Dossiê

O olfato como objeto de pesquisa da História: os odores do agrotóxico da agricultura moderna na produção de alimentos em Boqueirão/PB e os impactos na saúde humana (1950-2023)

The sense of smell as an object of research in History: the odors of the pesticide of modern agriculture in food production in Boqueirão (Paraiba, Brazil) and the impacts on human health (1950-2023)

José Carlos Silva
Universidade Federal de Pernambuco Recife, Brasil
Iranilson Buriti de Oliveira
Universidade Federal de Campina Grande Campina Grande, Brasil

O olfato como objeto de pesquisa da História: os odores do agrotóxico da agricultura moderna na produção de alimentos em Boqueirão/PB e os impactos na saúde humana (1950-2023)

Revista Maracanan, núm. 34, pp. 104-120, 2023

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Recepção: 03 Julho 2023

Aprovação: 17 Novembro 2023

Publicado: 29 Dezembro 2023

Resumo: Este texto problematiza o olfato como objeto de pesquisa da história a partir das memórias olfativas dos entrevistados de Boqueirão/PB sobre a produção dos alimentos advindos da agricultura moderna, realizada às margens do açude Epitácio Pessoa, conhecido popularmente como açude de Boqueirão. Inspirados em Corbin (1987), problematizamos, por meio do conceito de olfato, como a modernização da agricultura impacta a saúde humana e o meio ambiente. Exploramos essas “memórias” (Candau, 2019) olfativas no campo da história oral (Alberti, 2004; 2019) e utilizamos como metodologia a análise do discurso (Foucault, 2008). Pautados em Certeau (2019), fizemos uma história do cotidiano a partir da leitura das sensibilidades (Pesavento, 2007) olfativas referente aos processos históricos e culturais de produção dos alimentos em Boqueirão. Constatamos que o olfato é um poderoso sentido de captura, escrita, leitura e de problematização de lugares sociais, de épocas e de problemas do tempo presente que afligem a sociedade, como os danos provocados na saúde humana pelos agrotóxicos.

Palavras-chave: História, Olfato, Alimentação, Agrotóxico.

Abstract: This text problematizes the sense of smell as an object of research of history from the olfactory memories of the interviewees of Boqueirão (Paraíba, Brazil) about the production of food from modern agriculture, carried out on the banks of the Epitácio Pessoa weir, popularly known as the Boqueirão weir. Inspired by Corbin (1987), we problematize, through the concept of smell, how the modernization of agriculture impacts on human health and the environment. We explore these olfactory “memories” (Candau, 2019) in the field of oral history (Alberti, 2004; 2019) and use as methodology the discourse analysis (Foucault, 2008). Based on Certeau (2019), we made a history of daily life from the reading of olfactory sensibilities (Pesavento, 2007) referring to the historical and cultural processes of food production in Boqueirão. We found that smell is a powerful sense of capture, writing, reading and problematization of social places, times and problems of the present time that afflict society, such as the damage caused to human health by pesticides.

Keywords: History, Smell, Feeding, Pesticides.

O olfato como objeto de pesquisa da história e os odores da modernização da agricultura em Boqueirão/PB

Tá se tornando um negócio que a galera já está se acostumando. Passa um

veneno ali, a galera passa pensa que é perfume

(“Eduardo”, Entrevista aos autores, 2023)

A palavra “perfume”, descrita pelo entrevistado “Eduardo”, “vem do latim ‘Per fumum’ ou ‘Pro fumum’, o que significa ‘através da fumaça’ ou ‘para o fumo’” (Cf.: Magalhães, 2015). No entanto, o produto descrito por esse narrador, que “a galera já está se acostumando [...] passa pensa que é perfume” usado na produção de alimentos em Boqueirão (Paraíba) não “é uma criação da mistura de ingredientes de fragrâncias que, juntos, criam uma combinação harmoniosa” (Vasconcelos, 2017, p. 14), mas um conjunto de elementos químicos sintéticos com odores desagradáveis “usados para matar insetos, larvas, fungos, carrapatos sob a justificativa de controlar as doenças provocadas por esses vetores e de regular o crescimento da vegetação, tanto no ambiente rural quanto urbano” (INCA, 2022).1

Este texto2 problematiza a modernização agrícola a partir das memórias olfativas dos entrevistados de Boqueirão sobre a produção de alimentos da agricultura irrigada. Problematizamos, por meio do conceito de olfato, como essa modernização, conceituada como “todo o processo de modificações ocorrido nas relações sociais de produção” (Texeira, 2005, p. 22), impacta a saúde humana e o meio ambiente. O intuito da pesquisa é analisar a implantação, os usos, e os problemas de saúde provocados pelos agrotóxicos e pelos fertilizantes utilizados na produção dos alimentos cultivados na agricultura irrigada às margens do açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido como açude de Boqueirão.

