Técnicas psicanalíticas: usos na educação e na saúde
Técnicas psicanalíticas: usos na educação e na saúde
Revista Internacional de apoyo a la inclusión, logopedia, sociedad y multiculturalidad, vol. 2, núm. 3, pp. 113-119, 2016
Universidad de Jaén

Recepção: 01 Abril 2016
Aprovação: 30 Junho 2016
Resumo: Este artigo têm como objetivo ressaltar as técnicas psicoanalíticas na educação e na saúde desenvolvidas e utilizadas por Freud na clínica psicoterapéutica. Tais técnicas partem da Associação livre, que incentiva o paciente a falar o que vem a sua mente, procedimento que Freud se valeu para a explicação dos sonhos, considerados de grande importância como manifestação do inconsciente. Nesse contexto, este trabalho objetiva estabelecer a relação entre a teoria e a prática, pela análise dos artigos de Freud. Ressalta ainda as técnicas aplicadas por Melanie Klein, que por ser freudiana, considera o Complexo de Édipo como problema básico e estruturante do psiquismo. Sua abordagem parte do brincar, pois a criança expressa suas fantasias infantis através da brincadeira, levando-a a reduzir a ansiedade infantil. E, para Donald Winnicott, o importante não é só a brincadeira em si, mas os conteúdos dela, ou seja, quem a faz, é um olhar para a criança que brinca. Considera que através da sua criatividade é possível que o indivíduo descubra seu eu. Daí a importância da psicoterapia, por atuar nas duas áreas do brincar, a do paciente e a do terapeuta.
Palavras-chave: Técnicas psicoanalíticas, brincar, paciente.
Resumen: En este artículo se pretende poner de relieve las técnicas psicoanalíticas en la educación y la salud desarrollados y utilizados por Freud en la clínica psicoterapéutica. Dichas técnicas se apartan de la libre asociación que anima al paciente a hablar lo que viene a la mente, un procedimiento que Freud llamó para la explicación de los sueños, considerado de gran importancia como una manifestación del inconsciente. En este contexto, este estudio tiene como objetivo establecer la relación entre la teoría y la práctica, el análisis de los escritos de Freud. También se destacan las técnicas aplicadas por Melanie Klein, que es freudiana, considera el complejo de Edipo como un problema fundamental y estructural de la psique. Su enfoque de la obra, ya que el niño expresa sus fantasías infantiles a través del juego, lo que lleva a reducir la ansiedad del niño. Y Donald Winnicott, lo importante no es sólo el juego en sí, sino de su contenido, es decir, que lo hace, es una mirada en el niño que juega.Considera que a través de su creatividad es posible que la persona descubra su auto. De ahí la importancia de la psicoterapia, para actuar en dos áreas de juego, el paciente y el terapeuta.
Palabras clave: Técnica psicoanalítica, jugar, paciente.
Técnicas psicanalíticas: usos na educação e na saúde.
1.-INTRODUÇÃO.
O presente artigo é o resultado de uma pesquisa bibliográfica sobre as técnicas psicoanalíticas desenvolvidas e utilizadas por Freud na clínica psicoterápica, bem como as teorías e técnicas abordadas por Melanie Klein e Donald Winnicott, que apresentaram suas contribuição à psicanálise, na medida em que consideraran o brincar como uma maneira de trabalhar o inconsciente, buscando a comunicação na brincadeira.
A psicanálise teve sua origem em terreno médico, como um procedimento terapéutico para o tratamento de certas doenças nervosas que foram denominadas de `funcionáis' e consideradas, com crescente certeza, como consequências de disturbios na vida emocional.", nas palavras de Freud. Contudo, essa técnica presume que tais disturbios sejam apenas alguns dos resultados possíveis de processos psíquicos específicos, revelando a história do desenvolvimento desses síntomas na memória do paciente. Além disso, remonta aos processos que fundamentam esses síntomas e os conduz para um (válvula de escape) favorável (Freud, 1913).
Um conceito fundamental na psicanálise é o de inconsciente. Freud denomina "consciente" a concepção que está presente em nossa consciência e da qual nos damos conta. O termo "inconsciente" é o usado para designar as concepções latentes, já que o estímulo inconsciente permaneceu latente, manifestando-se sem razão aparente na consciência. "Assim, uma concepção inconsciente é uma concepção da qual não estamos cientes, mas cuja existência, não obstante, estamos prontos a admitir, devido a outras provas ou sinais (Freud, 1912).
