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		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="nlm-ta">Calidoscópio</journal-id>
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				<journal-title>Calidoscópio</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Universidade do Vale do Rio dos
					Sinos</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2177-6202</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Vale do Rio dos Sinos</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.4013/cld.2019.171.04</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00004</article-id>
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					<subject>Artigos</subject>
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				<article-title>Constituindo-se professora-pesquisadora na formação inicial: uma
					experiência com o ensino de língua inglesa para adolescentes</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Becoming a teacher-researcher in initial teacher education: an
						experience with teaching english to adolescents</trans-title>
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						<surname>Brito</surname>
						<given-names>Cristiane Carvalho de Paula</given-names>
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					<name>
						<surname>Dias</surname>
						<given-names>Walkiria Felix</given-names>
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					<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>**</sup></xref>
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				<label>1</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Uberlândia</institution>
				<email>depaulabrito@gmail.com</email>
				<institution content-type="original">Universidade Federal de Uberlândia
					depaulabrito@gmail.com</institution>
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				<label>2</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Uberlândia</institution>
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					wkprinci@hotmail.com</institution>
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			<author-notes>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn1">
					<label>*</label>
					<p>Doutora em Linguística Aplicada; Professora do Programa de Pós-Graduação em
						Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Uberlândia.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn2">
					<label>**</label>
					<p>Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da
						Universidade Federal de Uberlândia.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>25</day>
				<month>10</month>
				<year>2019</year>
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			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">-->
				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2019</year>
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			<volume>17</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>56</fpage>
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					<year>2018</year>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo:</title>
				<p>Este artigo investiga a constituição de uma professora-pesquisadora de língua
					inglesa em formação inicial, a partir da discussão dos resultados de uma
					pesquisa cujo foco foi: (i) problematizar a elaboração de material didático de
					ensino de língua inglesa para adolescentes; e (ii) analisar os possíveis
					desdobramentos das práticas de linguagem no desenvolvimento
					linguístico-discursivo e crítico dos alunos. A produção dos materiais, bem como
					a investigação realizada, pautou-se em uma perspectiva enunciativo-discursiva de
					linguagem, em especial nas noções de dialogismo, enunciação e compreensão
					responsivo-ativa e nos estudos da Linguística Aplicada. A análise do material
					didático elaborado aponta que as atividades trabalhadas em sala pautaram-se em
					três principais concepções de língua(gem), a saber: a) a língua como
					transparência; b) a língua como instrumento de comunicação; e c) a língua como
					tomada de posicionamento responsivo-responsável. Nesse sentido, a experiência,
					na formação inicial, de poder ocupar o lugar de professora e de pesquisadora
					parece ter propiciado deslocamentos discursivos que incidiram significativamente
					na prática pedagógica.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract:</title>
				<p>This paper investigates the constitution of a pre-service English
					teacher-researcher from the discussion of the results of a research whose aim
					was: (i) problematize the production of English teaching material for
					adolescents; and (ii) analyse the possible implications of the language
					practices for the linguistic-discursive and critical development of students.
					The production of materials, as well as the investigation carried out, was based
					on an enunciative-discursive perspective of language, especially on the notions
					of dialogism, enunciation and active responsive understanding and on the studies
					of Applied Linguistics. The analysis of the teaching material produced indicates
					that the activities developed in the classes were based on three main
					conceptions of language, namely: a) language as transparency; b) language as a
					tool of communication; and c) language as a responsive-responsible positioning.
					Therefore, the experience, in the early stages of teacher education, of being
					able to occupy the place of teacher and researcher seems to have produced
					discursive dislocations that affected pedagogical practice in a significant
					way.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Ensino de língua inglesa</kwd>
				<kwd>Material didático</kwd>
				<kwd>Formação de professor</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>English teaching</kwd>
				<kwd>Teaching material</kwd>
				<kwd>Teacher education</kwd>
			</kwd-group>
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			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Esse trabalho apresenta resultados de uma pesquisa desenvolvida como parte das
				atividades de um projeto maior intitulado “Ensino de Língua Inglesa para
				adolescentes de classes sociais menos favorecidas - ELIA”<xref ref-type="fn"
					rid="fn3">3</xref>, o qual visava ao ensino da língua inglesa (doravante LI)
				para uma formação crítica do adolescente. Um dos propósitos das aulas ministradas no
				projeto era que, a partir da LI, os alunos pudessem também refletir sobre o seu
				próprio letramento em língua materna e ampliar seus horizontes culturais. Para isso,
				foram propostas discussões, através dos conteúdos discutidos em sala de aula, que
				levaram à reflexão sobre a posição que os alunos ocupam no mundo, abrindo, assim,
				espaço para que eles problematizassem suas percepções de si e do(s) outro(s).</p>
			<p>O projeto em questão aconteceu em consonância com o Projeto Pedagógico do Curso de
				Letras de uma universidade pública mineira e contou com a parceria de uma
				instituição religiosa, que ficou responsável por ceder as salas de aulas, realizar
				as matrículas dos alunos e fornecer a impressão dos materiais usados no curso. Havia
				duas turmas de adolescentes, no projeto ELIA, com 20 alunos em cada. As aulas eram
				gratuitas aos alunos e aconteciam uma vez por semana, por um período de duas horas.
				A professora bolsista se encontrava no final do terceiro ano do curso de Letras,
				quando ingressou no projeto, e contou com a ajuda de uma <italic>English Teaching
					Assistant</italic> - ETA<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref> para ministrar as
				aulas.</p>
			<p>Como parte das ações propostas no referido projeto, desenvolvemos uma pesquisa<xref
					ref-type="fn" rid="fn5">5</xref> pautada na reflexão acerca da elaboração e
				adaptação de materiais didáticos para o ensino de LI, de nível básico, tendo em
				vista uma noção enunciativo-discursiva de linguagem. Neste artigo, fazemos um
				recorte das reflexões desenvolvidas na pesquisa com vistas a lançar olhares sobre o
				percurso de constituição da professora-pesquisadora em formação inicial.</p>
			<p>Mais especificamente, interessa-nos: (i) problematizar a elaboração do material
				didático mencionado, a partir da seleção de amostras de atividades; (ii) discutir os
				possíveis desdobramentos dessas práticas de linguagem no desenvolvimento do
				linguístico-discursivo e crítico dos alunos participantes do projeto; e (iii)
				refletir sobre a relevância da pesquisa na formação da professora bolsista.</p>
			<p>Para isso, explicitamos, primeiramente, o escopo teórico no qual nos inscrevemos para
				pautar a elaboração das aulas e de nossa investigação. Em seguida, passamos à
				descrição e análise de algumas atividades desenvolvidas nas aulas; e, finalmente,
				tecemos algumas considerações de forma a alinhavar os objetivos propostos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Linguística Aplicada, dialogismo e ensino-aprendizagem de LI</title>
			<p>A proposta de ensino-aprendizagem de LI, desenvolvida no projeto ELIA, bem como sua
				problematização por meio da pesquisa empreendida, foram balizadas pelos estudos em
				Linguística Aplicada (LA) em interface com concepções bakhtinianas de linguagem.