O recorte temporal é de 1950 a 2023. Na década de 1950, o açude de Boqueirão foi construído e começou a ser implantada a agricultura irrigada, bem como o uso dos agrotóxicos e fertilizantes nas margens desse manancial. Usamos 2023 como parâmetro temporal para entendermos, historicamente, os danos causados na saúde das pessoas no tempo presente.

O espaço desta pesquisa é o município de Boqueirão, localizado no Cariri Paraibano, a 170 km da capital paraibana, João Pessoa. A área deste município é de 373,077 km2, e tem aproximadamente 17.598 habitantes, conforme o último censo realizado em 2023 pelo IBGE.3 O município ora referido fica na região denominada de semiárido4. Segundo o portal do próprio município, Boqueirão foi fundado por volta de 1664/65, por Antônio de Oliveira Lêdo.5

A base da economia do município de Boqueirão é a produção da agricultura irrigada (maracujá, mamão, melancia, goiaba, tomate, pimentão, batata-doce, cebola, repolho etc.). “Tal produção é destinada para alguns centros de distribuição como: Campina Grande-PB, Patos- PB, Recife-PE, Natal-RN, além do próprio comércio local” (Tavares, 2017, p. 67).

Por atender vários estados da região Nordeste e o comércio local, faz-se necessário o estudo da história da modernização da agricultura e os impactos desse processo histórico na saúde das pessoas que produzem e consomem os alimentos advindos das margens do açude de Boqueirão.

Ferreira (2021) faz um levantamento dos casos de intoxicações por agrotóxicos em Boqueirão. Esse levantamento foi feito nos bancos de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificações (SINAN) e no Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX). Conforme a pesquisadora, no SINAN, entre 2007 e 2020, apenas 4 casos de intoxicações foram registrados no munícipio de Boqueirão. Já no SINITOX (referente ao CEATOXCampina Grande-PB), entre 2007 e 2017, dos 763 casos registrados por intoxicações por agrotóxicos, apenas 23 foram notificados por atividade ocupacional.

Para Ferreira (2021), o número baixo de notificação de casos de intoxicação por agrotóxicos não corresponde ao uso elevado desse produto e aos relatos dos agricultores em Boqueirão. Segundo a autora, há fragilidade nesses registros, como: sistema inoperante em algumas regiões, múltiplas exposições dos trabalhadores por tempo prologado (o que dificulta a associação da doença ao agrotóxico), ausências de informações importantes não preenchidas no sistema etc. A autora conclui dizendo que “esses números invisibilizados são de grande importância para construir políticas públicas de combate à utilização dessas substâncias” (Ibidem, p. 26).

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2022. Grifos no original), “toda a população está suscetível a exposições múltiplas a agrotóxicos, por meio de consumo de alimentos e água contaminados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) são registradas 20 mil mortes por ano devido o consumo de agrotóxicos”.

O INCA (2022) ainda acrescenta que a exposição prologada ao agrotóxico pode acarretar vários problemas de saúde como dificuldade para “dormir, esquecimento, aborto, impotência, depressão, problemas respiratórios, [...] do fígado e dos rins, anormalidade da produção de hormônios da tireoide, dos ovários e da próstata, problemas no desenvolvimento intelectual e físico das crianças”.

Nesse sentido, elegemos o olfato como objeto de pesquisa da História, como um fio ou rastro dos odores da modernização da agricultura para problematizarmos o processo de implantação da agricultura irrigada em Boqueirão, pelo fato de o olfato ser o primeiro órgão dos sentidos que usamos de forma direta para captar e ler o ambiente desde que nascermos (Cf.: Wosny et al., 2008). Somado a isso, sentimos o cheiro do alimento ao ser produzido e antes de degustá-lo (do café, do leite, da fritura, do churrasco etc.).

Esse processo de captação e de leitura do espaço constitui e (de)forma quem somos. O cheiro da terra, da chuva, do solo, das flores e dos frutos das plantas, acrescido com os odores dos agrotóxicos e dos fertilizantes usados no processo agrícola, adentra os corpos dos entrevistados de Boqueirão, deixando (des)agradáveis cheiros de épocas de “um passado que não passa” (Hartog, 2006, p. 273) e que, no tempo presente, provoca danos ou benefícios à saúde.

Segundo Candau (2019, p. 15), os sujeitos são as próprias memórias e pela retrospecção aprendem “a suportar a duração: juntando os pedaços do que foi numa nova imagem que poderá talvez ajudá-lo a encarar sua vida presente”.

Os relatos sobre os modos de produção dos alimentos da agricultura moderna no município de Boqueirão são uma forma de juntar os pedaços de épocas vividas pelos sujeitos entrevistados e de nos ajudar a enfrentar os problemas da contemporaneidade, tais como: doenças, problemas alimentares, crises climáticas etc. De acordo com Oliveira (2011, p. 746), “a saúde e as doenças como objetos da história [...], também emergem como campo de análise do historiador” para entendermos as questões e desafios do tempo presente.

