Artigos: Dossiê
O estado atual dos programas de Teologia e Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil - 2013-2014: aproximações
The current state of Brazilian Graduate Studies in Theology and Science(s) of Religion - 2013-2014: An approach
O estado atual dos programas de Teologia e Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil - 2013-2014: aproximações
Reflexão, vol. 41, núm. 1, pp. 7-16, 2016
Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Recepção: 02 Março 2016
Aprovação: 03 Maio 2016
Resumo: Este artigo propõe uma reflexão sobre o perfil do egresso de programas de Teologia e Ciência(s) da(s) Religião(ões) e apresenta os resultados parciais do seminário de acompanhamento da área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia que, no contexto da avaliação quadrienal (2013-2016), constitui ocasião para os programas da área/subcomissão conhecerem o estágio atual das atividades desenvolvidas e planejarem a segunda etapa do quadriênio. O seminário de acompanhamento se caracterizou tanto por ser uma etapa de autoavaliação dos programas, quanto por ser uma ocasião para avaliação geral.
Palavras-chave: Capes, Ciências da religião, Estudos da religião, Pós-Graduação, Religiografia, Teologia.
Abstract: The aim of this article is to propose a reflection on the profile of graduates of Theology and Religious Studies Graduate Programs and it presents the partial results of the seminar evaluation in the Philosophy/Theology area: the four-year assessment of the Theology Subcommittee (2013-2016). The assessment is an event for the programs/subcommittee to know the current status of activities and plan the next four years. The seminar evaluation was characterized not only as a self-assessment of the programs, but also as an occasion for general assessment of the area.
Keywords: Capes, Sciences of religion, Religious studies, Graduate studies, Religiography, Theology.
Introdução
O presente artigo reúne dois tipos de aproximações sobre o estado atual do campo de estudos pós-graduados em Teologia e em Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil. Por um lado, propõe um conjunto de caracterizações para a definição do perfil do egresso nos cursos de Pós-Graduação stricto sensu em Teologia e em Ciência(s) da(s) Religião(ões)3. Por outro lado, apresenta alguns dados sobre o estado atual da área, tomando como referência a primeira metade do quadriênio de avaliação 2013-2016, conforme discutido no seminário de acompanhamento4, o qual contou com a participação de representantes dos Programas de Pós-Graduação (PPG) da área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia5. Ao modo de um relatório, parte do artigo desenvolve uma versão parcial e aproximada do estado atual dos Programas no período 2013-2014, considerados os dados registrados na Plataforma Sucupira da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Dentre os indicadores, foram destacados os dados sobre distribuição regional dos Pro-gramas de Pós-Graduação em Ciência(s) da(s) Religião(ões) e em Teologia, as modalidades de cursos (mestrado acadêmico, doutorado e mestrado profissional), o número de docentes e de discentes, dentre outros. O cruzamento desses dados permitiu formar um panorama sobre os vinte Programas reconhecidos naquele momento no Brasil, num processo que, desde 1972, soma 44 anos de história.
Do ponto de vista do referencial metodológico que norteia o presente trabalho, este pretende ser um exercício de religiografia, na medida em que constitui uma reflexão sobre o que o campo de estudos da religião vem produzindo no Brasil, por meio dos cursos de Pós-Graduação stricto sensu em Teologia e em Ciência(s) da(s) Religião(ões). Trata-se, dentre as possíveis características do que venha a ser reconhecido como religiografia, da análise do que se produz em Ciência(s) da(s) Religião(ões), seus métodos, interpretações, epistemologias, modos de atuação e perfil de seus estudiosos, como proposto por Senra (2016) em artigo aceito para publicação.
O perfil de uma área
A área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia desenvolve investigações que se orientam por abordagem de perfil multidisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar e abrange cursos de mestrado acadêmico, doutorado e mestrado profissional em Teologia ou em Ciência(s) da(s) Religião(ões)6.
Essa reflexão acompanha o campo de Estudos da Religião desde as suas origens e se faz presente em várias de suas publicações, num largo histórico de debates sobre a epistemologia da área/subcomissão. Esse processo se intensificou com a fundação da primeira Associação Nacional de Pós-Graduação em Teologia e Ciências da Religião (Anpter), seguida da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião (Anptcre).
