
				com vistas a auxiliar na construção do significado do texto por parte do aluno do
				ensino médio. Do mesmo modo, buscou-se perceber o tipo de aluno pressuposto pelo LD
				durante a elaboração das atividades de leitura.</p>
			<p>Esse artigo propõe, em sua fundamentação teórica, algumas reflexões acerca da
				concepção de leitura que o sustenta e discorre a respeito do uso de estratégias de
				leitura. Na seção seguinte, apresenta a análise prévia do LD, tratando de questões
				estruturais referentes ao <italic>corpus</italic> e à análise de conteúdo, que se
				apresenta na seção anterior às considerações finais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Texto, leitor e mediação pedagógica</title>
			<p>Esta seção discorrerá acerca da relevância do ensino e aprendizagem de leitura nas
				aulas de Língua Inglesa. O diálogo envolverá, ademais, as possíveis concepções de
				leitura e a opção pela concepção interacionista como base teórica. Nessa mesma
				perspectiva, trará a conhecimento algumas estratégias cognitivas e metacognitivas
				que podem auxiliar na construção de sentido durante o processo de ensino e
				aprendizagem de leitura nas aulas de Língua Estrangeira. Dentre os autores que serão
				utilizados para fundamentar teoricamente a seção e as subseções estão <xref
					ref-type="bibr" rid="B13">Leffa (1996)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B3"
					>Barnett (1989)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B1">Aebersold e Field
					(1997)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B18">Solé (1998)</xref>, <xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Kleiman (2013a)</xref> e <xref ref-type="bibr"
					rid="B11">Kleiman (2013b)</xref>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Modelos de leitura: <italic>bottom-up, top-down</italic> e
					<italic>interactive</italic></title>
			<p>Adotar uma concepção para a prática de leitura envolve diversos fatores de cunho
				teórico, e não é por coincidência que, por vezes, acabamos a conceituando por meio
				de menções aos seus aspectos utilitários (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Back
						<italic>et al</italic>., 2017</xref>). Assim, é consenso que ler promove
				conhecimento e pode proporcionar prazer. Todavia, e se a construção do conhecimento
				não ocorre por falta de compreensão do texto? É possível sentir prazer durante
				lacunas no processo de leitura? Por estas e outras questões justifica-se a
				relevância do conhecimento de aspectos intrínsecos ao ato da leitura, ou seja,
				aquilo que ocorre quando a estamos praticando. Dessa forma, esta seção discorrerá
				sobre o processo de leitura, tanto em língua materna como em língua estrangeira,
				ressaltando suas semelhanças e diferenças. Além disso, serão problematizados modelos
				teóricos que representam distintas concepções de leitura. Por modelos teóricos,
				desse modo, entendem-se as teorias que vêm sendo desenvolvidas em relação ao ato de
				ler, considerando as distintas relações entre o leitor e o texto durante o processo.
					<xref ref-type="bibr" rid="B9">Kleiman (2011)</xref> defende a reversibilidade
				na relação entre a investigação básica que dá origem às teorias e a prática do
				professor. A autora ressalta que não cabe ao docente ser apenas receptivo, criando
				propostas metodológicas a partir de um ou outro modelo teórico, mas contribuir para
				a investigação a partir da observação e reflexão de sua aplicação nos diversos
				contextos.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B14">Leffa (1998, p. 10)</xref>, “ler é, na sua
				essência, olhar para uma coisa e ver outra. A leitura não se dá por acesso direto à
				realidade, mas por intermediação de outros elementos da realidade”. O autor afirma
				ainda que, nessa triangulação da leitura, o elemento intermediário serve como um
				espelho, mostrando um segmento do mundo que não é a própria realidade, mas uma
				retratação dela. O acesso ao mundo pela leitura, nesse sentido, se daria a partir de
				seu reconhecimento em espelhos. Nesse modelo, tanto os reflexos do espelho (texto)
				quanto a posição do sujeito (objetivos, conhecimentos prévios e hipóteses) são
				relevantes para a compreensão dos fragmentos retratados (<xref ref-type="bibr"
					rid="B14">Leffa, 1998</xref>). Essa concepção vê o processo de leitura como
				construção de sentido, que ocorre por meio da interação entre leitor e texto, porém,
				existem outras concepções atribuídas à leitura passíveis de reflexão, sendo duas
				delas: extração de significado - <italic>Bottom-up</italic> - e atribuição de
				significado - <italic>Top-down</italic>. Enquanto esta coloca toda a
				responsabilidade do ato da leitura no sujeito leitor, aquela a deposita no texto.
