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				<journal-title>Reflexão</journal-title>
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				<article-title>Os jornais evangélicos e a formação da mentalidade protestante no
					Brasil</article-title>
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					<trans-title><italic>The evangelical journals and the development of the protestant
						mentality in Brazil</italic></trans-title>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original"> Instituto Federal de Educação, Ciência e
						Tecnologia de São Paulo, Departamento de Humanidades. R. Pedro Vicente, 625,
						Canindé, 01109-010, São Paulo, SP, Brasil. E-mail:
						&lt;profarmandosilvestre@gmail.com&gt;.</institution>
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					<corresp id="c1"><label>*</label> R. Pedro Vicente, 625,
						Canindé, 01109-010, São Paulo, SP, Brasil. E-mail:<email>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Se é recente a implantação da imprensa no Brasil, em 1808, mais recente ainda é a
					atuação da imprensa protestante no país, iniciada em 1864 com a fundação do
					jornal Imprensa <italic>Evangélica</italic> pelo pioneiro presbiteriano Asbhel
					Green Simonton. A partir de então, vários outros jornais evangélicos circularam
					no país, como o 'Norte Evangélico' e 'O Puritano', órgãos oficiais da Igreja
					Presbiteriana do Brasil. Em 1958, esses dois jornais se fundiram para formar o
					'Brasil Presbiteriano'. Após tal processo, também a mentalidade jornalística
					presbiteriana mudou. De 1958 a 1964, o 'Brasil Presbiteriano' foi um jornal
					pluralista e aberto a questionamentos sócio-políticos. Em 1964, acompanhando as
					mudanças políticas do país, transformou-se num jornal conservador, com tendência
					ao fundamentalismo. Em 1978, houve novo cisma na Igreja, quando a linha adotada
					pelo jornal vinha sofrendo grande oposição. Finalmente, em 1986, o jornal
					começou a mostrar certa abertura político--eclesiástica. O percurso dos
					periódicos de 1864 a 1986 mostra que eles espelham os avanços e retrocessos da
					nação também na caminhada eclesiástico-institucional da Igreja Presbiteriana do
					Brasil. </p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title><italic>Abstract</italic></title>
				<p><italic>If the press has recent tradition in Brazil, beginning in 1808, the
						Brazilian Protestant press is even more recent and began in 1864 with the
						pioneer work of Presbyterian Asbhel Green Simonton and the foundation of the
						newspaper the 'Evangelical Press'. After that, several other evangelical
						newspapers circulated in the country such as the journals 'Northern
						Evangelical' and 'The Puritan', official organs of the Presbyterian Church
						in Brazil. In 1958, those two newspapers merged into the 'Presbyterian
						Brazil'. After this process, the Presbyterian journalistic mindset also
						changed. From 1958 to 1964, the 'Presbyterian Brazil' was a pluralistic
						newspaper and open to socio-political issues. In 1964,
						following political changes in Brazil, the 'Presbyterian Brazil' became a
						conservative newspaper, prone to fundamentalism. In 1978, after a new schism
						in the Church occurred, the approach of the newspaper began suffering great
						opposition. Finally, in 1986, the newspaper began to show some political and
						ecclesiastical opening. From 1864 to 1986 the newspapers mirrored the
						advances and setbacks of the nation as well as those occurring in the
						ecclesiastical institution of the Presbyterian Church in
					Brazil.</italic></p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Ideologia</kwd>
				<kwd>Igreja Presbiteriana</kwd>
				<kwd>Imprensa evangélica</kwd>
				<kwd>Protestantismo no Brasil</kwd>
			</kwd-group>
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				<title><italic>Keywords:</italic></title>
				<kwd><italic>Ideology</italic></kwd>
				<kwd><italic>Presbyterian Church</italic></kwd>
				<kwd><italic>Evangelical press</italic></kwd>
				<kwd><italic>Protestantism in </italic></kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Desde os seus primórdios, a imprensa se impôs como força política numa trama de
				múltiplas personagens no Brasil. Os governos e os poderosos a utilizaram e a
				temeram, seja adulando, seja vigiando, controlando ou punindo os jornais. Os que
				manejaram a &quot;máquina&quot; (jornal) tiveram uma variada gama de opções entre o
				domínio das consciências e a liberdade. Os alvos que procuravam atingir eram
				definidos antes da luta, mas o próprio movimento da história levou-os, muitas vezes,
				a mudar de rumo. Desse modo, acompanhar a sinuosa trajetória da produção
				jornalística é uma tarefa muito complexa. </p>
			<p>Para compreender a participação de um jornal na história, o pesquisador tem de fazer
				algumas indagações, logo de início: Quando se deu a sua fundação? Qual a sua função?
				A quem se dirige? O que busca? Quais resultados pretende obter? Com quais recursos
				circula e quais são os seus objetivos? Quem são os seus proprietários, editores,
				redatores e leitores? Quais são os seus opositores? Qual a sua postura ou linha
				política adotada? Com esses questionamentos preliminares, é possível delinear um
				perfil provisório dos periódicos eleitos como objeto de estudo, para fornecer pistas
				que apontem os caminhos trilhados pelo protestantismo presbiteriano no país,
				considerando que a imprensa protestante brasileira constitui farto manancial para o
				conhecimento do passado e possibilita o acompanhamento do crescimento das igrejas
				até os tempos atuais. </p>
			<sec>
				<title>Aspectos metodológicos</title>
				<p>Tendo em vista as considerações acima, o presente trabalho elegeu como objeto de
					estudo os jornais protestantes publicados no Brasil. O estudo se principia com a
					análise dos números iniciais do primeiro periódico editado no país, a
						<italic>Imprensa Evangélica</italic>, publicados entre 1864, ano de sua
					fundação, e 1867, ano da morte de seu fundador. Também foi realizado um estudo
					sequencial de vários outros representantes da imprensa protestante nacional, de
					forma panorâmica, com maior atenção aos precursores 'O Puritano' e 'Norte
						Evangélico'<italic>.</italic> Como principal objeto deste estudo, foram
					analisadas 450 edições do jornal 'Brasil Presbiteriano', publicadas de setembro
					de 1958 a julho de 1986. Foram ainda pesquisados quarenta exemplares de outro
					periódico, o 'Jornal Presbiteriano', gentilmente emprestados pelo seu
					idealizador, Dr. Eduardo Lane. </p>
				<p>Quanto aos referenciais teóricos, tomou-se, entre outros trabalhos, a dissertação
					de <xref ref-type="bibr" rid="B1">Aguilera (1988</xref>), &quot;Um povo chamado
					batista: um jornal (O Jornal Batista) a serviço da formação de uma mentalidade
					religiosa (1960-1985)&quot;, que toma por base o órgão oficial da Convenção
					Batista Brasileira para analisar sua mensagem religiosa e os fatos sociais,
					políticos, culturais e religiosos que atingiam a sociedade brasileira, como a
					luta contra o catolicismo por meio de uma ética de &quot;separação&quot;
					puritano-pietista e a oferta de um modelo de sociedade para o Brasil. Foram
					também analisadas a dissertação de <xref ref-type="bibr" rid="B21">Streck
						(1986</xref>), em que o autor pesquisa as questões de comunicação, poder,
					censura e seleção de notícias no Brasil dos anos 1970; e a tese de doutoramento
					de <xref ref-type="bibr" rid="B4">Beda (1993</xref>), que traz um resumo
					histórico da editoração cristã, dos periódicos protestantes e das gráficas e
					editoras evangélicas no país. </p>
				<p>O presente estudo baseou-se, ainda, nas reflexões desenvolvidas por <xref
						ref-type="bibr" rid="B20">Schünemann (1992</xref>) em sua tese, que
					pesquisou esse período de profundas mudanças experimentadas pelo Brasil. O autor
					tematiza a sociopolitização no interior da Igreja Evangélica de Confissão
					Luterana no Brasil (IECLB), com base na leitura de documentos históricos e
					entrevistas, sob influência da discussão contemporânea sobre fé e política.
