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				<journal-title>Reflexão</journal-title>
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				<publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.24220/2447-6803v41n2a3868</article-id>
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					<subject>Apresentação</subject>
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				<article-title>Apresentação</article-title>
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						<surname>REBLIN</surname>
						<given-names>Iuri Andréas</given-names>
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					<institution content-type="original">Escola Superior de Teologia. R. Amadeo
						Rossi, 467, Morro do Espelho, 93001-970, São Leopoldo, RS, Brasil. E-mail:
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					R. Amadeo Rossi, 467, Morro do Espelho, 93001-970, São Leopoldo, RS, Brasil. E-mail:<email>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jul-Dec</season>
				<year>2016</year>
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			<volume>41</volume>
			<issue>2</issue>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative
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		<p>O protestantismo é um arcabouço que abriga contrastes curiosos. Nascido sob a égide do
			princípio &quot;<italic>ecclesia reformata semper reformanda est</italic>&quot;, na
			esteira da publicação das 95 teses na porta da igreja de Wittenberg no dia 31 de outubro
			de 1517 por Martinho Lutero, o protestantismo se constituiu como um movimento que,
			depois, se desdobrou em diferentes confissões religiosas dentro do cristianismo. A
			proposta de se repensarem certas doutrinas e práticas religiosas, num diálogo com o
			espírito bíblico diante do engessamento institucional da Igreja Cristã de então, das
			artimanhas de poder e de um controle do discurso religioso, não apenas balançou as
			estruturas da época como acabou formando pequenas novas microestruturas. Suas
			características, ora em maior, ora em menor escala, acabaram se repetindo, mas com uma
			diferença: a quebra de uma hegemonia e a proliferação de confissões religiosas acabaram,
			de certa forma, libertando o sujeito religioso, possibilitando-lhe não apenas escolher
			entre uma ou outra confissão religiosa, como também transitar entre elas, inclusive, sem
			a necessidade de se filiar a uma ou outra.</p>
		<p>Naturalmente, o movimento protestante acabou contribuindo para o surgimento do
			capi-talismo, da secularização e de outras transformações sociais, políticas, econômicas
			e culturais que, no mundo ocidental predominantemente cristão, ao menos, acabou
			relegando a própria religião para o âmbito privado. Apesar disso, ela - enquanto
			instituição de poder - continua exercendo uma influência significativa nas relações e
			nas práticas cotidianas, bem como na esfera pública, particularmente, no Brasil,
				<italic>vide</italic> as ações da bancada evangélica do Congresso, por exemplo. Não
			se está afirmando aqui que a dinâmica do protestantismo, seu movimento e seus
			desdobramentos foi ruim, mesmo porque o pensamento especulativo do &quot;o que
			aconteceria se...&quot; ou o &quot;e se...&quot; num olhar ao passado, à história,
			pertence melhor ao campo ficcional.</p>
		<p>É nessa direção que reside, a meu ver, a grande contribuição do protestantismo histórico
			para os estudos de Religião na América Latina: provocar o &quot;e se...&quot; não num
			olhar ao passado, mas num olhar ao presente com vistas ao futuro. Ou seja: provocar a
			suspeita sobre discursos, agenciamentos e articulações políticas, bem como provocar a
			pergunta &quot;tem que ser assim?&quot;, &quot;e se fosse diferente...?&quot;,
			&quot;pode ser diferente?&quot;, &quot;por que tem que ser assim?&quot;. Isto é, ao
			reclamar o poder da palavra, de dizer a palavra, de interpretar a palavra e repassá-la
			às pessoas, quebrando a hegemonia de enunciados e práticas, o movimento protestante
			rompeu com o feitiço da linguagem - tal como identificado por Ludwig Wittgenstein em seu
				<italic>Tratado Lógico-Filosóficos</italic> - e elucidou que fatos tidos por vezes
			como naturais (como as instituições e as organizações, por exemplo, as instituições
			religiosas) são construções sociais, sujeitas às dinâmicas das relações, suscetíveis a
			falhas e, portanto, passíveis de questionamento e transformação, como o próprio
			protestantismo. </p>
		<p>É claro que nem sempre o &quot;e se...&quot; evoca a melhor saída. E mesmo que evoque a
			melhor saída num determinado momento, nada impede que a mesma dinâmica de opressão
			retorne sob uma nova roupagem. Poder questionar para transformar, entretanto, é a ação
			implícita no princípio &quot;<italic>ecclesia reformata semper reformanda
			est</italic>&quot;. E esta é a outra contribuição do protestantismo: somos todos sempre
			e indelevelmente pecadores e, por mais que queiramos, por mais que nos esforcemos ou nos
			penitenciemos, não eliminamos essa característica de nossa carne, de nossa sequência de
			ácido desoxirribonucleico em nossas células (nosso DNA). Entretanto, &quot;quando tudo
			está perdido, sempre existe um caminho, quando tudo está perdido, sempre existe uma
			luz&quot;, como proclama Renato Russo na canção &quot;A via Láctea&quot;. E esse caminho
			é a justificação por graça e fé concedida por Deus. Essa é a dinâmica que se articula no
			espírito epistemológico protestante, e é essa dinâmica que você encontrará nos textos
			desta edição.</p>
		<p>Tenha uma boa leitura!</p>
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