					(<xref ref-type="bibr" rid="B14">Leffa, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B3">Barnett, 1989</xref>).</p>
			<p>Para o modelo teórico <italic>Bottom-up,</italic> durante a leitura, o sujeito
				precisa focalizar no entendimento de todas as letras, palavras e estruturas de um
				texto, até chegar ao entendimento do todo, e, caso não compreenda algo, pode
				recorrer ao dicionário ou optar por reler a mesma sentença por diversas vezes (<xref
					ref-type="bibr" rid="B3">Barnett, 1989</xref>). Além disso, sob essa visão,
				acredita-se que o significado do texto será sempre o mesmo em todas as leituras e
				para todos os leitores (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Leffa, 1998</xref>). Assim,
				esse processo é considerado ascendente, pois “sobe” do texto para o leitor. No caso
				da leitura em língua estrangeira, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Barnett
					(1989)</xref> afirma que, embora esse modelo seja frequentemente utilizado por
				leitores com pouca proficiência na LA, não é o mais recomendado por especialistas,
				visto que o sujeito acaba ficando preso ao significado de cada palavra que
				desconhece, desconsiderando todo o seu papel enquanto leitor ativo.</p>
			<p>O modelo <italic>Top-Down</italic>, por sua vez, é completamente contrário ao modelo
				anterior, e é considerado descendente, por partir do leitor para o texto; ou seja,
				ao utilizá-lo, o leitor tomará como base seus conhecimentos de mundo e fará
				previsões ao longo da leitura, utilizando o texto apenas para checá-las (<xref
					ref-type="bibr" rid="B3">Barnett, 1989</xref>). Nesse modelo, não há um limite
				de interpretação, pois tantos quantos forem possíveis os objetivos, hipóteses e
				conhecimentos prévios do leitor, serão possíveis os sentidos do texto. A
				palavra-chave para esse processo, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B14"
					>Leffa (1998)</xref>, é “atribuição” (p. 11), visto ter como pressuposto que
				todo o significado parte do leitor para o texto. Dando enfoque à leitura em língua
				materna, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Leffa (1998)</xref> afirma que, na
				concepção desse modelo, há ainda duas concepções antagônicas de texto: como uma
				sequência de lacunas, quando há informações a menos do que o leitor precisa para
				testar suas hipóteses, ou como redundante, quando há mais informações do que o
				leitor precisa. Para o autor supracitado, “a cada uma dessas visões corresponde
				também uma visão diferente de leitura: um processo altamente seletivo quando a
				informação é redundante e extremamente construtivo quando a informação é truncada”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B14">Leffa, 1998</xref>, p. 16).</p>
			<p>Assim como no modelo <italic>Bottom-up</italic>, é possível observar alguns problemas
				na adoção exclusiva do modelo <italic>Top-Down</italic>, tanto na leitura em língua
				materna quanto em língua estrangeira (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Leffa,
					1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">Barnett, 1989</xref>), pois, para
				que o processo de leitura realmente se efetive de forma significativa, cada texto
				exigirá um leitor ideal, sendo que, além dos conhecimentos linguísticos referentes
				ao texto, o leitor precisará de um conhecimento histórico-social específico exigido
				por ele. Para elucidar o modelo, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Leffa (1998)</xref>
				cita o poema satírico, o qual nessa concepção de atribuição poderá ser interpretado
				ao pé da letra, mas será uma leitura problemática, pois o leitor deixará de perceber
				que, na verdade, o que está sendo refletido pelo texto não é a realidade, “mas um
				reflexo do reflexo da realidade”. Nas aulas de língua estrangeira, por sua vez,
				utilizar apenas esse modelo também pode ser um problema, visto que cada leitor/aluno
				terá conhecimentos prévios, e, nesse caso, níveis de conhecimentos linguísticos
				diferentes.</p>
			<p>Considerando os dois modelos, <italic>Top-down</italic> e <italic>Bottom-up</italic>,
				o modelo <italic>interactive</italic> - interacionista - de leitura é considerado
				conciliatório, pois abrange as principais características dos dois modelos
				anteriores, fazendo com que leitor e texto exerçam seus papéis no processo de
				leitura, de modo dialógico. No processo, o leitor e o texto são entidades
				necessárias, mas é na interação entre eles que se efetiva a leitura (<xref
					ref-type="bibr" rid="B18">Solé, 1998</xref>), por meio da qual o leitor faz
				previsões do texto com base em seus conhecimentos prévios, sem necessariamente
				deixar de depender do texto, ou seja, a decodificação é tão importante quanto os
				conhecimentos de mundo, nível de proficiência e uso de estratégias do leitor.</p>
			<p>Isso posto, observa-se que o processo de leitura pode ser mais ou menos significativo
				dependendo da concepção de ensino que o sustenta. Observa-se, porém, que não são os
				modelos teóricos de leitura que tornam o processo mais significativo, mas as
				metodologias que são desenvolvidas a partir das concepções que os sustentam. Desse
				modo, o leitor pode utilizar estratégias no seu processo de leitura que remetem a um
				ou outro modelo teórico, resultando em práticas mais ou menos significativas de
				acordo com seus objetivos. A título de exemplificação da relevância dos objetivos,
				podemos pensar no processo de aquisição do código linguístico, no qual a metodologia
				de leitura pode estar voltada para níveis mais baixos do texto, fazendo uso de
				estratégias voltadas para o modelo teórico <italic>Bottom-up</italic>, e partindo,
				gradativamente, para níveis mais altos (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barnitz,
					1985</xref>). Observa-se, pois, que o docente, ao compreender a complexidade do
				processo de leitura, poderá apontar ao aluno as diferentes possibilidades de relação
				para com o texto, contribuindo para a formação de sua autonomia. Durante o trabalho
				com a habilidade de leitura nas aulas de língua estrangeira, assim como nas
				disciplinas que fazem uso da língua materna, o objetivo é o mesmo: que o aluno
				compreenda aquilo que lê. Assim, o diálogo entre a concepção do professor, dos
				documentos oficiais que norteiam a disciplina e do material utilizado é requisito
				para uma prática significativa.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Estratégias de leitura no processo de construção de significado em Língua
				Estrangeira</title>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B1">Aebersold e Field (1997)</xref>, apesar
				de os estudos a respeito da leitura enquanto interação, em meados de 1970, começarem
