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	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="nlm-ta">Calidoscópio</journal-id>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rc</journal-id>
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				<journal-title>Calidoscópio</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Universidade do Vale do Rio dos
					Sinos</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2177-6202</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Universidade do Vale do Rio dos Sinos</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.4013/cld.2019.171.02</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00002</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigos</subject>
				</subj-group>
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			<title-group>
				<article-title>Rasura e interação em textos escritos colaborativamente por alunos do
					ensino fundamental</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Erasure and interaction in collaboratively written texts by
						elementary school students</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
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				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Felipeto</surname>
						<given-names>Cristina</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>*</sup></xref>
				</contrib>
				</contrib-group>
				<aff id="aff1">
					<label>1</label>
					<institution content-type="normalized">Universidade Federal de
						Alagoas</institution>
					<email>crisfelipeto@me.com</email>
					<institution content-type="original">Universidade Federal de Alagoas
						crisfelipeto@me.com</institution>
				</aff>
			<author-notes>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn1">
					<label>*</label>
					<p>Professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Alagoas e do
						Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística e Literatura da mesma
						universidade; Pesquisadora na área de Aquisição da Linguagem e de Aquisição
						da Escrita.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>25</day>
				<month>10</month>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">-->
				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<volume>17</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>24</fpage>
			<lpage>36</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>15</day>
					<month>08</month>
					<year>2018</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>22</day>
					<month>10</month>
					<year>2018</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<license license-type="open-access"
					xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo:</title>
				<p>O objetivo deste trabalho é identificar, analisar e classificar os tipos de
					rasuras que aparecem em textos produzidos por alunos do 2º ano do ensino
					fundamental de uma escola privada do interior do Estado de Alagoas. Ao total, 20
					alunos com idades entre 7 e 8 anos reescreveram colaborativamente (em díades)
					contos que foram lidos, interpretados e discutidos em sala de aula. Todo o
					corpus foi coletado entre os meses de agosto e novembro de 2013, período em que
					a professora foi orientada a seguir um protocolo da pesquisa. Um dos membros de
					cada dupla fixa se colocou ora como ‘ditante’ (“lembrando” a história ao
					parceiro de escrita colaborativa), ora como escrevente, papeis que foram se
					alternando a cada nova reescrita. A análise deteve-se também nas informações
					estatísticas (análise quantitativa) que permitiram compreender a produtividade
					da relação interação/rasuras. Os resultados sugerem que atividades de
					(re)escrita a dois promovem condições para que alunos dos primeiros anos do
					Ensino Fundamental se tornem competentes escritores de textos, na medida em que
					podem reunir forças e refletir sobre aspectos formais e de sentido ligados ao
					texto. As questões desenvolvidas aqui são amparadas teoricamente pela Crítica
					Genética e pela Linguística da Enunciação benvenistiana.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract:</title>
				<p>The objective of this work is to identify, analyze and classify the types of
					erasures that appear in texts produced by students of the 2nd year of primary
					education in a private school in the interior of the State of Alagoas. In total,
					20 students aged 7 to 8 years rewrote collaboratively (in dyads) fairy tales
					that were read, interpreted and discussed in the classroom. The entire corpus
					was collected between August and November 2013, during which time the teacher
					was instructed to follow a research protocol. One of the members of each fixed
					pair was sometimes referred to as the one who dictates ('remembering' the story
					to the collaborative writing partner), or as a scribe, roles that alternated
					with each new rewrite. The analysis was also based on statistical information
					(quantitative analysis) that allowed the understanding of the productivity of
					the interaction / erasures ratio. The results suggest that (re)writing
					activities foster conditions for students in the elementary school years to
					become competent text writers, as they can gather strength and reflect on formal
					and meaningful aspects of the text. The issues developed here are supported
					theoretically by Genetic Criticism and Benveniste’s enunciation theory.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Rasura</kwd>
				<kwd>Escrita Colaborativa</kwd>
				<kwd>Interação</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Erasure</kwd>
				<kwd>Collaborative Writing</kwd>
				<kwd>Interaction</kwd>
			</kwd-group>
				<counts>
				<fig-count count="6"/>
