A importância a ética para a cidadania nas práticas pedagógicas junto aos alunos do 6º ano do ensino fundamental em situação de risco social
A importância a ética para a cidadania nas práticas pedagógicas junto aos alunos do 6º ano do ensino fundamental em situação de risco social
Revista Internacional de apoyo a la inclusión, logopedia, sociedad y multiculturalidad, vol. 2, núm. 3, pp. 130-140, 2016
Universidad de Jaén

Recepção: 30 Abril 2016
Aprovação: 30 Junho 2016
Resumo: O estudo busca discutir a importância da ética para a cidadania nas Práticas pedagógicas junto aos alunos do 6º, ano do ensino fundamental em situação de risco social. O objetivo desta pesquisa buscou analizar a possibilidade de resgatar a ética por meio das práticas pedagógicas junto aos adolescentes em situação de risco social e, se a escola têm contribuido para a promoção da cidadania. O estudo fundamentou-se no método qualitativo, do tipo interpretativo descritivo, tendo como, coleta dos dado a intervenção pedagógica, sob a vulnerabilidade no intuito de transpor a realidade posta. Palavras – chaves: Cidadania; adolescencia; situação de risco
Resumen: El estudio analiza la importancia de la ética para la ciudadanía en las prácticas pedagógicas con los estudiantes del sexto año de educación primaria en situación de riesgo social . Esta investigación tuvo como objetivo analizar la posibilidad de la ética de rescate a través de prácticas educativas con adolescentes en riesgo social y, si la escuela ha contribuido a la promoción de la ciudadanía. El estudio se basó en el método cualitativo, interpretativo descriptivo, teniendo como colección dada a la intervención de la vulnerabilidad pedagógica para la adaptación a la realidad puesto. Palavras – Clave: Ciudadanía; adolescencia; riesgo 1.-INTRODUÇÃO.
A importância a ética para a cidadania nas práticas pedagógicas junto aos alunos do 6º ano do ensino fundamental em situação de risco social.
1.-INTRODUÇÃO.
Os adolescentes não são mais os mesmos, estão participando ativamente do mundo transformando-se para enfrentar uma realidade social a qual aponta e rotula o individuo quando faz parte de uma comunidade vulnerável, de risco social, ou então de ter nascido em uma família desestruturada se esses fatores interferem de maneira significativa, na vida diária nas relações sociais e na qualidade de vida.
Os adolescentes por sua vez, possuem atitudes e postura igual a qualquer ser humano durante uma fase de seu desenvolvimento. A ética para os adolescentes em situação de risco social, significa causar uma reação em uma ação de transformação de vidas, enfrentando desafios ocultos muitas vezes difíceis de ser desvendados, pois, estamos diante de várias situações, que precisam ser analisadas, redesenhadas para uma nova perspectiva dentro do ensino aplicado. Deste modo, o meio escolar pode ser um forte aliado no enriquecimento no tange o desenvolvimento crítico do aluno, destacando a importância de uma educação preventiva quanto aos riscos sociais, preparando-os para o enfrentamento dos obstáculos que se colocarão na vida na vida em sociedade.
Frente, a tudo isso cabe a escola viabilizar uma nova proposta de melhoria da qualidade de vida desses adolescentes em situação de risco no campo educacional, devido o Questionamento: -A escola têm cumprido com a função de formar cidadãos éticos?
-O objetivo busca analizar a ética nas práticas pedagógicas junto aos adolescentes em situação de risco social;
-Averiguar a importância de trabalhar a ética aos adolescentes;
-Verificar se a escola têm contribuí para a Promoção da cidadania.
A relevância do estudo, evidencia em especial, a possibilidade de nortear ações conjuntas entre equipe pedagógica, professor e pais para uma educação que englobe a questão de risco social, que integre conhecimentos com noções de ética como orientações para a vida. Ainda, a pesquisa se caracteriza como uma pesquisa de campo, tendo como universo os alunos do 6º ano A, do turno matutino do ensino fundamental, com idade compreendida na faixa etária dos 15 aos 17 anos.
