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Sexo no Islã não é tabu: desejos, prazeres e práticas das mulheres muçulmanas
Camila Motta PAIVA; Francirosy Campos BARBOSA
Camila Motta PAIVA; Francirosy Campos BARBOSA
Sexo no Islã não é tabu: desejos, prazeres e práticas das mulheres muçulmanas
Sex in Islam is not a taboo: Desires, pleasures and practices of Muslim women
Reflexão, vol. 42, núm. 1, pp. 113-124, 2017
Pontifícia Universidade Católica de Campinas
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Resumo: Pesquisar sexualidade na religião é tarefa complexa. Por mais que exista uma tentativa de afastar a religião do debate sobre a sexualidade, é fato que há um importante entrelaçamento entre estas duas categorias. Em todas as sociedades, definem-se as normas sexuais e delineiam-se quais seriam as transgressões, sendo a religião uma das instâncias de sua regulação. No caso do Islã, por estabelecer um código de conduta a ser seguido em todas as esferas da vida dos muçulmanos e das muçulmanas, inclusive no que diz respeito à vivência da sexualidade, sexo e prazer apresentam moralidade e ética específicas. Para entender quais são as práticas, vivências e sentidos atribuídos à sexualidade, é preciso antes considerar as prescrições do que é lícito (halal) e ilícito (haram) de acordo com a religião, em seus próprios termos. A partir do diálogo com mulheres muçulmanas e de aulas de religião frequentadas pela pesquisadora, serão tecidas reflexões sobre a concepção islâmica da sexualidade e suas implicações para o exercício da sexualidade feminina. Apesar das prescrições existentes, mesmo dentro da licitude do casamento, a prática sexual no Islã extrapola a finalidade reprodutiva. Há um incentivo aos prazeres, colocando a satisfação sexual como um direito de ambos os cônjuges. Torna-se crucial relativizar o clichê da mulher muçulmana sexualmente reprimida: diferentemente do que se pensa no senso comum, sexo no Islã não é tabu.

Palavras-chave: IslãIslã,Mulheres muçulmanasMulheres muçulmanas,SexualidadeSexualidade.

Abstract: Researching sexuality in religion is a complex task. While there is an attempt to alienate religion from the debate about sexuality, there is an important connection between these two categories. Sexual norms and their transgressions are defined in all societies and religion is one of the instances in which they are regulated. In the case of Islam, by establishing a code of conduct to be followed in all spheres of life of Muslims, including the experience of sexuality, sex and pleasure, have a specific morality and ethics. In order to understand the practices, experiences and senses attributed to sexuality, one must first consider the prescriptions of what is lawful (halal) and unlawful (haram) according to religion, in its own terms. From the dialogue with Muslim women and religion classes attended by the researcher, reflections will be outlined about the Islamic conception of sexuality and its implications for the exercise of female sexuality. Despite the prescriptions even within the lawfulness of marriage, sexual practice in Islam extrapolates the reproductive purpose. There is an incentive to pleasure, placing sexual satisfaction as a right of both spouses. It becomes crucial to relativize the cliché of sexually repressed Muslim women: unlike common sense, sex in Islam is not a taboo.

Keywords: Islam, Muslim women, Sexuality.

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Artigos: Dossiê

Sexo no Islã não é tabu: desejos, prazeres e práticas das mulheres muçulmanas

Sex in Islam is not a taboo: Desires, pleasures and practices of Muslim women

Camila Motta PAIVA
Universidade de São Paulo, Brazil
Francirosy Campos BARBOSA
Universidade de São Paulo, Brazil
Reflexão, vol. 42, núm. 1, pp. 113-124, 2017
Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Recepção: 23 Janeiro 2017

Aprovação: 14 Junho 2017

Financiamento
Fonte: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
Número do contrato: 2015/26295-2
Descrição completa: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Processo nº 2015/26295-2).
Introdução

O boom dos estudos de gênero e sexualidade se deu nas últimas duas décadas, com o crescimento e impulso dos movimentos sociais e sua inserção participativa na academia. Os eixos são diversos, uma verdadeira explosão de discursividades: feminilidades, masculinidades, homo e heterossexualidades, saúde e direitos reprodutivos, prostituição, pornografia, erotismo, comportamento e educação sexual são apenas alguns deles, analisados sob a ótica da psicologia, antropologia, medicina, biologia, etc.

