Dossiê: Formas de religiosidade na Itália (séculos XIII ao XV)
Marcadores de tempo no Cerimonial romano, de Jacopo Gaetano Stefaneschi*
Time indicators in Jacopo Gaetano Stefaneschi’s Roman Ceremonial
Marcadores de tempo no Cerimonial romano, de Jacopo Gaetano Stefaneschi*
Anos 90, vol. 30, e2023103, 2023
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em
Received: 17 October 2021
Accepted: 10 October 2022
RESUMO: O objetivo deste artigo é analisar o Cerimonial romano, produzido no início do século XIV pelo cardeal Jacopo Gaetano Stefaneschi. O problema de pesquisa consiste em responder à seguinte pergunta: o uso de marcadores de tempo precisos - dia, mês e ano -, ou de cerimônias específicas de coroação e canonização, para se referir à liturgia permitem compreender a atuação do cardeal Stefaneschi como um historiador? A hipótese da pesquisa é que havia predileção, por parte desse cardeal, para o registro de cerimônias e acontecimentos relacionados ao papado em Roma, mesmo quando os pontífices residiam em Avignon. A pesquisa se insere nos estudos sobre a escrita de histórias e sobre a composição do colégio cardinalício na Idade Média. Pretendemos contribuir para a compreensão das disputas relacionadas ao retorno dos papas à Roma. As conclusões apontam para a complexidade do ato de se escrever sobre fatos e personagens do passado próximo e/ou do presente do autor. Esses elementos indicam que Jacopo Stefaneschi escrevia histórias baseando-se naquilo que presenciou como testemunha ocular privilegiada em cerimônias ocorridas entre 1300-1330.
Palavras-chave: Cerimonial romano, Jacopo Gaetano Stefaneschi, século XIV, papado de Avignon.
ABSTRACT: The aim of this article is to analyze the Roman Ceremonial, produced at the beginning of the 14th century by Cardinal Jacopo Gaetano Stefaneschi. The main question is: the use of precise time indicators - day, month and year -, and specific coronation and canonization ceremonies to refer to the liturgy, do they allow us to understand the role of Cardinal Stefaneschi as a historian? The hypothesis is that this cardinal had a predilection for recording ceremonies and events related to the papacy in Rome, even when the popes resided in Avignon. The research is part of studies on the writing of stories and on the composition of the College of Cardinals in the Middle Ages. We intend to contribute to the understanding of the disputes related to the return of the popes to Rome. Our conclusions indicate the complexity of the act of writing about facts and characters from the author’s past and/or present. These elements indicate that Jacopo Stefaneschi wrote stories based on what he witnessed as a privileged eyewitness in ceremonies that took place between 1300-1330.
Keywords: Roman ceremonial, Jacques Gaetano Stefaneschi, 14th century, Avignon papacy.
Introdução
1 De do[min]ica in ramus palma[rum]
2 Hac die scilicet d[omi]nica in ramis palma[rum] si [papa] celebrat diacon[us] (cardinalis)
3 d[i]c[t]urus passione[m] h[abe]ns planeta[m] violacei coloris plicata[m] sup[er] hume[rum] (sinistrum)
4 ut in quadragesima fit more co[n]sueto osculat[ur] pedem [pape]. Et re[versus ad]
5 altare genuflectit ante illud.1
(Ms.1706, fol.1r).
1 Sobre o domingo de ramos
2 Neste dia, vale dizer, se o papa celebar o domingo de ramos, o cardeal diácono
3 portando a casula violeta dobrada sobre o ombro esquerdo
4 como acontece na quaresma, de maneira usual, beija o pé do papa. E, virando-se ao
5 altar, ajoelha-se diante dele.
Essas são as primeiras linhas do Liber cerimoniarum Curiae Romanae,2 de Jacopo Gaetano Stefaneschi (ca.1270-1343). Um cerimonial é, como podemos perceber, um livro de orientações e descrições de cerimônias (DYKMANS, 1977, p. 7). É um texto que indica o que cada ator envolvido deve fazer, onde se posicionar em cada celebração, como a do Domingo de Ramos ou do Sábado Santo:
1 De sabb[a]to sancto
2 In sabbato sancto cum p[a]pa in capella audit missam in celebrando hung modu[m] observat. Venit cum manto rúbeo (et) mitra ferlia[i] facit oratione[m]
3 altaris sine confiteor sicut co[n]suevit face[re] in vesp[er]is aliis et vadit ad sedend[um]
4 Fit b[e]n[e]dict[i]o cerei, ip[s]o p[rese]nte si vult Cet[er]a s[er]vant[ur], p[rout est in rubrica in
5 lect[i]on[i]b[us] seu p[ro]phetiis.