Para fundamentar a pesquisa, buscou-se teorias como: Freire, o Cortella, Libâneo Rodrigues, Lamamoto, Saião, Kant, Jacinto, entre outros. Apontando para os principais conceitos e estudos referentes a questão do risco social, algumas considerações sobre a adolescência, evidenciando conceitos como o de vulnerabilidade. Considerando o profissional educador como importante para o enfrentamento da problemática, ressaltando a importância do trabalho educacional, no tratamento da problemática, por meio do caráter educativo de suas ações, ainda, a importância pela luta e defesa de uma educação pública de qualidade e comprometida com a ética e a cidadania dos nossos jovens, preparando-os para o enfrentamento da vida.
2.-A CONCEPÇÃO HISTÓRICA SOBRE A POSTURA ÉTICA.
Entre 1995 e 2005, o Brasil teve o maior número de adolescentes de toda nossa evolução histórica. Segundo Costa (2001, p.65). Passando esse período o fenômeno não mais se repetirá. Isso ocorre porque a taxa de natalidade da mulher brasileira caiu de 3,0 para 1,1 filhos nas últimas décadas, fazendo diminuir a onda de crianças. Existem também os remanescentes do período em que a taxa de natalidade entre as mulheres era de 3,0 filhos no qual gerou a chamada onda jovem.
A presença desse jovem tem um significado democrático muito importante: o Brasil está deixando de ser um país de crianças e jovens, para se tornar um país de jovens e adultos. Isso fará com que, nos primeiros anos do século XXI, o Brasil tenha um dos perfis demográficos mais invejáveis do mundo. Mesmo tendo um perfil demográfico tão rico, o Brasil que deveria ser inversa do por outros povos, não o é. Isso ocorre por causa do baixo nível de educação do nosso povo. Nossa força de trabalho é extremamente mal preparada em termos de educação básica e profissional. Se somarmos os anos de estudos de todos os brasileiros e dividirmos pelo número de brasileiros, teremos menos de quatro anos de escolaridade para cada um.
Segundo Carlos (1996, p.68) “esse jovem pode ser visto de duas maneiras: como um presente demográfico ou como uma ameaça demográfica”. (p.68) Ele será uma ameaça se as gerações adultas não forem capazes de oferecer a esses jovens oportunidades para que desenvolvam seu potencial nos âmbitos familiar, do trabalho e da cidadania, e a reintegração do lar e se não os prepararmos para fazer as escolhas adequadas ao longo da vida. Por outro lado, o jovem será um presente demográfico se as gerações adultas forem capazes de oferecer a esses jovens oportunidades de desenvolvimento de seu potencial, em termos de educação básica e profissionais, e alternativas para que usem de forma potencial construtiva o seu temo livre. Nós sabemos que a viabilização do adolescente é a maneira rápida de quebrar o ciclo da reprodução intergeracional da pobreza.
Mais do que superar os obstáculos que irão surgir, a falta de oportunidades, levando-o as drogas a fome e a miséria, estabelecendo um patamar mínimo obrigatório de dignidade humana, é necessário garantir oportunidades para desenvolverem plenamente suas potencialidades e capacidades. Assim, viveu, de forma digna e autônoma, propósito que une as pessoas de bem, comprometida com a justiça social, que botam as políticas sociais de forma republicana e suprapartidária, com uma responsabilidade do poder público do desenvolvimento do país. A intersetorialidade na concepção e implantação de projetos que vai além da sua gestão compartilhar e buscar alcançar a efetiva integração de situações apropriadas a ações providas por cada um dos ministérios parceiros, sua lógica visa assegurar um atendimento integral e contínuo aos jovens oferecendo-lhes a possibilidade sua participação livrando-os da ociosidade.
Segundo Saião (2009) os pais são o prolongamento da criança, já que tudo o que ele faz passa por eles, perder esse apoio e referência tão forte provoca a ociosidade levando-o a vulnerabilidade e é trabalhoso porque significa construir e procurar sua própria identidade. Isso supõe testar capacidades, aprender a reconhecer limites e riscos, organizar sua relevância com o grupo e reconhecer o que quer e o que pensa, entre outros processos. Passar por isso com a fragilidade que os adultos vivem nesse tempo só torna as coisas ainda mais difíceis. Essa é a crise de identidade, uma das passagens inevitáveis desse período.