Os dados para este trabalho resultam de coletas realizadas em diferentes momentos: em 2008,6 foram realizadas 08 (oito) entrevistas; entre 2020 e 2023,7 30 (trinta) participantes foram entrevistados. Em todos os trabalhos, os entrevistados fizeram apontamentos sobre os graves problemas de saúde provocados pelo agrotóxico na produção dos alimentos. Os sujeitos da pesquisa são do município de Boqueirão. As transcrições dos depoimentos ocorreram na íntegra, tal qual relataram. Os entrevistados nesta pesquisa são: “Rosa” (2008), “Socorro” (2008), “Antônio” (2020), “Valter” (2020), “Silva” (2020), “João” (2020), “Pedro” (2020), “Maria” (2020), “Valdo” (2020), “Pereira” (2020), “Zilda” (2020), “Miguel” (2023), “Francisca” (2023), “Gabriel” (2023), “Eduardo” (2023), “Luzia” (2023) e “Marcos” (2023).

Para termos acesso a essas memórias olfativas desses sujeitos que habitam a caatinga às margens do açude Boqueirão, utilizamos a História Oral. A História Oral se fez presente nesta pesquisa como metodologia no processo de elaboração, realização e transcrição das entrevistas (Cf.: Alberti, 2004). Após essa fase da pesquisa, passamos a usar as entrevistas como fonte (Cf.: Alberti, 2019) e o processo metodológico de análise documental passou a ser a análise do discurso (Cf.: Foucault, 2008), uma vez que a linguagem é um tipo de poder que os sujeitos têm para se comunicar, trocar experiências e estabelecer vínculos sociais.

As memórias olfativas dos depoentes do município de Boqueirão e o discurso hegemônico do sistema agrícola moderno sobre a produção dos alimentos da agricultura irrigada são modos de produção social (Brandão, 2004, p. 11), são lentes discursivas (Cf.: Veyne, 2011), são formas de dizer (denunciar ou ocultar) os impactos de tal processo alimentício na saúde humana.

A escolha do tema “modernização da agricultura” nas margens do açude de Boqueirão se deu pelo fato que sou filho de agricultores e cresci fazendo uso dos agrotóxicos nas plantações e vendo os outros boqueirãoenses realizando o mesmo procedimento.

Ainda me lembro do peso da bomba de pulverizar em minhas costas, das correias quentes em meus ombros, dos odores entrando em meu organismo e do veneno frio escorrendo pelo meu pescoço, seguindo pelas costas, nádegas e até o calcanhar, ao vazar pela parte superior do equipamento. Depois de banhar as plantas com agrotóxicos, voltava para casa para tomar diversos banhos e usar os mais variados produtos cosméticos, na tentativa de tornar-me o “homem aromatizado” (Corbin, 1987, p. 87), não com o intuito de disfarçar os dores produzidos pelo meu corpo, mas na tentativa inútil de acabar com o odor forte do veneno que insistia em permanecer em meu corpo por dias. Era comum chegar na escola e os colegas de classe falarem: “que fedor é esse de veneno?”. Eu respondia: “não sinto cheiro de nada”. O meu olfato de adolescente sinalizava os odores do meu corpo, mas o meu sistema auditivo negava-o compulsivamente.

Desde pequenos aprendemos que o cheiro dos corpos nos informa os lugares sociais nos quais ele é produzido, como narra Albuquerque Jr (2008, p. 119) ao analisar o conto Ar Puro, de Ítalo Calvino: “A própria condição de classe de Marcovaldo é indicada pelo cheiro forte que se desprende de seu corpo, de sua roupa, ao deixar o trabalho, pelo cheiro da comida que sai de sua marmita”. Ou quando Jean-Baptiste Grenouille, personagem do filme Perfume: A História de um Assassino (Dir: Tom Tykwer, 2006), interpreta a condição de trabalho que seria submetido ao sentir “o odor que aquele homem exalava, Jean-Baptiste soube que a sua vida no curtume iria valer exatamente o quanto ele trabalhasse”.

Mesmo sem falar nenhuma palavra, o odor do agrotóxico denunciava o meu lugar social. O olfato informava de onde eu vinha, a precariedade do trabalho e os impactos que possivelmente terei ou teria se tivesse continuado na agricultura fazendo uso dos defensivos agrícolas.

Por isso, o interesse de contar não a minha história neste momento, mas um pouco da história de amigos, conhecidos, ex-alunos e familiares que se assemelham com a minha história e que viveram e vivem da prática da agricultura irrigada nas margens do açude de Boqueirão. O propósito é refletir e alertar sobre os impactos na saúde de quem é exposto, de quem produz e consome os alimentos cultivados com agrotóxicos.

