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					<subject>Editorial</subject>
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				<article-title>Cenários das Ciências da Religião no Brasil</article-title>
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						<given-names>Paulo Sérgio Lopes</given-names>
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					<institution content-type="original">Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Faculdade de Teologia, Pós-Graduação Ciências da Religião. Rod. Dom Pedro I, km 136, Pq. das Universidades, 13086-900, Campinas, SP, Brasil. E-mail: &lt;paselogo@puc-campinas.edu.br&gt;.</institution>
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					<p>Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Faculdade de Teologia, Pós-Graduação Ciências da Religião. Rod. Dom Pedro I, km 136, Pq. das Universidades, 13086-900, Campinas, SP, Brasil.</p>
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		<p>A apresentação descritiva e analítica de cenários das Ciências da Religião no Brasil é bastante oportuna no momento em que essa área cresce quantitativa e qualitativamente no país, especialmente no campo da Pós-Graduação <italic>stricto sensu</italic>. Por cenário, compreende-se a conjuntura descrita e analisada cientificamente, e por Ciências da Religião, entende-se a área que investiga e estuda cientificamente a religião. </p>
		<p>As Ciências da Religião é um campo vasto em sua territorialidade em função de que a compreensão de religião parte tanto da experiência religiosa que se tornou crença institucionalizada historicamente quanto daquela experiência que ultrapassa as instituições religiosas e que se apresenta no bojo da história da cultura. Nesse sentido, analisar a religião cientificamente requer também compreender a complexidade epistemológica do que se denominam Ciências da Religião, cuja nomenclatura tem também outras denominações: Ciências das Religiões e Ciência da Religião. </p>
		<p>Ao nomear Ciências da Religião, tem-se a indicação de que há multidisciplinaridade na produção científica e a união das disciplinas em torno da religião compreendida como objeto de pesquisa. No entanto, por haver unidade em torno do objeto, afirma-se que há interdisciplinaridade, propiciando a emergência da área Ciências da Religião. Ao nomear Ciências das Religiões, tem-se a afirmação da multidisciplinaridade analítica e da pluralidade religiosa tanto como experiência quanto como crença religiosa. Ao proferir Ciência da Religião, entende-se o estudo histórico e sistemático da religião, em sua condição de religiões concebidas em suas diversas dimensões, manifestações e contextos socioculturais. É esta diversidade terminológica, fundamentada na epistemologia, que possibilita que a área possa ser denominada de Ciência(s) da(s) Religião(ões), efetivando a religião como referencial de pesquisa na dialética de sua singularidade e pluralidade.</p>
		<p>Em todas as situações científicas, têm-se o estatuto teórico que orienta a análise científica e o conjunto de métodos ou técnicas do empreendimento científico para analisar a religião, seja em sua singularidade experiencial, seja na pluralidade de experiências e crenças. Essa orientação epistemológica e metódica é de fundamental importância para a cientificidade da pesquisa sobre religião, exigindo do(a) pesquisador(a) uma postura de &quot;ateísmo metodológico&quot; ou &quot;agnosticismo metodológico&quot;, de modo a possibilitar a isenção do(a) pesquisador(a), independentemente de sua posição de fé religiosa. Desse modo, evita-se tanto a postura apologética da religião quanto a de crítica extremista à religião na sua análise científica, uma vez que ambas as posturas são propriamente contrárias às regras da ciência em geral. </p>
		<p>No Brasil, a(s) Ciência(s) da(s) Religião(ões) tem(têm) adquirido sua identidade própria, com marcas da complexidade epistemológica e da diversidade metódica, encontrando seu espaço na universidade, em efetivo diálogo com outras áreas acadêmicas, distinguindo-se da Teologia, área que por vezes reclama o lugar epistêmico por excelência para tratar de questões religiosas, na forma de cursos de graduação e principalmente na de Programas de Pós-Graduação <italic>stricto sensu</italic>, denotando consolidação da área na Pós-Graduação brasileira. Nessa perspectiva, objetiva-se, neste número da Revista <italic>Reflexão,</italic> apresentar analiticamente os cenários da(s) Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil, especialmente no âmbito da Pós-Graduação <italic>stricto sensu</italic>, e temas pesquisados em alguns programas. </p>
