
Recepção: 01 Março 2016
Aprovação: 30 Junho 2016
Resumo: O presente artigo faz parte da investigação de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), apresentado no ano de 2014, a temática em questão conduziu a escolha da realização da pesquisa do Tipo Estudo de Caso, sob a ótica da abordagem qualitativa, com o propósito de verificar qual a metodologia utilizada pelas professoras de Educação Infantil na orientação de crianças na Pré-escola acerca da descoberta da sexualidade. Teve-se como lócus de investigação a Unidade de Educação Infantil Elcione Barbalho, no município de Ananindeua/PA. Envolvendo, a diretora, a coordenadora e professoras que atuantes na Pré-Escola, mais precisamente no Pré-II. Observou-se que as professoras em sua maioria tinham preconceitos, pré-conceitos e informações completamente distorcidas do que vinha a ser orientação sexual de crianças em suas descobertas naturais, tal situação promovia uma ausência metodológica que promovesse de fato uma orientação das descobertas das crianças, duas professoras realizavam um trabalho pedagógico significativo junto as crianças por intermédio da dramatização e tetro de fantoches. Concluímos que não há um trabalho sistemático acerca da sexualidade infantil apenas há um trabalho isolado de duas professoras que tentam auxiliar as crianças em suas descobertas urge a necessidade de realização sistematizada de orientação sexual dos pais/responsáveis as crianças da Pré-escola.
Palavras-chave: Educação infantil, sexualidade, orientação.
Resumen: Este artículo es parte de la labor de investigación de Trabajo conclusión de Curso (TCC), presentado en 2014, el tema en cuestión dio lugar a la elección de llevar a cabo el estudio de caso forma de buscar, desde la perspectiva del enfoque cualitativo, con el fin para comprobar la metodología utilizada por los maestros de educación básica en la orientación de los niños de preescolar sobre el descubrimiento de la sexualidad. Tuvimos como un locus Las primeras investigaciones Unidad de Educación Infantil Elcione Barbalho en la ciudad de Ananindeua/PA. Que implica, El director, coordinador y los profesores que trabajan en la enseñanza pre - escolar, más precisamente en el Pré II. Se observó que los maestros en su mayoría tenían prejuicios, preconceptos e información completamente distorsionada de lo que iba a ser la orientación sexual de los niños en sus descubrimientos naturales, tal situación promovió una ausencia metodológica que promueve de hecho una orientación de los descubrimientos de los niños y sólo dos profesores llevaron a cabo una labor educativa significativa con los niños a través del teatro y marionetas. Llegamos a la conclusión de que no hay trabajo sistemático sobre la sexualidad infantil solamente hay una obra aislada de dos profesores que tratan de ayudar a los niños en sus conclusiones insta a la necesidad de la realización sistemática de la orientación sexual de los padres/ tutores a los niños del pre -escolar. Palavras - Clave: Educación infantil; sexualidad; orientación 1..INTRODUÇÃO.
A orientação sexual para crianças na pré – escola: analisando a prática pedagógica das professoras da educação infantil.
1..INTRODUÇÃO.
No período destinado Educação Infantil a criança começa a perguntar tudo e sobre tudo a sua volta, e claro o professor tem que estar atento às indagações das crianças, até os 5 anos de idade, bem como o sexual está, basicamente, nas sensações do seu corpo, de carinho e atenção, mas quando eles entram na fase que Freud (1996) chamou de auto sexual ou genital, elas descobrem que têm autonomia para produzir uma sensação prazerosa ao tocar suas genitálias ou a de outra criança. Esta fase costuma ser crítica dentro da escola, porque em geral os professores não sabem qual atitude tomar ao surpreender a criança tocando os genitais e entram em pânico e assustam a criança em sua descoberta. Neste sentido, perguntou-se: Qual o papel da professora de Educação Infantil no momento que ela percebe que a criança está descobrindo a sua sexualidade? E Que procedimentos pedagógicos a professora lança mão para orientar na descoberta da sexualidade da criança? A temática em tela nos chamou a atenção no decorrer de nosso Estágio I (Educação Infantil) que nos fez repensar sobre a prática pedagógica da professora que atua na Educação Infantil, pois Percebeu-se que o oficio vai além do instruir, mas orientar mediar principalmente no que se refere a descoberta da sexualidade da criança.
Atribui-se um papel importantíssimo aos professores neste processo formativo das crianças, quanto a orientação mais adequada da expressão da sexualidade a qual traduzida por valores, crenças, opiniões e sentimentos, nunca estará absolutamente isento deles ao defrontar-se com as experiências, as perguntas e as curiosidades. “A sexualidade está na escola, faz parte dos sujeitos e não é algo que possa ser desligado ou algo do qual alguém possa se “despir”, conclui Louro (2008, p.81). Neste sentido, a investigação proposta subsidiará as professoras da Educação Infantil em criar estratégias para orientar crianças em sua descoberta, sem que haja constrangimento ou trauma, bem como, possibilite novas pesquisas sobre sexualidade infantil.