				<table-count count="3"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="16"/>
				<page-count count="13"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O presente estudo investiga momentos em que duplas de escreventes, interagindo entre
				si, reescrevem a “quatro mãos” contos clássicos da literatura infantil. Elege como
				objeto, especificamente, os tipos de rasuras ligadas às mudanças de ordem
				ortográfica e gráfica - as mais comuns nos textos produzidos por alunos no primeiro
				ciclo do Ensino Fundamental -, as de antecipação, de ordem semântica, sintática e de
				pontuação.</p>
			<p>A rasura é um elemento essencial da escritura, pois marca o instante em que os
				escreventes reconhecem a existência de problemas a resolver e dificuldades a
				superar. A rasura não é, portanto, um acidente de percurso, ao contrário, ela é o
				traço que marca um momento de reflexão, abrindo caminhos para diferentes
				possibilidades. Trata-se de uma operação intelectual, que é por natureza retroativa:
				ela só intervém sobre o que “já estava lá” e aponta para um trabalho sobre o
				texto.</p>
			<p>Em situações de escrita colaborativa, a rasura, oral ou escrita, é o meio pelo qual,
				diante de uma contenda, um acordo se realiza. A rasura instaura uma descontinuidade,
				suspende o fluxo discursivo, é o instante no qual, ao escrever, os escreventes
				vivenciam sentimentos de satisfação e de insatisfação com o seu próprio trabalho
				e/ou o de outrem, apontando falhas, supostos erros, para então se debruçarem sobre o
				que foi dito ou escrito anteriormente promovendo uma retificação.</p>
			<p>Consideramos que essas rasuras são indícios que podem nos conduzir a possíveis
				explicações sobre a trajetória do aluno rumo à aquisição das habilidades necessárias
				para se tornar um sujeito produtor de textos. Logo, esta pesquisa pretende fornecer
				novos dados sobre a dinâmica intersubjetiva envolvendo a escrita colaborativa no
				ensino fundamental, por considerar a interação componente fundamental no processo de
				aprendizagem.</p>
			<p>Seguimos <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fabre (2002)</xref>, quando afirma que o
				estudo da gênese textual, a partir das teorias da enunciação mostra que é possível
				reconstituir parcialmente o processo de produção textual a partir das marcas
				enunciativas inscritas. Na parte que segue, nos dedicaremos a apresentar algumas
				considerações acerca das teorias que pautam nosso trabalho.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Ancoragem teórica: Crítica Genética e Linguística da Enunciação</title>
			<p>Este estudo, um esforço para dizer algo sobre o papel da rasura e da colaboração com
				relação à escrita, busca fundamentos em uma abordagem genética, por um lado, que nos
				instrumentalize para analisar as marcas de rasuramento deixadas ao longo do texto e,
				por outro, em uma abordagem enunciativa, que releve as questões da alteridade no
				complexo ato de se escrever um texto.</p>
			<p>Os primeiros estudos sobre rasura surgiram na perspectiva da Crítica Genética
				(doravante CG) no final dos anos 60. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>Grésillon (2007)</xref>, precursora dos modernos trabalhos da CG, o termo
				“Crítica Genética” foi citado pela primeira vez no ano de 1979, no título da
				coletânea <italic>Essais de Critique Génétique</italic>, publicado por Loius Hay. A
				CG, particularmente através dos trabalhos desta autora e de <xref ref-type="bibr"
					rid="B14">Willemart (1993</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B15">1996)</xref>,
				nos fornecem importantes noções, como “manuscrito”, “rasura”, “dossiê genético”,
				entre outras. Estudos ligados a este campo de saber não se limitam às investigações
				sobre as rasuras deixadas por escritores modernos em seus manuscritos. Ao contrário,
				interessam-se também por escritas outras, estendem-se a escritas ordinárias e,
				também, àquelas em situação escolar.</p>
			<p>Os manuscritos são os documentos e objetos mais importantes de estudo para um
				geneticista, pesquisador. Em <xref ref-type="bibr" rid="B3">Calil (2008)</xref>
				encontramos a primeira definição para a expressão “manuscrito escolar”. A inclusão
				do termo escolar ao já discutido objeto da CG, o “manuscrito” tem um propósito bem
				definido: fazer distinção entre os escritos produzidos pelo escritor literário e
				aqueles criados por alunos. Nas palavras de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Calil
					(2008, p. 25)</xref>, “o manuscrito escolar é o produto de um processo
				escritural que tem a instituição escola como pano de fundo, como referência, como
				cenário que contextualiza e situa o ato de escrever”.</p>
			<p>A demanda escolar é o que vai, portanto, caracterizar o manuscrito escolar, aqui
				entendido como o texto final ou o rascunho, escrito à mão ou em suportes
				eletrônicos. Nas palavras do autor,</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>O adjetivo ‘escolar’ qualificando o termo ‘manuscrito’ visa a destacar as
						condições de produção desse objeto, na medida em que está implícita uma
						relação de ensino-aprendizagem, diferenciando-as, radicalmente, daquelas que
						envolvem processos de criação de textos literários feitos por escritores
						consagrados (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Calil, 2008</xref>, p. 26).</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Logo, a expressão “manuscrito escolar” permitiu delimitar, na área de estudos
				envolvendo gênese textual, uma baliza entre o que um aluno produz e o que um
				escritor literário escreve. O aluno, diferentemente do escritor literário, escreve a
				partir de uma demanda escolar, sob condições didático-pedagógicas específicas.
