A vida imita a arte: aproximações entre Geografia e Literatura no romance Julieta, Coisa e Tal

Life imitates art: approaches between Geography and Literature in the novel Julieta, Coisa e Tal

La vida imita al arte: enfoques entre Geografía y Literatura en la novela Julieta, Coisa e Tal

Ana Carolina Nunes de Azevedo
Universidade Federal de Sergipe – UFS, São Cristóvão (SE), Brasil
Maria Augusta Mundim Vargas
Universidade Federal de Sergipe – UFS, São Cristóvão (SE), Brasil

A vida imita a arte: aproximações entre Geografia e Literatura no romance Julieta, Coisa e Tal

Revista Cerrados (Unimontes), vol. 21, núm. 02, pp. 35-55, 2023

Universidade Estadual de Montes Claros

Recepción: 13 Abril 2023

Aprobación: 30 Junio 2023

Publicación: 01 Julio 2023

Resumo: O texto dá ênfase às aproximações entre Geografia e Literatura motivadas pela análise das relações espaciais empreendidas no romance Julieta, Coisa e tal, escrito por Osmar Rodrigues Marques, ambientado na cidade maranhense de Caxias nos anos 1970/80. As aproximações foram conduzidas por levantamentos de documentos históricos sobre Caxias e o autor e pelo percurso etnogeográfico realizado nos lugares referenciados no romance e ancoradas em diálogos profícuos com autores dedicados aos liames entre a Geografia e a Literatura. O autor traz o cotidiano de um prostíbulo, o que nos fez entender que o espaço vivido na literatura é atuante na construção do imaginário, possibilitando apreender a construção do sentimento de pertencimento ao lugar.

Palavras-chave: Geografia, Literatura, Lugar, Pertencimento.

Abstract: The text emphasizes the approximations between Geography and Literature motivated by the analysis of the spatial relations undertaken in the novel Julieta, Coisa e tal, written by Osmar Rodrigues Marques, set in the city of Caxias (MA-Brazil), in the 1970s/80s. The approximations were conducted by surveys of historical documents about Caxias and the author and by the ethnogeographic journey carried out in the places referenced in the novel and anchored in fruitful dialogues with authors dedicated to the links between Geography and Literature. The author brings the daily life of a brothel, which made us understand that the space lived in literature is active in the construction of the imaginary, making it possible to apprehend the construction of the feeling of belonging to the place.

Keywords: Geography, Literature, Place, Belonging.

Resumen: El texto enfatiza las aproximaciones entre Geografía y Literatura motivadas por el análisis de las relaciones espaciales emprendidas en la novela Julieta, Coisa e tal, escrita por Osmar Rodrigues Marques, ambientada en la ciudad de Caxias (MA-Brasil), en las décadas de 1970/80. Las aproximaciones fueron realizadas por levantamientos de documentos históricos sobre Caxias y el autor y por el recorrido etnogeográfico realizado en los lugares referenciados en la novela y anclado en fructíferos diálogos con autores dedicados a los vínculos entre Geografía y Literatura. El autor trae el cotidiano de un prostíbulo, lo que nos hizo comprender que el espacio vivido en la literatura es activo en la construcción del imaginario, posibilitando aprehender la construcción del sentimiento de pertenencia al lugar.

Palabras clave: Geografía, Literatura, Lugar, Pertinência.

Introdução

Na dinâmica da relação entre Geografia e Literatura, procuramos analisar o sentimento de pertencimento e identificação para com os lugares apresentados na obra Julieta, Coisa e tal, de autoria do maranhense Osmar Rodrigues Marques. O romance foi publicado em 1986 e traz em seu contexto a história de uma mulher num prostíbulo muito conhecido da cidade de Caxias, estado do Maranhão, chamado Casa Amarela.

A Literatura em sua naturalidade proporciona à Geografia reflexões e abordagens de suas categorias geográficas, trazendo em sua essência uma infinidade de discussões relacionadas às ações do meio. Menciona-se, entre outras, a capacidade que a Geografia tem de se encontrar nas artes literárias e de objetivar sua produção pelo entendimento de conflitos e ações do cotidiano, tais como: conceitos da dinâmica territorial e ambiental, disputas territoriais em seus costumes e práticas, a ideia de identidade e a construção da paisagem.

Com o intuito de aproximar e entender a realidade do objeto de estudo, realizamos uma pesquisa documental e teórica. Pela abordagem humanística, nos ancoramos na contribuição de Yi-Fu Tuan, Anne Buttimer e Edward Relph por terem “a fenomenologia existencial como a filosofia subjacente” (CHRISTOFOLETTI, 1982, p. 21) e, também, nas colocações de Holzer (2016) sobre a contribuição de David Lowenthal na sistematização epistemológica da corrente humanista. Assim, tomamos como base fundamental para a investigação do sentimento de pertencimento e identidade com o lugar na vida dos personagens as obras de Maurice Merleau-Ponty, Fenomenologia da Percepção (2018), Eric Dardel, O homem e a terra: natureza da realidade geográfica (2011), e Yi-Fu Tuan, respectivamente, Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente e Lugar e Espaço: a perspectiva da experiência (1980, 2013).