					Aborda o contexto de crise sócio-político-econômica no país, bem como o contexto
					eclesial de igrejas desafiadas pela crise social e o contexto teológico de
					reflexão sobre essa crise brasileira. </p>
				<p>Considerando tal quadro de pesquisa acerca da imprensa protestante no Brasil, a
					extensão deste artigo é abrangente, com um estudo substancial dos jornais
					evangélicos desde o século XIX até meados dos anos 1980. Conforme mencionado, a
					pesquisa abrange desde o primeiro periódico protestante brasileiro, o jornal
					'Imprensa Evangélica', fundado pelo pioneiro pres-biteriano Asbhel Green
					Simonton, percorrendo, ainda que panoramicamente, os principais periódicos
					evangélicos dos séculos XIX e XX. Detém-se nos jornais que foram órgãos oficiais
					da Igreja Presbiteriana do Brasil: 'O Estandarte', 'Revista das Missões
					Nacionais', 'O Século, Norte Evangélico', 'O Puritano' e, por fim, 'Brasil
						Presbiteriano'<italic>,</italic> criado a partir da fusão dos dois últimos
					citados, em 1958.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>O surgimento da Imprensa e o desenvolvimento da Imprensa Evangélica no
					Brasil</title>
				<p>A tradição jornalística é recente no Brasil, onde a imprensa foi inaugurada
					apenas em 1808, sob o signo do oficialismo e com um atraso de três séculos. A
					tipografia e o jornalismo estavam impedidos pela administração colonial
					portuguesa, o que durou até a chegada de D. João VI. </p>
				<p>Entretanto, antes mesmo da descoberta do Brasil, Portugal já convivia com a
					tipografia, pois desde 1487 existiam livros e textos impressos em suas
					províncias (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BAHIA, 1990</xref>, p.10). Entre esse
					material impresso, incluía-se (embora não tivesse uma circulação própria de
					periódicos) o texto da &quot;Confissão de fé dos protomártires da
					Guanabara&quot;, que fazia parte do livro Arquivo Histórico Português (BAHIA,
					1990, p.143). Tratava-se de um abaixo-assinado de 1558, endereçado a Nicolas
					Durand de Villegaignon e elaborado pelos protestantes Jean du Bourdel, Matthieu
					Verneuil, Pierre Bourdon e Andrè la Fon (<xref ref-type="bibr" rid="B11"
						>CRESPIN, 1917</xref>). </p>
				<p>Já no Brasil, durante essa época, a arte gráfica foi clandestina. Por isso, a
					autoridade colonial bloqueou, em Pernambuco, a tentativa de fazer funcionar um
					prelo, em 1706 (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BAHIA, 1990</xref>, p.9). Em
					1746, foi aberta a tipografia de Antônio Isidoro da Fonseca, no Rio de Janeiro,
					porém foi fechada no ano seguinte, pela Carta Régia de 10/5/1747, que proibia a
					impressão de livros ou papéis avulsos. Por ter publicado 'O Exame de Bombeiros',
					Antônio Isidoro &quot;foi preso e severamente punido&quot;, conforme registra
					Affonso Ruy (BAHIA, 1990, p.10). Toda e qualquer manifestação livre do
					pensamento era asfixiada no Brasil colonial. </p>
				<p>Com a vinda da família real, a sede do poder mudou-se para o Brasil. A bordo da
					Meduza, uma das naus da família real, veio a tipografia, sob as ordens de Dom
					Antônio de Araújo de Azevedo, depois conde da Barca. Especificamente para a
					edição da Gazeta do Rio de Janeiro, ficou designado Dom Rodrigo de Souza
					Coutinho, depois conde de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bahia (1990</xref>,
					p.9). As oficinas da Impressão Régia foram instaladas em maio daquele ano e, no
					dia 10 de setembro passou a circular a 'Gazeta' do Rio de
						Janeiro<italic>.</italic> Porém, Hipólito da Costa se antecipou à corte e
					publicou, no dia 1° de junho de 1808, o Correio Brasiliense ou Armazém
					Literário; publicou--o em Londres, onde se encontrava exilado, foragido dos
					cárceres da Inquisição. Diferentemente da Gazeta, o Correio era um jornal
					mensal, moderno, dinâmico, crítico e que se impunha pela informação política e
					pela opinião corajosa. Dessa forma, Hipólito da Costa tornou-se o patrono da
					imprensa brasileira (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BAHIA, 1990</xref>,
					p.9).</p>
				<p>Quanto à imprensa protestante, aqui se traça uma linha histórica começando com o
					primeiro jornal protestante brasileiro, 'Imprensa Evangélica'<italic>,</italic>
					e acompanhando a trajetória de vários outros jornais protestantes até a fusão de
					dois deles para a formação do 'Brasil Presbiteriano'<italic>.</italic>
				</p>
				<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B19">Ribeiro (1981</xref>), o primeiro número
					de a 'Imprensa Evangélica', com 450 exem-plares, foi levado ao Rev. Robert
					Kalley ainda com a tinta fresca. Kalley foi um dos pioneiros do protestantismo
					brasileiro, médico e compositor, marido de Sarah Kalley, autores do primeiro
					hinário nacional, o Salmos e Hinos. Foi distribuído a endereços de pontos
					diferentes do Império, entre os quais os de sacerdotes católicos romanos. Era
					subvencionado pela missão, sob administração de Domingos Manoel de Oliveira
					Quintana, não muito tempo depois substituído por Camilo José Cardoso na função
					de gerente, contador e administrador da livraria até morrer. Na direção
					revezavam-se os missionários Rev. Simonton, Rev. Alexander Blackford e Rev.
					George Chamberlain (<xref ref-type="bibr" rid="B19">RIBEIRO, 1981</xref>, p.97). </p>
				<p>Durante vinte e oito anos a 'Imprensa Evangélica' teve um significativo valor
					para a implantação do presbiterianismo brasileiro. Foi o seu órgão oficial,
					sendo um documento que abordou, mesmo que superficialmente, as mudanças sociais
					e seu relacionamento com os movimentos reformistas seculares que nessa época
					agitaram a história do país. Em seus artigos sobre a vida cristã, usou a
					expressão &quot;O Pharol&quot;, em analogia com o Rio de Janeiro, para ilustrar
					verdades evangélicas. Dessa forma, sabiamente trazia traços nitidamente
					protestantes. Travou sua primeira polêmica ao publicar, em série de artigos
					consecutivos, o debate <italic>&quot;</italic>Esteve Pedro em Roma?&quot;.
