<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article
  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.0 20120330//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.0/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.0" specific-use="sps-1.8" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="nlm-ta">Calidoscópio</journal-id>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rc</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Calidoscópio</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Universidade do Vale do Rio dos
					Sinos</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="epub">2177-6202</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Universidade do Vale do Rio dos Sinos</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.4013/cld.2019.171.08</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00008</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigos</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Etnografia da linguagem como políticas em ação</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Ethnography of language as policies in action</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Jung</surname>
						<given-names>Neiva Maria</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>*</sup></xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Silva</surname>
						<given-names>Regina Coeli Machado e</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>**</sup></xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Santos</surname>
						<given-names>Maria Elena Pires</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff3"><sup>3</sup></xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>***</sup></xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<label>1</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade Estadual de Maringá</institution>
				<email>neiva.jung@gmail.com</email>
				<institution content-type="original">Universidade Estadual de Maringá
					neiva.jung@gmail.com</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<label>2</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade Estadual do Oeste do
					Paraná</institution>
				<email>coeli.machado@yahoo.com.br</email>
				<institution content-type="original">Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Campus
					de Foz do Iguaçu coeli.machado@yahoo.com.br</institution>
			</aff>
			<aff id="aff3">
				<label>3</label>
				<institution content-type="normalized">Universidade Estadual do Oeste do
					Paraná</institution>
				<email>mepires@gmail.com</email>
				<institution content-type="original">Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Campus
					de Foz do Iguaçu mepires@gmail.com</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn1">
					<label>*</label>
					<p>Doutora em Letras; Professora de Língua Portuguesa da Universidade Estadual
						de Maringá.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn2">
					<label>**</label>
					<p>Doutora em Antropologia Social; Professora e pesquisadora da Universidade
						Estadual do Oeste do Paraná, na Pós-Graduação em Letras e na Pós-Graduação
						Interdisciplinar Sociedade, Cultura e Fronteira.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="current-aff" id="fn3">
					<label>***</label>
					<p>Doutora em Linguística Aplicada; Professora na Pós-Graduação em Letras e do
						Profletras na Universidade Estadual do Oeste do
							Paraná/<italic>campus</italic> de Cascavel e do Mestrado/Doutorado em
						Sociedade, Cultura e Fronteiras/<italic>campus</italic> de Foz do
						Iguaçu.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>25</day>
				<month>10</month>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">-->
				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<volume>17</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>145</fpage>
			<lpage>162</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>07</day>
					<month>05</month>
					<year>2018</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>13</day>
					<month>08</month>
					<year>2018</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<license license-type="open-access"
					xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo:</title>
				<p>Em Linguística Aplicada, muitas vezes nos perguntamos, ou somos inquiridos, a
					respeito do tipo de pesquisa que realizamos - se é de fato etnografia ou se é
					“do tipo”, “de cunho” ou “com nuances etnográficas”. Pretendemos mostrar que
					tais indagações tendem a isolar momentos da experiência etnográfica, tomando-os
					como etnografia, deixando de lado a unicidade da experiência, não explicitando e
					por vezes ignorando a relação inseparável entre objeto, teoria e método,
					reduzindo, assim, a etnografia a um método de trabalho de campo. A partir dessa
					problemática, levantada por meio das pesquisas etnográficas que realizamos em
					contextos escolares, nosso objetivo neste artigo é abordar a unicidade da
					experiência etnográfica e sua abrangência para além das especificidades do
					trabalho de campo. Argumentamos que as etnografias da linguagem em Linguística
					Aplicada são políticas em ação que atendem a demandas sociais, culturais,
					econômicas, acadêmicas e pessoais, o que implica tanto nossa participação em
					contexto quanto o dialogismo constituinte de todo processo de pesquisa,
					inclusive da escrita do relato etnográfico.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract:</title>
				<p>In Applied Linguistics, sometimes we asked ourselves or we are questioned about
					the type of research we do - whether it is ethnography or whether it is “type”,
					“approach” or with “ethnographic variant”. We intend to show that such inquiries
					tend to isolate moments of the ethnographic’s experience, taking them as
					ethnography, leaving aside the uniqueness of experience, not explaining and
					sometimes ignoring an inseparable relationship between object, theory and method
					reducing, in this way, the ethnography as a method of field work. From this
					problem, raised through ethnographic’s research that we accomplish in school
					contexts, our objective in this article is to approach a singularity of the
					ethnographic experience and its comprehensiveness beyond the specificities of
					the fieldwork. We argue that the ethnographies of the language in Applied
					Linguistics are policies in action that articulate socials, cultural, economics,
					academics and personals demands, which implies both our participation in context
					and the dialogism of the entire research process, including the writing of the
					ethnographic narrative.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>etnografia</kwd>
				<kwd>práticas escolares</kwd>
				<kwd>escrita</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>ethnography</kwd>
				<kwd>school practices</kwd>
				<kwd>writing</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
				<fig-count count="0"/>
				<table-count count="0"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="33"/>
				<page-count count="18"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<p>
			<disp-quote>
				<p>E apenas vou indicar, de modo mais geral, que a experiência vivida, em si mesma
					destituída por completo de pertinência, somente pode entrar na análise
					científica ao preço de uma verdadeira conversão epistemológica, [...]. (<xref
						ref-type="bibr" rid="B4">Bourdieu, 2005</xref>, p. 93)</p>
			</disp-quote>
		</p>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></title>
			<p>A proposta deste artigo delineou-se a partir de um diálogo em curso nos últimos anos
				entre nós, duas linguistas aplicadas e uma antropóloga, durante discussões acerca de
				atividades de pesquisa em nossos cursos de graduação e de pós-graduação na área de
				Linguística Aplicada (doravante LA) e Ciências Sociais. Enquanto a antropóloga se
				surpreendia com os detalhes da apresentação dos dados da linguagem, em sua grande
				maioria dados de contextos escolares, as linguistas aplicadas evidenciavam um certo
				pudor ao se referir a esses dados como dados etnográficos. As duas linguistas
				aplicadas sempre se questionavam ou eram inquiridas a respeito do tipo de pesquisa
				que realizavam: se de fato etnografia ou se do “tipo” ou “cunho etnográfico”, ou com
				“nuances etnográficas”. Esse estranhamento deu origem a um debate ainda não
				concluído que procuramos trazer neste artigo escrito a três mãos. Antes, porém, de
				apresentar esse debate, é importante mencionar que não partimos da premissa de que a
				etnografia é uma metodologia que pertence à Antropologia. Em LA, como também em
				outras áreas de conhecimento, a etnografia tem sido uma prática recorrente na
				produção de conhecimento. Além disso, reafirmamos que realizamos etnografias da
				linguagem, conforme sugerido em contexto brasileiro por <xref ref-type="bibr"
					rid="B12">Garcez e Schulz (2015)</xref>.</p>
			<p>Para a discussão aqui proposta, trazemos reflexões referentes ao tempo despendido nas
				práticas de pesquisa em LA, uma das razões pelas quais a pergunta “se fazemos ou não
				etnografia?” continua uma questão identitária da área. Também procuramos discutir a
				articulação entre teoria e contexto de pesquisa e a relação do problema que
				investigamos com demandas pessoais, sociais e políticas, o que supõe reflexividade e
				o exercício de estranhar o familiar (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Jung,
					2009</xref>). Nosso argumento é que a não explicitação desses princípios como
				centrais na etnografia tende a isolar momentos da experiência etnográfica e a tomar
				a etnografia apenas como metodologia para geração de registros, na pesquisa de
				campo. Neste caso, deixa-se de lado a unicidade da experiência e por vezes ignora-se
				o que <xref ref-type="bibr" rid="B5">Bourdieu <italic>et al.</italic> (1999)</xref>
				argumentam sobre a relação inseparável entre perguntas, abordagens analíticas,
				experiência etnográfica, a escrita e análises. O risco é a separação entre a
				formulação teórica, o momento de organização e de análise dos dados, sem explicitar
				que foram construídos no processo de pesquisa. Além disso, argumentamos que tal
				unicidade da experiência de pesquisa começa bem antes das primeiras perguntas
				direcionadas a um tema e não termina com a apresentação de resultados no relato
				etnográfico.</p>
			<p>Sob essa perspectiva, temos como objetivo central neste artigo abordar a unicidade da
				experiência etnográfica, considerando suas especificidades para além do trabalho de
				campo. Elegemos para a nossa discussão três dimensões que consideramos cruciais: a)
				a relação dos problemas de pesquisa com as histórias pessoais imbricadas nas origens
				das nossas perguntas de pesquisa e com as demandas político-sociais e acadêmicas; b)
				a articulação entre a formulação teórica e a construção dos dados; e c) a escrita
				dos relatos etnográficos.</p>
			<p>Para fins de explorarmos a discussão da unicidade da experiência etnográfica com base
				nessas três dimensões, o artigo está organizado em três seções: na primeira,
				discutimos etnografia como parte inerente às políticas linguísticas e educacionais
				entrelaçadas a demandas acadêmicas, sociais, políticas e pessoais; na segunda,
				apresentamos e discutimos o que <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bourdieu
					(2005)</xref> identificou como conversões epistemológicas, que supõe o
				entrelaçamento dessas demandas; e na terceira, problematizamos o dialogismo como
				princípio central dos nossos relatos etnográficos. Por fim, apresentamos as
				considerações finais.</p>
			<p>A discussão aqui apresentada é um exercício autorreflexivo resultante de debates
				sobre pesquisas realizadas e orientadas por nós, autoras deste artigo, durante
				bancas de dissertações e teses, discussões em simpósios e congressos, em disciplinas
				partilhadas e em grupos de pesquisa. Portanto, quando nos referimos à LA, estamos
				nos referindo a um conjunto de trabalhos circunscritos às pesquisas etnográficas
				relativas a nossa prática vivencial cotidiana, como professoras e pesquisadoras.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Etnografia como políticas em ação</title>
			<p>O fazer etnográfico como política, em sentido amplo, revela desdobramentos
				inseparáveis da nossa participação fundamentalmente centrada no contexto onde nós
				vivemos e agimos. Não explicitar a nossa participação no contexto de pesquisa nas
				monografias (sejam teses, dissertações ou publicações) não significa neutralidade e
				objetividade. Em nossas pesquisas, tomamos muitas vezes de modo tácito a razão de
				ser das perguntas, deixando fora essas razões ou motivações para realização do
				trabalho, como também fica de fora a relação dessas perguntas com os dados
				organizados, interpretados e apresentados como resultados da pesquisa. Consideramos
				que trazer a história vivenciada, antes e durante a investigação, seja fundamental
				para pesquisas etnográficas, pois “não há, assim, fronteiras definidas entre a
				etnografia, enquanto escrita, e a experiência. [...] A experiência etnográfica é
				sempre textualizada, enquanto que o texto etnográfico está sempre contaminado pela
				experiência. Em outras palavras, os temas da etnografia estão simultaneamente no
				texto e fora do texto” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Gonçalves, 1998</xref>, p.