No campo das Ciências Sociais, a sexualidade deixou, gradativamente, de ser pensada pelo viés organicista e passou a ser vista como construção social, perpassada pela cultura. Se “a moral sexual é um fato da cultura”, consequentemente a atividade sexual “sempre esteve atrelada a regras que variam segundo as sociedades” (SANTOS; CECCARELLI, 2010, p.23). Neste panorama, as religiões se apresentam como uma das principais instâncias reguladoras da vivência e exercício da sexualidade. Não cabe mais proceder com a visão estereotipada e dicotômica, de que as religiões pertencem à esfera do antiquado e devem ser excluídas do debate sobre a sexualidade, esta, sim, a suposta bandeira da modernidade. Não se trata aqui de temas que se opõem e nem se distanciam, mas que se aproximam na medida em que consideramos a religião um importante fator quando pensamos a constituição das subjetividades.

Sob o enfoque das pautas atuais de pesquisas que vêm sendo feitas em campo islâmico, destacam-se aqui os estudos de gênero e sexualidade. Neste artigo, propõe-se uma reflexão por meio de uma tentativa de aproximação entre estes dois temas equivocadamente considerados tabus - sexualidade e religião. O objetivo é compreender como se dá a vivência da sexualidade para algumas mulheres muçulmanas, em consonância com a sua identidade religiosa - é desse lugar específico que os discursos serão construídos, enunciados, ouvidos, pensados. Nesse sentido, a sexualidade pode ser compreendida pela via das práticas e dos discursos, mas também englobando “sensações, desejos, atrações, emoções, representações, que definem, sob diferentes circunstâncias, as fronteiras entre o que é sexualmente desejável e o que é indesejável, o que é respeitado e o que é vergonhoso” (SIMÕES; CARRARA, 2014, p.78).

Sobre a sexualidade feminina sempre incidiu a repressão e o estigma da passividade - a mulher na posição secundária de direito ao prazer, uma primazia masculina. Os estigmas são reforçados se atentamos para a interseccionalidade entre dois marcadores da diferença de ser mulher e ser muçulmana: como estes marcadores se articulam? A pertença religiosa está pretensamente associada à insatisfação sexual, à culpa, à frigidez, e a uma relação sexual estritamente ligada à reprodução. Os pré-conceitos - como espero demonstrar ao longo do texto -não se sustentam. Olhar a religião pelas lentes de gênero e sexualidade pede para que enxerguemos seus complexos intercruzamentos.

Existe uma variedade de discursos possíveis acerca da sexualidade da mulher muçulmana, mas a cristalização de um deles faz com que todos os demais pareçam inovações ou até mesmo profanações, quando, na verdade, são apenas outras leituras possíveis, que utilizam chaves de interpretação diversas. A mulher muçulmana vêm sendo fetichizada sob o clichê do ‘desvelar-se’: o que esconde por debaixo do véu? É a mulher muçulmana aquela que aos olhos dos demais deve ‘ser salva’ - mas, afinal, elas precisam de salvação? (ABU-LUGHOD, 2012). A proximidade com mulheres muçulmanas me deu a resposta: um sonoro “não”.

Existe uma ideia difundida socialmente de que a verdadeira liberdade sexual está diretamente condicionada a ser ativa e livrar-se de pudores, concepção esta que ignora que todas as escolhas devem ser respeitadas. Não ser sexualmente ativa, guardar-se, preservar-se, não se expor - também são formas de ter autonomia sobre seu corpo, empoderar-se e sentir-se bem com suas opções de vida.

É evidente que a misoginia não reside nas religiões, e sim nos homens que mal as interpretam. As violações dos direitos sexuais das mulheres muçulmanas, quando ocorrem, “não são resultado de uma opressiva visão islâmica da sexualidade, mas, sim, de uma combinação entre os fatores econômicos, políticos e sociais” (ILKKARACAN, 2002, p.771) - e aqui pode-se acrescentar a estrutura patriarcal dominante nas sociedades como um todo, não apenas nas muçulmanas.

O intuito deste texto é mostrar o que de fato as fontes religiosas dizem sobre o assunto da sexualidade no Islã: sexo no Islã é também prazer, relação, devoção, é ornamento. As fontes sobre a ética sexual no Islã concentram-se no Alcorão, nos ditos e feitos do Profeta Muhammad (sunnah) e na jurisprudência islâmica (fiqh). Serão apresentadas, também, algumas falas de interlocutoras entrevistadas, bem como extratos de palestras religiosas tanto proferidas por sheiks, ao vivo, na mesquita, quanto virtualmente, por resumos de aulas ou sermões postados no Facebook.

