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			<journal-id journal-id-type="nlm-ta">Calidoscópio</journal-id>
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				<journal-title>Calidoscópio</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Universidade do Vale do Rio dos
					Sinos</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2177-6202</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Vale do Rio dos Sinos</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.4013/cld.2019.171.06</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00006</article-id>
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					<subject>Artigos</subject>
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				<article-title>O agir docente e suas implicações na construção do objeto de ensino:
					entre o prescrito e o real da atividade</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Teacher’s act and its implications on the construction of the
						teaching object: between the prescribed and the real of the
						activity</trans-title>
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					<name>
						<surname>Nascimento</surname>
						<given-names>Elvira Lopes</given-names>
					</name>
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					<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>*</sup></xref>
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				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Silva</surname>
						<given-names>Kleber Ferreira da</given-names>
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					<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>**</sup></xref>
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				<label>1</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade Estadual de Londrina</institution>
				<email>elopes@sercomtel.com.br</email>
				<institution content-type="original">Universidade Estadual de Londrina
					elopes@sercomtel.com.br</institution>
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				<label>2</label>
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					klebersilvams@gmail.com</institution>
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			<author-notes>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn1">
					<label>*</label>
					<p>Professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn2">
					<label>**</label>
					<p>Doutorando em Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Londrina.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>25</day>
				<month>10</month>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">-->
				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2019</year>
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			<volume>17</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>97</fpage>
			<lpage>120</lpage>
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				<date date-type="received">
					<day>16</day>
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				</date>
				<date date-type="accepted">
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					<year>2018</year>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo:</title>
				<p>O presente artigo possui como finalidade discutir as possíveis contribuições
					advindas de práticas formativas no contexto da disciplina <italic>Gêneros
						Discursivos/Textuais e Práticas Sociais</italic> - da área de concentração
					Linguagens e Letramentos, no Programa de Mestrado Profissional em
					Letras/PROFLETRAS, contexto em que o conceito de desenvolvimento é definido como
					um processo resultante da interação de conflitos entre os recursos internos já
					disponíveis do sujeito em formação e os recursos novos que o meio cultural lhe
					propõe. Nessa perspectiva, o gesto profissional inscreveu-se numa dinâmica
					pautada em macropreocupações que foram demonstradas na análise multifocal dos
					diferentes aspectos pelos quais formador e formando promovem a tradicional
					ruptura entre os domínios da teoria e da prática, evidenciando a relação
					conflitiva entre o prescrito, o planejado, o realmente executado e o que foi
					impedido por fatores diversos. Nas várias etapas do trabalho, apreenderam-se
					tanto gestos profissionais que demonstraram nuances de uma abordagem
					clássica/tradicional na construção do objeto de ensino, como também, em resposta
					aos apelos sociais pela inovação das práticas, gestos que representam uma
					tentativa de chegar às práticas discursivas como objeto de conhecimento em sala
					de aula.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract:</title>
				<p>The main goal of this paper is to discuss the possible contributions of training
					practices in the context of a course entitled <italic>Discursive/Textual Genres
						and Social Practices</italic> - from the area of ​​concentration Languages
					​​and Literacies, taught in the Professional Master’s Program in Language and
					Literature/PROFLETRAS, a context in which the concept of development is defined
					as a process resulting from the interaction of conflicts between the trainee’s
					available internal resources and the new ones enabled by the cultural
					environment. Through this perspective, the professional gesture is inscribed
					into a dynamic based on macro preoccupations that were demonstrated in a
					multifocal analysis of the different aspects through which trainer and trainee
					promote the traditional rupture between the domains of theory and practice,
					demonstrating the conflicting relationship between what is prescribed, planned,
					actually executed and hindered by different factors. In the various stages of
					the work, professional gestures that showed the nuances of a classic/traditional
					approach in the construction of the teaching object were apprehended, as well
					as, in response to social appeals for the innovation of practices, gestures that
					represent an attempt to develop discursive practices as objects of knowledge in
					the classroom.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>desenvolvimento</kwd>
				<kwd>agir docente</kwd>
				<kwd>construção do objeto de ensino</kwd>
				<kwd>gestos profissionais</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>development</kwd>
				<kwd>teaching work</kwd>
				<kwd>construction of the teaching object</kwd>
				<kwd>professional gestures</kwd>
			</kwd-group>
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		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>As pessoas, assim como as ferramentas/artefatos (materiais ou psicológicos
				sócio-historicamente construídos), podem atuar como elementos mediadores nas
				interações organizadas em atividades que possibilitam a apropriação pelos sujeitos
				de pré-construídos sociais, conhecimentos coletivos e produtos culturais a cada
				etapa de desenvolvimento conquistado. Assim, o nível de desenvolvimento anterior vai
				se transformando e sendo superado. O conflito, entendido como o confronto de
				representações que emergem nessas interações pode ser gerador de desenvolvimento se
				levar os indivíduos a reverem conceitos e representações sociais. Na perspectiva do
				interacionismo social vigotskiano assumida por <xref ref-type="bibr" rid="B24"
					>Schneuwly (2008)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B5">Bronckart
					(2013)</xref>, o desenvolvimento pode ser definido como um processo resultante
				da interação de conflitos entre os recursos internos já disponíveis do aprendiz e os
				recursos novos que o meio cultural lhe propõe. Nessa perspectiva, os conhecimentos
				novos a que um sujeito em formação/aprendiz tem acesso só terá caráter
				desenvolvimental se o conflito proporcionado por eles for administrável pelo
				aprendiz. Ou seja, o aprendiz deve ser capaz de gerenciar esse conflito de modo que
				seu resultado seja positivo, promovendo uma reorganização psíquica. Assim, nós,
				formadores, propomos os elementos que pareçam ser desenvolvimentais para o aprendiz,
				“mas é ele, e somente ele, que se desenvolve... ou não” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B5">Bronckart, 2013</xref>, p. 90).</p>
			<p>Em nossa investigação, o conceito de conflito se torna muito importante para o que
				entendemos como desenvolvimento. Ao compreendermos que o conflito pode ser propulsor
				de desenvolvimento, pensamos nas situações-problema que propomos aos sujeitos em
				formação, conduzidas a partir da nossa mediação, na expectativa de levá-los à
				revisão, reconstrução ou ressignificação de conceitos de pensamento e negociação de
				significados.</p>
			<p>Tomando o conflito como um possível desencadeador do processo de desenvolvimento,
				propomo-nos a investigar as tensões e conflitos vivenciados por professores
				participantes das diferentes etapas da sequência de formação no contexto da
				disciplina <italic>Gêneros Discursivos/Textuais e Práticas Sociais</italic> - da
				área de concentração Linguagens e Letramentos, no Profletras. A proposta dessa
				disciplina fundamenta-se no conceito de gêneros (<xref ref-type="bibr" rid="B3"
					>Bakhtin/Volochinov, 1992</xref>), nas propostas da engenharia didática (<xref
					ref-type="bibr" rid="B12">Dolz, 2016</xref>) e nas possibilidades práticas
				abertas sobre o <italic>paradigma de aprendizagem interativo</italic> (<xref
					ref-type="bibr" rid="B15">Lemke, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22"
					>Rojo, 2017</xref>). Pretendemos refletir sobre o trabalho de uma professora de
				Língua Portuguesa no percurso de formação como orientanda da docente dessa
				disciplina, no trabalho de planejamento de sequência didática e posterior
				implementação em sua escola de origem. Interessa-nos, sobretudo, o fazer educacional
				em seu triplo estatuto: 1. o que o professor faz; 2. como o faz; 3. o que pensa
				sobre o que faz. Essa complexidade nos impulsiona a atravessar a passagem de uma
				didática dos saberes a ensinar para uma didática da compreensão e da explicação do
				agir educacional.</p>
			<p>Articulamos esta reflexão a partir de uma dupla perspectiva teórica e metodológica:
				a) a partir dos postulados da engenharia didática (<xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>Dolz, 2016</xref>) em que se busca articular a razão instrumental (ligada às
				diferentes possibilidades para o desenvolvimento da linguagem), a lógica
				profissional (para a elaboração de produtos, objetos, ferramentas e atividades
				escolares destinadas ao ensino e aprendizagem das línguas) e b) a que busca
				compreender o trabalho como um patrimônio que se conserva e se renova
				histórico-culturalmente em um processo de repetição, adaptação e reinvenção na
				atividade real (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Clot, 2010</xref>). Nos conflitos
				vivenciados pela professora para o planejamento e implementação de uma sequência de
				atividades didáticas pelo viés dos gêneros textuais, buscamos compreender o seu agir
				em sala de aula na relação entre o prescrito, o planejado, o realmente executado e o
				que foi impedido por fatores diversos.</p>
			<p>A formação continuada no contexto daquela disciplina constitui, portanto, o lócus de
				nossas reflexões e, ao mesmo tempo, é o objeto de um estudo mais sistêmico em que se
				articulam: 1. A didática da língua; 2. A formação profissional de professor; 3. Os
				conteúdos específicos da disciplina em foco; 4. O desenvolvimento das capacidades
				docentes (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Stutz, 2012</xref>) que permitem ao