				11).</p>
			<p>Por isso, refletir sobre pesquisa etnográfica em LA extrapola nossos pressupostos
				analíticos especializados e nossas perguntas específicas acadêmicas. Ao tentar
				elucidar nossos problemas de pesquisa, como parte de uma política de conhecimento
				que indica sua pertinência entre pares, estamos ao mesmo tempo respondendo às
				demandas sociais cotidianas e às demandas das instituições governamentais com suas
				políticas para a educação, como ocorre na maioria das pesquisas em LA. As demandas
				(desde as acadêmicas até as sociais) resultaram em <xref ref-type="bibr" rid="B17"
					>Jung (2003)</xref>, Pires-<xref ref-type="bibr" rid="B27">Santos e Cavalcanti
					(2008)</xref> e Pires-Santos (2004) do confronto e de tensões entre modos de
				expressão multilíngues nas comunidades e em grupos vivendo na fronteira frente à
				ideologia do monolinguismo e da língua portuguesa padronizada, reafirmadas
				especialmente em práticas letradas escolares. Diferentemente posicionadas na
				fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, a experiência de pesquisa de <xref
					ref-type="bibr" rid="B17">Jung (2003)</xref> partiu de sua vivência multilíngue
				em uma comunidade de falantes de <italic>Hunsrückisch,</italic> onde também atuou
				como professora do Ensino Fundamental I, enquanto as pesquisas de Pires Santos
				(2004) advêm da experiência como professora da Educação Básica com alunos
				“brasiguaios” multilíngues frente à legitimação e imposição de uma língua oficial
				nos mais diversos espaços cotidianos e no contexto escolar. Causa e efeito ao mesmo
				tempo, essas tensões estão no centro das instituições acadêmicas e são manifestas
				nas políticas linguísticas oficiais (monologuistas) e programas governamentais como,
				por exemplo, focados com os índices do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação
					Básica<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>) do Ministério da Educação e muitas
				vezes no centro de nossas pesquisas em LA.</p>
			<p>Um exemplo da convergência de programas governamentais com as demandas acadêmicas e
				locais são as pesquisas realizadas por <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pires-Santos
					(2011)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B18">Machado e Silva (2016)</xref> em
				um colégio público de Foz do Iguaçu, nas quais as condições dos seus trabalhos como
				professoras e pesquisadoras levaram-nas a serem demandadas por programas vinculados
				a políticas públicas, neste caso, voltadas para a Educação Básica. Mesmo atendendo
				às políticas da governança global da educação, como a Prova Brasil - o que a
				princípio seria uma intromissão assimétrica e um obstáculo epistemológico à produção
				do conhecimento em LA - a orientação teórico-metodológica e a frequentação contínua
				e de longa duração permitiram a construção intersubjetiva de saberes locais. (<xref
					ref-type="bibr" rid="B25">Pires-Santos <italic>et al.</italic>, 2015</xref>)
				Entretanto, o entrelaçamento entre as demandas de pesquisa e as dos alunos,
				professores e moradores do bairro produziu as condições efetivas para a construção
				de um conhecimento coletivo: reflexivo, em termos das práticas de letramento locais;
				crítico, em torno do reconhecimento recíproco dos envolvidos em relação à
				participação política do bairro frente à cidade, afirmando o papel ativo na própria
				história; dialógico, tanto em relação aos saberes compartilhados quanto ao amplo
				processo de interlocução entre a comunidade escolar e do bairro.</p>
			<p>Esse dado mostra que a convergência e sobreposição entre as demandas sociais,
				políticas e acadêmicas em LA é uma forma de responder a necessidades específicas,
				como reinvindicação de grupos quanto à comunicação e inserção nas suas diferenças em
				situações locais como nas escolas, nas igrejas, nas relações de vizinhanças e nas
				relações de trabalho, visíveis, por exemplo, nos preconceitos linguísticos, nas
				dificuldades de aprendizagem na escola, nos esforços de manutenção de uma língua
				etc. Na região Oeste do Paraná, essas necessidades advêm da convivência cotidiana
				com diferentes línguas existentes na fronteira, como castelhano, guarani,
					<italic>jopará</italic> e outras línguas indígenas; línguas de grupos de
				imigrantes recentes, como os de países árabes e asiáticos; línguas de descendentes
				europeus que colonizaram a região, como o <italic>Hunsrückisch,</italic> acima
				citado, falado pelos descendentes de alemães.</p>
			<p>Como <xref ref-type="bibr" rid="B32">Van Der Aa e Blommaert (2015)</xref> afirmam, as
				relações culturais e/ou linguísticas que levam a reelaborações são a norma e não a
				exceção. Neutralizar as experiências referentes às reivindicações de grupos quanto à
				comunicação e inserção das suas diferenças em situações locais, em nossas pesquisas
				e em nossos relatos, mostra a permanência difusa e inadvertida de uma concepção de
				pesquisa acadêmica como neutra e objetiva. Tendemos a não levar às últimas
				consequências o nosso percurso de pesquisa como inseparável da produção de
				conhecimento, assim como são inseparáveis muitas vezes nossas perguntas ou problemas
				de pesquisa das políticas linguísticas e educacionais oficiais. Apagamos as
				condições de produção de nossas pesquisas e acreditamos que os dados por si só são
				evidências a respeito do nosso “objeto” de pesquisa. Essas condições de produção
				implicam a inseparabilidade entre linguagem e sociedade, pois, como <xref
					ref-type="bibr" rid="B11">Garcia (2009)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B6"
					>Canagarajah (2012)</xref> entendem é por meio de práticas de negociação em
				situações locais que se pode capturar os processos subjacentes comuns e as
				estratégias utilizadas na co-construção de diálogos. Para os autores, as práticas de
				linguagem situadas são ‘translíngues’, isto é, são práticas híbridas, em que os
				significados são construídos por meio de negociações em situações locais, as quais
				possibilitam capturar os processos subjacentes comuns e as estratégias para negociar
				inteligibilidades na coconstrução de diálogos poliglotas. Esse posicionamento
				permite entender que os significados são construídos não a partir de um sistema
				gramatical coeso e autônomo, mas por meio de práticas interativas multilíngues
				situadas, em que estão entrelaçados recursos semióticos e contextualização
				sócio-histórica.</p>
			<p>Por fim, as nossas pesquisas acadêmicas sobre linguagem não são somente preocupações
				epistemológicas de linguistas e/ou demandas de uma política de conhecimento
				acolhidas e legitimadas pelos órgãos de financiamento públicos, orientadas pelos
				governos. No Oeste do Paraná, por exemplo, a atenção aos problemas linguísticos
				responde, também, a demandas de uma política de conhecimentos e de formação
				presentes nas universidades.</p>
			<p>Desse modo, considerando que nossas pesquisas extrapolam os pressupostos analíticos
				especializados e as perguntas específicas acadêmicas em LA, abrangendo o que está
				dentro e fora do contexto acadêmico, podemos pensar a etnografia como política em
				ação. E esse reconhecimento - o fazer etnográfico como política em ação - implica
				uma não separação entre o conceito de linguagem como prática social e o processo de
				pesquisa, do que trataremos na próxima seção.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Etnografia como prática de linguagem situada: sublevação das assimetrias</title>
			<p>Incluir nossa participação em contexto implica em uma conversão epistemológica, nos
				termos propostos por <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bourdieu (2005)</xref>. No seu
				livro <italic>Esboço de uma auto-análise</italic>, o sociólogo menciona que uma
				observação banal de sua mãe o conduziu “a abandonar o modelo de regra de parentesco
				pelo modelo da estratégia”, uma experiência vivida que, a princípio, seria
				destituída por completo de pertinência se ele não estivesse envolvido com a pesquisa
				sobre o celibato. A conversão epistemológica consistiu, então, na integração da
				observação da mãe à mudança de seu modelo explicativo.</p>
			<p>Esse exemplo de Bourdieu aponta para a relação entre teoria e dados em nossas
				pesquisas e, consequentemente, para o lugar do pesquisador. Este corre o risco de
				encapsular dados em determinadas teorias e assim reafirmar assimetrias, como entre
				pesquisador e participantes da pesquisa e das instituições acadêmicas e suas
				políticas de ética em relação aos participantes da pesquisa.</p>
			<p>No caso da primeira assimetria, o pesquisador pode se colocar como aquele que detém a
				autoridade do conhecimento e os participantes da pesquisa como aqueles que fornecem
				o dado buscado. Soma-se aí o fato de, mesmo concebendo a pesquisa etnográfica como
				inseparável das práticas de linguagem em contexto social, o pesquisador pode se
				inserir nas hierarquias linguísticas, também socialmente construídas (<xref
					ref-type="bibr" rid="B23">Otheguy, García e Reid, 2015</xref>). Como temos
				constatado em pesquisas próprias ou que orientamos, isso pode ocorrer mesmo em
				contextos ideologicamente percebidos como monolíngues, pois, salvo raras exceções,
				no cenário escolar o aluno se depara com uma língua abstrata distante das suas
				práticas de linguagem cotidianas. Como <xref ref-type="bibr" rid="B6">Canagarajah
					(2012)</xref> argumenta, o monolinguismo tem um significado acadêmico e
				ideológico, uma vez que mesmo aqueles que falam uma mesma língua são proficientes em