Um ponto de partida desse debate pode ser conhecido na obra de Teixeira (2001), organizador do Seminário ocorrido na Universidade Federal de Juiz de Fora em 2000, que deu lugar a uma das primeiras publicações que refletem sobre a epistemologia da área. Outras publicações se seguiram ao longo desse processo. A comunidade tem reconhecido um conjunto de publicações que discutem essa temática no Brasil e no exterior, o que pode ser destacado nas obras de Greschat (2005), Usarski (2006; 2007), Camurça (2008), Cruz e De Mori (2011) e Passos e Usarski (2013), dentre outros livros, artigos e anais de eventos7.
O primeiro passo para a discussão de um perfil de egresso para cursos de Pós-Graduação stricto sensu em Teologia e Ciência(s) da(s) Religião(ões) no Brasil parte do reconhecimento da árvore do conhecimento, discutida pela Assembleia da Anptcre e implementada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), conforme explicitado em Senra (2015). Atualmente, em razão de um Grupo de Trabalho sobre esse tema, a nova árvore de conhecimento das Ciências da Religião e Teologia poderá fazer parte do relatório final da comissão formada pela Capes.
Acompanhando, pois, a atual árvore do conhecimento, para os cursos de Teologia, a área/subcomissão reconhece como subáreas:
Teologia Fundamental-Sistemática;
História das Teologias e Religiões;
Teologia Prática;
Tradições e Escrituras Sagradas.
Por sua vez, para os cursos de Ciência(s) da(s) Religião(ões), a área/subcomissão reconhece como subáreas:
Epistemologia das Ciências da Religião;
Ciências Empíricas da Religião;
Ciência da Religião Aplicada;
Ciências da Linguagem Religiosa.
A área/subcomissão reconhece ainda como disciplinas auxiliares8 aos estudos inter/multi/transdisciplinares da(s) Ciência(s) da(s) Religião(ões):
Antropologia da(s) Religião(ões);
Fenomenologia da(s) Religião(ões);
Filosofia da(s) Religião(ões);
Geografia da(s) Religião(ões);
História da(s) Religião(ões);
Psicologia da(s) Religião(ões);
Sociologia da(s) Religião(ões);
Teologia da(s) Religião(ões).
A área se ocupa ainda da formação em Pós-Graduação qualificada e de alto nível, em Teologia e em Ciência(s) da(s) Religião(ões), traçando o perfil do pós-graduado nas duas subáreas, tal como se apresenta a seguir9.
a) Caracterização do pós-graduado em Teologia
O pós-graduado em Teologia pesquisa a inteligência da fé, os conteúdos, as doutrinas, as tradições, os textos, as linguagens de tradições específicas, assim como as experiências que o ser humano desenvolve com o que reconhece e professa como sagrado, através do recurso a quaisquer outros saberes colaborativos, a partir da perspectiva interna e em diálogo com as demais ciências, culturas, tradições e religiões, considerada a diversidade de abordagens teórico-metodológicas de escolas e campos de estudos teológicos. A área/subcomissão reconhece e propõe o debate plural no campo teológico, sendo possível a utilização do termo "teologias" para se considerarem os discursos atinentes às distintas escolas e diferentes tradições religiosas.
O perfil do egresso de cursos de Pós-Graduação em Teologia deve considerar a formação de habilidades para que o concluinte seja capaz de aprofundar a interpretação de textos e linguagens da experiência religiosa de uma tradição, desenvolver cientificamente uma investigação sobre a experiência de fé de um determinado grupo, assessorar e formar especialistas e não especialistas em uma dada tradição espiritual, contribuir para a tradução dos conteúdos morais e religiosos dessa tradição para sua cultura, seu tempo e para o espaço público, além de ser capaz de desenvolver uma teologia da práxis. Seu trabalho orientar-se-á pela caracterização simbólica dos conteúdos religiosos de textos sagrados ou tradicionais, como também pelo desvendamento de conteúdos racionais presentes em narrativas míticas.
O pós-graduado em Teologia deve estar preparado para atuar como pesquisador, como docente e como analista dos saberes e habilidades acima descritos, bem como para atuar na formação de docentes da educação básica e/ou de nível superior, além de ser capaz de atuar como profissional especializado, consultor, assessor e/ou mediador em questões relacionadas à religião de que é especialista no espaço público.
b) Caracterização do pós-graduado em Ciência(s) da(s) Religião(ões)
O pós-graduado em Ciência(s) da(s) Religião(ões) pesquisa o fato religioso, a experiência religiosa, os fenômenos, as experiências, os conteúdos, as expressões, os textos, as tradições, as linguagens, as culturas religiosas e as tradições de sabedoria, considerados em perspectiva externa, em diálogo com outros saberes acadêmico-científicos, com ênfase em investigações de natureza qualitativa e quantitativa, podendo também ser de natureza teórica ou aplicada, a partir de abordagens teórico-metodológicas próprias das escolas que constituem o campo de estudos da(s) religião(ões), suas subáreas e disciplinas auxiliares.