Deste modo, o objetivo geral busca: Promover uma análise da ação docente diante da descoberta da sexualidade da criança de quatro e cinco anos de idade no espaçotempo de sala de aula da Educação Infantil, enquanto nos específicos: conhecer a metodologia utilizada pela professora na orientação da descoberta da criança diante de sua sexualidade, identificar quais as curiosidades sobre a sexualidade que as crianças mais indagam e conhecer os recursos utilizados pela professora na orientação da sexualidade das crianças na Educação Infantil. Vale lembrar, que as primeiras experiências são as que marcam mais profundamente a pessoa e, quando positivas, tendem a reforçar, ao longo da vida, as atitudes de autoconfiança, de cooperação, de solidariedade e de responsabilidade e irão constituir a formação do caráter do futuro cidadão. A ciência mostra que o período que vai da gestação até o sexto ano de vida é o mais importante na organização das bases para as competências e habilidades desenvolvidas ao longo da existência humana, prova-se que a etapa educacional referente a essa faixa etária é imprescindível para o desenvolvimento humano (Antunes, 2010 apud Souza, 2012).
A Educação Infantil é algo mágico, único e essencial na vida do homem, que “canta e encanta” a quem a ela têm acesso, sendo rico e engrandecedor acompanhar o desenvolvimento desses pequenos seres durante essa etapa de sua vida. São incríveis a percepção da capacidade de aprendizado das crianças, sua receptividade, seu carinho e sua pureza. E o que uma educação de qualidade vivenciada por elas e devidamente adequada ao desenvolvimento cognitivo, motor, social e emocional pode fazer em suas histórias. O presente estudo, tem por base fundamentar a sexualidade na Educação Infantil, com à identidade sexual também, e é possível entender que são pluraise estão em constante transformação. Tais identidades, embora intimamente relacionadas, não são uma só “coisa”. Para Louro (2008), enquanto a identidade de gênero liga-se à identificação histórica e social dos sujeitos, quese reconhecem como femininos ou masculinos, a identidade sexual está relacionada diretamente à maneira com que os indivíduos com suas experiências seus desejos corporais, das mais diversas formas: Sozinhos/as, com parceiros do mesmo sexo ou não dentre outros. Segundo Freud (1996), o desejo do sujeito não pertence ao biológico, nem ao social e sim à existência do Inconsciente, aodiscurso da família do sujeito, ao lugar que ele ocupou e ocupa na ordem familiar e à herança que cada um recebeu. Neste sentido, admite-se que o sexo e a sexualidade ganharam função e significados de acordo com as culturas humanas.
É importante considerar que, desde cedo, a criança já começa a descobrir afetividades e prazeres. As manifestações da sexualidade começam no início da vida e vão até o seu fim, estando presentes em cada etapa do desenvolvimento humano. Desta forma, não há como isolar esse tema dos diálogos familiares ou educacionais. Tem-se que tratá-lo com seriedade e conhecimento científico, afim de que se amenizem os problemas dele derivados. Por mais inacreditável que possa parecer a depender da crença do professor, acreditem, manifestações de sexualidade começam a aparecer desde os primeiros anos escolares, ainda na educação infantil. Algumas atitudes poderão ser observadas pelo professor em relação ao aluno, como afirma a especialista na citação a seguir.
Nos primeiros anos escolares, as manifestações da sexualidade infantil mais frequente por mais inacreditável que possa parecer (a depender da crença do professor), acreditem, manifestações de sexualidade começam a aparecer desde os primeiros anos escolares, ainda na educação infantil. Algumas atitudes poderão ser observadas pelo professor em relação ao aluno, É preciso que o professor esteja preparado para lidar com atitudes inesperadas que venham a surgir em sua classe. No tocante a metodologia a investigação utilizada nos imputou a necessidade de realizar-se uma pesquisa do tipo Estudo de Caso, que engendra o estudo de um único caso, pois neste o investigador tem o interesse em pesquisar uma situação singular, particular. Para Lüdke & André (1986), são estudos que visam a descoberta com ênfase na interpretação de contextos, utilizam mais de uma fonte na coleta de dados.
Neste sentido, realizou-se a pesquisa de Estudo de Caso na Unidade de Educação Infantil Elcione Barbalho, onde se percorreu os seguintes passos metodológicos: levantamento bibliográfico pertinente à investigação, fichamento do material levantado, observação, entrevista aberta, aplicação de questionário com perguntas abertas, feitura de diário de campo com anotações das observações realizadas em campo e captura de imagens. A partir dos dados colhidos e analisados percebeu-se que as professoras não sabiam lidar com as descobertas que as crianças fazem de seu corpo e das diferenças percebidas do outro (outra criança da mesma sala). O comportamento observado da sexualidade infantil é visto como algo errado e deve ser reprimido, por ser ignorado pelas professoras tal comportamento que faz parte do desenvolvimento infantil, urge a necessidade de conhecer a sexualidade humana e sua e seu desenvolvimento para que as professoras possam intervir de maneira correta com atividades pedagógicas que venham contribuir com o desenvolvimento sadio da sexualidade de cada criança.
2.-DESENVOLVIMENTO INFANTIL NA PRÉ-ESCOLA.
No Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, no seu volume três Conhecimento do Mundo faz alusão ao mundo contido dentro do espaço da Préescola: “diversidade de práticas pedagógicas que caracterizam o universo da Educação Infantil reflete diferentes concepções quanto ao sentido e funções atribuídas ao movimento no cotidiano das creches, pré-escolas e instituições afins” (Brasil, 1998,
p.17). A concepção exposta no RCNEI, Conhecimento do Mundo (Brasil, 1998), faz alusão o que os professores de educação infantil relatam acerca da criança na faixa etária da Pré-escola e com advento da linguagem oral na comunicação entre a criança e seu contato com outras crianças e adultos se torna mais eficaz gradativamente.