Baixem suas vistas e custodiem seu sexo

Ó homens! Temei a vosso Senhor,

Que vos criou de uma só pessoa e desta criou sua mulher, e de ambos espalhou pela terra numerosos homens e mulheres [...] (ALCORÃO 4:1).

Não é de hoje que a Psicologia, a Antropologia e áreas afins lançam seu olhar para o impacto do mito de Adão e Eva na constituição de discursos acerca do homem e da mulher. No Islã, o ser humano é a mais importante das criaturas. Deus criou o homem em primeiro lugar, e dele criou a mulher, e esta, apesar de segunda na ordem da criação, não é entendida de forma alguma como inferior. São tomados como diferentes: na visão religiosa islâmica, homens e mulheres possuem diferenças cruciais, fundadas na Biologia e concretizadas nos papeis e responsabilidades diversas que a eles foram designados. Sobre isso, o Alcorão nos diz que, assim como existem a noite e a luz, Allah criou o masculino e o feminino. Desta forma, é tomado como certo que os esforços dos dois são diferentes, bem como são diferentes as metas a se atingir (ALCORÃO 92:1-5).

Segue aqui reproduzido, um trecho da transcrição da aula de religião postado na página pública oficial da Mesquita Brasil (2016a, online) no Facebook:

[...] O que é dito a respeito da Eva, alegando que por culpa dela as mulheres passam por menstruação e pelas dores do parto! Tudo isso, não tem argumentação alguma, porque se formos analisar detalhadamente, o culpado nisso foi o Adão e não a Eva como muita gente pensa! Porque o Adão é que era responsável pela Eva e não vice-versa. Os homens quando querem humilhar a mulher jogam a culpa sobre ela, e quando é para reconhecê-la, não faz e se atribui a meritocracia pelo sucesso [...] (notas do caderno de campo).

Ora, se à Eva cabia ser companheira, a Adão cabia zelar por Eva, protegê-la. Em primeiro lugar, essa enunciação nos mostra que existem características que vêm sendo associadas às esferas do masculino e do feminino desde tempos imemoriais. Mas, acima de tudo, a fala do sheikh é valiosa ao criticar a hierarquização das diferenças entre homens e mulheres, além de frisar que a culpabilização da mulher é uma deturpação da religião. Outra decorrência da fala do sheikh é que ele esclarece uma questão importante: o Alcorão é muito claro ao enunciar que nenhuma pessoa arca com falhas e pecados de outras. Este fato retira de toda a humanidade - sobretudo das mulheres - o peso de qualquer punição advinda da origem.

Com a expulsão do paraíso e a queda, homem e mulher tomam consciência da nudez - e, consequentemente, da sexualidade. Mas, expulsos do paraíso, onde tudo seria sensualidade e prazer, no mundo terrestre estão sujeitos às leis e às ordens. Não foi só Eva que se deixou convencer a comer do fruto proibido - o ato, as responsabilidades e as consequências são compartilhados. O Islã reconhece que tanto o homem como a mulher possuem desejos sexuais e o direito de satisfazê-los. Não há desejo sem lei - e as leis existem para garantir o desejo. Apesar da visão positiva que o Islã assume na temática da sexualidade - prazeres, bênçãos, recompensas -, a problemática da sexualidade feminina é contraditória: o Islã deu grande passo no reconhecimento dos direitos da mulher, inclusive ao prazer sexual. Porém, por outro lado, têm-se estereotipada a imagem de que a sexualidade feminina é avassaladora, perigosa e, portanto, deve ser controlada (ALI, 2006).

Na concepção islâmica, tudo foi criado em pares. É clara a noção de complementaridade - é nela que reside a ordem harmônica do mundo. Propõe-se, aqui, uma reflexão sobre tal enunciação, mais uma vez baseada no trecho de um resumo de uma aula de religião publicado na página pública do Facebook da Mesquita Brasil (2016b, online):

Allah criou todas as criaturas em casal, quer sejam seres animados ou inanimados, ou seja, macho e fêmea e, junto com eles, criou o desejo e a paixão. Este desejo move-se para uma união (fecundação), da qual acontece a reprodução que serve como forma de manutenção de cada espécie de criaturas. Allah diz: (E criamos um casal de cada espécie, para que mediteis.) 51:49. Não há nada no Universo que não tenha seu par, e isto nos leva a acreditar que somos dependentes, quem não é dependente é Allah, o Único que não tem par. Esta é a crença certa que o muçulmano tem de incluir no pacote da sua fé (notas do caderno de campo).