				professor ajustar/adaptar/ressignificar gestos profissionais de um coletivo de
				trabalho a uma situação que produz tensão pelo fato de que o agir da professora em
				foco está mergulhado em um contexto que sofre coerções determinadas por inúmeros
				fatores.</p>
			<p>A partir desse quadro teórico e prático da formação, buscamos identificar as zonas de
				tensão que o trabalho didático pelo viés dos gêneros representa no agir de uma
				professora que retorna à universidade para uma formação depois de longos anos de
				exercício profissional. A noção de gênero, por si só, representa pontos de tensão
				para ela (habituada a focalizar durante anos a gramática e a “redação” como eixos
				centralizadores de seu trabalho). No âmbito daquela disciplina curricular, os
				gêneros textuais desempenharão um papel crucial na atividade de trabalho docente e
				sobre o desenvolvimento pessoal do próprio professor, assim como para a evolução de
				seu fazer profissional (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Machado e Lousada,
					2010</xref>).</p>
			<p>Ratificando o programa de trabalho do ISD (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bronckart,
					2006</xref>), partimos de uma perspectiva de análise descendente que pressupõe
				um movimento dialético permanente o qual parte dos pré-construtos sociais
				(compreendendo as atividades sociais, as formações sociais, as línguas e os gêneros
				de uma sociedade); passando pelos processos de mediação sociossemióticos (por meio
				dos quais se constroem os conhecimentos e a identidade pessoal) e chegando aos
				efeitos dos processos de mediação e apropriação.</p>
			<p>Nesse programa teórico-metodológico, englobamos os movimentos do agir docente para
				efetivarmos uma análise multifocal do processo multifacetado em que um objeto de
				conhecimento sofre transformações para ser ensinado em diferentes níveis,
				considerando a premissa segundo a qual um objeto de conhecimento é um pré-construto
				social que é transformado, explicitado, programado e elementarizado (decomposto) ao
				entrar na esfera escolar. Num primeiro nível de transposição, os conhecimentos de
				referência (científicos) transformam-se em conhecimentos a serem ensinados, tais
				quais apresentados nos referenciais curriculares e no material didático. Num segundo
				nível, os conhecimentos a serem ensinados transformam-se em conhecimentos
				efetivamente ensinados em sala de aula. Este segundo nível tem sido pouco estudado e
				constitui o foco principal deste texto.</p>
			<p>Na perspectiva da análise multifocal proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B1"
					>Aeby-Daghé et al. (2009)</xref>, acrescentamos à análise do segundo nível a
				apreensão de enunciados e gestos de uma profissional docente na implementação de
				sequência didática em sala de aula do ensino fundamental que apontem para marcas do
				gênero da atividade profissional bem como para variações estilísticas desse gênero
					(<xref ref-type="bibr" rid="B9">Clot, 2006</xref>) , considerando com <xref
					ref-type="bibr" rid="B11">Clot e Faïta (2000)</xref> que é preciso reconhecer
				que, ao agir, os profissionais não se voltam apenas para o coletivo de trabalho e
				suas obrigações. Eles se voltam também para si próprios. Em suas palavras: “O estilo
				é também a distância que um profissional interpõe entre sua ação e sua própria
				história, quando ele a corrige, a retoca...” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Clot e
					Faïta, 2000</xref>, p. 16-17).</p>
			<p>Os professores se apropriam (ou não) dos artefatos sociais, materiais e simbólicos à
				sua disposição no coletivo de trabalho que, acionados como recursos (que lhes dão
				capacidades), buscam resolver os conflitos existentes na situação concreta de
				trabalho. Nessa perspectiva, defendemos que o gênero de atividade, ou gênero
				profissional, materializa-se por <italic>gestos</italic> que caracterizam diferentes
				maneiras de fazer, de realizar o trabalho. O gênero de atividade e o estilo
				individual de cada um encontram-se representados nos textos orais ou escritos
				produzidos pelo professor no trabalho e sobre o trabalho.</p>
			<p>Assim, tomamos os gestos de recriação e adaptação ao contexto como indícios de
				conflitos e tensões resultantes do enfrentamento de situações-problema causadas
				pelos apelos à inovação com a implementação de práticas alicerçadas em um novo
				paradigma educacional (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Lemke, 2010</xref>), segundo
				o qual há fortes apelos para que as ferramentas tecnológicas medeiem as práticas com
				a leitura e a produção de textos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O gênero profissional - instrumento do agir docente</title>
			<p>Refletir sobre o processo de construção dos conteúdos de ensino pela via da
				epistemologia escolar, a partir da tese defendida por <xref ref-type="bibr" rid="B8"
					>Chevallard (1985)</xref>, significa interpretar a mediação didática como um
				processo dinâmico que precisa ser desvelado. O agir do profissional da educação é
				pautado por dispositivos normativos que constituem um conjunto de restrições e
				prescrições de ordem epistemológica, teórica e metodológica pertinentes à “matriz do
				agir profissional” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Nascimento e Brun, 2017</xref>,
				p. 48). Segundo essas autoras:</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>Os gestos apontam para uma “matriz do agir profissional” onde se entrelaçam
						pensamento e atividade, numa relação em que distinguimos quatro
						possibilidades de análise: a) os gestos corporais e discursivos relacionados
						aos posicionamentos enunciativos do professor; b) os gestos que introduzem
						os saberes que invocam processos de transposição didática; c) os gestos de
						ajustamento que caracterizam as tomadas de decisão nas interações entre os
						atores da sala de aula; d) os gestos que se revelam como ação ética em uma
						situação determinada. (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Nascimento e Brun,
							2017</xref>, p. 48)</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Nesse sentido, o agir profissional é informado pelo “coletivo do trabalho” onde se
				configuram <italic>gêneros de atividade profissional</italic>, ou seja, maneiras de
				fazer que se tornam comuns naquele coletivo de trabalho. As análises das marcas do
				gênero da atividade profissional apontam para os gestos fundadores da profissão
					(<xref ref-type="bibr" rid="B2">Aeby-Daghé e Dolz, 2008</xref>), enquanto que as
				variações estilísticas desse gênero configuram gestos específicos de
				ajustamento/adaptação/recriação que podem ajudar na compreensão da construção de um
					<italic>métier</italic> profissional.</p>
			<p>Consideramos os gestos fundadores do fazer educacional e os gestos específicos do
				estilo pedagógico individual como elementos simbólicos que atrelados ao uso de
				instrumentos técnicos e semióticos compõem o instrumental da atividade docente. Ao
				estudarmos o gesto de um profissional da educação buscamos, de um lado, o “toque
				social” do coletivo de trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Clot, 2010</xref>)
				e, de outro, as variações estilísticas dessa atividade nas formas de agir de um
				sujeito singular. Como já foi dito, assim como os gêneros de discurso de <xref
					ref-type="bibr" rid="B3">Bakhtin (1992)</xref> são constituídos por “tipos
				relativamente estáveis de enunciados”, os gêneros de atividade também são
				relativamente estáveis e compreendem tanto os enunciados convencionados pelo
				coletivo - os gêneros de discurso - como também os gestos pragmáticos que constituem
				gêneros de técnicas individuais (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Lima, 2016</xref>)
				desenvolvidas pelo trabalhador na execução da tarefa. Portanto, ao nos referirmos
				aos gestos profissionais, incluímos nesse conceito as noções de gêneros de discurso
				e gêneros da atividade profissional, o que abrange os aspectos discursivos e
				pragmáticos do agir profissional.</p>
			<p>Nesta pesquisa, interessa-nos a atuação de uma professora que ciente de seu papel
				executa tarefas, mobiliza técnicas, enfrenta imprevistos, faz adaptações; enfim,
				mobiliza seu “saber-fazer” na medida do possível, em prol da maior eficiência e
				efetividade em sala de aula. O “saber-fazer” dessa profissional implica a capacidade
				de operacionalizar os gêneros da atividade nas circunstâncias vivenciadas em uma
				sala de aula de escola pública na educação fundamental. É sobre a linguagem situada
				no contexto escolar que lançamos o olhar, movidos pelo objetivo de compreender as
				repercussões dos gestos profissionais que se manifestam nas situações escolares,
				onde as práticas de ensino e aprendizagem das línguas são marcadas pela forma
				escolar. Também buscamos compreender o modo particular de socialização dos saberes
					(<xref ref-type="bibr" rid="B12">Dolz, 2016</xref>) que constituem o currículo
				escolar, apontando os objetos de ensino que podem ser identificados como um objeto
				discursivo (um gênero oral ou escrito), gramatical (unidades e estruturas da língua)
				ou cultural (patrimônio literário, história da língua, etc.). Saberes a ensinar que
				são recontextualizados pelas atividades escolares que o professor seleciona
				conscientemente para agir sobre eles, evidenciando-os nas práticas, nos objetos
				ensinados e nas formas sociais pelas quais o professor age em sala de aula (<xref
					ref-type="bibr" rid="B13">Dolz, 2013</xref>, p. 181).</p>
			<p>Em uma sequência de atividades didáticas implementadas, podemos construir uma visão
				geral dos conteúdos e tomadas de decisão do professor segundo os critérios pautados
				em: a) critérios do <italic>paradigma da aprendizagem curricular</italic> da
				perspectiva clássica tradicional que enfatizam os letramentos da letra ou do
				impresso e os gêneros discursivos da tradição e do cânone; b) critérios do
					<italic>paradigma da aprendizagem interativa</italic> pautado nos objetos de
				aprendizagem digitais (OAD) que combinam o currículo da letra e do impresso aos
				multiletramentos e novos letramentos contemporâneos (<xref ref-type="bibr" rid="B15"
					>Lemke, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Rojo, 2017</xref>).</p>
			<p>Conforme o ponto de vista de um desses paradigmas, o professor aciona recursos para o
				agir em sala de aula que constituem diferentes formas sociais de trabalho: trabalho
				individual, em duplas, em grupos, ditados de tarefas, cópia de conteúdos passados na
				lousa, explicações magistrais, exposições orais frontais, correções individuais,
				correções coletivas, leituras explicativas etc. Nesses contextos, os gestos
				fundadores do ofício ausentam-se ou “desmancham-se” nos gestos específicos de
				ajustamento, adaptação ou recriação.</p>
			<p>Assim, defendemos a identificação dos gestos e do agir didático nas atuações dos
				professores para uma melhor compreensão do trabalho docente. Nessa apropriação do
				gênero da atividade, o profissional tem a prerrogativa de usar a técnica à sua
				maneira, modificando esse gênero (instrumento simbólico) de acordo com os fatores e
				recursos a seu dispor. É nesse espectro que se revela a estilística do “ator” em
				sala de aula posto que “[...] O estilo pode ser definido, portanto, como uma
				metamorfose do gênero [...]” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Clot, 2010</xref>, p.
