Plágio no ensino superior: por que? e como ocorre?
Plágio no ensino superior: por que? e como ocorre?
Revista Internacional de apoyo a la inclusión, logopedia, sociedad y multiculturalidad, vol. 2, núm. 3, 2016
Universidad de Jaén

Recepção: 01 Março 2016
Aprovação: 30 Junho 2016
Resumo: O presente artigo trata-se de uma discussão acerca do plágio no meio acadêmico, para tanto parte dos dados aqui apresentado da dissertação de mestrado apresentada na Universidad de La Empresa -UDE - Uruguai. Teve-se como campo de investigação a Faculdade de Belém, optou-se por realizar uma pesquisa do Tipo Estudo de Caso sob a ótica da abordagem qualitativa, tendo os dados colhidos analisados por intermédio da técnica analise do conteúdo, tendo como foco da investigação professores e alunos. O foco da investigação é saber o porque e, como os alunos utilizam-se o plágio em seus trabalhos acadêmicos. Percebeu-se que os professores não sabem o porque do uso exacerbado do plágio pelos alunos na elaboração dos trabalhos acadêmicos e os alunos afirmam que não são orientados de fato e de direito na construção de seus trabalhos acadêmicos. Observou-se que há a necessidade de um acompanhamento técnico dos professores e alunos na elaboração dos trabalhos acadêmicos, que viabilize um suporte teóricometodológico que venha dar condições a ambos de construírem juntos os trabalhos acadêmicos.
Palavras-chave: Plágio, crime, internet.
Resumen: Este artículo trata de es una discusión de plagio en el mundo académico, tanto de los datos que aquí se presentan tesis de maestría presentada a la Universidad de La Empresa - UDE - Uruguay. Tenido como un campo de investigación de la Faculdade de Belém, se decidió llevar a cabo un estudio de caso forma de buscar desde la perspectiva del enfoque cualitativo, con los datos recogidos y analizados mediante la técnica de análisis de contenido, centrándose en los maestros y estudiantes de investigación. El foco de la investigación es saber por qué y cómo los estudiantes usan al plagio en su trabajo académico. Se observó que los maestros no saben por qué el uso excesivo de plagio por los estudiantes en la preparación de documentos académicos y estudiantes dicen que no están orientados de hecho y de derecho en la construcción de su trabajo académico. Se observó que existe una necesidad de un control técnico de los profesores y estudiantes en la preparación de documentos académicos, que permite un soporte teóricometodológico para llegar a un acuerdo para construir juntos tanto el trabajo académico. Palabras – Clave: El plagio; crimen; internet 1.-INTRODUÇÃO.
Plágio no ensino superior: por que? e como ocorre?
1.-INTRODUÇÃO.
A prática do plágio tornou-se um problema na educação em vários países da aldeia global, que revela o mau uso da internet, a agilidade para encontrar os mais diversos temas, a pesquisa rápida e de fácil apropriação, estariam contribuindo, também, para a prática do plágio no Brasil. Mas para Moraes (2004), advogado autoralista, acredita que o plágio não ocorre somente pela facilidade ao acesso das pessoas às obras na internet, ele atenta para falta de ética do ser humano e o acusa de ser o grande responsável pelo plágio na sociedade.
Se a questão é ética ou não, alguns estudos avançam na intenção de buscar respostas para o plagio no Ensino Superior em vários países do mundo. A questão é tão séria, que já atingiu cidadãos de cargos governamentais, como o caso da Ex-Ministra da Educação da Alemanha - Annette Schavan -que renunciou ao referido cargo, ao ser acusada em fevereiro, de 2013, de plágio pela Universidade de Dusseldorf, onde realizou seu doutorado. Diante a comprovação da ilegalidade cultural, Annette perdeu o título de doutora e renunciou ao cargo de ministra da educação. O fato se deu, após terem sido usados farejadores de Plágio da internet, programas para detectar os tipos de plágios.
O Plágio se espalha pelo mundo é não é um problema isolado. Brunat (2011) informa que na China, conforme pesquisa do jornal China Daily, divulgada na edição de 2006, 60% dos estudantes de doutorado daquele país, reconhecem que já copiaram o trabalho de outra pessoa. No Brasil o plágio é considerado crime pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1988. Mas o que chama a atenção para o crime de plágio no Brasil é que o estudante é sempre responsabilizando pela má conduta. Por isso, este trabalho abre um debate, também, sobre a postura das instituições de ensino que não, assumem sua parcela de culpa no processo quando são detectados plágios nos trabalhos de seus académicos.
