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		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rf</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Reflexão</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Reflexão</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="epub">2447-6803</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
			</publisher>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.24220/2447-6803v41n2a3708
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			<article-id pub-id-type="publisher-id">00012</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
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			<title-group>
				<article-title>A continuidade do diálogo nos Simpósios-2016 da Associação Brasileira
					de História das Religiões<xref ref-type="fn" rid="fn1"><bold>
							<sup>1</sup>
						</bold>
					</xref></article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title><italic>The continuity of the dialogue in the Symposiums-2016 of the
						Associação Brasileira de História das Religiões</italic></trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
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				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>CARVALHO</surname>
						<given-names>Sarita dos Santos</given-names>
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					<label>2</label>
					<institution content-type="original">Pontifícia Universidade Católica de
						Campinas, Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Programa de
						Pós-Graduação em Ciências da Religião. Rod. Dom Pedro I, km 136, Pq. das
						Universidades, 13086-900, Campinas, SP, Brasil. E-mail:
						&lt;sarita.scarvalho@gmail.com&gt;.</institution>
					<institution content-type="normalized">Pontifícia Universidade Católica de
						Campinas</institution>
					<institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica de
						Campinas</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Centro de Ciências Humanas e Sociais
						Aplicadas</institution>
					<addr-line>
						<named-content content-type="city">Campinas</named-content>
						<named-content content-type="state">SP</named-content>
					</addr-line>
					<country country="BR">Brazil</country>
				</aff>
				<author-notes>
				<corresp id="c1"><label>*</label>.Rod. Dom Pedro I, km 136, Pq. das
						Universidades, 13086-900, Campinas, SP, Brasil. E-mail:<email>
						&lt;sarita.scarvalho@gmail.com&gt;.</email>.</corresp>
					</author-notes>
			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jul-Dec</season>
				<year>2016</year>
			</pub-date>
			<volume>41</volume>
			<issue>2</issue>
			<fpage>259</fpage>
			<lpage>265</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>24</day>
					<month>08</month>
					<year>2016</year>
				</date>
				<date date-type="rev-recd">
					<day>20</day>
					<month>10</month>
					<year>2016</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>21</day>
					<month>11</month>
					<year>2016</year>
				</date>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative
						Commons</license-p>
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			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Esta comunicação visa informar os principais acontecimentos do II Simpósio
					Internacional da Associação Brasileira de História das Religiões, XV Simpósio
					Nacional da Associação Brasileira de História das Religiões e II Simpósio Sul da
					Associação Brasileira de História das Religiões, ocorridos concomitantemente dos
					dias 25 a 29 de julho de 2016, na Universidade Federal de Santa Catarina, na
					cidade de Florianópolis (SP). Dentre as diversas atividades, conferências,
					Grupos de trabalhos, Mesas redondas, Lançamentos, Minicursos, Oficinas,
					Apresentações, destacamos alguns encontros e falas específicas relacionadas ao
					tema do evento (História, gênero e religião: violências e direitos humanos),
					procurando demonstrar a intensidade das discussões ali ocorridas, importantes
					para o momento histórico, político e social em que vivemos. O evento da
					Associação Brasileira de História das Religiões, possibilitando a continuidade
					das discussões sobre o tema escolhido, chamou a atenção de cerca de 1 600
					participantes, entre conferencistas, pesquisadores, ouvintes - um universo de
					ideias comportado por uma ilha de diversidades.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title><italic>Abstract</italic></title>
