História, Artes e Juventudes: o mundo na virada do século
40 anos de pesquisas sobre o punk no Brasil: novas possibilidades em cena
40 years of research on punk in Brazil: New possibilities on the scene
40 anos de pesquisas sobre o punk no Brasil: novas possibilidades em cena
Anos 90, vol. 29, e2022307, 2022
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em
Received: 01 December 2021
Accepted: 10 August 2022
RESUMO: O artigo tem como objetivo apresentar um panorama dos estudos sobre o punk no Brasil, através de um “estado da arte” da produção acadêmica sobre o fenômeno desenvolvido nas últimas quatro décadas. Os primeiros estudos sobre punk no país surgiram na primeira metade dos anos 1980, período em que o estilo de vida começou a despontar nas periferias das diversas capitais, sendo acolhido por jovens pobres que se identificaram com a proposta contestadora do punk. Argumenta-se que esses trabalhos foram impulsionados por reflexões sobre as experiências das juventudes brasileiras, especialmente pelo interesse nas chamadas “Culturas Jovens”. Para a fundamentação das análises aqui empreendidas utiliza-se revisão bibliográfica e dados extraídos do Banco de Dissertações e Teses da Capes. Além de enfatizar a centralidade do tema na pesquisa social brasileira, busca-se mostrar que as análises sobre o punk acompanharam as transformações recentes de nossa sociedade, bem como as mudanças teóricas e epistemológicas no campo das Ciências Humanas.
PALAVRAS-CHAVE: Punk, estado da arte, juventude.
ABSTRACT: The article aims to present an overview of studies on punk in Brazil, through a “state of the art” of academic production on the phenomenon developed in the last four decades. The first studies on punk in the country emerged in the first half of the 1980s, a period in which the lifestyle began to emerge on the outskirts of the various capitals, being welcomed by poor young people who identified with the contesting proposal by the punk. It is argued that these works were driven by reflections on the experiences of Brazilian youth, especially by the interest in the so-called “Young Cultures”. To substantiate the analyzes undertaken here, a literature review and data extracted from Capes’ Dissertations and Theses Database are used. In addition to emphasizing the centrality of the theme in Brazilian social research, it seeks to show that the analysis of punk has followed recent changes in our society, as well as theoretical and epistemological changes in the field of Human Sciences.
KEYWORDS: Punk, state of the art, youth.
Especificidades das pesquisas sobre o Punk no Brasil
Em 2022 se completou 40 anos da publicação da primeira investigação sobre o punk no Brasil,1 o livro O que é punk (1982), fruto do empreendimento da Editora Brasiliense, que partiu do ligeiro interesse do público pelo tema tido como “do momento” e o enquadrou na coleção “Primeiros Passos”.2 Para a materialização dessa obra foi contatado o dramaturgo Antônio Bivar Battistetti Lima, que possuía experiência na criação de peças teatrais de “caráter vanguardista” inspirados nos movimentos contraculturais, influência adquirida pelo contato com alguns movimentos de cultura juvenil na Europa no final da década de 1970, período em que esteve exilado. Tal como proposto, O que é punk merece ser compreendido como um trabalho introdutório e marcado pelo viés ensaístico. Para além disso, a referida obra é emblemática por elucidar como as primeiras experiências de investigação do punk no Brasil, constituíram-se, sobretudo, a partir de iniciativas individuais, dissociadas da influência de tendências investigativas e/ou de grupos de pesquisa.
Nesse sentido, embora no exterior já houvesse uma emergente produção de estudos sobre culturas juvenis, desde a década de 1970, destacando as pesquisas desenvolvidas pelo Centre for Contemporary Cultural Studies (CCCS)3 da Universidade de Birmingham, espaço que colaborou de maneira decisiva para a produção e difusão de um campo de investigação de caráter interdisciplinar que ficara conhecido como “Cultural Studies”, por outro lado, no Brasil, esforços com maior densidade, teses e dissertações, a fim de problematizar o punk foram raros no ambiente acadêmico até pelo menos a virada para o século XXI, ainda reflexo do período de censura e a perseguição aos intelectuais, que se propunham a investigar o fenômeno da juventude sob um viés crítico. Como elucida a Tabela 1, a seguir:4

A referida tabela evidencia uma produção total de 59 teses ou dissertações que, direta ou indiretamente, abordam o tema punk com maior propriedade entre 1985 e 2020, dos quais 49 dissertações de mestrado e 10 teses de doutorado. Contudo, até a virada do século foram registrados apenas cinco trabalhos dessa dimensão.