Vários autores, sobretudo geógrafos, reforçam nosso entendimento de que a Geografia está presente nas narrativas e estabelecem caminhos para pensá-la para além do imaginário. O professor Carlos Augusto Figueiredo Monteiro, com o livro O mapa e a trama: ensaio sobre o conteúdo geográfico em criações romanescas (2002), buscou o conteúdo geográfico favorável para entender a dinâmica socioespacial da terra e, portanto, favorável para compreender a geografia presente em Julieta, Coisa e tal. Igualmente, o livro Geografia, literatura e arte: reflexões (2010), organizado por Maria Auxiliadora da Silva e Harlan Rodrigo Ferreira da Silva, mostra, em diferentes romances, assuntos relacionados ao conceito e cotidiano das cidades, dentre eles as vivências do sertanejo e sua simbologia afetiva e a poética e o sentimento de pertencimento aos lugares. Em paralelo, com a intenção de oferecer à nossa pesquisa uma abordagem relacionada à cidade de Caxias, encontramos no livro Percorrendo becos e travessas: feitios e olhares das histórias de Caxias (2010), organizado por Jordânia Pessoa e Salânia Melo, ensaios relacionados à simbologia e à inspiração literária, bem como à construção histórica e geográfica da cidade, seu patrimônio cultural, lugares de memórias, entre outros, fundamentais para uma melhor contextualização do passado caxiense.

O professor Ângelo Serpa, com sua produção “Por uma geografia dos espaços vividos: Geografia e Fenomenologia (2019), realiza uma abordagem relacionada à construção das perspectivas da Fenomenologia para o conhecimento das categorias geográficas, favorecendo nossa interpretação do corpo como representação de diferentes experiências.

É essencial para nosso estudo ressaltarmos a presença inicial da professora Maria Geralda de Almeida e o legado de sua obra, com destaque para a coletânea de textos de sua autoria reunidos no livro Geografia Cultural – um modo de ver (2018). Seus textos nos conduziram à compreensão do pensamento e das diferentes maneiras de sentir os lugares, territórios e paisagens, propondo perceber, nos aspectos das relações culturais e no enlace afetivo, as condições necessárias à construção identitária. Seu pensamento, em sintonia com a geografia do professor Paul Claval, nos levou a acessar o livro Terra dos homens: a geografia (CLAVAL, 2015) como um convite para pensar as relações da existência humana na Terra e as discussões realizadas sobre o significado dos saberes, práticas, habilidades e experiências e, assim, obter uma compreensão dos elementos que constituem o comportamento e a consciência de uma sociedade, favorecendo diferentes análises a respeito dos sentidos da essência geográfica.

O livro Geografias literárias: escritos, diálogos e narrativas (2020), organizado por Jussara Fraga Portugal, reúne ensaios de diferentes geógrafos, que realizam uma análise relacionada a conceitos geográficos, memórias e experiências nas narrativas, evocando reflexões quanto aos elementos da subjetividade. A produção de Jesus e Leda (2020, p. 273-296) é pertinente para a compreensão das relações sociais e cotidianas através do conceito de lugar, e a coletânea Geografia e Literatura: ensaios sobre geograficidade – poética e imaginação (2010), organizada por Eduardo Marandola Júnior e Lúcia Helena Batista Gratão, foi acessada para ajudar no diálogo e na compreensão do objeto de nosso estudo. São vários ensaios que promovem uma reflexão sobre os aspectos da construção afetiva e dos elementos que constituem o cotidiano da sociedade, o que possibilita a compreensão da geopoética e das relações identitárias.

A contextualização da pesquisa e o conhecimento de autores que trilham a mesma abordagem são, portanto, fundamentais para a elaboração do estudo, sendo esses os responsáveis pelo direcionamento das ideias do objeto pesquisado e analisado. Por isso, além dos autores já citados, acrescentamos outros, tais como: Andrade e Andrade (2010); Araújo (2010); Batista (2010); Breda (2020); Candau (2021); Castro (2015, 2016); Cavalcante (2019); Collot (2012); Cunha (2011); Dias (2020); Lima (2017); Marandola Jr. (2009, 2014); Olanda e Almeida (2008); Oliveira (2020); Santana Filho (2020); Silva (2010); Suzuki (2017) e Teixeira (2020).