A criança no período da Pré-escola encontra-se em desenvolvimento constante e explora o mundo a sua volta buscando resposta para suas indagações. Arnold Lucius Gesell (Moraes et al, 2008 e Meyerhoff, 2014) propõe que os pais deixem seus filhos (as crianças) se desenvolvam sozinhas sem ajuda dos mesmos, pois, tudo surgirá naturalmente. Gesell coloca que é importante estár presente no cotidiano do espaço-tempo de sala de aula da Educação Infantil, mais precisamente na Pré-escola, assim, como este, outros estudiosos que referendam o fazer pedagógico da professora na Educação Infantil.
Pode-se citar outros teóricos e suas teorias que estão presentes no espaço-tempo de sala de aula da Educação Infantil, onde tem-se: A teoria do desenvolvimento desenvolvida por Wallon (apud Souza et al, 2012) tem como eixo norteador a psicogênese da pessoa, ou seja, busca estudar o desenvolvimento do ser humano a partir de uma perspectiva genética pela visão de uma análise comparativa. Neste sentido, “o desenvolvimento da criança se constitui no encontro, no entrelaçamento de suas condições orgânicas e de suas condições de existência cotidiana, encravada numa dada sociedade, numa dada cultura, numa dada época” (Mahoney; Almeida, 2004, p.14). Para Wallon (apud Souza et al, 2012) o movimento é o princípio de tudo, pois é a primeira forma de expressão da criança em se relacionar com o meio que a cerca, é por intermédio do movimento que a criança desenvolve nossa percepção do mundo e do eu corporal e consequentemente do eu psíquico.
Vale lembrar, que Wallon (apud Craidy, 2001) afirma que o desenvolvimento infantil não se dá de forma continua, mas sim descontínua, onde em sua trajetória pode-se perceber rupturas e retrocessos. A cada estágio elencado por Wallon é marcado por uma reformulação continua e não simplesmente uma adição ou reorganização dos estágios anteriores, cada criança tem a sua forma particular de interação entre ela e o ambiente a qual a cerca, consequentemente cada criança é ímpar e se apresentam de forma diferente a seu desenvolvimento. Vygotsky (apud Craidy, 2001) observa que a criança apresenta em seu processo de desenvolvimento de níveis que ele denominou de Real e outro Potencial. O Nível de Desenvolvimento Real refere-se a etapas já alcançadas pela criança, ou seja, a coisas que a criança já consegue fazer sozinha, sem o auxílio de outras pessoas. O Nível de Desenvolvimento Potencial diz respeito à capacidade de desempenhar tarefas com a ajuda de outros. Há atividades que a criança não é capaz de realizar sozinha, mas poderá conseguir caso alguém lhe dê explicações, demonstrando como fazer, neste ponto a importância da Pré-escola se faz latente, pois a orientação precisa do professor faz a diferença no desenvolvimento da criança em sua construção de conceitos e de possibilidades de autonomia diante de seu cotidiano familiar e social.
No lúdico a criança ira aprender o comportamento, valores dentre outros do mundo adulto, é “normal” que se coloque carrinho, bolas, petecas para o menino brincar, enquanto as meninas ficam com o fogão, ferro, bonecas para aprenderem deste cedo que precisam saber quando forem adultas, ou seja, cuidar da casa e dos filhos. Mas ninguém pergunta se essas crianças querem ser moldadas para assumir esta postura rígida de cores, comportamentos, atitudes etc.... que compreende a questão de gênero. Diretrizes Curriculares Nacionais Para Educação Infantil (Brasil,2010, p.12) a criança é “sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.
Valores e ideologia: “É um conjunto de características, que faz parte da sensibilidade de cada um”, mas a professora não deve impor seus valores as crianças;
Experiência profissional anterior: “Cada professor traz consigo as suas experiências anteriores e, muitas vezes, torna-se difícil romper com hábitos antigos”. Cada escola tem sua forma de promover o processo pedagógico, logo o professor deve ter cuidado em querer aplicar métodos e recursos já utilizados em outro espaço no atual em que atua, assim como a escola a criança e diferente e novas estratégias de ensino e de convivencia são necessárias;
Criatividade: “Maior ou menor criatividade”. Os professores pode não ser criativa, mas, ser parceira na aprendizagem da criança, esse é o diferencial no ato de educar; Aspectos pessoais: “A organização do espaço depende das características especificas de cada professor”. Cada um têm sua forma de organizar a sala de aula e relação com a criança.
Professores que confessam uma ideologia religiosa deverá ter em mente que são valores dela e não da criança e está no momento está sob a responsabilidade do educador de cuidar e educar, outro fator, presente a experiências anteriores, pois, ser experiente não é sinônimo de excelência de ensino, cada escola e cada criança é um universo a que deberá ser desvendado para na medida certa o ato educativo ser construido para assim, estabelecer a aprendizagem. No Referencial Curricular Nacional Para Educação Infantil Introdução (Brasil, 1998) discorre acerca da aprendizagem da criança chamando a devida a tenção dos professores para o processo ensino-aprendizagem em sua execução no espaço-tempo de sala de aula. Vale lembrar, que o professor que atua neste nível de ensino este promove o cuidar e o educar no desenvolvimento pedagógico, este se dá dentro de sala de aula e nas áreas que a escola contempla como seu espaço, consequentemente a aprendizagem enquanto processo se dá na escolha correta da metodologia e do recurso utilizado, somado a liberdade de escolha que os professores permitem em suas ações pedagógicas.