				diferentes registros, dialetos e discursos dessa mesma língua.</p>
			<p>Embora as reflexões sobre translinguagem de <xref ref-type="bibr" rid="B6"
					>Canagarajah (2012)</xref> e García (2009) sejam originárias de contextos
				recentes cosmopolitas, enfocando problemas advindos da convivência de pessoas e
				grupos de diásporas recentes em grandes centros metropolitanos como os existentes
				nos Estados Unidos e na Europa, elas contribuem também para esclarecer ou
				compreender contextos de imigração de países que foram colonizados por imigrantes
				europeus nos séculos XIX e XX, por exemplo, como ocorre nos estados do Sul do Brasil
				mencionados acima. Todavia, algumas abordagens de linguagem produzidas naqueles
				contextos cosmopolitas podem não responder nossas indagações ou demandas, ou ainda
				serem pouco produtivas para o diálogo com nossos interlocutores de pesquisa.</p>
			<p>Ainda em relação à primeira assimetria está a pretensão de “dar voz” aos
				participantes da pesquisa ao invés de “dar ouvidos”, o que implica o
				interconhecimento entre os saberes trazidos pelo pesquisador (além das teorias, suas
				práticas de linguagem) e os saberes locais e práticas de linguagem situadas.</p>
			<p>Ao “darmos mais ouvidos” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Altenhofen e Broch,
					2011</xref>) aos nossos participantes, tratando-os como nossos interlocutores,
				concordamos com a argumentação de <xref ref-type="bibr" rid="B31">Uriarte
					(2012)</xref>, quanto a “[...] um ouvir que dá a palavra, não para ouvir o que
				queremos, mas para ouvir o que os nossos interlocutores têm a dizer”. Os dados podem
				evidenciar que há muita agentividade na produção de políticas linguísticas locais,
				vista, por exemplo, em alunos que ao viver a vida na diversidade ou pluralidade
				linguística se defrontam, ao entrarem para a escola, com certas práticas que
				reafirmam a ideologia monolíngue e a padronização da língua portuguesa.</p>
			<p>A segunda assimetria está nas experiências de pesquisas vinculadas às instituições
				acadêmicas e suas políticas de ética, com a exigência da utilização do “Termo de
				Consentimento Livre e Esclarecido<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>” e da
				apresentação dos resultados da pesquisa para os participantes e para nossos pares,
				uma forma de legitimar institucionalmente nossas pesquisas, como critica <xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Christians (2007)</xref>. Mesmo sabendo que perguntas
				de pesquisa são coincidentes com necessidades específicas dos grupos com os quais
				trabalhamos, do ponto de vista ético, nossas práticas de pesquisa estão imbricadas
				com nossos interesses, nem sempre coincidentes, daqueles com quem trabalhamos quando
				nos colocamos nessa relação entre pesquisador e pesquisado. Como chama a atenção
					<xref ref-type="bibr" rid="B22">Moita Lopes (2006)</xref>, não indagar sobre a
				que interesses nossas pesquisas servem, nem reconhecer que todo trabalho vem de
				algum lugar - e, por isso, é situado nas contingências sociopolíticas e relações de
				poder - é colaborar para a manutenção das injustiças sociais. Todo conhecimento é
				social, político e histórico e, ao mesmo tempo, uma forma de autoconhecimento.</p>
			<p>No nível institucional, essa não coincidência de interesses de pesquisa aparece
				também nas exigências dos Comitês de Ética em Pesquisa que impõem outros princípios
				assimétricos, como os construídos na área biomédica e <italic>bio</italic>ética
					(<xref ref-type="bibr" rid="B7">Christians, 2007</xref>)<xref ref-type="fn"
					rid="fn7">7</xref>. Essas exigências convivem com resquícios de uma ciência
				ainda muito centrada no homem, no pesquisador, que, por meio de projetos e de
				metodologias de pesquisa, tenta “controlar variáveis”, “produzir conhecimento
				científico”.</p>
			<p>Tais assimetrias convivem com as preocupações com o tempo de pesquisa despendido no
				campo, algumas vezes trazidas como uma condição necessária para garantia da
				cientificidade. Isso nos levou - as duas linguistas aplicadas - a indagar se
				fazíamos ou não etnografia, em virtude do período de permanência em campo de
				pesquisa associado à atenção circunscrita às práticas de linguagem, razão pela qual
				optamos por caracterizar nossas pesquisas como sendo de “cunho etnográfico”, do
				“tipo etnográfico” com “nuances etnográficas”.</p>
			<p>Os riscos contidos nas assimetrias a que somos induzidos involuntariamente, a
				preocupação centrada no tempo de permanência da pesquisa no campo e a preocupação
				com a descrição detalhada dos dados denotam, assim, a etnografia como método de
				trabalho de campo, ignorando a unicidade da pesquisa etnográfica, que aparece
				inclusive no momento da escrita. Como ressaltou <xref ref-type="bibr" rid="B9"
					>Clifford (1998, p. 42)</xref>, “os aspectos dialógicos, situacionais, da
				interpretação etnográfica” no campo deverão ser também incluídos no texto final.</p>
			<p>Para o pesquisador em LA, ultrapassar essas limitações significa uma reflexividade
				constante que lhe possibilite colocar seus próprios pressupostos em discussão,
				considerando o dialogismo e a reciprocidade como seus correlatos. Implica uma não
				separação entre o conceito de linguagem como prática social e o processo de
				pesquisa, de construção e apresentação dos dados no relato etnográfico. Deste modo,
				poderá tentar remover as assimetrias existentes entre as suas perguntas e as dos
				seus interlocutores na pesquisa, abrindo caminho para uma “conversão epistemológica”
				com interpretações possíveis em que “cada caso não é um caso” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B10">Fonseca, 1999</xref>).</p>
			<p>Em tal perspectiva, o pesquisador em LA se mune de modelos explicativos para
				responder a suas perguntas, mas, igualmente, mantém sua reflexividade em interação
				com os seus interlocutores. Poderá não ter disponibilidade para passar meses no
				campo, mas chega a novas maneiras de compreender suas perguntas, interagindo
				dialogicamente com seus interlocutores.</p>
			<p>Na próxima seção, apresentaremos o modo como a experiência do pesquisador, sua
				conversão epistemológica e o dialogismo com seus interlocutores constituem a escrita
				dos relatos etnográficos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A escrita etnográfica</title>
			<p>A escrita etnográfica foi um problema discutido recentemente pela Antropologia
				norte-americana, centrada na representação do outro, revelada na escrita. A própria
				escrita mostra o lugar de onde se fala e de como se fala do outro. Como <xref
					ref-type="bibr" rid="B9">Clifford (1998)</xref> afirmou, os modelos de discurso
				das etnografias, que lhe conferem autoridade, expressam os pressupostos políticos e
				epistemológicos embutidos na escrita. Ele identifica a escrita como uma preocupação
				dos antropólogos interpretativos, por trazer um significado em si a ser recuperado
				por eles, evidenciando que a escrita traz consigo tensões e não apresenta um
				significado único e coerente (p. 14).</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B9">Clifford (1998)</xref> reconhece e discute a
				autoridade etnográfica como questão fundamental na própria constituição do texto
				escrito e, simultaneamente, na articulação da experiência apresentada nele. Para
				tanto, apresenta como a autoridade etnográfica foi construída por pesquisadores nos
				séculos XIX e XX, entre os quais Malinowski, que, em sua narrativa de <italic>Os
					Argonautas,</italic> estabeleceu como critério de autoridade a validade
				científica da observação participante. Para ele, a “autoridade” está</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>[...] no sentido de se pensarem as estratégias retóricas pelas quais o
						‘autor’ (entendido não como um dado, mas como uma função) constrói a sua
						presença (ou ausência) no texto, assegurando em termos epistemológicos (mas
						também, ao mesmo tempo, em termos de poder) a legitimidade do discurso sobre
						aquele contexto social e cultural a ser representado (<xref ref-type="bibr"
							rid="B9">Clifford, 1998</xref>, p. 13).</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p><xref ref-type="bibr" rid="B14">Geertz (2002)</xref>, por sua vez, reafirma que a
				presença autoral tem atormentado a etnografia desde os seus primórdios. Todavia, na
				maioria dos casos, foi reconhecida como um problema epistemológico e não da ordem da
				narrativa: “As representações explícitas da presença do autor tendem, como outros
				embaraços, a ficar relegados aos prefácios, notas ou apêndices. [...] Entrar em seus
				textos (isto é, introduzir-se neles representacionalmente) talvez seja tão difícil
				para os etnógrafos quanto entrar numa cultura (ou seja, penetrar nela
				imaginativamente)”. (p. 29-30)</p>
			<p>Trata-se de uma questão que também é cara para nós, linguistas aplicados. Enquanto
				para os antropólogos não se trata de uma questão de dispor fatos estranhos e
				irregulares em categorias familiares e ordenadas, para linguistas aplicadas não se
				trata também de tomar a linguagem como um método de documentação de dados, com a
				finalidade de reunir, apresentar evidências ou exemplos a partir de categorias
				familiares e ordenadas. Essa questão é tratada muitas vezes como epistemológica, mas
				é resultante tanto da apresentação distanciada desses dados quanto da separação
				entre análise dos dados, metodologia e teoria, como momentos separados da
				experiência etnográfica.</p>
			<p>Quando ocorre essa separação tenta-se, no texto escrito, contorná-la de duas formas.