				127).</p>
			<p>O real da atividade (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Clot, 2010</xref>, p. 129) se
				realiza entre duas memórias: uma pessoal e outra transpessoal. Nesse sentido, o
				autor complementa que a atividade seria o “teatro permanente de um movimento com
				sentidos opostos: estilização dos gêneros e variação de si” - disso emerge o estilo
				e os gestos singulares de recriação do gênero da atividade. Provocar reflexão sobre
				as tensões que emergem desse duplo movimento constitui, em nossa investigação, um
				debate interpretativo (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bronckart, 2013</xref>) que
				leva à tomada de consciência de elementos da atividade até então não percebidos,
				cuja significação é discutida nas trocas com o formador (como por exemplo, nas
				situações de entrevista de autoconfrontação a cenas de aula gravada em vídeo). Esse
				debate, essa controvérsia sobre as formas e as condições de realização do trabalho
				faz surgir um novo olhar sobre a experiência vivenciada que contribui para a
				reconstrução de significações sobre a atividade - processo que pode ser propulsor de
				desenvolvimento dos formandos. Nessa perspectiva, o instrumento da ação (o gênero
				profissional dado) é convertido, pelo gesto, em instrumento próprio
				(re-criado/adaptado). Nesse sentido, e conforme <xref ref-type="bibr" rid="B27"
					>Vygotski (1925) 2003</xref>, o instrumento torna-se objeto e o objeto torna-se
				instrumento.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Os gestos didáticos e as macropreocupações do trabalho educacional</title>
			<p>As questões que nortearam as análises do conjunto de dados estão relacionadas ao
				objetivo maior da pesquisa que é o de compreender como se dá a construção da prática
				docente tendo em vista as disputas entre teorias, prescrições oficiais,
				autoprescrições e métodos de ensino. No diálogo entre os enunciados/textos que
				prescrevem os saberes, competências e capacidades para o exercício da docência e os
				saberes experienciais contidos na bagagem de vida do professor, buscamos respostas
				às questões que emergem de dois campos de observação dos gestos: 1. Quais gestos
				profissionais aparecem no trabalho real de implementação de uma sequência didática
				com foco no gênero textual carta do leitor? 2. Quais gestos didáticos de recriação e
				ajustamento são acionados no trabalho real em que se dá a transposição didática do
				objeto selecionado? Sob quais dimensões do objeto eles se materializam? Sob quais
				formas eles se apresentam? Quais sentidos e efeitos da ação do professor são tomados
				como momentos de tensão, autocrítica e autorregulação?</p>
			<p>Com base em <xref ref-type="bibr" rid="B2">Aeby-Daghé e Dolz (2008)</xref>
				classificam-se os gestos didáticos fundadores a partir do objeto de ensino como
				referência para o agir do professor: a) <italic>Presentificação</italic> - consiste
				em mostrar aos aprendizes o objeto de ensino com os suportes adequados; tem por
				finalidade apresentar aos alunos os objetos do saber que passarão por um processo de
				didatização por meio de dispositivos adequados; b) <italic>Elementarização</italic>
				- consiste no dimensionamento particular do objeto, o que implica a desconstrução e
				a colocação em evidência de certas dimensões que são ensináveis em um contexto
				determinado; c) <italic>Focalização</italic> de uma (ou mais) dimensão ensinável do
				objeto a ensinar - desconstrução e colocação em evidência dessas dimensões; d)
					<italic>Formulação de tarefas</italic> - possibilita a entrada do objeto no
				dispositivo didático, por esse gesto o professor apresenta consignas/comandos de
				trabalho pelos quais o objeto é presentificado. É a porta de entrada dos
				dispositivos didáticos; sua concretização envolve a utilização de comandos; e)
					<italic>Implementação de atividades pelos dispositivos didáticos</italic> -
				consiste na colocação em cena dos dispositivos didáticos no quadro de uma atividade
				escolar (textos de apoio, exercícios, objetos diversos etc.). São os meios para
				enquadrar uma atividade escolar - pressupõe a mobilização de suportes (textos,
				esquemas, objetos reais etc.); f) <italic>Memória didática</italic> - gestos para
				resgatar objetos já trabalhados e permitir a articulação com o novo objeto de saber;
				a memória didática pressupõe a colocação do objeto de ensino na temporalidade
				escolar para permitir convocar a memória das aprendizagens; g)
					<italic>Regulação</italic> - gestos para diagnosticar dificuldades em relação a
				uma etapa do processo, visando ao estabelecimento de metas para provocar o
				desenvolvimento de capacidades; a regulação refere-se à “[...] coleta de informação,
				interpretação e, se necessário, a correção do objeto de ensino de uma sequência de
				ensino” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Schneuwly, 2009</xref>, p. 38) e inclui
				dois fenômenos intrinsecamente relacionados: as regulações internas e as regulações
				locais. As regulações internas, centradas nas estratégias para obter as informações
				sobre o estado dos conhecimentos dos alunos (processo diagnóstico), podendo estar no
				início, durante ou no fim de uma atividade didática. As regulações locais operam
				durante as atividades didáticas, em uma discussão com os alunos ou no decorrer de
				uma tarefa. A avaliação é considerada um gesto didático específico de regulação; h)
					<italic>Institucionalização</italic> - constituída pelos gestos direcionados à
				fixação do saber (externo) que deve ser utilizado pelos aprendizes nas
				circunstâncias novas (internas) em que serão exigidos. Apresenta-se sob a forma de
				uma generalização, envolvendo a apresentação de informações sobre o objeto de ensino
				e especialmente colocando em evidência os novos aspectos desse objeto que os alunos
				devem aprender.</p>
			<p>Ademais, conforme proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bucheton e Soulé
					(2009)</xref>, entendemos que os gestos didáticos são ancorados em ações
				(operações) que desvelam as macropreocupações da agenda profissional ou do trabalho
				educacional, a priori, implícitas. Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B19"
					>Nascimento (2014, p. 121)</xref> postula que “[...] a multiagenda de
				preocupações deve percorrer, implicitamente, toda a gama de estratégias e técnicas
				que os profissionais da Educação Básica acionam para desenvolver o trabalho”. A
				seguir, apresentamos os procedimentos metodológicos que permitem mostrar o agir
				docente fundamentado implicitamente nas macropreocupações que o constituem: a
				tessitura dos saberes, a pilotagem dos projetos e ações, a criação da atmosfera
				didática que busca promover o envolvimento interpessoal e o monitoramento constante
				do agir dos aprendizes.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Procedimentos metodológicos</title>
			<p>O objetivo da investigação é de buscar indícios dos gestos de recriação/transformação
				e ajustamento dos gestos fundadores do gênero profissional relacionados aos impactos
				provocados nas práticas profissionais pelos objetivos e conteúdos oriundos da
				disciplina <italic>Gêneros Discursivos/Textuais e Práticas Sociais</italic> - da
				área de concentração Linguagens e Letramentos, no Profletras, UEL . Pelos recursos
				acionados naquela disciplina, pretendemos refletir sobre o trabalho de uma
				professora de Língua Portuguesa no percurso de formação como orientanda da docente
				que a ministrou, no trabalho de planejamento de sequência didática e posterior
				implementação em sua escola de origem. Interessa-nos, sobretudo, o fazer educacional
				em seu triplo estatuto: 1. o que o professor faz; 2. como o faz; 3. o que pensa
				sobre o que faz (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Nascimento, 2014</xref>). Essa
				complexidade nos impulsiona a atravessar a passagem de uma didática dos saberes a
				ensinar para uma didática da compreensão e da explicação do agir educacional.</p>
			<p>A Sequência Didática, doravante SD, foi produzida por uma professora da Educação
				Básica, tendo em vista as aulas de LP para turmas do 7º ano do Ensino Fundamental,
				diurno, em uma escola pública. Essa docente tinha como principal objetivo focalizar
				um gênero textual da ordem do argumentar, a saber, a carta do leitor. A
				implementação da SD foi registrada em mídia audiovisual materializando a geração dos
