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A Caatinga em imagens: representações de estudantes de dois contextos socioculturais da Bahia
Caatinga in images: Representation of students from two socio-cultural contexts in Bahia (Brazil)
A Caatinga em imagens: representações de estudantes de dois contextos socioculturais da Bahia
Revista de Educação PUC-Campinas, vol. 23, núm. 3, pp. 455-470, 2018
Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Recepção: 09 Maio 2017
Revised document received: 09 Março 2018
Aprovação: 28 Março 2018
Resumo: O presente trabalho visa investigar as representações do bioma Caatinga existentes entre estudantes do Ensino Fundamental de duas escolas situadas em diferentes contextos (urbano e rural) no estado da Bahia, por meio da análise de desenhos produzidos em um momento de intervenção pedagógica. Em cada escola, os alunos apresentaram uma imagem autoral representativa do bioma Caatinga, explicando os motivos da escolha da imagem. Ao longo da intervenção foram realizados registros audiovisuais para a composição de um videomosaico de imagens nas duas escolas, como forma de registro documental. Os estudantes da escola urbana perceberam a Caatinga como um bioma pobre em biodiversidade, onde a seca é predominante e constante. Os estudantes da escola do campo, por sua vez, revelaram representações diferentes acerca da Caatinga, principalmente um sentimento de pertencimento a esse bioma. O trabalho possibilitou uma reflexão sobre os diversos significados do bioma nesses distintos contextos socioculturais.
Palavras-chave: Caatinga, Ensino Fundamental, Representação, Significações.
Abstract: The aim of this paper was to investigate the representations of the Caatinga among students from two schools from two different contexts (city and country) in Bahia, Brazil, by analyzing drawings produced during a pedagogical intervention. Students from each school depicted a representative image of the Caatinga, explaining the reasons for choosing the image. Audiovisual records were made, generating a video mosaic from the images from both schools as a form of document record. Urban school students perceived the Caatinga as being poor in biodiversity, in which drought is prevalent and constant. Students from the country school, in turn, revealed different representations of the Caatinga, mainly a sense of belonging to this biome. Thus, the study provided a reflection on the various meanings of the biome in these different socio-cultural contexts.
Keywords: Caatinga, Elementary school, Representation, Meanings.
Introdução
A Caatinga é um bioma orginalmente brasileiro, predominante no Nordeste e rico em biodiversidade; porém pouco se sabe acerca da riqueza desse ambiente. Muitas vezes ele é retratado, seja pela mídia ou pelos diversos processos educacionais formais ou não-formais, por conceitos e imagens que o desvalorizam, acarretando a construção de valores e concepções equivocadas sobre a realidade da região semiárida.
Desse modo, é recorrente o papel da escola, em seus currículos, na reprodução de uma ideologia carregada de preconceitos e estereótipos que ainda reforçam a representação do semiárido como espaço de pobreza, miséria e improdutividade, negando, inclusive, todo o potencial dessa região e do seu povo (Matos; Landim, 2014). Isso tem gerado uma desvalorização por parte de seus habitantes, fazendo com que estes desconheçam ou desprezem o ambiente do qual fazem parte, negando-o, muitas vezes, e não o reconhecendo como parte de sua identidade sociocultural. Essas imagens são disseminadas em livros didáticos e em meios midiáticos, perpassando a representação de uma Caatinga pobre, feia e atrasada no tempo, assim como todos os seus integrantes.
Nesse sentido, este trabalho tem por objetivo principal investigar as representações de Caatinga presentes entre estudantes de escolas públicas inseridas em dois diferentes contextos socioculturais no estado da Bahia, por meio de imagens visuais. É de extrema importância o conhecimento do bioma no qual se está inserido, seja para uma melhor valorização, seja até para mitigar preconceitos e estereótipos acerca desse ambiente. O uso de imagens próprias da realidade dos alunos pode auxiliar a compreender como eles percebem o ambiente no qual estão inseridos.
Os biomas brasileiros têm sido pouco explorados tanto nos livros didáticos quanto pelos professores nas escolas. Além disso, há uma abordagem superficial e muitas vezes carregada de preconceitos e erros conceituais no que tange ao bioma Caatinga. A representação da Caatinga, seja na escola e nos livros didáticos, seja nas imagens veiculadas pelos meios de circulação midiática, tais como a televisão, Internet, jornais e outros, pode ser diferenciada da “visão” (e dos demais sentidos) dos povos que vivem nesse bioma. Diante disso, Martins (2001) tem proposto um trabalho de descolonização da educação por meio da construção de uma educação contextualizada, que favoreça um diálogo permanente entre o conhecimento científico e o saber popular.