O perfil do egresso de cursos de Pós-Graduação em Ciência(s) da(s) Religião(ões) deve considerar a formação de habilidades para que o concluinte seja capaz de, enquanto pesquisador e/ou docente, analisar o fato religioso, os fenômenos religiosos e/ou as linguagens religiosas, desenvolvendo aproximações históricas e comparativas, sistemáticas e hermenêuticas das práticas e experiências religiosas humanas e das suas instituições sociais.
O pós-graduado em Ciência(s) da(s) Religião(ões) deve estar preparado para atuar como pesquisador, como docente e/ou como analista dos saberes e conhecimentos sobre/das práticas religiosas de uma ou de várias tradições, atuar na formação de docentes da educação básica e/ou de nível superior, além de ser capaz de atuar como profissional especializado, consultor, assessor e/ou mediador em questões relacionadas à religião no espaço público.
A presente proposição do perfil do egresso dos programas de Pós-Graduação em Teologia e Ciência(s) da Religião é fruto do desdobramento da árvore do conhecimento aprovada pela Anptecre. O que acaba de ser apresentado não é um trabalho acabado, mas uma contribuição que se coloca para o debate da área.
Passa-se agora à segunda aproximação prevista para este artigo, com a apresentação do estado atual da área/subcomissão.
Teologia e Ciências da Religião no Brasil
No biênio 2013-2014, a área/subcomissão estava formada por 20 programas, sendo 9 de Teologia e 11 de Ciência(s) da(s) Religião(ões). Dentre estes, 3 programas eram de mestrado profissional, sendo 2 em Teologia e 1 em Ciências das Religiões10.
Durante o seminário, constatou-se um equilíbrio entre o número de cursos de Ciência(s) da(s) Religião(ões) e de Teologia. Os números variam entre 55 e 45%, respectivamente. Neste sentido, pode-se afirmar que não são observadas assimetrias entre programas de Teologia e Ciência(s) da(s) Religião(ões) na subcomissão. A variação - 45% de cursos relativos a Programas de Teologia, e 55% relativos a Programas de Ciência(s) da(s) Religião(ões) - demonstra essa afirmação.
Quanto aos mestrados profissionais, observa-se ainda uma baixa demanda por essa modalidade na área/subcomissão, composta em 85% por programas da modalidade acadêmica.
Levando-se em consideração a criação de programas por intervalos decenais11, é possível destacar que o decênio de maior crescimento de cursos de Pós-Graduação em Teologia foi 1983-1993, com três novos cursos de mestrado e dois de doutorado. No primeiro decênio, ou seja, entre 1972-1982, foram criados um curso de mestrado e um de doutorado. Entre 1994 e 2004 foram criados dois novos cursos de mestrado, sendo um deles profissional. Já no período 2005-2014, foram criados um curso de mestrado, um de mestrado profissional e um de doutorado em Teologia.
Por sua vez, entre programas de Ciência(s) da(s) Religião(ões), o decênio de maior crescimento foi 2005-2015, somando-se um total de oito novos cursos, sendo seis mestrados acadêmicos, um mestrado profissional e um doutorado. Esse dado faz do atual decênio o mais fecundo na criação de novos cursos da área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia, com um total de onze novos cursos. O decênio anterior, 1994-2004, já inaugurava essa linha ascendente mais forte na área/subcomissão, um crescimento levado a cabo com a criação de dois novos cursos de mestrado e dois novos cursos de doutorado em Ciência(s) da(s) Religião(ões). No decênio antecedente, 1983-1993, tinham sidos criados um curso de mestrado e um de doutorado, dando continuidade aos primeiros cursos de mestrado em Ciências da Religião, surgidos no decênio 1972-1882.
Os dois principais períodos de crescimento da área/subcomissão foram os decênios 1983-1993, com sete novos cursos, e o decênio 2005-2014, com onze novos cursos. O primeiro decênio foi impulsionado pelo surgimento de novos cursos de Pós-Graduação em Teologia, e o segundo, pelo surgimento de novos cursos de Ciência(s) da(s) Religião(ões). Nas últimas duas décadas, nota-se um crescimento bastante tímido de novos cursos de Teologia no país. Mesmo assim, como mencionado acima, não chega a ser possível afirmar uma significativa assimetria entre cursos de Pós-Graduação em Teologia e em Ciência(s) da(s) Religião(ões) no país.