Para saber quem quer ser, o adolescente precisa saber quem são seus pais. Para chegar a um local desconhecido é preciso estar bem localizado, saber onde está e de onde veio. O “problema é que esse conhecimento tem sido complicado porque muitos pais não dão rumos aos seus filhos.” “Você escolhe, você quem sabe, você decide”. São expressões que dizem com frequência a filhos pequenos acreditando que, com isso, lhes dão autonomia. Desse modo, negam aos filhos o conhecimento de quem são e de onde estão e a própria condução de criança. Sou praticamente um adulto a maioria das crianças dizem em bom tom. Para tornar-se adulto, o adolescente precisa passar por sua crise dentro da família para conseguir se organizar fora dela.
Segundo Kant o mesmo escreveu duas classes de mandamentos dados pela razão. Todo ato, no momento de iniciar-se aparece à consciência moral sob a forma de uma dessas duas classes, ou de um desses dois tipos, de mandamentos que ele chama “imperativos Hipotéticos” e “imperativos categóricos”. Ele distingue os imperativos categóricos dos imperativos hipotéticos do seguinte modo. O imperativo hipotético dita um dado curso de ação para chegar a um fim específico, o imperativo categórico dita o curso da ação que precisa ser seguida devido a sua correção e necessidade.
Reflexão geral do processo de construção do conhecimento sobre a postura ética influenciada da dignidade articulada sobre as grandes questões da vida, do que quero ser como pessoa qual a minha escolha a influência que acatou esta decisão viabilizando qualidade de vida, dentro de uma sociedade observadora e exigente, que só te apresenta segundo a tua postura e tua dignidade ética diante da sociedade. Como deve ser o indivíduo, e não como você deveria ser essa pessoa. Colocando seus interesses em segundo plano caso não esteja de acordo com os critérios de exigência da sociedade, numa ótica plena de avaliação, quero, Devo, Posso. Segundo o autor é o conjunto de valores e princípios decisivos na vida de um cidadão, dentro de uma sociedade intencionista na busca do que é melhor pra ela.
Portanto, a filosofia moral Kantiana tem de determinar as Leis da vontade do homem enquanto é afetada pela natureza, considerando-as como Leis segundo as quais tudo deve acontecer, mas ponderando também as condições pelas quais com frequência não acontece o que devia acontecer. Nesse sentido o filosofo propôs usar a metafísica no interesse da vida moral, da liberdade e da razão prática. Kant propõe uma vida pela qual o dever em relação ao outro ocupa um lugar central. Já que o respeito pelos deveres é o que enriquece e dignifica a vida humana. Essa vida dentro dos valores universais ensina Rousseau, o inspirador de Kant, não precisa se fundamentar numa metafísica complicada, nem depende de nenhuma outra ciência ou arte (que, por outro caso não tem a capacidade de nos tornar mais felizes ou plenos).
Como explica Victor Delbos, em sua obra La Philosophie Pratique de Kant (p.128): “Afastando a vã sutiliza dos argumentos filosóficos, pretendendo consultar apenas a luz interior (ligada a consciência moral). Rousseau atestava a possibilidade de construir, com base em fundamentos indestrutíveis, a metafísica nova, a metafísica da liberdade e da razão prática”. (p. 128). Essas convicções serão cruciais no pensamento Kantiano, e servem como alicerce para todo o sistema proposto por ele. Resumindo, este sistema propõe a força da intenção como motor das ações do homem. Kant confia no juízo prático do ser humano. (p.128)
A verdadeira força que determina a qualidade moral das minhas ações é a intenção com que a realizo, ensina Kant. Na mesma esteira entre outros o que determina o fruto não visível das ações é justamente a intenção com o qual as ações são feitas. Esse fruto invisível é aquele que irá se manifestar no futuro não imediato. Conforme o parágrafo anterior que apresenta o jovem como um presente demográfico se as gerações adultas forem capazes de oferecer oportunidades quebrando o ciclo da reprodução intergeracional da pobreza. A educação foi trazida para o contexto da Assistente Social, através da correlação entre níveis mais baixos de educação, de um lado, e índices de desemprego mais altos e salários mais baixos, de outros. Surgindo ideia de um “ciclo de pobreza” auto alimentado, no qual baixas aspirações e carências no cuidado com a criança levavam a um baixo rendimento na escola, que por sua vez levava ao fracasso no mercado de trabalho e a pobreza na próxima geração. A educação compensatória foi vista então como um meio de romper este ciclo e de interromper a heranças da pobreza.