Por outro lado, uma construção por meio da pluralidade de imagens da Caatinga dá a dimensão das diferentes interações que são estabelecidas entre os seres humanos e o bioma. Essas relações ajudam a compreender que a Caatinga também é plural, percebida das mais variadas formas, fazendo ressaltar a identidade cultural própria de seus integrantes. Nessa direção é que se insere o recurso às imagens visuais, pelo seu potencial nos processos de descolonização de saberes na escola. Imagens fotográficas, fílmicas e videográficas retratam a história visual de uma sociedade, expressam seus significados, estilos de vida, gestos, atores sociais e rituais, e aprofundam a compreensão de expressões artísticas e estéticas. As imagens podem ser utilizadas como meio de acesso a formas – bem como à compreensão e interpretação –, das versões de mundo, dos sujeitos e das teias culturais em que eles estão inseridos (Barbosa; Cunha, 2006).
A compreensão das imagens perpassa a ideia de complementaridade da escrita, a qual, por si só é, extremamente importante para que se entendam as diversas formas de compreensão de mundo e contextos distintos. Portanto, o uso da imagem acrescenta novas dimensões à interpretação da história cultural, permitindo aprofundar a compreensão do universo simbólico que, por sua vez, se exprime em sistemas de atitudes pelos quais se definem grupos sociais, se constroem identidades e se aprendem mentalidades (Barbosa; Cunha, 2006).
Rezler, Salviato e Wosiacki (2009) propõem que ler uma imagem é saboreá-la em seus diversos significados, criando distintas interpretações. Não há apenas uma única interpretação de imagem, mas sim interpretações resultantes das relações que cada leitor estabelece com o texto visual, o que envolve não só suas condições cognitivas, mas o contexto social, cultural, político e econômico em que vive.
O apelo ao desenho como forma de expressão semiótica, neste trabalho, assenta-se nas considerações de Oliveira Júnior (2006), que defende a ideia de que, num desenho, constituem-se em linguagem a distribuição dos traços e superfícies, as proporções entre os diversos elementos, a centralidade dada a algum deles, as aproximações ou distanciamentos, de forma a indicar concepções acerca de um assunto ou objeto de observação. Assim complementa o autor:
Ao desenho, portanto, não cabem regras que estabeleçam relações explícitas entre obra e a ‘realidade’ que ela apresenta. As ‘regras’ do desenho são as estabelecidas pela cultura na qual cada desenhista está inserido e elas mergulham-nos na história desta linguagem do desenho
(Oliveira Júnior, 2006, p.4).Com isso, a análise das imagens produzidas pelos estudantes requer uma minuciosa compreensão de todos os seus elementos integrantes: as cores utilizadas e suas tonalidades, os diferentes traços dos desenhos produzidos, as texturas dos desenhos e os símbolos apresentados que, em conjunto, formam as representações da Caatinga presentes entre os alunos.
Procedimentos Metodológicos
Para realizar este estudo, optou-se por uma pesquisa qualitativa de intervenção (Rufino; Miranda, 2007). De acordo com esses autores, a pesquisa de intervenção busca fazer a mediação entre teoria e prática a partir da problematização da realidade, além de propor alternativas de ação que possam transformar a realidade, pautando-se no conhecimento teórico. Tendo como ponto de partida esse referencial teórico-metodológico, esta pesquisa tomou as imagens visuais como principais elementos de análise e ressignificação das representações de Caatinga nos contextos estudados.
Participaram da pesquisa 41 estudantes de duas turmas de 7º ano do Ensino Fundamental, uma delas de escola urbana localizada na periferia do município de Feira de Santana (BA), e a outra de uma escola rural do município de Valente (BA). Vale ressaltar que esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, da Universidade Estadual de Feira de Santana (CEP/UEFS), inscrita sob o protocolo CAAE 51340415.0.0000.0053.
A escolha dessas localidades se deu pela diferença dos contextos socioculturais onde vivem os estudantes: apesar de ambas as escolas se localizarem na região chamada de Caatinga, uma delas está numa área essencialmente urbanizada do município de Feira de Santana, enquanto a outra se localiza na zona rural de um município eminentemente rural. Este último se caracteriza pela presença de comunidades que vivenciam diferentemente suas relações com o ambiente e a vegetação local, e a escola foi construída a partir da organização de movimentos sociais do campo, que prezam a constituição de uma identidade de sujeitos do campo, conforme defendido por Caldart (2009). O que se pretendeu analisar foi até que ponto essas diferenças socioculturais influenciam o olhar dos estudantes sobre a Caatinga, oportunizando um espaço de reflexão para tanto.
O trabalho foi organizado em quatro momentos. No primeiro, foi apresentada aos participantes a proposta de pesquisa, explicitando-se os seus objetivos e a maneira como ela seria desenvolvida. Foi também aplicado um questionário a fim de traçar o perfil dos participantes e suas representações iniciais sobre o bioma Caatinga.