Diante do exposto, é importante considerarmos que o psicanalista deve está ciente das técnicas apresentadas para entender e conhecer melhor seu paciente. Daí a relevância deste artigo, no sentido de apresentar contribuições no que se refere aos benefícios das técnicas psicanalíticas, uma vez que a psicanálise é apoiada ao afirmarmos a sua importância nos tempos atuais, pela inconsistência dos efeitos terapêuticos promovidos pelas medicações psicotrópicas e pelas novas doenças:
Depressões; Síndromes do pánico e; Distúrbios alimentares.
2.-OS BENEFÍCIOS DAS TÈCNICAS PSICANALÍTICAS NA EDUCAÇÃO.
2.1.-Técnicas utilizadas por Freud.
A técnica da associação livre tem por objetivo fazer com que o paciente fale tudo o que atravessar a sua mente, com ou sem sentido, qualquer conteúdo, mesmo que de natureza constrangedora. Tornou-se um princípio básico do método investigativo freudiano, que aplicaria de maneira sistemática o procedimento técnico da livre associação, desde o início de cada tratamento e durante todas as sessões, sem exceção à regra.
Utilizada como termo técnico, a associação livre define o modo de pensar incentivado no paciente pela recomendação do analista. Assim, Freud estabeleceu uma das maneiras como o paciente deveria se comunicar, como também definiu a forma como o analista deveria conduzir a sua escuta, através da atenção flutuante. Estas são regras técnicas presentes no método freudiano que visam alcançar o objeto de estudo da psicanálise.
O caso da pesquisa com “seres humanos e ratos” um dos grandes casos clínicos relatados por Freud, o protagonista é um homem de meia-idade que sofre de sintomas clássicos de neurose obsessiva, como ideias terríveis que sempre retornam o cumprimento de certos impulsos e rituais obsessivos para que não se tornem realidade. Uma dessas sessões, que veio a caracterizar o paciente é a de que um suplício, no qual um vaso cheio de ratos seria entornado sobre o ânus de uma pessoa, fosse inferido a seu pai (já morto) e a uma dama que admirava.
Freud busca elucidar as origens infantis dessa neurose e os sentimentos ambivalentes que a governam por meio de técnicas como a (livre- Associação) sem ocultar conteúdos por mais irrelevantes que pareçam. A eficácia da clínica psicoterapêutica dá-se a medida em que o paciente fornece subsídios necessários à solução de seu problema (Freud, 1909).
O ponto de partida que Freud se valeu para explicar os sonhos foi a associação livre, pois nesse procedimento pede-se ao paciente que dirija sua atenção para a ideia de causa, para comunicar ao médico o que quer que lhe venha à mente. Ao conseguir induzir o paciente a abandonar sua crítica das ideias que lhe ocorrem e a continuar acompanhando as sequências de pensamentos que emergem enquanto ele mantém sua atenção voltada para elas, vemos uma quantidade de material psíquico que logo constatamos estar claramente ligado à ideia patológica que foi nosso ponto de partida (Freud, 1901).
A associação livre oferece inúmeras vantagens: Expõe o paciente à menor dose possível de compulsão, jamais permitindo que se perca contato com a situação corrente real; e garante em grande medida que nenhum fator da estrutura da neurose seja desprezado e que nada seja introduzido nela pelas expectativas do analista.
Com a ajuda do método de associação livre e da interpretação, tornou-se possível provar que os sonhos têm um significado, e que é possível descobri-lo. A estrutura dos sonhos não pode ser vista como absurda ou confusa; é um produto psíquico inteiramente válido; e o sonho manifesto não passa de uma tradução distorcida, abreviada e mal compreendida, e na sua maior parte uma tradução em imagens. Esses pensamentos encerravam o significado do sonho, enquanto seu conteúdo era simplesmente uma fachada, que poderia servir como ponto de partida para as associações, mas não para a interpretação.
2.2.-Aspectos gerais do brincar para Melanie Klein.
A teoría do brincar de Melanie Klein ocupa um lugar fundamental, como meio pelo qual o método psicoanalítico ampliou seu poder de resolução de problemas clínicos. É freudiana e considera o complexo de Édipo como problema básico e estruturante do psiquismo, sua proposta está voltada para a concepção de que o ser humano vive o conflito edípico em momentos muito primitivos. Sua teoria do brincar ocupa um lugar fundamental, como meio pelo qual o método psicoanalítico ampliou seu poder de resolução de problemas clínicos (Klein, 1928).