Os odores do agrotóxico da agricultura moderna na produção de alimentos em Boqueirão/PB e os impactos na saúde humana

Diferentemente de “Marcovaldo” (Cf.: Albuquerque Junior, 2008), que quer sair da cidade para ir ao campo em busca de ar puro, alguns habitantes da zona rural do município de Boqueirão fizeram o processo inverso em 2019. Deixaram o campo para ir à cidade. O ar existente na zona rural estava mais poluído do que o da zona urbana. O cheiro forte do agrotóxico usado na agricultura para a produção de alimentos estava trazendo danos graves para a saúde dos boquierãoenses. “Tem muita gente morrendo aí! [...]. Batista... mudou-se pra rua porque não aguentou o veneno. E Nildo de Rama levou o menino para pulverizar porque não aguenta mais o veneno. Tá vendo! Um homem desse mais nunca tem saúde!” (“Antônio”, Entrevista aos autores, 2020).

Rosa fez uma breve discussão acerca das doenças provocadas pelas comidas de hoje, tendo como principal responsável o agrotóxico e o fertilizante.

As comidas de hoje em dia estão provocando doenças nas pessoas. Você sabe por quê? Essa comida que nós estamos comendo está toda envenenada. Isso é adubada no veneno. O pimentão, coentro verde é todo adubado, a cebola, tudo que sai desses campos de verduras tudo é adubado no veneno forte (“Rosa”, Entrevista aos autores, 2008).

Essa entrevistada acrescenta que as crianças de hoje estão adoecendo com muita facilidade. Algo que na época dela não acontecia com tanta frequência. Ainda conforme a depoente, os alimentos (pimentão, coentro, cebola, tomate etc.) estão sendo produzidos no veneno e no adubo e esse processo de produção e obtenção dos alimentos está provocando diversas doenças. Mas como essa forma de produção dos alimentos, baseada no uso dos agrotóxicos e dos fertilizantes, chegou ao município de Boqueirão e foi “diferenciando tudo” (“Rosa”, Entrevista aos autores, 2008)?

Seguindo as descrições orais proporcionadas pelo olfato (in)sensível dos boqueirãoenses, chegamos ao açude Epitácio Pessoa, construído na década de 1950, que permitiu a introdução da agricultura irrigada (com o uso de agrotóxicos e fertilizantes). O adubo e o veneno passaram a fazer parte dos alimentos e do cotidiano do município de Boqueirão e a afetar a vida da sua gente. Conforme Lopes e Albuquerque (2018, p. 519), “a utilização em massa de agrotóxicos na agricultura se inicia na década de 1950, nos Estados Unidos, com a chamada ‘Revolução Verde’, que teria o intuito de modernizar a agricultura e aumentar sua produtividade”. Ainda de acordo com esses autores, no Brasil, o uso em massa de agrotóxicos ocorre “na década de 1960 e, com a implantação do Programa Nacional de Defensivos Agrícolas (PNDA), ganha impulso na década de 1970” (Idem).

Adissi et al. (1999), que fazem um estudo orientado por pesquisadores da UFPB sobre o uso do agrotóxico nas margens do açude de Boqueirão, no final da década de 1990, corroboram com Lopes e Albuquerque ao dizerem que, no Brasil, “a expansão da indústria agroquímica tem seu início na década de 50, mas tendo sua implantação mais significativa a partir da década de 70, quando de 1975 a 1979, 19 unidades de produção de agrotóxicos foram implantadas, seguidas, posteriormente por mais 40 unidades” (Adissi et al., 1999, p. 3). Esse mesmo período de implantação e expansão do agrotóxico no Brasil coincide com a construção do açude Epitácio Pessoa na década de 1950 e com a instalação da agricultura irrigada nas margens deste manancial.

Todo esse debate que chega com as águas do Boqueirão faz parte do projeto da política neoliberal gestado desde os anos 1940 e intensificado a partir dos anos 1970, tendo como “ideário com a retomada do conservadorismo na forma ultrarreacionária do fascismo [...] enquanto um fenômeno mundial em ascensão que tem como objetivo acirrar a violência e a exclusão social, dando novas dimensões à luta de classes” (Schlesener, 2020, p. 84).

Essa nova dimensão de luta de classes se passa no campo político e cultural e tem por “objetivo ‘capturar a subjetividade’ do trabalhador (Cf.: Dias, 2014) a fim de naturalizar a exploração e a opressão” (Schlesener, 2020, p. 85). É o que acontece com alguns entrevistados do município de Boqueirão. Eles têm consciência de que o uso do agrotóxico é altamente prejudicial à saúde. Mas, para produzir o alimento, foi naturalizado pela captura e construção da subjetividade ao longo do processo produtivo dos alimentos às margens do açude de Boqueirão, que só é possível lucrar se usar o agrotóxico. Assim nos relatou o depoente Valter:

Hoje pra gente lucrar qualquer coisa é toda no veneno e é veneno perigoso. Não é esses veneninho besta não. Antigamente você lucrava um feijão, um milho, você não botava nada de veneno. Hoje em dia para lucrar um feijão ou o milho você tem que botar o veneno mais caro que tiver (“Valter”, Entrevista aos autores, 2020).