No segundo momento, foi solicitado aos estudantes que construíssem uma imagem visual (fotografia, desenho ou pequena filmagem) que representasse o bioma Caatinga para cada um. Os estudantes optaram por elaborar desenhos com os materiais de que dispunham na escola: caderno de artes, grafite e lápis de cor. Todo o trabalho de construção das imagens foi acompanhado no sentido de compreender o percurso das produções realizadas por eles. Após a elaboração dos desenhos, os estudantes socializaram suas imagens na turma, apresentando-as e explicando-as aos colegas. A apresentação foi filmada, a fim de possibilitar uma retomada do processo de observação participante durante a análise dos resultados, de modo a identificar e compreender as diferentes representações da Caatinga, envolvendo, para tal, um olhar atento às apresentações dos estudantes.
O terceiro momento compreendeu a edição de um videomosaico em cada turma, a partir das imagens da Caatinga, conforme as orientações propostas por Meneses (2003). Os alunos foram divididos em grupos responsáveis por cada elemento de edição, totalizando quatro grupos: um responsável pela escolha e organização das apresentações gravadas para a composição do vídeo; outro responsável pela escolha das músicas que fariam parte do vídeo; um terceiro responsável pela escolha das frases e/ou mensagens que remetessem à Caatinga; e o último, responsável por digitalizar as imagens.
O quarto e último momento foi caracterizado pela apresentação e socialização dos vídeos produzidos nas duas escolas, como forma de promover um diálogo entre as representações de Caatinga produzidas em ambas. A socialização visou compreender se há diferenças entre as imagens produzidas nesses distintos contextos e como os estudantes lidam com essa pluralidade de representações sobre um mesmo bioma.
De posse das gravações em áudio e vídeo e das imagens visuais apresentadas pelos estudantes, procedeu-se à identificação e compreensão dos diferentes significados e representações de Caatinga, de modo a organizá-los em categorias de análise a posteriori, agregando por similaridade as distintas apresentações dos estudantes. A análise linguística e discursiva das apresentações se interligou à análise pictórica e figurativa, como elementos essenciais de análise das imagens visuais, tal como propõem Meneses (2003) e Joly (2012).
Resultados e Discussão
No processo de sistematização dos resultados desta pesquisa, foi observada uma gama de representações entre os estudantes envolvidos, bem como uma diversidade de significados relacionados à Caatinga. Para esses estudantes, a Caatinga não constitui apenas um bioma brasileiro, mas envolve representações múltiplas, que puderam ser conhecidas por meio das imagens visuais produzidas exclusivamente na forma de desenhos.
Para uma melhor compreensão das diferenças imagéticas encontradas, foi realizada uma breve análise do contexto sociocultural dos estudantes, a fim de compreender se os contextos influenciam (ou não) nas representações em torno desse bioma, como descrito no subtópico a seguir. Em adição, após esta breve análise, o presente estudo se debruçará sobre as imagens produzidas pelos estudantes e, por fim, abordará as reflexões advindas do processo de produção e socialização dos videomosaicos.
O perfil dos estudantes
Com base nos questionários propostos aos estudantes, foi desenvolvido o seu perfil sociocultural, com vistas a obter maior entendimento acerca das produções de imagens de Caatinga. De modo geral, o questionário buscou compreender, com perguntas simples e objetivas, em que contexto social esses alunos estão inseridos, além dos conhecimentos iniciais que possuíam acerca da Caatinga. De posse desses questionários, uma análise comparativa foi feita a fim de perceber as similaridades e diferenças existentes nesses contextos.
Visto que o contexto social é um aspecto de análise e posterior reflexão acerca das imagens produzidas, buscou-se identificar a origem e vivência dos estudantes envolvidos na pesquisa. Considerando as respostas dos estudantes da escola urbana, percebe-se que todos eles moram na cidade de Feira de Santana. Em contrapartida, os estudantes da escola do campo são, na maioria, provenientes de comunidades rurais pertencentes ao município em que se localiza a escola (Valente, BA), ou de distritos e comunidades rurais de municípios vizinhos.
A escolaridade dos pais e/ou responsáveis, tanto na escola rural quanto na urbana, refletiu-se de forma diferenciada em sua profissão e atuação no mercado de trabalho. Ao analisar o nível de escolaridade dos pais e/ou responsáveis pelos estudantes da escola do campo, percebeu-se que a maioria apresenta o Ensino Fundamental incompleto e isso tem relação direta em suas atuações profissionais.
Já ao analisar a escolaridade dos pais e responsáveis pelos estudantes da escola urbana, constatou-se um maior nível de escolarização, sendo que a maioria possuía Ensino Médio completo, refletindo também na diferenciação das profissões que exercem. Há um predomínio da ocupação de doméstica entre as mulheres, mas são relevantes as atuações profissionais em áreas de serviços públicos e privados. Já entre os responsáveis por estudantes da escola do campo, a ocupação de doméstica também é predominante, mas são mais comum as ocupações no setor primário de produção, sendo menor a participação em postos relacionados a serviços.