2.-PLÁGIO NO ENSINO SUPERIOR.
Vóvio (2013), compreende que as novas tecnologias digitais e a internetsão os novos meios para produção e circulação de conhecimentos. O que reforça a tendência que não há como pensar em uma nova educação sem o importante papel da ferramenta chamada internet. Para Krokoscz (2011), o Brasil precisa aprofundar seus estudos sobre a questão do plágio por intermédio no ensino superior, pois, por enquanto os indicativos apontam a prática como infração ética é penal, eles deixam de fora questões educacionais.
Vale lembrar, que Christofe (1999), destaca a importância da metodologia científica presentes em todos os cursos do nível superior, oferecendo a instrumentalização técnica aos estudantes na produção de textos com as corretas citações. Fato que para o autor reduziria a incidência de plágio no Ensino Superior, mais precisamente em uma Faculdade de Belém, do Estado do Pará - Brasil, que por questões de ética na pesquisa optou-se por omitir o nome da Instituição.
Manso (1987), explica, por exemplo, que a palavra plágio já era conhecida no segundo século antes de Cristo. Nesse período, uma lei romana, utilizava-se do termo para definir o sequestro de pessoas consideradas livres e que eram detidas, para serem escravizadas. Ainda segundo Manso, o poeta romano Marcus Valerius Marcialis, que usou o termo “plagium” para casos de apropriação de obras já produzidas por outros.
A primeira lei específica sobre direito autoral, data de 1710, e entrou em vigor no Reino Unido. A lei tornou-se conhecida como tratado de Anne. Uma referência à rainha Anne da Inglaterra. Mas, nos relatos da história, o plágio nem sempre foi considerado plágio ou tampouco um crime, como assim o é entendido nos dias atuais. Antes do Iluminismo, movimento que ganhou forças na Europa, durante o século XVIII e que defendia a aplicabilidade da razão, o plágio era aceito e utilizado para difundir pensamentos e afirmações.
Silva (2008) relata muito bem esse período da história destacando um trecho da produção científica do Critical Art Ensemble (2001), onde fica evidente que, no período que antecede o iluminismo,
(...) o plágio tinha sua utilidade na disseminação das idéias. Um poeta inglês podia se apropriar de um soneto de Petrarca, traduzi-lo e dizer que era seu. De acordo com a estética clássica da arte, enquanto imitação, essa era uma prática perfeitamente aceitável. O verdadeiro valor dessa atividade estava mais na disseminação da obra para regiões onde de outra forma ela provavelmente não teria aparecido, do que no fortalecimento da estética clássica. As obras de plagiadores ingleses como Chaucer, Shakespeare, Spenser, Steme, Coleridge e de Quincey ainda são uma parte vital da tradição inglesa e continuam a fazer parte do cânone literário até hoje. (Criticalart Ensemble, 2001 apud Silva, 2008, p. 359)
No oriente, onde vivem civilizações milenares, o plágio está incorporado no processo de ensino e aprendizado. A imitação e a cópia formatam os primeiros caminhos da produção naquela parte do mundo. Mas, há que entenda o plágio como uma doença do comportamento. Schneider (1990), fezum levantamento histórico com o olhar da psicanálise e concluiu que, o plágio tem uma história complexa e contraditória e termina seus estudos, atribuindo o fato a um problema de personalidade e definindo o ato de plagiar como uma patologia,
O plágio é uma doença, uma espécie de sonambulismo que não é nem o sono daqueles que não escrevem, nem a insônia do escritor. Involuntário, ele é uma alteração da memória, forte o bastante para reter a lembrança de uma leitura. Voluntário, ele assinala ainda uma doença, da moralidade, na melhor das hipóteses, da criatividade, na pior; em todo caso, um distúrbio da identidade. (Schneider, 1990, p. 156).