		<p>Na estrutura desta Revista, são cinco os artigos apresentados no dossiê deste número. No primeiro artigo, intitulado <italic>O estado atual dos programas de Teologia e Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil</italic>, o professor Dr. Flávio Senra, docente da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) e atual coordenador da área de Filosofia/Teologia na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), apresenta resultados parciais do Seminário de acompanhamento da área de Filosofia/Teologia: Subcomissão de Teologia, clarificando a situação atual de cada programa e da própria área no Brasil. Para realizar esta apresentação, o autor explana a situação dos programas de Teologia e Ciências da Religião no Brasil no que se refere ao número de programas, produção científica e bibliográfica, produção técnica, número de docentes do corpo permanente, colaboradores e visitantes, situação do corpo discente de cada programa, distribuição Programas e prospectivas. No segundo artigo, intitulado <italic>Interdisciplinaridade e estudos da religião</italic>: <italic>um panorama da formação acadêmica dos docentes dos Programas de Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil</italic>, os professores Dr. Breno Martins Campos e Dr. Walter Ferreira Salles, ambos docentes da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), objetivam mapear a formação dos docentes dos Programas de Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil, no que se refere à sua titulação acadêmica originária, a efetividade da interdisciplinaridade em cada programa e à relação entre todos os programas no âmbito nacional. Para atingir esse objetivo, apresentam um <italic>status quaestionis,</italic> evidenciando a religião como espaço público de investigação científica, o modo como a interdisciplinaridade se efetiva nos programas e na relação dos títulos acadêmicos dos docentes, e suscitam algumas prospectivas, indicativas do futuro da(s) Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil. </p>
		<p>Os três artigos seguintes do Dossiê são temas oriundos de pesquisas desenvolvidas em alguns Programas de Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil, evidenciando a cientificidade de seus resultados. O artigo intitulado <italic>Noventa e quatro anos de História</italic>: <italic>Estudos dos periódicos na pesquisa sobre a concepção do ensino religioso brasileiro (1901-1995)</italic>, de autoria do professor Dr. Sérgio Rogério Azevedo Junqueira da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), objetiva apresentar o modo como a produção científica sobre o ensino religioso no Brasil incide na identificação e análise das compreensões desse componente curricular no cenário brasileiro. Para atingir esse objetivo, o autor situou o ensino religioso nos periódicos levantados, evidenciando o ensino religioso na República e nos periódicos católicos, especialmente a Revista Eclesiástica Brasileira, a Revista de Educação Católica e a Revista de Catequese, concluindo com a pertinência e a relevância dessas publicações no desenvolvimento da perspectiva de disciplina escolar para o ensino religioso. O quarto artigo, escrito pelo professor Dr. João Leonel, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, tem como título <italic>Religião e linguagem literária</italic>: <italic>contribuições da literatura para a interpretação de textos religiosos</italic> e objetiva debater a relação entre religião e linguagem literária. Para atingir o objetivo, o autor apresenta o problema da conceituação da religião e da literatura e o modo como se pode encontrar religião na literatura ou como esta pode expressar a religião. Ademais, explicita a contribuição específica da literatura à compreensão da religião, principalmente a centralidade antropológica da experiência religiosa. O quinto artigo, escrito pelo professor Dr. Ênio José da Costa Brito, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e pelo Mestre em Ciências da Religião Welder Lancieri Marchini, cujo título é <italic>Entre clérigos e