				Acrescentamos ainda, a partir de Rey-Debove, que a diferença entre um texto qualquer
				e um literário reside no fato de que, “para o segundo, o julgamento qualitativo é
				dado anteriormente” (1998, p. 106), de modo que o trabalho literário não precisa
				provar a superioridade dos textos reconhecidos.</p>
			<p>Do ponto de vista defendido aqui, a perspectiva enunciativa é a mais pertinente para
				se analisar textos produzidos de modo compartilhado, dialogado, o que supõe uma ação
				efetiva e interacional entre dois alunos (escreventes) sobre um mesmo objeto escrito
				em construção.</p>
			<p>Benveniste, ao discutir a relação homem-linguagem, preconiza o princípio da
				intersubjetividade como aquilo que coloca a língua em funcionamento: “é um homem
				falando que encontramos no mundo, um homem com outro homem” (1991, p. 285). Essa
				intersubjetividade é matriz do diálogo, conceito tão caro aos estudos envolvendo
				escrita compartilhada, colaborativa. Diz o autor: “Eu não emprego “eu” a não ser
				dirigindo-me a alguém, que será na minha alocução um “tu”. Essa condição de diálogo
				é que é constitutiva da “pessoa”, pois implica em reciprocidade” (1991, p. 286).</p>
			<p>Assim, ao falar, o locutor (eu) estabelece o outro (tu) diante de si, de modo que a
				intersubjetividade é fundada na reversibilidade “eu-tu”. <xref ref-type="bibr"
					rid="B16">Zasso (2006)</xref>, ao discutir a relação texto escrito e escrita,
				afirma que o texto escrito supõe o ato de escrever e este consistiria no “processo
				de mobilização da língua pelo sujeito” (p. 123). Ao escrever, ao enunciar, ao se
				declarar locutor, o sujeito introduz o outro como interlocutor.</p>
			<p>Enunciativamente, a condição dialogal do formato de escrita colaborativa em díades
				intensifica o caráter intersubjetivo do processo, pois a necessidade de interagir
				para escrever oferece a oportunidade aos alunos de justificar, explicar, afirmar,
				negar, exemplificar o porquê de suas ideias ou sugestões para o que se deve (ou não)
				escrever.</p>
			<p>Um texto pode passar por várias mudanças durante todo o percurso de sua produção.
				Nosso estudo nos permitiu identificar seis tipos de rasura, que incidem sobre textos
				produzidos nos primeiros anos do ensino fundamental: rasuras envolvendo questões de
				ordem ortográfica, gráfica, sintática, semântica, de antecipação e pontuação.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Método</title>
			<p>Os pressupostos teórico-metodológicos adotados nesta pesquisa visaram investigar e
				analisar o processo de escritura a dois, denominado “escrita colaborativa” ou
				“redação conversacional” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Gaulmyn et al.,
					2001</xref>). Do ponto de vista metodológico, a investigação se baseou em dois
				momentos: i. desenvolvimento do projeto didático e ii. tratamento dos dados.</p>
			<p>Uma turma do 2º ano do Ensino Fundamental (horário vespertino) foi a selecionada para
				implementação do projeto e coleta dos dados que compõem o corpus deste estudo.
				Composta por 20 alunos, com idade entre 7 e 8 anos, divididos em duplas formadas por
				afinidade, independentemente do gênero, a turma realizou a leitura, interpretação e
				reescrita textual de quatro histórias, pertencentes ao gênero textual “Contos de
				fadas”: Chapeuzinho vermelho (H1), Os três porquinhos (H2), O lobo e os sete
				cabritos (H3), e Cachinhos dourados e os três ursinhos (H4).</p>
			<p>Durante o desenvolvimento do projeto didático<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>,
				foi realizado um intenso trabalho de interpretação textual dos contos. Uma semana
				após a leitura de cada conto, o professor foi instruído a retomar, brevemente, a
				discussão da história e organizar as duplas (a partir do critério de afinidade).