				Inscrevemo-nos na perspectiva indisciplinar de LA (<xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>Moita Lopes, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Pennycook,
					2006</xref>), a qual nos permite pensar a linguagem como prática social, sendo a
				interação verbal “a realidade fundamental da língua” (<xref ref-type="bibr" rid="B1"
					>Bakhtin/Volochinov, 1929/2002</xref>, p. 123). Dessa forma, pensar a linguagem
				e seu ensino-aprendizagem significa situá-la sócio-historicamente, considerando como
				nela se constituem sujeitos, na singularidade de seu existir-evento (<xref
					ref-type="bibr" rid="B2">Bakhtin, 1920/2010</xref>).</p>
			<p>Nesse sentido, o material utilizado nas aulas foi adaptado de modo a promover
				possibilidades de práticas de linguagem em LI que levassem em conta o caráter
				enunciativo-discursivo da linguagem, a partir dos pressupostos teóricos postulados
				por Bakhtin e seu Círculo. Os materiais e planejamentos foram cuidadosamente
				elaborados e adaptados para esse contexto específico, e se buscou dar espaço à
				heterogeneidade dos alunos, bem como às suas necessidades e interesses.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B6">Celani (2006)</xref>, uma das importantes
				contribuições das pesquisas em LA diz respeito à função social da aprendizagem de
				uma língua estrangeira (LE) e a importância de se posicionar criticamente frente à
				hegemonia que a língua pode apresentar em determinados momentos históricos. Para a
				autora, a linguagem deve ser entendida como socialmente construída, elemento
				essencial no desempenho de todas as atividades humanas. O aprendizado de uma língua
				estrangeira está diretamente ligado a isso, portanto, a aula e as atividades de LI
				devem estar tão contextualizadas quanto a língua de fato o é; não como parte de um
				recorte de palavras e estruturas aleatórias. Com isso, atividades que partem de
				gêneros discursivos e posteriormente discutem aspectos mais pontuais têm menos
				probabilidade de fugir do contexto tanto dos alunos, quanto do uso que eles farão da
				LE. Essa visão faz coro à visão enunciativo-discursiva de linguagem, postulada pelos
				estudos de Bakhtin e seu Círculo, e que se fundamenta em uma concepção dialógica de
				linguagem. Nas palavras do filósofo,</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar do diálogo:
						interrogar, ouvir, responder, concordar, etc. Nesse diálogo o homem
						participa inteiro e com toda a vida: com os olhos, os lábios, as mãos, a
						alma, o espírito, todo o corpo, os atos. Aplica-se totalmente na palavra, e
						essa palavra entra no tecido dialógico da vida humana, no simpósio
						universal. (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bakhtin, 1979/2003</xref>, p.
						348)</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Na esteira dessa concepção de linguagem, as atividades e materiais elaborados para as
				aulas priorizaram o trabalho com gêneros discursivos que permitissem o engajamento
				comunicativo dos alunos, e não apenas a exploração dos aspectos léxico-gramaticais
				do idioma.</p>
			<p>Pensando na enunciação como um princípio dialógico, tudo o que diz respeito ao
				sujeito é trazido a ele pelo mundo exterior através da palavra do outro, sendo que
				ele não se configura como a origem de seu dizer. A natureza dialógica da linguagem
				aponta, pois, para a impossibilidade da neutralidade na língua, uma vez que a
				palavra está sempre carregada de um conteúdo e sentido ideológico ou vivencial, o
				que torna o uso da linguagem uma prática realizada em sociedade e que acontece
				durante a interação verbal. A enunciação, para <xref ref-type="bibr" rid="B1"
					>Bakhtin (1929/2002)</xref>, é um produto dessa interação de indivíduos
				socialmente organizados e contextualizados, determinada pela situação social
				imediata. Daí a importância das discussões que houve em sala de aula que promoveram
				uma reflexão do aluno adolescente sobre o papel definidor que a linguagem tem no
				lugar que ele ocupa no mundo e os desdobramentos do aprendizado de LI para sua
				realidade e suas futuras possibilidades.</p>
			<p>Os materiais que foram elaborados e adaptados ao longo do curso também tiveram como
				base a noção de compreensão responsiva ativa, isto é, o pressuposto de que “toda
				compreensão é prenhe de resposta e, de uma forma ou de outra, forçosamente a produz:
				o ouvinte torna-se o locutor” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bakhtin,
					1979/2000</xref>, p. 290). Dessa forma, as atividades intentaram propor uma
				tomada de posição em relação ao que era dito e compreendido e qualquer atitude do
				aluno em sala de aula, até mesmo a não resposta, foram consideradas nessa
				pesquisa.</p>
			<p>O <italic>feedback</italic> que demos aos alunos, ao longo do curso, se pautou nas
				considerações de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Zozzoli (2012)</xref>, sendo que
				não utilizamos a noção de erro, mas de inadequação, de forma a considerar o contexto
				linguístico e situacional das produções e interpretações dos alunos. Consideramos
				ainda suas posições enquanto alunos oriundos de uma escola pública periférica, com
				dificuldades e estranhamento com a própria língua materna, o que desencadeou a
				necessidade de que o retorno dado aos alunos em relação às atividades em inglês
				retomasse questões da língua portuguesa. Durante o curso, preocupamo-nos em deixar
				claro aos alunos que existem palavras e estruturas que podem ser adequadas em uma
				situação, mas que não se encaixam em outros contextos.</p>
			<p>Em muitos momentos, os alunos respondiam aos textos e vídeos que estavam em LI, em
				língua materna, sendo esta usada</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>em alguns casos para expressar/confirmar uma compreensão responsiva ativa que
						ainda não pode ser produzida em LE, o que não quer dizer que não haja essa
						compreensão, antes pelo contrário, e que o fato de o aluno realizar essa
						ação faz parte do processo de aprendizagem e deveria ser considerado como
						etapa preliminar, antes da expressão adequada em LE. (<xref ref-type="bibr"
							rid="B17">Zozzoli, 2012</xref>, p. 266)</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Nesse sentido, partimos da compreensão de que, longe de ser um ‘entrave’ ao
				desenvolvimento na LE (como frequentemente se postula na pedagogia de ensino de
				línguas), a língua materna é, antes, base psíquica do sujeito (<xref ref-type="bibr"
					rid="B14">Revuz, 1998</xref>). Nas palavras de <xref ref-type="bibr" rid="B8"
					>Gasparini (2010)</xref>, “uma língua é considerada materna para um sujeito por
				ser o suporte com o qual foram inscritos nele, de forma totalmente singular e única,
				os traços de sua subjetividade, suas experiências de foro mais íntimo” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B8">Gasparini, 2010</xref>, p. 3). É, pois, a língua
				materna que, introduzindo o sujeito no campo do simbólico, lhe permite aprender uma
				LE.</p>
			<p>No que diz respeito tanto à elaboração quanto à adaptação do material didático,
				tentamos, pela sequência das atividades, dar um suporte para que o aluno pudesse se
				deslocar dessa posição de aluno inicial e evoluir para tentativas de produções orais
				e escritas relativamente autônomas. Isso foi feito por meio de materiais que
				introduziam a LE sempre que possível, de acordo com o desenvolvimento dos alunos, de
				forma a tornar a LI cada vez mais viva e ativa, dando, assim, a oportunidade a esses
				adolescentes de participarem de atividades e aulas com temas que lhes fossem
				significantes e que se relacionassem com sua vida prática e seus interesses (<xref
					ref-type="bibr" rid="B17">Zozzoli, 2012</xref>, p. 265).</p>
			<p>Nesse sentido, a relevância deste trabalho se justificou pelo propósito de oferecer
				condições para que os alunos, enquanto sujeitos, pudessem adquirir pelo menos uma
				base para seu desenvolvimento futuro no uso de uma LE. Para <xref ref-type="bibr"
					rid="B6">Celani (2006)</xref>, isso precisa ser preocupação de uma política
				educacional nacional para o ensino de línguas. Ainda de acordo com a autora, o
				caminho para que essas condições sejam alcançadas passa pela compreensão de que a
				aprendizagem não pode ter um fim em si mesma. É necessário, portanto, que tudo o que
				acontece em sala de aula tenha um propósito na vida destes sujeitos para além
				daquele ambiente escolar.</p>
			<p>Aliada à noção de compreensão responsiva ativa, os materiais foram elaborados também
				em consonância com a noção de letramento crítico, compreendido, conforme <xref
					ref-type="bibr" rid="B11">Menezes de Souza (2011)</xref>, como um processo de
				análise de textos orais e escritos em que se coloca em cheque sua suposta verdade. O