(Ms. 1706, fol. 3r).
1 Sobre o Sábado Santo
2 No santo sábado, quando o papa ouve a missa na capela, a missa deve ser observada do seguinte modo. Ele vem com um manto vermelho e uma mitra própria para a celebração
3 faz a adoração do altar sem se confessar, como costuma fazer nas outras noites, e vai se sentar.
4 Abençoa uma vela, se o mesmo estiver presente. O resto fica reservado, como está na rubrica sobre
5 as leituras ou sobre as profecias.
A missa do Domingo de Ramos ou a missa do Sábado Santo (ou da Vigília Pascal) são duas celebrações importantes do calendário litúrgico. Ao que se percebe nos dois excertos citados, as informações registradas pelo cardeal Jacopo Gaetano Stefaneschi não destoam do que se pode observar nessas celebrações, inclusive, nos tempos atuais.3 Embora a liturgia seja o foco principal do documento em questão, para a presente análise interessa como aquele cardeal trabalhou, em seu texto, os marcadores de tempo. Marcadores de tempo, aqui, significam os elementos que podem ser identificados no texto e que remetem a celebrações e/ou acontecimentos cuja datação pode ser de caráter variável ou de caráter preciso. Por exemplo, celebrações como as do calendário litúrgico acontecem todos os anos, porém não no mesmo dia do mês. Esses marcadores, por isso, são entendidos aqui como “variáveis”. Sabe-se que é um determinado domingo, ou um determinado sábado, ou uma sexta-feira específica, mas o dia do mês em que foi celebrada tal missa em 1295 não necessariamente foi o mesmo dia do mês em 1296.
Os marcadores de tempo aqui identificados como precisos são aqueles que, por sua excepcionalidade e/ou característica, aconteceram em uma data precisa e que não voltarão a acontecer - como a coroação de um determinado rei, uma canonização específica, um concílio. Esses temas aparecem no Cerimonial romano, aqui analisado em uma sequência de rubricas logo após a rubrica do Sábado Santo, citada anteriormente. O cardeal escreveu, nesta ordem, sobre o Concílio de Vienne (1311-1312), que marcou um importante movimento de afastamento do papado em relação aos Templários: sobre as canonizações de Tomás de Cantilupo (1320), de Luís de Anjou (ou de Toulouse, ocorrida em 1317) e de Pedro de Morrone (Papa Celestino V, ocorrida em 1313).
As rubricas sobre esse concílio e sobre a canonização de Celestino V são extensas e detalhadas em relação à sequência dos dias e dos acontecimentos entre o início e o final dessas cerimônias. Voltaremos a elas na segunda parte deste artigo. Porém, há uma passagem que merece atenção:
4 Ego Jacobus s[an]c[t]i Georgii ad Velu[m] aureu[m] diaconu[s] card[inalis] d[omi]no pape a
5 dextris in pred[ic]ta canonizatione et missa ministravi. Require plus de
6 mirac[u]lis fr[a]t[ri] pet[ri] de murrone in vicesimo t[er]tis folio isti[us] papiri co[m]putando
7 ab isto folio.
(Ms.1706, fol. 15v).
4 Eu, Jacopo cardeal diácono em são Jorge em Velabro, (estava com) o senhor papa
5 à direita na predita canonização enquanto ministrava a missa. Procure mais sobre os
6 milagres do irmão Pedro de Morrone no vigésimo terceiro fólio
7 deste papiro.
Por que essa observação é importante? Trata-se da forma como Jacopo Gaetano Stefaneschi inseriu-se no texto que produziu e forneceu informações sobre seu cardinalato, sobre a proximidade física em relação ao papa (Clemente V) na cerimônia, e ainda faz referência a outro momento no qual o manuscrito produzido por ele apresenta outras informações relacionadas ao mesmo assunto.4
A partir desses elementos, perguntamos: por que discutir o emprego de diferentes marcadores de tempo a partir de um texto produzido por um cardeal no século XIV? Esse recurso faz desse cardeal um historiador? O texto está dividido da seguinte forma: uma apresentação breve da trajetória de Jacopo Gaetano Stefaneschi e como essa trajetória foi perpassada por questões específicas da Igreja - entendida aqui em seu aspecto institucional e hierárquico e como poder político supranacional para o período em questão. A segunda parte do artigo apresenta a identificação e a análise de marcadores temporais em diferentes rubricas do Cerimonial romano. Nesta segunda parte também desenvolvemos a hipótese que orienta a pesquisa: o cardeal Jacopo Stefaneschi tinha uma predileção para registrar cerimônias e acontecimentos relacionados ao papado em Roma, mesmo quando os pontífices estavam em Avignon. Esta predileção está relacionada à composição do colégio cardinalício no século XIV, momento no qual a maior parte dos integrantes era de origem francesa.