Para que isso ocorra, três primeiros anos são importantes: o primeiro ano da vida, o primeiro ano da escola e o primeiro ano de trabalho. Quando esses três primeiros são certo, a vida de uma pessoa tende a dar certo. Nos educadores, temos a chance de influir no primeiro ano escolar de um número expressivo de crianças e seria uma irresponsabilidade para com essa vida, para com o futuro educacional deixá-la escapar. É difícil e até incoerente, forçarmos a barra para definir um conceito de adolescente que tenha uma validade universal. Sabemos que as condições sociais e econômicas, essencialmente, influenciam diretamente na postura básica do adolescente diante de sua vida, considerando sua trajetória biográfica e relacional. Não podemos usar o mesmo parâmetro de adolescência, levando em contasadolescentes com situação econômica e social favorecida em contrapartida com aqueles que são social e economicamente desfavorecidas.
Segundo R. W. Connell costuma dizer. A maneira como a escola trata a pobreza constitui avaliação importante do êxito de um sistema educacional. Crianças jovens, vindas de famílias pobres são, em geral, as que têm mais êxitos, se avaliadas através dos métodos tradicionais. São as que têm menos poder na escola, são as menos capazes de fazer valer suas reivindicações ou de insistir para que suas necessidades sejam satisfeitas, mas são por outro lado, os que mais dependem da escola para obter sua educação. Para Jacinta costuma dizer que três instituições são fundamentais para a trajetória pessoal e social do adolescente: a família, a escola e o trabalho. O adolescente com situação favorecida precisa da sua família da mesma forma que os não favorecidos, que acabam não tendo orientação e apoio de seus familiares (material e não material) a família para esses jovens não funcionam com uma rede de proteção, criando condições para ele viabilizar-se como pessoa, cidadão e futuro trabalhador e, certa forma levando –o ao extremo a um passo de risco social. O adolescente em situação de dificuldade sua relação com o mundo e a escola é desbotada ou inexistente.
Por sua vez Gadotti afirma que “não há educação e aprendizagem sem sujeito da educação e da aprendizagem, a participação pertence à própria natureza do ato pedagógico”. Em princípio, toda escola pode ser cidadão, no momento em que possua uma educação orientada para a formação da cidadania ativa. A educação básica é o bem muito precioso e de maior valor para o desenvolvimento da cidadania, porém é necessário que seja de qualidade, para podermos superar o nosso Apartheid social, preparando os nossos jovens para o trabalho. A psicóloga argentina Jacinto, afirma que o ser humano nasce duas vezes. No primeiro nascimento quando sai de dentro da mãe, ele nasce para a família e para o mundo. Para a família, porque ela ganha mais um membro e, para o mundo, porque surge mais um membro a ser considerado. O segundo nascimento ocorre na adolescência, quando o ser humano nasce para si mesmo e para a sociedade. Conforme a interpretação de Jacinto, já comentada anteriormente, o adolescente precisa pensar no mundo separado da presença de seus pais e dos outros do mundo adulto. Esta é a época de se cortar pela primeira vez o cordão umbilical. É natural que nessa fase da vida o adolescente se confronte com seus educadores familiares, procurando marcar, demarcar as diferenças existentes entre sua maneira de ser e a maneira de ser dos outros.