				autor afirma que nos novos letramentos o processo é mais amplo e complexo:</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>Entendemos agora que o processo é mais amplo e complexo: tanto o autor quanto
						o leitor estão no mundo e com o mundo. Ambos - autor e o leitor - são
						sujeitos sociais cujos “eus” se destacaram de e tiveram origem em
						coletividades sócio-históricas de “não-eus”; isso não apenas cria um sentido
						de identidade e pertencimento para o sujeito social, mas também uma
						consciência histórica /.../. (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Menezes de
							Souza, 2011</xref>, p. 129)</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B11">Menezes de Souza (2011)</xref>, é fundamental
				que o aluno compreenda essa relação entre o “eu” e o mundo, para que a construção de
				sentido dos textos ocorra. O autor defende que interpretar diferentes enunciados já
				não é suficiente, é necessário que o aluno, enquanto leitor, saiba questionar os
				impactos que esse enunciado tem socialmente, relacionando-o com fatores contextuais
				externos a ele (como política, religião, economia etc). Dessa forma, ocupar um lugar
				de criticidade diz respeito à possibilidade de suspeitar da suposta evidência dos
				dizeres, pela contínua problematização de olhares outros.</p>
			<p>Os conceitos de enunciação, dialogismo, compreensão responsiva ativa e letramento
				crítico foram considerados para a elaboração dos materiais, conforme os textos
				teóricos foram sendo lidos e os planos de aula elaborados. Passamos agora a discutir
				a constituição desse percurso.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="materials">
			<title>Constituindo-se professora-pesquisadora de LI: olhares para o material
				didático</title>
			<p>Como parte das atividades do projeto ELIA, participávamos de reuniões quinzenais em
				que discutíamos temas sobre o ensino-aprendizagem de LI, tais como
					<italic>feedback</italic>, planejamento de aulas, materiais didáticos, ensino de
				leitura, escrita, fala e compreensão oral etc. Também participávamos de reuniões de
				nosso grupo de pesquisa (o Laboratório de Estudos Polifônicos<xref ref-type="fn"
					rid="fn6">6</xref> - LEP), no qual estudamos os conceitos de enunciação,
				alteridade, polifonia, dialogismo, letramento crítico, dentre outros. Desse modo, a
				partir de leituras e discussões sobre o arcabouço teórico acima explicitado, bem
				como sobre a produção e adaptação de material didático, elaboramos a proposta do
				curso de LI para adolescentes e desenvolvemos nossa pesquisa.</p>
			<p>A pesquisa teve natureza qualitativa, com caráter intervencionista, já que nosso
				interesse foi propor e problematizar ações pedagógicas, visando o desenvolvimento
				linguístico-discursivo e crítico em LI dos alunos participantes do projeto. Nosso
					<italic>corpus</italic> se constituiu de: (i) atividades elaboradas pela
				professora-pesquisadora para o ensino de LI; (ii) diários de campo das aulas
				ministradas; e (iii) produção dos alunos com base nas atividades propostas pela
				professora-pesquisadora. Para análise e problematização das atividades pedagógicas,
				fizemos o cotejamento entre o <italic>corpus</italic> mencionado e o escopo teórico
				no qual nos fundamentamos. Selecionamos algumas das atividades elaboradas em
				diferentes momentos do projeto, a saber: no segundo semestre de 2015, e no primeiro
				e segundo semestres de 2016, de forma a lançar olhares para a nossa constituição
				enquanto professora-pesquisadora em formação inicial, entrevendo nossa relação com a
				língua(gem).</p>
			<sec>
				<title>Primeiro Momento (2015/2): a língua como transparência</title>
				<p>Durante as primeiras aulas do projeto, no segundo semestre de 2015, a professora
					bolsista assumiu uma turma em andamento, com cerca de seis alunos, na faixa
					etária de 12 a 14 anos. Por não conhecer os alunos, nem ter tido acesso aos
					planejamentos e atividades das aulas anteriores, em reunião com a ETA voluntária
					e com a professora orientadora, foram escolhidos temas que pudessem familiarizar
					os alunos com a LI e aspectos culturais, tais como: ‘comidas’, ‘indo ao
					restaurante’, ‘direções’.</p>
				<p>Nesse primeiro momento do projeto, a professora bolsista, ainda sem as leituras
					de textos que considerassem a natureza sócio-histórica e ideológica da
					linguagem, elaborava materiais como o que pode ser visto na <xref ref-type="fig"
						rid="f1">Figura 1</xref>, usado para trabalhar os nomes de algumas comidas
					em Inglês. O material em questão foi projetado aos alunos por
						<italic>datashow</italic>, com o objetivo de mostrar a tradução de alguns
					nomes de alimentos.</p>
				<p>
					<fig id="f1">
						<label>Figura 1</label>
						<caption>
							<title>Slide com nomes de alimentos em inglês</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0056-gf01.jpg"/>
						<attrib>Fonte: <ext-link ext-link-type="uri"
								xlink:href="https://englishlessonsoverskype.wordpress.com/2013/04/30/vocabulary-food/"
								>https://englishlessonsoverskype.wordpress.com/2013/04/30/vocabulary-food/</ext-link>
						</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>O plano elaborado para essa aula tinha vários objetivos como: revisar tempos
					verbais, identificar nomes de alimentos, formular frases, etc. Porém, nesse
					material, é possível perceber que os nomes em inglês apenas foram relacionados
					com a imagem correspondente, sem qualquer contexto. Essa foi uma atividade
					pautada apenas na memorização de vocabulário, sendo que os alunos foram
					solicitados a repetir os nomes das comidas e posteriormente foi realizado um
					jogo da memória em que os alunos tinham que relacionar a imagem com seu nome em
					LI.</p>
				<p>Muitas seriam as possibilidades posteriores a esse trabalho de vocabulário,
					inclusive poderiam ser lidos e discutidos textos que tratassem de alimentos
					saudáveis, obesidade etc., porém nessa aula isso não aconteceu. Entendemos que
					apenas o objetivo de identificar os nomes de alimentos na LI tenha sido
					alcançado. O objetivo de revisar os tempos verbais não foi possível, uma vez que
					os alunos não lembravam ou não tinham tido aulas sobre o aspecto gramatical em
					questão e, consequentemente, não foram formuladas frases pelos alunos.</p>
				<p>Na aula seguinte a essa, o objetivo era começar a falar sobre o conceito de
					comida saudável e propusemos uma atividade (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura
						2</xref>) que pudesse oportunizar uma discussão mais significativa à
					formação dos alunos como sujeitos críticos. Começamos revisando os temas
					discutidos na aula anterior e, em seguida, perguntamos aos alunos o que para
					eles era <italic>healthy food.</italic> A partir das respostas dos alunos fomos
					conduzindo a discussão e mostrando frases elaboradas com as comidas que tínhamos
					visto aula passada. Essas frases utilizavam <italic>should</italic> e
						<italic>shouldn’t</italic>, e então, a partir delas, questionamos os alunos
					sobre o efeito de sentido de cada uma das formas.</p>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>Figura 2</label>
						<caption>
							<title>Folha de atividades – <italic>should/shouldn’t</italic></title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0056-gf02.jpg"/>
						<attrib>Fonte: <ext-link ext-link-type="uri"
								xlink:href="http://www.eslprintables.com/vocabulary_worksheets/food/my_favourite_food/my_favourite_food__370674/"
								>http://www.eslprintables.com/vocabulary_worksheets/food/my_favourite_food/my_favourite_food__370674/</ext-link>
						</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Todavia, a atividade apenas exigia que o aluno separasse os alimentos saudáveis
					dos não saudáveis. Nada foi discutido em torno do assunto, apesar desse ser um
					tópico que abre espaço para discussões, como, por exemplo, o que faz um alimento
					ser ou não saudável. Mesmo que os alunos tivessem um nível de inglês iniciante,
					seria possível adaptar um texto em inglês para tratar do assunto e pedir para
					que eles inferissem o assunto do texto em inglês, conduzindo assim a discussão
					desejada.</p>
				<p>A atividade mostrada na <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref> foi
					realizada na mesma aula que a da <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>,
					os alunos relacionaram as imagens aos números, em seguida chamávamos os alunos
					pelo nome, perguntando: <italic>“(Student’s name), to have a healthy life,
						should you or shouldn't you eat pizza?”,</italic> e então repetíamos,
					substituindo o nome do aluno e o alimento em questão. Alguns alunos responderam
					em português, mas a maioria respondeu <italic>should</italic> ou
						<italic>shouldn’t</italic>, havendo variações, como alunos que responderam
						<italic>I don’t</italic>.</p>
				<p>
					<fig id="f3">
						<label>Figura 3</label>
						<caption>