				Após isso, foi definido quais alunos assumiriam os papeis de “escrevente” e
				“ditante”. Os alunos só receberam o papel e a caneta após combinarem entre si a
				reescrita da história. Em caso de erro, os alunos foram instruídos a passar um leve
				traço, para que o elemento rasurado continuasse legível. Ao final, os alunos
				deveriam reler o que escreveram e, caso julgassem necessário, promover novas
				alterações.</p>
			<p>O segundo momento envolveu a digitalização dos textos, o estabelecimento do corpus
				(por meio de parâmetros de validação quantitativa dos textos produzidos), análise e
				transcrição de marcas nos manuscritos, análise tipológica das rasuras. O corpus
				gerado pelos 20 alunos da turma participante desta pesquisa - organizados em 10
				duplas - foi constituído por textos produzidos pelas duplas que se mantiveram fixas
				durante os quatro momentos de reescrita textual, e que conseguiram reescrever as
				quatro histórias lidas e interpretadas em sala de aula.</p>
			<p>Ao término do trabalho de campo, elaboramos critérios de validação do produto da
				escrita colaborativa. Assim, demos como invalidados os casos em que a dupla não pôde
				se manter fixa durante a reescrita dos quatro contos. Após essas verificações de
				qualificação, apenas 5 duplas permaneceram aptas à etapa de análise dos manuscritos
				produzidos, de modo que 20 textos puderam ser analisados (quatro de cada dupla).
				Desta forma, o corpus desta pesquisa se compôs pelas seguintes duplas, reordenadas
				por siglas na tabela abaixo:</p>
			<p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Tabela 1</label>
				<caption>
					<title>Relação das duplas</title>
				</caption>
				<alternatives>
							<graphic xlink:href="t1.jpg"/>
				<table frame="box" rules="all" style="border-color:#d9d9d9">
					<colgroup>
						<col width="70%"/>
						<col width="15%"/>
						<col width="15%"/>
					</colgroup>
					<thead>
						<tr>
							<th style="background-color:#d9d9d9" align="center">Dupla</th>
							<th style="background-color:#d9d9d9" align="center">Sigla</th>
							<th style="background-color:#d9d9d9" align="center">Idade</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="center">M / M</td>
							<td align="center">DP1</td>
							<td align="center">7 e 8</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">L / LF</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">DP2</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">7</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">Y / K</td>
							<td align="center">DP3</td>
							<td align="center">7</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">A / B</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">DP4</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">8</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">M / G</td>
							<td align="center">DP5</td>
							<td align="center">8</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: L'âme (2014).</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Sobre o que incidem as rasuras?</title>
			<p>O retorno dos alunos sobre o texto que estão escrevendo visando reformulá-lo,
				reescrevê-lo, supõe problemas de diferentes níveis: ortográficos, gráficos,
				sintáticos, semânticos, de pontuação e de antecipação. Mostraremos os modos de
				inscrição da rasura em cada um deste níveis através de exemplos. O conjunto de
				rasuras que observamos nos manuscritos incide sobre:</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Questões ortográficas e gráficas</title>
			<p>Segundo Gak,</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>A ortografia estuda as regras que determinam o emprego das grafias segundo as
						circunstâncias [...]. Só é questão de ortografia onde há a possibilidade de
						escolha entre duas grafias diferentes. A ortografia propriamente dita só
						aparece em casos de assimetria gráfica, onde uma escolha se impõe (1976, p.