Esse depoente estava com 60 anos no ato da entrevista, em 2020. Portanto, Valter nasceu em 1960. Nove anos depois que começou a construção do açude Epitácio Pessoa. Três anos após a sua inauguração. “O açude Epitácio Pessoa, mais conhecido como Boqueirão, foi construído pelo Departamento Nacional de Obras Contra Secas - DNOCS, entre os anos de 1951 e 1956, tendo sido inaugurado em janeiro de 1957” (Oliveira; Ambrozevicicius, 2014).

Nesses 60 anos de existência, Valter foi produzido, fabricado, industrializado, experienciado, subjetivado, por anos, pelos odores do progresso associado ao uso do agrotóxico. Viu a “terra morrer” (os microrganismos) várias vezes e a solução ofertada foi o uso de produtos sintéticos mais caros.

Esse depoente percebeu e entendeu, assim como Silva (2020), “do jeito que avançou a tecnologia agora, avançou a praga também”, que as pragas ficam cada vez mais resistentes aos agrotóxicos. Por isso, tem que ser um “veneno perigoso”, “veneninho besta não”, “o veneno mais caro que tiver” (“Valter”, Entrevista aos autores, 2020). Quanto mais veneno, mais o lucro das grandes empresas aumenta e quanto mais caro, mais rentável será para a indústria dos defensivos agrícolas. Os problemas ambientais e de saúde são jogados para quem produz, convive e consome esses alimentos.

Foi perguntado aos entrevistados se existe algum cheiro ou odor desagradável próximo as suas residências que os incomoda. Francisca (2023) respondeu que no tempo da cebola “era de tardinha e de madrugada o cheiro forte de veneno aqui perto de casa”. Miguel (2023), no mesmo entendimento de Silva e Valter, acrescenta que “passava de madrugada o veneno e as plantas não prestava”.

De acordo com o casal Eduardo e Luzia, muitas pessoas que residem ou passam próximo acabam se acostumando com os odores desagradáveis do agrotóxico e, consequentemente, se contaminando. “Tá se tornando um negócio que a galera já está se acostumando. Passa um veneno ali, a galera passa pensa que é perfume” (“Eduardo”, Entrevista aos autores, 2023). Esse casal mostra a naturalização extrema da precarização das formas de produção dos alimentos ao comparar os desagradáveis odores do agrotóxico com o agradável cheiro do perfume e como, aos poucos, essa produção também se internaliza no cotidiano dos mais variados sujeitos.

Mas o discurso veiculado pela Rede Globo de Televisão sobre o “Agro é Tech, o Agro é Pop, o Agro é Tudo, é a riqueza do Brasil” tenta mascarar, legitimar e construir, por meio da linguagem, um discurso que não condiz com os efeitos que esses defensivos agrícolas provocam nas pessoas e no meio ambiente. “A ideia é fazer com que o brasileiro tenha orgulho do agro. O agronegócio tem que investir na construção de sua marca junto à população em geral, a fim de criar empatia e confiança” (Portal do Agor, 2020),8 explicou o diretor de marketing da TV Globo, Roberto Schmidt, sobre o principal objetivo da campanha. “A questão central é entender que a linguagem não é neutra, mas é essencialmente política” (Schlesener, 2020, p. 85).

Portanto, a construção do discurso do agro, “Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Tudo”, que teve início em junho de 2016 (Santos; Silva; Maciel, 2019, p. 55), é essencialmente político, por estar alinhado com o discurso dos grupos dominantes. O jornalismo e a criação de opinião são partes fundamentais do neoliberalismo, que se subjetiva nas sensibilidades dos trabalhadores rurais do município de Boqueirão, em particular, na agricultura moderna, criando e justificando as formas de dominação e o status quo de cada época. Certamente, não se está negando, neste texto, a importância do agronegócio para a economia brasileira, mas problematizando como o uso intensivo dos defensivos agrícolas pode prejudicar a saúde da população.

Em nossa época, no tempo presente, Miguel (2023), Francisca (2023) e Gabriel (2023), dentre outros entrevistados, evidenciaram os danos provocados à saúde humana ao afirmarem que vários agricultores desenvolveram alergia respiratória ao serem expostos por muito tempo ao agrotóxico.

De acordo com Schlesener (2020, p. 87. Grifos no original), o “neoliberalismo [...] intitulado A nova razão do mundo, afirma-se como uma ideologia que forma o modo de pensar comum e que dá sustentação a uma política econômica perversa que se contrapõe frontalmente à democracia”. Segundo o Greenpeace Brasil (2022), o atual sistema de alimentos produzido pelo agronegócio é “um elemento poderoso e antidemocrático e está na nossa mesa de jantar, nas escolhas no supermercado, nos governos e nos tratados nacionais e internacionais”.9

Atualmente, no Congresso Nacional, a bancada ruralista fomenta políticas públicas de uso e comercialização de agrotóxicos. Lopes e Albuquerque (2018, p. 519) afirmam que, “na última década, o Brasil expandiu em 190% o mercado de agrotóxicos, o que colocou o País em primeiro lugar no ranking mundial de consumo desde 2008”. De acordo com o portal Brasil de Fato, “Gigantes dos agrotóxicos são principais financiadores de Congresso Brasileiro do Agro” (Fuhrmann, 2022).10