				Primeiro, como uma exigência auto imposta pelo pesquisador para romper com suas
				concepções familiares quando ele é parte do campo de pesquisa, como uma espécie de
				garantia a ser alcançada pela apreensão de teorias acadêmicas. Essa exigência
				resulta das características canônicas do texto acadêmico, muitas vezes, segundo
					<xref ref-type="bibr" rid="B30">Signorini (2001)</xref>, um modelo de escrita
				vinculado “[...] às tradições ocidentais científicas e filosóficas enraizadas no
				Iluminismo, que sustentam e dão forma à ideia de escrita unificada e unificadora, ou
				norma, e à ideia de norma enquanto <italic>pleno domínio</italic> da escrita, [...]”
				(p. 111, grifo no original). Trata-se de um conceito de escrita e consequentemente
				de linguagem alienante em relação aos usos reais da língua na comunidade, que
				neutraliza as marcas enunciativas e interacionais, constituindo um “academês”,
				segundo Nash (1990, citado por <xref ref-type="bibr" rid="B30">Signorini,
					2001</xref>, p. 113). Isso constitui uma ideologia linguística “naturalizada”, o
				que seria, segundo Signorini, citando Street e Street (1991), um efeito da
				‘“pedagogização do letramento’ enquanto processo de inculcação de um conjunto de
				normas, crenças e valores sobre a escrita, o texto, a leitura, a cultura letrada, a
				ciência etc., presentes não só no contexto acadêmico, mas também em outros domínios
				da vida cotidiana”. (p. 113). Na Antropologia, por exemplo, essa neutralização das
				marcas enunciativas de autoria aparece nas formas expositivas, naturalizando
				determinados tipos de interações de modo a tornar as diferenças cristalizadas em
				categorias, como “os Nuer”, “os nativos” etc., como chamou a atenção <xref
					ref-type="bibr" rid="B9">Clifford (1998)</xref>.</p>
			<p>A segunda forma de separar as marcas da autoria no texto da experiência etnográfica
				refere-se ao “modo de enunciar”. Tendemos a nos constituir, talvez, mais como
				escritores de nossos textos do que autores, como propõe <xref ref-type="bibr"
					rid="B14">Geertz (2002)</xref>.</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>Para um autor, ‘escrever’ é um verbo intransitivo - ‘ele é um homem que
						absorve radicalmente o <italic>porquê</italic> do mundo num <italic>como
							escrever</italic>’. Para o escritor, ‘escrever’ é um verbo transitivo -
						ele escreve <italic>algo</italic>. ‘Ele estabelece um objetivo (demonstrar,
						explicar, instruir), do qual a linguagem é meramente um meio; para ele, a
						linguagem sustenta uma <italic>práxis</italic>, mas não se constitui numa
						práxis. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Geertz, 2002</xref>, p. 32-33)</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Como linguistas aplicados, a linguagem é o nosso <italic>locus</italic> de pesquisa.
				Ao compreendê-la como prática social, supondo linguagem e sociedade como
				indissociáveis, a etnografia se impõe teórico-metologicamente, propiciando
				importantes deslocamentos.</p>
			<p>Um deles seria nos distanciarmos da visão de que na escrita do texto somos apenas
				escritores. Ao tomarmos a linguagem como práxis, estaríamos absorvendo o porquê das
				nossas perguntas em um ‘como escrever’ que vincula, simultaneamente, a teoria, o
				método e a prática. Assim, nos distanciaríamos também de teorias linguísticas às
				quais, muitas vezes, ainda subjaz um conceito padronizado de língua (<xref
					ref-type="bibr" rid="B21">Milroy, 2011</xref>), em que formatamos os usos
				sociais da linguagem dentro de categorias analíticas apresentadas ou formuladas a
				partir desse conceito de língua. Soma-se aí ainda, como algo a ser evitado, um
				ecletismo irrefletido de quadros teóricos articulados às pesquisas etnográficas em
				LA que <xref ref-type="bibr" rid="B13">Garcez (2012, p. 8)</xref> define como
				“feirinha das Ciências Sociais”. De acordo com as palavras do autor, o pesquisador
				“vai ao mercado de conceitos e arcabouços em voga naquele momento, em que todos os
				aportes se justificavam de modo simplista pela suposta vantagem autoevidente de
				‘quanto mais ângulos de visão melhor’”.</p>
			<p>Outro deslocamento refere-se à prática de uma extensa e árdua discussão teórica ou
				ainda metodológica, ora por meio dos inúmeros conceitos dos quais lançamos mão, ora
				por meio da triangulação de dados, que muitas vezes resultam em pesquisas que pouco
				auxiliam na compreensão da experiência etnográfica. Tal prática recorre a muita
				teoria para argumentar a respeito do conceito de língua, recurso utilizado como uma
				espécie de autoconvencimento. A preocupação excessiva com os dados faz com que sejam
				retirados de suas condições de produção e despersonificados, reduzindo a experiência
				ao “discurso” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Corrêa, 2011</xref>), e limitando a
				compreensão dos significados sociais que orientam os nossos interlocutores e a nós
				mesmos. Os excertos transcritos de entrevistas, conversas, aulas, diários de campo
				etc., por meio de convenções ou não, também parecem cumprir, em nossas pesquisas, a
				função de estratégia retórica de comprovação empírica. Isto é, essa prática expressa
				a não construção dos dados como dados etnográficos, vivenciados significativamente
				como resultantes de perguntas situadas social e teoricamente. É como se o próprio
				dado fosse capaz de elucidar problemas analíticos e expressar a realidade que fala
				por meio dele.</p>
			<p>Nesse sentido, nossas etnografias da linguagem recebem críticas por parecerem supor
				que os dados são a realidade. <xref ref-type="bibr" rid="B8">Corrêa (2011, p.
					334-335)</xref>, ao estabelecer fronteiras entre uma perspectiva etnográfica e
				uma perspectiva discursiva, questiona a suposta “busca da origem” da etnografia como
				procedimento de coleta de dados, praticada por linguistas e pedagogos que, a partir
				de informantes tomados como ideais, distorcem a chamada observação participante,
				tendendo a atribuir a essas incursões etnográficas o estatuto de investimento seguro
				no caráter supostamente unívoco dos dados, obtidos a partir de entrevistas, enquetes
				e depoimentos.</p>
			<p>Então, não podemos perder de vista que, em nossas pesquisas, sempre apresentamos
				fatos etnográficos elaborados a partir do conhecimento por nós construído. Um
				exemplo da construção dos dados em fatos etnográficos foi dado por <xref
					ref-type="bibr" rid="B9">Clifford (1998)</xref> por meio de quatro formas
				expositivas nas narrativas etnográficas da Antropologia: a experiencial, a
				interpretativa, a dialógica e a polifônica. Nas narrativas experienciais, a
				autoridade etnográfica ou validade científica está na observação participante, ou
				seja, o pesquisador precisa convencer seus leitores de que “esteve lá”, de que os
				fatos que apresenta foram objetivamente adquiridos e não criações subjetivas, a
				exemplo do que <xref ref-type="bibr" rid="B19">Malinowski (1998)</xref> apresentou
				em <italic>Os argonautas</italic>, citado acima.</p>
			<p>Ainda na mesma direção, nas narrativas interpretativas, o etnógrafo coloca-se como um
				árbitro que interpreta culturas, inferidas a partir de suas partes que são separadas
				conceitual e perceptualmente do fluxo da experiência: “Os dados constituídos em
				condições discursivas, dialógicas, são apropriados apenas através de formas
				textualizadas. Os eventos e os encontros da pesquisa se tornam anotações de campo.