Cabe aqui, portanto, problematizar os desdobramentos desse processo, objetivando estabelecer um breve histórico da trajetória desse campo de investigação no território nacional, explorando, num primeiro momento, as pesquisas pioneiras desenvolvidas ainda no século XX, para na sequência abordar a consolidação das investigações relativas ao punk nas décadas seguintes, e por fim abordar algumas das mais recentes reflexões acerca das identidades correlatas ao punk, com ênfase nos movimentos Riot Grrrl e Straightedge.
A emergência dos estudos sobre punk e juventudes na academia brasileira
Embora seja possível destacar o trabalho pioneiro da antropóloga Ruth Cardoso de Oliveira, de 1959,5 sobre imigração japonesa e a coletânea Sociologia da Juventude, organizada por Sulamita de Britto (1968), e que trazia traduções de textos de autores como Karl Marx, Talcott Parsons, Jurgen Habermas, David Matza, Georges Lapassade, Pierre Bourdieu, dentre outros. Após a instauração do Ato Institucional n. 5, em 1968, pesquisas que se propunham a investigar a atuação de grupos considerados “transgressores” foram sendo proibidas,6 e desse modo começamos a assistir uma diminuição considerável desses trabalhos.
Assim, por mais que o interesse pelo tema da juventude na academia começasse a ganhar força na segunda metade do século XX, especialmente na década de 1970, com destaque para os Estados Unidos e a Inglaterra, não houve projeção semelhante nos demais países da América do Sul, que enfrentavam nesse período forte repressão e cerceamento do pensamento crítico. A luta contra a Ditadura Militar que se fazia necessária nos diferentes países sul-americanos, trouxe a figura do estudante para o centro do debate, em virtude de seu protagonismo político diante de um regime que buscava calar as vozes dissidentes por intermédio da censura e da tortura. Nesse sentido, os trabalhos da socióloga Marialice Foracchi (1965, 1972) trazem uma contribuição significativa para pensar a situação dos jovens, especificamente do movimento estudantil, frente a um contexto político de exceção. Fortemente influenciada pelos escritos de Karl Mannheim, ela buscou analisar sociologicamente “a rebelião da juventude” na sociedade moderna, percebendo o movimento estudantil como uma expressão organizada produzida em um contexto de crise. No caso brasileiro, podemos destacar também um relativo desinteresse de pesquisadores e pesquisadoras do campo das Ciências Sociais em relação aos temas relacionados ao lazer e ao cotidiano das populações. Priorizava-se pesquisas e discussões que refletissem os problemas estruturais do país, como trabalho, educação, pobreza/exclusão e participação política.
Somente anos depois, com o enfraquecimento da Ditadura Militar e a expansão dos fluxos comunicacionais através dos aparelhos de TV, que levou para dentro dos lares as novas tendências da “juventude global”, o cenário para os estudos sobre a juventude nos anos 1980 foram ganhando novos contornos, a partir do aparecimento de estilos de vida jovem como o punk, o hip hop e o funk. Apesar da estagnação econômica, da desigualdade social gritante e do reduzido poder de compra das classes populares, marcas da chamada “década perdida”7, os jovens não deixaram de expressar seus pertencimentos e buscar alternativas de lazer.
Enquanto parte expressiva dos jovens das camadas médias da população se encantavam com o balanço da New Wave8 e a novidade sonora trazida pelo Rock Br9, nas periferias, morros e favelas nos deparamos com uma maior adesão dos jovens às sonoridades do punk, rap e funk. O interesse em compreender os sentidos de pertencimento, os valores e as visões de mundo que orientavam os jovens adeptos desses estilos de vida, fez com que pesquisadores(as) passassem a refletir sobre suas práticas e discursos.
Assim, o desenvolvimento de uma agenda de pesquisa sobre o punk surgiu ainda nos anos 1980, com o já citado livro de Antônio Bivar. Entretanto, nessa década, como já foi exposto anteriormente, temas relativos ao universo jovem contavam com baixa adesão no ambiente acadêmico10 brasileiro, num contexto em que o lugar social da universidade brasileira “exigia” do pesquisador das Ciências Humanas, em especial, de História, uma postura militante, perante aquilo que era compreendido como “problemas reais” que aquela sociedade possuía na reta final da ditadura (VAINFAS, 2009, p. 225).