O cardeal Jacopo Stefaneschi, seus contemporâneos e os conflitos institucionais
A formação do colégio cardinalício variou ao longo dos séculos e, de modo mais restrito, durante os pontificados de papas relativamente próximos cronologicamente uns dos outros. Esse é um dos elementos que revela a complexidade da abordagem e análise do universo político e institucional e de trajetórias pessoais dos cardeais. Na introdução da obra Geschichte des kardinalats im Mittelalter, Jürgen Dendorfer e Ralf Lützelschwab afirmaram que a percepção das mudanças na atuação dos cardeais é um esforço de análise que deve ser coletivo, pois é necessário observar o período do século XI ao XV. No entanto, esse esforço coletivo, segundo os autores, é perpassado pela concentração nacionalizada de estudos alemães (para os séculos XI e XII), italianos (séculos XIII e XV) e franceses (século XIV) (DENDORFER; LÜTZELSCHWAB, 2011, p. 4-5).
Dendorfer e Lützelschwab dirigiram um projeto com quatro eixos: a) a relação Papa-Colégio. Segundo os autores, quando o colégio apoiava as decisões adotadas pelo papa, configurava-se uma relação de trocas mútuas, pois o papa também apoiava os cardeais e interferia na composição do colégio, nomeando homens próximos a ele; b) a variabilidade numérica do colégio, o que também se manifesta na análise de trajetórias pessoais distintas, formações escolares e a origem regional diversificada dos cardeais; c) o processo de construção da legitimidade do poder dos cardeais e de suas funções e d) o impacto cultural gerado pela presença dos cardeais, tanto em Avignon quanto em Roma, na medida em que eram homens eruditos que, muitas vezes, agiram como mecenas (DENDORFER; LÜTZELSCHWAB, 2011, p. 6).
Os cardeais podiam atuar como legados papais em negociações de paz em regiões em conflito, por exemplo. Pierre Jugie afirmou que, durante o papado de Avignon, os cardeais foram instados a participar cada vez mais da “cultura da investigação”, como, por exemplo, nos processos de canonização (JUGIE, 2014, p. 246). Na mesma coletânea onde foi publicado o texto de Jugie, Philippe Genequand assim caracterizou os cardeais:
Os pilares da reforma da Igreja, conselheiros do papa, juízes em consistório, administradores de terras da Igreja, diplomatas, durante os séculos 12, 13 e 14 foram os colaboradores mais próximos dos soberanos pontífices, portanto, sempre situados entre o status de criaturas e criadores, o papa reinando diante de sua coroa para alguns deles, enquanto outros receberam seus chapéus dele.5 (GENEQUAND, 2014, p. 249, grifos nossos).
Como é possível perceber, são funções diversificadas e bastante importantes quando se pensa na composição de grupos políticos no seio de uma instituição com muitos poderes. Genequand aponta que os estudos sobre os cardeais no período medieval são muito voltados para esse aspecto estritamente associado entre os cardeais e a política pontifícia e deles como um conjunto de homens com pouco espaço para ações individuais. O autor analisou diferentes documentos narrativos, como as Crônicas, de Froissart, as Vitae paparum avenionensium e os textos conhecidos como Informatio seriosa e Religiosos de Saint-Denis. O recorte cronológico de Genequand está relacionado ao período do dito Cisma do Ocidente (1378-1405) e à atuação dos cardeais naquilo que chamou de “re-italianização do papado” (GENEQUAND, 2014, p. 279).
Esta “re-italianização” pode ser entendida tanto como um movimento de fazer com que o colégio cardinalício voltasse a ter um número maior de cardeais italianos6 quanto como a preocupação de pôr fim à permanência dos papas em Avignon. Blake R. Beattie, ao analisar a atuação do cardeal Giovanni Gaetano Orsini (ca.1285-1335), definiu que um dos principais elementos das políticas papais durante o período avinhonense era a administração dos territórios na Península Itálica. As medidas administrativas estavam perpassadas por incessantes demandas relacionadas à necessidade de retorno do papa à Roma.7 Isso é corroborado, por exemplo, com a substituição de cardeais franceses (Arnaud de Pellegrue - Gasconha - e Bertrand du Pouget - Cahors) pelo cardeal Giovanni Orsini em missões na região da Toscana na década de 1320 (BEATTIE, 2007). Em outro texto, o autor tratou da trajetória de Bertrand du Pouget (ca.1280-1352) e analisou um sermão atribuído a este cardeal e que teria sido anotado na Quaresma de 1345. A trajetória de Bertrand du Pouget é interessante pois, como afirmou Beattie, foi um cardeal que não obteve sucesso na missão de administrar os territórios papais na Toscana nem de apaziguar os conflitos na região, por isso foi substituído (BEATTIE, 2005). Nesse mesmo artigo, Blake Beattie cita o Cerimonial romano, de Jacopo Stefaneschi e afirma que é um texto no qual estão descritas 41 das 52 celebrações pontifícias anuais, incluindo a pregação litúrgica (BEATTIE, 2005).