É notável a diferença de gênero apresentada ao se analisarem as ocupações dos responsáveis pelos estudantes, em ambas as escolas. As mulheres tanto no campo quanto na cidade ocupam funções eminentemente domésticas, enquanto os homens apresentam postos mais diversificados, principalmente no campo. Existe também um maior número de ocupações voltadas para o setor primário, tais como o lavrador e o trabalhador de motor de sisal.
Um quesito fundamental de análise, proposto no questionário, foi o conhecimento dos estudantes acerca da Caatinga e como esta é compreendida por eles nesses contextos. A análise dos resultados mostrou uma diferenciação na relação deles com o bioma. Questionados sobre onde costumam experienciar a Caatinga, a maioria dos estudantes urbanos elegeu a Internet, a televisão, os jornais e as revistas como locais que oportunizam esse contato. A partir dessa análise, pode-se inferir que a experimentação com o bioma acontece por meio dessas mídias e das imagens disseminadas por elas. Matos e Landim (2014) destacam que no ensino de ciências a valorização do ambiente local, o desenvolvimento do sentido de pertencimento nos alunos e o estímulo à observação do entorno e posicionamento crítico a esse respeito são objetivos importantes para uma possível diminuição de preconceitos que podem ser propagados pelos veículos midiáticos. As mídias têm o potencial de mitigar os preconceitos sobre a Caatinga, mas para isso a escola e outros espaços também precisam se apropriar dessas ferramentas, de forma a contribuir para tais objetivos, haja vista que essas mídias muitas vezes reforçam estereótipos preconceituosos, principalmente relacionados a esse bioma.
Por outro lado, o questionário dos estudantes pertecentes à escola do campo apresentou respostas diferentes. Eles elencaram diversos locais onde costumam vivenciar suas experiências com a Caatinga, tais como suas próprias casas, as casas de parentes e a própria escola. Vale destacar que um dos principais motivos para isso envolve o próprio currículo da escola rural, que contempla um amplo debate sobre esse tema. Ou seja, não é somente por viverem na zona rural que esses estudantes possuem mais experiências com a Caatinga, mas o trabalho pedagógico consistente é fundamental no sentido de rever os preconceitos que envolvem o bioma em questão.
Em uma das questões, foi solicitado aos estudantes que escolhessem algumas palavras que para eles representassem a Caatinga. Categorizadas a priori, como tópicos de livre escolha, foram elencadas as seguintes opções: “Tristeza, feiura, pobreza”; “Sol, beleza, alegria”; “Verde, cinza, riqueza”; “Seca, morte, falta de água” (Tabela 1).

Ao se analisarem as escolhas das palavras representativas do bioma Caatinga, percebe-se que a grande maioria dos alunos da escola urbana escolheu a opção “seca, morte, falta de água”. Já na escola do campo, dentre as opções propostas, doze estudantes escolheram “sol, beleza, alegria”, e oito estudantes escolheram “verde, cinza, riqueza”, como as palavras representativas desse bioma. Observam-se, assim, as distintas representações do bioma Caatinga, que também se refletem nos desenhos produzidos pelos estudantes, analisados a seguir.
Para uma melhor visualização desse mosaico, foram selecionadas quatro imagens, duas de cada escola, a fim de apresentar a diversidade observada pelos participantes da pesquisa acerca da Caatinga. O critério de escolha dessas imagens foi baseado na frequência das respostas apresentadas na Tabela 1, refletindo as categorias apontadas pelos alunos.
Imagens da Caatinga por estudantes do semiárido baiano
A primeira imagem aqui analisada (Figura 1) foi apresentada por uma estudante da escola urbana de Feira de Santana. Podem-se perceber alguns elementos que se destacaram na fala da aluna, quando socializa sua imagem de Caatinga, eminentemente cinza, com uma árvore seca desenhada a lápis (A) e um cacto desenhado no mesmo tom (B), assim como o solo no qual esses elementos estão inseridos.
A Caatinga não tem árvore, não tem nada. Tem uma planta seca, um cacto. Aqui só tem graveto e a seca
(Aluna do 7°ano, escola urbana, do município de Feira de Santana, BA).Na imagem não há a presença de animais e todas as plantas estão secas, inclusive o cacto, elemento central do desenho. Apesar de a autora da imagem afirmar que nesse bioma “não tem nada”, ela apresenta dois símbolos em destaque na sua representação de Caatinga: a árvore e o cacto seco. Ao apresentar esses elementos e enfatizar sua condição atual, secos, transmite a ideia de que eles já estiveram vivos um dia, mas a vivacidade desses elementos não é característica da Caatinga que ela vê. A partir da narrativa da estudante, constata-se que a região que compreende o bioma Caatinga é uma região sem vida.