				<p><italic>The aim of this communication is to report the main events of the II
						International Symposium of</italic> Associação Brasileira de História das
						Religiões<italic>, XV National Symposium of</italic> Associação Brasileira
					de História das Religiões<italic>, and II Southern Symposium of</italic>
					Associação Brasileira de História das Religiões<italic>, held concurrently from
						July 25 to 29, 2016, at the</italic> Universidade Federal de Santa
						Catarina<italic>, in the city of</italic> Florianópolis<italic>. Among the
						different activities, conferences, Work groups, round tables, new book
						releases, mini-courses, workshops, and presentations, we highlight some
						specific meetings and lectures related to the theme of the event (History,
						Gender and Religion: Violence and Human Rights) with the purpose of showing
						the intensity of discussions, which were important for the historical,
						political and social moment in which we live. The event held by the</italic>
					Associação Brasileira de História das Religiões<italic>, enabling the continuity
						of the discussions on the chosen theme, attracted the attention of about
						1,600 participants, among lecturers, researchers, and participants - a
						universe of ideas situated on an island of diversity.</italic></p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>História</kwd>
				<kwd>Religião</kwd>
				<kwd>II Simpósio Internacional da ABHR</kwd>
				<kwd>XV Simpósio Nacional da ABHR</kwd>
				<kwd>II Simpósio Sul da ABHR</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title><italic>Keywords:</italic></title>
				<kwd><italic>History</italic></kwd>
				<kwd><italic>Religion</italic></kwd>
				<kwd><italic>II International Symposium of</italic> ABHR</kwd>
				<kwd><italic>XV National Symposium of</italic> ABHR</kwd>
				<kwd><italic>II South Symposium of</italic> ABHR</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
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				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="7"/>
				<page-count count="7"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p> Se as portas do diálogo sobre história, gênero e religião foram abertas no Simpósio
				Sudeste da Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR) em 2013, tal qual
				citado por <xref ref-type="bibr" rid="B6">Terzetti (2013)</xref>, doutor e mestre em
				Ciências da Religião e membro editorial da REVER- Revista de Estudos da Religião
				(Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), em 2016 efetivamente se adentrou em
				um templo das discussões no II Simpósio Internacional<italic>,</italic> XV Simpósio
				Nacional e II Simpósio Sul da ABHR, realizados concomitantemente nos dias 25 a 29 de
				julho de 2016, na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis (SC). Sob
				o tema &quot;História, gênero e religião: violências e direitos humanos&quot;, o
				evento contou com o maior público de sua história, entre palestrantes,
				interlocutores, comunicadores e ouvintes - cerca de 1 600 inscritos, segundo a
				gestão ABHR 2016. Seu enfoque, acrescido de cartas abertas, manifestações orais e
				escritas, cartazes e teatros, era o repúdio à intolerância religiosa e demais
				intolerâncias e a programação direcionada às discussões e apresentações de pesquisas
				ligadas a gêneros, sexualidades, religiões e políticas públicas. Conforme se pôde
				verificar nos Cadernos de Programação (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ASSOCIAÇÃO
					BRASILEIRA DE HISTÓRIA DAS RELIGIÕES, 2016</xref>) do evento, confeccionados em
				mídia impressa e digital, foram oferecidas inúmeras possibilidades de diálogos
				inter-religiosos e novas perspectivas de interação plural entre as múltiplas
				interfaces do Sagrado rumo ao século que já é chamado de o mais secular de todos os
				tempos. </p>
			<p>O Simpósio da ABHR de 2016 contou com uma mesa de abertura polêmica, três
				conferências de viés crítico às matrizes religiosas tradicionais, 15 mesas-redondas
				com temas éticos plurais, 15 oficinas, 24 minicursos que foram do Sagrado ao Profano
				transitando pela política, filosofia e até literatura comparada e 78 grupos de
				trabalho, com a presença de personagens impor-tantes do circuito historiográfico,
				além de estudantes da Graduação e Pós-Graduação em diversas áreas das Humanidades.