Nesse sentido, é consenso afirmar que Jacopo Gaetano Stefaneschi ocupou uma posição bastante relevante no ordenamento hierárquico da Igreja institucionalizada. Sua trajetória o permitiu participar de momentos cruciais do papado, como a renúncia de Celestino V e a ascensão de Bonifácio VIII. Foi este papa que o nomeou cardeal em 1295. Esteve próximo nos conflitos entre Bonifácio VIII e Filipe, o Belo, e vivenciou a transferência dos papas e o estabelecimento de uma nova cidade papal em Avignon nas primeiras décadas do século XIV. Muitos desses acontecimentos foram registrados por Stefaneschi em textos, como o Cerimonial romano; Opus metricum - uma espécie de hagiografia em versos sobre Celestino V, que, além de elogiar/homenagear o papa que renunciou, narra as vicissitudes de sua sucessão, sua morte e sua canonização; e o Livro do Jubileu de 1300 - um relato privilegiado e ocular das transformações na cidade de Roma por causa do primeiro jubileu da Igreja convocado por um papa (HÖLS, 1965). Também é possível afirmar que dentre as funções de um cardeal naquele período não estava a de escrever textos ou reportar acontecimentos como os citados neste parágrafo.
Os marcadores de tempo no Cerimonial romano (Ms. 1706)
A reflexão apresentada neste tópico está diretamente associada às discussões sobre a escrita de histórias na Idade Média. Começamos a usar a expressão “escrita de histórias” e não “da história” por causa da constatação, não muito difícil de ser verificada, de que havia muitas formas de se escrever sobre fatos e acontecimentos do passado e/ou do presente dos autores e das autoras dos séculos V ao XV (GUENÉE, 1980; SCHNEIDMÜLLER, 2002; DAVENPORT, 2004).8 Consideramos importante, inicialmente, explicitar que o Cerimonial romano, por sua característica, prescinde da organização do tempo litúrgico. Em um segundo momento, é necessário analisar as formas distintas de apresentação do tempo - variável/preciso - e, por fim, discutir se e como o cardeal Jacopo Gaetano Stefaneschi manifesta sua cultura histórica a partir dos acontecimentos descritos no livro das cerimônias romanas.
Para o tipo de produção observado nesta pesquisa, ou seja, um texto cristão com o objetivo de descrever as cerimônias pontifícias, há também a predominância de uma forma específica de se tratar do tempo. O tempo do calendário litúrgico: do momento de realização das cerimônias inseridas em uma perspectiva que é linear (no sentido de uma sequência de cerimônias que têm que ser realizadas em um momento específico, umas após as outras) e, ao mesmo tempo, cíclica, pois elas devem acontecer todos os anos em uma perspectiva presentista, definida pelo início daquele calendário, que começa no tempo da renovação, seguido pelo tempo da reconciliação, o tempo do desvio e o tempo da peregrinação (LE GOFF, 2014). Essa reflexão de Jacques Le Goff, em grande medida, está baseada em argumentos de autores cristãos, como escreveu Jacopo de Varazze no prólogo da Legenda aurea, na segunda metade do sécculo XIII. Segundo o frade dominicano, biblicamente, o desvio (pecado original) antecedeu a renovação (vinda de Cristo), porém, “para não parecer começar no tempo do erro”, as celebrações se iniciam no tempo da renovação.9
Philippe Ariès afirmou que a vida de Cristo centralizou o tempo cristão e que “a redenção, e o aparecimento de uma nova humanidade regenerada” são os elementos que tornam indissociáveis “todos os momentos da vida cristã [que] se ligam a essa grandiosa história” (ARIÈS, 2013, p. 125). François Hartog definiu que uma característica central do calendário litúrgico é o presentismo - diferente do contemporâneo -, e inseriu essa perspectiva cristã na sua reflexão mais ampla dos regimes de historicidade. A esse regime próprio dos autores cristãos François Hartog deu o nome de regime de historicidade cristão.10 Esse regime é caracterizado pela relação que o presente estabelece com o passado e com o futuro. O passado cristão, fortemente orientado na relação entre o que está no Antigo e o que foi “atualizado” no Novo Testamento, é marcado pela prevalência do Novo sobre o Antigo. Nesse sentido, o passado está sempre a justificar as pretensões do presente. Ao mesmo tempo, o presente é caracterizado pela expectativa apocalíptica e de julgamento final. Segundo Hartog, a tarefa da Igreja, nesse sentido, é controlar o tempo (HARTOG, 2020).