Assim em conformidade com a ciência, evidencia-se o embasamento teórico referente à Geografia Humanista que se destaca ao inserir os sujeitos no centro dos trabalhos de inúmeros geógrafos, evocando o método fenomenológico. Os sentimentos dos indivíduos em relação ao espaço e ao lugar, onde realizam experiências e vivências é o principal fundamento estabelecido nesta corrente de pensamento. E, nesse contexto, a pesquisa foi conduzida pela abordagem qualitativa, por considerar, tal como baliza Gil (2002), o ambiente natural como fonte direta de dados, o pesquisador como principal instrumento e, além disso, pressupor a existência de uma relação dinâmica entre a realidade e o sujeito.

Para identificar a relação de identidade da personagem Julieta e dos demais personagens na perspectiva de suas experiências e vivências na obra foi empreendida pesquisa bibliográfica em livros, artigos, e revistas, na tentativa de compreender os conceitos geográficos e seus nexos presentes na obra. O estudo se completou com uma pesquisa documental, que proporcionou um diálogo junto ao conhecimento e a identificação da categoria lugar. Mas, com o intuito de compreender as diferentes maneiras de ver e sentir o lugar caxiense, e em consideração aos elementos geográficos presentes no romance Julieta, Coisa e tal, se fez necessário realizar um estudo com relação aos espaços de Caxias narrados pelo autor. Assim, a pesquisa de campo tornou-se necessária para se realizar imersões nos espaços relatados na obra com o interesse de conhecer como eram estabelecidas as relações, as vivências e a participação dos personagens nos lugares marcados por desafios e resistências da personagem Julieta. Decidimos, então, pela abordagem etnogeográfica, isto é, retomando os “percursos” da personagem, seja pela observação dos espaços, seja pelos registros fotográficos. Nesses percursos, entrevistamos membros da Academia Caxiense de Letras, ocupantes atuais dos prédios onde funcionavam os prostibulos e também, antigos frequentadores.

Para Peirano (2016), a realização de um percurso etnográfico deve ser considerada, inclusive, como técnica que proporciona reflexões e revisões teóricas, e Vargas (2020, p. 100) acrescenta a possibilidade de os percursos etnogeográficos “desvelarem analítica e criticamente” o lugar pesquisado. Foi assim que procedemos, caminhando atentamente pelos espaços prenhes de sentido do romance. Buscamos, nesse viés, encontrar no conhecimento da realidade do meio as ações, vivências e experiências dos personagens junto ao espaço do prostíbulo Casa Amarela. Ademais, utilizamos documentos referentes à geobiografia do autor em fotos e jornais dos anos 1970/80, levantados no Instituto Histórico e Geográfico de Caxias – IHGC e na Academia Caxiense de Letras.

O autor, com sua sensibilidade para descrever o lugar, encontra na vida das moças e dos rapazes que habitavam e frequentavam aquele recinto as bases necessárias para elaborar as discussões. A vida da personagem principal, Julieta, tornou-se o direcionamento primordial para ele, na medida em que a existência da prostituta proporcionava ao escritor momentos de inspiração para relatar a dinâmica do espaço caxiense. Com efeito, Osmar Rodrigues Marques se apresenta como quem narra, escreve e vivencia o romance. As imagens por ele construídas permitem uma aproximação da realidade vivenciada por essas mulheres, o lugar é sempre o ponto de partida para a construção das experiências e significados dos espaços e indivíduos, os diálogos e práticas cotidianas provocam o leitor a perceber que a simbologia das lugaridades são oriundas de inúmeros enlaces afetivos.

Com esta exposição, o texto que se segue está estruturado em quatro partes. Em sequência a esta Introdução, temos “As Geografias do romance na cidade de Caxias”, que apresenta sua ambiência nas décadas de 1970 e 1980, o reconhecimento atual dos referentes apontados na obra, bem como uma breve geobiografia de Osmar Rodrigues Marques. Em seguida, temos o tópico “Elo entre Geografia e Literatura”, com o intuito de ressaltar o encontro geográfico do imaginário de Rodrigues Marques em Julieta, Coisa e tal, o que nos proporciona desfrutar de sua sensibilidade e percepção para descrever o/s lugar/es e lhes atribuir sentidos identitários. Finalizamos traçando considerações sobre o lugar e o espaço em obras literárias, tendo como ponto de partida o romance aqui estudado.

As Geografias do romance na cidade de Caxias

A construção do sentimento de pertencimento é um elemento relevante em todo o enredo da obra em questão. Os personagens em sua essência existencial e o comportamento e as expressões de quem habita o prostíbulo criam, ao longo da narrativa, um sentimento de afeto e participação, ao tempo que ao leitor é possibilitado transitar por ruas e praças e pelo interior da Casa Amarela. A figura 1, a seguir, mostra a localização da cidade de Caxias e a situação de alguns referentes da geografia no romance.