				Enfim, um verdadeiro desafio para seus organizadores devido ao grande volume de
				participantes e mesmo à certa pluralidade de temas que necessitaram ser concentrados
				em áreas de interesse ou similaridade de perspectivas em suas pesquisas. Em relação
				ao que foi observado durante o evento, apresenta-se nesta comunicação uma pequena
				parcela das discussões e atividades às quais se obteve acesso, proporcionando ao
				leitor algum entendimento acerca das dimensões empíricas e herme-nêuticas de um
				diálogo que foi plural, crítico, com grandes contribuições para o entendimento das
				novas e multifacetadas experiências religiosas e fenomenológicas que este novo
				século apresenta, permeadas por novas posturas no que tange às Ciências Humanas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Conferências</title>
			<p>A sessão de abertura contou com a presença de Rita Laura Segato, PhD do Departamento
				de Antropologia Social da <italic>Queens University of Belfast</italic> e professora
				da Universidade de Brasília, discorrendo sobre o tema <italic>&quot;</italic>Corpo,
				política, violência e religião na fase apocalíptica do capital&quot;. Segundo a
				conferencista, é um desafio falar em religião no Brasil de hoje. Ao mesmo tempo, o
				momento da ABHR é propício, considerando que o evento, segundo <xref ref-type="bibr"
					rid="B5">Segato (2016)</xref>, aconteceu naquela que se intitula a mais
				feminista das universidades do país. Avaliar a questão da violência contra as
				minorias, a situação política do Brasil e da Argentina (seu país de origem), somadas
				a questões religiosas, sem cair num reducionismo ou simplificações, foi tarefa que a
				palestrante cumpriu com rigor. De início, ressaltou a excessiva preocupação da
				sociedade com o que definiu como &quot;a vida das coisas&quot; (a vida regida pelas
				coisas, não as coisas pelas pessoas) em oposição à vida relacional (sujeitos
				relacionais), o que, segundo a pesquisadora, tem dificultado o diálogo entre
				religiões. Seguiu seu discurso falando dos fundamentalismos e, dentro de alguns
				deles, o perigo da tendência em coibir uma interpretação polissêmica da Bíblia, que
				tem resultado, por sua vez, na inibição de um engajamento dialógico dentro das
				próprias denominações religiosas. O fundamentalismo é, para a conferencista, a forma
				mais ocidentalizada de falar do outro (e principalmente do Oriente), o que a faz
				pensar que há uma mente mestra que tem arquitetado o comportamento religioso atual.
				Na conclusão de suas palavras, destacam-se o realce crítico às ações
				fundamentalistas e a percepção de que a reli-giosidade é parte essencial da esfera
				relacional humana, além de um importante apontamento que se revela na reversão da
				visão atual exclusiva e excludente do outro, solicitando aos par-ticipantes que não
				fossem cúmplices daqueles que respeitam e valoram unicamente os de sua mesma
				confissão.</p>
			<p> Para a sessão central, ninguém menos que Tim Jensen, dinamarquês que preside a
				Associação Internacional de História das Religiões; em pauta &quot;O estudo
				acadêmico das religiões e a educação religiosa nas escolas&quot;. Contudo, a
				ausência do convidado ilustre foi sentida pelos participantes, mas substituída por
				uma explanação por um de seus membros sobre os fins e métodos da ABHR.</p>
			<p>A sessão de encerramento contou com a presença de Oscar Calavia Saéz, Coordenador do
				Simpósio e professor do Departamento de Artes da Universidade Federal de Santa
				Catarina, que expôs o controverso tema &quot;Contra naturam<italic>:</italic> o sexo
				e o cristianismo&quot;<italic>.</italic><xref ref-type="bibr" rid="B4">Saéz
					(2016)</xref> afirmou que o cristianismo, historicamente, posicionava-se contra
				a família tradicional por meio de posturas repressoras e da insistência quanto ao
				não exercício da sexualidade plena. Afirmou ainda que pensadores como Bertrand
					Russell<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref> partiam de raciocínios equivocados ao associarem o puritanismo a uma reação
				contra o comportamento da civilização romana. Enfatizou que Roma fora uma república
				preocupada com solidez legal, e que a percepção de moral e de perspectivas
				moralistas deveriam ser alinhadas ao seu tempo histórico, algo que Russell, a seu