Para Melanie Klein, o importante era o fato de que a brincadeira era uma maneira da criança expressar o seu mundo interno, ou seja, a brincadeira era uma maneira pela qual as fantasias inconscientes infantis eram expressas. A interpretação da brincadeira correspondia à interpretação dos conteúdos das fantasias inconscientes que a brincadeira tornava possível apreender a partir de seu simbolismo (Hinshelwood, 1992).
No tratamento do caso Dick, Klein (1930) coloca claramente a brincadeira como trens e túneis como uma encenação de fantasias sexuais inconscientes dirigidas à mãe e ao triângulo edípico. Na interpretação desses fatos, Klein considera que Dick substituiu determinados objetos por outros, desviando-se de objetos que lhe causavam angústia, para outros. Através do brincar, o menino pôde compreender a questão do afastamento e da aproximação do objeto.
O que levou Dick a expandir seu mundo de relações, produzindo uma diminuição das ansiedades e tornando possível a simbolização e a retomada do desenvolvimento psicossexual (Klein, 1930).
É relevante ressaltar que brincar é importante para Klein, pelo fato de expressar os conteúdos das fantasias infantis, relacionadas aos conflitos sexuais e que a dinâmica deve ser entendida com base no complexo de Édipo.
2.3.-Winnicott e o brincar como metodologia clínica.
O texto traz comentários sobre a teoria de Winnincott sobre o desenvolvimento total da personalidade do indivíduo que para o teórico deve ser trabalhada por meio da brincadeira, do ato de brincar. Para o especialista, a ação de brincar é um ato universal e da natureza do homem, sendo o brincar em si mesmo um tratamento psicoterápico, porque tanto a criança quanto o adulto desenvolvem capacidades criadoras que os ajudam na vida social.
Segundo Winnicott, o brincar ocorre no desenvolvimento da criança a partir do momento de transição, que compreende o período em que o bebê precisa fazer o desligamento da mãe, ou o desmame, fazendo uma substituição da mãe por algum objeto. A criança transfere a confiança fidedigna da mãe para este objeto transicional, tornando possível a separação do não eu a partir do eu.
O objeto transicional substitui a mãe, como se fosse ela, torna-se símbolo materno por um determinado tempo, caso este tempo seja ultrapassado pode ocorrer dois fatos, o primeiro é a criança tornar o objeto deflacionário, perder o apego por ele, torná-lo sem valor, e o outro é um fator patológico, pois torna o objeto transicional em objeto fetiche. Esse objeto sendo usado da maneira correta servirá para unir e separar o que é subjetivo do que é objetivo no ser, fazendo a criança se relacionar com o mundo. É neste ponto que o brincar irá agir preenchendo o espaço potencial da separação.
O brincar é entendido como sendo o momento criativo e de encontro com o eu, por este motivo os terapeutas devem proporcionar aos pacientes ambientes e condições para que ele brinque, possibilitando assim ao individuo o potencial de se comunicar e se relacionar com as coisas do mundo. A ação do brincar é uma necessidade da psicoterapia, pois tem como característica o desenvolvimento criativo, uma experiência espaço-temporal de continuidade e uma forma de viver melhor.
Ao ter a percepção criativa desenvolvida no paciente, este tem a capacidade de encontrar-se e fazer a interseção entre a realidade objetiva e a subjetiva, sentindo que a vida é digna e vale a pena ser vivida. O ser começa a reconhecer-se como ator das suas próprias ações, assumindo a responsabilidade tanto das suas vitórias quanto de suas perdas.
3.-DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.
Nesta discussão uma síntese das técnicas psicanalíticas dos principais autores: Freud, Winnicott e Melanie Klein.