Não podemos deixar de mencionar o fato de que, ao longo das décadas de 1980 e 1990, os estudos que se propuseram a analisar as juventudes, especificamente as culturas jovens, foram realizados no âmbito das Ciências Sociais, com destaque para a Antropologia e Sociologia. Nos programas de pós-graduação em História, apesar de desde o início do século XXI termos visto um aumento considerável de dissertações e teses sobre o fenômeno em questão, pode-se dizer que houve grande resistência da área em acolher estes trabalhos, em certa medida, por nessa época ainda haver um reduzido interesse em investigações de menor distanciamento temporal para com objeto. Sendo que, outra contribuição para esse distanciamento temático foi o fato das discussões teóricas em torno da História do Tempo Presente e metodológicas, em prol da História Oral, ainda não terem ganhado efetivo “coro”,11 naquela época, na área de História.
Na Sociologia, por sua vez, a juventude era lida sob a ótica do funcionalismo ou do marxismo. Se por um lado buscava-se “resolver” o problema dos jovens discutindo a integração desses na sociedade mais ampla, por outro, as questões referentes às culturas juvenis eram percebidas como expressões de um “individualismo burguês” de “caráter alienante”. Tal panorama praticamente inviabilizava a produção de obras destinadas a compreensão do punk com maior densidade nesses dois campos do conhecimento, sendo que foi na Antropologia Social que o tema encontrou espaço com a defesa da dissertação de mestrado Movimento punk na cidade: a invasão dos bandos sub, de Janice Caiafa, defendida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1985a), também publicada em livro homônimo no mesmo ano pela Jorge Zahar Editora (1985b), e a tese de doutorado O baile funk carioca: festas e estilos de vida metropolitanos, de Hermano Viana, defendida em 1987 no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional. É possível dizer que esses dois textos inauguraram uma nova etapa dos estudos sobre juventude no país, enfatizando a sociabilidade e o lazer como aspectos decisivos na constituição das experiências juvenis contemporâneas (BITTENCOURT; PEREIRA, 2021).
Dessa década também merece menção a primeira pesquisa propriamente acadêmica desenvolvida sobre o punk no Brasil, que foi apresentada em 1983 na forma de trabalho de conclusão de curso em Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas, o Absurdo da realidade: o movimento punk, de Helenrose Aparecida da Silva Pedroso e Heder Augusto de Souza.
Em linhas gerais essas investigações legitimavam e valorizaram as primeiras experiências do punk no Brasil, enfatizando como os elementos da vivência suburbana eram primordiais na constituição dessa identidade. De modo que a “experiência punk” permitia a exteriorização da revolta daqueles que se sentiam oprimidos. Não obstante, a interação desse punk com o mundo social se fundamentava na violência, que, por sua vez, espelhava esse modo de interpretar o mundo.
Dessa forma, permite-se conjecturar que a atenção comum dos pesquisadores ao tratar o aspecto suburbano do punk é a sua caracterização como manifestação fundamentada na insubordinação periférica que também refletia a conjuntura política daquele momento. Pois, como ainda havia uma necessidade reprimida de expressar o descontentamento à ordem vigente, incidiu que, direta ou indiretamente, houvesse formulações identitárias baseadas nessa combatividade, que, em última instância, também espelhava os postulados do marxismo, especialmente os relativos à luta de classe.
Buscando fugir dos postulados teóricos do marxismo e do funcionalismo, esses trabalhos se propuseram a olhar para os jovens e suas expressividades à partir de outras lentes que misturavam conceitos advindos de uma literatura pós-estruturalista (Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari) e pós-moderna (Michel Maffesoli e Jean Baudrilard) com metodologias advindas dos estudos no campo da Antropologia e da Sociologia Urbana (Robert Park, Louis Wirth, William Foote-Whyte, GilbertoVelho, entre outros). Chama atenção o fato de que os chamados estudos subculturais desenvolvidos na Inglaterra do pós-guerra não foram abraçados por pesquisadores(as) das juventudes no país, ao menos até os primeiros anos do século XXI. O conceito de subcultura (HEBDIGE, 1979) fora introduzido nas pesquisas desenvolvidas no país juntamente com sua crítica advinda dos chamados estudos pós-subculturais de maneira tímida nos primeiros anos do século XXI, tendo maior incidências nos trabalhos da área da Comunicação Social.