				ver, não fez. Ponderou que a visão cristã do sexo como pecado poderia ser vista como
				uma forma da comunidade cristã se contrapor a toda e qualquer expressão religiosa e
				cultural pagã (entre elas, a própria civilização romana). Com a primeira
				&quot;onda&quot; escatológica primitiva, a negação da vida conjugal tornou-se uma
				prioridade e o celibato passou a vigorar como marca de excelência da nova
				configuração religiosa - o que perdurou até os tempos da institucionalização da
				igreja Apostólica Romana. Para dar forma à apresentação do seu raciocínio, o
				professor <xref ref-type="bibr" rid="B4">Saéz (2016)</xref>, fez uso de amplo
				material iconográfico, tendo como foco analítico pinturas com referência à
				&quot;sagrada família&quot; (Jesus, Maria e José). Comparou, entre outras, &quot;A
				adoração dos pastores&quot; (pintura em tela, também conhecida como &quot;A adoração
				dos magos&quot;), de 1474, de Sandro Botticelli, na qual está demonstrada uma enorme
				diferença de idade entre Maria e José, imagem que remete a um matrimônio sem
				relações íntimas, como a igreja previa, e a obra &quot;A sagrada família do
				passarinho&quot; (1645-1650), de Murilo, que apresenta uma Maria e um José com
				idades provavelmente mais próximas, em uma pintura encomendada como reação da Igreja
				Católica à Reforma Protestante (esta, a favor do casamento dos clérigos e da
				sacralização da família). Para <xref ref-type="bibr" rid="B4">Saéz (2016)</xref>, as
				questões atuais de intolerância às diversidades relacionais e o formato do
				&quot;ideal&quot; de família seriam, assim, o resultado do domínio cristão no
				ocidente como Igreja-Estado colonizadora, o que gerou, ao longo da história,
				conceitos moldados pela religião e remoldados segundo os interesses dominantes do
				Estado vigentes em cada época. </p>
			<sec>
				<title>Mesas-Redondas</title>
				<p>As mesas-redondas abordaram o tema do encontro da ABHR com excelência, reforçando
					a necessidade de priorizar a aplicação efetiva dos direitos humanos e de
					promover a cessação da violência em diversos âmbitos e a igualdade de gêneros. </p>
				<p>Dentre elas, destaca-se a Mesa de número 2, cujo tema foi &quot;Mídia, religião e
					cultura: per-cepções e tendências em perspectiva global&quot;<italic>.</italic>
					Compuseram a mesa: Jorge Miklos, professor titular no Programa de Pós-Graduação
					em Comunicação e Cultura Midiática da Universidade Paulista (Unip); Karina
					Kosicki Bellotti, doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas
					(Unicamp) e professora adjunta da Universidade Federal do Paraná (UFPR); Luis
					Henrique Marques, doutor em História pela Universidade Estadual Paulista
					&quot;Júlio de Mesquita Filho&quot; (Unesp) e professor titular na Unip; e
					Magali do Nascimento Cunha, doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade
					de São Paulo (USP), professora na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e
					coordenadora do grupo de pesquisa MIRE - Mídia, Religião e Cultura. Dentre as
					abordagens, Magali Cunha ressaltou a verdade de que o Estado Laico é um processo
					em construção. A culpa da difusão de intolerância, lançada atualmente sobre a
					&quot;bancada evangélica&quot; brasileira não é, por assim dizer, por suas
					atitudes concretas. A intolerância, segundo a palestrante, se dá por uma forte
					condescendência e pela produção de fatos pela grande mídia - esta, sim, seria a
					grande produtora de intolerância, inculcando um excesso de culpa sobre o Estado
					Islâmico e gerando o que se poderia chamar de <italic>intolerância
						naturalizada</italic>. Segundo Miklos (2016), desse processo de uso da
					grande mídia também se beneficia a máquina do consumo, pelo uso dos meios de
					comunicação que funcionam por um &quot;bios-midiático&quot; - uma nova forma de
					ser e pensar o mundo pela necessidade de escoamento da produção global, criando,
					para isso, uma relação emocional (não mais de utilidade ou necessidade) do
					indivíduo com as &quot;novas experiências&quot; (mercadorias). Por esse
					parâmetro também se moldam as religiões do momento, carismáticas,
					neopentecostais, mercadológicas, oferecendo &quot;produtos de fé emocional&quot;
					ao alcance dos indivíduos, a fim de criar o desejo e, ao mesmo tempo,
					satisfazê-lo (em um processo infinito de geração e satisfação), prendendo o