				a dar visibilidade à natureza da leitura em segunda língua (L2) ou língua
					estrangeira<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref> (LE), algumas questões ainda
				são passíveis de discussão tanto em relação ao processo de leitura em Língua Materna
				(L1) quanto em L2. Uma delas diz respeito à influência da proficiência leitora na L1
				no processo de leitura em L2, uma vez que muitas pesquisas produzem resultados
				contraditórios sobre o assunto. <xref ref-type="bibr" rid="B17">Smith (2003)</xref>
				entende por proficientes os leitores experientes. Para ele, esses sujeitos são
				capazes de identificar palavras isoladas quando necessário, mas não ficam presos a
				elas e utilizam também os conhecimentos não-visuais (prévios) a fim de compreenderem
				o texto. <xref ref-type="bibr" rid="B9">Kleiman (2011)</xref> corrobora com o autor
				ao afirmar que os leitores proficientes possuem mecanismos observáveis que remetem a
				estratégias de ordem superior. Nesse sentido, proficientes em leitura em L1 são os
				leitores que fazem uso de estratégias que remetem a níveis baixos e altos do texto
				de acordo com os objetivos preestabelecidos para a leitura e, com isso, realizam a
				construção de sentido. <xref ref-type="bibr" rid="B1">Aebersold e Field
					(1997)</xref> defendem que as competências necessárias ao processo de leitura em
				LE são as mesmas necessárias ao processo em Língua Materna, sendo elas: competência
				gramatical, competência sociolinguística, competência discursiva e competência
				estratégica. De acordo com Yorio (1971 <italic>in</italic>
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">Barnett 1989</xref>, p. 69, tradução nossa), “o
				processo de leitura é universal, no entanto, o nível de competência linguística pode
				afetar o uso de estratégias de leitura em LE por parte de um leitor proficiente em
				L1”. Nessa perspectiva, como cada sujeito possui competências e níveis de
				proficiência de leitura em L1 diferentes, em sala de aula, é papel do professor,
				enquanto mediador, observar as estratégias de leitura utilizadas por seus alunos e
				intervir sempre que necessário, de modo a qualificá-la.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B18">Solé (1998)</xref>, a leitura exige
				procedimentos de diferentes níveis por parte do leitor, sendo eles agrupados em
				estratégias cognitivas e estratégias metacognitivas. As primeiras seriam habilidades
				já automatizadas pelo leitor, enquanto as últimas seriam procedimentos
				conscientemente mais ativos, que objetivam a organização do próprio conhecimento.
				Nesse sentido, decodificar, para os sujeitos que já possuem a habilidade, é uma
				estratégia cognitiva, enquanto outros procedimentos, como resumir um texto a fim de
				entendê-lo, seriam estratégias metacognitivas.</p>
			<p>Uma prática comum durante a leitura em língua estrangeira em salas de aula é a
				tradução de todas as palavras de um texto, pois, ao não perceber a importância de
				ser ativo diante dele, o aluno/leitor acaba utilizando o modelo de leitura
					<italic>Bottom-up</italic>, em que todas as palavras precisam ser decodificadas,
				e as estratégias metacognitivas não são utilizadas. Essa situação geralmente ocorre
				quando o indivíduo ainda não tem conhecimento sobre o processo de leitura em
				primeira língua e leva seus hábitos para a leitura em LE. Segundo <xref
					ref-type="bibr" rid="B1">Aebersold e Field (1997)</xref>, é nessas situações que
				o professor precisa intervir, mostrando ao sujeito que, mesmo em sua própria língua,
				ele não precisa decodificar todas as palavras e que algumas podem ser inferidas pelo
				contexto.</p>
			<p>A escolha dos textos a serem trabalhados nas aulas de LE, por sua vez, deve ser feita
				com cautela, pois, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B8">Dias (2005, p.
					139)</xref>, “é importante que os textos selecionados para a situação de
				aprendizagem estejam em padrões textuais que possam ser reconhecidos pelos alunos,
				tratando de assuntos para os quais eles tenham algum domínio de conhecimento”. No
				caso dos livros didáticos, objeto de análise deste estudo, o controle pode ser feito
				tanto na elaboração do material por parte dos autores quanto no momento de
				planejamento das aulas por parte do professor. Assim, o professor poderá, após
				diagnóstico da turma, optar por trabalhar um ou outro texto presente no livro,
				enquanto os órgãos responsáveis pela avaliação e distribuição dos LD podem levar em
				consideração a faixa etária e a realidade desses alunos.</p>
			<p>Além disso, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Solé (1998)</xref>, o sujeito
				precisa entender a razão pela qual está realizando determinada leitura antes mesmo
				de iniciá-la, pois objetivos diferentes podem dar margem a diferentes significados,
				uma vez que o olhar para cada texto é guiado por eles. Outro procedimento relevante
				destacado pela autora diz respeito à ativação dos conhecimentos prévios relevantes
				para o conteúdo em questão antes mesmo do início da leitura. <xref ref-type="bibr"
					rid="B8">Dias (2005)</xref>, por sua vez, afirma que, ao antecipar a ativação
				dos conhecimentos dos alunos sobre a temática do texto, contribui-se para a
				interação entre a informação nova e a já conhecida por eles. Mais uma vez trazendo
				para o contexto do LD, é possível ratificar seu papel no processo de construção de
				significado por parte do aluno, pois, ao dar pistas ao leitor, tanto da importância
				dos objetivos quanto da antecipação dos conhecimentos prévios, contribui para a
				formação de leitores autônomos.</p>
			<p>Formar leitores autônomos também significa formar leitores capazes de aprender a
				partir dos textos. Para isso, quem lê deve ser capaz de interrogar-se sobre sua
				própria compreensão, estabelecer relações entre o que lê e o que faz parte do seu
				acervo pessoal, questionar seu conhecimento e modificá-lo, estabelecer
				generalizações que permitam transferir o que foi aprendido para contextos
				diferentes. (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Solé, 1998</xref>, p. 72).</p>
			<p>Desse modo, pode-se observar que, se em língua materna a leitura envolve uma gama de
				fatores e nem todos os sujeitos conseguem chegar à compreensão de um texto, em uma
				língua estrangeira não é diferente. O processo acaba sendo ainda mais complexo, pois
				o leitor tem uma preocupação ainda maior em decodificar adequadamente, e acaba
				esquecendo a importância da construção do sentido do que lê. Os conhecimentos
				prévios considerados imprescindíveis para este processo, por vezes, não são
				suficientes, e, por isso, algumas estratégias metacognitivas passam a ser
				necessárias para que o aluno tenha controle sobre seu processo de aprendizagem.