No caso da pesquisa de maior densidade da época, Movimento punk na cidade: a invasão dos bandos sub, de Janice Caiafa, evidencia-se forte inspiração pós-estruturalista,12 sobretudo no capítulo intitulado “Isto não é uma suástica”, em que é traçado um paralelo com a obra de Michel Foucault, Isto não é um cachimbo,13 com o objetivo de demonstrar que a suástica da forma como era utilizada pelos punks cariocas apresenta significado distinto ao seu significante, ou seja, não representava um pensamento apologético ao nazismo, mas sim o contrário, significava negação ao pensamento nazista. Assim, a referida autora construiu sua leitura do punk sobretudo a partir da negação ao funcionalismo14 e por consequência ao estruturalismo15.
Com a chegada da década de 1990, embora a temática ainda não tivesse despertado massivo interesse dos pesquisadores, é possível destacar impactantes trabalhos que, direta ou indiretamente, trouxeram significativas contribuições para os estudos sobre o punk no Brasil. Nesse cenário, destacaram-se a tese de autoria de Márcia Regina da Costa (1992), intitulada Os carecas do subúrbio: caminhos de um nomadismo moderno, e as três dissertações Grupos juvenis nos anos 80 em São Paulo: um estilo de atuação social, produzida por Helena Wendel Abramo (1992), “Grupos de estilo jovem: o rock underground e as práticas (contra)culturais dos grupos punks e trashs em São Paulo, de Kênia Kemp (1993), e Punk: cultura subversiva e protesto, as mutações ideológicas de uma comunidade subversiva - São Paulo 1983/1996, com autoria de Rafael Lopes de Sousa (1997).
Ao direcionar o foco da observação para esses principais estudos temáticos desenvolvidos na década de 1990, constata-se uma visível preocupação dos pesquisadores em produzir estudos que buscassem compreender a adesão do punk pelos jovens. Nesse contexto, a constante busca por uma teorização das relações juvenis recorrentemente foi acompanhada de maior utilização de elementos diacrônicos, que objetivaram fazer uma análise tendo em vista percorrer o limiar temporal do pós-guerra, a fim de contingenciar as práticas que geravam pertencimento coletivo na juventude para com os signos punks.
Assim, tais experiências analíticas expressavam certo desejo de inteligibilidade processual, ao passo que também se atentavam a dinamicidade das trajetórias internas de cada grupo, apresentando, assim, a recorrência de conflitos motivados pelas distintas interpretações dos signos punks, bem como a inexistência de um referencial claro e rígido do que seria “efetivamente” o punk. Sendo perceptível, dessa forma, uma clara ruptura para com as investigações empreendidas na década de 1980, que, por vezes, conferiram à suburbanidade o elemento de coesão coletiva.
Em contraste, na década de 1990 passa a haver uma acentuada preocupação em problematizar o punk a partir da dialética (Global X Local), valendo-se, para tal, de autores com orientações teóricas variadas, tais como John Gillis, Edgar Morin, Pierre Bourdieu, Clifford Geertz, Jean Baudrillard, Mariza Peirano, Néstor Perlongher, Martin Baethge, Benedict Anderson, Avron White, Iain Chambers. Nota-se que, mesmo por meio de um variado leque teórico, procurava-se conferir a ideia de que as transformações no panorama juvenil nas sociedades “urbano-industriais”, sofreram forte influência do processo de midiatização que, por sua vez, foi primordial para a emergência e constituição de grupos como os punks.
Outro ponto importante a ser destacado acerca das investigações produzidas sobre o punk na década de 1990 é que, embora tenha havido uma pequena expansão quantitativa, não houve ampliação dos horizontes geográficos de análise, pelo contrário, os empreendimentos de maior destaque acadêmico se centram em analisar as coletividades punk no Estado de São Paulo, coincidindo com o local de produção deles. Tal cenário, por sua vez, contrasta com grandiosa expansão de coletividades articuladas aos referenciais punks no território nacional, naquele período, em que já se destacava a sólida constituição do “movimento anarco-punk” por quase todo país. Dessa forma, pode-se inferir que os empreendimentos acadêmicos relativos ao punk até o final da década de 1990 ainda repercutiam o panorama que também era o da pós-graduação brasileira, com um conhecimento produzido no Sudeste e com foco central em investigações sobre a própria região.