Temos que compreender que na adolescência aparece uma relação nova e fundamental, que é a relação dos adolescentes com seus pares (amigos). Na adolescência essa definição se dá basicamente através da relação com os colegas, amigos, companheiros, ou seja, na relação com seus pares. Colocar uma reflexão que cause um impacto sobre as práticas modernas, de que meu filho não deve andar com pessoas estranhas, amigo é só o seu irmão, seu primo, colocar em prática a ideia de que é fundamental, que a relação que ele tiver com seus amigos definirá basicamente seu caráter no relacionamento.
A realidade em muitos casos é outra, o adolescente é um ser em desenvolvimento, e se olharmos com outros olhos, vamos ver uma imagem de imaturidade, desequilíbrio emocional, e no meu ponto de vista nos educadores precisamos ser o baluarte no seu desenvolvimento desenvolvendo seu lado crítico e oportunista na medida do possível, logicamente, o objetivo principal dessa ideia referente ao convívio com outras pessoas, olhando como ponto positivo contribuirá na geração de vínculos de amizade, companheirismo, a reintegração da família, e no outro lado será um meio de fugir de sua realidade, enfrentando desafios que der repente o mesmo não esteja preparado para o enfrentamento.
Essa relação dos adolescentes ocorre na escola, na vida familiar e sobre tudo, no tempo livre, ou seja, no tempo em que ele não está envolvido em atividades orientadas da escola ou da família; aquele tempo de que ele dispõe para usar de maneira mais livre. As relações com seus amigos e o tempo livre constituem outra chave de compreensão dos adolescentes. Costa, como já foi citado nos parágrafos anteriores como fazer isso? “Impedir que tenham contato com essas situações de risco, mas que saibam conduzir bem a sua vida diante deles”. Preparamos o adolescente para fazer opções fundamentais na ética (noção do seu dever- ser) e na lógica, ou seja, ele deve ser preparado para tomar decisões logicamente fundamentadas nas mais diversas circunstâncias. Prepará-los para fazer escolhas, e fazendo escolhas é que os valores surgem com muita importância na vida do adolescente. Aquilo que tem significado para sua vida é aquilo que está no caminho da sua trajetória entre o ser e o querer ser. (Provérbios).
O adolescente deve ser preparado na educação para valores, para tomar decisões coerentes com o sentido que atribui a sua vida. Dentre esses valores, a vida deve ser vista como o mais elevado e mais transcendente, ou seja, o valor que praticamente é a medida para todos os outros valores. E a doação de valores baseado numa ética biofílica, uma ética que coloca a vida como o mais importante e fundamental dos valores. A doação dessa ética implica o adolescente pensar e repensar de forma constante a sua relação consigo mesmo, com o outro, com a natureza e com as grandes indagações da vida, sentido do homem e o sentido do mundo. O que se espera é que o adolescente seja capaz de estruturar princípios pelos quais ele pautará as suas atitudes básicas diante da vida, nas mais diversas situações de risco social.
3.-METODOLOGIA.
O estudo teve o enfoque qualitativo, do tipo decritivo utilizou-se de uma intervenção pedagógica, junto a uma turma com distorção de idade-série, aplicou-se uma prática pedagógica alicerçada no projeto “ética para a cidadania” a uma turma de adolescentes em situação de Risco Social numa perspectiva de transformação das atitudes, para a reintegração e resgate da auto-estima.
O objetivo buscou conhecer, identificar e, ou modificar comportamento a partir de oficinas pedagógicas, a partir de uma temática significativa que valorizasse-os para, assim resgatar esses alunos possibilitando o reconhecimento enquanto sujeitos de direitos e deveres com habilidades e qualidades fundamentado nos valores éticos para o resgate da sua autoestima.
O trabalho desta pesquisa foi fundamentado no projeto “ética para a cidadania com oficinas de culinária, reciclgem e artesanato, no intuito de atribuir aos alunos responsabilidade e compromisso, oportunizando esses adolescentes enquanto atuante e produtivos na sociedade. Este proporcionou o envolvimento de todos na escola.
4.-ANÁLISE DOS RESULTADOS.