				As experiências tornam-se narrativas, ocorrências significativas ou exemplos” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B9">Clifford, 1998</xref>, p. 41).</p>
			<p>Um modelo dialógico de prática etnográfica traria, por sua vez, para o centro da
				escrita a intersubjetividade de toda a fala, em seu contexto imediato. Uma narrativa
				dialógica apresentaria situações de interlocução, em que os interlocutores interagem
				ativamente por meio de suas visões da realidade. A narrativa dialógica não são
				representações mimetizadas do diálogo no texto. Em nossos relatórios tentamos
				construir um texto coerente e articulado, fazendo um retrato que “restabelece a
				autoridade interpretativa fundada na sinédoque [partes relacionadas ao todo],
				através da qual o etnógrafo lê o texto em relação ao contexto constituindo, desse
				modo, um ‘outro’ mundo significativo” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Clifford,
					1998</xref>, p. 46). Para o autor, “a escrita etnográfica atual está procurando
				novos meios de representar adequadamente a autoridade dos informantes” (p. 48), de
				modo que a sua participação esteja no texto, não como exemplos de uma teoria, mas
				como constitutiva da intercompreensão em questão.</p>
			<p>Por fim, a narrativa polifônica reconheceria a heteroglossia (<xref ref-type="bibr"
					rid="B2">Bakhtin, 1998</xref>): sujeitos falantes num campo de múltiplos
				discursos. A escrita da etnografia adquiriria coerência através de atos específicos
				de leitura, ou seja, segundo Clifford (p. 57) “é intrínseco à ruptura da autoridade
				monológica que as etnografias não mais se dirijam a um único tipo geral de leitor. A
				multiplicidade de leituras possíveis reflete o fato de que a consciência
				‘etnográfica’ não pode mais ser considerada como monopólio de certas culturas e
				classes sociais no Ocidente”. Isto é, não é mais monopólio de antropólogos que se
				dirigem a uma comunidade acadêmica. Como possibilidade para a desintegração das
				autoridades monológica e interpretativa, as perspectivas dialógica e polifônica
				possibilitam uma multiplicidade de leituras possíveis, considerando diferentes
				leitores das pesquisas e a produção colaborativa do conhecimento etnográfico.</p>
			<p>Toda a reflexão desta seção nos leva de volta ao posicionamento político da
				etnografia. Os trabalhos etnográficos não permitem generalizações nem descrevem o
				fato tal qual ele ocorre (descrição da fala), mas são relações de interconhecimento
				com a realidade vivida, que permitem incluir outros contextos, outras realidades
				presentes também na escrita. Não há uma separação entre teoria e perguntas de
				pesquisas que nós fazemos. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B24">Peirano (2014, p.
					2)</xref>, “tudo o que nos surpreende, que nos intriga, tudo que estranhamos nos
				leva a refletir e a imediatamente nos conectar com outras situações semelhantes que
				conhecemos ou vivemos (ou mesmo opostas), e a nos alertar para o fato de que muitas
				vezes ‘a vida repete a teoria’”.</p>
			<p>Esse enquadramento tem sido cada vez mais problematizado para realçar, justamente, a
				dimensão relacional da prática etnográfica da Antropologia. Como apontou <xref
					ref-type="bibr" rid="B33">Wagner (2010)</xref>, os modelos de explicação, ou os
				“modos de conceitualização” sobre outros povos é igualmente uma “ressimbolização
				deles, transformando seus símbolos nos nossos, e é por isso que eles aparecem tão
				frequentemente sob a forma reduzida ou literarizada” (p. 75). Segundo o autor, da
				perspectiva do trabalho de campo, “virar nativo é tão inútil quanto permanecer em um
				aeroporto ou hotel fabricando histórias sobre os nativos: em nenhum dos casos haverá
				qualquer possibilidade de uma significativa relação e (invenção) de culturas” (p.
				37), pois “nossos modelos analógicos são eles mesmos interpretados no processo” (p.
				45). Esse autor parte da ideia de que os modelos do “observador e observados” são
				equivalentes e que essa equivalência pode ser reversa. Para <xref ref-type="bibr"
					rid="B3">Beaud e Weber (2014)</xref>, a condição fundamental para que se trate
				de uma pesquisa etnográfica é “pesquisar num meio de interconhecimento”, ou seja, “é
				preciso que seus pesquisados estejam em relação uns com os outros e não escolhidos
				com base em critérios abstratos” (p. 14).</p>
			<p>Se a experiência no trabalho de campo resulta na invenção da cultura para
				Antropologia, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B33">Wagner (2010)</xref>, para a
				LA também seria a “invenção” da linguagem como prática social na qual o pesquisador
				participa ativamente. Exemplos dessa invenção da linguagem aparecem nos trabalhos de
					<xref ref-type="bibr" rid="B29">Semechechem (2016)</xref>, em que a língua
				ucraniana é a língua vivida, transformada e implicada no cotidiano. Ela pode
				contrastar a sua visão anterior dessa língua com a prática da língua em contexto, em
				situação. Do mesmo modo que o antropólogo, as pessoas com as quais o pesquisador em
				LA se relaciona no campo também buscam dar sentido a sua presença e igualmente dar
				sentido à cultura e linguagem trazida pelo pesquisador.</p>
			<p>O que <xref ref-type="bibr" rid="B33">Wagner (2010)</xref> quer dizer com a invenção
				da cultura é que o trabalho de campo é trabalho no campo. O que o pesquisador
				“inventa” é seu próprio entendimento ao criar analogias que são noções próprias de
				sua cultura, transformadas por sua experiência. Wagner compara o pesquisador a um
				artista e dá um exemplo de como essa experiência acontece na arte do pintor holandês
				Bruegel. A figuração detalhada dos camponeses flamengos, por quem o pintor era
				fascinado, e de seus costumes corporificou um tipo de ressimbolização (ou alegoria)
				em cenas de rua que retratam temas religiosos. No quadro “O recenseamento de Belém”,
				Maria e José chegam para o censo e a aldeia está coberta de neve,</p>
			<p>
				<disp-quote>
					<p>as pessoas se vestem como camponeses setentrionais e os telhados são
						íngremes, as árvores são podadas e a própria paisagem é típica dos países
						baixos. Todos esses detalhes serviram para tornar familiares os eventos da
						Bíblia, torná-los críveis e reconhecíveis à sua audiência - e Bruegel, se
						pressionado, poderia ter explicado seus esforços nessas bases (<xref
							ref-type="bibr" rid="B33">Wagner, 2010</xref>, p. 44).</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Mas ele foi mais fundo no ímpeto interpretativo, segundo Wagner, pois sugerira o
				“julgamento de sua própria sociedade em termos bíblicos” ao dizer não só que Jesus
				nascera em um ambiente humilde, tal como seus contemporâneos viviam, e que se Maria
				e José chegassem a uma cidade flamenga, ainda teriam que se alojar em um estábulo.
				Assim como na arte, o antropólogo, ao tornar visível a sua cultura, submetendo-se a
				situações de campo, igualmente inventa a outra cultura: em um processo contrastante
				que ocorre por meio de observação e aprendizado, o pesquisador deduz o que seria a
				cultura do outro a partir da sua própria. Acaba assim por reinventar a própria
				cultura (p. 30-31).</p>
			<p>Se Wagner está se referindo à possibilidade de desubstantivar a cultura em situações
				de alteridade muito distante, haveria diferença quando o pesquisador de LA é parte
				do grupo - por exemplo, pesquisador de origem alemã ou ucraniana estudando a
				aprendizagem do português na escola pelos membros desse grupo? Acreditamos que não,
				porque se trata de uma alteridade próxima. A relação que se estabelece entre esse
				pesquisador e seu grupo é a de participantes e produtores ativos de conhecimento da
				vida social, por meio da relação entre os modos de organização do conhecimento sobre
				a linguagem do pesquisador e a forma como as pessoas organizam, elaboram, legitimam,
				impõem ou recusam a linguagem em contexto compartilhado como pesquisador. Se as
				perguntas dos pesquisadores em LA frequentemente partem de experiências vividas como
				falantes e como professores, ao mesmo tempo em que respondem a demandas sociais e
				governamentais, os modos de organização de conhecimento estão necessariamente
				implicados em suas situações de pesquisa. A questão é que esse pesquisador
				reinventará a cultura a partir de modelos explicativos com os quais terá contato ou
				que formulará a partir da literatura, a exemplo do fez Bourdieu a partir de um
				comentário de sua mãe.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Algumas Considerações Finais</title>
			<p>Argumentamos neste artigo que, apesar de algumas pesquisas em LA ainda apresentarem
				pudor em afirmar que realizam pesquisas etnográficas ou etnografias da linguagem, a
				experiência etnográfica nesse campo não difere das demais áreas de conhecimento,
				como por exemplo da Antropologia e da Educação. Discutimos três dimensões que
				caracterizam o fazer etnográfico para além de uma metodologia para a geração de
				dados no trabalho de campo. A primeira refere-se ao percurso de pesquisa, e ao fato
				de a etnografia ser vista como explicação e interpretação sobre um grupo social,
				possível somente quando o pesquisador fica imerso por longos períodos no campo, ou
				então por frequentações intermitentes (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Garcez e
					Schulz, 2015</xref>). Esse critério pode se tornar um obstáculo para a pesquisa.