Anos 2000: novas abordagens e perspectivas sobre o punk
Já a partir da virada para o século XXI, em decorrência do aumento significativo dos programas de pós-graduação e linhas de pesquisa, que influenciaram na variabilidade e amplitude dos temas a serem investigados, assistiu-se a expansão dos estudos sobre culturas jovens, condição fundamental para que as pesquisas sobre o punk no Brasil continuassem seu processo de amadurecimento, desta vez caracterizado pela abertura no leque das investigações que, entre outras coisas, passaram a dar maior ênfase aos conflitos envolvendo a constituição da identidade punk. De modo que, entre 2001 e 2010, registrou-se 20 investigações desenvolvidas em programas de pós-graduação que, direta ou indiretamente, versam sobre o punk brasileiro. Sendo registrados 16 dissertações de mestrado e três teses de doutorado. Nesse cenário, pode-se evidenciar a emergência do interesse pelo tema punk por “novas” áreas do conhecimento, como: Geografia, pesquisas centradas especialmente no aspecto da territorialização, buscando, dessa maneira, compreender a construção social do espaço pelos punks (TURRA NETO, 2001; 2008); Educação, atentando-se especial a construção e difusão de saberes inerentes as coletividades punk (GONÇALVES, 2005; PEREIRA, 2006); Etnomusicologia, objetivando compreender como a articulação irradiada por meio da música possibilitou novas experiências de vivência (WHEELER, 2007); e Linguagens, com a manifesta preocupação de perceber com o corpo do punk produz significações em suas práticas cotidianas (SANT’ANA, 2009).
Observando a distribuição geográfica, tendo como referência o local de produção dos trabalhos, evidencia-se a Tabela 2, a seguir:

Esses dados ainda evidenciaram o predomínio das pesquisas relativas ao tema punk tendo como principal palco para o seu desenvolvimento a região Sudeste totalizando nove pesquisas, todas realizadas no Estado de São Paulo. No entanto, embora tenha se registrado uma elevação no volume de produção dos trabalhos no Sudeste, quando observado esses dados em contrates aos das décadas anteriores, nota-se a emergência de uma diversificação geográfica, com considerável expansão das investigações por quase todas as regiões do país. Sendo registrado três estudos empreendidos no Nordeste, três no Sul e três no Centro-Oeste. Tal cenário claramente repercutiu a evidente expansão dos cursos de pós-graduação, bem como sua interiorização no Brasil no período.
No que diz respeito a concentração por instituição, tais dados conferem a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo o status de lugar privilegiado para realização de pesquisas referentes ao punk brasileiro, sendo que muito disso deve-se a criação nesse período do “acervo sobre o movimento punk” no CEDIC (Centro de Documentação e Informação Científica Prof. Casemiro dos Reis Filhos), localizado na referida instituição, servindo, assim, como proeminente base de dados para elaboração de uma nova leva de estudos do punk. Entretanto, embora a PUC de São Paulo tenha se destacado com o desenvolvimento de quatro investigações dessa dimensão, pode-se evidenciar ao longo do período um claro predomínio das instituições públicas brasileiras que registraram 14 investigações.
Tornou-se notável também o empreendimento de uma pesquisa na UCLA (University of California, Los Angeles) Dark matter towards an architectonics of rock, place, and identity in Brasília’s utopian underground (2007), de autoria de Jesse Samba Samuel Wheeler, envolvendo indiretamente o tema punk na capital federal.
Cabe ainda observar a quantificação por região levando em consideração o local explorado na pesquisa (Tabela 3).

Como indicam os dados, nota-se um novo cenário referente a pesquisas relativas ao tema punk no Brasil, sendo possível observar a amplitude geográfica dessas que passaram a contemplar quase todas as regiões brasileiras, excetuando apenas a região Norte. Nesse sentido, diferentemente do que ocorrera nas décadas anteriores em que os trabalhos se limitavam, especialmente, a compreensão das articulações punks no Sudeste, a partir de 2001 percebe-se uma clara ruptura nesse fluxo, com destaque para as quatro investigações que procuraram retratar as experiências relativas ao punk no Nordeste.