O trecho acima afirma que, de acordo com a crença islâmica, somos todos dependentes e precisamos do nosso par. Se contrariássemos essa disposição, estaríamos tentando nos igualar a Allah, o único que é suficiente em Si mesmo. Decorre daí que o muçulmano e a muçulmana precisam assumir sua posição de incompletude e, necessariamente, buscar um ao outro.

Se Allah criou o corpo dos homens e mulheres, ele também criou o desejo e a paixão. Abu-Lughod (1986) nos mostra como a expressão de sentimentos está ligada às categorias de cultura e de política, ao estudar estas manifestações entre uma tribo de beduínos no Egito. Decorre daí sua concepção de uma ‘micropolítica das emoções’, segundo a qual estes elementos estão articulados em negociações e jogos de poder. Existe uma particularidade na expressão dos sentimentos - e também na expressão e vivência da sexualidade.

No Islã, as mulheres muçulmanas devem se casar com homens muçulmanos. Já os homens podem se casar com mulheres que não são da religião, desde que sejam cristãs ou judias, ou seja, também seguidoras dos Livros Sagrados. A noção de construção dos afetos também é bastante presente na religião: o amor, bem como o sexo, vai se articulando dia após dia, depende da convivência, do cotidiano. Como segundo a crença islâmica só Allah é perfeito, é no cotidiano compartilhado do casal que as necessárias paciência e tolerância com defeitos e falhas alheias serão exercidas. Estabelecido este núcleo pela aliança do casamento, chega-se à sexualidade. No Islã, o sexo e o prazer são vivenciados a partir e dentro desta relação.

Em todas as construções culturais da sexualidade, a prática lícita se distingue da ilícita, definem-se as normas e delineiam-se quais seriam seus desvios e transgressões. Há formas diferentes de buscar e sentir prazer. A sexualidade é negociada. Há o desejo proibido, interdito pelas leis, etc. São múltiplas as camadas de sentidos. De acordo com a religião, é uma obrigação religiosa que um parceiro preze pelo prazer do outro, o que retira os homens do papel usualmente convencionado de que são apenas eles os que devem ser satisfeitos. As relações devem ser prazerosas para ambos, e a sua impossibilidade é até mesmo motivo válido para divórcio, seja por iniciativa de homens ou de mulheres. Não responder aos desejos do cônjuge sem uma razão legítima é falta grave, grande pecado (BAHAMMAM, 2014).

Trata-se de uma religião que rejeita completamente a ideia de sublimação sexual, mas em matéria de sexo, o “tudo usufruir” nunca será possível: tanto a fornicação quanto o adultério (zinà) são grandes pecados. Ainda que a relação sexual dentro do casamento seja lícita (halal), não significa que qualquer prática é liberada, pois dentro da categoria da licitude sexual também existem regras: o sexo anal não é permitido e não deve ocorrer penetração durante o período menstrual, por exemplo.

O casamento é altamente incentivado e considerado metade da prática religiosa. Aquele que se casa está protegendo a si mesmo daquilo que é ilícito (“guarda a si mesmo”) e passa, a partir desse momento, a ter como função a proteção de sua família (“guarda a sua família”) (ALCORÃO 66:6), elementos que frisam a importância da instituição familiar na religião. Os prazeres sensuais devem ser vividos e experimentados dentro do matrimônio, pois fazem parte da criação divina. Ao limitar a prática sexual apenas para esposa-esposo, a estrutura da família, principal instituição social, é protegida.

Além de afastar homens e mulheres da fornicação e adultério, as prescrições islâmicas visam afastar os muçulmanos e muçulmanas de qualquer circunstância que os levariam a tais transgressões, ainda mais considerando que o Islã apresenta um conceito estendido de sexo. É relatado que o Profeta disse: “O adultério dos olhos é a visão (olhar para uma coisa proibida), o adultério da língua é o falar [...] e os desejos das partes íntimas testemunham tudo isso ou negam” (compilado por Bukhari & Muslim)2 . Assim, de acordo com a tradição islâmica, a divisão homossocial e o uso do hijab para guardar a beleza da mulher entram, aqui, como fatores de proteção necessários para uma sociedade livre das tensões sexuais: “baixem suas vistas e custodiem seu sexo” (ALCORÃO 24:30).

Se o Profeta Muhammad falou, por que nós não podemos falar?