						23).</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Já a grafemática estuda os meios que possui uma língua para exprimir os sons, isto é,
				as correspondências abstratas entre os sons e os signos. Trata-se, ainda, do modo
				manual com que cada sujeito registra as letras, seu formato. Os exemplos abaixo
				ilustram, respectivamente, momentos em que a rasura recai sobre os sistemas gráfico
				e ortográfico da língua:</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Texto “Chapeuzinho Vermelho”, dupla A/B:</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0024-gf01.jpg"/>
					<attrib>Fonte: L'âme (2014).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Observa-se que, no exemplo acima, o aluno grafa pela primeira vez “vovó” com o “v” no
				formato bastão (“letra de forma”), rasura e reescreve a palavra toda com o “v” em
				formato cursivo. Assunto bastante polêmico, a letra em formato bastão é usada muitas
				vezes no início da alfabetização por possuir um traçado menos rebuscado e também
				porque é a mais presente fora do ambiente escolar.</p>
			<p>Já no exemplo abaixo, a preocupação é com a grafia de “chapel” com “l” ao final, o
				que configura um problema ortográfico e a rasura assinala justamente esse
				reconhecimento, através da posterior escrita de “chapeuzinho”:</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Texto “Chapeuzinho Vermelho”, dupla M/M:</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0024-gf02.jpg"/>
					<attrib>Fonte: L'âme (2014).</attrib>
				</fig>
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Questões semânticas</title>
			<p>O aspecto semântico envolve a reflexão sobre o valor que um termo ganha em um
				contexto específico. Vejamos o próximo exemplo:</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3</label>
					<caption>
						<title>Texto “Chapeuzinho Vermelho”, dupla M/M:</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0024-gf03.jpg"/>
					<attrib>Fonte: L'âme (2014).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>A palavra “a banar” (abanar) foi rasurada para dar lugar a “escutar”, pois “abanar”
				pode significar “refrescar”, “balançar”, fazer vento com o movimento das mãos ou de
				um objeto. Entretanto, não podemos desconsiderar a possível interferência
				(convocação), na cadeia sintagmática, da expressão “orelhas de abano”, quando as
				orelhas não ficam muito próximas da cabeça.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Questões sintáticas</title>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Figura 4</label>
					<caption>
						<title>Texto “Chapeuzinho Vermelho”, dupla M/M:</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0024-gf04.jpg"/>
					<attrib>Fonte: L'âme (2014).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>A sintaxe nos permite observar as relações formais que interligam os termos de uma
				frase, assim como suas relações de concordância, de subordinação e de ordem. No
				exemplo acima, a rasura sobre “ses” permitiu que o escrevente religasse os termos de
				modo a criar uma oração com concordância apropriada. A mudança de gênero (masculino
				[ses]feminino [sas]) possibilitou a inclusão na ordem sintática da palavra
				“orelhas”.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Questões envolvendo pontuação</title>
			<p>Os dados apresentaram uma grande heterogeneidade com relação ao uso dos sinais de
				pontuação. Há textos que não apresentam nenhum, nem mesmo o “ponto final” ao final
				do texto. Outros, alguns mais, outros menos, apresentam principalmente vírgulas,
				dois-pontos, ponto final. Por pontuação, entendemos, seguindo Catach, um</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>Conjunto de signos visuais de organização e de apresentação acompanhando o
						texto escrito, interiores ao texto e comuns ao manuscrito e ao impresso. A
						pontuação compreende várias classes de signos gráficos discretos e formando
						sistema, completando ou suplementando a informação alfabética (1980, p.
						21).</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>No conjunto dos dados analisados, encontramos apenas um caso de rasura voltada à
				questão da pontuação.</p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>Figura 5</label>
					<caption>
						<title>Texto “O lobo e os sete cabritos”, dupla A/B:</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0024-gf05.jpg"/>
					<attrib>Fonte: L'âme (2014).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Como se pode ver no exemplo ilustrado acima, uma vírgula foi inserida entre o
				substantivo “lobo” e o artigo “o” para separar as orações. Uma rasura somente é
				reconhecida após se identificar em que ponto do manuscrito houve um retorno, que
				pode ou não deixar marcas gráficas muito evidentes. Aqui, observamos o traço mais
				forte sobre a vírgula, buscando marcar que “ali é o seu lugar”, além de ela
				inserir-se no espaço estreito entre duas palavras anteriormente escritas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Questões envolvendo antecipação</title>
			<p>As rasuras de antecipação são rasuras que têm sua ocorrência, especialmente nos
				textos escritos por escreventes novatos, justificada pelo descompasso entre a
				velocidade do pensamento, a imagem visual e auditiva que o aluno (já) tem da palavra