Em relação às tendências temáticas de investigação, foi possível focalizar, com destaque, uma série de trabalhos com preocupação em compreender o punk a partir de sua inserção no panorama regional. Merecem destaque, nesse sentido, as investigações: Cotidianizando a utopia: Um estudo sobre a organização das atividades culturais e político-sociais dos anarco-punks em João Pessoa, de Yuriallis Fernandes Bastos (2008); Enterrado vivo: identidade punk e território em Londrina e Múltiplas trajetórias juvenis em Guarapuava: territórios e redes sociabilidade, de Nécio Turra Neto (2001; 2008), “Deslocados, Desnecessários”: o ódio e a ética nos fanzines punks (Curitiba 1990-2000), de Everton de Oliveira Moraes (2010) e “Sutil diferença: o movimento punk e o movimento hip hop em Fortaleza - grupos mistos no universo citadino contemporâneo, de Francisco José Gomes Damasceno (2004).
Para além do ambiente acadêmico, também se torna digno de nota o importante livro editado pela editora Achiamé, Os fanzines contam uma história sobre punks, de autoria do historiador Antônio Carlos de Oliveira (2006), que propôs contar a história do punk no Brasil entre 1981 e 1984, priorizando como fonte para investigação os fanzines, publicações impressas produzidas pelos próprios sujeitos envolvidos no meio punk, feitos nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
2011 a 2020: pluralidade entra em cena
Já na última década, 2011 a 2020, as pesquisas sobre punk no Brasil mantiveram o crescimento, sendo registradas 35 pesquisas de programas stricto sensu que, direta ou indiretamente, exploraram o punk, dos quais 29 são dissertações de mestrado e seis teses de doutorado. Sendo importante frisar que esse cenário também repercute a implementação de diversos novos programas stricto sensu nas últimas duas décadas. Assim, nesse interim se evidenciou a emergência de pesquisas em diferentes novos “campos” da pós-graduação, como: Artes e Cultura Visual, tendo como foco a estética e poética do punk (SOUSA, 2016; ALVES, 2019); Culturas e Identidades Brasileiras, correlacionando a territorialidade punk ao surgimento de outras identidades urbanas (ANDRADE, 2020); Territórios e Expressões Culturais no Cerrado, atentando-se a experiência musical do punk rock em Brasília (PEREIRA, 2017); e Arquitetura, problematizando a inserção do punk no espaço urbano (SANTOS, 2015).
Em relação a distribuição geográfica, levando em conta o local de produção das pesquisas, temos a Tabela 4, a seguir:

Nota-se que com a defesa da dissertação Eu amo tudo o que não presta: punk e poética em trinta anos de delinquentes por Lucas Padilha de Sousa, na Universidade Federal do Pará (2016), pela primeira vez houve o desenvolvimento de pesquisas sobre o tema punk em programas de pós-graduação de todas as regiões do país. Entretanto, também se evidencia, novamente, a concentração das investigações das pesquisas na região Sudeste, fato que inevitavelmente dialoga com a atual disposição geográfica da pós-graduação brasileira. Para além disso, também foi possível notar expressivo crescimento das investigações desenvolvidas no Centro Oeste, breve expansão no Sul e estagnação do Nordeste em consideração à década anterior.
Do ponto de vista qualitativo, essa expansão veio acompanhada de sistemática difusão de novas abordagens, com especial destaque àquelas de orientação pós-estruturalista, pós-colonialista e decolonialista, que, por sua vez, imprimiram novas possibilidades analíticas e maior variabilidade temática. De modo que, se outrora essas pesquisas poderiam ser taxadas na academia como “desmobilizantes”, nos últimos anos à luz dessas reflexões teóricas, cada vez mais, passou-se a percebê-las como esforços reflexivos para a compreensão das manifestações anti-hegemônicas.