No manuscrito analisado é possível identificar rubricas em que perspectivas de tempo são ausentes. São rubricas que descrevem como subdiáconos, diáconos, cardeais ou o papa devem observar determinada sequência de atos sem que esta observância esteja diretamente relacionada a uma cerimônia específica. Por exemplo, as rubricas sobre a promoção dos prelados, sobre o ofício dos diáconos ou sobre a consagração do papa não apresentam os elementos que compõem a análise proposta (Ms. 1706, fol. 10r-10v; 26v-27r e 37r-37v).
Há rubricas, no entanto, em que há menção a algum marcador de tempo (seja quando a referência é uma cerimônia do calendário litúrgico, portanto, variável, seja quando a referência é um acontecimento datado, portanto, preciso), mas essa referência não é necessariamente determinante para o enquadramento do texto em uma ou outra categoria. Em pelo menos três rubricas é possível encontrar esse tipo de referência.
A primeira selecionada para análise é a rubrica Memoriale. Esta palavra está centralizada, mais ou menos, na metade do fólio 8v. Após a palavra, é possível ler a informação que se trata de uma rubrica incompleta anotada sobre a consagração de Pedro de Robaro e do senhor Gaucelmi em Avignon nos tempos do papa João XXII. Nas duas primeiras linhas após a palavra “Memorial” somos informados que a rubrica foi feita de modo a explicitar como foi observada tal consagração em 1328. Ou seja, o cardeal Jacopo Gaetano Stefaneschi parece se valer de informações que o próprio texto contido no manuscrito informa que são incompletas.
Em uma delas, “Quando os cardeais devem ir ao encontro dos que vão ao consistório”, ao descrever a posição em que devem ficar reis, rainhas, imperadores, imperatrizes, os respectivos filhos, escreveu o cardeal: “Et sic faciebat Rex Carolus s[e]c[un]dus Rex Sicilie” (“E o mesmo fez o Rei Carlos II, Rei da Sicília”, Ms. 1706, fol. 38r, linha 33). Na outra rubrica, ao tratar da ordenação dos presbíteros, escreveu:
1 Die sabb[at]i in [quatuor] t[em]p[o]rib[us] d[omi]na (sic) [papa] f[ac]ta sibi re[ve]rentia p[er] cardi[n]ales et p[re]
2 latos ut moris est et d[ic]ta t[er]tia et sexta, quadragesimalib[us] parame[n]tis viola
3 cii coloris induit[ur]. (Ms. 1706, f. 22r)
[...]
1 Hodie, scil[icet] in festo s[an]c[t]i Thome de Aquino die sabb[a]ti in quatuor t[em]p[o]rib[us]
2 de quadragesima, d[omi]n[u]s n[oste]r [papa] Ioh[ann]es Avinion[e] in capella sua cele
3 brans ordinavit in p[res]b[i]t[eru]m cardinale[m] reve[re]ndu[m] patre[m], d[omi]num B[er]
4 nardu[m] de (Garvo), s[anc]te Agathe diaconu[m] cardinale[m] s[e]c[un]d[u]m rubrica[m] predicta[m]
091;...]
9 heri die veneris det[ermi]navit. Ad co[n]sistoriu[m] heri no[n] venit d[i]c[tu]s
10 d[omi]n[u]s B[er]nardus, q[uia] erat occupat[us] [propter] ista. No[n] petit al[ite]r d[omi]n[u]s n[oste]r
11 co[n]silia sup[er] eius ordinat[ion]e in consistorio [sed] notificavit eum
12 ordinandu[m]. (Ms. 1706, f. 23r).
1 No sábado, quatro vezes, o senhor papa, com reverência feita a ele pelos cardeais e pre
2 lados, como é de costume, e no terceiro e sexto dia da Quaresma, usa as vestes da
3 cor violeta.
[...]
1 Hoje, na festa de São Tomás de Aquino, quatro vezes no sábado
2 da Quaresma, nosso senhor Papa João, celebrante em Avignon, ordenou em sua capela
3 como cardeal sacerdote, o reverendo padre, senhor Ber
4 nardo de (Garvo), cardeal diácono de Santa Ágata , de acordo com a rubrica mencionada acima
[...]