Um problema ético, jurídico, comportamental e pedagógico, de fato os três podem formar uma conjuntura sobre o tema. O ético quando passa pela pessoa do plagiado a falta de conduta durante a produção científica. Jurídico, porque a lei encampa o problema e traz uma sanção social para o infrator e pedagógica, porque as Instituições de ensino também têm sua parcela de contribuição já que são ambientes que propiciam a educação e a informação. Com base nesse contexto sócio histórico, no Brasil o fenômeno plágio passou a ganhar destaque mesmo, quando professores começaram a detectar o problema em vezes recorrentes, fato bastante comum na Faculdade lócus de investigação onde foi aplicada pesquisa entre professores e alunos, na intenção detectar responsabilidades e não culpados, mas sim buscar o porquê do uso do plágio na elaboração dos trabalhos acadêmicos.
Levando-se em consideração um olhar amplo sobre o tema, o fato é que o plágio é uma realidade crescente e apresenta casos em diferentes modalidades. Nada escapa a tentativa de apropriar-se de teorias científicas, de letras de músicas, de equipamentos tecnológicos, de peças automotivas, de textos literários, de produções científicas, de espetáculos teatrais, de programas televisivos, de textos jornalísticos.
Na academia Christofe (1998), aponta para outro tipo de plágio, a modificações de textos, tendo como a base o texto já concebido por um autor e modificado nas palavras e não na essência. A chamada, intertextualidade. O que segundo o autor não leva ao crescimento científico, pelo contrário, ele cita esse método como uma jornada empobrecedora da produção cultural. Existem vários tipos de plágios. Segundo Garschagen (2006), eles dividem-se em três diferentes tipos: o Integral, quando todo o conteúdo é copiado e a fonte não é citada. O Parcial, também definido por colagem, quando trechos são retirados e não são citados os autores e o plágio Conceitual, que utiliza a essência do autor e tem sua forma distinta da original. No Brasil, os formatos históricos da educação formal, remetem inicialmente ao plágio como afirmara Garschagen (2006). Desde as bases educacionais os estudantes são estimulados indiretamente a reproduzir, copiar, transcrever, colar e em muitos casos, a não opinar sobre os temas pesquisados. Quem não se lembra das antigas cópias, das pesquisas do descobrimento do Brasil que eram cópias integrais do que constava nos livros, sem expressão pessoal e tampouco produção crítica e analítica própria. Onde não se aplica a necessidade da citação, do respeito à autoria e regras de plágio.
No Brasil plágio é considerado crime. No dicionário da Língua portuguesa, Aurélio, Plágio é definido como: “Assinar ou apresentar como seu, a obra artística ou científica de outrem”. Quanto à etimologia da palavra plágio: vem do grego (através do latim) ‘plágios’, que significa “trapaceiro“, “obliquo“. Uma imagem reconhecível, mesmo dentro de outra, mesmo alterada, editada ou digitalizada, apresentada de forma reconhecível, é considerada como plágio.
Entretanto, foi a partir de 1998, que atividade de Plágio passou a ser considerado crime, depois da promulgação da Lei Federal n.º 9.610, de 19/02/1998, que trata do Direito Autoral no Brasil e define as seguintes diretrizes:
Obras intelectuais são as criações do espírito de qualquer modo exteriorizadas. O autor é sempre pessoa física, e os direitos autorais são bens móveis. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra por ele criada. Os direitos morais são inalienáveis e irrenunciáveis. Cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor de sua obra e depende de sua autorização a reprodução parcial ou integral, a adaptação, a tradução, a inclusão em outras mídias, a distribuição, a utilização mediante reprodução, exposição etc. No exercício do direito de reprodução, o autor poderá colocar à disposição do público a obra, na forma, local e pelo tempo que desejar a título oneroso ou gratuito, de acordo com sua vontade. Ninguém pode reproduzir ou modificar a obra sem autorização do autor (grifos meus) (Brasil, 1998, s/p.).
2.1.-Por quê? E como ocorre o plagio no ensino superior?
Em análise aos termos constituídos, com regras claras e bem estabelecidas pela lei, iniciou no Brasil em 1998, uma verdadeira corrida para adaptar-se ao que foi por ela determinado. Entretanto, sem esclarecimentos reais, as escolas, as faculdades e as universidades passaram a usar a lei como escudo protetor, eximiram suas responsabilidades e iniciaram uma verdadeira ‘caça às bruxas’ no que se refere ao plágio. Apesar do distúrbio eletrônico que acomete a má utilização da internet na feitura de plágios nos trabalhos acadêmicos. O fato é que do plágio na internet, está sendo estudado na esfera do Ensino Superior, que forma meio pode ser combatido, há quem afirme que esse problema antecede a entrada nas universidades e faculdades. A USP Campus São Carlos dispõe um site denominado Portal Escrita Cientifica que indica a professores orientadores de trabalhos científicos, bem como, pesquisadores de diferentes áreas de pesquisa um softwareanti-plágio é uma ferramenta que a instituição de ensino superior pode lançar mão para identificar suspeita de plágio em documentos disponíveis na Internet e/ou produzidos em suas instituições por professores e alunos.