					religioso à fidelidade à instituição. Para Marques, o processo de midiatização
					atinge também a Igreja Católica, que busca, por processo semelhante, resgatar
					certa hegemonia perdida para as neopentecostais. Como diferencial, a Igreja
					Católica tem seus santos e procissões, elementos palpáveis que a diferenciam e
					que potencializam a visualização do sagrado, materializando a experiência do
					fiel. Ainda dessa corrente midiática se beneficiam as editoras, aproveitando o
					crescente número de leitores evangélicos que despertaram para o consumo de obras
					literárias, principalmente aquelas que desenvolvem temas ligados à liderança
					pessoal e profissional, embasadas em &quot;fórmulas&quot; de autoajuda com
					religiosidade e empreendedorismo. Segundo Karina Bellotti, esses consumidores de
					produtos de editoras evangélicas são, em sua maioria, de classe média,
					profissionais que buscam orientações para atingir alta
						<italic>performance</italic>, máxima rentabilidade, oferecida por temas como
						<italic>Jesus, o melhor executiv</italic>o ou <italic>lições de liderança de
						Jesus</italic>, um Jesus desprendido da teologia, mais humano que
					espiritual, de dedicação profissional 24 horas, vocacionado ao trabalho, como
					sugere a ética calvinista unida a uma sutil harmonia com o mercado atual. </p>
				<p>Para abordar o tema <italic>Direitos humanos, golpe e resistência</italic>, a
					Mesa-redonda 10 contou com a presença de Alexandre Brasil Fonseca, professor do
					Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde (NUTES) da Universidade Federal do
					Rio de Janeiro (atualmente cedido para a Secretaria Especial de Direitos
					Humanos); Carlos André Macêdo Cavalcanti, membro fundador do Comitê Nacional da
					Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da
					República; Jessie Jane Vieira de Sousa, doutora em História Social pela
					Universidade Fede-ral do Rio de Janeiro e pós-doutora pelo Instituto de
					Desarrollo Económico y Social; e Zwinglio Motta Dias, professor associado da
					Universidade Federal de Juiz de Fora. O segundo e a terceira participantes
					discorreram comparativamente sobre fatos que envolveram o Golpe de 1964 e os
					eventos que se sucederam à reeleição da Presidente da República Dilma Rousseff,
					em 2014. Apresentando tabelas estatísticas, com base no Índice de Gini<xref
						ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>, Alexandre Brasil afirmou que, em 2012, o Brasil atingiu índices de
					concentração de renda similares aos da década de 1960, o que indicava uma melhor
					(não ideal) distribuição da renda em comparação à década de 1990. Assim, segundo
					especialistas em estatísticas de crescimento econômico e social, se o Brasil
					mantivesse o índice de crescimento e diminuição da desigualdade, em 2030
					chegaria a patamares semelhantes aos do Canadá. Com a incerteza política do
					momento (julho de 2016), essas projeções não podem ser feitas. Fazendo uma
					análise sobre essas projeções estatísticas, considera-se que a desigualdade
					social está relacionada à violência e, esta, à intolerância. Apesar de o Brasil
					estar categorizado como país campeão mundial em liberdade religiosa, em 2013
					concentrou um alto nível de intolerância nas escolas, nas igrejas e em
					determinados espaços públicos - uma orquestração contra a abertura ao outro, às
					minorias, que, segundo Brasil, é reflexo do comportamento idealizado por alas
					mais conser-vadoras. A &quot;pregação&quot; dessa intolerância, para Cavalcanti,
					é parte das <italic>técnicas de golpe</italic>, que se constituem de
					articulações progressivas - no descrédito do parlamento, na geração de uma crise
					socioeconômica progressiva, na fomentação da ideia da necessidade de um herói
					moralizador, na exploração de fatos sociais que a grande mídia expõe como
					desastres, no esvaziamento de análises políticas pela população, que levam,
					consequentemente, a uma total desarticulação social e política. Essas táticas da
						<italic>técnica de golpe</italic>, porém, não acontecem de forma sequencial
					e única, mas podem ocorrer tanto concomitantemente quanto em sequência, e sem
					ordem estabelecida. Cavalcanti afirma que essa propaganda de desastre social e
					moral produz uma demonização da esquerda, gerando na sociedade não politizada o