A Associação Brasileira de Defensivos Pós-Patente (AENDA), publica em seu portal que “as vendas de agroquímicos no Brasil atingiram um faturamento total de US$ 8,9 bilhões em 2017, segundo dados da Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg). O resultado representou uma queda de 7% na receita em relação a 2016” (AgroNews, [s./d.]).11

Para satisfazer os interesses da bancada ruralista e dos seus financiadores (agronegócio), atendendo ao projeto neoliberal, o governo Bolsonaro “aprovou a maior quantidade de defensivos agrícolas em mais de vinte anos: foram 1.560 novos ingredientes ativos registrados entre janeiro de 2019 a fevereiro de 2021, uma média de 1,4 substâncias por dia, segundo dados [...] do Ibama” (Modelli, 2022).12

Socorro (2008) nos relatou que “os peixes e as carnes e as verduras de hoje estão tudo contaminados no veneno”. João (2020) acrescentou que “o tomate, pimentão, muitas e muitas verduras que nós comemos é o veneno limpo”. Esse narrador trabalhou por muitos anos na agricultura e afirmou: “já trabalhei [...], dentro do esgoto, dentro de tudo. Ô meu filho, um negócio desse e todos nós comem. Aí quando for depois, com um ano, dois anos, às vezes, com 60 anos, uma dor, um negócio, rapaz às vezes é do veneno”. O Instituto Nacional do Câncer (2022, s./p.) ratifica as falas dos depoentes ao dizer que estudos “vêm mostrando o potencial de desenvolvimento de câncer relacionado a diversos agrotóxicos, justificando a recomendação de precaução para com o uso e contato”.

Não foi relacionado diretamente por meio de laudos, mas, no dia da entrevista, Pedro estava se recuperando de um procedimento cirúrgico realizado na próstata para a retirada de um tumor cancerígeno. Esse depoente, assim como tantos outros do município de Boqueirão, trabalhou por longos anos na agricultura, sendo exposto aos agrotóxicos, não só comendo o alimento contaminado, mas também sentindo os odores dos defensivos agrícolas. Respiramos também pela pele. Lamentavelmente, é muito comum os trabalhadores rurais terem os seus corpos molhados pelos agrotóxicos no momento da manipulação.

Mesmo depois de estar aposentado, Pedro (2020) continuou fazendo o uso de tais produtos em algumas lavouras cultivadas por ele no quintal de sua casa. “Antes de eu me operar da próstata, eu ia lá em Edinho, chegava lá [...] me dá um litro de lannate13 aí e uma bolsa de ‘mutilon’, que é o veneno [...], eu enchia a casa de jerimum”.

Segundo os estudos desenvolvidos pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), “o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos desde 2008”. A pesquisadora Flora Milton, da UFF, afirma que a obesidade é uma doença multifatorial. Segundo ela, “existem comprovações de que esses desreguladores contribuem como fatores externos no desenvolvimento da obesidade e da diabetes. E o que estamos investigando é se os agrotóxicos podem atuar nesses mecanismos” (apudLOPES, 2019, s./p.).14

Provavelmente foram esses desreguladores que provocaram a diabetes do esposo de Maria, tendo o agrotóxico como mecanismo para o desencadeamento da doença. Para a pesquisadora Flora Milton, “encontramos o indício de que sim, temos um resultado de que o agrotóxico está induzindo o acúmulo lipídico em célula” (apudLOPES, 2019, s./p.). A entrevistada Maria (2020) relatou: “o meu marido mesmo, [...], tem diabetes, foi do veneno, o médico mesmo disse que provocou do veneno. Porque quando ele era novo só era o que ele gostava mais de fazer era pulverizar. Hoje [...], tá vivendo com a diabetes”.

Acreditamos que o esposo de Maria não sabia dos grandes riscos que estava correndo em relação a sua saúde ao ser exposto ao agrotóxico. Lentamente o veneno chegava ao sangue envolto do ar e, em poucos anos, as células foram se modificando, provocando o acúmulo lipídico e o aparecimento da doença diabetes.

O nosso corpo se “alimenta” de ar. As nossas células precisam do oxigênio para realizar suas funções e manter o organismo vivo. “Não é possível escolher parar de respirar” (Ribeiro; Santos, 2018, p. 2). O ar que entra em nosso corpo, e, portanto, o “alimenta” com informações pelas vias respiratórias e pela pele é “o resultado de uma mistura ou de uma combinação química” (Corbin, 1987, p. 19) de odores exalados dos corpos a nossa volta. Entre tantos corpos, “os alimentos também contêm uma proporção de ar, de que poderão se impregnar, de início, o quilo e, em seguida, o sangue” (Idem). Essa impregnação odorífica que adentra o nosso ser pelo ar, chegando ao sangue, provoca prazer, repulsa ou alerta de perigo em nós.