As análises partiram primeiramente da percepção durante um período de sondagem, Observou-se, então os comportamentos e “atitudes” diante das ações que os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental apresentavam quando de interação, isso, permitiu conhecer o contexto social e as muitas realidades existentes no campo educacional. Observando os dados coletados junto a escola e os demais professores, Verificou-se que os alunos todos oriundos da periferia dos quais a maioria eram repetentes, e alguns até por vários anos consecutivos, também eram desprovidos de valores éticos, famílias desestruturadas, a violencia já era parte do cotidiano de cada um, desta forma podía-se explicar as brigas entre os membros e os demais alunos da escola.
A proposta era criar formas “planejar” algo que pudesse ser significativo ao grupo, um norte, para que pudesse levar a um denominador comum. Questionamentos em forma de debate surgiu, as mais variadas peguntas. O cada aluno mais gostam de fazer? O que não gostam de fazer? E assim, por diante. Percebeu-se que havia iniciado o período de mudança (diálogo) a participação do grupo, neste momento eles passaram a fazer parte da aula sob forma de debate organizado. Com isso, criou-se regras para o grupo as quais deveria ser respeitadas dando ênfase aos valores éticos essenciais para melhorar a interação social.
No segundo dia do debate foi sobre “grupo de risco”, aconteceu um fato importante e interessante, um dos meninos parte deste grupo de risco que se encontrava em sala, mais conhecido como torturador de vidas o qual tinha o poder de desequilibrar crucialmente o momento da aprendizagem, nos surpreendeu, demonstrando interesse pela leitura como forma de se auto-afirmar no grupo.
Contudo, a forma, pelo qual (a didática), a arte de ensinar passou ser o diferencial, isso, não quer dizer que os alunos aceitavam tudo, mas, tudo agora era discutido para após se colocar em prática: As regras de convivencia estabelecidas pelos próprios. Alunos antes ociosos, percebeu-se que o que mais precisavam era ter alguém com quem conversar, falar, desabafar sobre os atormentos. Por isso, o projeto caiu como uma luva enquanto educadores precisavamos contribuir oferecendo o que temos de melhor no ensino, a busca de uma nova interação social, com as oficinas passaram a ser construtores, eliminado a palabra incapaz, inconsequente.
O projeto “ética para a cidadania” envolveu os alunos 6º ano e fundamentou-se na formação centrada nas competências saber ser, saber fazer e saber estar foram integradas como regras de convivência, sem punir e, ou massacrar os que se já se encontravam em ambientes de convívios vulneráveis. Alinhavou-se as questões da ética e da cidadania nas oficinas Culinária, reciclgem e artesanato, primeiro valor resgatado a confiaça, e por consequencia outros conforme os alunos iam se sentiando parte deste processo, o comportamento e as atitudes ia mudando para o bem estar de todos, o companherismo começa a surgir agora frases e palavras que não se encaixavam propriamente dito, eram listadas para ser eliminada do contexto, a preocupação era produzir mudança com temas que estimulessem o respeito ao ser humano, como cidadão social com direitos e deveres iguais perante a lei.
O destaque foi a metodologia aprender fazendo, o objetivo da educação é o homem integral, constitor de si próprio, enquanto racional, mas, de sentimentos, emoções e ações. A avaliação aparece como solidaria da auto avaliação e, a competição substituída pela cooperação, o interesse e a participação do aluno aumenta com a experiência de vivida.
No entanto, a maioria das escolas ainda reproduzem os instrumentos de violência simbólica, reproduz os privilégios existentes na sociedade e, ao mesmo tempo em que ensina uma prática voltada para a qualificação profissional reproduz a ideologia dominante. Em um mundo marcado pelo controle das instituições, a escola escraviza seguindo a dominação social, atribuindo toda a inadaptação social, de uma educação deficitária aos Jovens em situação de risco.