				a ser escrita, e a motricidade da mão. <xref ref-type="bibr" rid="B6">Fabre
					(1986)</xref>, ao bucar explicar a alta frequência com que aparecem rasuras de
				antecipação, afirma que “a motricidade da mão vai, especialmente nos escreventes
				novatos, menos rápida que a palavra internalizada” (p. 76). Ou seja, a antecipação
				revela uma assincronia entre o desenvolvimento discursivo do texto e as restrições
				relacionadas à linearidade gráfica, decorrendo mais de uma questão motora, que
				propriamente metalinguística ou metadiscursiva. Vejamos abaixo um exemplo desse tipo
				de rasuras:</p>
			<p>
				<fig id="f6">
					<label>Figura 6</label>
					<caption>
						<title>Texto “Chapeuzinho vemelho”, produzido por L/LF:</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0024-gf06.jpg"/>
					<attrib>Fonte: L'âme (2014).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Desse trecho podemos aferir que o aluno, quando estava escrevendo “você”, antecipou o
				“m” de “tem” e, ao perceber, produziu uma rasura.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Rasura predominante nas histórias</title>
			<p>Conhecer os tipos de rasura que predominam nos textos escritos pelos alunos pode ser
				um valioso instrumento para se avaliar quais conteúdos de ensino estão em curso,
				quais não estão (mas deveriam estar) e quais precisam ser reforçados. Conforme a
				tabela abaixo, a rasura de tipo ortográfica é a mais frequente nos manuscritos das
				cinco duplas analisadas:</p>
			<p>
			<table-wrap id="t2">
				<label>Tabela 2</label>
				<caption>
					<title>Rasura predominante por história</title>
				</caption>
				<alternatives>
							<graphic xlink:href="t2.jpg"/>
				<table frame="box" rules="all" style="border-color:#d9d9d9">
					<colgroup>
						<col width="20%"/>
						<col width="20%"/>
						<col width="20%"/>
						<col width="20%"/>
						<col width="20%"/>
					</colgroup>
					<thead>
						<tr>
							<th align="center">Histórias</th>
							<th align="center">H1</th>
							<th align="center">H2</th>
							<th align="center">H3</th>
							<th align="center">H4</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">Tipo da rasura</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">Ortográfica</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">Ortográfica</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">Ortográfica</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="center">Ortográfica</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">(%)</td>
							<td align="center">47%</td>
							<td align="center">53%</td>
							<td align="center">41%</td>
							<td align="center">43%</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: L'âme (2014).</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>Elas representaram 46% de todas as rasuras encontradas. Tal resultado assinala que o
				conhecimento ortográfico está em questão para esses alunos, mas em vias de
				estabilização. Alguns exemplos (dentre inúmeros), tais como, “abriu abril a pota” e
				“os porquinhos forao foram” mostram que, malgrado “todo texto rasurado se orientar
				em direção a um texto ideal” (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Rey-Debove,
					1998</xref>, p. 106), as rasuras nem sempre convergem para o “acerto”, pois,
				como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B9">Felipeto (2015)</xref>, “o gesto de
				rasurar daqueles que escrevem está atrelado a um processo extremamente heterogêneo e
				singular e a um reconhecimento intermitente daquilo que está “certo” ou “errado” (p.
				137). Em termos numéricos, foram 313 de um total de 681 rasuras, como mostra a
				tabela abaixo:</p>
			<p>
			<table-wrap id="t3">
				<label>Tabela 3</label>
				<caption>
					<title>Percentual de rasuras produzidas por tipo</title>
				</caption>
				<alternatives>
							<graphic xlink:href="t3.jpg"/>
				<table frame="box" rules="all" style="border-color:#d9d9d9">
					<colgroup>
						<col width="70%"/>
						<col width="15%"/>
						<col width="15%"/>
					</colgroup>
					<thead>
						<tr>
							<th align="left">Tipo</th>
							<th align="right">Quantidade</th>
							<th align="right">Rasuras (%)</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="left">Gráfica</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="right">133</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="right">20%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">
								<bold>Ortográfica</bold>
							</td>
							<td align="right">
								<bold>313</bold>
							</td>
							<td align="right">46%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="left">Antecipação</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="right">26</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="right">4%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Semântica</td>
							<td align="right">83</td>
							<td align="right">12%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="left">Sintática</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="right">125</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="right">18%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Pontuação</td>
							<td align="right">1</td>
							<td align="right">0%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="left">TOTAL</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="right">681</td>