As categorias são construções sujeitas à análise e reflexão. O próprio trabalho de campo é, primeiramente, uma atividade de construção, pois os fatos etnográficos não existem per se (GOLDMAN, 2003). Por mais que se busque romper com os binarismos, não há como falar de sexualidade no Islã sem considerar as categorias de demarcação do que é lícito (halal) e do que é ilícito (haram). Os textos encontrados sobre sexualidade no Islã costumam ser mais prescritivos do que descritivos: relatam pormenorizadamente as regras, os interditos, as obrigações, as práticas adequadas, mas não nos contam muito a respeito do que é de fato praticado. Claro, deduz-se que o muçulmano segue esse modelo de conduta, essa ética sexual. Mas persiste a vontade de melhor compreender a práxis sexual para além do discurso religioso - quais são suas nuances, suas dores e suas delícias na vida cotidiana das muçulmanas e muçulmanos.

Para Foucault (2015, p.63) “existem, historicamente, procedimentos para produzir a verdade do sexo”, seus saberes. No caso do Islã, o saber recai sobre a própria prática sexual, o saber constituído sobre o sexo deve permanecer secreto, por discrição - com sua divulgação ele perderia a eficácia? Estar-se-ia agindo como promotora do método confessional ao fazer o outro falar? Por que extrair das mulheres esta confissão? Foucault cita alguns discursos paralelos sobre sexualidade, como o da biologia, do direito, da religião. No Islã, estes discursos se fundem, se mixam.

Um dia, recebi o alerta de uma mulher muçulmana: “olha, você corra da patrulha do haram!”. Ela havia sido criticada pela maquiagem que usava e estava expondo em público, para homens e mulheres ali presentes, que não era a maquiagem que ela usava que fazia dela uma mulher “menos muçulmana” que outra “de cara lavada”, assim como sua fé não era menor que a de outros homens.

Na leitura de “O antropólogo e sua magia” (SILVA, 2015, p.30), encontrou-se a seguinte pergunta feita, pelo autor, aos seus interlocutores antropólogos: “como se separam as categorias religiosas das explicações científicas”? É claro que o Islã não é feminista. O Islã é uma religião, um código de vida. Em nenhum momento a interlocutora citada falou de feminismo, e ninguém tem o menor direito de “encaixá-la” no movimento. Mas é possível usar as categorias gênero e sexualidade como chaves de compreensão, de análise, de pensamento, de reflexão sobre a religião, para dela fazer uma leitura feminista, por exemplo.

É perfeitamente possível reconhecer as mulheres muçulmanas como sujeitos desejantes, através do caminho proposto por outras leituras religiosas que não a literalista, chaves de interpretação diversas das que vem sendo feitas historicamente por homens, como as propostas por Ahmed (1992), Badran (2009), Barlas (2002), Mernissi (1975) e Wadud (1999). Tenta-se suprir uma lacuna da relação problemática entre feminismo e tradições religiosas, visto que o próprio movimento feminista acaba, muitas vezes, não legitimando os discursos das mulheres muçulmanas (MAHMOOD, 2006).

Assim como predomina na maioria das sociedades, a estrutura familiar nuclear é a norma no Islã: uma família é composta por um homem e uma mulher, que estabelecem uma aliança pelo contrato do casamento, o qual, como já enunciado, dá a permissão para o sexo entre o casal. Como a vida sexual só pode ser concebida dentro do casamento, talvez resida aí uma das dificuldades em ofertar educação sexual islâmica. Isso lembra uma conversa informal tida com uma interlocutora bastante jovem, que revelou, às vésperas de seu casamento, ter muita vontade de falar sobre sexo, com as mulheres mais experientes da comunidade, mas que, por ainda não ser casada, achava melhor esperar e só perguntar depois, pois temia os julgamentos que poderiam ser feitos sobre ela.

Afirmando ter encontrado a “verdadeira liberdade” na religião islâmica, ela diz: “antes (de abraçar o Islã) eu achava que liberdade era transar com todo mundo, mas agora sei que liberdade é dizer não”. Em conversa mais aprofundada, ela deixa bastante claro o seu ponto de vista: não enxerga as prescrições como um cerceamento, mas, sim, compreende que não se entregar afoitamente aos desejos, faz com que a pessoa tenha maior domínio sobre si e, assim, alcance a liberdade “sem se perder”.