2.1.-Sexualidade Infantil Na Pré-Escola.
A orientação sexual em instituições de ensino ainda é um assunto gerador de polêmicas e controvérsias por pais/responsáveis e profissionais da área de educação. É comum assistirmos pais vestirem seus filhos (as) trajando roupas curtas e imitando danças sensuais de grupos de Funk e Aché dentre outros em que os movimentos são apelativos sexuais, consequentemente despertando muito cedo a sexualidade/ erotização da criança sem que ela entenda o que está acontecendo com o seu corpo e com seu comportamento. Neste contexto, a família deverá também ter acesso a uma orientação sexual, para que estes possam saber lidar com a sexualidade infantil de seus filhos no decorrer do desenvolvimento, pois as brincadeiras, a forma de como os pais se relaciona, bem como, o entendimento dos papeis sexuais a serem assumidos fazem parte da aprendizagem infantil que vestirá posteriormente a criança diante da vivencia de sua sexualidade. O desenvolvimento emocional da criança deve ser observado durante a orientação sexual, os pais precisam dar espaço para que as questões sejam colocadas e respondê-las com simplicidade os questionamentos que as crianças fazem sobre sexo, as perguntas infantis devem ser respondidas de acordo com o entendimento da criança, considerando seu nível de maturidade e suas necessidades emocionais. Se as respostas forem insuficientes à criança continuará perguntando ou procurará obter a resposta em outros lugares com outras pessoas. Ao responder para a criança é importante que os pais e professores observem suas atitudes, como: o tom de voz, a segurança nas informações, se estão a vontade ou não, uma vez que todos esses aspectos são percebidos pela criança sob a forma de informação, postura e importância que o adulto dá aquela situação. Nunes & Silva (2000) chama a atenção para os comportamentos que a acriança apresenta na descoberta de sua sexualidade.
Vale lembrar, que a sexualidade antes de qualquer inquietação e/ou surpresa por parte do adulto, se da devido o universo adulto ser erotizado. Mas, para a criança estão mais ligados ao conhecimento, da descoberta e da curiosidade sem a intensão maliciosa. A sexualidade infantil inicia no imaginário dos pais, antes mesmo do nascimento. Assim, pais assumem expectativas em relação a seus filhos, de forma consciente ou inconsciente, sendo uma destas faz alusão à sexualidade da criança. Os pais projetam profissão dos filhos, casamento, vinda de netos, roupas que vão usar, esportes que vão trinar dentre outras coisas. Almeida (2014, p. 10) classifica a curiosidade sexual em: ”1ª curiosidade sexual, auto descobrimento do corpo; 2ª curiosidade sexual eliminação de excreções; 3ª curiosidade sexual, diferenciação dos sexos; 4ª curiosidade sexual, o nascimento; 5ª curiosidade sexual, puberdade; e 6ª curiosidade sexual, adolescência”.
A curiosidade sexual apresentada por Almeida (2014) ilustra o universo de descoberta em que a criança está imersa e procura respostas para suas indagações que a cada dia se torna mais pontual. Os professores que atuam na Educação Infantil deve ter em mente que sua orientação é primordial para que a criança se desenvolva de maneira sadia sua sexualidade sem rótulos depreciativos. Segundo Silva (2014) os professores podem auxiliar na orientação de seus alunos com relação a sexualidade, porém, apresentam uma certa dificuldade em abordar a temática sobre orientação sexual para crianças, pois são desprovidos de preparação e capacitação para o realizarem eficazmente a orientação sem preconceitos e pré-conceitos. Para que se possa entender melhor a sexualidade infantil tem-se que olhar Freud, Wilhelm Reich, Foucault, Suplicy dentre outros que nos dá uma visão mais ampla para analisar de uma forma mais abrangente o olhar infantil e sua descoberta da sexualidade. Freud (apud Nogueira, 2004), apresentou algumas postulações sobre a sexualidade humana, onde temos: a maioria dos pensamentos e desejos reprimidos, estão ligados a conflitos de ordem sexual e a função sexual.
Durante o primeiro ano e meio de vida, aproximadamente, os lábios, a boca e a língua são os principais órgãos de prazer e satisfação da criança: Seus desejos e satisfações são orais. É possível também observar, no dia a dia, a importância, para crianças dessa idade e mesmo mais velhas, dos atos de sugar, de pôr coisas na boca e de morder, como fontes de prazer. Se as necessidades forem satisfeitas, a pessoa crescerá de maneira psicologicamente saudável; se não o forem seu ego será imperfeito. No ano e meio seguinte período em que a criança está sendo ensinada a controlar as fezes e a urina, sua atenção focaliza-se no funcionamento anal. Por isso, a região anal torna-se o centro de experiências frustradoras e compensadoras. Por volta do final do terceiro ano de vida, o papel sexual principal começa a ser assumido pelos órgãos genitais e, em regra, é por eles mantido até a vida adulta. Essa fase do desenvolvimento sexual recebeu o nome de fálica (falo = pênis), pois, o pênis é o principal objeto de interesse para a criança de ambos os sexos.