O mapa tem como finalidade situar a área de estudo da obra, chamando atenção para os cemitérios, a antiga Casa Amarela, a igreja e a praça, mencionados no enredo como espaços de vivências dos personagens. Os cemitérios São Benedito e dos Remédios são inseridos na obra nos momentos de perdas; a igreja e a praça São Benedito compõem os espaços “permitidos” às meninas dos prostíbulos, mas, embora não seja explicitado, destacamos a devoção a São Benedito pelas classes sociais menos desprovidas, bem como sua associação ao sincretismo das religiões de matriz africana nas manifestações populares. As fotos 2, 3, 5 e 6 correspondem aos prédios em que, nas décadas de 1970 e 1980 – portanto, no tempo da ambiência do romance –, funcionavam, nesta ordem, os cabarés Casa Amarela, Calçada Alta, Casa Verde e Diracy e, atualmente, uma farmácia – a Ultra Popular –, uma escola municipal, nomeada “Joaquim Francisco”, uma clínica – a Medcenter Multi – e uma casa de preservação e memória do cabaré da Diracy – a Boate Madri.

Localização da área de estudo
Figura 1
Localização da área de estudo
1- Cemitério São Benedito; 2- Prédio atual do prostíbulo Casa Amarela; 3- Prédio atual do prostíbulo Calçada Alta; 4- Mercado Central; 5- Prédio atual do prostíbulo Casa Verde; 6- Prédio atual do prostíbulo Cabaré da Diracy; 7- Igreja São Benedito; 8- Praça São Benedito e 9- Cemitério dos Remédios. Foto: AZEVEDO, A. C. N. Fonte: Percurso etnogeográfico, abril de 2022.

Os registros fotográficos atuais dos referentes urbanos presentes na obra – praças, prédios, igreja, entre outros – foram considerados instrumentais necessários à análise e ao alcance dos objetivos, pois entendemos que essas imagens oferecem uma ampla reflexão quanto ao resgate da memória e ao pertencimento de Julieta ao lugar geográfico.

E, por certo, a análise literária permitiu um paralelo entre as informações adquiridas. A Casa Amarela realmente existiu na cidade de Caxias, como descrita por Osmar Rodrigues Marques, localizada na antiga rua da Areia, popularmente conhecida como “rua do Cabaré”, assim como “rua da Alegria”. Nos arredores haviam outros prostíbulos como mostrado na Figura 1, que conformavam um lugar de intensa festividade, habitado e frequentado por moças e rapazes de outros estados e cidades vizinhas. O autor é observador do espaço,

Só, sem destino, lenta, sem pensamentos na cabeça, ou muitos, embaralhados, entrou por uma rua de calçamento rude, saiu em outra passou por becos imundos, pontilhões. Numa esquina viu redes abertas e coloridas a espera de compradores muitos homens idosos jogando gamão. Quase tropeçou num homenzarrão com um amarrado de galinhas numa das mãos, a outra na cintura, olhando dois rapazes jogando bilhar. Passou por uma praça onde as palmeiras morriam de velhice e a grama secava sem tratamento. E, nos bancos, rapazes e moças em algazarra uniformizados, os livros amontoados nos canteiros, fazendo gazeta (MARQUES, 1986. p. 46).

Para entender a construção literária e artística da cidade, fez-se necessário buscar em sua história os acontecimentos e elementos da dinâmica espacial. Caxias oferece inspiração e visibilidade por guardar no Morro do Alecrim as ruínas do quartel da Balaiada, contempla os visitantes com a exuberância das igrejas seculares, recepcionou um longo período industrial, os cemitérios têm diferentes modelos arquitetônicos, as praças constituem um espaço do cotidiano, além dos aspectos naturais – Reserva Ecológica do Inhamum, balneário Veneza, rio Itapecuru, piscina da ponte, entre outros, que com suas singularidades caracterizam o lugar caxiense.

Encontramos, no jornal O Pioneiro de 1978, matérias sobre os referentes descritos por Osmar Rodrigues Marques, tais como: “São Benedito” (com descrição dos festejos); “Cemitério” (com denúncia do desmoronamento dos muros do Cemitério do Remédios); “Arroz Bringel ‘tipo exportação’” – em alusão à significativa produção da região.

No que se refere ao autor, Osmar Rodrigues Marques nasceu em Caxias, no Maranhão, em 23 de janeiro de 1929. Tinha vocação para a escrita desde sua infância e publicou seu primeiro conto aos 12 anos de idade. Era de família humilde; sua mãe, Maria Lurdes Marques, foi dona de casa e doceira; o pai, Dionizio Rodrigues Marques, era marceneiro e apicultor. Aos 21 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conviveu com grandes escritores, alargando seu ciclo de amizades intelectuais. No ano de 1961, formou-se em Direito pela Faculdade do Estado de Guanabara – UEG e também fundou a Editora Caminho, se enveredando em eventos literários (LIMA JÚNIOR et al., 2021).