De acordo com o versículo 28 da sura “Al Cahf”, a sura da Caverna, não se deve escutar àquele cujo coração “se entregou aos seus próprios desejos, excedendo-se em suas ações”. Ou, como na transcrição do seguinte sermão postado no Website da Mezquita de Granada (2016, online), Espanha (6 maio 2016, notas do caderno de campo):

Esa enfermedad, la más peligrosa, es el seguir, sin ningún tipo de freno, sin ningún tipo de control, las pasiones y los apetitos, es seguir esas pasiones que van en contra de lo establecido por Allah, esas pasiones que son únicamente fruto del deseo de tu nafs, ya que todo acto de desobediencia, por pequeño que pueda ser, tiene su origen en obedecer las pasiones a las que te llaman y te tientan tu nafs y el Shaytán. Dice Allah: Y si no te responden, sabe que únicamente están siguiendo sus pasiones. ¿Y quién está más extraviado que aquel que sigue sus pasiones sin ninguna guía de Allah? Es cierto que Allah no guía a la gente injusta.

Nas palavras do sheikh, é preciso atentar para o sentido da palavra “proibição”: usualmente utilizada com um sentido negativo, privativo, esta palavra tem, na religião, o sentido de proteção, de guia (notas do caderno de campo).

Justamente por isso, é preciso, também, ser cuidadoso e não reduzir a sexualidade no Islã a uma lista de “pode” e “não pode”. Como afirmam alguns muçulmanos Lesbian, Gay, Bisexual, Transsexual, Queer, Intersex, Asexual (LGBTQIA): “isso é entre mim e Allah”, ou seja, é uma negociação que é feita. O mesmo ocorre com algumas mulheres, quando “negociam” com Allah o uso do véu, por exemplo. Foi o que disse uma interlocutora que não usa hijab. O motivo? Diz que é por conta do seu trabalho: trabalha com classe média e alta e não teria boa aceitação. “Nem cachos pode, que dirá véu [...]”.O recorte feito nesta pesquisa é o das muçulmanas que vivem no Brasil, um país onde o Islã é uma religião minoritária, e suas normas não possuem valor coercitivo, mas, sim, um peso moral sobre cada um dos seguidores. Na mesquita, circula uma variedade de posicionamentos sobre o hijab: há quem usa e não acha correta a postura de quem não usa; há quem não usa ainda, mas quer usar um dia; há quem não usa devido a certas circunstâncias e está satisfeita com a decisão tomada.

Assim como “o véu não cobre pensamento” (FERREIRA, 2013, p.194), também o véu não suprime a sexualidade. O mesmo conceito está presente na seguinte fala do sheikh: “esse lenço não é para cobrir a cabeça, ao contrário, a sua cabeça tem que ser muito descoberta, muito aberta. É o cabelo, não a cabeça [...]” (notas do caderno de campo). Sem dúvidas, o hijab está sempre em pauta nas discussões sobre a religião e sobre a liberdade sexual feminina. Como em qualquer outro recorte social, o debate sobre gênero e sexualidade está presente, a todo momento, na religião, mesmo que implicitamente, e as normas vão sendo articuladas, negociadas e até mesmo subvertidas.

Logo na minha primeira visita a uma mesquita, uma mulher muçulmana questionou sobre a finalidade da minha pesquisa. Ao saber, maravilhou-se. “Você sabe que ficam falando esse papo de que somos reprimidas, colocam tudo sobre a mulher, mas as regras (referindo-se, especialmente, ao sexo pré-marital) valem para os dois. É para homem e para mulher [...] e não tem isso de namoro”. Apesar disso, conta “que ela e o marido namoraram, mas na época havia desconhecimento dela sobre essa regra (embora, obviamente, houvesse conhecimento por parte dele [...])”. Ela comenta a grande falta que faz uma orientação direta para as mulheres, e que a existência de um “departamento feminino” nas mesquitas é uma pauta relevante. No início, tinha muitas dúvidas, mas não tinha a quem perguntar. Por que não para o sheikh?

Timidez, vergonha e pudor são, em qualquer contexto, três conceitos insistentemente associados à vivência da sexualidade feminina. Assumir seus desejos e o controle do próprio corpo foi, por muito tempo, tomado como postura desviante, antifeminina, despudorada. Entram aí as tão banalizadas concepções de ‘mulher direita’, ‘mulher para casar’ e, bastante presente no discurso islâmico, a ‘mulher joia’, aquela que é valiosa, preciosa por guardar suas virtudes.

Em conversa privada com o sheikh, ele assume que, embora a sexualidade seja, dentro da religião, um assunto tratado de forma aberta desde os seus primeiros tempos, parece, atualmente, haver certa dificuldade em falar sobre sexualidade - o sheikh comenta que é raro alguém o procurar para falar do assunto. “Precisamos falar sobre isso, minha boca fala tudo. Se o Profeta Muhammad já falou disso tudo (sexo) na sunnah, por que nós não podemos falar? ”.