No mundo acadêmico alunos fogem da responsabilidade da feitura do plágio afirmando que não sabiam o que estavam fazendo por desconhecer as regras da ABNT, ou ainda, que desconheciam a legislação dentre outras desculpas não plausíveis, pois dizer que algo é de sua autoria sem ser, todos sabem que é errado. O plágio é uma questão ética ou moral? É discutida por La Taille (2006) e este discorre afirmando que o indivíduo que burla as regras sociais /institucionais mesmo sabendo que pode haver sansões contra ele, o impulso incontido de levar vantagem diante do outro somado ao desconhecimento da legalidade e/ou das regras da ABNT promovem em nosso caso o uso do plágio na academia seja na graduação ou nos cursos de pós-graduação.
No site do UOL Educação (TRAPAÇAS: 15 CASOS FAMOSOS DE COLA E PLÁGIO ACADEMICO, 2016) Expõe 15 casos famosos de Plágio no mundo cientifico, citou-se aqui alguns:
-No ano de 2013, graduandos da Universidade Pública de Navarra - Espanha, assinaram um documento do ato da matricula se comprometendo de não realizar plágio, pois no ano anterior a Universidade contabilizou 45% dos estudantes realizaram plágio;
-A Universidade de Harvard – EUA expulsou 60 alunos de um total de 125 investigados por cometem plágio;
-No ano de 2011 a USP – Universidade de São Paulo, uma das mais importantes Universidade brasileira demitiu um professor por plágio;
-A UFPA - Universidade Federal do Pará - Protagonizou um plágio realizado pelo entomólogo Leonardo Gomes por ter copiado em seu artigo cientifico partes integrais de livro sobre o tema. A Revista Neotropical Entomology cancelou a publicação; -O vestibular da UFAC – Universidade Federal do ACRE- foi cancelado por fazer plágio em 2008, das 15 das 85 questões objetivas são cópias idênticas;
-Na Alemanha o então Deputado Social – Democrata Frank-Walter Steinmeier é plágio sua tese de doutorado (ainda encontra-se sob investigação). O trabalho fora sobre “os sem teto” 1991 sendo investigado em 2013, também no mesmo país e no mesmo ano a Ministra de Educação Annette Shavan renunciou ao cargo após ter sido acusada de plágio em sua tese o feito se deu em 2011 no mesmo ano o Ministro da Defesa Karl-Theodor Zu Guttember perdeu sua indicação a chefe de governo por suspeita de plágio;
-Na Hungria no ano de 2012 o Chefe de Governo Húngaro Pál Schmitt renunciou ao cargo por suspeita de plágio;
-No solo brasileiro o então político e escritor Gabriel Chalita (PMDB-SP) plagiou tese para concluir dois mestrados realizados na PUC-SP;
-O professor espanhol Francisco Alonso plagiou em seu livro o trabalho de sua aluna de doutorado, consequentemente perdeu o cargo de professor na Universidade de Murcia.
Os dados acima expõem uma situação alarmante sobre o plágio, pois no remete sempre que alunos de graduação seriam plagiadores, mas percebe-se que os fatos nos remetem que se encontra em qualquer esfera do mundo acadêmico. A academia deve (re) ver a sua forma de produzir /elaborar redação cientifica refletir sobre o fazer ciência para que o plágio não seja o primeiro recurso a ser apropriado na produção do conhecimento, ou melhor, dizendo na reprodução.
3.-O PLÁGIO NO MEIO ACADÊMICO: DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.
Percebe-se de fato o problema do plágio no meio acadêmico, lançou-se mão do tipo de metodologia Estudo de Caso sob a ótica da abordagem qualitativa, apoiando-se na leitura e análise dos dados por intermédio da técnica Analise do Conteúdo (AC) de Bardin(2009,p121) nos diz que para o uso AC como método de análise dos dados colhidos em campo junto aos autores que compõem o universo da investigação, assim deve seguir uma organização sistematizada que confere em diferentes fases distintas organizam-se:” 1. A pré- análise; 2. A exploração do material; e, por fim, 3. O tratamento dos resultados: a inferência e a interpretação”.