					Também foi publicada uma série de artigos do ex-padre Antonio Teixeira
					d'Albuquerque: <italic>&quot;</italic>Três razões por que deixei a igreja de
						Roma<italic>&quot;</italic>. Em relação ao dever de educar corretamente os
					filhos nas doutrinas cristãs, publicou artigos com dados históricos e
					advertências aos pais. Comentou, na tentativa de tangenciar a realidade social
					brasileira, que <italic>&quot;</italic>O Projeto Saraiva não satisfez às
					aspirações do país: pelo contrário, só satisfez aos fazendeiros&quot;. Afirmou
					ainda que a escravidão, <italic>&quot;essa praga&quot;</italic>, gradualmente
					desapareceria do país. </p>
				<p>Essas foram suas pequenas contribuições, com mostras de consciência social. Mas,
					em geral, o jornal foi muito contido e até um pouco distante da realidade
					nacional, tanto que, no curto período analisado (do primeiro número, de 1864, à
					edição de 20/12/1867, quando da morte de seu fundador), há mais notícias
					estrangeiras do que sobre a realidade brasileira. Em seus editoriais, o jornal
					combateu o uso de força policial contra os protestantes e contra a xenofobia da
					época, o que considerava incoerente com as ideias de progresso, usando a
					Constituição para defender a liberdade de culto e de imprensa. </p>
				<p>Após a morte de Simonton, seu cunhado Rev. Alexander Blackford sucedeu-o na
					direção do jornal. O último número saiu no dia 2 de julho de 1892, tendo como
					redator J. A. Corrêa. As tentativas de reeditar a <italic>'</italic>Imprensa
					Evangélica' não alcançaram pleno êxito. </p>
				<p>A Igreja Presbiteriana ficou sem órgão oficial até 1893, quando assumiu a direção
					da Revista das Missões Nacionais, a qual passou a ser seu órgão oficial. O
					diretor da Revista era o Rev. Eduardo Carlos Pereira, renomado professor e
					ilustre gramático da língua portuguesa. O primeiro número da Revista havia
					surgido em 31 de janeiro de 1887, como órgão da &quot;Sociedade de
					Tratados&quot;. Ela foi o primeiro periódico a ser distribuído por assinatura
					anual no meio evangélico e teve perto de trinta anos de duração. </p>
				<p>A partir de 7/1/1893, a Revista passou a publicar, como encarte de duas páginas,
					um boletim denominado <italic>O</italic> Estandarte, lançado em São Paulo. O
					boletim teve como redatores Eduardo Carlos Pereira, Bento Ferraz e João Alves
					Correia, líderes da ala antimaçônica da Igreja que tinham sido afastados da
					Revista um ano antes, quando esta passou a exercer a função de órgão oficial,
					publicando as resoluções dos concílios e atos de direção da Igreja Presbiteriana
						(<xref ref-type="bibr" rid="B4">BEDA, 1993</xref>, p.32). Assim, os mesmos
					redatores que compunham a equipe afastada da Revista acabaram formando esse
					órgão dos dissidentes. </p>
				<p>Foram publicados vários outros jornais evangélicos que é mister citar, na linha
					de sucessão que vai da 'Imprensa Evangélica até o Brasil Presbiteriano'. </p>
				<p>Uma década depois da publicação da 'Imprensa Evangélica, em janeiro de 1874, foi
					lançada a segunda publicação presbiteriana, 'O Púlpito Evangélico', periódico
					mensal com sermões, editado por Emanuel Vanorden e George Chamberlain (fundador
					do Mackenzie). Foram publicados 24 números (1874 a 1875), a princípio em São
					Paulo e depois no Rio de Janeiro. Posteriormente, o periódico ressurgiu em
					Campinas-SP, sob a direção do Rev. Eduardo Lane e companheiros e, numa terceira
					fase, passou a ser editado em Lavras (MG), encerrando sua carreira em 1970
						(<xref ref-type="bibr" rid="B4">BEDA, 1993</xref>, p.43). Em 1889, foi
					lançado no Rio 'O Christão' (BEDA, 1993, p.46). No Nordeste, a primeira revista
					data de outubro de 1875: 'Salvação da Graça', por iniciativa do Dr. John
					Rockwell Smith, o primeiro missionário a chegar ao Recife, em 15 de janeiro de
					1873. A publicação foi iniciada 54 anos depois do primeiro jornal pernambucano,
					'Aurora Pernambucana', de 1821. Assim, 'Salvação de Graça' foi a pioneira da
					imprensa evangélica no Nordeste (<xref ref-type="bibr" rid="B14">LESSA,
						1975</xref>, p.2), e o terceiro periódico evangélico no Brasil, após a
					'Imprensa Evangélica' (1864) e o <italic>'</italic>Púlpito Evangélico' (1874)
					(EDIÇÃO ESPECIAL COME-MORATIVA AO PERIÓDICO, 1975, p.8). As gráficas
					recusavam-se a publicá-la por ser presbiteriana, e então foi editada em Lisboa.
					Do Sul, o Rev. Willian Le Conte foi ao Recife ajudar Smith. Mas, adoecido,
					desistiu da revista ainda no primeiro ano de sua fundação (<xref ref-type="bibr"
						rid="B18">PIERRE, 1978</xref>, p.3). </p>
				<p>Themudo Lessa afirmou que também foram presbiterianas as iniciativas em vários
					outros Estados. No Rio Grande do Sul, em 1877, o Rev. Vanorden lançou 'O
					Pregador Cristão'. Em Alagoas, em 1885, foi lançado 'O Evangelista'. Em Minas
					Gerais, na cidade de Bagagem, em 1889, foi publicado o homônimo 'O Evangelista',
					a cargo do missionário Rev. John Boyle. No Rio Grande do Norte, em 1893, saiu 'O
					Pastor', publicado pelo Prof. Lourival. Também no Ceará, os primeiros jornais
					evangélicos, publicados a partir de 1894 na cidade de Baturité, tinham
					presbiterianos como redatores. No Paraná, saiu em 1898, na cidade de Castro, a
					'Aurora do Evangelho'<italic>.</italic> Também em Sergipe, Paraíba e Santa
					Catarina, os primeiros jornais evangélicos foram de procedência presbiteriana
						(<xref ref-type="bibr" rid="B14">LESSA, 1975</xref>, p.2).</p>
				<p>Quanto aos batistas, o historiador José Reis Pereira afirma:
						<italic>&quot;</italic>os missionários batistas norte--americanos, pioneiros
					de nossa obra, acreditavam no valor da página impressa<italic>&quot;</italic>
						(<xref ref-type="bibr" rid="B17">PEREIRA, 1981</xref>, p.3). Assim, em 1886,
					na Bahia, foi publicado o primeiro jornal batista brasileiro, denominado
						<italic>'</italic>O Eco da Verdade'. Seu nome foi mudado várias vezes: 'A
					Verdade, A Nova Vida'. Na cidade de Campos-RJ, a partir de 1894, publicou-se
					outro jornal batista com o nome <italic>'</italic>As Boas Novas'. Os primeiros
					jornais foram editados por Zacarias Taylor, na Bahia, e o último por Salomão
					Ginsburg. Em 1900 decidiu-se unificar os jornais: no dia 10/1/1901 nasceu 'O
					Jornal Batista', que, a partir de 1909, passou a ser o órgão oficial da
					Convenção Batista Brasileira (<xref ref-type="bibr" rid="B1">AGUILERA,
						1988</xref>, p.34).</p>
				<p>O órgão da Igreja Episcopal surgiu em 1892, em Porto Alegre, e perdura até hoje.
					Seu nome é <italic>O Estandarte Cristão</italic>. Seus fundadores foram os Rev.
