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                <journal-title>Revista Reflexão</journal-title>
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                <publisher-name>Pontifícia Universiade Católica de Campinas</publisher-name>
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                <article-title>O nosso espelho do Terror</article-title>
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                        <sup>1</sup>
                    </xref>
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                <label>1</label>
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                <institution content-type="normalized">Pontifícia Universidade Católica de Campinas</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas</institution>
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                <email>lindenerpareto@gmail.co</email>
                <institution content-type="original">Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Faculdade de História. R. Prof. Dr. Euryclides de Jesus Zerbini, 1516, Parque Rural Fazenda Santa Cândida, 13087-571, Campinas, SP, Brasil. E-mail: lindenerpareto@gmail.com.</institution>
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                <surname>ZACARIAS</surname>
                <given-names>G.F.</given-names>
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        </person-group>.
        <source>No espelho do terror: Jihad e espetáculo</source>
        <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>:
        <publisher-name>Editora Elefante</publisher-name>,
        <year>2018</year>.
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       <lpage>55</lpage>.
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (
                        <italic>Open Access</italic>) sob a licença 
                        <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.
                    </license-p>
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        <p>Sexta-feira, 13 de novembro de 2015: uma série orquestrada de ataques terroristas em diversos pontos da cidade de Paris matou, a tiros de fuzis, centenas de pessoas. Na casa de shows Bataclan, três homens fortemente armados invadiram o recinto, fizeram reféns, declararam palavras de ordem jihadistas, mataram 89 pessoas e se suicidaram logo em seguida, numa carnificina que remontaria aos momentos mais agudos das revoluções, guerras e ocupações que a cidade presenciou desde o século XVIII. Os parisienses viviam, meses depois do ataque à redação do Charlie Hebdo, uma noite de terror como poucas vezes presenciaram após o fim da Segunda Guerra Mundial. Entre os brasileiros que viviam em Paris e que se marcaram “seguros” na opção da rede social 
            <italic>Facebook</italic>, estava o autor do livro ora em questão, Gabriel Ferreira Zacarias.
        </p>
        <p>Publicado em outubro de 2018, o livro “No espelho do terror: Jihad e espetáculo” (
            <xref ref-type="bibr" rid="B03">ZACARIAS, 2018a</xref>) não é um ensaio sobre a Jihad contemporânea ou sobre o Oriente Médio, mas é um texto sobre como a “Sociedade do Espetáculo” – enunciada por Guy Debord em 1967
            <xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref> –, é a forma mais avançada do capitalismo e incide sobre a reprodução da vida social como um todo (
            <xref ref-type="bibr" rid="B02">DEBORD,1997</xref>). Com efeito, o leitor está diante de um ensaio que remonta às pesquisas que o historiador Gabriel Zacarias vinha desenvolvendo desde seu mestrado e doutorado no programa 
            <italic>Erasmus Mundus</italic>
            <xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>, que o levou até a cidade de Paris para pesquisar os arquivos pessoais de Guy Debord, adquiridos pela Biblioteca Nacional Francesa em 2010. Zacarias, residente na cidade de Paris no fatídico ano de 2015, passou a observar que o fenômeno do terrorismo que se abateu sobre a França – e sobre o Ocidente em geral –, não era o resultado de um suposto “choque de civilizações”, mas o resultado do processo de transformação das experiências reais e concretas em subjetividades mediadas por imagens. Vale afirmar que os terroristas de Paris estavam mais vinculados às representações deles mesmos nas imagens das redes sociais do que à realidade das comunidades tradicionais islâmicas, contrariando o que anunciava a mídia francesa e o Ocidente em geral ao classificar o ato na anacrônica chave do choque de civilizações.
        </p>
        <p>Munido de grande poder de síntese e de uma narrativa fluente, erudita e didática, Gabriel Zacarias recorre à caixa de ferramentas da teoria crítica e dos autores da Escola de Frankfurt para apontar a patologia mais aguda do tempo atual: a realidade concreta, a vida real e suas relações foram, mormente desde a década de 1960, transformadas pelo fetiche da imagem. Em outras palavras, o processo de alienação experimentado no mundo do trabalho, em vidas que se esvaem em relações sociais mediadas por mercadorias e consumismo, levou o sujeito a tentar restituir sua potência em fugas como a indústria cultural. Porém, seguindo as teses de Guy Debord, Zacarias entende que, após 1960, a indústria do espetáculo não configura um mero adendo ou fuga à realidade,</p>
        <p>
            <disp-quote>
                <p>[...] longe de simples paliativos, são as instâncias mediadoras da imagem – hoje espaços de ação virtual – que cumprem a função de modeladoras sociais das falhas. Elas permitem não apenas uma fuga imaginária, mas uma realização de desejos perversos no âmbito separado da representação </p>
                <attrib>(
                    <xref ref-type="bibr" rid="B03">ZACARIAS, 2018a</xref>, p.15).