Apesar da grande biodiversidade da Caatinga, esse bioma foi historicamente representado e divulgado como um lugar “feio”, “inóspito”, “pobre em biodiversidade e endemismo”, como abordam Bitencourt, Marques e Moura (2014, p.11). Segundo esses autores, as equivocadas representações negativas acerca da Caatinga atravessam o tempo e ainda hoje não foram desmitificadas pelas ações educativas de boa parte das escolas brasileiras, principalmente no semiárido, dentro do imaginário de crianças e adolescentes. Os autores afirmam ainda que a Caatinga é não só um dos biomas mais diversificados do mundo em condições de clima e solo, mas também o único totalmente brasileiro, o que confere valores biológicos e econômicos significativos para o Brasil e a América Latina.
Para Silva (2003), a indústria da seca foi utilizada por muito tempo como um argumento para a manutenção de uma percepção desvalorizadora da Caatinga e das possibilidades de um avanço na convivência com as intempéries. Esse fato é percebido tanto no desenho quanto na narrativa da autora da imagem. De acordo com Luz et al. (2009) alguns mitos foram criados em torno da biodiversidade da Caatinga: a homogeneidade, a pobreza em espécies e em endemismo e a pouca devastação. Esses três mitos devem ser considerados superados, pois esse bioma é heterogêneo, sua biota não é pobre em espécies e em endemismo, e a Caatinga está entre os biomas brasileiros mais degradados pelo ser humano.
É sabido que, muitas vezes, essas questões não são postas em sala de aula e os alunos, assim como alguns professores de ciências, apresentam a percepção já tão arraigada de uma Caatinga completamente empobrecida em diversos aspectos. Por esse fato, pode ser moldada uma imagem de pobreza em biodiversidade e uma negação de pertencimento ao local, pelo fato de ele não representar um ideal de lugar para a morada.
Na segunda imagem (Figura 2), também produzida por um estudante da escola urbana, um maior número de elementos pode ser observado. Em destaque na imagem estão: (A) uma árvore seca no centro do folha, feita a lápis; (B) um cacto, num tom de verde bastante claro; (C) segundo a narrativa do estudante, um crânio de algum animal morto pela seca; (D) uns riscos em forma de círculos, representando, segundo o autor da imagem, uma tempestade de areia; (E) um sol fraco, num tom de amarelo claro, conforme descrito pelo próprio aluno; (F) uma ave em tom acizentado.

Isso aqui é uma árvore seca, quando o sol bate aí seca a árvore e tal. Isso aqui eu considero como um crânio, né. Aqui é o cacto, aqui uma tempestade de areia, aí de vez em quando acontece um ciclone lá. É porque a Caatinga é lá pro lado do Nordeste, é tudo quente assim, sabe? E aqui é um sol fraco e uma ilha embaixo do cacto
(Aluno do 7°ano, escola urbana, do município de Feira de Santana, BA).Apesar de o estudante morar e estudar em Feira de Santana, cidade situada no estado da Bahia, observa-se que ele não percebe o Nordeste como sua região, pois, segundo sua narrativa, a Caatinga existe apenas no “lá”, no Nordeste, onde é seco. A partir dessa fala, nota-se a desconstrução de pertencimento, muitas vezes causada pelo desenvolvimento da cidade e pelo pouco contato de seus habitantes com o ambiente natural.
Albuquerque Júnior (2009) apresenta reflexões sobre a invenção imagética do Nordeste. Para o autor, este é quase sempre pensado como região rural, cujas cidades, mesmo sendo algumas das maiores do país, são totalmente negligenciadas, seja na produção artística, seja na produção científica. É como se as cidades nordestinas tivessem estagnado ao longo do tempo, no período colonial. Essa visão de temporalidade é retratada, segundo o autor, em diversas representações culturais, a exemplo de músicas de artistas como Luís Gonzaga, que traz à tona um Nordeste que parece sempre estar no passado, na memória – evocado como espaço para o qual se quer voltar, um espaço que permanece o mesmo, enquanto as outras regiões, principalmente Sul e Sudeste, disparam em modernização tanto na cultura quanto na arquitetura.
Esse, todavia, não é o Nordeste visualizado pelo estudante da escola urbana de Feira de Santana. A cidade lhe traz a ideia de progresso e atualidade; na cidade ele não vê a “seca” que se faz presente no Nordeste concebido, ao longo do tempo, em veículos midiáticos e em construções socioculturais. É provavel que a arquitetura urbano-industrial da cidade de Feira de Santana traga a ideia de uma cultura moderna, onde o pacato, o matuto, não é visto; ou, quando é, ele é o “visitante”, o distante, o pertencente ao “lá”, ao “Nordeste” do qual a cidade não faz parte.
A seguinte imagem analisada (Figura 3), elaborada por um estudante da escola do campo, revela uma Caatinga rica em biodiversidade florística. Os traços representados revelam a sutileza em fazer o desenho e destacar a beleza percebida nesse ambiente, pelo autor.