Nesta fase, merece menção algumas manifestações do impulso sexual. Uma delas é o interesse pelas diferenças anatômicas entre os sexos. A criança deseja ver os genitais das outras, bem como, mostrar. Sua curiosidade e exibicionismo, naturalmente, incluem outras partes do corpo bem como, outras funções orgânicas. Para Freud (apud Nogueira, 2004) e seus adeptos, aspectos extremamente significativos em nosso desenvolvimento pessoal e emocional são determinados durante os primeiros sete anos de nossa vida. Praticas inadequadas de educação das crianças resultarão em prejuízo para o seu ajustamento, quando adultos. Vale lembrar que Freud diz a pulsão sexual é uma fonte constante de estímulos, visando à descarga da energia que, quando “armazenada”, causa um desconforto (princípio do desprazer/prazer). No campo da sexualidade, tal como concebido por Freud, ultrapassa, portanto, a dimensão da genitalidade, ou seja, inscreve-se para além do registro da pura atividade, apreendida como união dos órgãos sexuais com fins na procriação. É por isso que Freud pôde postular a sexualidade na infância, antes mesmo que o aparelho genital tivesse adquirido sua maturação final, ou seja, independentemente de uma determinação puramente biológica (Santiago, 2005).
É lá no período da Pré-escola que a criança apresenta as primeiras indagações acerca da sexualidade. Os professores que melhor souberem as fases descritas por Freud pode melhor orientar suas crianças sem fazer caras e bocas de nojo ou de repressão, pois a mesma saberá que apenas que é uma fase de desenvolvimento e que vai passar, mas para tanto se faz necessário propor medidas pedagógicas adequadas junto a criança para que ela se desenvolva de forma sadia. Rufo (2005) lembra que as crianças têm sexualidade porque sofrem pulsões sexuais e buscam satisfações de natureza erótica, o que é evidenciado em comportamentos como mamar, morder, controle esfincteriano, brincar, falar palavrões, descobrir-se, tocar-se, identificar-se dentre outros. É claro que tais colocações vão ficar mais evidentes no momento em que a criança frequenta a escola, pois lá ela terá mais liberdade de descobrir o que ela precisa saber sobre si e o outro.
Willelm Reich (apud Nogueira, 2004) apresentou algumas ideias que para sua época era considerado uma loucura ou aberração. Em seu tempo predominava a repressão contra a liberdade sexual. O sexo era reprimido como algo pecaminoso. Por isso, não se falava nem na escola, nem na família sobre sexualidade. O psicanalista, foi contra essa repressão, para ele era necessário, uma educação sexual aberta, onde a escola deveria ser um dos locais de discussão da temática sexualidade. Ele chamava de “miséria sexual” a falta de informação sobre o sexo, que leva a falta do controle de natalidade e os preconceitos e tabus. Afirmava que a vida pessoal e social das pessoas gira em torno da sexualidade, defendendo a ideia de que todo jovem deveria ter informações claras e precisas sobre sexo (sexualidade).
Falava-se em uma “politização do sexo” e defendia a educação sexual em massa, estabelecendo uma relação entre a Psicanálise, e os problemas sociais, considerando a realidade histórica da sociedade, afirmando que a vida pessoal e social das pessoas gira em torno da sexualidade. Queria trazer aos jovens, sob uma forma clara e precisa, informações sobre um assunto que o pudor burguês recobriu sempre com um véu: o papel da sexualidade, da sua repressão, da sua utilização na sociedade capitalista. Segundo Reich (apud Nogueira, 2004) é isso que nos leva a dissociar “corpo e mente” e nos aliena, dificultando o desenvolvimento de cuidados e respeito pelo nosso corpo e do outro, conduzindo à dependência química, à gravidez não desejada e às doenças, consequentemente aos males que sociais e individuais encontra-se sujeito. Foucault (apud Peres, 2002) em análise dessa busca da verdade sobre o sexo, da formação de um certo tipo de saber sobre o sexo, deve ser feita sob o viés do poder, não um poder que funcione pelo direito, mas pela técnica, não pela lei; mas pela normalização; não pelo castigo, mas pelo controle. O poder é onipresente porque se produz a cada instante, em todos os pontos, em toda relação: Ele está em toda parte não porque englobe tudo, mas porque provém de todos os lugares, sendo um desses a escola.
A relação sexo (sexualidade) é uma relação direta de poder, de dominação do outro, para Foucault o Estado domina o indivíduo por intermédio do sexo, pois este implica em prazer e satisfação que por sua vez tem a ver com procriação, aumento da população dentre outras coisas se o Estado domina a sexualidade dos indivíduos é claro que irá dominar os próprios indivíduos e o faz através do discurso das igrejas, das instituições de ensino, pela família dentre outras instituições. Suplicy (1990) uma criança pode começar a mostrar interesse pelo sexo aos 2 ou 3 anos de idade. O fato que muitos adultos (pais e/ou responsáveis) acreditam que evitar o assunto (falar de sexo) é uma forma de proteger a inocência da criança, não ter a devida informação não lhe faz inocente, mas um ignorante. A autora nos relata as seguintes indagações acerca da Educação Sexual para as crianças: tem esse poder de retirar a ingenuidade delas? Existe o risco de um(a) garoto (a) se tornar uma pessoa erotizada precocemente? Pais e professores o adulto em geral tem a ideia que Informar e/ou educar uma criança sobre sua sexualidade é erotizá-la cedo, pelo contrário informar irá tirá-la da ignorância, mas não a sua inocência. O sexo e a sexualidade não devem ser concebidos como algo sujo e impuro, como se não fosse algo normal ou ainda como se não fizesse parte do desenvolvimento humano. Quando o adulto seja pai ou professor (a) encara a sexualidade infantil como algo natural o mesmo propicia o desenvolvimento sadio da mesma dando-lhe condições de uma vivencia sexual sem preconceitos e pré-conceitos.