					Morris e Brown. No mesmo ano, a Igreja Congregacional, no Rio de Janeiro, fundou
					o seu órgão oficial com o nome <italic>'</italic>O Bíblia', depois alterado para
					'O Christão'. Seu fundador foi Salomão Ginsburg, que depois passou a ser batista
					e dirigiu o jornal daquela igreja. Os metodistas têm fornecido valiosa
					contribuição à lista de periódicos evangélicos. No dia 1/1/1886 começou a
					circular, como órgão oficial da Missão Metodista, o jornal <italic>O</italic>
					'Methodista Cathólico', fundado pelo Rev. John James Ransom e publicado
					regularmente sob sua direção até julho de 1887. Assumiu então a direção do
					jornal o Rev. J. L. Kennedy, que lhe mudou o nome para 'Expositor
						Cristão'<italic>,</italic> o qual conserva até hoje, sendo o mais antigo
					jornal evangélico em circulação no Brasil. Os metodistas foram pioneiros, em
					1890, no Pará, onde o Rev. J. H. Nélson publicou 'O Apologista Cristão', que
					durou 21 anos. No Amazonas, a primeira folha publicada foi <italic>A
						Paz</italic>, fruto do Rev. Carver, em 1898. </p>
				<p>Atravessando fases de transições, o interesse da Igreja Presbiteriana do Brasil
					(IPB) era não deixar suas comunidades sem órgão oficial. Um jornal de grande
					importância nesta pesquisa e que se estabeleceu desde cedo foi 'O
						Puritano'<italic>.</italic> Tendo como redator chefe o Rev. Antonio Trajano,
					sob os auspícios da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, o primeiro número do
					jornal foi publicado no dia 8/6/1899. O editorial explicava sua missão, em um
					longo artigo de Trajano. A publicação estendeu-se até 25/7/1958, tendo como
					último diretor o Rev. Domício Pereira de Mattos e como diretor-redator o Rev.
					Zaqueu Ribeiro. Durante décadas o seu principal redator foi o Rev. Galdino
					Moreira. O último número, 2.154, trazia como editorial &quot;O Puritano
					Despede-se da Igreja&quot;. Na sequência trazia a resolução do Supremo Concílio
					58 - 3ª Sessão - documento 318, folha 84 - Imprensa e Literatura, que extinguia
					'O Puritano e o Norte Evangélico' para fundi-los num só jornal nacional.</p>
				<p>Umas notas a mais sobre 'O Puritano são necessárias: nasceu da necessidade vital
					para a Igreja Presbiteriana de ter na capital federal um órgão de imprensa. Foi
					fruto do entusiasmo de moços de então, liderados pelo Rev. Álvaro Reis. O
					presbítero Myron Clark teve em 'O Puritano' o porta-voz de &quot;sua&quot;
					Associação Cristã de Moços (ACM); em sua esposa, d. Chiquita, a bandeira da
					Sociedade Auxiliadora de Senhoras (SAS); e em Erasmo Braga, o
					&quot;boletim&quot; de Niterói. O número inaugural tem o Rev. Antônio Trajano
					como diretor, por escolha dos moços e do Rev. Álvaro Reis. O dia de fundação de
					'O Puritano' serve até hoje como data comemorativa do aniversário do Brasil
					Presbiteriano: 8 de junho, data que assinala o surgimento do seu antecessor, O
					Puritano, órgão oficial da IPB (<xref ref-type="bibr" rid="B18">PIERRE,
						1978</xref>, p.1). O jornal carioca, ao lado do paulista 'O Estandarte' e de
					órgãos de outros centros, iniciou uma campanha de difusão metódica das verdades
					do Evangelho, assim servindo às igrejas irmãs, bem como liderando movimentos de
					grande alcance e esclarecendo a opinião pública<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>2</sup>
					</xref>.</p>
				<p>Na cidade de Natal, o Rev. Willian Calvin Porter, no dia 11/5/1895, lançou o
					primeiro número do jornal 'O Século', sob os auspícios da Associação Evangélica
					de Natal. Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Pierre (1978</xref>), isso se deu
					em 1897. Era publicado um número a cada dez dias, totalizando três exemplares
					mensais. Além dos assuntos religiosos, o jornal se envolvia em política,
					pendendo para a causa republicana. Foi muito apreciado e bem administrado
					financeiramente, a ponto de adquirir uma tipografia própria. Tinha assinantes em
					todo o Brasil, e até no exterior: Espanha e Portugal. O casal Porter mudou-se
					para o Sul, em 1907. O último número foi publicado em novembro de 1908, tendo
					como redator Jerônimo Gueiros, responsável pelo jornal desde 1902. Em 1909 ele
					se mudou para Garunhuns-PE, onde fundou o 'Norte Evangélico', sucessor de 'O
					Século'.</p>
				<p>O 'Norte Evangélico' teve como redatores Juventino Marinho, Ageu Vieira, Rev.
					Thompson, Davi, Mendonça e Maurício Wanderley. Além de redator do jornal, o Rev.
					Willian Thompson publicou comentários das lições de Escola Dominical preparadas
					pelo Rev. Antonio Almeida. Em 1928, durante as férias de Thompson, assumiu a
					responsabilidade pela gráfica o Rev. Willian G. Neville. Em 1943, suas
					publicações circulavam por todo o Brasil, além de Açores, África, Argentina,
					Portugal e Estados Unidos. As publicações eram: 'As Lições da Escola
						Dominical'<italic>,</italic> para adultos, jovens e crianças; 'O Expositor',
					com notícias para as várias organizações da Igreja; 'Norte Evangélico', jornal
					semanal com notícias das igrejas e presbitérios; e 'Anotações Diárias', para uso
					devocional. Em 1949, um milhão e meio de páginas de literatura cristã saiu
					daquela gráfica de Garanhuns, fornecendo material didático à Confederação
					Evangélica do Brasil, aos missionários e aos evangelistas. Em 1951, a Missão
					resolveu mudar a gráfica para o Recife, para a rua da Saudade, 299, cujo prédio
					ficou pronto totalmente em 1957. </p>
				<p>Em 1958, a IPB pediu à Missão Presbiteriana no Brasil que considerasse a ideia de
					fundir o 'Norte Evangélico e O Puritano'<italic>,</italic> órgão oficial da
					Igreja em um só jornal, denominado &quot;O Brasil Presbiteriano&quot; (BRASIL
					PRESBITERIANO, 1958, p.3), que neste artigo receberá a sigla
						BP<italic>.</italic> Em setembro do mesmo ano foi lançado nacionalmente o
					novo jornal da Igreja Presbiteriana do Brasil, o 'Brasil Presbiteriano'. A capa
					do jornal ostentava: &quot;Órgão Oficial da IPB&quot; - Ano I - Recife, setembro
					de 1958 - número 1&quot;. Trazia no cabeçalho o calendário presbiteriano para
					setembro, o pensamento do mês, a logomarca &quot;Brasil Presbiteriano&quot; com
					o mapa do país entre as duas palavras e sobre ele a sarça ardente, símbolo da
					Igreja, com a inscrição latina <italic>Nec tamen consumebatur</italic> (&quot;E
					[a sarça] não se consumia&quot;). Trazia também a transcrição de Atos 4.32:
					&quot;Da multidão dos que creram era um o coração e a alma&quot;. Logo à
					primeira página destacava-se o artigo de J. Maurício Wanderley, &quot;No Limiar
					do 100° Aniversário&quot;, acerca da 23ª reunião do Supremo Concílio da Igreja
					Presbiteriana do Brasil, hospedada no Instituto Gammon, em Lavras-MG. Nessa
					magna assembleia da igreja nacional decidiu-se pela fusão de <italic>O
						Puritano</italic> e do <italic>Norte Evangélico</italic> em um só jornal
					nacional. Na ocasião, o presidente do Supremo Concílio da Igreja era o Rev. Dr.