							<title>Folha de atividades – Aula sobre comidas</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0056-gf03.jpg"/>
						<attrib>Fonte: <ext-link ext-link-type="uri"
								xlink:href="https://www.pinterest.es/pin/561964859739345720/"
								>https://www.pinterest.es/pin/561964859739345720/</ext-link>
						</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Além disso, nessas aulas iniciais, algo recorrente era uma sobrecarga de
					conteúdos de ensino e objetivos. Por exemplo, em uma mesma aula, propusemos
					quatro tópicos gramaticais diferentes, como pode ser visto na <xref
						ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>. A nosso ver, isso aponta para a
					visão estruturalista de linguagem que marcava a nossa prática pedagógica na
					época.</p>
				<p>
					<fig id="f4">
						<label>Figura 4</label>
						<caption>
							<title>Plano de aula 1 – 2015/2</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0056-gf04.jpg"/>
						<attrib>Fonte: As autoras.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>O excesso de objetivos gramaticais aponta para a crença de que quanto mais
					gramática melhor e mais produtiva seria a aula, porém o que aconteceu foi que os
					alunos não conseguiam acompanhar as atividades, uma vez que, como era muito
					conteúdo, pouco tempo era dedicado ao trabalho com cada um dos aspectos
					planejados.</p>
				<p>Em uma outra aula, dentro do tema “Indo ao restaurante”, preparamos uma atividade
					com um vídeo do <italic>YouTube</italic>, no qual alguns personagens simulavam
					uma ida ao restaurante e eram atendidos por um garçom que anotava seus pedidos.
					Na folha de atividades, apresentamos a transcrição do vídeo, assim como um
					amontoado de palavras tiradas do diálogo do referido vídeo, porém sem seu
					significado. Os alunos deveriam inferir o significado com mímicas feitas pelas
					professoras e, após a mímica e a constatação de que aquelas palavras haviam sido
					compreendidas, entregamos algumas perguntas relacionadas ao diálogo do vídeo, as
					quais podem ser vistas na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>:</p>
				<p>
			<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title>Perguntas elaboradas pelas professoras sobre o vídeo <italic>Going to
								the restaurant</italic>.</title>
					</caption>
					<alternatives>
							<graphic xlink:href="t1.jpg"/>
					<table frame="box" rules="all">
						<colgroup>
							<col width="100%"/>
						</colgroup>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">1. What did Mary order for her starter?<break/>2.
									What did Ella order as her main course?<break/>3. What did
									George order as his main course?<break/>4. What did Ella order
									to drink instead of red wine?<break/>5. What is the dessert they
									are talking about at the end?</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</alternatives>
						<attrib>Fonte: As autoras.</attrib>
				</table-wrap>
			</p>
				<p>Após as várias leituras sobre ensino-aprendizagem de LI e Linguística Aplicada,
					reconhecemos a limitação de atividades como essas quando se considera a
					linguagem como prática social, uma vez que elas apenas pedem que o aluno
					“localize” algo no texto, mesmo sem compreender o contexto do diálogo. Portanto,
					mesmo que todos os alunos tenham respondido às perguntas, isso parece pouco
					contribuir para seu desenvolvimento linguístico-discursivo e para um
					deslocamento subjetivo capaz de problematizar sentidos naturalizados ou noções
					cristalizadas, instigando-os a levantarem questões que propiciassem o pensamento
					crítico.</p>
				<p>Uma atividade bastante utilizada, nessas primeiras aulas, foram aquelas de
					completar lacunas ouvindo uma música. Apesar de tradicional nas aulas de LI e de
					trabalhar de alguma forma com a questão da sonoridade da LE ou de encorajar o
					aspecto lúdico e motivacional para alguns, não se trata de uma atividade que
					prioriza os aspectos sociais e a produção de sentidos na língua.</p>
				<p>Muitos objetivos eram propostos por aula, sobretudo com foco gramatical, e o
					resultado disso foi não termos alcançado o propósito principal do curso: o
					desenvolvimento linguístico-discursivo e crítico em LI. Segundo <xref
						ref-type="bibr" rid="B15">Rojo (2013)</xref>, o ideal é que o professor
					analise e selecione entre vários materiais didáticos os que mais são relevantes
					à formação dos aprendizes, tendo, todavia, cuidado para que as aulas sejam
					conduzidas por uma espinha dorsal que auxilie um trabalho contínuo e equilibrado
					com a LE, não se configurando, pois, como um amontado de atividades que tenham
					propostas e objetivos diferentes, e às vezes até contraditórios.</p>
				<p>Além disso, a inconstância da presença dos alunos também foi um fator que
					influenciou negativamente o desenvolvimento desse trabalho. Ao final das aulas
					do segundo semestre de 2015, as professoras fizeram uma revisão dos assuntos e
					assim se encerrou o curso. Não houve uma avaliação, ou algo que pudesse nos
					permitir dar um <italic>feedback</italic> aos alunos ou ter um
						<italic>feedback</italic> quanto as aulas. Isso foi repensado
					posteriormente.</p>
				<p>Em termos gerais, é possível notar, através das amostras dos materiais elaborados
						(<xref ref-type="fig" rid="f1">Figuras 1</xref>, <xref ref-type="fig"
						rid="f2">2</xref>, <xref ref-type="fig" rid="f3">3</xref> e <xref
						ref-type="fig" rid="f4">4</xref>), que as aulas se fundamentavam em uma
					concepção de linguagem transparente, como se o ensino-aprendizagem de uma LE
					pudesse ser resumido à apropriação de uma lista de palavras, com efeitos de
					sentido unívocos. Trata-se de uma visão que coloca em cena uma memória de
					aprendizagem escolar, na qual a experiência de se aprender uma língua outra
					delimita-se, em grande parte, à tradução de palavras descontextualizadas ou à
					identificação de aspectos pontuais em textos.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>Segundo Momento (2016/1): a língua como instrumento de comunicação</title>
			<p>As aulas do primeiro semestre de 2016 também contaram com a participação de uma ETA,
				aluna de intercâmbio<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref>. Os planejamentos eram
				elaborados em conjunto e as aulas ministradas pelas duas professoras simultaneamente
				e em LI. Nessas aulas adotamos uma das orientações de Harmer (1998), a saber: a de
				ministrar as aulas na língua alvo e pedir para que alguns alunos que entenderam os
				comandos de sala de aula traduzissem para os colegas que não entenderam, para evitar
				desentendimentos. Inicialmente vinte alunos estavam inscritos, mas, ao longo do
				semestre, tivemos apenas dezesseis frequentes.</p>
			<p>Os temas desse semestre foram escolhidos pensando em contextos que possibilitassem
				que assuntos relevantes aos alunos fossem trabalhados por meio de atividades
				realizadas nas aulas. Os temas iniciais também foram definidos com o intuito de dar
				insumo linguístico que preparasse os alunos para assuntos mais complexos. O tema
					<italic>Classroom Commands</italic> foi escolhido, por exemplo, para que os
				alunos não ficassem completamente perdidos ou assustados quando falássemos em LI com
				eles. Outros temas foram: conhecendo novas pessoas; árvore da família; falando de si
				mesmo; <italic>Wh- words</italic>; vantagens e desvantagens da internet;
					<italic>sports: TV shows</italic> e <italic>sitcoms</italic>; músicas; feriados
				e carreiras.</p>
			<p>Após a experiência do semestre passado, em consonância com as considerações de <xref
					ref-type="bibr" rid="B17">Zozzoli (2012)</xref> e levando em conta o nível
				inicial de aprendizagem de LI em que os alunos se encontravam, procuramos fazer com
				que, desde os primeiros contatos com a LE, os alunos fossem desafiados com
				atividades de produções. Isso aconteceu através dos jogos e brincadeiras em LI que
				aconteciam ao final de cada aula e que encorajavam os alunos a utilizarem os
				aspectos da língua que haviam estudado. A autora salienta que atividades de produção
				podem acontecer já nos níveis iniciais, a fim de minimizar a artificialidade do
				ensino e tornar a língua viva. Ao longo das aulas, percebíamos que, cada vez mais, a
				LI partia da fala dos alunos e não só de nós, professoras.</p>
			<p>Na aula em que introduzimos alguns comandos de sala de aula, jogamos “O mestre
				mandou” em inglês com os alunos. Na primeira rodada, nós, professoras, demos os
				comandos, porém quem permanecia por último podia tomar o nosso posto e dar os
				comandos aos colegas em LI. Alguns alunos pediram ajuda para formular novos comandos
				aos colegas, mas, ainda assim, tentaram sozinhos antes com as frases que nós já
				havíamos usado.</p>
			<p>Em um outro momento, em uma aula diferente, procuramos ensinar os alunos a falarem
				sobre si mesmos, após algumas explicações, jogamos <italic>Four Corners</italic>.