As fases seguidas nos rendeu o (re) conhecimento de categorias com relação ao professor e aluno:
-Professor-Não to nem ai: identificou-se este profissional como sendo aquele que sabe as regras da construção textual acadêmica, mas não preocupa-se em ensinar seus alunos, pois, estes devem saber. Não procura passar no anti-plagio os trabalhos dos alunos;
-Professor-Preocupação: este é apontado pelos alunos como aquele que sempre revisa continuamente os trabalhos e pede itens que não foram explicados. Este algumas vezes investiga se o trabalho é plagio ou não;
-Professor-plugado: este professor é o profissional que solicita e ensina o alunado a responder as normas dos trabalhos científicos e ainda preocupa de saber se é plagio ou não a elaboração do mesmos;
-Aluno- Mundo de Alice: este aluno percebeu-se nas respostas dos questionários aplicados como aquele que faz o trabalho sem se preocupar se o mesmo está correto, não se preocupa se será descoberto se é plagio. Cria um mundo acadêmico dele e ainda fica chateado com o professor ou coordenação caso não seja aceito seu trabalho;
-Aluno – Do quase: este aluno faz referência aquele que busca se esforçar em fazer o trabalho, mas acaba pagando para outrem faze-lo ou ainda se escora nos amigos de equipe para construção deste;
-Aluno- Antenado: este aluno é o compromissado com sua construção de conhecimento, pesquisa na internet e acervos diversos, não gosto de cometer plagio.O Professor-Plugado: e o Aluno-Antenado são um número pequeno do universo pesquisado, pois ambos não são bem vistos em seus universos de oficio. Quando não se utiliza o plágio na elaboração dos trabalhos acadêmicos, ou ainda, cabe a fiscalização da possível ocorrência deste nos remete a necessidade de tomar a postura de pesquisador, de leitor de estar sempre em construção e nunca acabado.
Realizou-se no período de março de 2014 a abril de2016, várias incursões em campo foram realizadas primeiro aplicando um plano piloto acerca da aplicação dos questionários e entrevistas para posterior validação dos instrumentos de investigação. Passado o primeiro momento aplicou-se novamente os questionários e entrevistas e iniciou-se concomitantemente a análise dos dados colhidos por intermédio AC. No terceiro momento (re)aplicou-se os questionários e se refez as entrevistas para que se pudesse confirmar o uso do plágio o porque e, como ocorre no espaço acadêmico.
Quadro nº 01 – Casos de plágio na Faculdade no período de 2009 a 2003
ANO TOTAL DE ALUNOS PLÁGIOS % 2009 1.200 120 10% 2010 1.400 200 16% 2011 1510 310 22% 2012 1.600 320 20% 2013 1.400 280 20% Importar tabla
Fonte: Dados colhidos junto a Secretaria acadêmica.
O quadro nos remeteu a ideia geral acerca do uso do plágio na Faculdade lócus de investigação, onde a coordenação de curso e alguns professores iniciaram um trabalho de conscientização sobre o suo indevido e criminoso do plágio. O fato relevante é que a Faculdade sempre manteve uma média de 20% de trabalhos plagiados, mesmo tendo a oscilação no número de alunos matriculados. O percentual se mantinha dentro da média estatística. A pesar dos números revelarem um alto índice de trabalhos plagiados, a pesquisa aplicada com os alunos da instituiçãose manifestaram sobre o plágio da seguinte maneira. 69% dos entrevistados responderam não consideram plágio retirar textos da internet, ou seja, o fato de não terem sido alertados e se foram, não com a intensidade pedagógica suficiente e necessária, eles reproduzem o que aprenderam na escola desde a cópia da tabela periódica até a reprodução na íntegra da história do descobrimento do Brasil nos trabalhos escolares, copiados sem a exigência da citação da fonte. Os outros 31% disseram ser plágio copiar trechos de assuntos da internet.
A pesquisa também mostrou que 53% dos entrevistados disseram que usar trechos sem autorização é plágio. 44% entendem que não se trata de plágio e 3% preferiram não opinar. Quando perguntados se os alunos recebiam informações sobre o plágio na Instituição de ensino eles se manifestaram assim: 30% disseram que frequentemente eram informados sobre o plágio. 33% afirmaram que às vezes recebiam informações sobre plágio. 35% assinalaram que nunca receberam informações de plágio na Instituição de Ensino Superior. 2% preferiram não responder a essa pergunta.