                </attrib>
            </disp-quote>
        </p>
        <p> A despeito da formulação acima parecer aos olhos do leitor um tanto sofisticada, todos a conhecem muito bem numa sociedade dominada pelas redes sociais. De fato, se, desde o final do século XIX, o valor do sujeito foi medido pela propriedade de um automóvel pujante, pela posse de inúmeros eletrodomésticos – exemplos clássicos do capitalismo do século XX –, ou pelo sentimento de pertença ao Estado-Nacional, hoje a ordem espetacular exige que sua experiência cotidiana seja quase que completamente transferida para a representação da imagem, no 
            <italic>Facebook</italic>, no 
            <italic>Instagram</italic>, no 
            <italic>Whatsapp</italic> ou em redes equivalentes. Para “existir”, é preciso postar, afirmar a retumbante dor de vidas massacradas pelo vazio do tempo presente numa representação imagética que falseia a realidade, ou melhor, submete a vida real à vida mediada pelas imagens das redes sociais.
        </p>
        <p>Ora, daí decorre, no ensaio de Gabriel Zacarias, o 
            <italic>modus operandi</italic> do terrorismo contemporâneo. Ele não é parte do tradicionalismo islâmico anterior aos Estados Nacionais do século XIX ou tampouco tem relação concreta com as questões culturais e religiosas das tradicionais regiões islâmicas do mundo. Os sujeitos que atacaram tanto o Charlie Hebdo quanto a casa de shows Bataclan eram parte da “comunidade imaginada” francesa, ou melhor, eram cidadãos franceses e europeus. Isso significa que, entre outras questões, seu vínculo com o mundo islâmico e com a jihad se deu, sobretudo, pelo âmbito virtual, pela 
            <italic>Internet</italic> e pelas redes sociais:
        </p>
        <p>
            <disp-quote>
                <p>Não se trata, portanto, de uma retomada dos laços comunitários perdidos, de um retorno à prática religiosa familiar ou a qualquer costume transmitido pela tradição, mas sim da adesão imaginária motivada por eventos de grande repercussão midiática. O tradicionalismo que o fundamentalismo islâmico encena não é assim mais que um produto apto ao consumo espetacular </p>
                <attrib>(
                    <xref ref-type="bibr" rid="B03">ZACARIAS, 2018a</xref>, p.23).
                </attrib>
            </disp-quote>
        </p>
        <p>Para Zacarias, o terrorismo contemporâneo é parte da reprodução social produzida pelo capitalismo, cuja forma mais avançada é a indústria cultural e as relações sociais mediadas por imagens. Não à toa, diz Zacarias, os arautos do terror jogam videogame, tem perfil nas redes sociais e ostentam câmeras 
            <italic>GoPro</italic> nas pontas de seus fuzis. Trata-se de entender o terrorismo contemporâneo não como algo exterior à cultura e à sociabilidade ocidentais, mas como parte do que o próprio Ocidente inventou como forma de reprodução da vida social, mediações e alienações de diversas formas. Assim, a violência cega do terrorismo 
            <italic>GoPro</italic> jihadista ou os massacres perpetrados por atiradores “loucos” nos EUA – e recentemente também no Brasil –, não são fatos alheios à cultura ocidental
            <xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>. Ao contrário, são parte fundamental das formas autoritárias que lograram sucesso no século XX, seja nas consequências do Imperialismo europeu e norte-americano, seja internamente em experiências políticas como o Nazismo. Basta observar as grandes produções cinematográficas do III Reich, criando não apenas a propaganda do regime Nazista, mas sobretudo narrativas que transformam a produção da vida material, e dos conflitos aí envolvidos, numa abstração distópica de uma sociedade “sem classes” e unida no corporativismo do Partido Nazista. Qualquer semelhança com as realidades políticas do atual Ocidente não é mera coincidência.