				Neste jogo, os alunos deveriam escolher cantos da sala que correspondessem às
				respostas que completavam frases como: <italic>When I have free time I</italic>... .
				E então os alunos utilizaram as estruturas ensinadas em sala para justificar suas
				escolhas. Uma outra brincadeira como atividade de fixação foi a “Batata Quente”, com
				perguntas feitas em inglês para quem se queimasse com a batata.</p>
			<p>Nas aulas que antecederam a prova, ainda não houve a implementação de propostas que
				contemplassem o letramento crítico, as aulas foram bem introdutórias, apesar de que
				os temas poderiam oportunizar discussões acerca desse aspecto, como, por exemplo, no
				caso do tema família, em que o conceito de família poderia ser trabalhado e
				discutido. Todavia, nos restringimos a ensinar aos alunos como falar em LI os nomes
				dos pais e quantos irmãos eles tinham.</p>
			<p>Durante este período, na maior parte do tempo as atividades se voltavam para a
				apresentação da cultura norte-americana por parte da ETA. Ela contava oralmente em
				LI aos alunos como era sua vida em Nova Jersey, o que gostava de comer, como era sua
				escola, etc. Poderíamos ter trabalhado a comparação entre a realidade narrada pela
				ETA e a realidade brasileira, colocando em alteridade os aspectos culturais, bem
				como promovendo a discussão de diferentes percepções da cultura pelos sujeitos,
				porém isso não aconteceu. Essa comparação poderia até mesmo servir para avaliar o
				quanto os alunos compreenderam do que ela falou, ao invés de estarem posicionados
				como meros receptores de informação.</p>
			<p>Cumpre salientar que, apesar da complexidade do conceito de cultura (<xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Fernandes e Lima, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B10">Kumaravadivelu, 2008</xref>), refutamos perspectivas reducionistas que
				a concebem como conjunto de fatos estáticos acerca do funcionamento de uma sociedade
				e que, comumente, resultam na consolidação de estereótipos. Antes, defendemos a
				visão de que</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>A cultura, assim como a língua e o sujeito, é marcada pela heterogeneidade e
						é no espaço de confluência entre língua, sujeito e identidade que se pode
						pensar o ensino da cultura, um espaço de movências em que subjetividades são
						produzidas e relações de (des)identificações são estabelecidas (<xref
							ref-type="bibr" rid="B5">Brito e Guilherme, 2012</xref>, p. 178).</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Nesse sentido, a participação da ETA nas aulas foi planejada com base no entendimento
				de que o professor de LE pode assumir o papel de interculturalista, ao explorar, no
				trabalho com as línguas (materna e estrangeira), a sensibilização do aluno para as
				diferenças enunciativas e para os processos de produção-compreensão do discurso
					(<xref ref-type="bibr" rid="B16">Serrani, 2005</xref>).</p>
			<p>Em uma das aulas, abordamos as vantagens e desvantagens da internet, como forma de
				discutir com os alunos, em LI, questões com as quais eles estavam em constante
				contato. Adaptamos uma proposta de atividade disponível na internet que nos permitiu
				discutir aspectos culturais do Brasil e dos EUA, como, por exemplo, as diferenças de
				gêneros discursivos (charge e <italic>cartoon</italic>). Essa atividade foi
				complementada com vídeos em LI, que, com explicações e imagens, exploravam o tópico.
				Após os vídeos, cada aluno enumerou, em inglês, algumas vantagens e desvantagens por
				eles identificadas. Por fim, os alunos relacionaram os assuntos discutidos com
				questões de seu cotidiano, como, por exemplo, as vezes em que não puderam assistir
				determinados vídeos no <italic>YouTube</italic> pelo fato de serem menores de idade.
				Levamos em consideração <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bakhtin (2003)</xref>, para
				quem viver significa participar de um diálogo. As aulas a partir daí passaram a ser
				pensadas de modo a desenvolver uma compreensão responsiva ativa dos alunos, por meio
				de temas e atividades que interessassem os alunos e dessem a eles uma oportunidade
				de resposta e tomada de posição.</p>
			<p>Em uma das aulas, trabalhamos com o <italic>Halloween</italic>, a pedido dos alunos,
				porém, para não abordar apenas questões que são comumente tratadas quando se fala
				desse tema, levamos aos alunos dicas de segurança para o Halloween (<xref
					ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>) e um trecho de um episódio de uma série
				que falava sobre o assunto.</p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>Figura 5</label>
					<caption>
						<title>Dicas de segurança para o Halloween</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0056-gf05.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.asecurelife.com/halloween-safety-tips/"
							>http://www.asecurelife.com/halloween-safety-tips/</ext-link>
					</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Os alunos foram divididos em pares e cada dupla recebeu a tarefa de explicar, em
				língua materna, do que se tratava uma das dicas. Ao final dessa atividade, pedimos
				para que os alunos comparassem essas dicas com coisas que os responsáveis por eles
				já haviam falado, e perguntamos acerca da relevância de se estar atento a essas
				dicas no cotidiano. Dentro desse tema foram aparecendo outros, como, por exemplo, a
				importância de nunca se dizer a um estranho que se está sozinho em casa, ou deixá-lo
				entrar. Também nessa atividade, um aluno compartilhou com a turma que existe um
				aplicativo no celular que alerta seus familiares se você estiver em uma emergência e
				manda imediatamente sua localização. A partir da discussão sobre segurança, voltamos
				ao tema da internet que foi trabalhado nas aulas anteriores e falamos sobre como a
				tecnologia poderá futuramente nos manter seguros, mas talvez sem privacidade.</p>
			<p>Houve também, nesse semestre, uma aula sobre carreiras. Realizamos um bingo com os
				alunos. Neste bingo os alunos tinham em suas cartelas os nomes em inglês das
				carreiras e apenas a imagem correspondente era mostrada. Portanto, para preencher a
				cartela, era necessário que o aluno lembrasse qual o nome em inglês daquela
				profissão. Os três primeiros alunos a completarem a cartela ganharam um prêmio
				simbólico.</p>
			<p>As carreiras não foram apenas apresentadas, nós também discutimos sobre a existência
				de algumas profissões que têm mais ofertas de emprego e oportunidades no exterior.