Seu talento literário e artístico já se manifestava no período em que cursava o ginásio, quando escreveu seus primeiros poemas e chegou a concluir um caderno de histórias em quadrinhos. Em São Luís, já era extensa a sua produção poética, em condições de publicar um livro de 200 páginas. Destacamos sua posição de patrono da cadeira 10 da Academia Caxiense de Letras, bem como ter sido agraciado com a homenagem de dar nome à biblioteca. Faleceu em 26 de agosto de 1999 em Niterói, no Rio de Janeiro. Antes, porém, retorna a Caxias em 1998, sendo sua última visita à cidade natal.

Em sua trajetória ganhou prêmios importantes em reconhecimento e valorização de seus escritos, dentre os quais citamos os seguintes: Prêmio Orlando Dantas no IV Centenário do Rio de Janeiro; Prêmio Graça Aranha e Coelho Neto pelo Governo do Estado do Maranhão; Prêmio de Ficção do Banco Regional de Brasília no IV Encontro de Escritores; Prêmio de Ficção do Governo do Distrito Federal; Prêmio Adelino Magalhães, com o livro Os sinos de Madagascar, pelo Departamento de Assuntos Culturais da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro; Concurso de Contos da Tribuna da Imprensa no Rio de Janeiro por oito vezes; Prêmio do Jornal do Brasil com o tema “Escreva sua história de carnaval”; Prêmio de Romance do Governo de Goiás; III Concurso Petrobrás de Literatura (CARVALHO JÚNIOR, 2019).

Em 31 de janeiro de 1987, Ubiratan Teixeira publica no jornal O Pioneiro uma matéria sobre o romance em pauta, enaltecendo a relevância do texto Julieta, Coisa e tal por retratar a dinâmica da sociedade da época e enfatizando a visão de Rodrigues Marques ao descrever a efervescência dos cabarés e dos lugares caxienses. A Figura 2 atesta a repercussão de suas premiações pela imprensa da cidade.

Premiação de Osmar Rodrigues Marques noticiada na imprensa caxiense
Figura 2
Premiação de Osmar Rodrigues Marques noticiada na imprensa caxiense
Instituto Histórico e Geográfico de Caxias – IHGC, 2023. Jornal O Pioneiro, 18/05/1988.

Esse texto, também do jornal O Pioneiro, é do ano seguinte, datado de 18 de maio de 1988. Chama atenção a premiação de Rodrigues Marques ao ser classificado em concurso literário em âmbito nacional, entre centenas de candidatos, com um livro inédito intitulado Eles pensam que eu tenho medo de ter medo, por ter conquistado a terceira colocação e ser considerado o “papa prêmios”. Na época, residia em Niterói e trabalhava no Ministério Público do Rio de Janeiro. A matéria enfatiza também a fidelidade de Rodrigues Marques à cidade natal, uma vez que, embora afastado dela, continuava fazendo de Caxias o palco de suas histórias.

Conhecer os romances de Rodrigues Marques é buscar na essência de suas palavras diferentes maneiras de ver e sentir o lugar. O espaço caxiense recebe descrições e simbologias pelo viés de uma linguagem literária com capacidade de alcançar os conceitos do conhecimento geográfico. As obras do escritor revelam o amor para com a cidade natal e os lugares de suas vivências, revelado em contos, versos, romances, mantendo, assim, uma relação com a realidade pela sensibilidade a partir da qual expunha as palavras e a percepção da dinâmica do lugar.

Em 30 anos de carreira literária, Osmar Rodrigues Marques publicou 11 livros, dos quais seis receberam premiações e reconhecimento literário, podendo assim mencionar: Noite sem Limite (contos) – 1954; Chão de Inferno (romance) – 1957; Os quatro filhos do papa (contos) – 1959; Linha do vento (novela) – 1963; Os recém-casados ou Amor de cama e mesa (novela) – 1968; Geografia do vão território (romance) – 1972; Duas mulheres de Terramor (romance) – 1976; O sino de Madagascar (contos) – 1976; De como José encontrou o mar e, ajoelhado, esperou as gaivotas (contos) – 1981; Julieta, coisa e tal (romance) – 1986; Eles pensam que eu tenho medo de ter medo (contos) – 1995.

Sobre nossa imersão na obra de Rodrigues Marques, concordamos com Almeida (2010) a esse respeito quando diz que existem literaturas geográficas, que, em sentido stricto, se pode afirmar serem aquelas que foram obra de geógrafos no exercício de seu labor; e existem as outras literaturas de interesse geográfico, fruto de intenções criativas, nas quais o geográfico aflora de modo indireto, como parte de uma ficção, do imaginário, de uma sensibilidade do autor para ler a paisagem, o lugar e o mundo. Esses aportes literários ratificam o fato de que em cada realidade geográfica convivem sempre uma dimensão real e outra percebida, e que essa última é aquela que dá o componente conotativo que acaba sendo, também, parte inseparável da mencionada realidade.