				dados que configuram o objeto de estudo focalizado neste artigo.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Procedimentos para uma análise multifocal do agir docente</title>
			<p>Salientamos que o trabalho educacional em foco não se encontra isolado, mas em uma
				rede de relações sociais existentes em um determinado contexto sócio-histórico,
				parte de um sistema de ensino e se situa em um sistema educacional específico. A
				pesquisa em andamento, adaptada para o contexto educacional de uma escola pública
				brasileira, inspirada nos encaminhamentos metodológicos apontados por <xref
					ref-type="bibr" rid="B23">Schneuwly e Dolz (2009)</xref>, assenta-se em uma
				análise multifocal desenvolvida em quatro níveis, como se pode visualizar no <xref
					ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>, a seguir:</p>
			<p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title>Procedimentos para uma análise multifocal da transposição
						didática</title>
				</caption>
				<alternatives>
							<graphic xlink:href="t1.jpg"/>
				<table frame="box" rules="all" style="border-color:#538135">
					<colgroup>
						<col width="50%"/>
						<col width="50%"/>
					</colgroup>
					<thead>
						<tr>
							<th align="center" style="background-color:#A8D08D">Procedimentos
								metodológicos:</th>
							<th align="center" style="background-color:#A8D08D">Resultados
								esperados:</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="center" colspan="2" style="background-color:#E2EFD9">
								<bold>Primeiro foco:</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top"><bold>1.</bold> Analisar os textos
								prescritivos oficiais e institucionais.</td>
							<td align="left" valign="top">&#x2022; Compreender as "recomendações"
								oficiais do ponto de vista epistemológico e metodológico em relação
								ao agir docente.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td colspan="2" align="center" valign="top"
								style="background-color:#E2EFD9">
								<bold>Segundo foco:</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top"><bold>1.</bold> Analisar uma sequência de
								ensino na sua totalidade a partir de dois
									pontos:<break/><bold>a.</bold> descrever as partes principais e
								secundárias que constituem a sinopse da sequência didática
									(SD);<break/><bold>b.</bold> descrever a lógica de construção do
								objeto ensinado por meio dos encadeamentos das atividades escolares
								propostas pelo professor na SD.</td>
							<td align="left" valign="top">&#x2022; Identificar na SD o elemento
								desencadeador (a consigna inicial).<break/>&#x2022; Identificar as
								transformações no dispositivo didático pela entrada de suportes
								materiais (<italic>slides</italic>, textos, questionário, anotações
								na lousa etc.).<break/>&#x2022; Chegar a uma primeira descrição
								global dos modos de construção do objeto.<break/>&#x2022;
								Identificar padrões comuns a diferentes SD.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td colspan="2" align="center" valign="top"
								style="background-color:#E2EFD9">
								<bold>Terceiro foco:</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top"><bold>1.</bold> Revelar as formas de
								articulação entre o modelo clássico e representacional do objeto de
								ensino e o modelo comunicacional integrado a uma prática discursiva
								contextualizada, assim como o papel das prescrições de referência
								para esse ensino.<break/>Considerando a multiagenda de
								macropreocupações do professor, esse foco de análise dirige-se aos
								gestos profissionais fundamentais necessários ao ensino das
								diferentes dimensões de um objeto:<break/><bold>a.</bold>memória e
								antecipação didática;<break/><bold>b.</bold>construção de
								dispositivos didáticos;<break/><bold>c.</bold>avaliação e
									regulação;<break/><bold>d.</bold>institucionalização.</td>
							<td align="left" valign="top">&#x2022; Identificar os gestos
								profissionais como instrumentos de mediação entre professor-alunos
								acionados para o ensino-aprendizagem dos objetos.<break/>&#x2022;
								Compreender as posturas pedagógicas, éticas e transversais nos
								gestos de ajustamento dos gestos profissionais fundadores do
									<italic>métier</italic>.<break/>&#x2022; Identificar no modelo
								clássico e representacional formas de trabalho do objeto de ensino
								articuladas aos tipos textuais escolares típicos: narração e
								dissertação.<break/>&#x2022; Identificar no modelo comunicacional
								integrado a focalização nos gêneros textuais e na textualização e as
								possibilidades de convívio entre práticas mais tradicionais.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td colspan="2" align="left" valign="top"
								style="background-color:#E2EFD9">
								<bold>Quarto foco:</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top"><bold>1.</bold> Comparar diferentes
								sequências didáticas quanto aos encadeamentos das atividades
								escolares e à lógica de construção do objeto ensinado.</td>
							<td align="left" valign="top">&#x2022; Identificar nas sequências
								didáticas os encadeamentos e a lógica de construção do objeto
								ensinado.</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B19">Nascimento
						(2014)</xref>.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>Neste texto mencionaremos dados referentes ao segundo e ao terceiro focos
				explicitados no <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>. Salientamos que a
				sinopse (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Schneuwly, Dolz e Ronveaux, 2006</xref>)
				configura uma síntese do trabalho real, na ordem cronológica da sua realização
				efetiva na sala de aula - o que implica a observação cuidadosa do agir do professor
				em relação ao tratamento que é dado ao objeto de ensino e às transmutações pelas
				quais ele passa no processo de transposição didática em uma situação concreta de
				ensino-aprendizagem. Nessa perspectiva, a condição essencial imposta ao elemento
					<italic>saber</italic> consiste na sua <italic>transformação</italic> para que
				ele possa se tornar apto a ser ensinado.</p>
			<p>Considerando o propósito de analisar e descrever a lógica de construção do objeto a
				ensinar/ensinado a partir de encadeamentos das atividades escolares planejadas na SD
				(autoprescrição), procuramos compilar a sequência didática em um instrumento mais
				apreensível para ser analisado. Esse instrumento, denominado
					<italic>Sinopse</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Schneuwly, Dolz e
					Ronveaux, 2006</xref>), é decorrente da organização dos dados obtidos na análise
				da SD escrita pela professora e possibilita: a) a descrição e análise das principais
				partes da estrutura da sequência de ensino, delimitadas pelas atividades escolares;
				b) o levantamento dos conteúdos mobilizados pela professora; c) a descrição das
				dimensões ensináveis do objeto de ensino que serão contempladas, permitindo uma
				visão geral e também detalhada da elementarização/delimitação do objeto de ensino na
				forma como é planejado o trabalho a ser efetivado na sala de aula.</p>
			<p>Na realização do trabalho analítico, com o objetivo de apreender os movimentos de
				construção do objeto, focalizamos um conjunto de dimensões do objeto de ensino: a)
				segmentos de orientação temática - SOTs (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bulea,
					2010</xref>) para o primeiro recorte da organização dos conteúdos abordados; b)
				encadeamentos das atividades escolares nos módulos da SD; c) o levantamento dos
				encadeamentos do trabalho (movimentos) que a professora pretende efetivar (e
				realmente efetivados) na sala de aula, concretizados num número “X” de atividades
				escolares que compõem (ou organizam/ estruturam) um número “Y” de encadeamentos
				explicitados no segundo e terceiro focos no <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro
					1</xref>.</p>
			<p>Os dados focalizados no sistema didático (ou seja, no nível em que encontra
				polarizado pelo professor, alunos e objeto de ensino no qual podemos constatar os
				conhecimentos efetivamente ensinados) foram gerados numa situação de
				ensino-aprendizagem constituída pela mobilização de saberes de uma professora
				experiente da rede pública estadual do estado do Paraná (PR), como atividade