				Primeiro porque, como mencionamos, a etnografia se inicia antes do momento da
				“entrada no campo”, com perguntas que evidenciam a coparticipação nesse campo.
				Segundo porque dificulta a possibilidade de entender a etnografia como um modo
				intersubjetivo de construção de conhecimento, razão pela qual as perguntas pessoais
				do pesquisador não são trazidas como fontes consequentes de reflexão, parte
				inseparável de toda experiência etnográfica. Muitas vezes, ser muito familiar ao
				campo de observação é visto como um impedimento, quando esse pertencimento é, ao
				contrário, condição de possibilidade da pesquisa.</p>
			<p>A segunda dimensão parece estar na insistência com o rigor metodológico. A
				sobreposição de várias caracterizações da pesquisa como sendo de “cunho etnográfico”
				torna visível a visão da etnografia como um método e não como um modo de
				conhecimento intersubjetivo em que modelos analíticos são transformados na própria
				relação no campo da pesquisa. O pesquisador está muitas vezes imerso em várias
				dimensões da vida local, mas o fato de estar atento a um tema de pesquisa o impede
				de trazer essas dimensões em sua reflexão, levando-o a reafirmar assimetrias entre
				pesquisador, instituições e seus comitês de ética e participantes ou interlocutores
				da pesquisa. Mesmo que modelos analíticos da linguagem a compreendam como prática
				social, essa concepção nem sempre é expressa no trabalho de análise dos dados e pode
				desaparecer na descrição mimética dos dados observados. O fato de identificar
				diferentes posições sociais dos falantes nem sempre implica a correlação da
				linguagem como inerente a esses falantes ou a inserção desses falantes em seus
				contextos locais. O excesso de preocupação com a metodologia e com a discussão de
				conceitos é muitas vezes um indício da dificuldade em relacionar os modelos
				analíticos com as perguntas de pesquisa, durante a experiência no campo e na escrita
				do relatório, que seria a apresentação dos resultados dessa experiência.</p>
			<p>Quanto à terceira dimensão tratada no artigo - o modo como, geralmente, o processo de
				escrita aparece na apresentação dos resultados de nossa pesquisa - tendem a pouco
				expressar características discursivas, dialógicas e polifônicas da linguagem. Por
				exemplo, os relatórios comumente são apresentados compartimentalizando a etnografia
				como uma metodologia de pesquisa apenas, desvinculada da teoria e dos dados
				analisados. Isso revela a dificuldade em conceber a etnografia como um modo de
				compreender e construir a realidade conjuntamente - em que “todos os envolvidos veem
				o que não se enxergava antes” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Pires-Santos
						<italic>et al</italic>., 2015</xref>) - e apresentar isso textualmente. Como
				afirma <xref ref-type="bibr" rid="B14">Geertz (2002, p. 39)</xref>, sobre a
				preocupação com a escrita: “a vantagem de desviarmos para o fascínio da escrita ao
				menos parte da atenção que temos dedicado ao fascínio do trabalho de campo, que nos
				manteve aprisionado por tanto tempo, está não apenas em que essa dificuldade será
				entendida com maior clareza, mas também em que aprenderemos a ler com um olhar mais
				perspicaz.” Assim como na Antropologia, “paradigmas de experiência e interpretação
				estão dando lugar a paradigmas discursivos de diálogo e polifonia” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B9">Clifford, 1998</xref>, p. 43).</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Agradecemos à Maria Inêz Probst Lucena e ao Carlos Guerola pela leitura atenta e
					pelas inúmeras contribuições em uma versão anterior deste trabalho.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>O Ideb é um indicador de qualidade educacional que combina informações de
					desempenho em exames padronizados (Prova Brasil ou Saeb) – obtido pelos
					estudantes ao final das etapas de ensino (4ª e 8ª séries do ensino fundamental e
					3ª série do ensino médio) – com informações sobre rendimento escolar
					(aprovação). Informações disponíveis em <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://ideb.inep.gov.br">http://ideb.inep.gov.br</ext-link>.
					Acesso em 23 de fevereiro de 2018.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Esse é o documento fornecido pela Plataforma Brasil para salvaguardar os nossos
					participantes e a nós em nossas pesquisas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B7">Christians (2007)</xref>, tais pesquisas
					zelam por uma ética utilitária. Diretrizes adotadas até a década de 1980, como
					Consentimento Informado, Fraude, Privacidade e Confidencialidade e Precisão,
					constituem essa ética utilitária “e os conselhos institucionais de revisão na
					realidade protegem suas próprias instituições em vez das populações de sujeitos
					que fazem parte da sociedade como um todo.” (p. 148-149)</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ALTENHOFEN, C. V.; BROCH, I. K. 2011. Fundamentos para uma pedagogia
					do plurilinguismo baseada no modelo de conscientização linguística
						(<italic>language awareness</italic>). <italic>In:</italic> V Encuentro
					Internacional de Investigadores de Políticas Linguísticas<italic>. V Encuentro
						Internacional de Investigadores de Políticas Linguísticas</italic>.
					Montevideo, Universidad de la República e Associación de Universidades Grupo
					Montevideo, p. 15-22.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="confproc">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALTENHOFEN</surname>
							<given-names>C. V.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>BROCH</surname>
							<given-names>I. K.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2011</year>
					<source>Fundamentos para uma pedagogia do plurilinguismo baseada no modelo de
						conscientização linguística (<italic>language awareness</italic>)</source>
					<conf-name>V Encuentro Internacional de Investigadores de Políticas
						Linguísticas. V Encuentro Internacional de Investigadores de Políticas
						Linguísticas</conf-name>
					<publisher-loc>Montevideo</publisher-loc>
					<publisher-name>Universidad de la República e Associación de Universidades Grupo
						Montevideo</publisher-name>
					<fpage>15</fpage>
					<lpage>22</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BAKHTIN, M. 1998. <italic>Questões de Literatura e de
						Estética:</italic> a Teoria do Romance (1975). Trad. Bernadini <italic>et
						al</italic>. 4ª ed., São Paulo, Unesp, 439 p.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BAKHTIN</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1998</year>
					<source><italic>Questões de Literatura e de Estética:</italic> a Teoria do
						Romance (1975)</source>
					<comment>Trad. Bernadini et al.</comment>
					<edition>4ª ed.</edition>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Unesp</publisher-name>
					<size units="pages">439 p</size>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>BEAUD, S.; WEBER, F. 2014. <italic>Guia para a pesquisa de
						campo:</italic> Produzir e analisar dados etnográficos. 2ª ed., Rio de
					Janeiro/RJ, Editora Vozes, 235 p.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BEAUD</surname>
							<given-names>S.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>WEBER</surname>
							<given-names>F.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2014</year>
					<source><italic>Guia para a pesquisa de campo:</italic> Produzir e analisar
						dados etnográficos</source>
					<edition>2ª ed.</edition>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro/RJ</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora Vozes</publisher-name>
					<size units="pages">235 p</size>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>BOURDIEU, P. 2005. <italic>Esboço de auto-análise</italic>. São
					Paulo, Companhia das Letras, 140 p.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOURDIEU</surname>
							<given-names>P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2005</year>
					<source>Esboço de auto-análise</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Companhia das Letras</publisher-name>
					<size units="pages">140 p</size>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>BOURDIEU, P.; CHAMBOREDON, J. C.; PASSERON; J. C. 1999. <italic>A
						profissão de sociólogo: preliminares epistemológicas</italic>. Trad.
					Guilherme João de Freitas Teixeira. Petrópolis/RJ, Vozes, 328
					p.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOURDIEU</surname>
							<given-names>P.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>CHAMBOREDON</surname>
							<given-names>J. C.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>PASSERON</surname>
							<given-names>J. C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1999</year>
					<source>A profissão de sociólogo: preliminares epistemológicas</source>
					<comment>Trad. Guilherme João de Freitas Teixeira</comment>
					<publisher-loc>Petrópolis/RJ</publisher-loc>
					<publisher-name>Vozes</publisher-name>
					<size units="pages">328 p</size>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>CANAGARAJAH, S. 2012. <italic>Translingual practice: global
						englishes and cosmopolitan relations</italic>. London/New York, Routledge,
					212 p. <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/10.4324/9780203073889"
						>https://doi.org/10.4324/9780203073889</ext-link></mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CANAGARAJAH</surname>
							<given-names>S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2012</year>
					<source>Translingual practice: global englishes and cosmopolitan
						relations</source>
					<publisher-loc>London/New York</publisher-loc>
					<publisher-name>Routledge</publisher-name>
					<size units="pages">212 p</size>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.4324/9780203073889"
						>https://doi.org/10.4324/9780203073889</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>CHRISTIANS, C. G. 2007. Ethics and politics in qualitative research.