9 O dito senhor Bernardo não veio ao consistório ontem
10 porque estava muito ocupado com estas coisas. Nosso senhor não pediu
11 outros conselhos sobre a sua ordenação no consistório mas o notificou
12 da ordenação.
Para compreender essa citação é necessário considerar que o primeiro excerto trata do início da rubrica. É o início da apresentação, inclusive, da cor da roupa que deve ser usada e quantas vezes isso poderia/deveria acontecer. O segundo excerto trata de um dia específico, dentro da mesma rubrica, a saber, a festa de Tomás de Aquino. Como é sabido, Tomás de Aquino morreu em 07 de março de 1274 e foi canonizado em 18 de julho de 1323 por João XXII (TEIXEIRA, 2014b). A referência à festa do teólogo dominicano e a menção à quaresma permitem inferir que essa rubrica, especificamente, foi produzida posterior a 1323 e antes de 1329, pois Bernardo de Garvo morreu em 1328. O terceiro excerto informa que o dito Bernardo estava ocupado e, por isso, faltou ao consistório.
Uma observação importante sobre a datação do texto: em duas rubricas localizadas em partes distintas do manuscrito há a referência explícita ao ano de 1328 ou a um personagem que, como sabido, morreu nesse mesmo ano. Além desses elementos, há, no segundo exerto, a menção a uma “rubrica mencionada acima”. O parágrafo imediatamente anterior à menção ao nome de Tomás de Aquino termina com a seguinte expressão: “ut in rubrica que est in p[ri]ncipio seque[n]tis pagine” (“como na rubrica que está no início da próxima página” (Ms. 1706, fol. 22v). A rubrica mencionada é “De officcio missar[um] dicendu[m] est”, ou seja, o que falar sobre o ofício das missas.
Os elementos identificados nos três excertos permitem afirmar que a classificação das rubricas a partir dos marcadores de tempo variáveis ou precisos não é uma tarefa de fácil execução. Além disso, não significa que as rubricas não classificadas nessas categorias não apresentam algum tipo de marcador de tempo.
No início deste artigo apresentamos as rubricas do Domingo de Ramos e do Sábado Santo, que podem ser classificadas nesta categoria de marcador de tempo variável. Além disso, mencionamos as rubricas sobre o concílio de Vienne e sobre as canonizações de três santos (Tomás de Cantiloupe, Luís de Anjou e Pedro de Morrone/Celestino V).
Podemos identificar, com marcadores de tempo variáveis, as seguintes rubricas: “Romanus ordo de consuetudinibus et observantiis, presbiterio videlicet scolarum et aliis romane ecclesie in precipuis sollempnitatibus” (“A ordem romana de costumes e práticas, nomeadamente o presbitério das escolas e outras festas especiais da igreja romana”, Ms. 1706, 24v-25v) e “In quadragesima et ferialibus diebus” (“Na quaresma e nos dias da semana”, Ms. 1706, 44v-45v). Essas duas rubricas não destoam necessariamente da forma como as apresentadas na introdução. Encontramos menção aos tempos do calendário litúrgico (Advento, nascimento de Cristo); fala-se da cor da vestimenta, como a cerimônia deve ser iniciada, a posição das pessoas no templo de acordo com seu grau de ordenamento e a função e fala das mesmas durante a cerimônia.
Diferentemente, Jacopo Gaetano Stefaneschi, ao tratar da morte de papas, usou marcadores de tempo bastante precisos. Na rubrica “De obitu domini Benedicti pape XI” (“A morte do senhor papa Bento XI”) escreveu:
26 Hodie scilic[et] die martis post octava[m] ap[osto]l[o]r[um], d[omi]n[u]s n[ost]er d[omi]n[u]s Bened[ic]tus
27 [papa] XI in p[rese]ntia fr[atru]m dixit se fuisse co[n]fessum in ista infirmitate
28 et co[m]municasse et petiit extrema[m] unct[i]one[m] et devote recepit p[er]
29 manu[m] Albanen[sis] ep[iscop]i...
(Ms. 1706, fol. 8r).