				inserida na formação contínua atrelada ao Mestrado Profissional, conforme
				mencionamos. Nessa ação em que se evidenciam as vertentes da atividade docente, cabe
				ao professor a construção do saber escolar sobre uma prática social de referência
				configurada no gênero textual que foi presentificado na sala de aula como o objeto
				de ensino: a carta do leitor.</p>
			<p>A transposição didática do objeto deu-se no período de 20 dias letivos, com 5 aulas
				semanais, totalizando 4 semanas. A Sinopse da sequência didática constituiu uma
				ferramenta metodológica pela qual pudemos visualizar as interações professora-alunos
				para a construção conjunta do objeto de ensino, os recursos mobilizados, os
				movimentos de ensino, enfim, as formas sedimentadas do trabalho escolar efetivamente
				realizado. A Sinopse construída a partir da observação direta ou das transcrições
				das filmagens das aulas permite que um observador externo recomponha/reagrupe e
				constitua um resumo narrativizado das atividades escolares em seus elementos
				hierarquizados e assim evidencie as formas pelas quais o professor delimita o objeto
				de ensino (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Schneuwly, Dolz e Ronveaux,
				2006</xref>).</p>
			<p>No decurso de implementação da SD que foi registrada em material audiovisual,
				focalizamos o momento em que a professora parte para a implementação da aula
				planejada como a atividade, a denominada oficina/módulo (Oficina 4) elencada no
				plano global da Sequência Didática elaborada pela professora, sujeito desta
				pesquisa. Assim sendo, ao elaborar a Sinopse (apresentada no <xref ref-type="table"
					rid="t2">Quadro 2</xref>), para determinar o objeto, recorremos ao conceito de
				segmento de orientação temática - SOTs (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bulea,
					2010</xref>), conforme consta em realce na Sinopse apresentada. Essa análise
				permitiu a identificação de duas categorias: a) gestos didáticos específicos
				mobilizados com êxito na aula implementada; b) gestos suprimidos por questões
				intervenientes relacionadas com a situação imediata da atividade. O primeiro foco da
				análise permite o desvelo de gestos didáticos (movimentos discursivos e pragmáticos)
				específicos que configuram o estilo singular do agir da docente que ministrou a aula
				analisada, repletos de tensão proveniente da necessidade de articulação dos saberes
				cristalizados em anos de experiência profissional e seu esforço para mobilizar
				conteúdos teóricos e metodológicos da engenharia didática trabalhados no curso de
				formação. O segundo foco de análise recaiu sobre os gestos suprimidos ou “amputados”
				por questões intervenientes abarcadas pela atividade real, ou seja, recaiu sobre a
				atividade planejada, mas frustrada, impedida, não executada.</p>
			<p>
			<table-wrap id="t2">
				<label>Quadro 2</label>
				<caption>
					<title>Sinopse: Carta do leitor (sequência didática planejada, ainda não
						implementada)</title>
				</caption>
				<alternatives>
							<graphic xlink:href="t2.jpg"/>
				<table frame="box" rules="all">
					<colgroup>
						<col width="30%"/>
						<col width="30%"/>
						<col width="40%"/>
					</colgroup>
					<thead>
						<tr>
							<th align="center" colspan="3" style="background-color:#000000">
								<styled-content style="color:#ffffff">Sinopse da Sequência didática
									– carta do leitor</styled-content>
							</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="center">Encadeamento: atividades escolares no
								planejamento<break/>(SOTs)</td>
							<td align="center">As tarefas implicadas nos
								encadeamentos<break/>(STTs)</td>
							<td align="center">As ações da professora e alunos resultantes das
								consignas orais e escritas nos encadeamentos da SD (mediadas por
								instrumentos técnicos e semióticos)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">1. Gêneros Textuais do Narrar Ficcional e Gêneros
								textuais do Argumentar</td>
							<td align="left">Compreensão e caracterização de textos do agrupamento
								do narrar ficcional e do expor argumentativo</td>
							<td align="left">&#x2022; Apresentação justificada da necessidade de
								estudar gênero da ordem do narrar.<break/>&#x2022; Montagem de um
								painel de identificação/distinção dos gêneros do narrar e
								argumentar.<break/>&#x2022; Tarefa de busca/seleção de um exemplo de
								gênero textual "texto" da ordem do narrar ficcional e da ordem do
								argumentar.<break/>&#x2022; Apresentação justificada do texto da
								ordem do narrar ficcional, da ordem do argumentar.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">2. O discurso Argumentativo, contexto de produção
								(suporte, intenção e destinatário). Debate oral</td>
							<td align="left">Compreensão do discurso argumentativo e realização de
								escuta de debate regrado (discussão de tema social polêmico)</td>
							<td align="left">&#x2022; Busca e seleção de textos argumentativos
								(assinados); caracterização do suporte, destinatário,
								intenção/posicionamento.<break/>&#x2022; Definição/explicação da
								noção de "fato social polêmico".<break/>&#x2022; Listagem, realizada
								em dupla, de questões sociais polêmicas.<break/>&#x2022; Como tarefa
								de casa, individual, desenvolver uma pesquisa de um tema social
								polêmico.<break/>&#x2022; Listagem dos temas (que instigam debate)
								trazidos pelos alunos no quadro de giz e apresentação de exemplos de
								debates na tv.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">3. O debate</td>
							<td align="left">Debate regrado, construção da argumentatividade</td>
							<td align="left">&#x2022; Debate oral sobre a Lei nº 18.118/2014, com
								separação de grupo, apresentação de argumentos e escolha e porta
								voz, observadas as regras e ambientação do local.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">4. A Carta do Leitor</td>
							<td align="left">Carta do leitor: apontamentos sobre o contexto de
								produção e da arquitetura interna da carta do leitor (elementos do
								plano textual global)</td>
							<td align="left">&#x2022; Alimentação do painel da sala com diversos
								textos do gênero carta do leitor com assuntos contemporâneos.
								<break/>&#x2022; Promoção de reflexão sobre a liberdade de
								expressão, sobre o direito a liberdade individual. <break/>&#x2022;
									<bold>Leitura de exemplares em voz alta e questionamento aos
									alunos (atividade oral): sobre informações do contexto de
									produção.</bold><break/>&#x2022; Leitura (silenciosa) do gênero
								textual (referenciado/ reportado).<break/>&#x2022; Questionamento, a
								partir de um roteiro, que implica atividade de análise com respostas
								escritas no caderno sobre caracterização do gênero (contexto de
								produção), intertextualidade, posicionamento e recepção
								crítica.<break/>&#x2022; Realização de segunda leitura (desta vez,
								individual).<break/>&#x2022;  Análise, levantamento de questões e
								respostas sobre a arquitetura interna/ plano global, posicionamento
								argumentativo, tipo de discurso e tipologia textual
								desenvolvidos.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">5. Produção textual diagnóstica: carta do leitor</td>
							<td align="left">Produção de uma carta do leitor, com base em um comando
								de atividade</td>
							<td align="left">&#x2022; Leitura de uma notícia e construção/escrita de
								uma carta do leitor mostrando o posicionamento em relação à questão
								(polêmica) abordada: "proibição da utilização de qualquer
								equipamento eletrônico dentro de salas de aula do Paraná".</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">6. Caracterização da carta do
								leitor/opinião/argumentos</td>
							<td align="left">Identificação e exercício de capacidades de ação
								referentes à situação de comunicação;<break/>Planificação do texto
								referente às Capacidades Discursivas;<break/>Textualização.
								Distinção entre fato e opinião.</td>
							<td align="left">&#x2022; Revisão da carta do leitor produzida noutra
								"oficina". Atividade diagnóstica com base em grade de constatação
								"tabela de verificação do plano textual global". <break/>&#x2022;
								Análise coletiva das cartas produzidas pelos alunos, por meio de
								apresentação dinamizada e interativa, com uso de recurso digital.