3.-SEXUALIDADE: ANALISANDO OS DADOS.
O acompanhamento das atividades realizadas pelo professores dentro do espaço tempo de sala de aula de Unidade de Educação Infantil Elcione Barbalho, sito Cidade Nova VIII s/n, Ananindeua na mediação e/ou orientação da descoberta da sexualidade das crianças de 4 e 5 anos, nos fez escolher o Estudo de Caso como metodologia de pesquisa. O Estudo de Caso é caracterizado por um estudo intensivo, levando em consideração a compreensão como um todo da temática investigada (Fachin, 2001). A metodologia Estudo de Caso nos conduz a abordagem qualitativa, que tem sido frequentemente utilizada em estudos voltados para a compreensão da vida humana em grupos, em campos como da: educação, Sociologia, Antropologia, Psicologia, dentre outras das Ciências Sociais (Aragão & Sango, 2000). Teve-se como objeto de investigaçãoos procedimentos pedagógicos desenvolvidos dentro do espaço-tempo de sala de aula da Educação Infantil, mais precisamente Jardim I e II na mediação da descoberta da sexualidade infantil. A investigação envolvendo a diretora, coordenadora e três professoras da Unidade Educação Infantil Elcione Barbalho. Utilizou-se na coleta de dados durante os meses de agosto a outubro do corrente ano. Utilizando os seguintes instrumentos e técnicas: A observação, entrevista aberta, aplicação de questionário com perguntas abertas efeitura de diário de campo com anotações das observações realizadas em campo. Durante o período pode-se perceber algumas ações pedagógicas realizadas na Unidade por parte das professoras e comportamentos das crianças, para melhor expor os dados colhidos elencou-se sete categorias, que seguem abaixo:
Hora do lanche: conduzia-se as crianças a uma espécie de lavatório (tanque), outra professora colocavam um pouquinho de sabonete líquido (neutro) na mão da criança e pedia para ela lavar as mãos com auxílio de outro professora que já se encontrava no local, outra professora dava-lhes toalhas de papel e os enfileirava para após o último lavar as mãos dirigia-lós para o refeitório. A turma toda composta de 35 crianças sendo 22 meninas e 13 meninos, as crianças demonstravam ter muito respeito por uma das professoras;
Sala de aula: Crianças em sala, uma das professoras pedia-lhes que mostrassem seus desenhos e o que era cada um, acontecido algo muito engraçado um garoto me falou que desenhou uma árvore, uma casa, o pai, a namorada e a mãe, perguntei pra ele porquê da namorada ao lado do pai e ele me respondeu: que o pai dele dorme de noite com a mãe dele e de dia com a namorada, perguntei o que ele achava disso e ele baixou a cabeça e me disse que era triste, pois, o pai dele não ia buscá-lo porque estava sempre na casa da namorada e que a mãe dele também ai arranjar um namorado;
Indagação infantil: Conhecendo outras crianças que nos amostraram seus desenhos veio outra bem curiosa seu nome era Ayla (nome fictício), tinha 4 anos, ela foi quem nos entrevistou, perguntou meu nome, se eu tinha filhos e quantos, os nomes dos meus filhos, seu era casada e onde eu morava, porque que eu usava batom, porque a mãe dela, não a deixava usar, mas que ela tinha uma irmã do tamanho da professora X que usava batom, brinco, cordão e saia sozinha. Relatou que gostava de brincar de se pintar se arrumar para sair;
Só de olho: Retornando para a área do refeitório observou-se que uma garotinho de idade entre 5/6 anos saiu da sala e foi até o banheiro e voltou direcionando-se até a Senhora responsável pela limpeza e falou-lhe algo e que se dirigiu a um armário e retirou um rolo de papel higiênico e entregou ao garotinho que retornou ao banheiro mais uma vez, com um certo tempo passado o garotinho retornou e devolveu o rolo de papel higiênico a Senhora, que perguntou algo e pediu pra olhar as mãos e as cueca, ela retornou com ele ao banheiro e logo em seguida direcionou-o a sala, perguntou-se a ela o porquê de ela retornar com o garoto, ela me respondeu que ela não havia lavado as mãos e a cueca estava torta, perguntei a ela se acha que esse serviço cabia a quem? E ela me respondeu que acreditava que as professoras;
Organização no refeitório: Retornei a Unidade no momento da hora que as crianças iam fazer as refeições, uma senhora da cozinha arruma a mesa com louças de plástico, com suas respectivas comida servida e suco no copo cada, criança ocupa um determinado lugar e é dividido Pré I, para um lado e Pré II, para o outro lado, as professoras sentam em uma mesa também no refeitório e lá fazem suas refeições também, só que quem auxiliam as crianças nesse tempo são as pessoas da copa e do serviço gerais;
Obediência e lazer: O tempo de recreação é de 20 minutos e cada professora entra pra sua sala e os alunos vão se dispersando até sobrarem apenas as pessoas que irão limpar e recolher as louças, as crianças após a refeição ficam muitas vezes perambulando pelo corredor até que a senhora do Apoio coloca cada criança em sala,
ou seja, não há uma devida atenção de todas as professoras com os alunos, principalmente das turmas do Pré – II;
Cuidar: Discorrer sobre rotina na escola é complicada, já que muitas das professoras reclamaram da falta de pontualidade dos responsáveis, muitas relataram que tem crianças que chegam à Unidade 09h:00’/10h:00’/10h:30’ e na hora de buscar muitas vezes tem que ligar para os responsáveis e lembrar que a crianças ainda se encontram na escola e que nas reuniões de pais e mestres sempre há debate pela falta de pontualidades dos responsáveis, a gestora comentou que já teve que comunicar o conselho tutelar por falta de responsabilidade da família com a criança e que a criança sofria maus tratos e que muitas das vezes pedia para morar na escola e até mesmo com a o professora.