26 Hoje, na terça-feira após o oitavo dia dos apóstolos, nosso senhor Papa Bento
27 XI disse na presença dos irmãos que havia confessado e comunicado a enfermidade
28 e ele pediu a extrema-unção e recebeu-a com devoção pela
29 mão do bispo de Albano...11
A rubrica “De obitu domini Clementis pape V et electione summi pontificis” (“A morte do senhor papa Clemente V e a eleição do sumo pontífice”), também é iniciada com a datação precisa da morte. O cardeal informa que Clemente V morreu em um sábado, antes do amanhecer, perto da festa de São Jorge, em Roquemaure (Ms. 1706, fol. 26r-26v).12 A diferença, ao que indica o início dos dois relatos, é que o cardeal Jacopo Stefaneschi escreveu sobre a morte de Bento XI no dia em que ela aconteceu. Outras diferenças: os relatos são breves, porém, o sobre Bento XI é mais extenso que o sobre Clemente V. O cardeal informou também o que teria dito o papa dominicano aos frades no momento final de sua vida, o que fazer com seus bens e até sobre herança a seus familiares. Ao escrever sobre a morte de Clemente V, na segunda frase, o cardeal iniciou uma breve descrição dos acontecimentos iniciais do conclave de Carpentras - conclave este terminado de forma abrupta, como analisou Gian Luca Potestà (2021).
É importante, neste momento, fazer uma observação sobre a localização dessas rubricas no Ms. 1706 e na edição de Bernard Schimmelpfennig. Como indicado acima, a morte de Bento XI está nos fólios iniciais do manuscrito (8r-8v) e a morte de Clemente V está situada na metade do manuscrito (26r-26v). Na edição de Schimmelpfennig, essas rubricas foram apresentadas com os títulos XVIII e XIX. Mesmo que o filólogo apresente, nas notas, a localização correspondente das rubricas nos fólios, esse agrupamento altera a forma de comunicação das informações contidas no manuscrito. Acreditamos que isso pode passar, para um leitor desatento, a impressão de continuidade dos temas no manuscrito. Isso fica mais explícito se considerarmos outras rubricas que tratam da eleição de papas. No fólio 39 há uma anotação cujo sentido é informar sobre aspectos particulares que devem ser observados na eleição do pontífice romano, e, nos fólios 41r-42r, há uma análise da bula Ubi maius periculum, elaborada no II Concílio de Lion, de 1274, pelo papa Gregório X (1210-1276, papa a partir de 1271).13
Para concluir essa análise, é necessário apontar os elementos que julgamos importantes para o desenvolvimento da hipótese da predileção de Jacopo Stefaneschi para o registro dos fatos que presenciou e também o foco na ação de personagens diretamente relacionados às diferentes regiões da Península Itálica. Inicialmente, há referências às pessoas e aos lugares: Carlos II, Roberto de Nápoles, Tomás de Aquino, Luís de Anjou, Celestino V, Bento XI, Gregório X, o cardeal de Albano. Esses nomes “italianos” são acompanhados de referências a nomes “franceses”, como Clemente V e João XXII, ou ao cardeal Bernardo de Garvo. O concílio de Vienne também é um marcador preciso e que, a pensar sobre as referências a personagens e/ou acontecimentos fora da Península Itálica, esse é um importante contraponto para a nossa hipótese. Por fim, o silêncio também é portador de sentido. No Cerimonial romano há uma rubrica sobre a coroação de reis da França e da Inglaterra, porém, diferentemente do que se pode ler em relação à coroação dos reis da Sicília, não há qualquer menção a um rei francês ou inglês em específico, como já analisamos em relação a Carlos II e Roberto de Nápoles (TEIXEIRA, 2020a).
Essas reflexões estão fortemente inspiradas pelas análises de Sophia Menache sobre as crônicas que abordam o pontificado de Clemente V e suas proximidades com o rei da França, Filipe IV. Segundo a autora, os autores franceses adotaram um tom mais apologético ao escrever sobre aquela relação de proximidade entre o papa e o rei. Diferentemente, os autores “italianos” foram mais críticos. Menache faz uma ressalva importante sobre esses termos nacionalizantes, como os que empregamos no parágrafo anterior ao nos referir a personagens “italianos” e “franceses”. Porém, alerta que esses termos podem fornecer importantes possibilidades metodológicas de análise. É importante ressaltar que a autora trabalhou com documentos narrativos distintos do Cerimonial romano, mas produzidos também no mesmo contexto. O questionamento ao final do texto é uma boa forma de tentar oferecer uma resposta e estimular a reflexão a partir de outros recortes/personagens/documentos: a autora pergunta se é possível afirmar que textos produzidos concomitantemente aos fatos narrados são mais verossímeis que os textos produzidos muito tempo após aos acontecimentos (MENACHE, 2006, 333-345). O que podemos responder, por ora, em relação ao Cerimonial romano, de Jacopo Gaetano Stefaneschi, é que ele deliberadamente escreveu basicamente sobre o que observou como testemunha ocular. Como homem de formação erudita, conhecedor de diferentes formas de se expressar - como revelam os diferentes textos que ele mesmo escreveu -, essa escolha pelo passado próximo e/ou pelo seu presente não deve ser negligenciada por nós.