Eu desenhei a Caatinga porque ela é nosso bioma. Eu fiz o mandacaru porque armazena água dentro quando está na seca, por isso que os animais sobrevivem. Aqui também tem a palma que é rica em fibras e nutrientes, eu fiz também uma cabeça-de-frade que representa nossa Caatinga, uma ávore seca e um licurizeiro
(Aluno do 7° ano, escola do campo, no município de Valente, BA).Não há um elemento de maior destaque no desenho. Vários elementos, principalmente A, B e C, representam as cactáceas, plantas características do bioma, enquanto o elemento D revela uma árvore seca, sem folhas, repleta de galhos em tons de marrom. Os elementos E e F representam as plantas que mantêm a folhagem verde ao longo do ano, que o aluno percebe na Caatinga. O elemento G na parte superior do desenho representa um céu amarelo. Todas essas características compõem o quadro final de representação da Caatinga para o estudante.
Ao analisar essa narrativa, percebe-se que o estudante apresenta um conhecimento acerca de algumas plantas características da Caatinga. A representação mais presente sobre a biodiversidade da Caatinga se mostra na flora (Fonseca; Oliveira, 2011). O estudante demonstra um conhecimento relacionado às adaptações das plantas típicas desse ambiente quando narra que “o mandacaru armazena água na seca e por isso os animais não morrem”. Isso evidencia que ele tem uma relação próxima com esse bioma, suas particularidades e adaptações nos períodos de seca.
Por outro lado, vale destacar que se está diante de um contexto em que a escola do campo, fruto da organização social dos movimentos do campo, assume um compromisso curricular de desenvolver projetos temáticos relacionados especialmente à Caatinga e à convivência com a seca no semiárido, conforme destacam Teixeira e Freixo (2011). Isso faz com que os estudantes tenham acesso a outras representações da natureza da Caatinga, como meio de vida e sustento das famílias do campo, para além das imagens reproduzidas na mídia e nos livros didáticos a que porventura tenham acesso.
Vale ressaltar ainda a representação do ciclo sol/chuva, característica da Caatinga que os estudantes da escola do campo apontam. Em outros estudos realizados nesse contexto sociocultural (Silva; Freixo, 2014), é nítida essa representação da Caatinga em sua natureza cíclica, na qual os elementos da paisagem se modificam ao olhar dos sujeitos do campo, entremeando-se cores do verde ao cinza. Essa representação da Caatinga retrata os ciclos de seca e chuva característicos do lugar, bem como a relação dos seres humanos e dos animais dentro de um contexto mais amplo, em que se integram na natureza.
A seguinte imagem (Figura 4) de um estudante da escola do campo retrata os elementos B, C, D, E e G, todos em tons de verde, representando as plantas características da Caatinga; o elemento A em marrom e preto, segundo ele, é um mocó (Kerodon rupestris F. Cuvier, 1825), uma espécie de roedor comum nesse bioma. Apesar de o estudante dizer que o sol forte (elemento H) acaba com o sertão, no seu desenho essa expressão (forte) não é evidenciada ao se observar a cor do sol, e este ainda “sorri”, como que contemplando a paisagem desenhada pelo aluno.

Mandacaru, cabeça de frade, xique-xique. Fiz um mocó que é fácil da gente ver na Caatinga e fiz um sol quente que é o que acaba com o sertão da gente
(Aluno do 7° ano, escola do campo, no município de Valente, BA).O “sol quente” nessa imagem é responsável por acabar com o sertão do qual o estudante faz parte. Nessa fala, o sol reflete períodos cíclicos de seca, e o sertão lhe pertence assim como a seus companheiros, vizinhos, familiares e amigos. Existe uma relação próxima e harmoniosa do autor com a imagem representada.
Outro elemento em evidência (F) é o texto em “repente” que o aluno coloca como parte de sua imagem da Caatinga, algo que para ele reflete a identidade local e o representa como parte desse bioma e de sua cultura:
Eis o apaixonado vaqueiro
Que a Bahia revelou, no canto de
Aboio e toada que o Nordeste consagrou,
Com a planta madura cultive
a planta símbolo do lindo sertão da gente
Os versos de “aboiar”, como eles costumam denominar o ato de cantar ou declamar rimas que falem da vida sertaneja, na Caatinga, têm relação com a cavalgada, que, segundo os estudantes da escola do campo, é uma manifestação cultural consagrada desse ambiente do qual eles fazem parte. O estudante demonstra seus sentimentos de carinho e afeição pelo sertão, pelo Nordeste e pela imagem do vaqueiro e da Caatinga, por meio dos versos declamados.
Albuquerque Junior (2013) traz uma reflexão sobre a liberdade do sujeito sertanejo. Segundo o autor, por ter vivido durante muito tempo sem a presença mais imediata da autoridade do Estado, o nordestino teria desenvolvido um enorme espírito de liberdade, que teria sido, inclusive, o propulsor do povoamento dos sertões. Nesse sentido, compreende-se o fato de o estudante se referir ao sertão como sendo dele (“nosso sertão”) e de se preocupar com o sol forte que pode acabar com a região.