Elo entre Geografia e Literatura

O encontro geográfico com o imaginário de Rodrigues Marques em Julieta, Coisa e tal proporcionou à pesquisa desfrutar da sensibilidade e da percepção para descrever o lugar. Na trama é possível observar assuntos relacionados à economia, ao extrativismo vegetal, à migração, à gastronomia, entre outros aspectos. Assim, a criatividade para relatar a realidade do local ancorada nas vivências da Casa Amarela favorece analisar o lugar caxiense como espaço de inspiração e liberdade.

Uma vertente dessa leitura literal concebe o romance mais como um testemunho das pessoas “reais” que ele traz para a cena sob a capa da ficção, e não, necessariamente, como o reflexo fiel de uma realidade geográfica. O romancista seria então um porta-voz das populações cujos gêneros de vida descreve. Ele nos mergulharia nas atitudes, nos valores e nos conflitos das pessoas de uma região determinada, face ao seu meio ambiente (BROSSEAU, 2007).

Foi na essência desse pensamento de Brosseau que encontramos no romance o testemunho da realidade do lugar. Os aspectos relacionados às vivências e experiências da população foram relacionados ao contexto da vida dos personagens, e as práticas e ações oriundas da efervescência dos cabarés foram sinalizadas através da existência de Julieta, uma jovem migrante que chega a Caxias com o objetivo de encontrar subsídios para a manutenção de sua existência, encontrando no prostíbulo Casa Amarela o suporte necessário para atender às suas necessidades.

Nesses lugares, é o tempo que é movimentado a partir de um ponto, uma densidade espacial eleva o geográfico à sua condição essencial da experiência e da existência humanas. Os lugares, no enredo em tela, não revelam apenas localizações, mas são parte da mesma trama intertextual movimentada pelo autor para compor os seus instantes. Eles próprios são fios que desvelam o mundo revelado no texto (MARANDOLA JR., 2010). O cotidiano foi um viés importante para o autor desvelar o lugar caxiense, e as ações do meio tornaram-se os elementos fundamentais para a contextualização de ideias, podendo assim mencionar o comportamento da sociedade junto às práticas e atuações das moças que habitavam a Casa Amarela; o fluxo populacional no entorno do espaço onde estavam situados outros prostíbulos, entre eles Calçada Alta e Boate Madri; o reconhecimento das praças como espaços de encontros e diversões; as igrejas católicas como lugares de referência e adorações; o mercado central com intenso fluxo populacional e econômico, além da exuberância dos casarões como espaços de memórias habitadas.

A descrição literária do lugar geográfico possibilita uma comparação entre as circunstâncias do real e do imaginário, os efeitos do passado e do presente, ambos decorrentes das transformações espaciais, que em seu ritmo acelerado avançam junto ao processo de modelagem e significado dos lugares. É com esse sentido que, ao descrever os lugares presentes em Julieta, Coisa e tal, foi possível distinguir a intensidade das transformações dos lugares percorridos pelos personagens, em especial o espaço da Casa Amarela e seu entorno. Trazer essas discussões sobre a caracterização dos lugares no enredo salienta a importância das experiências e vivências do lugar, que tem como ponto de partida os aspectos do cotidiano, a relação com o meio, as identidades espaciais que, ao longo da arte literária, foram proporcionando ao leitor descobrir os anseios e os sentimentos atribuídos ao lugar.

Um momento marcante da trama é o contexto em que o autor caracteriza a exuberância dos casarões e das igrejas da cidade, formalizados em uma arquitetura diferenciada e característica das transformações do momento. Nessa ambiência, ele introduz fatos sociais e políticos ocorridos que demonstram o poder de atração, mas também proporcionavam inspiração aos poetas e romancistas, que, com intensos sentimentos de afetividade, ofereciam vida aos espaços marcados pelas experiências desse período.

Essa é, sem dúvida, uma das maiores virtudes de um diálogo entre Geografia e Literatura no sentido de buscar os traços essenciais da experiência geográfica do mundo. Mas, ao invés de carregar para dentro da Literatura conceitos geográficos, trazer da experiência de mundo narrada na pena do escritor os sentidos para a Geografia (MARANDOLA JR., 2010).

Acrescentam-se os significados das imagens topofílicas e topofóbicas, derivadas da realidade circundante. As pessoas se atentam àqueles aspectos do meio ambiente que lhes inspiram assombro ou lhes prometem sustento e satisfação no contexto das finalidades de suas obras. As imagens mudam à medida que as pessoas adquirem novos interesses e poder, mas continuam a surgir no meio ambiente: as facetas do meio ambiente, previamente negligenciadas, são vistas agora com toda claridade (TUAN, 2010). É exatamente em decorrência do sentimento topofílico que Rodrigues Marques descreve as vivências da Casa Amarela, atribuindo sentidos e significados aos lugares e indivíduos pertencentes ao meio.