Os indicadores revelam o quanto a Instituição de Ensino Superior – IES( Faculdade lócus de investigação), não apresenta um trabalho voltado para orientação formal sobre plágio segundo as regras da ABNT.Opercentual de 44% acharem que não estão fazendo plágio é altíssimo para um público que tem acesso à informação. Ou em tese deveria ter. Com o problema detectado através dos números demonstrados na tabela, os alunos não apontam culpados e se manifestam na pesquisa da seguinte maneira: 15% apontaram o sistema educacional como o grande responsável pelo plágio. 6% apontaram as escolas, porque não levam em consideração as normas técnicas e não preparam os estudantes para essas exigências na ambiência do ensino Superior.
Sendo que 10% assinalaram outros motivos e 69% disseram que o assunto, precisa ser mais bem debatido, abrindo um espaço para o diálogo, ao invés da punição unilateral das Faculdades. Quando 73% dos educadores, entrevistados apontaram o próprio aluno, como o responsável pela prática do plágio, estes revelaram uma visão preocupante: onde leva a crer que professor e aluno, não fazem parte do processo de ensino e aprendizado, mesmo com dados elevados sobre plágio, a Instituição não promoveu nenhum debate, palestras, oficinas e tampouco procurou de maneira didática iniciar uma ação educativa junto a professores e alunos. Nem mesmo possui uma diretriz que normatize o fato dentro da instituição, como uma cartilha, ou código de conduta para o estudante, nem de maneira vitual, ou seja, nem no site da instituição existe orientação sobre o que é plágio e como evitar.
A Faculdade lócus de investigação segue o que manda a lei e se comprovado o fato, o aluno é obrigado a refazer o trabalho científico e na reincidência ele passa por um estudo do conselho de ética, que define a punição, que vai a partir de uma suspensão até a expulsão da mesma, logo há um rigor a ser seguido e respeitado dentro da Instituição que tem um nome a manter dentro do universo acadêmico. Como não há um gestão específica para tratar do problema plágio no âmbito educacional, a detecção do mesmo fica a cargo dos professores, que muitas vezes recorrem aos programas anti-plágio disponíveis na internet na intenção de detectar e punir conforme a lei dos direitos autorais, contidas no Código civil Brasileiro e na Constituição Federal.
A pesquisa realizada junto aos professores revela que:Os professores apresentaram as seguintes restrições quanto a Internet enquanto ferramenta de pesquisa: 50% afirmam que os alunos copiam e colam conteúdos na íntegra. 25% afirmam que os textos não apresentam valor científico. 25% também afirmaram não confiar nas fontes que alimentam os conteúdos na internet. Os professores quando perguntados se receberam preparação para escrita acadêmica, 71% afirmaram que receberam. Esse percentualindica que então as Instituições de Ensino Superior prepararam os estudantes para escrever levando em consideração as regras científicas. Mas, 29% disseram que não receberem formação para escrita acadêmica. Isso significa dizer que de cada 10 professores universitários, 03 não foram preparados pelas Instituições de Ensino Superior para escreverem, produzirem e reproduzirem, seguindo as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Dos professores entrevistados 68% afirmaram ter liberdade de produção intelectual. O percentual revela que as Instituições de Ensino Superior oferecem liberdade para produção intelectual. 23% dos entrevistados disseram sim, mas apontaram restrições e são essas restrições que, apontam falhas e mostram que a educação precisa ser revista enquanto método e metodologia.
Dos professores que participaram da entrevista 64% afirmaram que não há necessidade de rever a normas metodológicas para produção de textos. Isso significa dizer que, a metodologia científica estaria dentro de uma normalidade para essa parcela de entrevistados. Já um percentual de 29% dos entrevistados acreditam que é necessário rever a metodologia, fugindo da rigidez e do excesso de citações e da baixa produção intelectual própria. O que corrobora com a afirmação do russo Bakhtin (2004), usa da filosofia para encontrar o que ele chama de “tom valorativo”. Essa expressão pode ser definida da seguinte maneira, para Bakhtin, isso acontece quando assimilamos um conteúdo e o reestruturamos em nossos discursos.