								<break/>&#x2022; Leitura e atividade individual com aprofundamento
								sobre a argumentação: conceito e tipos de argumento<break/>&#x2022;
								Identificação e seleção (recorte) de 2 exemplares da carta do leitor
								publicados em periódico, com a identificação de opinião e
								posicionamento em relação ao texto recortado.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">7. Operadores argumentativos e elementos
								articuladores</td>
							<td align="left">Identificação e exercício do uso dos operadores
								argumentativos/ elementos articuladores usados na carta do
								leitor</td>
							<td align="left">Compreensão da relação de sentidos das palavras (uso de
								operadores argumentativos) na organização argumentativa do texto e
								elementos de articulação (conectivos/conectores) em atividade
								individual e coletiva com foco na coesão e coerência textual.</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center">8. A reelaboração do gênero carta do leitor: da
								esfera escolar para a do jornalismo impresso.</td>
							<td align="left">Reescrita 1 da carta do leitor;<break/>Reescrita 2 da
								carta do leitor</td>
							<td align="left">&#x2022; Reescrita da carta do leitor tendo como base a
								grade constatação/tabela de verificação plano
								global.<break/>&#x2022; Revisão da carta do leitor com base no
								roteiro de critérios de revisão proposto na SE.<break/>&#x2022;
								Digitação da última versão do texto transformando-o em arquivo
								digital para ser encaminhado via e-mail para o jornal Folha de
								Londrina</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: os próprios autores.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>Assim, com um olhar observador e analítico, procuramos inferir os motivos e questões
				que levaram a professora a não cumprir o seu planejamento na íntegra. Fatores,
				esses, que podem estar relacionados com o “aqui e agora” da ação docente situada e
				continuamente ressignificada.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>A identificação dos <italic>segmentos de orientação temática</italic> - SOTs (<xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Bulea, 2010</xref>) possibilitou as primeiras
				tentativas de recorte e organização dos conteúdos abordados: a) a nomeação das
				atividades escolares; b) o seu agrupamento em unidades supraordenadas; c) a nomeação
				dos níveis hierárquicos que constituem a sequência de ensino. A análise dos
				segmentos de tratamento temático - STTs (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bulea,
					2010</xref>) - de cada uma dessas partes favoreceu a elaboração de um resumo
				narrativizado das atividades escolares que retomou as instruções, os comandos e as
				explicações da professora. Esses movimentos ainda subsidiaram a identificação dos
				gestos didáticos fundadores, de outros gestos implementados em função destes e de
				gestos didáticos específicos (de recriação, adaptação ou ajustamento) observados
				durante a didatização do objeto ensinado pela professora.</p>
			<p>O objeto de análise apresentado neste texto delineou-se a partir do segmento de
				orientação temática - SOT, encadeamento Temático nº 4, composto por 7 atividades
				escolares, denominado conforme a Sinopse da SD Carta do Leitor. No entanto, por
				questão de espaço, debruçamo-nos sobre o registro de uma aula correspondente à
				segunda atividade “prevista” nesse encadeamento na SD, ou seja, partimos da análise
				da “Oficina 4 - Atividade 1, tópico b”, doravante SOT 4-1-3 .</p>
			<p>O encadeamento corresponde à terceira atividade elencada na Oficina 4 (veja Sinopse -
					<xref ref-type="table" rid="t2">Quadro 2</xref>, atividade realçada em negrito).
				Nesse sentido, tomamos as atividades do planejamento como elemento de referência
				para denominar o nível inicial da atividade objeto de pesquisa. Disso, decorre a
				atividade 4-1-3 como ponto de partida.</p>
			<p>A partir do SOT - segmento objeto de análise - apresentamos o relatório que deriva da
				análise efetuada com base na comparação entre o planejamento ou autoprescrição
				(sequência didática planejada, ainda não implementada) e o agir com o uso dos
				dispositivos de implementação (efetivação da aula). Assim, com base no contraste
				entre o planejamento (representado pela sinopse da SD não implementada) e a análise
				do registro audiovisual de uma aula que integra o desenvolvimento da SD, chegamos à
				seguinte categorização metodológica: a) gestos didáticos específicos mobilizados com
				êxito na aula implementada (incluindo os planejados e executados); e b) gestos
				suprimidos por questões intervenientes relacionadas com a situação imediata da
				atividade (incluindo os planejados e não executados). Assim, podemos evidenciar
				categorias de gestos mobilizados na atividade real (que envolve os gestos realizados
				e aqueles não realizados).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Gestos didáticos específicos mobilizados com êxito na aula implementada,
				inclusive planejados e executados</title>
			<p>É possível depreender a partir da atividade proposta pela professora no SOT 4-1-3 que
				a profissional mobilizou saberes específicos que se traduzem no gesto didático de
				elementarização. O planejamento implicou o trabalho intencional com as capacidades
				de linguagem conforme observamos na lógica da construção dos objetos de ensino,
				focalizando na aula analisada, especificamente, as capacidades de ação (<xref
					ref-type="bibr" rid="B12">Dolz, 2016</xref>), ou seja, de contextualização.</p>
			<p>No desenvolvimento da aula que corresponde às atividades (objeto desta análise),
				identificamos uma série de gestos mobilizados em prol do cumprimento do objetivo
				proposto para a aula. A esses gestos subjazem macropreocupações que, na medida do
				possível, serão apresentadas vinculadas aos gestos correspondentes. É importante
				enfatizar que a menção de uma ou outra macropreocupação predominante não a dissocia
				das demais, posto que, na prática, essas macropreocupações e os gestos que as
				concretizam se articulam concomitantemente.</p>
			<p>A atividade analisada insere-se sequencialmente configurando uma terceira atividade
				num conjunto de sete que formam o encadeamento. Essa atividade dá continuidade às
				duas primeiras que presentificam o objeto de ensino, evidenciando a macropreocupação
				de tessitura. Na prática, a atividade inicia-se com gestos fundadores clássicos com
				consignas orais (também denominadas “enunciados de comando”) de pilotagem “fazer
				sentar nas carteiras da sala de aula” que revelam também uma mediação voltada para a
				ancoragem que prepara o ambiente físico de modo clássico, ou seja, com a disposição
				de alunos enfileirados, sentados e o professor em posição de exposição frontal.
				Nesse ínterim, a professora imprime um gesto de apelo à memória didática, buscando
				relacionar o início da aula corrente com a última aula, mas a indiferença dos alunos
				a leva a reformular esse gesto que se concretiza em um simples anúncio de que
				continuará a passar o conteúdo iniciado outrora.</p>
			<p>No ambiente caracterizado por conversas paralelas, a professora imprime outro gesto
				de pilotagem, de modo apelativo e dócil, mas não é atendida. Ela, ao escrever no
				quadro negro, procura manter uma atmosfera dialógica, envolvente, dando respostas a
				alguns alunos que se reportam a ela com assuntos transversais.</p>
			<p>Decorrido considerável tempo da aula, a professora anuncia o término do conteúdo que
				“passou” no quadro-negro: um resumo do que vem a constar no gênero carta do leitor
				(gesto de implementação de atividade pelo dispositivo didático). Frente às
				tentativas de digressão e evasão da aula, a professora aciona gestos de mediação das
				interações, concretizados em consignas orais que intentam manter os alunos presentes
				e, na medida do possível, atentos à explicação vindoura. Nota-se que a relação de
				poder implicada na interação professor-alunos viabiliza a pilotagem no que diz
				respeito a manter os alunos em sala de aula, nem que seja com gestos que sugerem uma
				“negociação”.</p>
			<p>Decorrido algum tempo, a professora revela a pilotagem gerenciando o tempo de cópia
				do conteúdo, mas aqui cabe observarmos que o comando ou consigna parece ser inferido
				tacitamente pelos alunos, visto que não houve explicitação, ao menos, na corrente
				aula, de que este deveria ser copiado. Esse aspecto revela a força implícita do
				conjunto de macropreocupações que norteiam as ações (consignas ou comandos) de
				professores e que são apropriadas, de modo tácito, pelos alunos.</p>
			<p>Em seguida, a professora mobiliza o gesto de implementação de atividade pelo
				dispositivo didático por intermédio de consignas que implementam a pilotagem e a
				ancoragem noutro gesto pedagógico específico: a formulação de tarefa (fazer ler)
				material (dispositivo) em mãos distribuído anteriormente. Essa tarefa evoca uma
				prática tradicional (leitura “em voz alta” na sala de aula) em convívio ou
				cooperação com práticas constituintes do modelo comunicacional integrado a
				focalização do gênero de texto como unidade de ensino-aprendizagem e a exposição
				frontal permeada de gestos que visam a uma atmosfera dialógica (entonações e
				comandos) que requerem um retorno por parte do público (alunos), no fomento à
				interação, à participação da turma.</p>
			<p>Essa busca por implementar e manter espaços dialógicos é uma macropreocupação do
				ofício educacional, bem evidenciada em todo decorrer da atividade analisada, posto
				que a professora faz uso recorrente de gestos específicos que visam instigar a
				participação dos alunos. Esses gestos são revelados pelas entonações, variações de
				ritmo e pausas estratégicas que demonstram ênfase interrogativa no meio ou no final
				de períodos verbalizados oralmente.</p>
			<p>Na realização da leitura coletiva, a professora viabilizou uma ancoragem e uma
				pilotagem por intermédio de um gesto que segmenta os alunos em grupos, obtendo como
				resultado uma boa adesão da turma. O gesto de acompanhar a leitura verbalizando em
				parceria com os alunos foi bastante produtivo e teve uma força muito consistente na
				ancoragem da aula. Em algumas oportunidades da aula, como na leitura coletiva, a
				professora elogiou a participação das meninas, materializando uma mediação pautada
				na ancoragem/monitoramento individual e numa atmosfera potencialmente e efetivamente
				dialógica. Essa atmosfera ficou evidente quando a docente por meio do gesto de
				questionar, evidenciando, prenunciando algumas partes do conteúdo da leitura
				(elementarização) levava os alunos à reflexão em meio à leitura que, uma vez
				continuada, gerava informação significativa.</p>
			<p>Ao fazer referência ao conteúdo do quadro-negro, a professora implementa outra
				atividade por meio do dispositivo didático dando significado ao seu uso naquela
				situação de ensino-aprendizagem (tessitura). Esse gesto é mobilizado também com o
				uso de gestos corporais dêiticos (como apontar para a lousa apontando para trás),
				que se articulam ao discurso interativo implicado (<xref ref-type="bibr" rid="B4"
					>Bronckart, 2006</xref>) na situação de produção acionado pela professora. A
				mobilização desse gesto é percebida também quando ela, ao explicar a identificação
				de elementos (autoria, data) da carta do leitor, num suporte específico, reporta-se
				também às colagens (de exemplares de gêneros) presentificados no mural da sala de
				aula.</p>
			<p>No gesto de implementação de atividade pelo dispositivo didático, a tessitura é
				concretizada e outros gestos também se materializam como, por exemplo, o apelo à
				memória didática (no trabalho com as pessoas do discurso que enunciam a carta do
				leitor); a regulação local (ao constatar aspectos relacionados com o saber sobre os
				pronomes pessoais, pessoas do discurso, texto conciso, etc.); a institucionalização
				(ao generalizar aspectos essenciais de ordem linguística e discursiva numa carta do
				leitor). Nesse momento, percebemos que, apesar de o foco da aula estar nas
				capacidades de ação, a demanda situacional, a necessidade latente, o interesse dos
				alunos faz a professora tangenciar aspectos relacionados com as capacidades
				linguístico-discursivas, fazendo emergir gestos de recriação/adaptação ao trabalho
				autoprescrito na SD.</p>
			<p>Toda essa reordenação de desenvolvimento temático tem como pano de fundo a manutenção
				de uma atmosfera dialógica, contribuindo para o aprimoramento do saber transversal
				dos partícipes da aula. Essa sensibilidade da professora faz emergir gestos de
				ancoragem que mobilizam o fazer entender da turma como um coletivo de trabalho.