O sentimento de pertencimento exposto no romance Julieta, Coisa e tal traz-nos um encontro de sensações e emoções diversificadas, pois em todo o enredo a vida dos personagens é um elemento significativo a ser apreciado pelo leitor. As falas e expressões cotidianas provocam uma aproximação com suas vivências anteriores, algo que possibilita uma reflexão sobre o significado e a singularidade dos lugares na vida de cada integrante, como se pode notar no trecho a seguir:

Um dia Julieta estava escovando os dentes, quando caiu sobre ela, mais uma vez, a saudade da família. Outras vezes já havia acontecido aquilo, mas era uma saudade geral, quase compacta. Agora não. Agora era uma saudade em pedaços. Pedaços para mãe. Pedaços para o pai. Pedaços para a irmã. Pedaços para o irmão mais velho. Mas principalmente, para o irmão caçula que morreu por seu vício (MARQUES, 1986, p. 13).

Analisar as relações afetivas dos personagens é importante para o conhecimento da realidade, tanto quanto a maneira de ver e sentir os lugares é um processo marcado na individualidade de cada integrante. Em todo o enredo, é possível perceber que a existência de Julieta ganha sentido pela saudade e emoção de suas antigas vivências, que foram essenciais para a construção do sentimento de pertencimento ao seu lugar de origem, a cidade de Imperatriz, também localizada no estado do Maranhão.

Nesse contexto, apreendemos na essência do elo entre Geografia e Literatura aspectos que permeiam a corporeidade relacionados à existência do autor em relação à cidade e ao lugar – referentes de seu enredo. Com efeito, é possível perceber sua interação e participação na sociedade da época, favorecendo um entendimento junto à sua condição de observador e integrante do cotidiano da Casa Amarela:

A madame chamava todas as mulheres da Casa Amarela de minhas filhas. “Minha filha, você está muito bonita com esse vestido.” “Minha filha, você precisa dormir mais, de dia, para não ficar cochilando de noite, na mesa.” “Minha filha, você não está dando lucro nenhum à casa; se continuar assim, sou obrigada a mandar você embora.” (MARQUES, 1986, p. 19).

Observamos a existência de uma ação da corporeidade presente no trecho citado. O autor, na sua condição de ser no lugar, caracteriza um aspecto marcante do linguajar caxiense: a expressão “minha filha” exprime o sentido afetivo da cultura popular, que resiste à temporalidade e caracteriza o regionalismo local. Rodrigues Marques, em sua condição de indivíduo do lugar em questão, viabiliza a intimidade e a expressão direta da fala, a sensível maneira de descrever ações, linguagens, saberes e costumes, pois incorpora a naturalidade de seu corpo presente no cotidiano vivido.

Diante disso, questionamos, como o fez Monteiro (2002, p. 13):

[...] que isomorfismo poderíamos querer encontrar em coisas tão díspares quanto a Crítica Literária e a Geografia uma vez que a Literatura é “criação artística” e a Geografia é, ou pelo menos pretende ser, “construção científica”? A noção de localização espacial configurada no “lugar” aparece como denominador comum no princípio dessa possível aliança.

Pelo exposto, a cidade é o espaço de relações e de existência, o lócus de compreensão da realidade possível nas mais diversas áreas do conhecimento. Os romancistas seriam então porta-vozes das populações cujas condições de vida descrevem. As narrativas induzem a reflexões sobre pessoas e acontecimentos, conforme o modo como os romancistas desenvolvem suas ideias com aporte em contextos históricos (JESUS; LEDA, 2020). Nessas circunstâncias, é relevante ressaltar que a Literatura encaminha a Geografia a discutir assuntos referentes aos aspectos da realidade humana, encontrando, nas relações da socioespacialidade, elementos favoráveis a interpretações da dinâmica dos espaços existenciais.

Considerações finais

A capacidade da Literatura de recriar a realidade oferece ao pensamento geográfico elementos favoráveis para compreender ideias e conceitos de uma sociedade, conhecer a dinâmica de diferentes lugaridades através dos escritos romanescos e, ainda, proporcionar à Geografia uma investigação relacionada aos aspectos socioeconômicos e espaciais. Nesse sentido, é importante ressaltar a sensibilidade do mundo literário para descrever as ações dos indivíduos e realizar uma aproximação de diferentes realidades, sentimentos e emoções.

Observamos que as atividades cotidianas no romance Julieta, Coisa e tal qualificam o significado do lugar, o espaço da Casa Amarela – ambiente central na obra, onde “habitam” diversos pensamentos e sentimentos, ou seja, a vida dos personagens, que oferecem ao pensamento geográfico a oportunidade de conhecer a dinâmica espacial do lugar caxiense. Com isso, analisar a geograficidade dos personagens nos escritos literários oportuniza aos leitores conhecer e comparar realidades e vivências em temporalidades distintas, o que foi possível com nosso encontro com o texto de Rodrigues Marques, pois encontramos no imaginário do autor os aspectos necessários para entender a dinâmica espacial da sociedade retratada.