				Logo, cabe reiterar a relevância do ensino da leitura em sala de aula. Para <xref
					ref-type="bibr" rid="B15">Ruddell e Unrau (1992)</xref>, nesse ambiente, o
				docente precisa assumir com frequência o papel de negociador de sentidos dos
				textos.</p>
			<p>No entanto, é comum, na realidade das escolas brasileiras, influenciados por fatores
				como desmotivação e carga horária elevada, os docentes depositarem no LD a função de
				planejamento e mediação das aulas (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Schlickmann,
					2005</xref>). Observa-se, pois, a relevância da reafirmação do papel do docente
				enquanto pesquisador e crítico, a fim de selecionar o conteúdo do LD de acordo com a
				realidade de cada uma de suas turmas, bem como tornar a prática significativa aos
				alunos por meio de sua abordagem e uso de outros materiais possíveis. Percebe-se,
				pois, que a discussão relacionada à importância da autoria do professor em sala de
				aula está posta e carece de políticas públicas para isso, sobretudo as voltadas à
				formação continuada.</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B12">Lajolo (1996)</xref> defende a autoria do professor
				em sala de aula, ratificando a relevância do livro didático enquanto instrumento de
				aprendizagem. Segundo a autora, “muito embora não seja o único material de que
				professores e alunos vão valer-se no processo de ensino e aprendizagem, ele [o livro
				didático] pode ser decisivo para a qualidade do aprendizado resultante das
				atividades escolares” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Lajolo, 1996</xref>, p. 4).
				Em função disso, uma questão que permeia esta discussão é: os livros didáticos de
				língua estrangeira assumem seus papéis no processo de leitura?</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O LD <italic>High Up</italic> e a formação do leitor proficiente</title>
			<p>O LD <italic>High Up</italic>, destinado aos terceiros anos do ensino médio, conta
				com oito unidades, subdivididas em onze seções; cada unidade desenvolve um tema. As
				seções, por sua vez, aparecem em ordem semelhante em todos os capítulos, com vistas
				a atuar em competências distintas. Cada unidade apresenta, respectivamente, seções
				intituladas: <italic>Have you say: Reading beyond the words: Genre analysis:
					Vocabulary: Grammar: In other words: Practice makes perfect: The way it sounds:
					TalkActive: Put it in writing</italic>; e <italic>Self-assessment</italic>.</p>
			<p>Observa-se que algumas das habilidades trabalhadas nas diversas seções são
				determinantes para o sucesso da construção de significado de textos por parte do
				leitor e podem estar conexas com o momento de leitura, como as seções de gramática,
				gênero e vocabulário, por meio de práticas de análises linguísticas, indo ao
				encontro do que propõe <xref ref-type="bibr" rid="B11">Kleiman (2013b)</xref> quando
				afirma que a construção de sentido do texto ocorre na medida em que o leitor promove
				a interação entre os seus diversos níveis de conhecimento, destacando, dentre eles,
				os conhecimentos linguísticos, textuais e de mundo. Entretanto, dada a amplitude dos
				dados e a preferência de separação em competências por parte do LD, a presente
				análise focalizará apenas as ocorrências presentes nas atividades com comandos
				explícitos de leitura, que compõem as seções <italic>Reading beyond the
					words</italic>
				<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>, com vistas a verificar em que medida as
				atividades de pré-leitura e pós-leitura contribuem para a formação do leitor
				autônomo. No <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>, é possível visualizar
				os gêneros textuais presentes em cada unidade, especificamente na seção
					<italic>Reading beyond the words:</italic></p>
			<p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title>Gêneros textuais.</title>
				</caption>
				<alternatives>
							<graphic xlink:href="t1.jpg"/>
				<table frame="box" rules="all">
					<colgroup>
						<col width="10%"/>
						<col width="90%"/>
					</colgroup>
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" colspan="2"><italic>High Up</italic> 3º ano</th>
						</tr>
						<tr>
							<th align="center">Unidade</th>
							<th align="left">Gênero textual</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="center">1</td>
							<td align="left">Piadas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">2</td>
							<td align="left">Anúncio Publicitário</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">3</td>
							<td align="left">Artigo de Opinião</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">4</td>
							<td align="left">Notícia</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">5</td>
							<td align="left">Artigo e Poema</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">6</td>
							<td align="left">Conto</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">7</td>
							<td align="left">
								<italic>Cartoon</italic>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">8</td>
							<td align="left">Monólogo</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: autoras.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>No total, o LD apresenta, aproximadamente, 40 textos, dos quais 12 estão incluídos
				nas seções que possuem comandos explícitos de leitura. Isso ocorre, dentre outros
				motivos, porque o trabalho com análise linguística não é feito a partir dos mesmos
				textos que têm por objetivo a prática de construção de sentido de textos.</p>
			<p>Quanto à distribuição de gêneros textuais nas demais seções, observa-se que, com
				exceção daquela que trabalha especificamente com análise de gêneros, não há uma
				preocupação, por parte do LD, em distingui-los. Desse modo, quando da apresentação
				dos textos, é recorrente o uso do termo “<italic>Read the text below</italic>
				<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>”, sem esclarecimento quanto ao gênero. No
				entanto, por meio de um olhar para a estrutura dos textos, é possível identificar
				alguns deles. Nota-se, portanto, certa recorrência de artigos de <italic>web
					site</italic>, uma vez que os textos encontram-se referenciados a tal suporte,
				além de depoimento, carta de apresentação e artigo científico. O LD disponibiliza
				poucos textos literários, mas, quando o faz, tende a situá-los nas seções
					<italic>Reading beyond the words</italic> e <italic>Genre analysis</italic>. O
				objetivo do <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref> é situar o leitor a
				respeito da organização do LD, para que possa compreender as análises seguintes, as
				quais, reiteramos, serão referentes exclusivamente às seções <italic>Reading beyond
					the words</italic> que se encontram na primeira e sexta unidades.</p>
			<p>As análises das atividades serão realizadas com base na representação das abordagens
				de leitura das atividades de pré-leitura e pós-leitura<xref ref-type="fn" rid="fn7"
					>7</xref> de cada uma das duas seções selecionadas. Desse modo, quando houver
				mais de uma questão com abordagem semelhante, será analisada, ao menos, uma delas. A
				título de ilustração, tomemos a seção que trabalha com <italic>short story</italic>
				(conto). Nela, há atividades de pré-leitura e de pós-leitura. Observa-se, no
				entanto, que há uma estrutura de atividade que reincide, inclusive, no que diz
				respeito à abordagem de leitura, diversificando-se apenas em relação à tematização.