				Contudo, a pilotagem a faz mobilizar gestos que recuperam o foco temático, retomando
				por intermédio de consigna, uma chamada apelativa, seguida de questionamento a
				respeito do conteúdo central da aula: “Então vamos lá! O que é um comentário
				conciso?”. Esse gesto é seguido por outros de regulação local (interna) que visam
				mensurar o saber desenvolvido pelo aluno.</p>
			<p>Outro gesto de implementação de atividade pelo dispositivo didático é efetivado com a
				distribuição de exemplares da carta do leitor, recortados de uma mídia (Jornal Folha
				de Londrina). Ao distribuir cartas, para cada aluno, a professora também realiza a
				tessitura por intermédio de um gesto concomitante, isto é, a presentificação do
				objeto de estudo. Contudo, a docente poderia ter proporcionado a busca e a seleção
				do gênero carta do leitor pelo próprio aluno (veja sobre esses gestos suprimidos na
				próxima seção).</p>
			<p>Em ato contínuo, a professora articula o gesto de regulação local e formulação de
				tarefa, evocando questionamentos a fim de diagnosticar o conhecimento de conteúdos
				estruturais (infraestrutura-plano global: identificação da autoria, características
				estéticas, aspectos de formatação como número de caracteres limitados, forma de
				envio, esfera de circulação) do gênero trabalhado. Aqui, em virtude do tempo, o
				conteúdo é estancado, restando outros aspectos relacionados com as capacidades de
				ação a serem contemplados.</p>
			<p>O encerramento da aula materializa-se com dois gestos pedagógicos que desvelam a
				pilotagem institucional, sendo eles “a chamada” para o controle de frequência e a
				consigna de “liberação” dos alunos que os autorizam a se mobilizarem em direção à
				parte externa da sala.</p>
			<p>A aula analisada, em sua íntegra, indica uma ação da professora que representa a
				tentativa de implementação do “modelo comunicacional integrado a focalização nos
				gêneros textuais e na textualização” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Schneuwly e
					Dolz, 2009</xref>) e as possibilidades de convívio entre práticas mais
				tradicionais. Isso fica evidente nos esforços para manter uma atmosfera dialógica
				continuamente e na articulação das demais macropreocupações que abarcam a
				mobilização de textos, da escrita, da oralidade numa perspectiva ativa por parte da
				professora e dos alunos. Em outras palavras, o fazer ler, fazer escrever que são
				práticas tradicionais são ressignificadas com a presentificação de variedades de
				textos viabilizados graças à implementação de atividades e dispositivos didáticos
				transformadores que visam o agir discursivo e não somente a codificação ou
				decodificação mecânica, sobretudo, passiva sob o ponto de vista
				crítico-reflexivo.</p>
			<p>A revelação do agir permeado de interação e de colaboração, entretanto, fundada na
				atividade real perpassa pela consideração de espaços e momentos de não colaboração,
				tanto por parte dos alunos, quanto da professora, que por fatores diversos (tempo,
				motivação, indisciplina, por exemplo) acaba amputando uma mediação que poderia ser
				concretizada por gestos mais profícuos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Gestos suprimidos: questões intervenientes relacionadas com a situação imediata
				da atividade</title>
			<p>No que se refere ao agir e aos gestos amputados (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Clot,
					2006</xref>), observamos que, no planejamento, a professora concretizou os
				gestos de elementarização indicando uma exploração do tema “Carta do leitor -
				contexto de produção e arquitetura interna”, porém, na implementação essa exploração
				não foi finalizada, ou seja, não foi esgotada integralmente. Percebe-se que a
				professora tangencia dois primeiros aspectos relacionados com o desenvolvimento das
				capacidades de ação (Quem produz a carta? A qual esfera de comunicação pertence?) e,
				por questão de tempo, dentre outros fatores, ela deixa de contemplar outros aspectos
				que viabilizam o conhecimento das capacidades de ação (Com que finalidade a carta
				foi escrita? Para quem a carta se dirige? Qual o papel social do destinatário? Que
				tema é abordado na carta? Qual é o suporte? Qual é o meio de circulação?).</p>
			<p>Assim, constata-se que o gesto de presentificação (materializado com a efetiva
				elementarização e formulação de tarefas) é suprimido, ao menos parcialmente, por
				fatores de ordem situacional: pouca colaboração ou motivação por parte dos alunos
				que obstruem o cumprimento da atividade em tempo hábil, conforme estava
				previsto.</p>
			<p>Na implementação da atividade planejada, logo no início da aula, observa-se que houve
				um desvio da consigna pré-estabelecida “Ler algumas em voz alta e perguntar aos
				alunos (atividade oral)/leitura de exemplares em voz alta” do gênero carta do
				leitor. Na verdade, o que se efetuou de modo coletivo, em voz alta, foi a leitura de
				um texto que continha uma síntese da noção do que seria uma carta do leitor. Outro
				gesto (não previsto, ao menos não explicitado), porém realizado é a distribuição
				(fato previsto explicitamente para a próxima aula) de exemplares recortados para
				cada aluno, antecipando um gesto de implementação de atividade pelo dispositivo
				didático que ensejaria a formulação de tarefa indicada, no planejamento, como
				pertinente à aula subsequente.</p>
			<p>Foi perceptível em alguns momentos da aula que mediante algumas respostas dos alunos,
				a professora perdeu a oportunidade de reforçar positivamente as respostas adequadas
				empreendidas por alguns deles (alunos) individualmente. Assim, ela suprimiu alguns
				gestos incentivadores (o elogio, por exemplo) que revelaria uma mediação pautada
				numa ancoragem mais enfática, assim como numa atmosfera ainda mais dialógica.</p>
			<p>Também se pode observar, durante a distribuição de exemplares do gênero carta do
				leitor supracitada, que a docente, ao mesmo tempo em que numa ancoragem singular
				presentifica o objeto de modo peculiar, faz emergir seu estilo individual que
				transforma o gênero da atividade em função das circunstâncias. Nesse momento, a
				professora interpõe, entre ela e o gênero profissional que mobiliza, seu “jeito
				particular de fazer”. A professora desencadeia uma pilotagem realizando gestos que,
				ao mesmo tempo, suprime ou “amputa” a oportunidade de fazer os alunos pesquisarem e
				selecionarem (individual ou coletivamente) o gênero objeto de ensino. Aqui cabem os
				seguintes questionamentos: Por que a ancoragem e a pilotagem que instigaria “o
				pesquisar” e “o selecionar” não são contempladas? Talvez, o fato de os alunos
				possivelmente não cumprirem a tarefa comprometeria a aula, a continuidade da
				sequência didática? Assim sendo, a docente cria uma atmosfera que simultaneamente
				presentifica e elementariza um gênero que compõem um hipergênero (Jornal Folha de
				Londrina), porém deixa de proporcionar o acesso direto ao hipergênero que implicaria
				uma presentificação mais original e cooperada com a ação dos alunos (uma ancoragem
				concretizada no fazer ler, fazer pesquisar, fazer recortar, fazer levar). Assim
				sendo, o sentido do objeto de referência poderia ser mais tangenciado com uma
				tessitura mais consistente. As atividades detectadas pelas consignas orais da
				professora apontam para a predominância das seguintes formas de organização do
				trabalho: trabalho individual (pouco trabalho colaborativo) e trabalho intenso num
				esquema de pergunta-resposta - “aula magistral”.</p>
			<p>É importante ressaltar fatores relacionados com a pilotagem, digamos de natureza
				institucional, como o controle de presença/frequência dos alunos. A pilotagem, como
				uma macropreocupação do ofício educacional, vista numa perspectiva institucional -
				do coletivo do trabalho, mobiliza gestos que, se por um lado reforçam a organização
				e o controle das atividades do ofício (as prescrições oficiais), por outro, mesmo
				que parcialmente, subtraem o tempo em sala de aula que poderia ser empregado em
				gestos mais relacionados com o saber específico (gestos didáticos de regulação, por
				exemplo). Isso revela a tensão objetiva e subjetiva que pode ser interpretada como
				uma forma de resistência gerada na situação (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Graça,
					Pereira e Dolz, 2015</xref>) que caracteriza a concorrência ou (co)ocorrência
				dos gestos didáticos construídos por um profissional em sala de aula que, muitas
				vezes, é submetido à “amputação” do poder de agir (<xref ref-type="bibr" rid="B10"