Segundo Schlesener (2020, p. 88), “estas grandes corporações não apresentam alguma preocupação com a civilidade ou mesmo com a existência das populações periféricas, utilizando em defesa dos seus interesses econômicos, as mais cruéis formas de exploração e de expropriação”.

Conforme o Greenpeace Brasil, para o agronegócio, comida é uma commodity. “Commodity é algo que só existe para ser comprado e vendido da forma mais barata possível, gerando o maior lucro possível. E uma das maneiras mais baratas de fazer isso é aumentar a produção em cima de florestas, jogando o custo climático na conta das gerações futuras”. Para o Greenpeace (2020, s./p.), “o agronegócio não está cultivando comida. Está cultivando lucros”.

O uso do agrotóxico em excesso é uma forma de “cultivar lucro”, de jogar os custos para o meio ambiente e para a saúde do trabalhador e do consumidor. É um sistema que contribui para a destruição da natureza e precariza as relações de trabalho. Alguns entrevistados alegaram que, mesmo usando os equipamentos de segurança da forma correta, como os rótulos dos defensivos agrícolas orientam, ainda não é suficiente para se protegerem da exposição ao agrotóxico. “As máscaras não evitam que o veneno chegue ao nariz. A gente acaba respirando o veneno” (“Marcos”, Entrevista aos autores, 2023).

Há outros meios de produzir os alimentos sem o uso do agrotóxico. Os próprios depoentes deste trabalho deixam exalar em seus discursos as fragrâncias agradáveis de práticas da agricultura tradicional que remontam à ancestralidade de como produzir e conservar os alimentos sem causar danos à saúde e ao meio ambiente. “Agora aquele (xique-xique, cardeiro) que está em cima daquela serra ali, na serra do finado Ernesto, ela não tem veneno” (“Valdo”, Entrevista aos autores, 2020). “A gente fazia os canteiros na beira do rio, usando só estrume” (“Antônio”, Entrevista aos autores, 2008). “Quando a gente ia para Boqueirão comprava a banha de porco e derretia a gordura e botava o feijão dentro de um caco e mexia [...] botava no pé da parede. Fazia um caritó dentro de casa, cavava um buraco botava a batata e areia em cima” (“Pedro”, Entrevista aos autores, 2020).

A agroecologia é uma dessas formas possíveis de conciliar vida saudável, proteção e preservação ambiental e ter acesso aos bens materiais sem necessariamente destruir a natureza e a própria saúde. Há diversos estudos científicos (Luzzi, 2007; Assis; Romeiro, 2002; Condonho, 2013; Sousa, 2017; Farias, 2017; Amaral, 2019; Sousa; Lima; Sabioni, 2021; Blanc; Marques, 2022; Lima; Aranaz; Uliana, 2023 etc.) que corroboram os depoimentos dos narradores desta pesquisa, ao relatarem as experiências de convivência harmoniosa com a natureza e de cuidado e prevenção da saúde humana.

Estudos esses que serão por nós aprofundados em trabalhos futuros, particularmente, como o ensino de história, por meio do olfato, pode contribuir para a formação de uma consciência histórica (Cf.: Rüsen, 2007) que mobilize os estudantes a resolverem ou a buscarem soluções para problemas que os afligem (fome, doença, crise climática), tendo as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) (Cf.: Terra; Ferreira, 2020) e os saberes sobre a caatinga como protagonistas desse processo cultural e educativo de orientação do/no mundo. “Além dos benefícios à saúde e dieta, as PANC de ocorrência natural estão livres do uso de agrotóxicos e fertilizantes, o que é especialmente importante em países que mantém um expressivo consumo destes insumos, como é o caso do Brasil” (Santos et al., 2020, p. 2).

Contudo, reafirmamos que o nosso enfoque neste trabalho foi fazer apontamentos (tendo o olfato como “rastreador”) dos problemas de saúde provocados pela agricultura moderna, com ênfase no uso do agrotóxico na produção e no consumo dos alimentos cultivados às margens do açude de Boqueirão.

Considerações finais

Observa-se que o uso do olfato como objeto de pesquisa da história é uma excelente ferramenta para introduzir, adentrar e questionar os problemas do tempo presente a partir das memórias de odores de outras épocas existentes e constituídas nos sujeitos pelo cheiro.

Compreendemos, após essa análise das memórias olfativas, que os odores e as doenças produzidas pelo agrotóxico presente nas narrativas dos depoentes do município de Boqueirão são denúncias e alertas das formas antidemocrática de como o alimento está sendo produzido e de como as grandes empresas, através dos meios de comunicação em massa, constroem os seus discursos de dominação e imposição de valores e de concepção de mundo neoliberalistas.

Vimos que a proposta do agro de “conectar o consumidor com o produtor, mostrar a riqueza gerada, ter orgulho do agro, comunicar a sociedade sobre a produção dos alimentos, investir em sua marca, criar empatia e confiança” nada mais é do que um emaranhado de discurso de legitimação do neoliberalismo, um modo de representação social do capitalismo, que visa consolidar, “esconder” ou disfarçar socialmente os males que tal processo de produção dos alimentos traz e provoca à saúde humana e ao meio ambiente.