        </p>
        <p>O ensaio de Gabriel Zacarias, na esteira das teses de Debord, não configura uma novidade teórica como crítica à sociabilidade capitalista em âmbito mundial. De fato, é parte de uma consistente teoria crítica à modernidade e às suas formas de alienação, que encontram nos narradores do século XIX seus primeiros grandes críticos. De Marx à Debord, a crítica à forma mercadoria/imagem e seu cortejo de opressão e alienação acompanham uma modernidade repleta de abstrações: das ilusões de totalidade do Estado-Nação às ilusões das comunidades virtuais, páginas do 
            <italic>Orkut</italic> e 
            <italic>Facebook</italic>, fotos paramentadas do 
            <italic>Instagram</italic> e uma indústria dos “
            <italic>likes</italic>”
            <xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>, que só tendem a fortalecer a ideologia oferecida pela sociedade espetacular:
        </p>
        <p>
            <disp-quote>
                <p>Com o empobrecimento da experiência cotidiana imposta pela superespecialização do trabalho, nascia o desejo pelo consumo de vidas espetaculares. A função das vedetes seria a de encenar essas vidas. A tão falada auto exposição onipresente nas redes sociais parece seguir a exata mesma lógica, como se todos hoje tivessem seu lado vedete. Não se trata apenas de se autoexpor, mas sobretudo de constituir um vivido aparente que, assim como o vivido aparente da vedete, serve a preencher o vazio da experiência cotidiana sob o Capitalismo </p>
                <attrib>(
                    <xref ref-type="bibr" rid="B03">ZACARIAS, 2018a</xref>, p.44).
                </attrib>
            </disp-quote>
        </p>
        <p>Esta é, portanto, a contundente contribuição do presente ensaio. Ao vincular os ataques terroristas contemporâneos – os 
            <italic>school shottings</italic> ou o jihadismo –, à ideologia da sociedade do espetáculo, Gabriel Zacarias oferece o que há de melhor no ofício do historiador: não dobrar os fatos históricos materiais, reais e incontornáveis às narrativas abstratas e ilusórias de um mundo dominado pela sociabilidade virtual. De fato, entre outras questões, o alcance da sociedade espetacular ultrapassa e muito o âmbito do terrorismo contemporâneo ou da vida cotidiana da eterna procura de realizar o vivido aparente das estrelas de cinema. O que está em jogo na atual sociedade espetacular é a própria experiência das democracias contemporâneas. Da mesma forma se comporta a lógica de operação das campanhas eleitorais que se recusam a debater por meio de uma sociabilidade real, usando as redes sociais para espalhar velhos mantras da extrema direita do século XX. O preço de se aceitar tal alienação é cair nas armadilhas do Negacionismo, da violação dos Direitos Humanos, da submissão ao monopólio das empresas de 
            <italic>Big Data</italic> – como 
            <italic>Facebook</italic> e 
            <italic>Google</italic> –, ou seja, é estar suscetível a tudo aquilo que tem sido largamente chamado de 
            <italic>Fake News</italic> e Pós-Verdade, amplamente difundidas pelas redes sociais, 
            <italic>Twitter</italic> e 
            <italic>lives</italic> do 
            <italic>Facebook</italic>. Isso é veiculado não só pelos sujeitos do novo terrorismo espetacular em questão, mas pelos mais altos mandatários políticos de uma ordem neoliberal
            <xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>, que produz, no dizer de Zacarias, um “terrorismo faça você mesmo”, uma subjetividade capaz de aniquilar, com a violência cega de vidas esvaziadas, a existência humana como a conhecemos:
        </p>
        <p>
            <disp-quote>
                <p>Em uma sociedade na qual mesmo a mais pura e simples sobrevivência não pode ser obtida sem a mediação do mercado, o espetáculo, enquanto configuração ideológica dessa sociedade, oferece compensatoriamente a ilusão de onipotência, de autossuficiência pessoal ao alcance de um clique. O terrorista apenas troca o clique do mouse pelo clique do gatilho, e opta por uma restituição ilusória de potência que não se dá mais pelo consumo, mas pela destruição </p>
                <attrib>(
                    <xref ref-type="bibr" rid="B03">ZACARIAS, 2018a</xref>, p.55).
                </attrib>
            </disp-quote>
        </p>
        <p>Finalmente, 
            <xref ref-type="bibr" rid="B03">Zacarias (2018a, p.41)</xref> argumenta ainda que, na concepção de Guy Debord (ainda em fins dos anos 1960), a mediação no âmbito separado da representação era vertical, “dada por um ponto central que ‘concentra todo o olhar’ e que realiza, portanto, uma unificação imperfeita: os indivíduos estão em relação com o centro, mas não entre si”. No entanto, com o advento da internet e das redes sociais, a mediação se tornou horizontal, afinal todos podem se representar – com as câmeras de smartphones e aplicativos a distância de um click –, nas redes da mesma forma que os artistas da Rede Globo ou de 
            <italic>Hollywood</italic>, só que em tempo integral. É como se a tese de Debord não fosse inviabilizada, ao contrário, ainda mais ampliada. Não há vida nem sociabilidade fora da representação da imagem, fora do espetáculo em tempo integral. Porém, a aparente horizontalização da mediação espetacular, ou seja, quando todos podem ser centros emissores e receptores do vivido aparente, parece ainda carregar uma “verticalidade” e uma hierarquia disfarçadas de “democratização” do espetáculo em tempo integral, o que tornaria a inversão da vida real, o vivido aparente apontado por Debord, ainda mais perverso. Nesse sentido, as redes não alteraram a lógica espetacular constatada nos anos 1960, só a consolidaram em todas as relações sociais, bastando uma espiadinha no 
            <italic>Instagram</italic> para percebê-lo.