					>Clot, 2010</xref>).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>O agir docente é constituído por gestos de natureza pragmática e verbal que mobilizam
				ou instrumentalizam a construção de objetos de ensino com a apropriação de técnicas
				provenientes do coletivo do trabalho. Do ponto de vista da formação de professores,
				consideramos imprescindível conhecer as nuances dos gestos profissionais fundadores
				do ofício, mas também os gestos de adaptação e ajustamento ao contexto escolar em
				que emergem, estilizados pela ação individual que, conciliando abordagens objetivas
				e subjetivas, sistematicamente concretizam o ensino-aprendizagem.</p>
			<p>O Interacionismo Sociodiscursivo (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Machado e
					Bronckart, 2009</xref>) nos proporciona os pressupostos teóricos e metodológicos
				que nos ajudam a compreender que é na relação entre sujeitos engajados em atividades
				sociais mediadas por artefatos / ferramentas simbólicas (como a linguagem) que se
				constrói a capacidade de agir em quadros sociais específicos como a esfera
				educacional. Nessa perspectiva, entendemos que a mediação da linguagem proporciona
				espaço para o desenvolvimento, assim como as atividades sociais em que as pessoas
				interagem.</p>
			<p>No quadro das investigações sobre gestos profissionais (<xref ref-type="bibr"
					rid="B6">Bucheton e Soulé, 2009</xref>) podemos evidenciar as macropreocupações
				e os gestos que se revelam como forças motrizes que impulsionam as operações em sala
				de aula num determinado sistema didático. Isso pode subsidiar a formação inicial e
				continuada de professores com vistas à prática docente.</p>
			<p>Por intermédio da noção de transposição didática (<xref ref-type="bibr" rid="B8"
					>Chevallard, 1985</xref>), podemos apreender as operações que revelam os objetos
				de ensino em um processo que implica passar pelos níveis da transposição (Sistema
				Educacional, Sistema de Ensino) e lançar um olhar empírico sobre o Sistema Didático.
				Nesse último, podemos, conforme apresentado neste estudo, apreender gestos pelos
				quais o professor procura transformar “o saber a ensinar” em “saber efetivamente
				ensinado” na atividade real.</p>
			<p>As quatro fases da engenharia didática (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Dolz,
					2016</xref>) que abrangem o conhecimento por parte do professor sobre o objeto
				de ensino e a identificação das capacidades e dificuldades dos alunos, passando pelo
				planejamento e implementação do dispositivo didático e, finalmente, à análise
				posterior dos resultados com o balanço das suas vantagens e limitações, permite-nos
				entrecruzar o campo da didática da língua e da formação profissional de professores
				centrados não só nas práticas de ensino como também nos conteúdos científicos. Sem
				negligenciar a diversidade de contextos educacionais e as resistências e obstáculos
					(<xref ref-type="bibr" rid="B14">Graça, Pereira e Dolz, 2015</xref>) advindas da
				necessidade de adaptação e ajustamento dos gestos profissionais, a engenharia
				didática é um aporte teórico e metodológico que contribui para que o foco da
				formação se dê no desenvolvimento de capacidades docentes para o agir nas situações
				com que os profissionais se deparam.</p>
			<p>Neste estudo evidenciou-se o trabalho de uma profissional docente experiente que,
				instrumentalizada teórico e metodologicamente, revelou, por intermédio de sua ação,
				alguns gestos didáticos. Esses gestos, por sua vez, ancoram-se em macropreocupações
				semiotizadas no estilo singular da professora (sujeito da pesquisa). Os dados
				analisados revelam a interpretação de pesquisadores que, ao observarem e estudarem
				os dados, identificaram na ação da professora características que configuram a
				tentativa de inovar a ação docente afastando-se do modelo clássico, empreendendo
				energia para desenvolver um trabalho constituinte do modelo de ensino comunicativo
				pautado no gênero de texto, no discurso (na interação) como objeto de ensino,
				impondo gestos que perpassam o conhecimento específico e o didático-pedagógico.</p>
			<p>Por fim, enfatizamos que o conhecimento e a apropriação dos gestos didáticos faz
				parte da formação do professor, o que envolve a complexidade do trabalho em sala de
				aula. O estudo, a análise e a descrição desses gestos devem pautar o currículo e
				ação dos profissionais da linguagem com vistas a fomentar a apreensão das posturas e
				dos fenômenos que ora podem amputar, ora podem promover o conhecimento em sala de
				aula.</p>
			<p>Assim, os presentes resultados contribuem para aprofundar estudos que visam o fomento
				de políticas educacionais que abarcam a formação inicial e continuada, subsidiando a
				reflexão a respeito da reformulação de currículos frente às concepções do
				profissional, do gênero da atividade profissional, dos saberes e do agir requerido
				do docente contemporâneo.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p><xref ref-type="bibr" rid="B1">Aeby-Daghé, Canelas-Trevisi, Cordeiro, Dolz,
						Schneuwly e outros (2009, p. 101)</xref> apresentam os resultados da
					pesquisa realizada pela equipe GRAFE (Groupe de recherche pour l'analyse du
					français enseigné), em que foram filmadas e gravadas sequências de ensino de
					escrita em 17 classes suíças francófonas de 7ª a 9ª séries. Os dados obtidos
					foram transcritos e analisados numa perspectiva multifocal, construída a partir
					de uma teoria de transposição didática (<xref ref-type="bibr" rid="B8"
						>Chevallard, 1985</xref>). A nossa pesquisa foi inspirada e adaptada a
					partir dos resultados apresentados por esses pesquisadores.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p><xref ref-type="bibr" rid="B11">Clot e Faïta (2000)</xref> perceberam que não há,
					de um lado, o trabalho prescrito e, de outro, o trabalho real; ou, de um lado, a
					tarefa e, de outro, a atividade; ou ainda, de um lado, a organização do trabalho
					e, do outro, a atividade do sujeito. Segundo os autores, o que há entre a
					organização do trabalho e o sujeito é um trabalho de re-organização das tarefas
					pelos coletivos profissionais. Portanto, os autores entendem que entre o
					trabalho prescrito e a atividade realizada há, sim, o que denominam de
						<italic>gêneros de atividade, ou gêneros profissionais.</italic></p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Assim como os gêneros de discurso na concepção de <xref ref-type="bibr" rid="B3"
						>Bakhtin (1992)</xref> se constituem <italic>em tipos relativamente estáveis
						de enunciados</italic>, os gêneros de atividade também são “relativamente
					estáveis”. Seguindo esse raciocínio, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Clot e
						Faïta (2000)</xref> afirmam que os trabalhadores agem a partir de um
					determinado <italic>gênero de atividade</italic> profissional e, na medida em
					que responde às exigências dos modos de agir, ele é ajustado, retocado.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>No campo da formação de professores, observamos uma adaptação de dispositivos de
					análise das práticas provenientes das ciências do trabalho (<xref
						ref-type="bibr" rid="B9">Clot, 2006</xref>), no quadro dos quais os
					aprendizes práticos são confrontados a situações de atividade real e são
					conduzidos a tomadas de consciência pela necessidade de inteligibilidade de
					características do trabalho que executam. Entre esses dispositivos de análise
					das práticas e as operações psicológicas que eles mobilizam nos formados,
					destacamos a entrevista de autoconfrontação simples e cruzada, a instrução ao
					sósia e a entrevista de pesquisa.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE),
					em conformidade com a resolução CEPE nº 63/2003 que regulamenta as atividades do
					Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos na Universidade Estadual de
					Londrina.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>A transposição didática de objetos de ensino a objetos a ensinar podem ser
					interpretados pelas condutas verbais <bold>e outros modos semióticos</bold>, o
					que pressupõe os gestos corporais (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Nascimento,
						2012</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>O mesmo texto é apresentado na parte inicial da Oficina 4 da SD (planejada),
					caracterizando um tipo de “epígrafe” logo após a descrição do objetivo e antes
					da ordenação das atividades correspondente a essa oficina.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
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