Ficou evidente que a Literatura acompanha as transformações sociais e que o enredo de Rodrigues Marques proporciona aos geógrafos a concepção das transformações dos lugares, a ampla visão das questões espaciais em sua individualidade, as divergências de classes, o cotidiano e suas representações, entre outros atributos expressos pelas ações e falas dos personagens que caracterizam as várias formas de a Literatura realizar uma abordagem geográfica.

É relevante sublinhar a linguagem simples de Rodrigues Marques e suas características regionalistas. Isso é observado nas ações de seus personagens que qualificam as práticas e os costumes da população, nas ideias do imaginário oriundas de vivências, nas experiências do meio oferecendo estrutura ao diálogo e na realidade do lugar como expressão do contexto do romance. Com o desenrolar do texto, pela construção afetiva e identitária do lugar caxiense, acreditamos, com certeza, encontrar em Rodrigues Marques a pessoa que narra, escreve e vivencia o romance em estudo.

Outros pontos são ainda merecedores de destaque. Pela discussão entre Geografia e Literatura atrelada ao romance estudado, foi possível realizar uma abordagem relacionada aos aspectos da vida cotidiana. A intenção de conhecer as experiências do enredo especifica o interesse de uma aproximação ao conhecimento das identidades do lugar pelos sentimentos de pertencimento presentes na existência de cada personagem, em especial Julieta. Nesse contexto, discutir essa relação entre Geografia e Literatura favoreceu a análise da capacidade da expressão referente às experiências dos personagens e ao poder imaginário do autor ao criar e descrever vivências, caracterizar os comportamentos dos indivíduos, oferecer sensibilidade ao lugar e estabelecer práticas e ações. Todos esses elementos nos ofereceram o entendimento das principais relações sociais do meio, na medida em que essas experiências foram entendidas como elementos das condições de existência dos indivíduos.

Apreendemos Julieta construindo seu sentimento de pertencimento e sua identificação para com o/s lugar/es de Caxias habitado/s e frequentado/s. Desvelar o pertencimento e as identidades de Julieta com a cidade foi, sobretudo, buscar no imaginário as lembranças de um lugar relevante para a manutenção da memória. Levantar essas discussões a respeito dos lugares foi, portanto, uma necessidade de interpretação da dinâmica do lugar na obra. Ao realizarmos uma abordagem com base no cotidiano dos personagens, encontramos na literatura os elementos fundamentais para compreender as questões relacionadas ao mundo geográfico, tomando o lugar como lócus de análise e observação.

Pelo exposto, tem-se que buscar na Literatura elementos da Geografia é antes de tudo realizar uma investigação junto às categorias geográficas, que, em suas individualidades, oferecem o suporte necessário para a identificação dos fatores que caracterizam o meio. E, na tentativa de encontrar esses conceitos, foi possível realizar a análise através das falas e ações dos personagens sobre o cotidiano, bem como das descrições e referências aos espaços.

A Literatura oferece, pois, diferentes maneiras de expor sensações existentes no meio. A sensibilidade de oferecer vidas e nomes aos personagens com o intuito de relatar assuntos relacionados à personalidade e ao convívio em sociedade, o sentimento topofílico ou topofóbico, as descrições dos lugares, as abordagens da paisagem como ponto de partida da observação, o regionalismo e suas representatividades, os territórios e os elementos que compõem e o espaço em seus aspectos existenciais favorecem a dinâmica e o reconhecimento da humanidade.

O elo entre Geografia e Literatura tornou-se uma oportunidade de conhecer diferentes maneiras de ver e sentir o lugar; a arte, com sua sensibilidade de tocar o imaginário, proporciona ao pesquisador buscar na essência das expressões elementos e conceitos da dinâmica social. Conhecer o romance Julieta, Coisa e tal foi, de pronto, considerado uma oportunidade para desfrutar da geohistória de Caxias a partir da provocação de Osmar Rodrigues Marques. Ele provocou e inspirou as buscas para a descrição e a compreensão da dinâmica do lugar representado na obra literária estudada.

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Notas

Ana Carolina Nunes de Azevedo É Graduada em Geografia pela Universidade Estadual de Maranhão (UEMA). Atualmente é Mestranda do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Endereço: Avenida Marechal Rondon Jardim s/n - Rosa Elze, São Cristóvão, SE, Brasil, CEP 49.100-000.

Maria Augusta Mundim Vargas É Graduada em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Doutora em Geografia pela Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Atualmente é Professora do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Endereço: Avenida Marechal Rondon Jardim s/n - Rosa Elze, São Cristóvão, SE, Brasil, CEP 49.100-000.

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