				Dentro da aula em questão, utilizamos um recorte de um texto em português falando
				sobre profissões em que brasileiros se destacam fora do Brasil, colocamos no quadro
				algumas palavras-chave sobre o texto em inglês e conduzimos uma discussão em torno
				do tema na língua alvo. Na maior parte do tempo, os alunos misturavam a língua
				materna com a LE. A nosso ver, essa atividade se configura como um deslocamento das
				propostas realizadas no semestre anterior, quando nos restringíamos a mera
				associação de palavras em LI as suas respectivas traduções ou imagens.</p>
			<p>Além disso, os alunos também trouxeram questões para a discussão de acordo com suas
				vivências, como, por exemplo, que brasileiros e outras pessoas de outras
				nacionalidades vão para outros países e acabam ganhando um bom dinheiro com
				profissões que as pessoas do país se recusam a fazer (faxineiro,
					<italic>baby-sitter</italic>). Em alguns momentos, quando percebíamos que o
				aluno não estava conseguindo desenvolver o que queria dizer por falta de insumo
				linguístico, tentávamos ajudá-lo a traduzir para o inglês ou o deixávamos falar um
				pouco em língua materna, uma vez que não queríamos silenciar suas opiniões com uma
				obrigação de se falar na língua alvo. Nesse sentido, levamos em consideração o que
				diz Zozzoli:</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>No quadro do ensino e da aprendizagem de língua estrangeira (LE),
						primeiramente, considero necessário levar em conta o fato de que, em cursos
						de iniciantes, os alunos necessitam de um período maior de atividades de
						compreensão (oral ou escrita) e que a expressão (oral ou escrita) reduz-se a
						tentativas breves, hesitantes, incipientes e muitas vezes mais calcadas na
						reprodução. (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Zozzoli, 2012</xref>, p.
						265)</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Portanto, ao expressar suas opiniões e pontos de vista, muitas vezes os alunos
				careciam de vocabulário. Posteriormente, para evitar que os alunos só se
				expressassem em língua materna, ou se acostumassem com essa possibilidade, pedíamos
				que eles utilizassem celulares, internet e dicionários e escrevessem em LI suas
				opiniões.</p>
			<p>Como conclusão do primeiro semestre de 2016, optamos por uma atividade avaliativa em
				que os alunos, em grupos, deveriam apresentar para os colegas e para os alunos da
				outra sala do projeto alguns aspectos que aprenderam durante o semestre. Cada grupo
				deveria então escolher um dos tópicos trabalhados e montar uma apresentação em torno
				desse tópico. Junto com essa apresentação, eles também deveriam entregar uma
				autoavaliação que considerasse todo o curso e o desempenho deles durante as aulas,
				assim como o comprometimento que tiveram.</p>
			<p>Os temas escolhidos pelos alunos foram: esportes; feriados e profissões. Os alunos
				haviam sido alertados de que a apresentação do trabalho final não deveria ser uma
				mera exposição de saberes, e sim um momento para que quem estivesse assistindo
				pudesse entrar em contato com o que eles aprenderam ao longo das aulas. Portanto, o
				grupo das profissões repetiu com a plateia o bingo realizado em sala de aula. Ao
				trabalhar com esportes, os alunos brincaram de mímica com o nome do esporte em
				inglês. Já o grupo responsável por falar um pouco sobre os feriados promoveu uma
				“Caça aos Ovos” com as dicas em língua inglesa.</p>
			<p>Durante as apresentações, os alunos também enumeraram aspectos relacionados à cultura
				brasileira. Por exemplo, os que falaram sobre os feriados trouxeram o calendário
				escolar em outros países falantes de inglês e mostraram que o ano letivo é diferente
				do Brasil e que não há tantos feriados ao longo do ano. O grupo que trabalhou as
				profissões, por sua vez, chamou a atenção para a necessidade de se avaliar
				cuidadosamente a busca por uma vaga de emprego fora do país, uma vez que existem
				vários problemas em torno do tema envolvendo tráfico de pessoas e trabalho
				escravo.</p>
			<p>Na autoavaliação feita pelos alunos, foi possível constatar que optar por temas que
				requerem uma tomada de posicionamento do aprendiz foi fundamental até mesmo para uma
				mudança de comportamento, como pode ser visto no depoimento de um aluno, retirado de
				sua autoavaliação:</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>Sobre meu comportamento no curso, confesso que no início conversei um pouco e
						não prestei atenção nas aulas, porém, conforme o curso foi avançando,
						comecei a me interessar mais no curso e no assunto que se tratava e meu
						comportamento melhorou bastante. (Aluno, turma 2016/1)</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Notamos que a escolha do tema ajudou até mesmo a manter a atenção dos alunos na aula,
				uma vez que se o assunto interessa e exige uma tomada de posição, eles se mantêm
				atentos e engajados com as atividades das aulas. Diferente do que ocorre com aulas
				puramente gramaticais, como as que foram desenvolvidas no primeiro semestre do
				projeto. Isso fica claro quando comparamos o comportamento na turma de seis alunos
				do semestre anterior, em que havia bem mais conversa paralela e dispersão do que na
				turma desse semestre, em que cerca de 16 alunos eram frequentes.</p>
			<p>Pudemos perceber deslocamentos em nossa prática pedagógica, evidenciada na elaboração
				do material didático, nesse segundo momento do projeto. Em sua maioria, as
				atividades propostas parecem ter priorizado a língua como instrumento de
				comunicação, ao propiciar a troca de informações, o compartilhar de ideias e
				opiniões sobre temas diversos, a intepretação de textos orais e escritos, enfim, a
				interação na/pela LI. Em relação ao letramento crítico, propriamente dito, sentimos
				falta de atividades que abrissem mais espaço para o aluno constituir-se como sujeito
				de uma língua outra, de modo a problematizar dizeres naturalizados e práticas
				sociais cristalizadas, na/pela linguagem, e que corroboram a manutenção do
					<italic>status quo</italic>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Terceiro Momento (2016/2): a língua como tomada de posição
				responsivo-responsável</title>
			<p>No segundo semestre de 2016 as aulas foram retomadas, mantendo os mesmos alunos do
				semestre anterior. Dessa vez, escolhemos trabalhar com unidades, partindo de um tema
				maior, que seria tratado ao longo de algumas aulas<xref ref-type="fn" rid="fn8"
					>8</xref>. O primeiro grande tema foi ‘relacionamentos’. Abordamos esse tema por
				subtópicos, a saber: relacionamentos amorosos; familiares e de amizade. Esse tema
				foi escolhido pelo fato de entendermos que, com base nos assuntos trabalhados
				anteriormente, os alunos já tivessem um insumo linguístico para se expressarem tanto
				na escrita quanto de forma oral.</p>
			<p>Cada um dos subtemas dentro de relacionamentos foi trabalhado a partir de uma música.