				Logo, nesse caso, será analisada ao menos uma atividade representativa dessa
				abordagem.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>
				<italic>Jokes</italic>
			</title>
			<p>Na seção <italic>Reading beyond the words</italic> correspondente à primeira unidade
				do LD <italic>High Up</italic>, o aluno do terceiro ano do ensino médio depara-se
				com a leitura de quatro piadas (<italic>jokes</italic>) que têm como tema principal
				o dinheiro. As quatro piadas retratam, com humor, dificuldades e confusões de
				adolescentes e crianças em relação à administração financeira, bem como o papel de
				pessoas mais experientes enquanto instrutoras nessa fase da vida. Observa-se que o
				LD preocupa-se em propiciar diálogo entre o tema das piadas e a realidade dos
				alunos, que estão prestes a se inserirem, ou já estão inseridos, no mercado de
				trabalho, pressupondo que, por vezes, cometam as mesmas confusões dos personagens. A
				estrutura da seção do LD é composta por uma atividade de pré-leitura, textos e cinco
				atividades de pós-leitura. Por meio da Figura que segue, é possível a leitura de uma
				das quatro piadas apresentadas pelo LD, sobre a qual incidirá as atividades
				mencionadas. Vejamos:</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Página 13 do livro didático</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0003-gf01.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias <italic>et al</italic>.(2013)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>A primeira piada apresentada pelo LD discorre a respeito de uma conversa entre pai e
				filha, em que a jovem estudante questiona o pai sobre um problema com um banco
				indicado por ele. O pai não entende, pois se trata de um banco renomado. A garota,
				na verdade, acredita que o fato de seus cheques serem retornados com uma notificação
				de “fundo insuficiente” é um problema com a situação financeira do próprio banco. O
				primeiro aspecto passível de reflexão em relação ao trabalho com a leitura das
				piadas proporcionado pelo LD diz respeito às atividades que antecedem à leitura, a
				exemplo do ilustrado na <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref> a seguir, as
				quais <xref ref-type="bibr" rid="B18">Solé (1998)</xref> distingue como momento de
				pré-leitura. Essas atividades podem ou não contribuir para a construção de sentido
				do texto, dependendo do conteúdo que apresentam. De acordo com <xref ref-type="bibr"
					rid="B18">Solé (1998)</xref>, dentre os questionamentos que o leitor deve fazer
				a si mesmo antes da leitura, estão: “Que sei sobre o conteúdo do texto? Que sei
				sobre conteúdos afins que possam ser úteis para mim? Que outras coisas sei que
				possam me ajudar: sobre o autor, o gênero, o tipo de texto...?” (p. 74). Além disso,
				a autora aponta algumas estratégias indispensáveis ao momento de pré-leitura e
				leitura; dentre elas, estão: estabelecimento de objetivo, ativação dos conhecimentos
				prévios, estabelecimento de previsões e formulação de perguntas sobre o texto com
				base nas previsões. A <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref> diz respeito à
				atividade de pré-leitura disponibilizada pelo LD <italic>High Up</italic>,
				correspondente à leitura das piadas:</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Página 13 do livro didático</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0003-gf02.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias <italic>et al</italic>.
							(2013)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Na atividade que aparece antes da leitura do texto, o aluno deve identificar o gênero
				e o suporte do texto dentre as opções que são expostas pelo LD. Trata-se do gênero
				piada; no entanto, não há nenhuma abertura por parte do LD para a reflexão a
				respeito das principais características do gênero textual. Se, por exemplo, o aluno
				fosse levado a pensar sobre o fato de a piada conter uma narrativa, personagens e
				ter por objetivo o humor, como <xref ref-type="bibr" rid="B10">Kleiman
					(2013a)</xref> propõe para o trabalho com textos em sala de aula, a atividade
				teria maior influência na construção de sentido por parte do aluno. Logo, percebe-se
				que um professor crítico<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref> e portador de
				conhecimento a respeito da prática leitora poderá fazer com que a atividade se
				revista de maior relevância no processo de aproximação entre o aluno e o texto, caso
				induza a reflexão a respeito das características do gênero piada e auxilie na
				formulação de previsões a respeito do conteúdo do texto a partir delas. Além disso,
				a atividade não apresenta objetivos para a leitura do texto, uma vez que o comando
				da primeira atividade utiliza o termo <italic>look</italic>, o que pressupõe um
				passar de olhos apenas. Fica implícito, dessa forma, que o objetivo da leitura está
				estritamente relacionado à resolução das atividades que irão surgir após a leitura.