        </p>
        <p>De fato, a análise da trajetória de qualquer sujeito, antes “desconhecido” da grande mídia, que se valha das redes sociais para promover sua vida e carreira – seja ela qual for –, evidencia ainda a centralização dos hábitos e formas culturais ditados desde há muito pelo monopólio das grandes empresas de comunicação e da indústria cultural. A princípio, não basta possuir uma idiossincrasia, peculiaridade ou habilidade qualquer para fazer sucesso nas redes e reproduzir o vivido aparente do espetáculo; pelo contrário, tudo indica que é preciso se dobrar à forma “instagramável” da indústria cultural. Não à toa, o primeiro ato dos sujeitos, quando ganham adeptos nas redes, é prontamente aceitar convites para falar nas grandes corporações e demais veículos de comunicação. De ilustres desconhecidos a artistas e intelectuais acadêmicos, todos ocupam um mesmo espaço, cenário ou estúdio.</p>
        <p>A sociedade espetacular configura, portanto, a própria alma do “Capitalismo como Religião” enunciado por Walter Benjamin em 1921 (
            <xref ref-type="bibr" rid="B01">Benjamin, 2013</xref>). Nada nele tem um significado que não esteja em relação imediata com o culto da imagem. Em suma, na esteira do necessário e urgente ensaio de Gabriel Zacarias, todos esses caminhos apontam para o único Deus cultuado na atual Sociedade Totalitária Mercantil e na longa abstração do século XX: o Mercado Mundial e suas sutilezas metafísicas.
        </p>
    </body>
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            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>“Guy Debord, cineasta marginal e intelectual autodidata, fundador da Internacional situacionista (1957-1972), grupo de vanguarda que tentou por uma última vez unir a arte e a política em um projeto de transformação revolucionária” (
                    <xref ref-type="bibr" rid="B04">ZACARIAS, 2018b</xref>, p.2).
                </p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>O 
                    <italic>Erasmus Mundus</italic> é um programa de cooperação internacional, criado em 2004 e financiado pela Comissão Europeia, que permite a mobilidade de alunos que estejam no Ensino Superior.
                </p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Casos exemplares de uma lógica dominada por vidas esvaziadas e vinculadas às representações virtuais (videogames, comunidades virtuais 
                    <italic>etc</italic>.) podem ser observadas nos atiradores da Escola Raul Brasil, no “Massacre de Suzano”, em março de 2019. Lógica vinculada à sociedade espetacular por excelência, os EUA, e seus constantes massacres levados a cabo por atiradores em shoppings, escolas, cinemas e 
                    <italic>etc</italic>.
                </p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Interessante notar que em julho de 2019 a rede social 
                    <italic>Instagram</italic> anunciou uma mudança que esconde as curtidas (ou “
                    <italic>likes</italic>”) da linha de notícias (ou 
                    <italic>feed</italic>) do perfil dos usuários. Apenas os donos dos perfis podem visualizar o número total de curtidas. A empresa argumenta que isso reduziria a competição entre os usuários e facilitaria a integração entre eles. O “truque” da iniciativa parece omitir a sutileza metafísica das redes e a alma do negócio: a lógica do espetáculo continua inalterada, a ansiedade pelo consumo das histórias constantes da vida do outro, paramentadas e no “âmbito separado da representação” é a mesma.
                </p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>Com efeito, a ascensão ao poder do Estado pela via da mídia e da indústria cultural não configura novidade. Ronald Reagan, Berlusconi e Trump – e de alguma maneira Bolsonaro no Brasil –, são a própria síntese do terror espetacular dominando o velho Estado-Nação.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <fn-group>
            <title>Como citar este artigo/
                <italic>How to cite this article</italic>
            </title>
            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <p>PARETO JÚNIOR, L. O nosso espelho do Terror. 
                    <italic>Reflexão</italic>,v.44, e194695, 2019. 
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://dx.doi.org/10.24220/2447-6803v44e2019a4695">http://dx.doi.org/10.24220/2447-6803v44e2019a4695</ext-link>
                </p>
            </fn>
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                    <article-title>Eros e civilização na sociedade do espetáculo: Debord leitor de Marcuse</article-title>
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