O processo de produção e socialização dos videomosaicos de imagens da Caatinga
Feira de Santana e Valente, municípios distintos e distantes, mas apresentam um elo grandioso: o bioma Caatinga. Os estudantes da escola urbana, situada no município de Feira de Santana, e os estudantes da escola do campo, no município de Valente, retrataram suas representações desse bioma a fim de expor suas significações particulares.
Após as gravações em áudio, foram editados com os estudantes dois videodocumentários, um em cada escola, denominados videomosaicos de imagens da Caatinga, nos quais foram retradas as diversas percepções dos estudantes desses distintos contextos. Foi proposta uma socialização do material produzido, a fim de que os envolvidos na pesquisa conhecessem e compreendessem o quão diversas podem ser as imagens de Caatinga, compartilhando-as em ambos os contextos.
A primeira socialização dos videomosaicos foi realizada na escola do campo. A socialização e fechamento da pesquisa culminou em um momento de celebração de um ciclo, com a participação de toda a escola.
Em um primeiro momento, foi apresentado o videomosaico com as imagens produzidas pelos estudantes da escola do campo. Os participantes estavam todos atentos àquela produção, com ouvidos e olhos fixos na tela e nos sons, para que as suas imagens de Caatinga fossem visualizadas por todos que ali estavam. Após a socialização do vídeo produzido pelos estudantes, houve uma discussão acerca das imagens e falas retratadas, bem como uma reafirmação de todo o sentimento e significação da Caatinga representada pelos estudantes da escola do campo.
A seguir, foi apresentado o vídeo dos estudantes da escola urbana. Nesse momento, os estudantes da escola do campo também ficaram bastante atentos às falas e imagens do vídeo da turma de Feira de Santana. Após, foi aberta outra rodada de discussão para que eles pudessem falar sobre o vídeo. Os estudantes da escola do campo demonstraram grande afinidade pelas músicas que integraram o vídeo da escola urbana, em grande parte músicas eletrônicas, revelando assim algo em comum entre esses jovens, apesar dos contextos.
Mas, também algumas “estranhezas” foram evidentes ao assistirem ao vídeo: de modo geral, os estudantes da escola do campo notaram uma imagem da Caatinga morta e sem vida. O que chamou mais a atenção dos jovens de Valente ao assistir ao vídeo foi a presença da “tempestade de areia na Caatinga”, algo que causou grande surpresa entre eles: “Onde já se viu? Tempestade de areia na Caatinga? Esses caras nunca foram na Caatinga, não é?” (fala de um estudante da escola do campo).
Apesar disso, eles reconheceram que não poderiam julgar essas representações como certas ou erradas, pois pontuaram que essas eram as imagens de Caatinga que os outros alunos possuíam e que eles deviam respeitar: “Apesar da gente não ver isso aqui, essa é a imagem de Caatinga deles, e cada um tem a sua” (estudante da escola do campo). Esse estudante revela em seu discurso um respeito às diferenças percebidas pelos estudantes pertencentes ao outro contexto.
A socialização na escola em Feira de Santana foi o momento final desta pesquisa. Inicialmente, foi mostrado o vídeo desenvolvido com a turma da escola da cidade, para em seguida ser apresentado o vídeo produzido pelos estudantes da escola do campo, tal como foi proposto na primeira socialização. Diferentemente das reações ocorridas na escola do campo, os estudantes da escola urbana não estavam muito interessados nas suas imagens de Caatinga, mas sim nas suas autoimagens. Uma grande preocupação com a estética no vídeo foi presente na turma. Isso foi observado no decorrer da exibição do vídeo, já que os alunos sempre apontavam para seus rostos, cabelos e modo de falar. Queriam estar “impecáveis”, como sugeriu uma estudante.
Ao assistirem ao vídeo produzido na escola de Valente, comentaram sobre a quantidade de cores e elementos presentes nos desenhos, chegando a pontuar: “a Caatinga de lá é muito mais verde”, “cavalo é imagem de Caatinga?”, “a deles é mais bonita, mais viva do que a nossa”. Foi percebido um misto de reações: surpresa, encantamento, estranhamento e felicidade em perceberem que a Caatinga pode ser verde, o que não foi explorado pelos estudantes da escola urbana nas imagens apresentadas e que, segundo eles, “não vemos aqui” (em Feira de Santana).
O espaço de discussão foi bastante enriquecedor nas duas escolas. Os estudantes elogiaram bastante a produção de vídeo, destacando sua importância como ferramenta pedagógica no ensino de ciências. Também afirmaram que “aprenderam brincando” com a intervenção, e que foi muito boa a abordagem desse conteúdo. Algo destacado nesse momento foi a possibilidade de os estudantes se reconhecerem como protagonistas do trabalho, e de se verem por meio de seus próprios olhos e por meio dos olhos dos outros.