Destaca-se nesta a problemática de dissolução do indivíduo, onde entende-se que a educação se manifesta, na sociedade, como não como um fim, mas como um instrumento de manifestação e, de transformação social. Com essa compreensão, a educação se mostrou como a redentora da sociedade, integrando harmonicamente com os indivíduos já existente. Nessa perspectiva, uma nova educação saudável torma-se a seiva para a transformação desses indivíduos, tornando-os em autônomos, críticos e produtivos capazes de desenvolver habilidades, de construir conhecimentos e de se apropriar dos valores éticos, necessários à convivência social.
Entretanto, o educador deve mostrar autoridade de maneira que não atinja a dignidade, agir com justiça, como mediador buscando uma solução para ambas as partes. Seu maior desafio é colocar a questão em pauta transformando aquele momento em um planejamento alvo para a aula. É importante uma conversa, o debate , para a solução dos problemas em questão, desta forma se pode desfazer o embate como também as razões que os levaram a ele.
Ainda, o professor, pode colaborar para que o aluno acate com seriedade o comportamento, as atitudes e ao mesmo tempo desequilibrar atitudes por falta de estrutura mental, o professor nesse caso está além do ser criativo, oportuniza preparando para rever seu conteúdo e ao mesmo tempo saber ser flexível consigo mesmo para depois poder ser flexível com os alunos, diante da potencialidade que vai aplicar para a transformação de vidas.
E por fim, a escola é o ponto relevante para essa tarefa, de solucionar ou amenizar o problema da delinquência do aluno em situação de risco num espaço privilegiado de convívio e de formação de pessoas, tendo qualidade, integrado na ética, para a estar em constante transformação deve estar sempre a frente para as adaptações no ensino quando necessários. Educar é incentivar o aluno a entender o mundo, indo além, da escolarização para a vida em sociedade.
5.-CONSIDERAÇÕES FINAIS.
A pesquisa de campo, chegou a algumas reflexões, que os jovens ao completarem a maior idade não dispõem de grandes alternativas de atendimentos que suprem as necessidades para entrar no mercado de trabalho. Dentre as questões estudadas e apontadas, neste estudo, pode-se destacar a importância de uma educação preventiva quanto a questões de risco social, sendo essas entendidas como espaços onde os jovens adquirem uma consciência crítica e busca assumir de fato sua cidadania.
Considerando a proposta em caráter transformador sabendo-se que os jovens são peças-chave de uma ação capaz de contribuir para o fortalecimento e a transformação de uma política de assistência social para a juventude, pois, viivemos num país de profundas e enraizadas desigualdade social, onde uma pequena parte da população monopoliza todos os recursos e a grande maioria da população ainda, vivem as margens da exclusão social. Tal realidade foi verificada dentro das instituições públicas de ensino, sendo essas, recortes transversais da mesma, que muitas vezes reproduzem essa desigualdade e dificultam o acesso a informações básicas. Por isso, muitas vezes as instituições de ensino não cumprem seu papel de formar os jovens éticos de maneira critica, preparando-os para as dificuldades da vida.
A ideia baseou-se na elaboração de uma proposta educativa para todas as escolas de forma holística, que aponte caminhos e subsídios às localidades empobrecidas proporcionando aos jovens em situação de risco um processo desafiador criando comprometimento do jovem com seu futuro. A experiência nos desvendou um campo de atuação e uma área específica a ser trabalhada, como um espaço riquíssimo para atuação da assistente social. E que é possível fazer um trabalho de qualidade e comprometimento com os nossos alunos. Que a prática profissional cotidiana é feita de ganhos e perdas, de desafios e dificuldades, mas nunca de apatia diante das mesmas.
Referências
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Freire, P. (1978). Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
Meira, L.B. (2002). Sexos: Aquilo que os pais não falaram para os filhos. João Pessoa: Autor Associado.
Cortella, M.S. (2011). A Escolar o Conhecimento, Fundamentos epistemológicos e políticos. 14ª. Ed. São Paulo: Cortez.
Lizete, S.B.M., Alexandre, S.N. (2004). Formação de professores: passado, presente e futuro? (Organizadores). São Paulo: Cortez.
Kant, I. (1974). Crítica da razão pura e outros textos filosóficos. São Paulo: Abril Cultural. (coleção os pensadores)