				Vejamos a <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>:</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3</label>
					<caption>
						<title>Página 14 do livro didático</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0003-gf03.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias <italic>et al</italic>.
							(2013)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Na primeira questão - <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref> - que aparece
				após a leitura do texto, que, com base em <xref ref-type="bibr" rid="B18">Solé
					(1998)</xref>, caracteriza-se como atividade de pós-leitura, o aluno deverá
				inferir quais as características em comum entre as quatro piadas lidas. O nível de
				reflexão, no entanto, irá depender da mediação do docente, pois o aluno pode
				utilizar informações explícitas e afirmar que todas abordam o mesmo tema, mas também
				pode ir além e perceber que todas as piadas abordam algum problema de crianças e
				adolescentes com dinheiro, retratando a importância de auxílio em questões
				financeiras nessa fase. Para responder nesse nível, o aluno precisará compreender as
				piadas e fazer relação com seus conhecimentos prévios sobre o uso do dinheiro. <xref
					ref-type="bibr" rid="B18">Solé (1998)</xref> aponta a relevância de o aluno
				perceber a diferença entre o tema e a ideia principal dos textos que lê, pois,
				enquanto a identificação do tema não pressupõe reflexão e compreensão do texto, a
				identificação da ideia principal exige compreensão do sentido global do texto.</p>
			<p>A segunda questão, ainda relacionada à <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>,
				solicita que os alunos apontem quais das piadas envolvem crianças e quais envolvem
				adolescente. Essa atividade demanda apenas retomada de informações explícitas e está
				diretamente vinculada ao modelo <italic>Bottom-up</italic> de leitura, pois o aluno
				não precisará fazer nada para além de decodificar, uma vez que a informação sobre a
				idade dos personagens aparece explícita em cada piada. No entanto, faz-se necessário
				considerar o fato de que o texto está em uma língua estrangeira e esse fator por si
				só já irá exigir um pouco mais do aluno, sobretudo em termos de vocabulário e
				repertório. Ademais, práticas desse tipo também são importantes, pois a prática de
				retomar informações relevantes pode contribuir para que o aluno adquira a percepção
				do papel do texto no processo de construção de significado (<xref ref-type="bibr"
					rid="B3">Barnett, 1989</xref>). Por outro lado, seria mais interessante que essa
				pergunta aparecesse antes da anterior, na qual os alunos são questionados sobre as
				características comuns entre as quatro piadas, pois, assim, poderia contribuir para
				uma resposta mais significativa da questão, fazendo com que o aluno iniciasse na
				esfera do texto, mas conseguisse ir para além das palavras.</p>
			<p>A questão seguinte e última da atividade dois, constituinte da <xref ref-type="fig"
					rid="f3">Figura 3</xref>, exige compreensão e posicionamento por parte do
				leitor, uma vez que questiona a diversão provocada pelos textos, e o aluno não
				conseguirá argumentar a respeito da eficiência do objetivo das piadas caso não as
				tenha compreendido. Esse tipo de atividade aproxima-se mais das situações reais de
				leitura, defendidas por <xref ref-type="bibr" rid="B18">Solé (1998)</xref> para o
				trabalho em sala de aula, uma vez que, ao ouvir uma piada, caso não se consiga
				entendê-la, não é possível perceber a graça e faz-se necessária a reflexão para
				chegar à percepção do humor.</p>
			<p>Como é possível verificar na <xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>, a última
				atividade a ser analisada em relação à leitura das piadas solicita que os alunos
				marquem, entre algumas opções de sentenças, aquelas que objetivam fazer as pessoas
				sorrirem. Essa atividade, de certa forma, complementa a atividade anterior, pois,
				caso o aluno não compreenda a “graça” das piadas, precisará ler com maior
				tranquilidade e perceber as partes de humor do texto, e isso não pode ser feito
				apenas por meio de localização de informação explícita, o aluno deverá acionar
				também os seus conhecimentos de mundo.</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Figura 4</label>
					<caption>
						<title>Página 14 do livro didático</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0003-gf04.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias <italic>et al</italic>.
							(2013)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>No entanto, o ponto fraco da atividade é o fato de ser objetiva e apresentar dois
				fragmentos de texto relacionados a cada piada: um do início do texto e outro do fim.
				Ao voltar à <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref> e reler a primeira piada,
				pode-se verificar que as duas primeiras sentenças da atividade quatro são
				correspondentes a ela: “<italic>Dad, you gave me some terrible financial
					advice</italic>” e “<italic>I don’t think so, she said, They just returned one
					of my checks with a note saying ‘Insufficient Funds</italic>’”, sendo a segunda
				sentença a correta, que está localizada ao final da piada, e o mesmo acontece com as
				sentenças seguintes, correspondentes às outras três piadas. A lógica, portanto, é a
				de que o segundo fragmento é sempre o correto, considerando a indagação do comando
				dado, e aparece ao final da piada. Caso o aluno já tenha ouvido uma piada antes, não
				precisará compreender os textos para saber que as sentenças de humor, geralmente,
				são aquelas que aparecem ao final, como se espera em termos de estrutura
				composicional de uma piada. Esse desconhecimento ou não problematização pode
				acarretar em desmotivação para a realização da atividade, levando o aluno a marcar
				qualquer sentença. É possível pressupor que, ao apresentar opções de respostas, o LD
				considera a ausência de competência linguística por parte do aluno. Contudo, essa
				estrutura de atividade poderá não desenvolver um conhecimento linguístico
				consistente acerca da língua alvo por parte do aluno, caso não ocorra mediação,
				deixando de contribuir também para a formação de um leitor proficiente. Percebe-se,
				nesse sentido, que o objetivo da atividade é bom e seria mais significativo ao
				processo de leitura caso o aluno pudesse exercer autonomia, identificando a sentença
				de humor diretamente no texto e se apropriando do sentido.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>
				<italic>Short Story</italic>
			</title>
			<p>A seção correspondente ao trabalho com leitura da unidade seis apresenta um conto
					(<italic>short story</italic>), intitulado “<italic>When love hurts</italic>”,
				que discorre sobre relacionamento abusivo na adolescência. Mais uma vez, percebe-se
				o objetivo de dialogar por meio do tema do texto com a realidade dos alunos. No
				total, a seção conta com onze atividades relacionadas à leitura do texto. Via de
				regra, a estrutura das atividades segue padrão semelhante, como será possível
				perceber adiante. Tomaremos para a análise, desse modo, as três primeiras atividades
				apresentadas pelo LD. O texto é dividido em cinco pequenos capítulos, e, por meio da
					<xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>, faz-se possível a leitura de um
				fragmento do primeiro deles:</p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>Figura 5</label>
					<caption>
						<title>Página 105 do livro didático</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0003-gf05.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias <italic>et al</italic>.