				A letra era disponibilizada e, após atividades relacionadas às músicas e
				levantamento de conhecimento prévio, questionávamos os alunos em relação à
				compreensão das letras. Utilizamos perguntas que elucidassem não apenas aspectos
				relacionados à superfície do texto, mas também que explorassem o gênero musical em
				questão e os possíveis efeitos de sentido das canções. A partir dessas perguntas,
				solicitávamos que os alunos escrevessem um pequeno parágrafo em LI com suas
				vivências e de seus familiares acerca do tema. Esses textos eram lidos por mim e
				pela professora voluntária e considerávamos apenas a questão da construção de
				sentidos, pontuando apenas inadequações mais recorrentes.</p>
			<p>A segunda unidade desse segundo semestre foi sobre aspectos culturais de diferentes
				países. Escolhemos esse tema com o objetivo de trabalhar a questão da diversidade e
				problematizar estereótipos (como, por exemplo, a de que a LI se restringe aos
				Estados Unidos). Muito frequentemente em aulas de LI, há um foco exacerbado na
				cultura do outro, graças ao caráter estrangeiro da língua que está em jogo na
				dinâmica de sala de aula. Porém existe uma diversidade que encaramos no dia a dia, e
				ela também deve ser considerada:</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>Quando se fala em “outras culturas”, é comum que venha à mente do leitor a
						referência a outras culturas estrangeiras, de outros países que falam outras
						línguas. Essa é uma possibilidade. Mas com a ampliação dos estudos sobre
						cultura, pode-se também interpretar que essas “outras culturas” estão muito
						próximas de cada professor e aluno, em seus próprios meios de convivência
						(como é o caso da diversidade com a qual todos convivemos). (<xref
							ref-type="bibr" rid="B4">Brasil, 2006</xref>, p. 97).</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Nesse sentido, tendo em mente a importância de se considerar o próprio meio de
				convivência dos alunos, após esse trabalho de discussão dos costumes em outros
				países, houve uma discussão sobre a cultura de nosso país e os alunos fizeram em
				casa textos curtos sobre a cultura brasileira. Os textos foram lidos e comentados,
				na segunda aula dessa unidade, abrindo espaço para que os alunos falassem de si
				mesmos e de seus próprios costumes e questionassem estereótipos. Durante a aula,
				notamos que alguns alunos reforçaram estereótipos que nós, como brasileiros,
				recebemos no exterior, porém outros questionaram esse argumento, defendendo que não
				devemos generalizar uma cultura inteira com base no que uma minoria faz.</p>
			<p>Ao trabalhar na aula com esses estereótipos, percebemos que a maioria dos alunos não
				sabia o que eram alguns conceitos que apareciam na discussão de cultura até mesmo em
				português. Portanto selecionamos alguns conceitos mais polêmicos (tais como
				antipatia, discriminação, preconceito, racismo e xenofobia) e montamos slides para
				discutirmos na terceira aula, com tirinhas, memes<xref ref-type="fn" rid="fn9"
					>9</xref> e charges retirados da internet, todos com textos em inglês. Durante a
				aula em que os slides foram utilizados, cada aluno ficou responsável por ler,
				interpretar e descrever uma das imagens. Nessa mesma atividade, os próprios colegas
				iam corrigindo e ajudando uns aos outros quando havia algum equívoco na descrição.
				Todas as imagens causaram discussões, porém em língua portuguesa, por isso foi
				necessário que mediássemos essas explicações e participações dos colegas para que a
				atividade não tomasse mais tempo do que deveria. Não vetávamos as opiniões dos
				alunos acerca do conteúdo, entretanto pedíamos que tentassem se expressar em LI e os
				ajudávamos a produzir frases, mesmo que curtas na língua alvo, para completar seus
				comentários em língua materna, como, por exemplo: <italic>I can not agree with
					that</italic> ou <italic>This is wrong on so many levels</italic>.</p>
			<p>Com o tempo, observamos que já não era necessário que direcionássemos a aula para uma
				discussão acerca do ponto de vista dos autores dos textos trabalhados, os próprios
				alunos já assumiam esse papel ao questionarem e se posicionarem quanto ao conteúdo.
				Isso começou a ocorrer inclusive quando os colegas discutiam entre si, como
				aconteceu, nessa mesma aula, em que trabalhamos uma publicação feita no Twitter, que
				pode ser vista na <xref ref-type="fig" rid="f6">Figura 6</xref>.</p>
			<p>
				<fig id="f6">
					<label>Figura 6</label>
					<caption>
						<title>Material utilizado na aula sobre cultura.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0056-gf06.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Twitter.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>A publicação em questão foi trabalhada da mesma forma que as outras imagens contidas
				nos slides dessa aula. Um aluno foi escolhido para ler e explicar o que estava
				escrito e, ao fazê-lo, afirmou que não deveríamos levá-lo a sério, pois a pessoa que
				tuitou disse que estava brincando, porém uma das alunas alertou o colega que essa
				“brincadeira” a ofendia, uma vez que ela era negra e que esse tipo de estereótipo
				não deveria ser reforçado nem como forma de piada.</p>
			<p>Em uma das aulas, ainda dentro dessa mesma unidade, trabalhamos com um vídeo em que
				crianças de Serra Leão, portadoras de deficiência causada pelo Pólio, contavam como
				eram suas vidas. O vídeo estava em LI e não tinha legenda, por isso fizemos uma
				transcrição e montamos uma folha de atividades com perguntas que direcionavam os
				alunos aos aspectos do vídeo que queríamos trabalhar em sala.</p>
			<p>Uma das crianças que conta sua história no vídeo mencionou a dificuldade que pessoas
				com deficiência têm ao utilizarem o banheiro. Ao serem questionados acerca de como
				se sentiam ao irem ao banheiro, os alunos demonstraram estar impactados e juntos
				discutimos sobre como o que é normal e comum para alguém pode ser um problema para
				outro. Dentro do contexto em questão, em que a criança do vídeo havia acabado de
				falar que os banheiros de sua escola não são amigáveis para deficiências, os alunos
				repensaram a questão de utilizar o banheiro de deficientes quando ele está
				desocupado, uma vez que a pessoa com deficiência precisar descer da cadeira de rodas
				e se arrastar pelo chão para utilizá-lo. Nesse caso, a compreensão de uma língua
				outra oportunizou o questionamento sobre a acessibilidade no Brasil, e no contexto
				local, haja vista a indagação de que talvez não passasse uma cadeira de rodas pela
				porta da sala em que estávamos.</p>
			<p>Como trabalho final, para a última aula, os alunos foram orientados a fazerem memes
				em inglês (<xref ref-type="fig" rid="f7">Figuras 7</xref> e <xref ref-type="fig"
					rid="f8">8</xref>) ou vídeos (<xref ref-type="fig" rid="f9">Figura 9</xref>) com
				frases e falas em LI, o tema era livre, porém os alunos deveriam explicar a escolha
				dos temas. Os trabalhos seriam postados pelos alunos no <italic>Facebook</italic>,
				no grupo da turma, de forma que a professora intercambista também pudesse acompanhar
				o resultado das produções dos alunos, uma vez que ela já havia voltado para os EUA.
				Ademais, esse trabalho foi também uma forma de incentivar os alunos a usarem a LI
				fora da sala de aula e ter a oportunidade de interagirem com os colegas mesmo após o
				final do curso. O <italic>feedback</italic> aconteceu em forma de comentário na
				própria publicação e de encorajamento pelo trabalho realizado. Os alunos que optaram
				pela elaboração de memes, utilizaram fotos de si mesmos, dos colegas e da professora
				para a produção</p>
			<p>
				<fig id="f7">
					<label>Figura 7</label>
					<caption>
						<title>Meme elaborado por aluno</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0056-gf07.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>
				<fig id="f8">
					<label>Figura 8</label>
					<caption>
						<title>Meme elaborado por aluno<xref ref-type="fn" rid="fn10"
							>10</xref></title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0056-gf08.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>
				<fig id="f9">
					<label>Figura 9</label>
					<caption>
						<title>Vídeo elaborado por aluno<xref ref-type="fn" rid="fn11"
							>11</xref></title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2177-6202-rc-17-01-0056-gf09.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>As atividades propostas no terceiro momento do projeto apontam para o nosso desejo de
				que os alunos utilizassem a língua alvo para falar sobre si mesmos, sobre suas
				famílias, sobre seus gostos e sonhos. Isso acontecia, muitas vezes, numa mistura de
				português e inglês, porém, nesse segundo semestre, eles já conseguiam conversar com
				a professora voluntária, que não entendia muito português, sem que a professora
				bolsista precisasse ser mediadora da conversa, algo que eles mesmos perceberam e que
				apontaram nas autoavaliações do curso entregues ao final do semestre. Um dos alunos
				chegou a dizer que as aulas se tornaram uma relação de troca, eles aprendiam a LI e
				ensinavam português para a intercambista, como se vê em seu depoimento:</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>O curso me trouxe muitas oportunidades de ampliar o meu vocabulário. Além
						dele ser gratuito, nós podíamos ter contato com uma pessoa que também estava
						buscando conhecimento aqui no Brasil (que veio dos Estados Unidos), então o
						curso funcionou como uma troca, nós ajudávamos ela a ampliar o vocabulário
						dela, enquanto estava nos ajudando a ampliar o nosso. (Aluno, turma
						2016/2)</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Nessa avaliação do curso feita por um dos alunos, é possível notar que não houve um
				deslumbramento pela cultura do outro, em especial pela cultura norte-americana, algo
				muito recorrente em aulas de inglês, de forma a estabelecer uma relação unilateral.