					José Borges dos Santos, e o presidente da Aliança Presbiteriana Mundial era o
					Rev. Dr. John Mackay, que esteve presente. Fez-se menção disso na foto central
					da capa do primeiro número do 'Brasil Presbiteriano'. </p>
				<p>A aceitação foi gradual e seu deu após muitos debates, culminando com a aprovação
					unânime na vigésima terceira reunião do Supremo Concílio. O estilo do artigo do
					Rev. José Borges estampava uma pequena resistência dos que desaprovavam mudanças
					e eram contrários à própria dinâmica da vida, presos a formas de vida, para
					eles, imutáveis. Suspeita-se que havia ainda os defensores saudosistas do 'Norte
					Evangélico e de O Puritano'. O artigo de despedida de 'O Puritano' deixava
					transparecer certa incompreensão quanto às medidas tomadas, certa cautela com os
					novos rumos da imprensa evangélica nacional, aqui representada pelo jornal de
					uma de suas denominações, de um dos <italic>&quot;</italic>protestantismos
						brasileiros<italic>&quot;</italic>. A insistência com que se fala em
					renúncia, boa vontade e sacrifício, levanta a hipótese de resistência frente ao
					novo jornal que surgia. Os dizeres <italic>&quot;</italic>sucessor de O Puritano
					e Norte Evangélico<italic>&quot;</italic> acompanham até hoje as edições do
					'Brasil Presbiteriano'. </p>
				<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B16">Mendonça e Velasques (1990</xref>, p.11), o
					que se chama &quot;protestantismo brasileiro&quot;, na verdade são vários
					protestantismos (luterano, calvinista, metodista etc.). Mais adequado então
					seria falar em &quot;protestantismos&quot;, pois, ao contrário da tradição
					católica, o protestantismo que surgiu da Reforma do século XVI foi muito mais
					longe na variedade de tendências e instituições que gerou, e desde cedo
					mostrou-se incapaz de conservar-se unido. A tentativa de inserção do
					protestantismo no Brasil se deu primeiramente com os protestantes franceses que
					se estabeleceram no Rio de Janeiro, entre 1555 e 1560. A segunda tentativa,
					também fracassada, deu-se com o estabelecimento dos protestantes holandeses no
					Nordeste, entre 1630 e 1654. Quando os historiadores do Brasil se referem a
					essas invasões, nunca tratam do caráter religioso desses invasores e
					silenciam-se quanto às tentativas de inserção do protestantismo no país. Por
					outro lado, para Mendonça e Velasques (1990, p.13), os histo-riadores
					protestantes produzem textos desvinculados da realidade social. Depois das duas
					primeiras tentativas fracassadas, por fim o protestantismo inseriu-se no Brasil
					no começo do século XIX. Mas o protestantismo histórico, como é o caso do
					presbiterianismo, continuou sendo &quot;corpo estranho na sociedade
					brasileira&quot;. </p>
				<p>O surgimento da imprensa protestante no Brasil ocorreu durante a chamada
					&quot;era missionária&quot;<italic>,</italic> que compreende desde a segunda
					metade do século XIX até a I Guerra Mundial. Esse período corresponde econômica
					e politicamente à expansão do capitalismo mundial (<xref ref-type="bibr"
						rid="B16">MENDONÇA e VELASQUES, 1990</xref>). Entre suas principais
					preocupações, esse capitalismo expansionista procurava recuperar e preservar a
					força das Igrejas da Reforma, já enfraquecidas pelos efeitos do racionalismo e
					de suas divisões e antagonismos. Isso as tornava vulneráveis diante da reação
					católico-romana, cujo momento mais importante foi o Concílio Vaticano I. Em
					segundo lugar, procurava unificar sua mensagem religiosa de modo a não causar
					confusão denominacional nas áreas missionárias. Assim, alguns princípios
					doutrinários comuns e uma identificação única foram o mecanismo preparado para
					atender a essas necessidades.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Análise: o Brasil Presbiteria no n a luta pela formação da mentalidade e
					definição do perfil de uma Igreja</title>
				<p>O jornal <italic>Brasil Presbiteriano</italic> tinha como principais objetivos a
					&quot;edificação espiritual do povo presbiteriano&quot;, o fornecimento de
					&quot;informação sobre o trabalho presbiteriano&quot; e a &quot;formação de uma
					mentalidade presbiteriana&quot; - com o espírito de crescimento denominacional,
					chamado &quot;sarça ardente&quot;. Era uma alusão ao antigo símbolo dessa
					denominação protestante, o que caracteriza bem o espírito das notícias
					veiculadas. Suspeita-se que esse órgão oficial tenha sido usado não somente como
					meio de informação, mas também como um canal de transmissão e sedimentação de
					relações de poder no seio da Igreja, conforme objetiva este artigo ao expressar
					essa ambivalência.</p>
				<p>Nesta pesquisa foi utilizada uma periodização peculiar para o jornal 'Brasil
					Presbiteriano'. A sua primeira fase vai de 1958 a 1964, caracterizando o período
					de maior abertura eclesiástica e bipolarização de tendências antagônicas dentro
					da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1964, inicia-se uma nova fase, com o
					&quot;expurgo&quot; do editor do jornal; com sua substituição, o periódico passa
					a adotar uma linha conservadora, condizente com o espírito da &quot;guerra
					fria&quot; reinante no mundo, e da &quot;linha-dura&quot; presente na realidade
					nacional. Essa fase se estende até 1978, quando ocorre novo cisma na Igreja
					Presbiteriana do Brasil, com o nascimento da Federação Nacional de Igrejas
					Presbiterianas, em protesto aos desmandos políticos reinantes na-quele longo
					período de conservadorismo. Com a ruptura, abre-se a terceira fase do 'Brasil
					Presbiteriano', a encerrar-se em 1986, data em que ocorre certa abertura ou
					descompressão política. </p>
				<p>Analisando o primeiro número do jornal, observa-se que ele declara o objetivo de
					propagar o Evangelho e vivificar a devoção doméstica. Coloca-se como uma
					publicação particularmente a isso consagrada, sem nenhuma ingerência em
					política, sem outros interesses que não aqueles exclusivamente religiosos da
					sociedade e do indivíduo, e sem trair o &quot;dom mais precioso de Deus - a
					liberdade de consciência perante o Evangelho&quot; (Ano I, n° 1, capa). Tinha,
					portanto, uma visão menos abrangente que a 'Imprensa Evangélica' de Simonton,
					que visava tornar-se um informativo no mesmo nível dos jornais seculares da
					época. No entanto, esses objetivos do 'Brasil Presbiteriano' duraram pouco
					tempo, tendo sido logo trocados por outros interesses. </p>
				<p>A situação interna da Igreja Presbiteriana do Brasil, espelhada em seu órgão
					oficial, pode ser comparada com a vida &quot;lá fora&quot;, usando-se a análise
					realizada por Edson Streck (&quot;Igreja em tempo de repressão: IECLB, 1970, à
					luz de alguns de seus meios de comunicação&quot;) ao lembrar os fatos ocorridos
					no Brasil de 1968 (<xref ref-type="bibr" rid="B21">STRECK, 1986</xref>, p.131),
					governado pelo general Costa e Silva, segundo governante militar &quot;linha
					dura&quot; após o golpe de 64. O &quot;ano que não terminou&quot; (VENTURA,
					1988), 1968, foi agitado por inquietações e greves estudantis e tra-balhistas,
					os setores que o sistema ditatorial marginalizava. Foi criado o Conselho
					Superior de Censura, a Lei de Segurança Nacional, o Ato Institucional número 5