Ao contrário dos alunos que enfatizaram a necessidade de um debate mais amplo na academia sobre o plágio, os educadores foram enfáticos e se manifestaram da seguinte maneira quando perguntados quem era o responsável pelo plágio: 73% dos professores apontaram os alunos como os grandes responsáveis pelo plágio. Nesse indicativo fica evidente a exclusão do professor no processo de ensino e aprendizagem. Outra análise que pode ser feita ainda é que o professor não se sente parte do problema e aponta o acadêmico como o culpado do problema. Mas Garschagen (2006) enfatiza que o próprio sistema educacional colabora para isso, já que para ele desde às bases os estudantes são estimulados indiretamente a reproduzir.
Apenas 13% dos entrevistados já entendem que o sistema educacional, como um todo corrobora para o surgimento do plágio. E acreditam que o problema reflete no ensino superior, mas tem sua consolidação ao longo de todo processo de ensino. E somente 7% dos professores apontaram a ausência da orientação dos professores na produção de textos científicos. Indicativo que, apesar de baixo, representa à intenção de reconhecer que o professor também faz parte do processo e que não pode ser excluído desse fato envolvendo a “ensinagem” O habito do plágio interfere diretamente na aprendizagem e na qualidade profissional dos alunos quando estes terminarem o curso e forem admitidos no campo de trabalho, é o momento que irá aparecer as lacunas deixadas pelo uso indiscriminado do plágio.
4.-CONSIDERAÇÕES FINAIS.
O grande desafio do combate ao plágio é conseguir enxergar além do problema e pelo problema, para então, entender a problemática. De fato, ele não é um problema isolado, neutro, sem história e sem futuro, pois a causa está na forma como se faz ciência na academia, o formato engessado da metodologia e dos recursos disponíveis na promoção do ensino-pesquisa-extensão, ou melhor, dizendo na fragmentação da tríade, pois quando se aprende e não se aplica o aluno não fica motivado em apreender e ir além de seu aprendizado.
Outro fator que a investigação nos revelou fora a importância da figura do professor, pois este é e ainda será por muito tempo exemplo a ser seguido dentro e fora do espaço-tempo de sala de aula. Mas o professor que ensina não produz ciência, não publica trabalhos científicos, alguns não entendem as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), consequentemente não pode ser o melhor modelo contra o uso do plágio por parte dos alunos.
Para tanto se elencou sugestões a serem aplicadas na Faculdade lócus de investigação:
-Montar oficinas períodicas do uso da ABNT para os alunos dos diferentes cursos mantidos pela Instituição;
-Que os professores desde o primerio semestre usem os programas anti-plágio para inibir o uso pelos alunos;
-Criar projetos de extensão da Faculdade para a comunidade, bem como, de pesquisa para que os alunos possam participar desde cedo do fazer ciencia e sua utilidade prática no mercado de trabalho;
-Que os professores utilizem textos proprios em suas aulas; -Motivar professores e alunos a elaborarem textos cientificos; -Criar uma comissão de pesquisa na Faculdade.
Espera-se que essas sugestões venham contribuir para minimização da ocorrencia do plágio que os alunos fazem com o uso da internet e outros mecanismos e instrumentos que conduzam ao plágio.
Referências
Brasil. Associação Brasileira De Normas Técnicas (ABNT) (2002). NBR 10.520. Apresentação de citações em documentos. Rio de Janeiro, ago.
Bardin, L. (2009). Análise de conteúdo. Lisboa, Portugal; Edições 70, LDA, 2009.
Bakhtin, M. (2003). Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes.
Bauer, M., Gaskell, G. (2002). Pesquisa Qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Editora Vozes.
Flick, U. (2009). Introdução à pesquisa qualitativa. São Paulo: Artemed.
La Taille, Y. (2006). Moral e ética: dimensões intelectuais e afetivas. Porto Alegre: Artmed.
Krokoscz, M. (2012). Autoria e plágio. São Paulo: Atlas.
Moraes, R. (2004). O plágio na pesquisa acadêmica: a proliferação da desonestidade intelectual. Revista Diálogos Possíveis, Faculdade Social da Bahia. (p.91-109).
Souza, C.F.M. (1998). Direito Autoral. Brasília: Brasília Jurídica.
Vergara, S.C. (2005). Método de pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas.
Schriewer, J. (2000). A difusão mundial da escolar. Lisboa: Educa.