				Antes, notamos que os alunos se viram como portadores de conhecimento (no caso, da
				língua portuguesa) e sentiram que o processo de ensino-aprendizagem que aconteceu na
				sala de aula foi na verdade uma troca de sua língua materna pela aprendizagem da
				língua do outro. Isso é relevante, uma vez que, no contexto de ensino de LI no
				Brasil, nós, os não falantes da LI como língua materna, somos muitas vezes colocados
				em uma posição de quem tem apenas conhecimento a receber, aprender e aceitar, o que
				não aconteceu durante o curso. Além disso, em “ela estava nos ajudando” e não “nos
				ensinando”, é possível notar que o aluno assume a posição de protagonista de sua
				própria aprendizagem. Nesse sentido, ousaríamos dizer que as várias relações de
				alteridade colocadas em cena, ao longo das aulas, possibilitaram que os aprendizes
				se vissem como enunciadores de uma língua outra.</p>
			<p>Apesar de compreendermos que a memória de uma língua transparente e de
				ensino-aprendizagem como mera aquisição de itens lexicais ou aspectos gramaticais ou
				simples instrumento de comunicação nos constitui como aprendiz e professora de LI,
				percebemos alguns deslocamentos em nossa prática pedagógica ao longo do curso. Nesse
				terceiro momento, percebemos que as atividades propostas ensejaram a voz dos alunos,
				o cotejamento de diferentes pontos de vista, a percepção de si e dos outros, enfim,
				a possibilidade de ver a aprendizagem de uma LE como tomada de posição
				responsivo-responsável no mundo.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Ao longo de nossa participação como professora-bolsista, no projeto ELIA, tivemos
				autonomia na elaboração dos planos de aula e materiais didáticos. Pudemos também
				refletir sobre nossa prática pedagógica e planejamento através do
					<italic>feedback</italic> da orientadora, que analisava e comentava todos os
				planos de aula. As respostas dos alunos às atividades também nos ajudaram a refletir
				sobre as aulas e a pensar em modificações necessárias para o desenvolvimento de um
				processo de ensino-aprendizagem que fosse mais significativo.</p>
			<p>Como as atividades e planejamentos foram elaborados concomitantemente com a
				realização das aulas, pudemos perceber que tanto houve avanços e melhorias no
				formato da aula e na forma com que trabalhávamos como na participação dos alunos.
				Mesmo as primeiras aulas que não contaram com muitas intervenções dos discentes,
				serviram como base para que no fim eles já estivessem preparados e à vontade com a
				LI, não só para falar com a ETA, mas também comentar sobre os conteúdos das
				atividades, se posicionar sobre elas e até mesmo realizar apresentações e seminários
				com algumas falas na língua alvo. Além disso, com o tempo os alunos já não se
				esqueciam de que nenhum texto é neutro e os questionamentos passaram a ser feitos
				pelos próprios alunos. Os materiais elaborados e adaptados se preocupavam com
				aspectos linguísticos, mas partindo de assuntos e discussões que mobilizassem a
				identificação por parte dos alunos e uma consequente resposta ao conteúdo.</p>
			<p>Ao longo do curso os alunos relatavam suas experiências prévias com o aprendizado de
				línguas. Segundo eles, estavam mais acostumados com aulas cujo foco maior era no
				conteúdo gramatical. Comentavam que, na maior parte do tempo, não tinham espaço, nas
				aulas de língua inglesa, para opinar ou se posicionar, portanto, não estavam
				acostumados com propostas dialógicas de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, as aulas
				não só provocaram um deslocamento na visão dos alunos acerca da LI, mas também
				possibilitaram que eles escolhessem como iriam aprender a língua e de que forma esse
				aprendizado seria avaliado.</p>
			<p>Cumpre por fim ressaltar que o desenvolvimento da proposta aqui discutida trouxe-nos
				um desafio: o de se inscrever em uma teoria de forma a propor atividades de
				ensino-aprendizagem e, ao mesmo tempo, tomar distância para analisá-las. Distância
				que não implica a recusa da subjetividade do pesquisador, mas a necessidade de um
				outro posicionamento discursivo. Posicionamento esse que, em nosso caso,
				permitiu-nos entrever um <italic>corpus</italic>, delineá-lo e configurá-lo como
				unidade - ainda que ilusória - para dar sentido ao percurso desenvolvido pela
				professora em formação inicial. O batimento - entre a posição de professora e a de
				pesquisadora - parece-nos ser um caminho importante para possíveis deslocamentos na
				formação do educador de línguas. Não se trata de defender que as concepções de
				linguagem que identificamos em nosso percurso foram ‘abandonadas’ ou substituídas,
				antes trata-se de pensar a formação - e a prática docente - como processo contínuo
				de desarranjos em memórias discursivas provocado pelo encontro-confronto com o(s)
				outro(s).</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>O projeto foi desenvolvido de outubro de 2015 a junho de 2017 e contou com a
					coordenação geral da Profa. Dra. Carla Vieira Tavares. Contamos, durante esse
					período, com o financiamento da FAPEMIG, a quem agradecemos pelo apoio
					financeiro.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Alunas norte-americanas que faziam intercâmbio na Instituição de Ensino Superior
					em que o projeto foi desenvolvido.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>A pesquisa foi desenvolvida pela segunda autora desse texto, uma das bolsistas do
					Projeto ELIA, sob a orientação da primeira autora.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>O grupo de pesquisa Laboratório de Estudos Polifônicos é coordenado pela Profa.
					Dra. Maria de Fátima Fonseca Guilherme e pela Profa. Dra. Cristiane C. de Paula
					Brito.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Havia no projeto duas salas, divididas por faixa etária. Na sala em que essa
					pesquisa foi desenvolvida os alunos tinham de 12 a 14 anos, enquanto na outra de
					14 a 16.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Os temas trabalhados foram: relacionamentos; aspectos culturais de diferentes
					países; jogos de improvisação e memes. Cada um deles foi explorado em cerca de
					duas a três aulas, dependendo do interesse dos alunos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>“A expressão meme de Internet é usada para descrever um conceito de imagem,
					vídeos, gifs e/ou relacionados ao humor, que se espalha via Internet”. Fonte:
						<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Meme_(Internet)"
						>https://pt.wikipedia.org/wiki/Meme_(Internet)</ext-link>. Acesso em
					23/02/2018.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Transcrição do enunciado escrito pelo aluno: <italic>When you get a higher score
						on the test than the whole room.</italic></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>Transcrição do enunciado escrito pelo aluno: <italic>Super powers? Yes. Haters
						Gonna Say It’s Fake.</italic></p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
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							<surname>BAKHTIN</surname>
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						</name>
						<name>
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						</name>
					</person-group>
					<season>192-</season>
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					<source>Marxismo e Filosofia da Linguagem</source>
					<edition>9ª ed.</edition>
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