					(AI-5) que fechou o Congresso etc. Assim, o poder foi concentrado nas mãos de um
					militar que assumiu &quot;o controle integral sobre a realidade civil
					brasileira&quot; (VENTURA, 1988, p.122). Costa e Silva adoeceu e, em setembro de
					1969, uma junta militar assumiu o governo para não deixar que um civil, o
					vice-presidente, assumisse - estava criada uma das mais sérias crises
					político--institucionais da nação. </p>
				<p>Alguns dados do país do &quot;milagre econômico&quot; não condiziam com a imagem
					criada pelo governo, que lutava acirradamente para deter o terrorismo. Havia
					focos de guerrilha no interior do país e a violência urbana aumentava; a tortura
					foi institucionalizada; ocorreram sequestros de diplomatas estrangeiros, que
					foram trocados por presos políticos; discutiu-se a aplicação da pena de morte; o
					Esquadrão da Morte agiu impunemente e sumariamente executou pessoas que
					considerava &quot;indignas para a vida&quot;. Alguns setores da Igreja Católica
					estiveram em atrito com o governo, padres e freiras foram presos, outros
					assassinados. Pessoas do próprio clero acusaram colegas de favorecerem a
						<italic>&quot;</italic>infiltração comunista&quot; em seu meio. O pobre,
					embora trabalhasse mais horas, teve seu poder aquisitivo diminuído (<xref
						ref-type="bibr" rid="B13">GUARESCHI,1985</xref>), assim como os sindicatos
					&quot;que nunca tinham sido livres e eram menos livres do que nunca&quot; (<xref
						ref-type="bibr" rid="B15">LOPEZ, 1983</xref>, p.127). </p>
				<p>De outro lado, para angariar popularidade, o governo investia em agências de
					publicidade, para que sua imagem fosse popular, humana e paterna (<xref
						ref-type="bibr" rid="B8">CAPARELLI, 1982</xref>). Os temas do &quot;mais
					violento período de repressão na história brasileira<italic>&quot;</italic>
						(<xref ref-type="bibr" rid="B2">ALVES, 1985</xref>, p.160) foram: Carnaval,
					Copa do Mundo, Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), liberdade,
					vesti-bular, segurança nacional, duzentas mil milhas submarinas, soberania
					nacional, união, dentre outros. A Assessoria Especial de Relações Públicas da
					Presidência da República determinava às agências publicitárias a criação de uma
					imagem positiva, do &quot;Brasil grande potência&quot;, do &quot;milagre
					econômico brasileiro&quot; que beneficiava as exportações e as empresas
					multinacionais. Foi o tempo de músicas como &quot;Este mar é meu, leva teu barco
					pra lá deste mar&quot;, &quot;Noventa milhões em ação, pra frente, Brasil&quot;,
					&quot;Eu te amo, meu Brasil, eu te amo. Meu coração é verde, amarelo, branco,
						azul-anil&quot;<xref ref-type="fn" rid="fn2">3</xref>. Isso ajudava a encobrir a distorção na distribuição de renda, as
					injustiças do período, o severo controle estatal, a concentração de renda e a
					dependência estrita do capital estrangeiro (<xref ref-type="bibr" rid="B15"
						>LOPEZ, 1983</xref>, p.118).</p>
				<p>A mídia desempenhava um importante papel na aceitação do sistema implantado, uma
					vez que os meios de comunicação de massa, controlados pelo governo, incentivavam
					o brasileiro a consumir bens supérfluos e esquecer bens sociais básicos, como
					saúde, educação, salário, direito à greve etc. A oposição foi silenciada. Millôr
					Fernandes passou vários dias preso porque escreveu: &quot;Vocês aí que sempre
					economizaram tanto para os dias piores, podem começar a gastar o dinheiro: os
					dias piores já chegaram&quot;. O mesmo ocorreu com os redatores do jornal 'O
					Pasquim', assim como com escritores e jornalistas, estudantes e professores,
					pastores e padres, e outros que infringiram a Lei de Segurança Nacional. A
					Aliança Renovadora Nacional era o partido do governo, e o impotente movimento
					democrático brasileiro, criado pelo próprio governo, era a chamada oposição. O
					movimento democrático brasileiro foi massacrado ver-gonhosamente nas urnas e
					desmoralizado, numa eleição em que os votos nulos chegaram a 30% (<xref
						ref-type="bibr" rid="B10">CIVITA, 1982</xref>, p.181). </p>
				<p>Não havia mais vozes críticas: ou elas estavam no exílio, ou na prisão ou
					cassadas. Esse é o poder da comunicação, por meio da (in)formação: informação
					aliada à formação de uma mentalidade, mediante orientação opinativa, censura e
					seleção de notícias, dentre outros recursos. É próprio da comunicação contribuir
					para a modificação de significados que as pes-soas atribuem às coisas. E,
					&quot;através da modificação de significados, a comunicação colabora na
					transformação das crenças, dos valores e dos comportamentos&quot; (<xref
						ref-type="bibr" rid="B6">BORDENAVE, 1982</xref>, p.92). No sentido inverso,
					a não modificação de significados, ou a manipulação deles, colabora para a
					estabilidade, confirmação e permanência de valores, crenças e comportamentos, o
					que também se aplica ao caso da imprensa evangélica nacional. Conclui-se, do
					episódio, &quot;o imenso poder da comunicação. Daí o uso que o poder faz da
					comunicação&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B13">GUARESCHI, 1985</xref>,
					p.16). </p>
				<p>O <italic>Brasil Presbiteriano</italic> estava inserido no tecido histórico desse
					período, sendo por ele influenciado e sofrendo suas consequências. Desse modo,
					com referência às funções de um jornal, vale lembrar o jornalista Scott:
					&quot;Os fatos são sagrados. A opinião é livre&quot; (CAPELATTO, 1980, p.42). </p>
				<p>Para melhorar a compreensão e evolução do jornal, foram feitos &quot;cortes&quot;
					que correspondem às suas três fases, nos quase trinta anos do periódico<xref
						ref-type="fn" rid="fn3"><sup>4</sup>
						</xref>. A fim de observar o papel de informação e também de orientação assumido
					pelo jornal - para expressar a opinião (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BELTRÃO,
						1980</xref>, p.13) -, passa-se agora a analisar como ele, por meio da
					informação, visou edificar o povo presbiteriano, seu público-alvo. Na capa do
					primeiro jornal já era publicada uma estilização da sarça ardente, símbolo da
					Igreja, com a inscrição latina <italic>Nec tamen consumebatur</italic> (&quot;E
					[a sarça] não se consumia&quot;). No número 5, em 1959, surgiu a expressão
					&quot;sarça&quot; para referir-se ao trabalho da Igreja Presbiteriana do Brasil
					(BRASIL PRESBITERIANO, ano II, n° 5, jan. 1959, p.5) esse é o símbolo adotado
					pela IPB, com referência à vocação divina, extraída do texto bíblico em Êxodo 3,
					quando, numa teofania, Deus fala a Moisés. A partir do número 90, houve uma
					série de notícias e artigos sobre o crescimento da Igreja, usando-se a expressão
					&quot;sarça ardente&quot; para ilustrar esse crescimento (BRASIL PRESBITERIANO,
					Ano VI, n° 90, jun. 1995. Trata-se do jornal tema deste artigo. Após a reunião
					da Comissão Executiva da IPB, realizada em março de 1996, passou a ser adotada a
					nova marca da IPB, que ainda é a sarça, agora melhor estilizada e com algumas
					alterações, conforme amplamente divulgado pelo próprio <italic>Brasil
						Presbiteriano</italic> (BRASIL PRESBITERIANO, Ano XXVII, n° 499, abr. 1996
					): Trata--se do jornal tema deste artigo a adoção do subtítulo &quot;Sarça
					Ardente&quot; exemplifica uma análise das informações acerca do trabalho da