A partir das entrevistas junto a direção e técnica e aplicação de questionários junto as professoras percebeu-se algumas posturas preconceituosas junto a crianças que apresentavam comportamentos diferentes de seu gênero. Pode-se perceber dois meninos com comportamento afeminado e uma menina com comportamento masculinizado, o intrigante era que as crianças não viam como algo extremamente estranho e que deveria ser rotulado de forma negativa, mas as professoras iniciaram o rótulo de “viadinho” e “sapatinho”, tais rótulos se davao por falta de informação de uma postura rígida religiosa de pré-conceitos estabelecidos. Segundo Fernandes (apud Ribeiro, 1990), Impedir o conhecimento, seja por valores rígidos ou em nome da 'moral' e dos bons costumes em nada beneficia a criança; ao contrário, pode provocar sérios bloqueios de aprendizagem, porque impede o desenvolvimento da curiosidade pelo saber e a espontaneidade. Uma das professoras que atua na Educação Infantil, nos relatou em conversa informal que no princípio deste ano e o passado ocorreu algumas situações no mínimo intrigantes entre as crianças do Pré-II onde duas meninas iam para debaixo da mesa para se tocarem, um adas professoras viu e contou para os pais que acabou batendo em uma das meninas e outro era um menino que além de não gostar de se vestir como menino assumia um papel completamente de menina. O fato que as o universo escolar e seus atores não estão preparados para as descobertas infantis.
A falta de informação propicia este comportamento retrógado e agressivo junto à criança fazendo com que os pais /responsáveis reproduzam a ignorância também. Na Educação Infantil o professor deve se preocupar com a formação da criança e não apenas com a informação/instrução, dando a criança liberdade para ser o que ela deseja sob sua orientação. Lapierre & Aucouturier (1986) afirmam que o diálogo corporal é o ponto de partida para a comunicação com o mundo. Onde defende que a vivência afetiva como base para integração das funções racionais, diferenciando a afetividade primitiva e ‘natural’ e da afetividade artificial. Na afetividade artificial a criança tem a necessidade/desejo do sucesso proveniente do ser valorizado aos olhos do adulto; medo do fracasso e da desvalorização. Quando a professora relatou o corrido aos pais/responsáveis e estes por sua vez agrediram a criança em sua intimidade provocou nas crianças medo, raiva, intolerância, fracasso dentre outras sensações negativas e o que é mais desagradável nesta relação “educativa” as crianças não entenderam o porquê de tanta repressão de algo que surgiu normalmente.
Outro fator que deve ser levado em consideração no momento da possível intervenção da professora na ação diante do afloramento da sexualidade infantil é há um princípio norteador da proposta pedagógica que deve ser respeitado, pois é um norteador que compõe o seu direcionamento na Diretrizes Curriculares Nacionais Para Educação Infantil (Brasil, 2010, p. 16) este documento afirma: “Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao bem comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identidades e singularidades, Políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática e Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais”. A escola não respeitou os princípios éticos, políticos e Estéticos quando só comunicou os pais/responsáveis e este agrediu os seus filhos por ignorância, pode-se até aceitar que os pais/responsáveis por não entender agrida, mas o professor não, pois se este ignora a informação sobre a sexualidade infantil, este deve buscar a devida apropriação para que não ocasione frustação no ser em desenvolvimento.
Somente duas professoras do universo de quinze fazem de fato algum trabalho de descoberta e orientação da sexualidade infantil, isto nos faz lembrar a colocação de Foucault (1977, p70) “O caso é o indivíduo tal como pode ser descrito, mensurado, medido, comparado a outros e isso em sua própria individualidade; e é também o indivíduo que tem que ser treinado ou retreinado, tem que ser classificado, normalizado, excluído”. As outras professoras não desenvolvem trabalho por desconhecer a sexualidade infantil, bem como, o que fazer para auxiliar as crianças em suas descobertas e faze-las progredir em suas escolhas. Maia & Spaziani (2010, p. 69) “O desenvolvimento psicossexual leva as manifestações prazerosas relacionadas às zonas erógenas, o que torna compreensível a curiosidade das crianças em torno do próprio corpo e da sexualidade, já que estas manifestações fazem parte de seu desenvolvimento”. Gradativamente a criança irá se descobrir diante de si e do olhar do outro, são passos de entendimento que serão dados de maneira rápida, ou muito lenta, pois cada criança terá a sua forma particular de buscar e de saber sobre a sua sexualidade. Como a professora afirma que é a favor da orientação sexual na escola, mais precisamente na Pré-escola e esta deve perpassar primeiramente pelos pais/responsáveis, pois as diferenças entre os corpos as crianças já percebem e querem saber é natural o que não é natural é o adulto ignorar o fato da curiosidade infantil. Vianna & Finco (2009, pp.268-269) na perspectiva sociocultural permite-se perceber e/ou“centrarmos nosso olhar nas formas de controle do corpo infantil, um processo social e culturalmente determinado, permeado por formas sutis, muitas vezes não percebidas. Poderíamos, então, dizer que as características tidas pela tradição como naturalmente masculinas ou femininas resultam de esforços diversos para distinguir corpos, comportamentos e habilidades de meninas e meninos”. Pode-se perceber o quanto pode-se se fazer no desenvolvimento da orientação da sexualidade infantil, pois as brincadeiras e os estereótipos que as crianças esboçam denotam suas escolhas e seus possíveis perfis sexuais e que a orientação adequada das professoras é um fator decisivo na escolha infantil em seu desenvolvimento de sua sexualidade.