Autores Técnicas Utilizadas Winnicott A técnica era por meio da brincadeira o ato de brincar. Para o especialista, a ação de brincar é um ato universal parte da natureza do ser humano. Assim, o brincar em si é um tratamento psicoterápico, porque tanto a criança quanto o adulto desenvolve capacidades criadoras que os ajudam na vida social. O brinquedo é transicional ocupa e substitui o lugar da (mãe), muitas vezes torna-se símbolo materno por um determinado tempo, caso este tempo seja ultrapassado pode ocorrer dois fatos: O primeiro é quando a criança torna o objeto deflacionário perde o apego por ele, torná-o sem valor e, o outro é um fator patológico, pois torna o objeto transicional em objeto fetiche. O objeto sendo usado da maneira correta servirá para unir e separar o que é subjetivo do que é objetivo no ser fazendo a criança se relacionar com o mundo. Ao ter a percepção criativa desenvolvida o paciente, têm a capacidade de se encontrar-se e fazer a interseção entre a realidade objetiva e a subjetiva, sentindo que a vida é digna e vale a pena ser vivida. Melanie Klein A teoría do brincar de Melanie Klein ocupa um lugar fundamental, como meio pelo qual o método psicoanalítico ampliou seu poder de resolução de problemas clínicos. É freudiana e considera o complexo de Édipo como problema básico e estruturante do psiquismo, sua proposta está voltada para a concepção de que o ser humano vive o conflito Édipo em momentos muito primitivos. É relevante ressaltar que brincar é importante para Klein, pelo fato de expressar os conteúdos das fantasias infantis, relacionadas aos conflitos sexuais e que a dinâmica deve ser entendida com base no complexo de Édipo. Freud Busca elucidar as origens infantis da neurose e os sentimentos ambivalentes que a governam por meio de técnicas como a (livre- Associação) que têm por objetivo fazer com que o paciente fale tudo o que atravessar a sua mente, com ou sem sentido, qualquer. Conteúdo, mesmo que de natureza constrangedora, sem ocultar conteúdos por mais irrelevantes que pareçam. A eficácia da clínica psicoterapêutica se da medida em que o paciente fornece subsídios necessários à solução de seu problema. Freud se valeu da Associação Livre para explicar os sonhos… A associação livre oferece a psicanálise inúmeras vantagens: Expõe o paciente à menor dose possível de compulsão. Importar tabla
Fonte: A própria pesquisa (2016).
4.-CONSIDERAÇÕES FINAIS.
Concluí-se, portanto, que as técnicas psicoanalíticas desenvolvidas por Freud não são simples, mas apresentam grande capacidade de servir à psicanálise, pois levam a grandes resultados e modificações estruturantes nos pacientes, tornando-se essencial no tratamento psicoterápico escolhido pelo terapeuta.
Em vista dos argumentos apresentados, sabemos que a psicanálise está interessada na exploração do inconsciente, com o objetivo da cura através de técnicas específicas. Então, faz-se necessário enfatizar que através da Associação livre e da interpretação tornou-se possível provar o significado dos sonhos, por ser um produto psíquico valioso.
Com relação a Melanie Klein, percebemos como a técnica do brincar favoreceu na resolução dos conflitos, das ansiedades e das fantasias inconscientes das crianças. Para a autora, é importante a criança brincar livremente, para que possa liberar suas angústias, fantasias e sua agressividade naturalmente. Por meio da interpretação desses meios de expressão podemos reduzir a ansiedade, fazendo com que cheguem ao mundo de fantasias. Para finalizar, enfatizamos a técnica psicoanalítica utilizada por Winnicott, em que ele aborda que o terapeuta deve ter um olhar para o brincar da criança, para compreender o que é expressado nesse ato, o brincar é visto como um período de transicionalidade. Enfim, observamos que o conteúdo desse artigo proposto pela disciplina Técnicas Psicoanalíticas é de suma importância como subsidio aos estudos posteriores e para conhecimento sobre as técnicas psicoanalíticas e suas aplicações na educação e saúde.
Referências
Freud, S. (1901). Sobre os sonhos. In: Freud S. A interpretação dos sonhos – Segunda parte. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud – Edição Standard brasileira – Volume V. Rio de Janeiro: Imago Editora; 1988.
Freud, S. (1912). Uma nota sobre o inconsciente na psicanálise. In: Freud S. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud - Edição Standard brasileira - Volume XII. Rio de Janeiro: Imago Editora; 1988.
Freud, S. (1913). Introdução a The psycho-analytic method , de Pfister. In: Freud S. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud - Edição Standard brasileira - Volume XII. Rio de Janeiro: Imago Editora; 1988.
Hinshelwood, R. D. (1992). Dicionário do pensamento kleiniano. Porto Alegre: Artes Médicas.
Klein, M. (1928). Estágios iniciais do conflito edipiano. In Amor, culpa e reparação: e outros trabalhos (1921-1945). Obras completas de Melanie Klein. Vol. 1. Rio de Janeiro: Imago.
Klein, M. (1930). A importância da formação de símbolos no desenvolvimento do ego. In Amor, culpa e reparação: E outros trabalhos (1921-1945). Obras completas de Melanie Klein. Vol. 1. Rio de Janeiro: Imago.