leigos</italic>: <italic>relatos históricos da comunidade católica de Tatuapé</italic>, objetiva analisar a influência mútua entre uma comunidade religiosa e uma comunidade local na constituição da respectiva identidade. Para isso, os autores realizaram um corte geográfico em que tomam uma comunidade de Tatuapé como local de referência, assumem a perspectiva histórica, em articulação com a sociologia e a antropologia, para a descrição analítica do bairro e da paróquia. Desse modo, apresentaram as relações entre clérigos e leigos institucionalizadas na edificação do bairro e da paróquia, de modo a concluir a estreita relação entre religião e sociedade. </p>
		<p>Na seção de temática livre situam-se dois artigos. O primeiro é intitulado <italic>O esponsório segundo os documentos do concílio Vaticano II</italic>, escrito pelo professor Dr. Ney de Souza, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e tem por objetivo selecionar e analisar as referências à palavra &quot;esposa&quot; (<italic>Sponsa</italic>) nos documentos do Concílio Vaticano II. Para atingir esse objetivo, o autor explicita a categoria &quot;esposa&quot; como fundamental para estabelecer a relação entre Cristo (esposo) e a Igreja (esposa) e compreender a relação da Igreja com mundo contemporâneo. Utilizando-se da metodologia descritiva e analítica, o autor apresenta a esponsalidade eclesial, de perspectiva eclesiológica de comunhão, nos documentos do Concílio Vaticano II: <italic>Lumen Gentium</italic>, <italic>Sacrossanctum Concilium</italic>, <italic>Gaudium et Spes</italic>, <italic>Aspotolicam Actuostiatem, Perfectae Caritatis, Christus Domoinus</italic>. Conclui-se analogamente que a Igreja é esposa de Cristo assim como a esposa o é do seu cônjuge, desenvolvendo a fidelidade e a comunhão na realização de sua missão no mundo, em sua contemporaneidade histórica. O segundo artigo, escrito pelo professor Dr. Marcos Aurélio Fernandes, docente da Universidade de Brasília, é intitulado <italic>Heidegger e o método da explicação fenomenológica dos fenômenos da religiosidade cristã na leitura de cartas de Paulo</italic> e objetiva apresentar analiticamente a fenomenologia operada por Heidegger na leitura que o filósofo alemão realizou acerca de algumas cartas de Paulo. Para isso, o autor mergulha na obra heideggeriana, especialmente em sua <italic>Phänomenologie des Religiösen Lebens</italic> e articula a fenomenologia da faticidade, evidenciando que a preocupação de Heidegger é a de mostrar a efetividade do &quot;como&quot; da vivência da fé por parte das comunidades paulinas.</p>
		<p>Na seção de resenha, o mestrando Carlos Eduardo Cavalcanti Alves apresenta sua resenha acerca da obra <italic>Temor e tremor,</italic> escrita por Sören Kierkegaard em 1843, cujo conteúdo é pensar o problema da relação entre fé e moral, evidenciando que a fé religiosa suspende a teleologia da moral e absurdamente conduz à experiência de relação com Deus. Na seção de comunicação, a professora Dra. Ceci Maria Costa Baptista Mariani e o mestrando Luis Gabriel Provinciatto, ambos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), apresentam uma nota sobre a visita do coordenador de área da Capes, professor Dr. Flávio Augusto Senra Ribeiro, ao Programa de Pós-Graduação <italic>Stricto Sensu</italic> em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Nessa visita, o referido coordenador proferiu a aula inaugural de 2016 do programa, reuniu-se com os docentes do Programa e encontrou-se com a Diretoria do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e com a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação.</p>
		<p>Enfim, este número da Revista <italic>Reflexão</italic> convida o leitor à visualização da área de Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil, especificamente no âmbito da Pós-Graduação <italic>Stricto Sensu</italic> como uma área que aponta para sua autonomia e presença epistemológica no âmbito das ciências. Desse modo, evidencia-se a religião também como um objeto de pesquisa e estudo científico, e com características relacionais, em que a cientificidade da análise é unicamente marcada pela interdisciplinaridade e multidisciplinaridade, provando que o diálogo epistêmico é fundamental e imprescindível à consolidação dessa área científica.</p>
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