					Igreja Presbiteriana do Brasil. </p>
				<p>O <italic>Brasil Presbiteriano</italic> foi formador da mentalidade presbiteriana
					conforme se nota em cartas à redação, enviadas em reação aos editoriais em todos
					os períodos estudados. Inevitavelmente, ao formar uma mentalidade religiosa, o
					tom polêmico aparece, pois em toda religião há um traço polêmico-apologético. É
					próprio do homem ter ideias e opiniões que tem de justificar e defender. Ao
					defender suas ideias, as opiniões contrárias terão que ser con-frontadas, e
					virão outros rebatê-las, formando-se a discussão, o que faz parte da própria
					dialética do pensamento. A contradição faz parte da pregação religiosa, mormente
					no cris-tianismo, e muitas vezes a página escrita estampa isso (<xref
						ref-type="bibr" rid="B4">BEDA, 1993</xref>, p.104). Em &quot;Imprensa e
					história do Brasil&quot;, Weffort comenta: &quot;Jornais não são partidos. Mas,
					como se parecem às vezes&quot; (CAPELATTO, 1984, p.37). </p>
				<p>Como jornal religioso, ao cumprir as funções de informação e orientação, o
						<italic>Brasil Pres-biteriano</italic> manteve um discurso utilitário, no
					qual o emissor transmitia uma mensagem esperando a reação do receptor conforme
					as diretrizes apontadas ou desejadas pelo editor. Dessa forma, o editor não
					desconhecia o aspecto da carga histórico-cultural-ideológica que o levou a
					publicar determinados fatos. Eles foram valorizados ao serem escolhidos e não
					ficaram isentos de subjetivismos e disfunções impostos pela ideologia, pelo
					tempo e pela cultura em geral. No <italic>Brasil Presbiteriano</italic> viu-se
					um pouco de cada um desses ingredientes, compondo cada qual a característica
					deste ou daquele período político da IPB. Começou como uma república do
					pensamento, propôs-se a ser a locomotiva denominacional em viagem pelos
					&quot;Brasis&quot; desconhecidos; pecou por não ser literatura comum, universal,
					nem altamente demo-crática; foi por vezes oligárquico, conforme os interesses de
					grupos contra outros grupos oponentes, nos embates das tendências dentro de uma
					mesma denominação; não houve nele muito da frescura das ideias, mas muito do
					jogo das convicções. Como literatura religiosa e polêmica, não poderia fugir a
					isso.</p>
				<p>O 'Brasil Presbiteriano' serviu não apenas para a edificação espiritual do povo
					presbiteriano, mas também para fornecer a informação sobre os trabalhos
					presbiterianos, mantendo acesa a &quot;sarça ardente&quot;. Foi, por isso,
					instrumento de formação da mentalidade denominacional. Distinguiu-se das demais
					publicações por sua submissão às leis e doutrinas emanadas dos Concílios da
					Igreja, refletindo o pensamento da Igreja e de suas resoluções conciliares,
					porém sempre agasalhou o partidarismo de facções que detiveram o poder na Igreja
					Presbiteriana do Brasil. Em nome de uma &quot;tradição presbiteriana&quot;,
					silenciou, selecionou, expulsou e expurgou os que considerava infiéis, falsos,
					insubmissos, rebeldes ou &quot;subversivos&quot;. O poderoso dom evangelístico
					de um jornal evangélico (segundo o sonho de Asbhel Green Simonton na
						<italic>Imprensa Evangélica</italic>, ou conforme a oração de Álvaro Reis
					acerca dos destinos de <italic>O Puritano</italic>) parecia se desvanecer em
					meio às refregas próprias das disputas políticas no seio da IPB. Faltava muito
					da eloquência do testemunho para alcançar um &quot;Brasil Presbiteriano&quot;,
					para se projetar uma IPB reconhecida e admirada pela grandeza de seu nome e
					firmeza de princípios. </p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conclusão</title>
			<p>A imprensa teve um papel fundamental desde os primórdios da inserção definitiva do
				protestantismo no Brasil, no século XIX. Em 1864 foi lançado o primeiro periódico,
				num país cuja tradição jornalística começara pouco antes, em 1808. O jornal
					<italic>Imprensa Evangélica</italic> foi lançado pelo pioneiro presbiteriano
				Asbhel Green Simonton e serviu como veículo de evan-gelização e integração da Igreja
				que começava a crescer, sendo respeitado até pelos seus oponentes. Sendo lançado num
				país católico, não deixou de ser polêmico, anticatólico e também se postou
				contrariamente à cultura nacional, não absorvendo os seus usos e costumes. Antes,
				criticava-os. Também havia nesse jornal um comprometimento com o ideário liberal e
				uma abertura à discussão de questões relevantes à época, como escravidão, educação,
				liberdade religiosa, igualdade de tratamento, Constituição brasileira, república
				etc. </p>
			<p>Na sua sequência vieram vários outros periódicos. Dentre os periódicos oficiais da
				Igreja Presbiteriana do Brasil, foram publicados 'Revista das Missões Nacionais', 'O
				Estandarte', 'O Século'<italic>,</italic> 'Norte Evangélico' e 'O Puritano'. Estes
				dois últimos foram os precursores do 'Brasil Presbiteriano'<italic>,</italic>
				fundindo-se para formar um único periódico nacional que servisse à Igreja
				Presbiteriana do Brasil. A fusão ocorreu em 1958, preparando a Igreja para as
				comemorações de seu primeiro centenário no Brasil. </p>
			<p>O novo jornal cumpriu suas funções de informar o povo presbiteriano, publicando
				estudos bíblicos, artigos inspirativos e muitas instruções sobre o campo de
				trabalho, suas entidades e organizações internas, seu crescimento - no espírito da
				sarça ardente que não se consumia. Além de informar, também orientou a mente
				presbiteriana, isto é, lutou por formá-la. Seu foco foi sendo mudado. De jornal
				aberto às questões nacionais, como era o caso da 'Imprensa Evangélica' e de outros,
				como 'O Puritano'<italic>,</italic> centrou sua atenção na vida interna da própria
				denominação. Verificou-se um caminho que se estreitava, que deixava a participação
				na vida nacional para assumir a atitude de &quot;gueto&quot;. A divulgação de fatos
				ou a informação, com objetivo de formação de uma mentalidade presbiteriana, pôde ser
				caracterizada como o uso do poder da (in)formação. De informativo para instrumento
				de projeção política, foi muito tênue a separação. </p>
			<p>Enquanto a primeira fase do jornal 'Brasil Presbiteriano' (1958-1964) se caracterizou
				pela abertura (1958-1964), a segunda fase pendeu para o lado político conservador,
				usando o mesmo modelo aplicado à vida política nacional da época:
				&quot;expurgo&quot;. Também ocorreram dissoluções de concílios dissidentes e o
				fechamento de portas para que a oposição não se expressasse. </p>
			<p>A outra tendência dentro da Igreja articulou-se por meio de uma &quot;oposição
				construtiva&quot;. Porém, dentre os oposicionistas, havia um grupo que foi mais
				adiante e acabou formando uma nova denominação, separada da Igreja Presbiteriana do
				Brasil. Assim, a oposição à administração da Igreja foi expressa em jornais
				paralelos, fossem eles de &quot;oposição construtiva&quot; dentro da mesma
				denominação, fossem eles de declarada oposição, com a cisão do grupo e a formação de
				outra Igreja. O jornal também mostrou clara oposição ao catolicismo romano
				predominante no país. Como consequência disso, não exerceu abertura ecumênica, por
				considerar o ecumenismo como uma forma de romanismo, logo, uma forma de apostasia.