Conclusão
A partir do que foi apresentado neste artigo, é possível afirmar que Jacopo Gaetano Stefaneschi foi um cardeal que observou e participou com muita proximidade de importantes acontecimentos políticos, religiosos e institucionais no início do século XIV. Sua atuação como homem erudito e letrado foi diretamente beneficiada pela posição que assumiu em 1295, no ordenamento da Igreja, e nela permaneceu até sua morte, em 1343.
O Cerimonial romano, aqui analisado a partir do Ms. 1706 de Avignon, é uma peça de leitura bastante complexa. Essa complexidade está relacionada tanto ao estado atual do manuscrito e da leitura permeada pelos recursos digitais, quanto pela disposição das rubricas sem um sequenciamento temático ou cronológico preciso. O trabalho de transcrição e edição daquele manuscrito feito por Bernard Schimmelpfennig, em 1973, é de suma importância para a percepção de elementos que, atualmente, teriam se perdido. Porém, como procuramos demonstrar, o agrupamento feito pelo filólogo alemão, modifica a forma como o manuscrito comunica as informações registradas nas rubricas.
A análise empreendida partiu da identificação de diferentes marcadores temporais no texto. Essa identificação possibilitou problematizar o porquê da inserção de referências cronologicamente datáveis em um texto que, por definição, não deveria conter esse tipo de marcador. A hipótese inicial da pesquisa é de que havia, por parte de Jacopo Gaetano Stefaneschi, uma predileção para registrar eventos que, além de ter observado/participado como testemunha ocular, diziam mais respeito a personagens e acontecimentos relacionados à Península Itálica do que a personagens e acontecimentos relacionados ao papado de Avignon.
Identificamos três diferentes usos de marcadores de tempo variáveis e precisos no Cerimonial romano. O uso dos marcadores variáveis está relacionado ao calendário litúrgico e ao tempo cíclico regido pelas festas e cerimônias que são realizadas todos os anos na ecclesia (aqui entendida como instituição). O uso dos marcadores de tempo preciso é o que está diretamente associado a acontecimentos datáveis: como a coroação do rei Roberto da Sicília, em 1309, as mortes dos papas Bento XI, em 1304, e Clemente V, em 1314, o Concílio de Vienne, de 1311-1312, ou, ainda, as canonizações de Celestino V, canonizado por Clemente V em 1313, e de Luís de Anjou e Tomás de Cantilupo, canonizados por João XXII em 1317 e 1320, respectivamente. Além desses dois usos, identificamos que Jacopo Gaetano Stefaneschi inseriu referências específicas que não eram imprescindíveis para o entendimento da rubrica. É o caso, por exemplo, da referência à “festa de São Tomás de Aquino” (dominicano canonizado em 1323), quando tratou da ordenação dos presbíteros e citou o cardeal Bernardo de Garvo, morto em 1328.
O levantamento também permitiu identificar que grande parte dos marcadores de tempo precisos são relacionados a personagens com origem em diferentes regiões da península itálica: Pedro de Morrone/Celestino V (três rubricas); Angevinos da Sicília (duas rubricas); Nicolau Boccasini/Bento XI (uma rubrica). Sobre os angevinos da Sicília, é importante ressaltar que, embora o cardeal tenha presenciado a coroação de Roberto, em 1309, em Avignon, a maior parte da rubrica é dedicada à coroação de seu pai, Carlos II, ocorrida na década de 1280, em Rieti. Vale lembrar que dessa coroação, provavelmente, Jacopo Gaetano Stefaneschi não participou. Carlos II também é citado em outra rubrica, a saber, naquela dedicada a tratar do cumprimento que devem fazer os cardeais quando reis, rainhas, imperadores, imperatrizes e seus respectivos filhos estão no consistório. Em relação aos marcadores precisos relacionados ao papado de Avignon, é possível afirmar que eles estão bastante concentrados no Concílio realizado entre 1311-1312 (cinco rubricas) e na morte de Clemente V, em 1314 (uma rubrica).
Por fim, é importante reafirmar que a discussão realizada neste texto é fruto de uma reflexão mais ampla sobre o que chamamos de “escrita de histórias na Idade Média”. A atividade de escrever sobre o passado próximo e/ou sobre o presente do autor, no século XIV, no Cerimonial romano, do cardeal Jacopo Gaetano Stefaneschi, privilegiou sua vinculação de origem (“italiana”) e sua condição de testemunha ocular.
Manuscrito:
Avignon, Ceccano - Ms. 1706
Documentação impressa:
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Notes
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