Mas, ainda assim, existe resistência. Nas falas de alguns muçulmanos, tanto homens como mulheres, percebe-se que há a ideia de que, justamente por ser tratado na sunnah, considera-se esse assunto como se já tivesse sido resolvido e não houvesse mais o que se pesquisar e pensar sobre ele. Recentemente, tomou-se conhecimento da seguinte afirmação, endossada por uma mulher muçulmana: “é detestável aquele que espalha os segredos íntimos”. Será esta uma barreira às informações que eu desejo acessar? Neste momento, retoma-se o alerta da interlocutora já citada: “corra da patrulha do haram”. Com respeito e seriedade, e como mostra a própria religião em suas fontes, não há tema tabu.

A forma como é tratada a sexualidade feminina, em se tratando de Islã ou não, provém de uma combinação de fatores históricos, culturais, sociais, políticos. É crucial saber filtrar o que é da religião daquilo que foi mesclado com a cultura. Ramadan (2016) também alerta para a necessidade de retornar às fontes e fazer a distinção entre os princípios religiosos que constituem os muçulmanos como unidade, e as tradições culturais que variam de acordo com a sociedade na qual estão inseridos. Em sexualidade, tal separação também se mostra bastante relevante e se faz necessária.

Infelizmente, quando falamos de sexualidade no Islã, várias práticas violadoras e agressivas são as primeiras que vêm à tona: crimes de honra, mutilação genital, testes de virgindade, casamentos arranjados contra a vontade da mulher, entre outros exemplos (ILKARAKKAN, 2002). Mas a autora alerta que tais procedimentos não têm nenhuma base corânica - são práticas que alguns países ou regiões específicas realizam com base em tradições ou interpretações distorcidas. Falar de forma generalizada sobre o que supostamente acontece no “mundo islâmico”, além de muito amplo, sugere uma homogeneidade que não existe. A variedade de interpretações religiosas, combinadas com as culturas e valores locais, tanto podem promover como negar os direitos sexuais.

Recentemente, um diálogo com uma mulher muçulmana revertida, casada com um muçulmano egípcio, ajudou bastante na compreensão de algumas dessas questões. Em sua noite de núpcias, por exemplo, uma tia de seu marido exigiu dela a prova da virgindade, que no caso seria o lençol manchado de sangue - algo que nada tem a ver com a religião. Da mesma forma, a interlocutora chegou até a religião pelo seu forte encantamento com um item cultural do Egito, bastante imiscuído em nosso imaginário: a dança do ventre.

Quando se fala de sexo, fala-se de corpos, de fronteiras. É no corpo que se situam os pulsionais: sensações, sentidos, experiências. Ferreira (2007) faz uma bela análise de como a religião modula o corpo dos muçulmanos - o corpo coberto, o corpo em jejum, o corpo prostrado. No caso do corpo das mulheres, a tentativa de controle, vigilância e autoridade sobre ele não é algo exclusivo das sociedades muçulmanas. A sexualidade é entendida de forma diferente, dependendo do contexto - mesmo em se tratando de contextos islâmicos, e cada um oferecerá suas restrições, mas também suas formas de resistência (HÉLIE; HOODFAR, 2012).

Outra interlocutora fornece um ponto de vista interessante. Para ela, as regras nunca foram vistas como restrições: “eu acreditava e ainda acredito que sexo só depois do casamento [...] é mandamento”. Após dois matrimônios, sentindo a dificuldade do mercado matrimonial competitivo entre muçulmanos no Brasil e tendo a certeza de que “não queria ficar sozinha”, optou pelas redes sociais e sites de relacionamento halal - um fenômeno interessante, até então desconhecido pela autora deste artigo. Breve pesquisa feita informalmente em mecanismos de busca apontou uma variedade de sites deste tipo, sendo o Muslima.com e o Qiran.com os mais acessados: de acordo com o Muslima.com, sua base de dados é composta por mais de 4,5 milhões de muçulmanos espalhados por todo o mundo, enquanto o Qiran.com conta, atualmente, com mais de 3 milhões de membros.