A luta também se passa pelo olfato. O que sentimos ou o que somos convencidos a sentir, a suportar a sentir ou construído a sentir é uma forma de dominação, de imposição de valores e de concepção de mundo. Desenvolver pesquisas em que se coloque o olfato como objeto de estudo e problematizar a realidade a partir dele é uma ótima forma de “dar golpe” (Cf.: Certeau, 2019) no sistema hegemônico, de transgredir o pensamento neoliberal e de resistir e insistir com outras formas de saberes que nos constituem e nos conectam novamente à natureza.

Sendo assim, nessa conexão e devolutiva do humano à natureza, os narradores de Boqueirão descrevem e inscrevem em nós os odores sobre o xique-xique. O xique-xique “cozido era um cheiro medonho. Um cheiro cheiroso. Cheiro de macaxeira [risos dela]” (“Zilda”, 2020). “Era a mesma coisa que macaxeira” (“Valdo”, 2020). “É um cheiro bom” (“Silva”, 2020). “Cheiro de batata cozida” (“Pedro”, 2020). “Cheiroso demais” (“Pereira”, 2020). “Cheiro normal. Chega chamava a gente pra comer! Era gostoso!” (“Antônio”, 2020).

O cheiro desperta e aguça a vontade de comer. A vontade de comer aquilo que o nosso corpo já sabe que é gostoso, que nos faz bem e, por isso, o próprio cheiro chama o indivíduo para degustar o xique-xique, cria em nós o desejo de nos saciarmos daquele alimento que já faz parte de nós. Um alimento que tinha um “cheiro normal”. Não tinha mal cheiro. Cheiro de batatadoce e de macaxeira. Assim era o cheiro do xique-xique. Um cheiro comum, um cheiro bom, do bem, um cheiro do banquete da saúde e da vida.

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Notas

2 É parte da pesquisa de Mestrado (prática alimentar de uso dos cactos e das bromélias) e esboço da pesquisa de Doutorado (prática alimentar de uso dos cactos e das bromélias no ensino de história).
3 IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Boqueirão-PB. IBGE Cidades. (Plataforma online). Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pb/boqueirao/panorama. Acesso em: 21 nov. 2023.
4 O Semiárido Brasileiro se estende pelos nove estados da região Nordeste e pelo norte de Minas Gerais. No total, ocupa 12% do território nacional e abriga cerca de 28 milhões de habitantes [...], sendo, portanto, um dos semiáridos mais povoados do mundo. Cf.: INSA. Instituto Nacional do Semiárido. O Semiárido Brasileiro. Instituto Nacional do Semiárido - INSA. (Site). [S./d.]. Disponível em: https://www.gov.br/insa/pt-br/semiarido-brasileiro. Acesso em: 8 maio 2023.
5 PREFEITURA Municipal de Boqueirão. História. Prefeitura Municipal de Boqueirão. (Site). [S./d.]. Disponível em: https://www.boqueirao.pb.gov.br/portal/a-cidade/historia. Acesso em: 3 set. 2021.
6 Em 2008, os resultados da pesquisa foram apresentados no Trabalho de Conclusão do Curso de História, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
7 Entre 2020 e 2021, as entrevistas foram analisadas no trabalho de dissertação de mestrado em História, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A partir de 2022, as entrevistas estão sendo analisadas para a tese de doutorado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
8 “Diretor de marketing da Rede Globo explica campanha ‘agro é tech, agro é pop’” (Disponível em: https://portaldoagro.com/2020/12/09/diretor-de-marketing-da-rede-globo-explica-campanha-agro-etech-agro-e-pop/. Acesso em: 13 abr. 2023).
9 “Episódio 1: Você sabe de onde vem a sua comida?” (Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=AELP19ocg38. Acesso em: 8 dez. 2022).
10 “Gigantes dos agrotóxicos são principais financiadores de Congresso Brasileiro do Agro” (Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2020/08/02/gigantes-dos-agrotoxicos-sao-principais-financiadores-decongresso-brasileiro-do-agro. Acesso em: 8 dez. 2022).
11 “As 20 maiores empresas agroquímicas brasileiras em 2017” (Disponível em: https://www.aenda.org.br/noticia_imprensa/as-20-maiores-empresas-agroquimicas-brasileiras-em-2017/#. Acesso em: 8 dez. 2022).
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13 Bula Lannate BR. Ambiental: II - Produto muito perigoso. Agrolink. (Plataforma online). Disponível em: https://www.agrolink.com.br/agrolinkfito/produto/lannate-br_135.html. Acesso em: 19 set. 2020.
14 “Friburgo relaciona uso de agrotóxicos a obesidade e diabetes” (Disponível em: http://www.uff.br/?q=noticias/13-02-2019/pesquisa-da-uff-friburgo-relaciona-uso-de-agrotoxicosobesidade-e-diabetes. Acesso em: 17 set. 2020).
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