					desejo de um messias para a salvação social. Para Jessie Sousa, no Brasil, a
					dificuldade em reverter o golpe é maior porque se vê uma burguesia colonizada,
					somada a uma maioria não politizada, com receio de perder os bens e a ascensão
					social conquistados nos últimos anos, sem nenhuma preocupação com o quadro
					social geral. O resgate da memória social do país, da sua história passada e
					recente, segundo Jessie, é fundamental, sendo urgente uma retomada da memória do
					Golpe de 64 pelas instituições de ensino, de forma a conscientizar as novas
					gerações daquilo que pode ainda ser revertido com resistência na sociedade
					brasileira. Sobre a intolerância entre as igrejas protestantes, Zwinglio lembrou
					que Direitos Humanos é o tema principal na agenda da Comunidade Ecumênica
					Internacional, da qual faz parte. Contudo, a igreja protestante não tem se
					valido dessa agenda devido ao fato de ter se moldado aos conceitos históricos
					protestantes norte-americanos. Como conclusão das exposições da Mesa,
					ressaltou-se que as comunidades religiosas e demais grupos ou instituições
					sociais e políticas necessitam questionar e conhecer sobre imperialismo (palavra
					que tem sido apagada dos diversos níveis discursivos no Brasil), aprofundando-se
					no estudo da história e das estratégias de relações internacionais. Ceder à
					intolerância leva à ignorância sobre o outro e sobre fatos que afetam a vida
					social e relacional. Foi consenso entre todos os componentes da Mesa que, apesar
					do espanto e do sentimento de desencantamento atual com a política e a
					sociedade, o caminho continua aberto a debates, a questionamentos e à
					resistência, que deve ser ampliada de forma mais precisa e organizada. Aos
					jovens estudantes foi proposta a missão de retomar as urgentes discussões sobre
					a manutenção dos direitos sociais adquiridos, e diga-se, com tanto esforço, nos
					anos de abertura política e redemocratização do país.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Outras atividades do Simpósio</title>
				<p>O Simpósio da ABHR oportunizou o lançamento, exposição e venda de novas
					publicações (cerca de cinquenta lançamentos entre livros e revistas
					científicas), algumas apresentadas pelos próprios autores. </p>
				<p>Ainda entre as programações, o público pôde apreciar as apresentações do 2º
					Fazendo Arte, que constou de diversas <italic>performances</italic> artísticas e
					da projeção de filmes de curta e média duração. </p>
				<p>Outro importante encontro foi o <italic>ABHRinha</italic> e a <italic>ABHR
						Jovem</italic>, com programação direcionada a crianças e adolescentes, a fim
					de estimular a cidadania e o respeito às diversidades, seguindo a proposta do
					tema do Simpósio. </p>
				<p>Moções e Cartas contra a violência foram apresentadas ao público, conduzidas pelo
					coordenador do evento e presidente da ABHR, Eduardo Maranhão, bem como
					apresentados o Código de Ética da Comissão de Direitos Humanos da ABHR, sob
					condução de Leila Albuquerque, atual coordenadora do grupo de trabalho
					&quot;Religião e Ciência: tensão, diálogo e experimentações&quot; da ABHR, e
					Carlos André Cavalcanti (supracitado). Na sequência, deu-se o lançamento do
					Prêmio ABHR de Teses, Dissertações e Trabalhos de Conclusão de Curso, bem como a
					premiação de Pôsteres expostos no evento. </p>
				<p>O Pós-Evento foi destinado às reuniões internas da ABHR e seus associados,
					reunidos em Assembleia Geral Ordinária para eleição da diretoria da associação,
					que concedeu novamente a Eduardo Maranhão mais um mandato na presidência.</p>
				<p>Muito há que ser discutido e pesquisado sobre História e Religiões - e mais ainda
					neste momento em que se vivenciam novas possibilidades em embate (também) com
					perspectivas de retrocesso. Talvez um seja a mola propulsora do outro, o que
					deixa uma boa expectativa pela continuidade, pelo envolvimento de mais pessoas
					na pesquisa científica dos fatos e sociedades, e pelo que virá para o próximo
					evento.</p>
			</sec>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HISTÓRIA DAS RELIGIÕES. SIMPÓSIO
					INTERNACIONAL DA ABHR, 2.; SIMPÓSIO NACIONAL DA ABHR, 15.; SIMPÓSIO SUL DA ABHR,
					2., 2016, Florianópolis. <italic>Anais</italic>... Florianópolis: ABHR, 2016.