				Aos da própria casa que penderam para o diálogo com esses &quot;inimigos&quot;,
				foram também desferidos golpes, o que este estudo considera como combate a inimigos
				domésticos, ou &quot;fogo amigo&quot;. Com isso o 'Brasil Presbiteriano' definiu sua
				posição prioritariamente anticatólica, depois antiecumênica e, ainda, contrária aos
				próprios inimigos domésticos.</p>
			<p>Com relação ao Brasil, o jornal mostrou-se pouco expressivo quanto às suas
				reviravoltas sociais, pronunciando-se apenas superficialmente a respeito das
				profundas mudanças que o país experimentou. Mesmo inserido no tecido nacional e
				sofrendo com suas crises, apenas soube pronunciar-se na esteira dos acontecimentos.
				Não serviu como instrumento de transformação, apenas acompanhando de longe as
				manobras no cenário nacional, pendendo sempre para o oficialismo político. Quanto às
				crises e mudanças sócio-político-econômicas ocorridas no Brasil entre as décadas de
				1950 e 1980, por seu posicionamento e consciência social, o <italic>Brasil
					Presbiteriano</italic> foi pouco crítico e pouco engajado. Por um lado,
				comportou-se de modo &quot;diferente&quot; da cultura nacional, não aceitando seus
				costumes e não aderindo aos seus vícios, lazeres e festas populares. Configurou-se
				como ilha, como &quot;diferente&quot;, parecendo não se relacionar frontalmente com
				a realidade social brasileira. Por outro lado, sentia-se que era o povo
				presbiteriano e não se familiarizava com a cultura nacional, com seus usos e
				costumes. Muitas vezes, desde a sua fundação, mostrou-se pouco familiarizado com a
				cultura do povo brasileiro. Essa dicotomia entre fé e cultura acabou não permitindo
				que a denominação tivesse em sua história qualquer grande influência, sendo ínfima a
				sua presença no cenário nacional. </p>
			<p>Dessa forma, a imprensa protestante presbiteriana no Brasil iniciou-se de forma mais
				participativa e influente, e depois foi afunilando suas perspectivas aos limites da
				própria denominação. Sua função acabou limitando seus próprios horizontes e servindo
				para a formação de uma mentalidade conservadora na Igreja Presbiteriana do Brasil.
				Essa mentalidade - que encontrou oposição de variadas formas - definiu uma postura
				de consciência social pouco profunda diante da realidade nacional e de sua cultura. </p>
			<p>De outro lado, o final do período pesquisado acenou certa descompressão política no
				país e, consequentemente, na Igreja, trazendo indícios de novos ares, novas metas e
				novos horizontes a serem descortinados. São indícios de volta à tolerância que já
				existira em outros períodos na caminhada denominacional, numa trajetória que vem de
				1864 a 1986, desde a 'Imprensa Evangélica' até o 'Brasil Presbiteriano', com o papel
				(in)formativo dos jornais da Igreja Presbiteriana do Brasil. </p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
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					(O Jornal Batista) a serviço da formação de uma mentalidade religiosa
					(1960-1985). 1988. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) -
					Uni-versidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 1988. p. 34 </mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>AGUILERA</surname>
							<given-names>J.M.M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Um povo chamado batista</italic>: um jornal (O Jornal Batista) a
						serviço da formação de uma mentalidade religiosa (1960-1985)</source>
					<year>1988</year>
					<comment content-type="degree">Dissertação (Mestrado em Ciências da
						Religião)</comment>
					<publisher-name>Uni-versidade Metodista de São Paulo</publisher-name>
					<publisher-loc>São Bernardo do Campo</publisher-loc>
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							<surname>ALVES</surname>
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					<source>Estado e oposição no Brasil (1964-1984)</source>
					<edition>3</edition>
					<publisher-loc>Petrópolis</publisher-loc>
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							<surname>BAHIA</surname>
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					<source><italic>Jornal: história e técnica</italic>: <italic>h</italic>istória
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					<publisher-name>Ática</publisher-name>
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					<publisher-name>Nova Fronteira</publisher-name>
					<year>1988</year>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>2</label>
				<p>SUPRE - Suplemento Presbiteriano, n. 7, fev. 1959. Sobre o primeiro centenário do
					presbiterianismo brasileiro. Aqui é feito um resumo de artigo mais longo,
					portanto citado sem as aspas, porque se trata de compilação livre a partir do
					artigo pesquisado.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>3</label>
				<p>De bom gosto musical, essas melodias são fáceis de serem memorizadas e eram
					amplamente divulgadas. Outras músicas, por pequenos indícios de
					&quot;subversão&quot;, eram censuradas. Cantores e compositores buscaram exílio,
					como Caetano Veloso e Gilberto Gil, além de sofrerem represálias, como Chico
					Buarque e Nara Leão.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>4</label>
				<p>Os cortes não correspondem aos mandatos dos presidentes do Supremo Concílio da
					Igreja Presbiteriana do Brasil (SC/IPB), órgão máximo dentro do governo
					presbiteriano nacional, mas esses mandatos são importantes para as observações
					deste estudo. O Supremo Concílio da IPB elege seus presidentes a cada quatro
					anos, no mês de julho. Desde a fundação do <italic>Brasil
					Presbiteriano</italic>, por ocasião do primeiro centenário da IPB, esta teve os
					seguintes presidentes: Rev. José Borges dos Santos Jr. (1958-62); Rev. Amantino
					Adorno Vassão (1962-66); Rev. Boanerges Ribeiro (1966-70, 1970-74 e 1974-78);
					Pb. Paulo Breda Filho (1978-82 e 1982-86); Rev. Edésio de Oliveira Chéquer
					(1986-90 e 1990-94, que teve seu segundo mandato suspenso na parte final e foi
					substituído pelo Rev. Wilson de Souza Lopes); Rev. Guilhermino Cunha da Silva
					(1994-98 e 1999-2002); e Rev. Roberto Brasileiro da Silva (desde 2003, reeleito
					por quatro vezes consecutivas).</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
</article>