4.-CONSIDERAÇÕES FINAIS.
Ao término da investigação foi possível ter uma visão maior acerca da sexualidade infantil e seu despertar no contexto do espaço-tempo de sala de aula. A percepção da Unidade de Educação Infantil Elcione Barbalho, nos trouxe saldos qualitativos no que diz respeito a orientação sexual para crianças na Pré-escola, ou seja, o que já foi realizado e o que precisa ser realizado junto as professoras para que possam não só se adequar, mas tornar-se compromissada consigo mesmas e com o universo social a qual fazem parte. Vale lembrar, que interagir, não é somente colocar em prática no espaço sala de aula, mais transcender deste ato simplista ao encontro da aceitabilidade de todos os atores que compõe a sociedade no processo ensinoaprendizagem escolar e que este é feito por pessoas diferentes (gênero, orientação sexual, etnia, credo dentre outros). Percebeu-se que existe deficiência quanto o trabalho pedagógico realizado pelas professoras com relação à sexualidade infantil, a maioria delas acreditava que sexualidade deveria ser algo trabalhado em casa pelos familiares.
Percebeu-se que sexualidade na infância ainda é um assunto mal trabalhado e/ou fazse com dificuldade o trabalho de orientação sexual. Outro fator percebido é que a uma deturpação do que venha a ser orientação sexual na escola, há uma falta de conhecimento adequado do desenvolvimento infantil e a sua descoberta da sexualidade, consequentemente se estabelece preconceitos e pré-conceitos por parte dos professores e pais/responsáveis das crianças. Para ilustrar melhor citam-se aqui exemplos clássicos quando a criança pergunta: Professora como eu nasci? Porque João é diferente de mim? O papai tem um negocio no meio da perna o que professora? Ou ainda, o menino deseja urinar sentado e a professora não deixa, pois menino urina em pé, essas indagações que é explicar a uma criança aquela famosa pergunta mamãe como eu nasci?
Da mesma forma, os Questionamentos das crianças não devem ser respondidos com mentiras. Não diga a criança que ela nasceu de uma sementinha e que muito menos foi à cegonha que a trouxe, mas faça a ela a pregunta. Como você acha que nasceu? E se caso ela dizer que não sabe, você diz a ela, olha você nasceu da minha barriga e como você saiu da minha barriga, ai sim você se aprofunda um pouco e diz a mulher tem três buraquinhos: um por onde sai o coco, pois ela já sabe o que é coco, um por onde sai o xixi e outro por onde sai os bebês, você não precisa ensinar que homem e mulher namoram ele só quer saber como ele nasceu e como ele saiu e se for cesariana você diz cortaram minha barriga e você saiu, a criança logo no início vai ficar assustada e pensar que machucou a mãe, mais nada que não se tenha uma resposta: só que já sarou e simples assim. Porque quando ela chega a lhe perguntar é porque ela já escutou essa pergunta fora de casa com uma ou um amiguinho ou de crianças mais velhas etc e toda a informação que ela escutar fora de casa ela vai perguntar aos pais ou professora por ser pessoas que vivem no dia a dia da criança que é quem ela confia, se ele perguntar a algum deles e não souberem responderem ou ficarem com vergonha, elas vão pensar assim, tem alguns assuntos que eu não posso falar em casa ou na escola.
A dificuldade de falar muitas das vezes sobre sexualidade com as crianças gera um escudo entre as crianças, por medo de serem repreendidos e os adultos por muitas das vezes não saber como falar, então cabe a todos os pais e professores que temos o dever de construir ou formatar essa personalidade, ensinando, injetando conhecimento, afeto e tudo mais que a gente sabe que é necessário, ou seja, eu preciso a partir de mim ter a naturalidade de lida com determinados assuntos que vá envolver meus filhos ou alunos, essa dificuldade talvez por não ter sido nos ensinado da maneira certa. Esse assunto aqui tratado somente diz respeito a construir uma criança sexualmente bem resolvida quanto a sexualidade independente de ser menino ou menina laços afetivos são importantíssimos para essa construção. Contudo, as professoras poderam rever suas posturas diante da sexualidade infantil e também de prover metodologias e recursos mais adequados para intervir de maneira segura sem causar estranheza na criança acerca de sua sexualidade, com mais condições e entendimento.
Referências
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