					p.33. Disponível em: &lt;<comment content-type="cited">Disponível em: <ext-link
							ext-link-type="uri"
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							>http://www.simposio.abhr.org.br/download/download?ID_
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					</comment>&gt;. Acesso em: 11 ago. 2016.</mixed-citation>
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						<collab>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HISTÓRIA DAS RELIGIÕES</collab>
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						SIMPÓSIO SUL DA ABHR, 2</conf-name>
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					SIMPÓSIO INTERNACIONAL DA ABHR, 2.; SIMPÓSIO NACIONAL DA ABHR, 15.; SIMPÓSIO SUL
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					, 2016.</mixed-citation>
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						<name>
							<surname>MIKLOS</surname>
							<given-names>J.</given-names>
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					<comment>Mídia, religião e cultura: percepções e tendências em perspectiva
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						INTERNACIONAL DA ABHR, 2.; SIMPÓSIO NACIONAL DA ABHR, 15.; SIMPÓSIO SUL DA
						ABHR, 2</conf-name>
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					<source>Contra naturam: o sexo e o cristianismo</source>
					<conf-name>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HISTÓRIA DAS RELIGIÕES; SIMPÓSIO
						INTERNACIONAL DA ABHR, 2.; SIMPÓSIO NACIONAL DA ABHR, 15.; SIMPÓSIO SUL DA
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							<surname>SEGATO</surname>
							<given-names>L.R.</given-names>
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					<conf-name>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HISTÓRIA DAS RELIGIÕES; SIMPÓSIO
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					<article-title>Uma porta para o diálogo: o simpósio sudeste e simpósio
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					<volume>13</volume>
					<issue>2</issue>
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							<surname>WOLFFENBÜTTEL</surname>
							<given-names>A.</given-names>
						</name>
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					<article-title>O que é? Índice de Gini</article-title>
					<source>Desafios do Desenvolvimento</source>
					<volume>ano 1</volume>
					<issue>1</issue>
					<year>2004</year>
					<comment content-type="cited">Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
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						2016</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Associação Brasileira de História das Religiões. Informações do evento 2016.
					Disponível em: &lt;http://www.simposio.abhr.org.br/&gt;. Acesso em: 11 ago.
					2016.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Bertrand Arthur William Russell, terceiro conde de Russell, nasceu no País de
					Gales, em uma família tradicional, no auge do poderio econômico e político
					inglês. Tornou-se filósofo, lógico e matemático, além de inveterado humanista.
					Escritor prolífico, ajudou a popularizar a filosofia por meio de palestras e
					comentários sobre uma grande variedade de assuntos, não apenas acadêmicos mas
					também relativos a questões da atualidade (RUSSELL, [s.d.]).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>O Índice de Gini, criado pelo matemático italiano Conrado Gini, é um instrumento
					para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo. Ele aponta a
					diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. Numericamente,
					varia de zero a um (alguns apresentam de zero a cem). O valor zero representa a
					situação de igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda. O valor um (ou cem)
					está no extremo oposto, isto é, uma só pessoa detém toda a riqueza. Na prática,
					o Índice de Gini costuma comparar os 20% mais pobres com os 20% mais ricos
					(WOLFFENBÜTTEL, 2004). </p>
			</fn>
		</fn-group>
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