Nesse quadro merecem destaque as pesquisas que “revisitaram” o passado das coletividades punk, explorando suas potencialidades culturais, sociais e políticas, tais quais: Caminho para a morte” na metrópole: cultura punk: fanzines, rock, política e mídia (1982-2004), de Gustavo dos Santos Prado (2017), Uma leitura vertiginosa: os Fanzines punks no Brasil e o discurso da união e conscientização (1981-1995), de Marco Antonio Milani (2015), São Paulo, cidade punk: práticas, espaços, representações (1982-1998), de André Abreu da Silva (2016), A música dos rebeldes: o punk paulistano e a resistência à indústria fonográfica, de Edson Alencar Silva (2020), e Movimento punk e seus processos comunicacionais nos anos da Ditadura Militar, de Renan Marchesini de Quadros Souza (2017).
Além disso, cabe destacar também os trabalhos que exploraram a inserção do punk em localidades até então não estudadas. Sendo o caso de Resistência punk no Município de Cariacica/ES: uma narrativa estética, musical e teatral no meio underground, de Sandriani Muniz Alves (2019), O sertão também é punk: a trajetória do movimento punk em Delmiro Gouveia (Alto Sertão Alagoano, 1984 a 1996), de Jose Rinaldo Queiroz de Lima (2020), “Faça você mesmo”: o fanzine como representação do movimento punk em Juiz de Fora, de Susana Azevedo Reis (2018), É que nossos corações preferem a auto-corrosão: uma história de vivencias anarcopunks em Teresina (1980-2000), de Heitor Matos da Silva (2019), e “O punk nunca há de morrer: a trajetória da construção de identidades punk em Ilha Solteira-SP (1965-2001)”, de Tiago de Jesus Vieira (2012).
Riot Girls e Straightedges em cena
Nos últimos 20 anos dois estilos de vida jovem ganharam destaque na pesquisa acadêmica em relação aos demais, são eles: o Riot Girl16 e o Straight Edge17, movimentos oriundos da cultura punk e que surgiram nos Estados Unidos em momentos distintos. Enquanto os “punks livre de drogas”18 deram seus primeiros gritos no início dos anos 1980, o movimento Riot Girl só veio a se consolidar uma década depois, no início dos anos 1990. Apesar desse hiato temporal, no Brasil ambos ganharam visibilidade ao mesmo tempo, tornando-se os movimentos de maior expressão da cena hardcore/punk brasileira dos anos 1990. Embora haja representantes de ambos os estilos de vida nos diferentes Estados brasileiros, o Estado de São Paulo, e especificamente a capital, reuniu a maior quantidade de bandas e eventos. O Festival Hardcore de São Paulo e a Verdurada19 foram duas importantes atividades que ajudaram a dar visibilidade as bandas e a produção política ligada aos respectivos estilos.
Nesse sentido, por mais que houvesse participação de mulheres na cena punk desde os anos 1980, até então não havia registro de organização de células femininas com o intuito de propagar a mensagem feminista. A novidade trazida pelo Riot Girl inspirou os primeiros trabalhos acadêmicos sobre o tema ainda na primeira década do século XXI, destacando as dissertações de Fernanda Gomes Rodrigues (2006) O grito das garotas e, de Érica Melo (2008), Cultura juvenil feminista riot girl em São Paulo. Já na década seguinte tivemos a produção da tese de doutorado de Gabriela Miranda Marques (2016), (Re) invenção do anarcofeminismo: anarcofeministas na cena punk (1990-2012) e das dissertações de mestrado de Flávia Lucchesi (2015), Riot Grrrl: capturas e metamorfoses de uma máquina de guerra, de Gabriela Cleveston Gelain (2017), “Releituras, transições e dissidências da subcultura feminista Riot Grrrl no Brasil” e de Priscilla Monteiro do Nascimento Silva (2018) Performances de gênero e música: etnografia de um movimento riot grrrl no Rio de Janeiro.