Como destacou Silveira (2015) durante o seminário de acompanhamento, os dados acima revelam o ritmo de crescimento de programas na área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia e Ciências da Religião. De fato, o aparecimento de programas/cursos de Ciência(s) da(s) Religião(ões) nos últimos dez anos foi superior aos de Teologia. Contudo, quanto ao aparecimento de programas/cursos de Teologia, observa-se um crescimento continuado, sem picos, como ocorrido com os cursos de Ciência(s) da(s) Religião(ões). Apenas nos dois anos considerados nesse trabalho foram abertos um novo mestrado profissional em Teologia - Faculdades Batista do Paraná (Fabapar), um novo curso de doutorado na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e dois novos programas de Ciências da Religião na PUC-Campinas e na Universidade Federal do Sergipe (UFS), o equivalente a um crescimento de 20%.
O processo de crescimento dos cursos da área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia e Ciências da Religião seguiu processos distintos quanto à criação de cursos de Teologia e de Ciência(s) da(s) Religião(ões). Enquanto os cursos de Teologia mantiveram uma média de dois cursos por década, os cursos de Ciência(s) da(s) Religião(ões) tiveram um crescimento exponencial nas três últimas décadas. Os mestrados profissionais, por sua vez, surgiram nas duas últimas décadas12.
Nos dois primeiros anos do quadriênio 2013-2016, a área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia contava na ocasião com seis cursos de mestrado acadêmico, dois mestrados profissionais e 4 cursos de doutorado em Teologia. Em Ciência(s) da(s) Religião(ões) eram 11 cursos de mestrado acadêmico, 1 mestrado profissional e 4 cursos de doutorado. Em termos percentuais, observou Silveira (2015), do total de 28 cursos, têm-se 14,28% de cursos em Instituições de Ensino Superior (IES) públicas federais, 3,57% em IES públicas estaduais, 75,00% em IES privado-comunitárias e 7,14% em IES privado-particulares. Esse perfil distingue-se de outras áreas do colégio de humanidades e da área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Filosofia, com maior concentração de cursos em IES públicas.
Do ponto de vista da distribuição regional, a área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia está formada por um programa na região Norte, 3 na região Nordeste, 10 na região Sudeste, 5 na região Sul e um na região Centro-Oeste. Observa-se maior concentração de programas nas regiões Sudeste e Sul, responsáveis por 75% da área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia.
As regiões Norte e Nordeste são as que possuem mais Estados sem Programas de Pós-Graduação. Essa assimetria corresponde a 85,7% na região Norte, 55,0% na região Nordeste, 66,0% na região Centro-Oeste e 33,0% na região Sul. Já a região Sudeste possui cursos da área em todos os Estados.
Na região Sudeste, há relativo equilíbrio entre Programas de Pós-Graduação em Teologia e em Ciência(s) da(s) Religião(ões). Na Região Sul, não há Programa de Pós-Graduação em Ciência(s) da(s) Religião(ões). Por outro lado, nas Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste não havia, até o final do primeiro biênio do atual período de avaliação (2013-2016), Programas de Pós-Graduação em Teologia. Os programas de mestrado profissional estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste. As demais regiões não possuem mestrado profissional em Teologia nem em Ciência(s) da(s) Religião(ões).
Produção bibliográfica e técnica em Teologia e em Ciência(s) da(s) Religião(ões)
Como destacaram Wachholz e Klein (2015) no seminário de acompanhamento, no período compreendido entre 2013 e 2014, a área/subcomissão titulou 416 discentes, com 108 teses de doutorado e 308 dissertações de mestrado acadêmico e trabalhos de conclusão de mestrado profissional. O tempo médio de titulação dos mestrados acadêmicos na área foi de 24,6 meses; dos mestrados profissionais, 26,1 meses; e dos doutorados, 48,5 meses.
No período 2013-2014, os PPG da área Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia e Ciências da Religião somavam 312 docentes, dentre os quais 256 eram docentes permanentes, 44 eram docentes colaboradores e 12 eram docentes visitantes. Foi possível identificar uma variação na composição do corpo docente entre 10 e 23 membros, com média de 12,8 docentes por programa.