							(2013)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>O conto discorre sobre o relacionamento de Angela e Joe. No primeiro capítulo, Angela
				está conversando com suas amigas Kaylla e Sara a respeito de seu relacionamento de
				oito meses com Joe. No decorrer dos demais capítulos, Joe mostra-se excessivamente
				ciumento e agressivo com Angela, que deixa de ver suas amigas e fazer as coisas que
				gosta para agradar seu namorado. Observa-se que, apesar de tratar-se de um gênero
				literário, a linguagem do texto em questão é de fácil entendimento por parte do
				aluno do ensino médio, por apresentar vocabulário relativamente acessível, o qual
				remete a atividades cotidianas de adolescentes. No entanto, vale lembrar que esses
				fatores, embora contribuam, não garantem a construção de significado do texto por
				parte do aluno. Ademais, nem todos os alunos têm o mesmo nível de conhecimento
				linguístico, e isso precisa ser levado em consideração na elaboração das atividades
				que irão nortear a prática de leitura.</p>
			<p>O leitor pode estar se perguntado se o fatiamento do texto com intervenções de
				atividades não deveria ser problematizado, uma vez que, em L1, esse tipo de
				estrutura pode atrapalhar a construção de significado, pois irá interromper a
				prática do leitor (de leitura) a todo tempo. Contudo, observa-se que o fatiamento em
				LE pode ser interessante, uma vez que o aluno poderia desmotivar-se ao encontrar um
				texto longo em uma língua na qual não tem domínio. A Figura que segue diz respeito
				às questões de pré-leitura disponibilizadas pelo LD para o trabalho com o conto:</p>
			<p>
				<fig id="f6">
					<label>Figura 6</label>
					<caption>
						<title>Página 105 do livro didático</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0003-gf06.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias <italic>et al</italic>.
							(2013)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>A primeira questão solicita que o aluno levante hipóteses a respeito do conteúdo do
				texto com base no título. Nas pausas de leitura entre cada capítulo, ele é
				direcionado a fazer o mesmo, mas acionando os conhecimentos prévios visando à
				compreensão do conto e à discussão com os colegas, conforme mostra a <xref
					ref-type="fig" rid="f7">Figura 7</xref>:</p>
			<p>
				<fig id="f7">
					<label>Figura 7</label>
					<caption>
						<title>Página 105 do livro didático</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0003-gf07.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias <italic>et al</italic>.
							(2013)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Dessa forma, é possível destacar a continuidade de previsões durante a leitura como
				ponto forte da atividade, ainda que estas, por vezes, sejam direcionadas por
				questões objetivas, como no caso da questão três. <xref ref-type="bibr" rid="B1"
					>Aebersold e Field (1997)</xref> ratificam a importância da atividade de
				previsão para a prática de leitura em Língua Estrangeira. De acordo com as autoras,
				essa estratégia faz com que o aluno não coloque maior enfoque no léxico
				desconhecido, mas utilize o que tem em mãos para confirmar ou descartar suas
				hipóteses.</p>
			<p>A atividade proposta na <xref ref-type="fig" rid="f8">Figura 8</xref> aparece antes
				da leitura da primeira parte do conto, no entanto, o recorte foi feito para melhor
				organização textual, uma vez que as atividades correspondentes às <xref
					ref-type="fig" rid="f6">Figuras 6</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f7"
					>7</xref> são semelhantes no que diz respeito aos seus objetivos. Voltando à
				análise, pode-se verificar que a segunda atividade solicita que o aluno leia o
				primeiro capítulo do texto para localizar informações explícitas, dentre elas: os
				principais personagens, o lugar onde a primeira parte da história acontece e quando
				acontece. É possível afirmar que a atividade, de certa forma, caracteriza-se como
				objetivo, pois o aluno irá ler o texto procurando pelas informações solicitadas.
				Contudo, para o desenvolvimento da autonomia do leitor, seria mais interessante que
				o próprio aluno formulasse algumas perguntas com base em suas previsões e tivesse
				como objetivo respondê-las ou até mesmo que elaborasse novas questões ao longo da
				leitura.</p>
			<p>
				<fig id="f8">
					<label>Figura 8</label>
					<caption>
						<title>Página 105 do livro didático</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0003-gf08.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B7">Dias <italic>et al</italic>.