O Qiran.com (2016, online) esclarece que é um website projetado para pessoas que estão procurando um casamento muçulmano “feliz e bem-sucedido”. A intençao não é a de promover encontros, mas facilitar e simplificar o processo na busca de um parceiro de vida. “Em outras palavras, este é um site de casamento muçulmano e não de namoro muçulmano. Estudiosos muçulmanos concordam, por unanimidade, que o namoro é proibido no Islã”. Interessante ressaltar que a relação entre Islã e web deve, em futuras publicações, ser ainda melhor explorada. Se por um lado, estes sites de relacionamento incentivam o relacionamento halal (o casamento, nikah), por outro, estatísticas recentes fornecidas pelo Google Trends, baseadas nos termos mais buscados pelas pessoas de cada nação, mostram que seis países de tradição muçulmana estão entre os dez que mais procuram por pornografia online: Paquistão, Egito, Irã, Marrocos, Arábia Saudita e Turquia (THE EXPRESS TRIBUNE, 2015).

Importante recurso para debates e esclarecimento de dúvidas têm sido os fóruns online. Marcotte (2010) analisou o conteúdo de um fórum online sobre sexualidade para adolescentes na Austrália, e o resultado chama a atenção para uma das diferenças consideradas básicas ao se tratar de sexualidade e ao comparar as vivências entre muçulmanos e não-muçulmanos: de forma geral, está impregnada nas sociedades que a ausência de sexo antes do casamento leva a pessoa a uma grande frustração sexual. Na visão dos muçulmanos ocorre o contrário: a masturbação e a prática do sexo antes do casamento legítimo é que levam à frustração, à desordem.

Quando o tópico em questão era especificamente a relação sexual antes do casamento, não-muçulmanos, em sua maioria, eram favoráveis, argumentando que era uma forma de conhecer a pessoa e com ela adquirir intimidade. Se apenas essa ideia for considerada, e a transportarmos para a visão islâmica, não fará nenhum sentido. Para os muçulmanos, a ideia é diametralmente oposta, pois a intimidade no casamento é construída, e é a partir dessa legitimidade que se dão as relações. Eis o enorme erro de tentar analisar categorias apenas justapondo-as, e não as compreendendo em seus próprios termos.

Nas sociedades ocidentais, a própria palavra "religião” já carrega consigo as conotações de obrigação, compulsão e até mesmo de algo antiquado. Tomar leigamente como “Ocidente” a modernidade, é uma afirmação da razão, da autonomia do indivíduo e da exigência do progresso, das ciências, da secularização e da democracia. Mas como salienta Ramadan, “esta modernidade não é a modernidade de todas as civilizações e de todas as culturas: é a modernidade do Ocidente”, algo como um “processo de libertação”. Em outras partes do mundo, esta “libertação” salvacionista não ressoa (RAMADAN, 2015). As avaliações feministas importam suas ideias de libertação das mulheres e normas de gênero para outros países e comunidades de forma que, muitas vezes, não ressoam com o contexto local (ABU-LUGHOD, 2012).

Considerações Finais

Vê-se pelos exemplos apresentados e analisados, que Islã, sexualidade, modernidade e feminismo não estão necessariamente em tensão. É interessante observar como a religião tem acompanhado as tendências e os debates importantes da atualidade, resguardando seus valores, sem romper com suas normas. É preciso compreender que as agendas e motivações das mulheres muçulmanas podem ser diferentes, mas incluem, sim, as arguições contemporâneas sobre gênero, corpo, direitos, sexualidade, empoderamento, etc. Especificamente sobre sexualidade no Islã, a literatura ainda é escassa em sua análise teórica e quase inexistente em termos práticos de pesquisa de campo.

Deste modo, espera-se que este artigo contribua com a discussão de gênero e sexualidade, apontando para o importante fato de que as mulheres muçulmanas possuem agenda própria e mostram que é possível viver o sexo de forma satisfatória e prazerosa dentro da experiência religiosa. Diferentemente do que comumente se pensa, sexo no Islã não é tabu.

É fato que se tenta silenciar e ocultar a sexualidade feminina, mas isso extrapola o contexto islâmico. Através das narrativas das mulheres entrevistadas, fica claro que elas possuem controle sobre seu corpo, estão envolvidas nestes debates contemporâneos e vivem sua sexualidade de forma livre, dentro do que tomam como suas chaves interpretativas: o casamento (nikah) é o espaço privilegiado de prazer, e a relação sexual um dos ornamentos da vida.

Material suplementar
Referências
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Notas
Notas
Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Processo nº 2015/26295-2).
2 Bukhari e Muslim foram estudiosos que compilaram a maioria dos hadiths, suas coleções são consideradas, pelos sunitas, as mais fiéis, Disponível em: <https://sunnah.com/bukhari/79/17 e <https://sunnah.com/muslim/46/33>. Acesso em: 18 abr. 2016.
Autor notes

Correspondência para/Correspondence to: C.M. PAIVA. E-mail: <camilapaiva@usp.br>.

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