						<italic>In:</italic> K. DENZIN; Y. S. LINCOLN (eds.), <italic>The landscape
						of qualitative research</italic>. Los Angeles/London/New Delhi/Singapore,
					Sage, p. 185-220.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CHRISTIANS</surname>
							<given-names>C. G.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2007</year>
					<chapter-title>Ethics and politics in qualitative research</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>DENZIN</surname>
							<given-names>K.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>LINCOLN</surname>
							<given-names>Y. S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>The landscape of qualitative research</source>
					<publisher-loc>Los Angeles/London/New Delhi/Singapore</publisher-loc>
					<publisher-name>Sage</publisher-name>
					<fpage>185</fpage>
					<lpage>220</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>CORRÊA, M. L. G. 2011. As perspectivas etnográfica e discursiva no
					ensino da escrita: o exemplo de textos de pré-universitários. <italic>Revista da
						ABRALIN</italic>, v. Eletrônico, n. Especial, p. 333-356.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CORRÊA</surname>
							<given-names>M. L. G.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2011</year>
					<article-title>As perspectivas etnográfica e discursiva no ensino da escrita: o
						exemplo de textos de pré-universitários</article-title>
					<source>Revista da ABRALIN</source>
					<volume>Eletrônico</volume>
					<issue>Especial</issue>
					<fpage>333</fpage>
					<lpage>356</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<mixed-citation>CLIFFORD, J. 1998. Sobre a autoridade etnográfica.
						<italic>In:</italic> J. R. S. GONÇALVES (Org.), <italic>A experiência
						etnográfica: Antropologia e Literatura no século XX</italic>. Rio de
					Janeiro, Ed. UFRJ, p. 17-62.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CLIFFORD</surname>
							<given-names>J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1998</year>
					<chapter-title>Sobre a autoridade etnográfica</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>GONÇALVES</surname>
							<given-names>J. R. S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A experiência etnográfica: Antropologia e Literatura no século
						XX</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Ed. UFRJ</publisher-name>
					<fpage>17</fpage>
					<lpage>62</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>FONSECA, C. C. 1999. Quando cada caso NÃO é um caso: pesquisa
					etnográfica e educação. <italic>Revista Brasileira de Educação</italic>, 10:
					58-78.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FONSECA</surname>
							<given-names>C. C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1999</year>
					<article-title>Quando cada caso NÃO é um caso: pesquisa etnográfica e
						educação</article-title>
					<source>Revista Brasileira de Educação</source>
					<volume>10</volume>
					<fpage>58</fpage>
					<lpage>78</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>GARCIA, O. 2009. <italic>Bilingual Education in the 21<sup>st</sup>.
						Century - a global perspective</italic>. West Sussex, Wiley-Blackwell, 481
					p.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GARCIA</surname>
							<given-names>O.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2009</year>
					<source>Bilingual Education in the 21st. Century - a global perspective</source>
					<publisher-loc>West Sussex</publisher-loc>
					<publisher-name>Wiley-Blackwell</publisher-name>
					<size units="pages">481 p</size>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>GARCEZ, P. M.; SCHULZ, L. 2015. Olhares circunstanciados: etnografia
					da linguagem e pesquisa em Linguística Aplicada no Brasil.
						<italic>Delta</italic>, 31(número especial):1-34. <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/10.1590/0102-445093806057590158"
						>https://doi.org/10.1590/0102-445093806057590158</ext-link></mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GARCEZ</surname>
							<given-names>P. M.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SCHULZ</surname>
							<given-names>L.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2015</year>
					<article-title>Olhares circunstanciados: etnografia da linguagem e pesquisa em
						Linguística Aplicada no Brasil</article-title>
					<source>Delta</source>
					<volume>31</volume>
					<issue>número especial</issue>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>34</lpage>
					<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/10.1590/0102-445093806057590158"
						>https://doi.org/10.1590/0102-445093806057590158</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<mixed-citation>GARCEZ, P. M. 2012. Avançando olhares para um observatório de
					práticas de linguagem em contextos escolares. <italic>In:</italic> M. P.
					FRITZEN; M. I. P. LUCENA (Orgs.) <italic>O olhar da etnografia em contextos
						educacionais: interpretando práticas de linguagem</italic>. Blumenau, SC,
					Editora da FURB, p. 7-10.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GARCEZ</surname>
							<given-names>P. M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2012</year>
					<chapter-title>Avançando olhares para um observatório de práticas de linguagem
						em contextos escolares</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>FRITZEN</surname>
							<given-names>M. P.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>LUCENA</surname>
							<given-names>M. I. P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O olhar da etnografia em contextos educacionais: interpretando práticas
						de linguagem</source>
					<publisher-loc>Blumenau, SC</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora da FURB</publisher-name>
					<fpage>7</fpage>
					<lpage>10</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>GEERTZ, C. 2002. Estar lá: a antropologia e o cenário da escrita.
						<italic>In:</italic> ______. <italic>Obras e Vidas: O Antropólogo como
						autor</italic>. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro, Editora UFRJ, p.
					11-39.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GEERTZ</surname>
							<given-names>C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2002</year>
					<chapter-title>Estar lá: a antropologia e o cenário da escrita</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GEERTZ</surname>
							<given-names>C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Obras e Vidas: O Antropólogo como autor</source>
					<comment>Trad. Vera Ribeiro</comment>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora UFRJ</publisher-name>
					<fpage>11</fpage>
					<lpage>39</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<mixed-citation>GONÇALVES, J. R. S. 1998. Apresentação. <italic>In:</italic> ______.
						<italic>A experiência etnográfica: Antropologia e Literatura no século
						XX</italic>. Rio de Janeiro, Ed. UFRJ, p. 7-16.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GONÇALVES</surname>
							<given-names>J. R. S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1998</year>
					<chapter-title>Apresentação</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GONÇALVES</surname>
							<given-names>J. R. S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A experiência etnográfica: Antropologia e Literatura no século
						XX</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Ed. UFRJ</publisher-name>
					<fpage>7</fpage>
					<lpage>16</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>JUNG, N. M. 2009. <italic>A reprodução de identidades sociais na
						comunidade e na escola</italic>. Ponta Grossa, Editora UEPG, 243
					p.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>JUNG</surname>
							<given-names>N. M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2009</year>
					<source>A reprodução de identidades sociais na comunidade e na escola</source>
					<publisher-loc>Ponta Grossa</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora UEPG,</publisher-name>
					<size units="pages">243 p</size>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<mixed-citation>______. 2003. <italic>Identidades Sociais na Escola: Gênero,
						etnicidade, língua e as práticas de letramento em uma comunidade rural
						multilíngue</italic>. Porto Alegre, RS. Tese de Doutorado. Universidade
					Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, 309 p.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>JUNG</surname>
							<given-names>N. M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2003</year>
					<source>Identidades Sociais na Escola: Gênero, etnicidade, língua e as práticas
						de letramento em uma comunidade rural multilíngue</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre, RS</publisher-loc>
					<publisher-name>Universidade Federal do Rio Grande do Sul -
						UFRGS</publisher-name>
					<size units="pages">309 p</size>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<mixed-citation>MACHADO E SILVA, R. C. Para além da escola: práticas e saberes de
					leitura entre jovens. <italic>In:</italic> A. F. SELLA; R. H. RODRIGUES; T. da
					C. COSTA-HÜBES (Orgs.), <italic>Contextos escolares de fronteira: resultados de
						pesquisas interinstitucionais</italic>. Cascavel/PR, EDUNIOESTE, 2016, p.
					121-146.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MACHADO E SILVA</surname>
							<given-names>R. C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Para além da escola: práticas e saberes de leitura entre
						jovens</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>SELLA</surname>
							<given-names>A. F.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>RODRIGUES</surname>
							<given-names>R. H.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>COSTA-HÜBES</surname>
							<given-names>T. da C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Contextos escolares de fronteira: resultados de pesquisas
						interinstitucionais</source>
					<publisher-loc>Cascavel/PR</publisher-loc>
					<publisher-name>EDUNIOESTE</publisher-name>
					<year>2016</year>
					<fpage>121</fpage>
					<lpage>146</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<mixed-citation>MALINOWSKI, B. 1998 [1922]. <italic>Argonautas do Pacífico
						Ocidental</italic>. São Paulo, Abril Cultural, [Prólogo, Introdução] p.
					10-34.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MALINOWSKI</surname>
							<given-names>B.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1998</year>
					<comment>[1922]</comment>
					<source>Argonautas do Pacífico Ocidental</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Abril Cultural</publisher-name>
					<comment>[Prólogo, Introdução]</comment>
					<fpage>10</fpage>
					<lpage>34</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<mixed-citation>MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Portal Inep. Instituto Nacional de Estudos e
					Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Disponível em: <ext-link
						ext-link-type="uri" xlink:href="http://ideb.inep.gov.br"
						>http://ideb.inep.gov.br</ext-link>. Acesso em: 23 fev.
					2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO</collab>
					</person-group>
					<source>Portal Inep. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
						Anísio Teixeira</source>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://ideb.inep.gov.br"
						>http://ideb.inep.gov.br</ext-link></comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">23 fev. 2018</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<mixed-citation>MILROY, J. 2011. Ideologias linguísticas e as consequências da
					padronização. <italic>In:</italic> X. LAGARES; M. BAGNO (Orgs.)