Quanto aos dados acerca da produção acadêmica, bibliográfica e técnica da área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia e Ciências da Religião, foram identificados 7.118 produtos. Grande parte da produção está identificada na seção "Diversos", com 3.746 itens. Considerando a produção bibliográfica do período 2013-2014, destacam-se os livros (891), seguidos pelos periódicos, com 264 itens nos estratos A1-B1, e 214 itens nos estratos B2-B5. Em Anais foram publicados 400 itens, enquanto a criação técnica concentrou-se na apresentação de trabalhos (1,093). Os PPG estiveram envolvidos na organização de 442 eventos. Ainda acerca da criação técnica, os relatórios indicaram 68 traduções, com média de 6,8 produtos no período, número abaixo do potencial da área/subcomissão, considerando os recursos humanos disponíveis, o grande acesso ao mercado editorial em Teologia e Ciências da Religião no país e a grande demanda por obras de referência na área, as quais ainda permanecem sem tradução para o português.
A média de publicação de artigos em periódicos dos estratos A1-B1 foi de 13,2 (mediana 8, desvio-padrão 9,76) por programa. Já a publicação de artigos em periódicos dos estratos B2-B5 foi de 10,7 (mediana 8, desvio-padrão 10,17). Quanto a livros (autorais e capítulos), a média de produtos no período foi de 44,5 (mediana 45,5; desvio-padrão 23,26). Quanto aos anais, a publicação está na média de 20 produtos (mediana 14, desvio-padrão 17,9).
Quanto à distribuição da criação bibliográfica por programa, correspondente à publicação em periódicos nos estratos A1-B1, observa-se que 45% dos programas encontram-se acima da média de 13,2 artigos no período 2013-2014, enquanto 50% dos programas estão abaixo dessa média.
Por sua vez, quanto à distribuição da produção bibliográfica veiculada em periódicos B2-B5, a média para esse item foi de 10,7 produtos no período, observando-se que 55% dos PPG encontram-se nessa média ou a superam, ao passo que 45% dos programas estão abaixo da média. Em 33% desses casos, não se observa concentração da produção em livros ou em estratos superiores, o que se pode observar nos demais programas abaixo da média quanto à produção em periódicos (66%).
Quanto à produção em livros na área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia e Ciências da Religião, 50% dos PPG superam a média de 44,5 produtos, enquanto 10% encontram-se na média e 40% abaixo dela.
Já quanto aos Anais, cuja média entre os programas é de 20 produtos no período, a área Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia e Ciências da Religião conta com 35% dos PPG situados na média ou acima dela, enquanto 10% dos programas a superam consideravelmente. Por outro lado, 15% dos programas estão significativamente abaixo da média da área/subcomissão.
Quanto aos trabalhos técnicos, a apresentação de trabalhos apresenta uma média de 54,65 produtos. Observa-se que 55% dos PPG atingem ou superam essa média, enquanto 30% estão bastante abaixo dela.
A atividade da área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia e Ciências da Religião quanto à organização de eventos tem média de 22 eventos, marca essa atingida por 50% dos programas. Além dos Congressos das principais associações, como a Anptecre a Soter e a Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR), há congressos, simpósios e seminários organizados pelos programas ou por outras associações da área.
Considerada a produção total, a média é de 355,9 produtos, tendo a área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Teologia e Ciências da Religião, produzido 7.118 itens.
Considerações Finais
O presente trabalho procurou destacar o perfil dos egressos de Programas de Pós-Graduação em Teologia e em Ciências da Religião. A reflexão que aqui se propôs apresentar representa uma iniciativa de colocar em pauta um debate em torno da especificidade da formação dos pós-graduados em Teologia e em Ciência(s) da(s) Religião(ões). Além disso, o artigo trouxe dados que devem ser considerados parciais, relativamente ao período quadrienal de avaliação 2013-2016. Os dados foram levantados no seminário de acompanhamento realizado pela Capes a partir das informações disponibilizadas pelos Programas por meio da Plataforma Sucupira.
A área de Filosofia/Teologia: Subcomissão Ciências da Religião e Teologia avança em seu processo de consolidação. O caminho é ainda longo se comparado a outros países do continente europeu e norte-americano. Com seus 44 anos, a área/subcomissão compartilha da igualmente jovial Pós-Graduação brasileira, definida no Parecer nº 977/65, de 3/12/1965 (BRASIL, 1965), cujo relator foi o Prof. Newton Sucupira (1920-2007).
Desde então, permanecem como desafios a qualidade de vida, a cidadania, a consolidação do processo de internacionalização com qualidade, o avanço na compreensão da interdisciplinaridade, o compromisso com a educação básica e a diminuição das assimetrias regionais no país.
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Notas
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