Assim como o Riot Girl, o estilo de vida Straight Edge também chamou atenção dos pesquisadores e pesquisadoras no campo das Ciências Sociais que buscavam oferecer um contraponto às visões essencializadas e estereotipadas estampadas em jornais e revistas que, apoiadas em matérias sensacionalistas, insistiam em interpretar essa cultura juvenil urbana como uma espécie de “seita religiosa”. De maneira distinta, sociólogos(as) e antropólogos(as) buscavam pistas nos sentidos elaborados pelos jovens com o intuito de compreender pertencimentos, visões de mundo e formas de sociabilidade tecidas a partir da “identidade” straight edge. O primeiro trabalho acadêmico produzido sobre straight edges no Brasil foi a dissertação de mestrado Os straight edges e suas relações com a alteridade em São Paulo (2007), de Bruna Mantese, defendida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP. Na década seguinte, tivemos a tese de doutorado Nas encruzilhadas da rebeldia: uma etnocartografia dos straightedges em São Paulo (2011),20 de João Batista de Menezes Bittencourt, que fora defendida no curso de Doutorado em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Campinas e das seguintes dissertações: Contestação, comunicação e consumo: a cena straight edge brasileira (2011), de Denise de Paiva Costa Tangerino, defendida no Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM e Straight edge: uma genealogia das condutas na encruzilhada do punk (2015), de Wallison Pereira Fernandes, defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC-SP.
E os próximos 40 anos? reflexões sobre o futuro do punk na academia - considerações (in)conclusivas
Nesses 40 anos o punk enquanto fenômeno social foi mudando, refletindo a conjuntura política e as mudanças de comportamento da sociedade brasileira. Se na década de 1980 ele fora percebido como expressão da rebeldia de jovens pobres e periféricos, e muitas vezes lido sob a ótica do desvio e da criminalidade, nas últimas décadas surgiram novas tendências que contribuíram para diversificação e complexificação da leitura do fenômeno, forçando os pesquisadores e pesquisadoras a buscarem novas pistas interpretativas para elucidação das identidades que dialogam com o punk.
Nessa linha, ao se propor pensar os desdobramentos futuros das pesquisas sobre o punk, bem como o impacto dessas nas produções acadêmicas nos próximos anos, parte-se do princípio de que o tempo é uma referência importante para as pesquisas no campo das Ciências Humanas, especialmente na História. Por isso, muito provavelmente o punk nas próximas quatro décadas passará a ser visto com outros olhos por historiadores(as). Independente das disputas travadas pelo monopólio do conhecimento legítimo no seio dos diferentes campos do conhecimento, o punk já escreveu sua marca na história da sociedade brasileira de maneira decisiva, seja enquanto expressão cultural da urbe, seja como movimento social, político e estético surgido a partir do descontentamento e revolta de jovens subalternizados. Contudo, tais feitos ainda ocupam um espaço “marginal” nos currículos, cabendo assim um grande esforço no futuro, no sentido de repensar historicamente a inserção dos diversos agentes punks, sobretudo em momentos decisivos da história da sociedade brasileira, como por exemplo nos anos finais da Ditadura Militar, cujo não reconhecimento histórico de suas ações antiautoritárias, muito provavelmente, ainda remete à leitura equivocada que se fazia no meio acadêmico, nas décadas de 1980 e 1990, de que o punk era um fenômeno de jovens desviantes e despolitizados.
Para além disso, nas Ciências Humanas em geral é necessário que os novos estudos cada vez mais interpelem o punk à luz da sua correlação com as questões referentes ao tema da diversidade. Nos últimos anos surgiram demandas e questionamentos dos próprios agentes adeptos do estilo de vida a respeito de uma certa “invisibilidade” em torno de alguns temas políticos. O conceito de interseccionalidade21 surgido no seio das lutas mobilizadas pelas feministas negras nos Estados Unidos ao longo dos anos 1970 e que depois fora sistematizado pela professora e teórica feminista Kiberlé Crenshaw, tornou-se central para pensar as práticas e discursos dos diferentes grupos. Pensando especificamente o punk, observa-se demandas de novos agentes que, cada vez mais, passaram a encontrar nesse meio um fecundo espaço para se expressar, como é o caso dos grupos LGBTQIA+. Outras problemáticas que ainda merecem devida atenção no meio acadêmico são aquelas que remetem a intersecção entre punk e questões raciais, sendo necessário, por exemplo, uma ampla historicização das práticas e representações de caráter racista e antirracista no meio punk ao longo desse período. Outro ponto que parece fértil para os pesquisadores nas próximas décadas será problematizar como o punk reagiu à recém ascensão de grupos autoritários e conservadores no Brasil contemporâneo.
Por fim, outras demandas inscritas em novas dinâmicas sociais e temporais provavelmente também deverão ditar os rumos das pesquisas sobre o punk daqui para frente. Que venham os próximos 40 anos!
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