A maioria dos estudantes da escola do campo, ao falar da Caatinga, disse ter vontade de chorar, pois esse bioma faz parte deles. O sentimento de pertencimento à Caatinga e ao semiárido é muito forte entre os estudantes no município de Valente, que representam o bioma como parte de seus elementos identitários, o que provavelmente é reflexo do trabalho pedagógico desta escola do campo.
Já na escola urbana, esse pertencimento não é tão presente, a Caatinga é algo distante da sua realidade, eles não percebem esse bioma em meio à arquitetura urbana de Feira de Santana, conhecida como a “Princesinha do sertão”. Assim, a Caatinga não influencia tanto sua formação identitária quanto a ideia de sertão, muito presente entre esses estudantes, pelo próprio histórico em que se constitui o município de Feira de Santana, terra natal e local de residência.
Esses foram os momentos mais representativos durante a socialização dos vídeos. A socialização aconteceu no intuito de levar os participantes da pesquisa a perceber as diferenças das representações de um mesmo bioma que engloba os dois municípios. Essa percepção das diferenças evidentes, nos dois contextos, revela o quanto a proximidade e a relação com o objeto, no caso, a Caatinga, reflete nas diferentes representações imagéticas. Portanto, além de problematizar questões referentes ao bioma, esses espaços oportunizaram uma reflexão sobre a quebra da ideia de um padrão de natureza. Assim, a natureza que esses estudantes propõem emerge como reflexo de suas experiências de vida, e, nesse sentido, muitas potencialidades sobre o mesmo tema enriquecem ainda mais esse mosaico de imagens da Caatinga. Obviamente, nenhuma melhor, mais complexa ou mais rica que a outra, mas estratos que se intercruzam e consubstanciam aquilo que porventura é Caatinga, seja no campo ou na cidade.
Considerações Finais
Ao tomar as imagens como ponto de partida desta pesquisa, percebeu-se a relevância de utilizar essa ferramenta para o ensino de ciências. A imagem pode ser um instrumento de conhecimento, porque serve para ver o próprio mundo e interpretá-lo (Joly, 2012). A trajetória de produção dos desenhos fez adentrar numa diversidade de imagens representativas de um mesmo bioma. Dentre essas imagens, características específicas e próprias do ambiente – como o cacto, o sisal, os períodos de seca profunda, o verde das plantas típicas desse bioma, o sertanejo –, foram apresentadas pelos estudantes. A significação da Caatinga é tida como de caráter polissêmico, ou seja, comporta uma multiplicidade de sentidos que somente são explicitados quando analisados os contextos nos quais foram empregados (Santos; Imbernon, 2014).
Nesse sentido, os estudantes da escola urbana de Feira de Santana retrataram a Caatinga como um bioma pobre em biodiversidade, onde a seca é predominante e constante. Os estudantes da escola do campo em Valente, por sua vez, revelaram um grande conhecimento acerca da Caatinga, mostrando um sentimento de pertencimento a esse bioma.
Percebe-se por meio dos desenhos que a representação sobre a Caatinga é muito mais explorada por meio da sua flora, o que leva a discutir que ainda prevalece uma visão estigmatizada sobre a sua vegetação, que é peculiar: na época seca, mais comum, a maioria da vegetação apresenta aspecto esbranquiçado, desprovida de folhas, com galhos fortemente retorcidos e dotados de espinhos. Dessa forma, ao focar os debates sobre a vegetação, outros aspectos fundamentais são deixados de lado, como a fauna que compõe esse bioma. Há uma necessidade de ampliação da visão da Caatinga como um todo, viva e dinâmica.
No decorrer das apresentações e nos discursos dos estudantes, percebe-se que a imagem abrange outros aspectos, distintos de um imaginário de “natureza” pronta. As diferentes formas de perceber a Caatinga foram de fundamental importância para a construção de conhecimento para todos os sujeitos participantes da pesquisa. Essas representações permitiram o entendimento dos diversos significados que a Caatinga pode estabelecer nesses contextos.
Ao produzir as imagens, os estudantes puderam exercer uma autonomia e decisão própria de trabalhar determinado assunto. Nesta pesquisa, não se buscou eleger uma imagem correta do bioma Caatinga, mas sim, por meio das imagens, buscar um diálogo sobre a influência que diferentes contextos podem exercer na percepção da Caatinga por esses sujeitos.
Ao desenvolver esta pesquisa, percebeu-se que o contexto influencia de forma significativa as representações de Caatinga dos estudantes envolvidos. A relação que os estudantes têm com o bioma se traduz de maneira direta nas imagens apresentadas por cada um deles. Estas se apresentaram como um instrumento de grande potencial para o ensino de ciências, o que revela um novo recurso que pode ser explorado por professores da educação básica a fim de explanar sobre Caatinga nas escolas.
Colaboradores
M.L.S. TEIXEIRA colaborou com a escrita do trabalho e participou da pesquisa de campo em conjunto com J.P.S. SILVA. A.A. FREIXO colaborou na orientação, organização e revisão do artigo.
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