							(2013)</xref>.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B18">Solé (1996)</xref> vai ao encontro dessa linha de
				pensamento ao criticar os objetivos estabelecidos para a leitura no ambiente
				escolar. A autora afirma que os objetivos, muitas vezes implícitos, de responder
				perguntas formuladas pelo professor (e, neste caso, pelo LD) são muito pouco úteis
				em situações habituais de leitura, ou seja, raramente serão colocados em prática em
				situações reais para além da escola. Diante disso, o professor enquanto mediador
				pode contribuir para o uso mais significativo do LD, criando suas próprias perguntas
				sobre o texto e instigando os alunos a fazerem o mesmo. Vale ressaltar que o manual
				do professor pode apresentar recomendações nesse sentido; no entanto, para o
				momento, optou-se pela análise exclusiva do livro do aluno<xref ref-type="fn"
					rid="fn9">9</xref>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Diálogos finais</title>
			<p>O processo de leitura envolve estratégias de diferentes níveis e parte delas precisa
				ser ensinada, uma vez que não é inerente ao sujeito. Assim, de acordo com <xref
					ref-type="bibr" rid="B18">Solé (1998)</xref>, é papel do professor, enquanto
				mediador, contribuir para formação do leitor autônomo, que possa utilizar
				estratégias de leitura antes, durante e após a leitura, com vistas a dirigir e
				autoavaliar sua prática. A leitura em LE, por sua vez, pode ser ainda mais difícil
				ao aluno pela ausência de competência linguística na língua alvo (<xref
					ref-type="bibr" rid="B3">Barnett, 1989</xref>). No entanto, os documentos
				oficiais, como as OCEM, destacam o desenvolvimento da habilidade de leitura como um
				dos principais objetivos das aulas de LE.</p>
			<p>Por meio da análise, foi possível perceber que a formação do leitor é um objetivo dos
				LD de Língua Inglesa. Contudo, alguns desdobramentos nas atividades de pré-leitura
				disponíveis nas duas atividades analisadas do LD podem deixar a desejar,
				considerando a relação direta entre o material didático e o aluno. Ao não
				explicitarem o uso de estratégias que auxiliam em processos reais de leitura,
				principalmente no que diz respeito a objetivos explícitos, e ao utilizarem a
				previsão temática como estratégia prévia exclusiva, deslocam os objetivos de leitura
				para a resolução de questões. Por outro lado, há que se ressaltar a relevância de
				uma análise específica do manual do professor, com o intuito de verificar o lugar
				destinado ao docente no processo de ensino-aprendizagem de leitura.</p>
			<p>As atividades de pós-leitura, como verificado na análise das atividades
				correspondentes às piadas, por outro lado, utilizam diferentes níveis de
				estratégias, que consideram leitor e texto como entidades importantes ao processo de
				construção de significado. No entanto, o uso de questões objetivas, que pode ser
				decorrente da falta de conhecimento linguístico por parte do aluno, atrapalha na
				formação do leitor autônomo, pois, em situações reais, ele não encontrará esse tipo
				de processo.</p>
			<p>Ademais, cabe reafirmar o papel do LD enquanto ferramenta que deve estar a serviço do
				professor, e que, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B12">Lajolo
				(1996)</xref>, dependerá desse sujeito para sua significação em sala de aula. Nesse
				sentido, a contribuição para a formação do leitor autônomo não se resume ao contato
				com o LD, mas, ao contrário disso, depende da postura do professor frente ao
				material didático.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Ao longo da história do LD no Brasil, o material foi disponibilizado às escolas
					por meio de diversos critérios e métodos de escolha. No entanto, desde 1996, o
					PNLD consolidou-se nos moldes que conhecemos hoje, por meio da publicação do
					primeiro Guia do Livro Didático, que contém resenhas de LD aprovados e tem por
					objetivo auxiliar na escolha dos professores. A partir de então, os livros são
					enviados pelas editoras para o PNLD e avaliados criteriosamente por uma comissão
					instituída pelo MEC, para só então os títulos serem disponibilizados para a
					escolha por parte dos professores. Embora as avaliações de LD por meio do PNLD,
					nos moldes atuais, venham ocorrendo desde 1996, apenas no ano de 2012 o segmento
					de Língua Estrangeira Moderna foi incluído na área de Linguagens, Códigos e suas
					Tecnologias.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Há uma discussão em relação ao uso dos termos segunda língua e língua
					estrangeira, uma vez que alguns teóricos preferem afirmar que segunda língua é
					uma aquisição do sujeito, enquanto língua estrangeira é aquela que o individuo
					só tem contato na escola por meio de um processo de ensino e aprendizagem. Para
					saber mais, ler <xref ref-type="bibr" rid="B14">Leffa (1988)</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Possível tradução: Leitura para além das palavras.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Possível tradução: Leia o texto abaixo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>O Guia de Livros Didáticos de 2012, instrumento utilizado pelo PNLD para a
					avaliação de LD, apresenta, aos avaliadores, perguntas relacionadas às
					atividades de pré-leitura, interação texto-leitor e atividades de pós-leitura. É
					possível perceber as atividades de pré-leitura, de acordo com <xref
						ref-type="bibr" rid="B18">Solé (1998)</xref>, como ativação de conhecimentos
					prévios, estabelecimento de objetivos e elaboração de hipóteses, entretanto, o
					Guia não traz maiores esclarecimentos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Ainda que a presente pesquisa tenha priorizado, neste momento, a análise do livro
					do aluno, de modo a qualificar os dados referentes às atividades, focalizando a
					relação direta entre LD e aluno, faz-se relevante ressaltar que, no que diz
					respeito à questão analisada e a outras que aparecerão ao longo da análise, o
					manual do professor poderá apresentar direcionamentos que qualifiquem as
					atividades, ressaltando o papel do professor enquanto autor das aulas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>A presente pesquisa trata-se de um recorte de uma pesquisa maior que objetiva
					também o olhar para o manual do professor da coleção de LD <italic>High
						Up</italic>.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
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