						<italic>Políticas da norma e conflitos linguísticos</italic>. São Paulo,
					Parábola Editorial, p. 49-88.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MILROY</surname>
							<given-names>J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2011</year>
					<chapter-title>Ideologias linguísticas e as consequências da
						padronização</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>LAGARES</surname>
							<given-names>X.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>BAGNO</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Políticas da norma e conflitos linguísticos</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Parábola Editorial</publisher-name>
					<fpage>49</fpage>
					<lpage>88</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<mixed-citation>MOITA LOPES, L. P. 2006. Linguística Aplicada e vida contemporânea:
					problematização dos construtos que têm orientado a pesquisa.
						<italic>In:</italic> L.P. MOITA LOPES (Org.) <italic>Por uma Linguística
						Aplicada Indisciplinar</italic>. São Paulo, Parábola, p.
					85-108.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MOITA LOPES</surname>
							<given-names>L. P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2006</year>
					<chapter-title>Linguística Aplicada e vida contemporânea: problematização dos
						construtos que têm orientado a pesquisa</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>LOPES</surname>
							<given-names>L.P. MOITA</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Por uma Linguística Aplicada Indisciplinar</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Parábola</publisher-name>
					<fpage>85</fpage>
					<lpage>108</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B23">
				<mixed-citation>OTHEGUY, R.; GARCÍA, O.; REID, W. 2015. Clarifying translanguaging
					and deconstructing named languages: A perspective from linguistics.
						<italic>Applied Linguistics Review</italic>, 6(3): 281-307. <ext-link
						ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1515/applirev-2015-0014"
						>https://doi.org/10.1515/applirev-2015-0014</ext-link></mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>OTHEGUY</surname>
							<given-names>R.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>GARCÍA</surname>
							<given-names>O.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>REID</surname>
							<given-names>W.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2015</year>
					<article-title>Clarifying translanguaging and deconstructing named languages: A
						perspective from linguistics</article-title>
					<source>Applied Linguistics Review</source>
					<volume>6</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>281</fpage>
					<lpage>307</lpage>
					<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/10.1515/applirev-2015-0014"
						>https://doi.org/10.1515/applirev-2015-0014</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B24">
				<mixed-citation>PEIRANO, M. 2014. Etnografia não é método. <italic>Horizontes
						Antropológicos</italic>, ano 20, 42:377-391. <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/10.1590/s0104-71832014000200015"
						>https://doi.org/10.1590/s0104-71832014000200015</ext-link></mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PEIRANO</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2014</year>
					<article-title>Etnografia não é método</article-title>
					<source>Horizontes Antropológicos</source>
					<comment>ano 20</comment>
					<volume>42</volume>
					<fpage>377</fpage>
					<lpage>391</lpage>
					<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/10.1590/s0104-71832014000200015"
						>https://doi.org/10.1590/s0104-71832014000200015</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B25">
				<mixed-citation>PIRES-SANTOS, M. E. <italic>et al</italic>. 2015. Vendo o que não se
					enxergava: condições epistemológicas para construção de conhecimento coletivo e
					reflexivo da lingua(gem) em contexto escolar. <italic>Delta</italic>, 31(número
					especial): 35-65. <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/10.1590/0102-4450761813738654418"
						>https://doi.org/10.1590/0102-4450761813738654418</ext-link></mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PIRES-SANTOS</surname>
							<given-names>M. E.</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<year>2015</year>
					<article-title>Vendo o que não se enxergava: condições epistemológicas para
						construção de conhecimento coletivo e reflexivo da lingua(gem) em contexto
						escolar</article-title>
					<source>Delta</source>
					<volume>31</volume>
					<issue>número especial</issue>
					<fpage>35</fpage>
					<lpage>65</lpage>
					<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/10.1590/0102-4450761813738654418"
						>https://doi.org/10.1590/0102-4450761813738654418</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B26">
				<mixed-citation>______. 2011. <italic>Observatório da Educação - Núcleo de
						pesquisa/extensão:</italic> formação continuada em leitura, escrita e
					oralidade. Unioeste. Mimeo.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PIRES-SANTOS</surname>
							<given-names>M. E.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2011</year>
					<source><italic>Observatório da Educação - Núcleo de pesquisa/extensão:</italic>
						formação continuada em leitura, escrita e oralidade</source>
					<publisher-name>Unioeste. Mimeo</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B27">
				<mixed-citation>SANTOS, M. E. P.; CAVALCANTI, M. C. 2008. Identidades híbridas,
					língua(gens) provisórias - alunos “brasiguaios” em foco. <italic>Trabalhos em
						Linguística Aplicada</italic>, 47(2): 429-446. <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/10.1590/S0103-18132008000200010"
						>https://doi.org/10.1590/S0103-18132008000200010</ext-link></mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SANTOS</surname>
							<given-names>M. E. P.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>CAVALCANTI</surname>
							<given-names>M. C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2008</year>
					<article-title>Identidades híbridas, língua(gens) provisórias - alunos
						“brasiguaios” em foco</article-title>
					<source>Trabalhos em Linguística Aplicada</source>
					<volume>47</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>429</fpage>
					<lpage>446</lpage>
					<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://doi.org/10.1590/S0103-18132008000200010"
						>https://doi.org/10.1590/S0103-18132008000200010</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B28">
				<mixed-citation>______. 2004. <italic>O cenário
						multilíngüe/multidialetal/multicultural de fronteira e o processo
						identitário “brasiguaio” na escola e no entorno social</italic>. Campinas,
					SP. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, 253
					p.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SANTOS</surname>
							<given-names>M. E. P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2004</year>
					<source>O cenário multilíngüe/multidialetal/multicultural de fronteira e o
						processo identitário “brasiguaio” na escola e no entorno social</source>
					<publisher-loc>Campinas, SP</publisher-loc>
					<publisher-name>Universidade Estadual de Campinas - Unicamp</publisher-name>
					<size units="pages">253 p</size>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B29">
				<mixed-citation>SEMECHECHEM, J. A. 2016. <italic>O multilinguismo na
						escola:</italic> práticas linguísticas em uma comunidade de imigração
					ucraniana no Paraná. Maringá, PR. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de
					Maringá - UEM, 271 p.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SEMECHECHEM</surname>
							<given-names>J. A.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2016</year>
					<source><italic>O multilinguismo na escola:</italic> práticas linguísticas em
						uma comunidade de imigração ucraniana no Paraná</source>
					<publisher-loc>Maringá, PR</publisher-loc>
					<publisher-name>Universidade Estadual de Maringá - UEM</publisher-name>
					<size units="pages">271 p</size>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B30">
				<mixed-citation>SIGNORINI, I. 2001. Construindo com a escrita “outras cenas de
					fala”. <italic>In:</italic> I. SIGNORINI <italic>et al</italic>. (Orgs.),
						<italic>Investigando a relação oral/escrito e as teorias do
						letramento</italic>. Campinas/SP, Mercado de Letras, p.
					97-134.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SIGNORINI</surname>
							<given-names>I.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2001</year>
					<chapter-title>Construindo com a escrita “outras cenas de fala”</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>SIGNORINI</surname>
							<given-names>I.</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<source>Investigando a relação oral/escrito e as teorias do letramento</source>
					<publisher-loc>Campinas/SP</publisher-loc>
					<publisher-name>Mercado de Letras</publisher-name>
					<fpage>97</fpage>
					<lpage>134</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B31">
				<mixed-citation>URIARTE, U. M. 2012. O que é fazer etnografia para os antropólogos.
						<italic>Ponto Urbe</italic> [online], 11: 1-13. Disponível em: <ext-link
						ext-link-type="uri" xlink:href="http://pontourbe.revues.org/300"
						>http://pontourbe.revues.org/300</ext-link>. Acesso em: 12 nov.
					2015.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>URIARTE</surname>
							<given-names>U. M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2012</year>
					<article-title>O que é fazer etnografia para os antropólogos</article-title>
					<source>Ponto Urbe</source>
					<comment>[online]</comment>
					<volume>11</volume>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>13</lpage>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://pontourbe.revues.org/300"
							>http://pontourbe.revues.org/300</ext-link></comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">12 nov. 2015</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B32">
				<mixed-citation>VAN Der Aa, J.; BLOMMAERT, J. 2015. Ethnographic monitoring and the
					study of complexity. <italic>Tilburg Papers in Culture Studies</italic>, 123:
					1-15.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>VAN Der Aa</surname>
							<given-names>J.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>BLOMMAERT</surname>
							<given-names>J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2015</year>
					<article-title>Ethnographic monitoring and the study of
						complexity</article-title>
					<source>Tilburg Papers in Culture Studies</source>
					<volume>123</volume>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>15</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B33">
				<mixed-citation>WAGNER, R. 2010. <italic>A invenção da cultura</italic>. São Paulo,
					Cosac Naify, 256 p.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>WAGNER</surname>
							<given-names>R.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2010</year>
					<source>A invenção da cultura</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Cosac Naify</publisher-name>
					<size units="pages">256 p</size>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
	</back>
</article>