							<td style="background-color:#d9d9d9" align="right">10000%</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: L'âme (2014).</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>Essa totalidade de rasuras perfaz uma média de 34 rasuras produzidas por texto. Logo
				após as rasuras visando a ortografia, vêm as rasuras de tipo gráfica e sintática, a
				primeira, mostrando mais uma preocupação com o formato da letra, a segunda, que a
				ausência de um elemento adequado na ordem das palavras pode acarretar confusão, mal
				entendidos.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Comentários finais</title>
			<p>A análise mostrou que os textos apresentaram uma média de 34 rasuras por texto,
				assinalando que a produção textual entre pares - através dos sucessivos retornos -
				se configura como um lugar de trabalho sobre o escrito. Para <xref ref-type="bibr"
					rid="B7">Fabre (1990)</xref>, toda rasura é uma manifestação da atividade
				metadiscursiva do sujeito, no sentido de que a rasura implica em uma atividade
				discursiva, produzindo uma mudança que deixa os traços desta reflexão.</p>
			<p>Em situações de escrita colaborativa, a presença do outro pode suscitar um processo
				de reflexão sobre a linguagem, de forma ainda mais intensa que quando a escrita é
				realizada individualmente. Isto porque o sujeito é levado a escrever sob os
				questionamentos próprios e também sob os do parceiro (<xref ref-type="bibr" rid="B9"
					>Felipeto, 2015</xref>), aos quais precisa responder.</p>
			<p>Notadamente em situações de escrita colaborativa, os escreventes estão atentos à
				escolha das unidades lexicais, a sua grafia, a questões semânticas, de pontuação,
				escolha sobre as quais eles se interrogam e interrogam o seu parceiro, invocando
				substituições possíveis, colocando em evidência o eixo paradigmático da linguagem.
				Neste sentido, um número maior de rasuras pode ser interpretado como o resultado uma
				vigília metalinguística de um sobre a forma de escrever do outro, de ajustes entre
				os coenunciadores durante o processo de escrita.</p>
			<p>Escrever a dois pode ser favorável à aprendizagem porque encoraja os alunos a
				modificarem seus textos, mesmo que isso não lhes tenha sido solicitado. Neste
				sentido, precisam concordar não apenas sobre o que alterar, mas também sobre como
				alterar. Além disso, como afirmam <xref ref-type="bibr" rid="B5">Dobao e Blum
					(2013)</xref>, ao reunir seus recursos individuais, eles são capazes de alcançar
				um nível de desempenho que está além do nível de competência individual.</p>
			<p>Se a rasura marca uma “atitude negativa, um não gosto disso”, como diz <xref
					ref-type="bibr" rid="B15">Willemart (1996, p. 156)</xref> é porque algo chamou a
				atenção do(s) escrevente(s) e forçou a pausa. Conquanto não se chegue à forma
				esperada, as rasuras poderiam indicar, em situações de escrita colaborativa, a
				produtividade da interação entre os alunos da díade.</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B11">Gaulmyn (2001)</xref> afirma que quanto mais as
				interações são interessantes, mais elas comportam jogos entre os parceiros (p. 36).
				Análises de processos têm indicado que, díades que não interagem qualitativamente
				escrevem seus textos “de um só fôlego”, sem altercações, sem contendas, sem (ou
				praticamente sem) rasuras. Ainda que possa ser uma tarefa complexa para alunos com
				alguma dificuldade, o formato colaborativo parece permitir que os alunos se
				beneficiem das sugestões e questionamentos dados por seus parceiros.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Os dados utilizados neste trabalho são oriundos do Banco de Dados Práticas de
					Textualização na Escola - PTE, pertencente ao Laboratório do Manuscrito Escolar
					- LAME. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de
					Alagoas sob n. 12181113.5.0000.5013. Dessa forma, todos os responsáveis pelos
					alunos assinaram o TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
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						I</italic>. 3ª ed., Campinas, Pontes, 413 p.</mixed-citation>
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					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>BENVENISTE</surname>
							<given-names>É.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<season>195-</season>
					<year>1991</year>
					<source>Problemas de Linguística Geral I</source>
					<edition>3ª ed.</edition>
					<publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
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							<surname>BENVENISTE</surname>
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				<mixed-citation>ZASSO, S. M. B. 2006. Enunciação, escrita e alfabetização: sobre a
					alteridade na linguagem. <italic>Calidoscópio</italic>,
					4(2):121-129.</mixed-citation>
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							<surname>ZASSO</surname>
							<given-names>S. M. B.</given-names>
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					<article-title>Enunciação, escrita e alfabetização: sobre a alteridade na
						linguagem</article-title>
					<source>Calidoscópio</source>
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